Um dia na vida de um mineiro 5.ºA
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Era uma vez, um menino de 11 anos que se chamava Afonso. Todos os dias, Afonso passava fome, pois não tinha dinheiro. Certo dia, ele não aguentava mais e decidiu ir trabalhar para as minas. Logo no primeiro dia de trabalho, Afonso esforçou-se ao máximo, dirigiu-se ao diretor e pediu o seu salário, mas ficou decepcionado, pois apesar de se ter esforçado tanto, recebeu muito pouco. Afonso não desistiu, pelo contrário ele motivou-se ainda mais e a partir daí nunca faltou ao trabalho e no final do ano ganhou mais. Afonso Gonçalves
No ano de 1940, António estava a fazer a sua rotina de todos os dias: acordava ao tocar da sirene, vestia-se e pegava em todos os utensílios que usava na mina. Já no trabalho, ele descia para o subsolo, pegava na sua picareta e começava a martelar no carvão. António só tinha 3 intervalos, um para o almoço e os outros para ir à casa de banho. Normalmente, todos os mineiros tentavam minimizar o tempo de intervalo para receber mais dinheiro no final do mês e António era um deles. Depois de algumas horas ele teve o primeiro intervalo, o do almoço, que era de trinta minutos. Mais tarde, ele acabou o trabalho e foi para casa. Foi logo tomar banho, pois estava coberto de pó. Posteriormente, António foi jantar e, após a refeição, sentou-se no passeio da rua a fumar um cigarro e só foi dormir depois da sua esposa o ter chamado muitas vezes. Ana Luísa Tavares
Arial MT Pro
O meu avô começou a trabalhar com 13 ou 16 anos e trabalhou durante 7 ou 10 anos nas Minas de São Pedro da Cova. Ele extraía carvão e trabalhava muitas horas debaixo da terra. Havia pessoas que sofriam de asma e tinham que fazer tratamentos médicos de emergência porque as técnicas de ventilação eram rudimentares para garantir a sobrevivência. Ele acordava muito cedo, geralmente antes do amanhecer, para se preparar e chegar à mina a tempo de iniciar o turno, uma prática comum quando a vida era pautada pelo nascer e pôr-do-sol. Eles tinham de acordar com o som da sirene da mina. Embora a sirene fosse o sinal de alerta, também havia músicas tradicionais que marcaram a cultura mineira. A exploração das Minas de São Pedro da Cova encerrou em 1970. As Minas foram um pilar industrial crucial entre o final do século XVIII meados do século XX. Empregava muitas pessoas e produzia 70% do carvão nacional. Beatriz Neves Beatriz Neves
Em 1795, iniciaram as procuras e exportações de carvão nas minas de São Pedro da Cova e encerraram em 1970. Para conseguirem trabalhar, muitas das vezes, os mineiros ficavam sujeitos a doenças respiratórias através da inalação de poeiras vindas das minas. Os mineiros usavam muitas ferramentas para trabalhar como: uma picareta, uma cocha, um gasómetro, capacetes de couro, pá, canários e também usavam lenços. Para se alimentarem, não podiam subir para almoçar, por isso, levavam a comida num farnel que muitas vezes transportava pão, sardinha ou chouriço. Os mineiros eram “transportados” pelo nosso tão famoso, cavalete de São Vicente. O transporte de carvão era feito por carris.
Cíntia Santos
Em 1955, Helena, de 14 anos, acordava às quatro da manhã e ia para as minas de S. Pedro da Cova trabalhar. -Desculpe, posso começar a trabalhar? - perguntou Helena. -Sim, vai partir o carvão- respondeu o encarregado. Helena ajoelhou-se numa cocha e começou a partir o carvão. Era duro e difícil trabalhar lá e recebia pouco. Mesmo pequena, ela tentava sempre ajudar ao máximo para um dia conseguir mudar a vida da sua família. Helena ia acompanhada de sua mãe que ficava triste por ver a sua filha a trabalhar tão cedo. Alguns dias, Helena e a sua mãe tinham de roubar por necessidade pois não tinham condições para comprar comida e roupa.
Alguns anos depois, em 1970, Helena já tinha 29 anos, e as minas foram encerradas, mas ela ficou muito feliz pois os seus filhos não iam precisar de trabalhar lá. Antes dos filhos de Helena dormirem, ela contava sempre histórias de quando era pequena. Isabela Leite
Ser ... mineiro era difícil. Todos os dias de manhã, nós acordávamos e levantávamos ao som do sino das minas. Todos os dias era difícil e doloroso como não havia igual. Ter de trabalhar descalço com os pés a transpirar. Eram dores, eram medos, era vontade de gritar, não dava para aguentar. E todos os dias nós levávamos a Santa Bárbara às costas, mas pensávamos “Amanhã há mais, então toca a ir deitar.” Deitávamo-nos nas camas desconfortáveis feitas de palha e cada marcação no chão era um quarto. Não eram só homens, também havia mulheres. Digamos que todo o trabalho era doloroso e cansativo, mas, se queríamos ganhar, tínhamos de trabalhar duro. Ganhávamos pouco. Havia crianças que até saltavam os muros só para apanharem carvão para cozinhar. Alguns mineiros ficavam doentes com silicose. Leonor Mesquita
A Maria acorda muito cedo quando ainda está tudo escuro e faz muito frio. .Ela não vai para a escola e sim para o trabalho. Veste uma saia longa e uma camisola de manga comprida e nos pés uns tamancos pretos. Ao pequeno-almoço come apenas um pedaço de pão. Às seis da manhã a Maria já está na mina; o trabalho é duro e cansativo, passar o dia sentada a separar os pedaços bons de carvão das pedras que não servem. A Maria trabalha muitas horas, quase até o sol se pôr. Quando, finalmente, volta para casa está tão cansada que mal consegue comer a sua sopa. Ela lava-se num alguidar com água fria, mas o preto custa a sair das unhas e da pele. Ela deita-se cedo porque, no dia seguinte, tudo começa outra vez. Leonor Pereira
Eu acordo ainda antes do sol nascer, quando o frio da madrugada entra pelas frestas da casa e parece que o mundo inteiro ainda está a dormir. Mas para mim, o dia já começou. Sou mineiro, e a minha vida é feita de esforço, silêncio e resistência. Visto a minha roupa já marcada pelo pó e pela terra, como qualquer coisa simples e preparo-me para descer à mina. Há sempre aquele aperto no peito antes de entrar — não é medo, é respeito pelo que está lá em baixo. A escuridão, o calor, o ar pesado… tudo isso faz parte da minha rotina. Lá dentro, o tempo passa de maneira diferente. Não vejo o céu, não sei se está sol ou chuva. Só sei do som das ferramentas, das vozes dos colegas e do bater do meu próprio coração. Trabalhamos juntos, porque aqui ninguém aguenta sozinho. Cada pedra quebrada é mais um passo, mais um esforço que levo comigo.
O cansaço chega cedo, mas não posso parar. Penso na minha família, no motivo de eu estar ali. É isso que me dá força. Às vezes imagino como seria ter um trabalho mais leve, mais seguro…, mas a vida não me deu esse caminho. Quando finalmente saio da mina, já ao fim do dia, sinto o ar fresco no rosto e é como se voltasse a viver outra vez. Estou sujo, cansado, mas também orgulhoso. Nem toda a gente entende esta vida, mas ela ensinou-me a ser forte. Ser mineiro não é só um trabalho. É uma luta diária, é coragem, é sacrifício. E mesmo sendo difícil, é a minha história — contada todos os dias, debaixo da terra. Leonor Teixeira
Em 1979 eu estava nas minas tranquilo quando achei um pedaço de ouro. Eu fiquei maravilhado com aquele brilho. Quando peguei no ouro ouvi uma voz a dizer: - Félix, sai já daí!!! Mas já era tarde, uma derrocada tinha começado. O teto em cima de mim desabou, mas eu lembrei-me que o ouro era muito duro e coloquei-o em cima da minha cabeça. Consegui sobreviver com ferimentos graves. Depois de alguns tratamentos eu já podia ir para as minas. mas eu queria saber quanto o ouro valia. Então, fui ao ourives e o ouro que encontrei valia 3 milhões. Nessa altura, eu lembrei-me dos dois colegas que tinha e que faziam tudo por mim e, para lhes agradecer, dei meio milhão de euros a cada um e ainda me restaram 2 milhões. Fui para casa todo feliz para contar a notícia à minha esposa e filhos. Lucas Ribeiro
Em 1945, uma menina chamada Ana, trabalhava nas minas de São Pedro da Cova. Ela começou a trabalhar muito cedo, aos 11 anos de idade. Para ela era muito difícil trabalhar, mas a sua mãe que também lá trabalhava ajudava a filha. Ana tinha muita curiosidade em ver o que os mineiros faziam lá debaixo da terra. Então, quando começou a anoitecer, ela resolveu avançar. Ela não sabia que era preciso colocar um lenço, levar um gasómetro e mais coisas. Quando estava a chegar lá em baixo ficou aflita porque não conseguia respirar nem ver nada porque estava tudo escuro. No dia seguinte a mãe pensou que ela já estava lá a trabalhar porque a mãe não a viu na cama. Quando a mãe foi ver se ela estava a trabalhar não a viu, ficou preocupada e foi perguntar aos mineiros se a menina estava lá em baixo porque a filha tinha comentado com a mãe que tinha muita curiosidade de ver as coisas lá de baixo.
Quando os mineiros foram lá ver, eles encontraram-na, mas… ela estava morta. Quando deram a notícia à mãe que a menina tinha falecido ela começou a chorar muito e suicidou-se. Maiara Pinheiro
Mais um dia começa onde a duração do trabalho poderá alcançar as 24 horas. As condições de trabalho são precárias, não temos muita água para beber, trabalhamos a grande profundidade a maior parte das vezes em ambiente hostil. Trabalhar no subsolo das minas é extremamente perigoso pois, como não existe boa ventilação, estamos constantemente a inalar as poeiras de carvão originando assim doenças como a silicose. Hoje trago comigo a esperança de dias melhores. Começo o desmonte de carvão com a picareta, enquanto o enchedor utiliza a pá para carregar o”peru”, desta forma, o carvão desmontado é transportado para canais inclinados e depois encaminhados para as berlinas.
Estou exausto, cheio de sede, o meu capacete protege-me das pedras que caem , tenho o tronco nu e suado coberto de pó, as calças de algodão e as botas em couro protegem-me do piso irregular. Neste momento não tenho noção que horas serão, a única noção que tenho é que … é menos um dia da minha vida de luta nesse “poço” escuro a que chamam de mina de S. Pedro da Cova. Ricardo Filipe Silva
O dia de Augusta começava antes de o sol nascer. Com apenas 15 anos os seus ossos já doíam como os das mulheres mais velhas. Ela vestia a sua roupa remendada, punha o lenço na cabeça e bebia uma caneca de café, levava uma pequena trouxa com um pão lá dentro. Ao chegar à mina, enquanto os homens desciam às profundezas das galerias, Augusta ficava à superfície, no trabalho da escolha e também carregava cestos e empurrava vagonetas, o que exigia muita força que o seu corpo pequenino mal tinha. Quando o turno acabava, o céu já estava escuro outra vez. Augusta caminhava de volta para casa com a cara manchada de preto; ao chegar lavava-se numa bacia com água fria, comia uma tigela de sopa e um pedaço de pão e depois deitava-se no colchão de palha e dormia um sono profundo à espera que o outro dia chegasse. Vitória Pereira
Olá, o meu nome é Manuel e vou contar-vos um pouco da minha história. Comecei o trabalho aos 18 anos nas minas. Antes disso eu transportava com um carrinho de mão, carvão, pedras e tijolos e ajudava a minha mãe na parte da agricultura. Quando completei os meus 18 anos o meu pai levou-me até á porta da mina, deu-me uma picareta e um gasômetro e disse “ Tu consegues!”. Eu fiquei sem reação naquela altura, mas entrei na mina. Lá dentro não conseguia respirar, pensei que a mina não teria fim… Parei e pensei “Eu consigo” e comecei a cavar.
A partir daquele dia eu sempre acordava às cinco horas da manhã para trabalhar. Tinha poucos dias de folga e ganhava pouco. Depois de trabalhar o cansaço dominava-me. Apesar das dificuldades eu gostava de trabalhar nas minas. Yasmin Malhão
Era uma vez uma britadeira chamada Ana que trabalhava quebrando pedras numa pequena vila. Um dia, ela encontrou uma grande mina de ouro nas montanhas. Os donos da mina disseram que ela podia trabalhar lá e prometeram pagar muito dinheiro pelo seu esforço. Ana ficou feliz e começou a trabalhar todos os dias. O trabalho era muito difícil, porque ela passava horas quebrando pedras e ajudando a abrir caminhos dentro da mina. Mesmo cansada, ela continuou porque acreditava que receberia o salário prometido. Depois de vários meses, Ana percebeu que os donos da mina sempre inventavam desculpas para não lhe pagar. Diziam que o dinheiro chegaria depois ou que ainda estavam contando o ouro encontrado.
. Ana ficou triste e revoltada, porque trabalhou honestamente e merecia receber pelo seu esforço. Então, ela decidiu procurar ajuda das autoridades da vila para denunciar a injustiça. No fim, os donos da mina foram obrigados a pagar tudo o que deviam aos trabalhadores. Ana aprendeu que todas as pessoas devem lutar pelos seus direitos e nunca aceitar trabalhar sem receber o pagamento justo. Maria Benedita Taio
Um dia na vida de um mineiro 5ºA.pptx
Telma Neto
Created on June 8, 2026
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Um dia na vida de um mineiro 5.ºA
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Era uma vez, um menino de 11 anos que se chamava Afonso. Todos os dias, Afonso passava fome, pois não tinha dinheiro. Certo dia, ele não aguentava mais e decidiu ir trabalhar para as minas. Logo no primeiro dia de trabalho, Afonso esforçou-se ao máximo, dirigiu-se ao diretor e pediu o seu salário, mas ficou decepcionado, pois apesar de se ter esforçado tanto, recebeu muito pouco. Afonso não desistiu, pelo contrário ele motivou-se ainda mais e a partir daí nunca faltou ao trabalho e no final do ano ganhou mais. Afonso Gonçalves
No ano de 1940, António estava a fazer a sua rotina de todos os dias: acordava ao tocar da sirene, vestia-se e pegava em todos os utensílios que usava na mina. Já no trabalho, ele descia para o subsolo, pegava na sua picareta e começava a martelar no carvão. António só tinha 3 intervalos, um para o almoço e os outros para ir à casa de banho. Normalmente, todos os mineiros tentavam minimizar o tempo de intervalo para receber mais dinheiro no final do mês e António era um deles. Depois de algumas horas ele teve o primeiro intervalo, o do almoço, que era de trinta minutos. Mais tarde, ele acabou o trabalho e foi para casa. Foi logo tomar banho, pois estava coberto de pó. Posteriormente, António foi jantar e, após a refeição, sentou-se no passeio da rua a fumar um cigarro e só foi dormir depois da sua esposa o ter chamado muitas vezes. Ana Luísa Tavares
Arial MT Pro
O meu avô começou a trabalhar com 13 ou 16 anos e trabalhou durante 7 ou 10 anos nas Minas de São Pedro da Cova. Ele extraía carvão e trabalhava muitas horas debaixo da terra. Havia pessoas que sofriam de asma e tinham que fazer tratamentos médicos de emergência porque as técnicas de ventilação eram rudimentares para garantir a sobrevivência. Ele acordava muito cedo, geralmente antes do amanhecer, para se preparar e chegar à mina a tempo de iniciar o turno, uma prática comum quando a vida era pautada pelo nascer e pôr-do-sol. Eles tinham de acordar com o som da sirene da mina. Embora a sirene fosse o sinal de alerta, também havia músicas tradicionais que marcaram a cultura mineira. A exploração das Minas de São Pedro da Cova encerrou em 1970. As Minas foram um pilar industrial crucial entre o final do século XVIII meados do século XX. Empregava muitas pessoas e produzia 70% do carvão nacional. Beatriz Neves Beatriz Neves
Em 1795, iniciaram as procuras e exportações de carvão nas minas de São Pedro da Cova e encerraram em 1970. Para conseguirem trabalhar, muitas das vezes, os mineiros ficavam sujeitos a doenças respiratórias através da inalação de poeiras vindas das minas. Os mineiros usavam muitas ferramentas para trabalhar como: uma picareta, uma cocha, um gasómetro, capacetes de couro, pá, canários e também usavam lenços. Para se alimentarem, não podiam subir para almoçar, por isso, levavam a comida num farnel que muitas vezes transportava pão, sardinha ou chouriço. Os mineiros eram “transportados” pelo nosso tão famoso, cavalete de São Vicente. O transporte de carvão era feito por carris.
Cíntia Santos
Em 1955, Helena, de 14 anos, acordava às quatro da manhã e ia para as minas de S. Pedro da Cova trabalhar. -Desculpe, posso começar a trabalhar? - perguntou Helena. -Sim, vai partir o carvão- respondeu o encarregado. Helena ajoelhou-se numa cocha e começou a partir o carvão. Era duro e difícil trabalhar lá e recebia pouco. Mesmo pequena, ela tentava sempre ajudar ao máximo para um dia conseguir mudar a vida da sua família. Helena ia acompanhada de sua mãe que ficava triste por ver a sua filha a trabalhar tão cedo. Alguns dias, Helena e a sua mãe tinham de roubar por necessidade pois não tinham condições para comprar comida e roupa.
Alguns anos depois, em 1970, Helena já tinha 29 anos, e as minas foram encerradas, mas ela ficou muito feliz pois os seus filhos não iam precisar de trabalhar lá. Antes dos filhos de Helena dormirem, ela contava sempre histórias de quando era pequena. Isabela Leite
Ser ... mineiro era difícil. Todos os dias de manhã, nós acordávamos e levantávamos ao som do sino das minas. Todos os dias era difícil e doloroso como não havia igual. Ter de trabalhar descalço com os pés a transpirar. Eram dores, eram medos, era vontade de gritar, não dava para aguentar. E todos os dias nós levávamos a Santa Bárbara às costas, mas pensávamos “Amanhã há mais, então toca a ir deitar.” Deitávamo-nos nas camas desconfortáveis feitas de palha e cada marcação no chão era um quarto. Não eram só homens, também havia mulheres. Digamos que todo o trabalho era doloroso e cansativo, mas, se queríamos ganhar, tínhamos de trabalhar duro. Ganhávamos pouco. Havia crianças que até saltavam os muros só para apanharem carvão para cozinhar. Alguns mineiros ficavam doentes com silicose. Leonor Mesquita
A Maria acorda muito cedo quando ainda está tudo escuro e faz muito frio. .Ela não vai para a escola e sim para o trabalho. Veste uma saia longa e uma camisola de manga comprida e nos pés uns tamancos pretos. Ao pequeno-almoço come apenas um pedaço de pão. Às seis da manhã a Maria já está na mina; o trabalho é duro e cansativo, passar o dia sentada a separar os pedaços bons de carvão das pedras que não servem. A Maria trabalha muitas horas, quase até o sol se pôr. Quando, finalmente, volta para casa está tão cansada que mal consegue comer a sua sopa. Ela lava-se num alguidar com água fria, mas o preto custa a sair das unhas e da pele. Ela deita-se cedo porque, no dia seguinte, tudo começa outra vez. Leonor Pereira
Eu acordo ainda antes do sol nascer, quando o frio da madrugada entra pelas frestas da casa e parece que o mundo inteiro ainda está a dormir. Mas para mim, o dia já começou. Sou mineiro, e a minha vida é feita de esforço, silêncio e resistência. Visto a minha roupa já marcada pelo pó e pela terra, como qualquer coisa simples e preparo-me para descer à mina. Há sempre aquele aperto no peito antes de entrar — não é medo, é respeito pelo que está lá em baixo. A escuridão, o calor, o ar pesado… tudo isso faz parte da minha rotina. Lá dentro, o tempo passa de maneira diferente. Não vejo o céu, não sei se está sol ou chuva. Só sei do som das ferramentas, das vozes dos colegas e do bater do meu próprio coração. Trabalhamos juntos, porque aqui ninguém aguenta sozinho. Cada pedra quebrada é mais um passo, mais um esforço que levo comigo.
O cansaço chega cedo, mas não posso parar. Penso na minha família, no motivo de eu estar ali. É isso que me dá força. Às vezes imagino como seria ter um trabalho mais leve, mais seguro…, mas a vida não me deu esse caminho. Quando finalmente saio da mina, já ao fim do dia, sinto o ar fresco no rosto e é como se voltasse a viver outra vez. Estou sujo, cansado, mas também orgulhoso. Nem toda a gente entende esta vida, mas ela ensinou-me a ser forte. Ser mineiro não é só um trabalho. É uma luta diária, é coragem, é sacrifício. E mesmo sendo difícil, é a minha história — contada todos os dias, debaixo da terra. Leonor Teixeira
Em 1979 eu estava nas minas tranquilo quando achei um pedaço de ouro. Eu fiquei maravilhado com aquele brilho. Quando peguei no ouro ouvi uma voz a dizer: - Félix, sai já daí!!! Mas já era tarde, uma derrocada tinha começado. O teto em cima de mim desabou, mas eu lembrei-me que o ouro era muito duro e coloquei-o em cima da minha cabeça. Consegui sobreviver com ferimentos graves. Depois de alguns tratamentos eu já podia ir para as minas. mas eu queria saber quanto o ouro valia. Então, fui ao ourives e o ouro que encontrei valia 3 milhões. Nessa altura, eu lembrei-me dos dois colegas que tinha e que faziam tudo por mim e, para lhes agradecer, dei meio milhão de euros a cada um e ainda me restaram 2 milhões. Fui para casa todo feliz para contar a notícia à minha esposa e filhos. Lucas Ribeiro
Em 1945, uma menina chamada Ana, trabalhava nas minas de São Pedro da Cova. Ela começou a trabalhar muito cedo, aos 11 anos de idade. Para ela era muito difícil trabalhar, mas a sua mãe que também lá trabalhava ajudava a filha. Ana tinha muita curiosidade em ver o que os mineiros faziam lá debaixo da terra. Então, quando começou a anoitecer, ela resolveu avançar. Ela não sabia que era preciso colocar um lenço, levar um gasómetro e mais coisas. Quando estava a chegar lá em baixo ficou aflita porque não conseguia respirar nem ver nada porque estava tudo escuro. No dia seguinte a mãe pensou que ela já estava lá a trabalhar porque a mãe não a viu na cama. Quando a mãe foi ver se ela estava a trabalhar não a viu, ficou preocupada e foi perguntar aos mineiros se a menina estava lá em baixo porque a filha tinha comentado com a mãe que tinha muita curiosidade de ver as coisas lá de baixo.
Quando os mineiros foram lá ver, eles encontraram-na, mas… ela estava morta. Quando deram a notícia à mãe que a menina tinha falecido ela começou a chorar muito e suicidou-se. Maiara Pinheiro
Mais um dia começa onde a duração do trabalho poderá alcançar as 24 horas. As condições de trabalho são precárias, não temos muita água para beber, trabalhamos a grande profundidade a maior parte das vezes em ambiente hostil. Trabalhar no subsolo das minas é extremamente perigoso pois, como não existe boa ventilação, estamos constantemente a inalar as poeiras de carvão originando assim doenças como a silicose. Hoje trago comigo a esperança de dias melhores. Começo o desmonte de carvão com a picareta, enquanto o enchedor utiliza a pá para carregar o”peru”, desta forma, o carvão desmontado é transportado para canais inclinados e depois encaminhados para as berlinas.
Estou exausto, cheio de sede, o meu capacete protege-me das pedras que caem , tenho o tronco nu e suado coberto de pó, as calças de algodão e as botas em couro protegem-me do piso irregular. Neste momento não tenho noção que horas serão, a única noção que tenho é que … é menos um dia da minha vida de luta nesse “poço” escuro a que chamam de mina de S. Pedro da Cova. Ricardo Filipe Silva
O dia de Augusta começava antes de o sol nascer. Com apenas 15 anos os seus ossos já doíam como os das mulheres mais velhas. Ela vestia a sua roupa remendada, punha o lenço na cabeça e bebia uma caneca de café, levava uma pequena trouxa com um pão lá dentro. Ao chegar à mina, enquanto os homens desciam às profundezas das galerias, Augusta ficava à superfície, no trabalho da escolha e também carregava cestos e empurrava vagonetas, o que exigia muita força que o seu corpo pequenino mal tinha. Quando o turno acabava, o céu já estava escuro outra vez. Augusta caminhava de volta para casa com a cara manchada de preto; ao chegar lavava-se numa bacia com água fria, comia uma tigela de sopa e um pedaço de pão e depois deitava-se no colchão de palha e dormia um sono profundo à espera que o outro dia chegasse. Vitória Pereira
Olá, o meu nome é Manuel e vou contar-vos um pouco da minha história. Comecei o trabalho aos 18 anos nas minas. Antes disso eu transportava com um carrinho de mão, carvão, pedras e tijolos e ajudava a minha mãe na parte da agricultura. Quando completei os meus 18 anos o meu pai levou-me até á porta da mina, deu-me uma picareta e um gasômetro e disse “ Tu consegues!”. Eu fiquei sem reação naquela altura, mas entrei na mina. Lá dentro não conseguia respirar, pensei que a mina não teria fim… Parei e pensei “Eu consigo” e comecei a cavar.
A partir daquele dia eu sempre acordava às cinco horas da manhã para trabalhar. Tinha poucos dias de folga e ganhava pouco. Depois de trabalhar o cansaço dominava-me. Apesar das dificuldades eu gostava de trabalhar nas minas. Yasmin Malhão
Era uma vez uma britadeira chamada Ana que trabalhava quebrando pedras numa pequena vila. Um dia, ela encontrou uma grande mina de ouro nas montanhas. Os donos da mina disseram que ela podia trabalhar lá e prometeram pagar muito dinheiro pelo seu esforço. Ana ficou feliz e começou a trabalhar todos os dias. O trabalho era muito difícil, porque ela passava horas quebrando pedras e ajudando a abrir caminhos dentro da mina. Mesmo cansada, ela continuou porque acreditava que receberia o salário prometido. Depois de vários meses, Ana percebeu que os donos da mina sempre inventavam desculpas para não lhe pagar. Diziam que o dinheiro chegaria depois ou que ainda estavam contando o ouro encontrado.
. Ana ficou triste e revoltada, porque trabalhou honestamente e merecia receber pelo seu esforço. Então, ela decidiu procurar ajuda das autoridades da vila para denunciar a injustiça. No fim, os donos da mina foram obrigados a pagar tudo o que deviam aos trabalhadores. Ana aprendeu que todas as pessoas devem lutar pelos seus direitos e nunca aceitar trabalhar sem receber o pagamento justo. Maria Benedita Taio