Um dia na vida de um mineiro 5.ºC
Olá, eu sou a Carolina e estou aqui para vos contar a história do meu bisavô materno, que se chamava Manuel Soares. Manuel Soares nasceu a 25 de agosto de 1915 em São Pedro da Cova no Lugar da Mó onde viveu sempre com os seus pais e irmãos. Era uma pessoa sem estudos, que trabalhava como moleiro até fazer 18 anos.
Depois, foi pedir trabalho às minas, onde tinha muitos colegas a trabalhar. Começou a trabalhar nas minas no dia 26 de abril de 1933 na categoria de Enchedor. Era um trabalho muito duro: ele tinha de carregar o minério para dentro de pequenos vagões de transporte, garantir que as passagens e frentes do trabalho ficavam desimpedidas de entulho ou carvão solto para permitir a continuidade da exploração, e também tinha de auxiliar na movimentação dos vagões até às vias principais, para depois serem encaminhadas para os elevadores no Cavalete de São Vicente para serem içadas para fora da mina.
Eles trabalhavam lá tanto tempo, que até foi lá que o meu bisavô conheceu a minha bisavó, Rosa Martins da Silva. Eles casaram e continuaram a trabalhar os dois nas minas, até nascerem os seus três filhos: o meu avô António da Silva Soares; a minha tia-avó Maria Lurdes da Silva Soares; e a mais nova Rosa América da Silva Soares, que nasceu com graves problemas de saúde. A minha bisavó teve que deixar de trabalhar para vir para casa tomar conta dela; ela acabou por morrer com 23 anos com meningite. Depois de algum tempo a trabalhar como enchedor pediu ao seu encarregado se podia mudar de categoria para Mineiro, pois agora era só ele a trabalhar para sustentar a casa e como mineiro ganhava mais.
O trabalho como mineiro era ainda mais duro e muito perigoso. Ele tinha que trabalhar no fundo da mina na extração do carvão, na abertura de novos túneis e galerias para alcançar as camadas de carvão mais profundas. Também faziam o escoramento, ou seja, a colocação de vigas de madeira para evitar desabamentos nas galerias, era preciso ter muito cuidado, pois ali trabalhavam centenas de pessoas. Os mineiros tinham dois turnos de trabalho. O meu bisavô entrava às 6h30m e saía às 14h30 todos os dias, passava cerca de oito horas a trabalhar debaixo da terra. Por isso é que os mineiros também são conhecidos como” toupeiras humanas”. Era uma vida muito incerta, onde cada turno era um desafio à sorte.
Conta o meu avô que o seu pai passou por alguns sustos. Um deles foi um desabamento que aconteceu no início do seu turno. Num dia como outro qualquer, o meu bisavô Manuel foi trabalhar e ouviu um estrondo ensurdecedor, que ecoou pelas galerias da mina. Não era o som habitual das picaretas. O meu bisavô começou a correr, mas não se via nada por causa do pó que ficara no ar. Quando chegou mais perto viu, um amontoado de pedras que estava a bloquear a saída do piso -5. Tentou logo perceber se os seus colegas já tinham descido; começou a bater com um metal nos carris para ver se havia uma resposta do outro lado; e sim, houve, os seus camaradas batiam com ferros para se fazerem ouvir. Ele começou a gritar por ajuda e logo as sirenes da mina começaram a tocar, chamando as famílias e mineiros de folga, toda ajuda era bem-vinda. À superfície, as mulheres rezavam, enquanto durante horas, os seus camaradas cavaram até que apareceu a primeira fresta de luz. Cavaram ainda com mais persistência, porque, naquela mina, ninguém ficava para trás.
Estavam tão atarefados que nem deram conta de que já se tinham passado dois dias. Finalmente, António, José e Joaquim estavam a salvo junto das suas famílias, a receber os primeiros socorros. Todos ficaram contentes e regressaram às suas casas para descansar, pois no dia seguinte voltava tudo à normalidade. Como recompensa pela coragem do meu bisavô, o encarregado sugeriu aos chefes que ele passasse a ser capataz. Quando foi para capataz, as suas funções mudaram: ele começou a coordenar a extração, garantir a produção de carvão e gerir a segurança nas galerias subterrâneas. Este trabalho era muito mais leve e fácil e o seu ordenado era melhor. Ele ainda trabalhou nas minas mais uns anos, até 9 de junho de 1967, saiu, porque lhe foi diagnosticada a doença profissional de silicose. Quando saiu das minas foi ajudar a minha bisavó nos campos. Morreu aos 58 anos.
Carolina Chantre
Um dia na vida do Justino, o mineiro. Olá, eu sou Justino, trabalho no cabo aéreo das minas de S. Pedro da Cova e hoje vou contar como é o meu dia a trabalhar. O meu trabalho não é nada fácil, pelo contrário, é muito cansativo e mesmo assim recebo uns míseros escudos. Começo o meu dia perto das 5:30 da manhã e visto-me rapidamente para me dirigir ao local de trabalho. Quando chego lá vou para o cabo aéreo que é o sítio onde o carvão é transportado por alguns carrinhos cheios e pesados. Eu fico numa torre muito alta a prender os carrinhos numa corda muito grande e grossa para aguentar muitos quilos. Na hora do almoço todos os trabalhadores se juntam perto do cavalete de São Vicente que fica mesmo à beira do local de trabalho de cada um. O tempo que temos é muito pouco, mas nesse tempo tentamos deixar o nosso dia mais feliz e interessante a cantar e conversar.
Nem todos os mineiros trabalham no mesmo sítio, alguns trabalham nas profundidades das minas, no cabo aéreo e muitos mais lugares. Quando acabamos de almoçar, voltamos todos ao trabalho e só temos uma pausa de 5 minutos para ir à casa de banho, o nosso trabalho é muito importante, portanto não podemos parar muitas vezes. Quando o céu fica escuro como carvão, mais ou menos às 23:30, vou embora muito cansado e com muito sono. Janto na minha casa, a comida que faço não pode ser muita pois não temos muito dinheiro. Depois de jantar vou dormir porque no dia seguinte vou trabalhar outra vez. Eu durmo muito pouco tempo, cerca de 3 horas e nem pequeno-almoço tomo. Beatriz Ribeiro
Olá, hoje vou contar-vos a história de quando passei um dia na vida de um mineiro. Era um dia como outro qualquer, tinha acabado de sair da escola às 13:10 e fui para casa. Quando fui pousar a mochila no meu quarto apareceu um portal muito bonito e decidi explorar o que havia depois dele. Quando cheguei ao outro lado estava em São Pedro da Cova, mas não parecia porque estava muito diferente. Eu olhei para a minha roupa e toquei na minha cara e reparei que estava num corpo que não era o meu, mas sim de um homem que eu nunca vi, a não ser em fotografias, o meu bisavô Manuel. Para todos os sítios que olhava apenas via carvão, foi então que percebi que estava nas minas. .
Algum tempo depois apareceu um mineiro chamado João e pediu-me para descer à mina. Eu fiquei logo nervosa pois não sabia o que estava a acontecer, muito menos o que tinha de fazer. A mina era quente e estava cheia de pó por causa do carvão e as minhas alergias começaram a atacar, mas tive de ser forte para continuar. Aquilo foi tão difícil que prefiro nem me lembrar. Depois de um longo dia acabei o meu turno e fui para casa. Quando cheguei a casa foi uma grande desilusão, vi o meu avô e a irmã dele a comer os restos do almoço e era pouco, não tinham luz e assim não conseguiam estudar para os testes nem fazer os trabalhos de casa. Fui dormir a pensar que no dia seguinte ia acordar na minha cama, mas isso não aconteceu. Acordei com a minha bisavó a gritar às 4 da manhã, a dizer que já estava atrasado para ir trabalhar e aí eu fiquei muito surpreendida porque normalmente é só um dia, pelo menos nas histórias, mas pronto tive de ir.
Cheguei lá muito triste porque a vida de mineiro não é nada fácil, eu até quase fiquei com silicose! O salário era muito baixo era 7 escudos por dia, ou seja menos de 4 cêntimos. Aquele dia foi pior que o outro, abri novos túneis e galerias para alcançar as camadas de carvão e ajudei a colocar vigas de madeira e estruturas para evitar desabamentos nas galerias, foi tão cansativo que quase não conseguia mexer-me. Quando estava a preparar-me para sair, o meu colega pediu-me para acabar de abrir um túnel, porque ele precisava sair mais cedo, e lá fui eu. Quando comecei a escavar apareceu de novo aquele bonito portal, e fiquei toda contente porque já podia voltar para casa. Atravessei o portal e reparei que já estava de volta ao meu quarto e que a minha mãe me estava a chamar para almoçar. Carolina Chantre
Lilly e uma aventura nas minas Era uma vez uma menina chamada Lilly que tinha 10 anos. Nas férias da Páscoa, ela foi visitar os avós a São Pedro da Cova, uma terra antiga onde havia minas de carvão. Lilly adorava estar com os avós, comer bolo caseiro e ouvir histórias antigas. Mas o que ela gostava mesmo era de explorar tudo à volta. Num dia de sol, decidiu ir passear pela mata perto da casa dos avós. Encontrou um caminho estreitinho cheio de folhas e resolveu segui-lo, cheia de curiosidade. De repente, viu uma árvore muito grande e diferente. O tronco era largo e parecia brilhar um bocadinho. Percebeu que aquela não era uma árvore normal. Era uma árvore mágica que guardava as histórias daquele lugar. Ela ficou muito curiosa e quis saber mais. A árvore mostrou-lhe que, debaixo daquela terra, existiam minas de carvão onde muitos homens tinham trabalhado durante muitos anos para ajudar as suas famílias.
A Lilly achou isso impressionante, mas também muito triste. Percebeu que era um trabalho muito difícil e perigoso. Muitos desses homens ficavam doentes por causa do pó das minas, que fazia mal aos pulmões, e alguns nunca voltavam para casa. A Lilly ficou com o coração apertado. Achou injusto, porque aqueles homens só queriam cuidar das suas famílias. Então percebeu que era muito importante não esquecer essas pessoas, porque elas ajudaram a construir a vida que existe hoje. A Lilly decidiu que ia contar aquela história a toda a gente, para que ninguém se esquecesse. Depois disso, voltou para casa dos avós e, nessa noite, contou tudo o que tinha aprendido. E desde esse dia, sempre que alguém falava de São Pedro da Cova, a Lilly lembrava que era uma terra muito especial, cheia de histórias que nunca devem ser esquecidas. Diana Martins
O dia começava a acordar com o galo a cantar. De seguida, vestíamos a nossa roupa própria para o trabalho nas minas e tomávamos o nosso cafezinho. Chegávamos ao trabalho às 06:00 da manhã e começávamos a explorar o carvão em sítios muito profundos. Fazíamos uma pausa para almoçar, comíamos uma coisa rápida. Depois de muito tempo a trabalhar recebíamos 18 escudos para sustentar a nossa família. Já em casa, tomávamos banho e tirávamos toda a sujidade do corpo. Quando acabávamos de tomar banho, tínhamos de ir cuidar dos filhos. Por fim íamos comer e dormir cedo porque, no dia seguinte, havia trabalho duro. E assim era um dia de um mineiro. Enzo Rocha
Antenor nas minas Olá, hoje vou falar um bocado de quando eu trabalhava nas minas. Quando eu trabalhava nas minas, metiam o carvão dentro de um carrinho que era transportado para fora das minas e era dado às mulheres(britadeiras). Trabalhávamos o dia todo. O dia começava cedo, pelas 5:00 com o cheiro de café fresquinho coado no pano e o pão. Depois, saía, cumprimentava os vizinhos e seguia o meu caminho para o trabalho. Já na mina, equipava-me com capacete e lanterna. O escuro era profundo, mas eu conhecia cada túnel como a palma da minha mão. Ao meio dia, havia uma pausa para o almoço e dividia com os companheiros de trabalho o que levava na marmita. A saída da mina era um alívio. A luz do sol poente parecia mais brilhante. Em casa, tirava a poeira da roupa e sentava-me na varanda. A vida de mineiro era simples. Erica Santos
Olá, vou contar-vos o meu dia a dia. Hoje acordei, fiz a minha lancheira e fui trabalhar. Quando eu cheguei, vesti as roupas e os acessórios e fui para dentro da escura e profunda mina. Como lá era muito escuro liguei o meu gasômetro e fui trabalhar. Enquanto estava a trabalhar, encontrei um enorme pedaço de carvão e fui ao meu chefe para ele me aumentar logo o ordenado de 18 para 20 escudos. Não foi muito, mas era uma ajuda para sustentar a minha família. Ao anoitecer, acabou o meu turno. Este é um dia na vida de um mineiro. Gonçalo Vasconcelos
Era um dia chuvoso, o mineiro João estava a ir para as minas. Quando lá chegou começou logo a trabalhar para tentar sair mais cedo. Passado um tempo, o seu chefe chegou à sua beira e disse: - Sr. João como hoje é o seu aniversário pode sair ao meio dia e meio, mas tem que voltar - disse o chefe - A sério chefe?! - exclamou o João - Sim, Sr. João. - confirmou o chefe -Muito obrigado. -disse o João Quando chegou ao meio dia e meio, o Sr. João foi logo para casa. Quando ele chegou a casa foi logo fazer o almoço pois tinha que ir trabalhar mais tarde para minas. Depois de ter almoçado, voltou outra vez para o trabalho e começou logo a escavar túneis para levar o carvão.
“TRIM, TRIM” Olha já chegou a hora de ir para casa, mas antes de ir vou terminar de escavar o túnel. Enquanto ele escavava, viu uma luz muito forte e reparou que era um diamante amarelo, ele pegou-o na mão e escondeu-o nas calças para o chefe não ver. -Sr. João, já acabou o seu horário? -perguntou o chefe curioso -Ah, sim eu já tinha reparado, eu só estava a terminar de escavar o túnel. Eu já vou-respondeu o João nervoso. -Está bem, até amanhã -disse o chefe. -Até amanhã chefe! - exclamou o João. Então, ele foi feliz para casa depois de ter encontrado um diamante amarelo. E assim foi um dia diferente na vida do mineiro João. Guilherme Ferreira
Olá, hoje vou falar sobre as minas. Quando eu estava na mina, as mulheres não podiam desobedecer aos homens. Os mineiros carregavam um carrinho cheio de carvão para o trilho. Eles carregavam tanto peso que até ficavam com dores no corpo todo. Helena Vieira
Numa sexta-feira, no dia 20 de abril de 1971, uma mulher foi chamada para ir trabalhar nas minas de São Pedro da Cova. Ela não queria ir, mas não lhe deram escolha! Acordou, vestiu-se e foi para as minas, onde fez uma amiga chamada Joana. A Maria sem saber como as minas eram, foi mais para a frente e entrou nas minas. Naquele dia estava a chover muito e as minas estavam ainda mais escuras do que o normal. Um mineiro, sem querer cavou para cima, as minas desabaram com a Maria dentro e ouviu-se um estrondo muito alto “BUM “: Maria estava a pedir socorro, as pessoas começaram a cavar para a tirar dali. Graças ao esforço dos mineiros a Maria ficou bem e nunca mais foi trabalhar nas minas. Kyara Teixeira
Um dia, um mineiro chamado Tiago estava a ir para a mina trabalhar. Quando chegou à mina não estava lá ninguém, estava sozinho na mina. Enquanto estava a tirar o carvão para o carrinho de mão a terra caiu e o Tiago ficou assustado com aquilo e começou a tirar a terra e colocou paus para a segurar. Quando encontrou o carrinho de mão com os carvões foi colocá-lo no elevador e foi para o andar de cima. A seguir, o Tiago guardou tudo no armazém e foi embora para casa. O patrão estava a ver tudo pelas janelas e, no dia seguinte, quando todos estavam lá, chamou-o e disse que lhe ia aumentar o salário porque viu o que o ele tinha feito. O Tiago ficou muito feliz. Ricardo Pires
O mineiro é uma pessoa que trabalha nas minas. Ele retira minerais da terra, como carvão, ouro e ferro. O trabalho do mineiro é muito difícil e importante. Para se proteger, usa capacete, botas e roupas especiais. As minas podem ser debaixo da terra ou ao ar livre. Yasir Baytar
Um dia na vida de um mineiro 5ºC.pptx
Telma Neto
Created on June 8, 2026
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Um dia na vida de um mineiro 5.ºC
Olá, eu sou a Carolina e estou aqui para vos contar a história do meu bisavô materno, que se chamava Manuel Soares. Manuel Soares nasceu a 25 de agosto de 1915 em São Pedro da Cova no Lugar da Mó onde viveu sempre com os seus pais e irmãos. Era uma pessoa sem estudos, que trabalhava como moleiro até fazer 18 anos.
Depois, foi pedir trabalho às minas, onde tinha muitos colegas a trabalhar. Começou a trabalhar nas minas no dia 26 de abril de 1933 na categoria de Enchedor. Era um trabalho muito duro: ele tinha de carregar o minério para dentro de pequenos vagões de transporte, garantir que as passagens e frentes do trabalho ficavam desimpedidas de entulho ou carvão solto para permitir a continuidade da exploração, e também tinha de auxiliar na movimentação dos vagões até às vias principais, para depois serem encaminhadas para os elevadores no Cavalete de São Vicente para serem içadas para fora da mina.
Eles trabalhavam lá tanto tempo, que até foi lá que o meu bisavô conheceu a minha bisavó, Rosa Martins da Silva. Eles casaram e continuaram a trabalhar os dois nas minas, até nascerem os seus três filhos: o meu avô António da Silva Soares; a minha tia-avó Maria Lurdes da Silva Soares; e a mais nova Rosa América da Silva Soares, que nasceu com graves problemas de saúde. A minha bisavó teve que deixar de trabalhar para vir para casa tomar conta dela; ela acabou por morrer com 23 anos com meningite. Depois de algum tempo a trabalhar como enchedor pediu ao seu encarregado se podia mudar de categoria para Mineiro, pois agora era só ele a trabalhar para sustentar a casa e como mineiro ganhava mais.
O trabalho como mineiro era ainda mais duro e muito perigoso. Ele tinha que trabalhar no fundo da mina na extração do carvão, na abertura de novos túneis e galerias para alcançar as camadas de carvão mais profundas. Também faziam o escoramento, ou seja, a colocação de vigas de madeira para evitar desabamentos nas galerias, era preciso ter muito cuidado, pois ali trabalhavam centenas de pessoas. Os mineiros tinham dois turnos de trabalho. O meu bisavô entrava às 6h30m e saía às 14h30 todos os dias, passava cerca de oito horas a trabalhar debaixo da terra. Por isso é que os mineiros também são conhecidos como” toupeiras humanas”. Era uma vida muito incerta, onde cada turno era um desafio à sorte.
Conta o meu avô que o seu pai passou por alguns sustos. Um deles foi um desabamento que aconteceu no início do seu turno. Num dia como outro qualquer, o meu bisavô Manuel foi trabalhar e ouviu um estrondo ensurdecedor, que ecoou pelas galerias da mina. Não era o som habitual das picaretas. O meu bisavô começou a correr, mas não se via nada por causa do pó que ficara no ar. Quando chegou mais perto viu, um amontoado de pedras que estava a bloquear a saída do piso -5. Tentou logo perceber se os seus colegas já tinham descido; começou a bater com um metal nos carris para ver se havia uma resposta do outro lado; e sim, houve, os seus camaradas batiam com ferros para se fazerem ouvir. Ele começou a gritar por ajuda e logo as sirenes da mina começaram a tocar, chamando as famílias e mineiros de folga, toda ajuda era bem-vinda. À superfície, as mulheres rezavam, enquanto durante horas, os seus camaradas cavaram até que apareceu a primeira fresta de luz. Cavaram ainda com mais persistência, porque, naquela mina, ninguém ficava para trás.
Estavam tão atarefados que nem deram conta de que já se tinham passado dois dias. Finalmente, António, José e Joaquim estavam a salvo junto das suas famílias, a receber os primeiros socorros. Todos ficaram contentes e regressaram às suas casas para descansar, pois no dia seguinte voltava tudo à normalidade. Como recompensa pela coragem do meu bisavô, o encarregado sugeriu aos chefes que ele passasse a ser capataz. Quando foi para capataz, as suas funções mudaram: ele começou a coordenar a extração, garantir a produção de carvão e gerir a segurança nas galerias subterrâneas. Este trabalho era muito mais leve e fácil e o seu ordenado era melhor. Ele ainda trabalhou nas minas mais uns anos, até 9 de junho de 1967, saiu, porque lhe foi diagnosticada a doença profissional de silicose. Quando saiu das minas foi ajudar a minha bisavó nos campos. Morreu aos 58 anos.
Carolina Chantre
Um dia na vida do Justino, o mineiro. Olá, eu sou Justino, trabalho no cabo aéreo das minas de S. Pedro da Cova e hoje vou contar como é o meu dia a trabalhar. O meu trabalho não é nada fácil, pelo contrário, é muito cansativo e mesmo assim recebo uns míseros escudos. Começo o meu dia perto das 5:30 da manhã e visto-me rapidamente para me dirigir ao local de trabalho. Quando chego lá vou para o cabo aéreo que é o sítio onde o carvão é transportado por alguns carrinhos cheios e pesados. Eu fico numa torre muito alta a prender os carrinhos numa corda muito grande e grossa para aguentar muitos quilos. Na hora do almoço todos os trabalhadores se juntam perto do cavalete de São Vicente que fica mesmo à beira do local de trabalho de cada um. O tempo que temos é muito pouco, mas nesse tempo tentamos deixar o nosso dia mais feliz e interessante a cantar e conversar.
Nem todos os mineiros trabalham no mesmo sítio, alguns trabalham nas profundidades das minas, no cabo aéreo e muitos mais lugares. Quando acabamos de almoçar, voltamos todos ao trabalho e só temos uma pausa de 5 minutos para ir à casa de banho, o nosso trabalho é muito importante, portanto não podemos parar muitas vezes. Quando o céu fica escuro como carvão, mais ou menos às 23:30, vou embora muito cansado e com muito sono. Janto na minha casa, a comida que faço não pode ser muita pois não temos muito dinheiro. Depois de jantar vou dormir porque no dia seguinte vou trabalhar outra vez. Eu durmo muito pouco tempo, cerca de 3 horas e nem pequeno-almoço tomo. Beatriz Ribeiro
Olá, hoje vou contar-vos a história de quando passei um dia na vida de um mineiro. Era um dia como outro qualquer, tinha acabado de sair da escola às 13:10 e fui para casa. Quando fui pousar a mochila no meu quarto apareceu um portal muito bonito e decidi explorar o que havia depois dele. Quando cheguei ao outro lado estava em São Pedro da Cova, mas não parecia porque estava muito diferente. Eu olhei para a minha roupa e toquei na minha cara e reparei que estava num corpo que não era o meu, mas sim de um homem que eu nunca vi, a não ser em fotografias, o meu bisavô Manuel. Para todos os sítios que olhava apenas via carvão, foi então que percebi que estava nas minas. .
Algum tempo depois apareceu um mineiro chamado João e pediu-me para descer à mina. Eu fiquei logo nervosa pois não sabia o que estava a acontecer, muito menos o que tinha de fazer. A mina era quente e estava cheia de pó por causa do carvão e as minhas alergias começaram a atacar, mas tive de ser forte para continuar. Aquilo foi tão difícil que prefiro nem me lembrar. Depois de um longo dia acabei o meu turno e fui para casa. Quando cheguei a casa foi uma grande desilusão, vi o meu avô e a irmã dele a comer os restos do almoço e era pouco, não tinham luz e assim não conseguiam estudar para os testes nem fazer os trabalhos de casa. Fui dormir a pensar que no dia seguinte ia acordar na minha cama, mas isso não aconteceu. Acordei com a minha bisavó a gritar às 4 da manhã, a dizer que já estava atrasado para ir trabalhar e aí eu fiquei muito surpreendida porque normalmente é só um dia, pelo menos nas histórias, mas pronto tive de ir.
Cheguei lá muito triste porque a vida de mineiro não é nada fácil, eu até quase fiquei com silicose! O salário era muito baixo era 7 escudos por dia, ou seja menos de 4 cêntimos. Aquele dia foi pior que o outro, abri novos túneis e galerias para alcançar as camadas de carvão e ajudei a colocar vigas de madeira e estruturas para evitar desabamentos nas galerias, foi tão cansativo que quase não conseguia mexer-me. Quando estava a preparar-me para sair, o meu colega pediu-me para acabar de abrir um túnel, porque ele precisava sair mais cedo, e lá fui eu. Quando comecei a escavar apareceu de novo aquele bonito portal, e fiquei toda contente porque já podia voltar para casa. Atravessei o portal e reparei que já estava de volta ao meu quarto e que a minha mãe me estava a chamar para almoçar. Carolina Chantre
Lilly e uma aventura nas minas Era uma vez uma menina chamada Lilly que tinha 10 anos. Nas férias da Páscoa, ela foi visitar os avós a São Pedro da Cova, uma terra antiga onde havia minas de carvão. Lilly adorava estar com os avós, comer bolo caseiro e ouvir histórias antigas. Mas o que ela gostava mesmo era de explorar tudo à volta. Num dia de sol, decidiu ir passear pela mata perto da casa dos avós. Encontrou um caminho estreitinho cheio de folhas e resolveu segui-lo, cheia de curiosidade. De repente, viu uma árvore muito grande e diferente. O tronco era largo e parecia brilhar um bocadinho. Percebeu que aquela não era uma árvore normal. Era uma árvore mágica que guardava as histórias daquele lugar. Ela ficou muito curiosa e quis saber mais. A árvore mostrou-lhe que, debaixo daquela terra, existiam minas de carvão onde muitos homens tinham trabalhado durante muitos anos para ajudar as suas famílias.
A Lilly achou isso impressionante, mas também muito triste. Percebeu que era um trabalho muito difícil e perigoso. Muitos desses homens ficavam doentes por causa do pó das minas, que fazia mal aos pulmões, e alguns nunca voltavam para casa. A Lilly ficou com o coração apertado. Achou injusto, porque aqueles homens só queriam cuidar das suas famílias. Então percebeu que era muito importante não esquecer essas pessoas, porque elas ajudaram a construir a vida que existe hoje. A Lilly decidiu que ia contar aquela história a toda a gente, para que ninguém se esquecesse. Depois disso, voltou para casa dos avós e, nessa noite, contou tudo o que tinha aprendido. E desde esse dia, sempre que alguém falava de São Pedro da Cova, a Lilly lembrava que era uma terra muito especial, cheia de histórias que nunca devem ser esquecidas. Diana Martins
O dia começava a acordar com o galo a cantar. De seguida, vestíamos a nossa roupa própria para o trabalho nas minas e tomávamos o nosso cafezinho. Chegávamos ao trabalho às 06:00 da manhã e começávamos a explorar o carvão em sítios muito profundos. Fazíamos uma pausa para almoçar, comíamos uma coisa rápida. Depois de muito tempo a trabalhar recebíamos 18 escudos para sustentar a nossa família. Já em casa, tomávamos banho e tirávamos toda a sujidade do corpo. Quando acabávamos de tomar banho, tínhamos de ir cuidar dos filhos. Por fim íamos comer e dormir cedo porque, no dia seguinte, havia trabalho duro. E assim era um dia de um mineiro. Enzo Rocha
Antenor nas minas Olá, hoje vou falar um bocado de quando eu trabalhava nas minas. Quando eu trabalhava nas minas, metiam o carvão dentro de um carrinho que era transportado para fora das minas e era dado às mulheres(britadeiras). Trabalhávamos o dia todo. O dia começava cedo, pelas 5:00 com o cheiro de café fresquinho coado no pano e o pão. Depois, saía, cumprimentava os vizinhos e seguia o meu caminho para o trabalho. Já na mina, equipava-me com capacete e lanterna. O escuro era profundo, mas eu conhecia cada túnel como a palma da minha mão. Ao meio dia, havia uma pausa para o almoço e dividia com os companheiros de trabalho o que levava na marmita. A saída da mina era um alívio. A luz do sol poente parecia mais brilhante. Em casa, tirava a poeira da roupa e sentava-me na varanda. A vida de mineiro era simples. Erica Santos
Olá, vou contar-vos o meu dia a dia. Hoje acordei, fiz a minha lancheira e fui trabalhar. Quando eu cheguei, vesti as roupas e os acessórios e fui para dentro da escura e profunda mina. Como lá era muito escuro liguei o meu gasômetro e fui trabalhar. Enquanto estava a trabalhar, encontrei um enorme pedaço de carvão e fui ao meu chefe para ele me aumentar logo o ordenado de 18 para 20 escudos. Não foi muito, mas era uma ajuda para sustentar a minha família. Ao anoitecer, acabou o meu turno. Este é um dia na vida de um mineiro. Gonçalo Vasconcelos
Era um dia chuvoso, o mineiro João estava a ir para as minas. Quando lá chegou começou logo a trabalhar para tentar sair mais cedo. Passado um tempo, o seu chefe chegou à sua beira e disse: - Sr. João como hoje é o seu aniversário pode sair ao meio dia e meio, mas tem que voltar - disse o chefe - A sério chefe?! - exclamou o João - Sim, Sr. João. - confirmou o chefe -Muito obrigado. -disse o João Quando chegou ao meio dia e meio, o Sr. João foi logo para casa. Quando ele chegou a casa foi logo fazer o almoço pois tinha que ir trabalhar mais tarde para minas. Depois de ter almoçado, voltou outra vez para o trabalho e começou logo a escavar túneis para levar o carvão.
“TRIM, TRIM” Olha já chegou a hora de ir para casa, mas antes de ir vou terminar de escavar o túnel. Enquanto ele escavava, viu uma luz muito forte e reparou que era um diamante amarelo, ele pegou-o na mão e escondeu-o nas calças para o chefe não ver. -Sr. João, já acabou o seu horário? -perguntou o chefe curioso -Ah, sim eu já tinha reparado, eu só estava a terminar de escavar o túnel. Eu já vou-respondeu o João nervoso. -Está bem, até amanhã -disse o chefe. -Até amanhã chefe! - exclamou o João. Então, ele foi feliz para casa depois de ter encontrado um diamante amarelo. E assim foi um dia diferente na vida do mineiro João. Guilherme Ferreira
Olá, hoje vou falar sobre as minas. Quando eu estava na mina, as mulheres não podiam desobedecer aos homens. Os mineiros carregavam um carrinho cheio de carvão para o trilho. Eles carregavam tanto peso que até ficavam com dores no corpo todo. Helena Vieira
Numa sexta-feira, no dia 20 de abril de 1971, uma mulher foi chamada para ir trabalhar nas minas de São Pedro da Cova. Ela não queria ir, mas não lhe deram escolha! Acordou, vestiu-se e foi para as minas, onde fez uma amiga chamada Joana. A Maria sem saber como as minas eram, foi mais para a frente e entrou nas minas. Naquele dia estava a chover muito e as minas estavam ainda mais escuras do que o normal. Um mineiro, sem querer cavou para cima, as minas desabaram com a Maria dentro e ouviu-se um estrondo muito alto “BUM “: Maria estava a pedir socorro, as pessoas começaram a cavar para a tirar dali. Graças ao esforço dos mineiros a Maria ficou bem e nunca mais foi trabalhar nas minas. Kyara Teixeira
Um dia, um mineiro chamado Tiago estava a ir para a mina trabalhar. Quando chegou à mina não estava lá ninguém, estava sozinho na mina. Enquanto estava a tirar o carvão para o carrinho de mão a terra caiu e o Tiago ficou assustado com aquilo e começou a tirar a terra e colocou paus para a segurar. Quando encontrou o carrinho de mão com os carvões foi colocá-lo no elevador e foi para o andar de cima. A seguir, o Tiago guardou tudo no armazém e foi embora para casa. O patrão estava a ver tudo pelas janelas e, no dia seguinte, quando todos estavam lá, chamou-o e disse que lhe ia aumentar o salário porque viu o que o ele tinha feito. O Tiago ficou muito feliz. Ricardo Pires
O mineiro é uma pessoa que trabalha nas minas. Ele retira minerais da terra, como carvão, ouro e ferro. O trabalho do mineiro é muito difícil e importante. Para se proteger, usa capacete, botas e roupas especiais. As minas podem ser debaixo da terra ou ao ar livre. Yasir Baytar