Músicas de resistência
- Meio de expressão
- Ultrapassar a sensura
- Denuncia das descontentações
- Herança e memórias vividas
Estranha forma de vida
Estranha forma de vida
Ponto de partida
- Formação em Contexto de Trabalho
- Parceria
- Festival de Animação da Monstra
- 50 anos do 25 do abril
Passam magalas, rapaziada, palpam-lhe as coxas não dá por nada. Anda, Luísa, Luísa, sobe, sobe que sobe, sobe a calçada. Chegou a casa não disse nada. Pegou na filha, deu-lhe a mamada; bebeu a sopa numa golada; lavou a loiça, varreu a escada; deu jeito à casa desarranjada; coseu a roupa já remendada; despiu-se à pressa, desinteressada; caiu na cama de uma assentada; chegou o homem, viu-a deitada; serviu-se dela, não deu por nada. Anda, Luísa. Luísa, sobe, sobe que sobe, sobe a calçada.
Na manhã débil, sem alvorada, salta da cama, desembestada; puxa da filha, dá-lhe a mamada; veste-se à pressa, desengonçada; anda, ciranda, desaustinada; range o soalho a cada passada, salta para a rua, corre açodada, galga o passeio, desce o passeio, desce a calçada, chega à oficina à hora marcada, puxa que puxa, larga que larga,[x 4] toca a sineta na hora aprazada, corre à cantina, volta à toada, puxa que puxa, larga que larga,[x 4] Regressa a casa é já noite fechada. Luísa arqueja
pela calçada. Carlos Mendes
Luísa sobe,sobe a calçada,sobe e não pode que vai cansada. Sobe, Luísa, Luísa, sobe, sobe que sobe sobe a calçada. Saiu de casa de madrugada; regressa a casa é já noite fechada. Na mão grosseira, de pele queimada, leva a lancheira desengonçada. Anda, Luísa, Luísa, sobe, sobe que sobe, sobe a calçada. Luísa é nova, desenxovalhada, tem perna gorda, bem torneada. Ferve-lhe o sangue de afogueada; saltam-lhe os peitos na caminhada. Anda, Luísa. Luísa, sobe, sobe que sobe, sobe a calçada.
Paula Rego, "Amor", 1995
Calçada de Carriche
Materiais
Porquê Maria
- Personagem religiosa
- Mulher de família
- Dona de casa
- Nome universal
Desenho Expressivo/ Materiais
Serra metálica
Sera circular elétrica
Aparafusadora
Ferramentas/Técnicas
Arrebitadora
Alicates
Prega de bancada
Espaço
Cinemateca Portuguesa
MARIA
Raquel Pacheco
Created on March 14, 2024
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Músicas de resistência
Estranha forma de vida
Estranha forma de vida
Ponto de partida
Passam magalas, rapaziada, palpam-lhe as coxas não dá por nada. Anda, Luísa, Luísa, sobe, sobe que sobe, sobe a calçada. Chegou a casa não disse nada. Pegou na filha, deu-lhe a mamada; bebeu a sopa numa golada; lavou a loiça, varreu a escada; deu jeito à casa desarranjada; coseu a roupa já remendada; despiu-se à pressa, desinteressada; caiu na cama de uma assentada; chegou o homem, viu-a deitada; serviu-se dela, não deu por nada. Anda, Luísa. Luísa, sobe, sobe que sobe, sobe a calçada.
Na manhã débil, sem alvorada, salta da cama, desembestada; puxa da filha, dá-lhe a mamada; veste-se à pressa, desengonçada; anda, ciranda, desaustinada; range o soalho a cada passada, salta para a rua, corre açodada, galga o passeio, desce o passeio, desce a calçada, chega à oficina à hora marcada, puxa que puxa, larga que larga,[x 4] toca a sineta na hora aprazada, corre à cantina, volta à toada, puxa que puxa, larga que larga,[x 4] Regressa a casa é já noite fechada. Luísa arqueja pela calçada. Carlos Mendes
Luísa sobe,sobe a calçada,sobe e não pode que vai cansada. Sobe, Luísa, Luísa, sobe, sobe que sobe sobe a calçada. Saiu de casa de madrugada; regressa a casa é já noite fechada. Na mão grosseira, de pele queimada, leva a lancheira desengonçada. Anda, Luísa, Luísa, sobe, sobe que sobe, sobe a calçada. Luísa é nova, desenxovalhada, tem perna gorda, bem torneada. Ferve-lhe o sangue de afogueada; saltam-lhe os peitos na caminhada. Anda, Luísa. Luísa, sobe, sobe que sobe, sobe a calçada.
Paula Rego, "Amor", 1995
Calçada de Carriche
Materiais
Porquê Maria
Desenho Expressivo/ Materiais
Serra metálica
Sera circular elétrica
Aparafusadora
Ferramentas/Técnicas
Arrebitadora
Alicates
Prega de bancada
Espaço
Cinemateca Portuguesa