Os Maias
Sarau no Teatro da Trindade
Cap. XVI
Apresentação da temática
- Episódio do sarau no Teatro da Trindade
- Crítica à sociedade lisboeta do século XIX
- Superficialidade e decadência cultural da elite portuguesa
- Uso da sátira para denunciar os problemas sociais
Caracterização das personagens
- Carlos da Maia
- João da Ega
- Rufino
- Craft
- Prata
- Alencar
- Guimarães
- Público do sarau
Carlos da Maia
- Carlos da Maia é uma das personagens principais da obra.
- É rico, culto, elegante e pertence à aristocracia portuguesa.
- No episódio, aparece integrado no ambiente social do sarau.
- Apesar de ser inteligente e moderno, acaba por participar numa sociedade superficial.
- Representa uma geração com capacidades, mas marcada pela falta de ação.
“Paris era o único lugar da Terra (…) «o homem rico que vive bem»” / “Nada mais inofensivo, mais nulo, e mais agradável.” / “— Falhámos a vida, menino!” Pagina 635
João da Ega
- João da Ega é o grande amigo de Carlos.
- É crítico, irónico e provocador.
- Observa a sociedade portuguesa com sarcasmo e denuncia os seus defeitos.
- No entanto, também é contraditório, porque critica muito, mas age pouco.
- Representa o intelectual que tem ideias, mas nem sempre as concretiza.
“O conde estava encantado! Encantado sobretudo com a variedade de escala (...) Extraordinário! (...) Ega não se conteve: — Eu acho esse génio um imbecil.” Pagina 536
“De resto, que podia ele fazer neste país? (...) pensara em entrar na diplomacia. (...) Mas depois reflectira. Por fim, em que consistia a diplomacia portuguesa? Numa outra forma da ociosidade...” Pagina 615
Rufino
- Rufino representa a oratória vazia.
- Faz discursos exagerados, cheios de palavras bonitas, mas com pouco conteúdo.
- Através dele, Eça critica o falso patriotismo e os discursos sem ideias verdadeiras.
- Rufino mostra uma sociedade que valoriza mais a forma das palavras do que o pensamento.
“Rufino (…) descrevia a doçura de uma aldeia (…)” / “confessava uma fragilidade da sua alma” / “fora dilacerado pelo espinho da descrença” Pagina 524-526 “Os bravos partiram profundos e roucos…” / “os cavalheiros (…) berrando, batendo as mãos, afirmaram soberbamente o Céu!” Página 525
Cruges
- É músico e amigo de Carlos.
- Representa a arte verdadeira e séria.
- No episódio, toca Beethoven, mas é pouco compreendido pelo público.
- A confusão entre “Sonata Patética” e “Sonata Pateta” mostra a ignorância cultural da elite.
- Cruges serve para mostrar que a sociedade lisboeta finge ser culta, mas não sabe valorizar a verdadeira arte.
“Por toda a sala, o sussurro crescia (…) o pobre Cruges, suando, estonteado por aquela desatenção rumorosa, atabalhoava as notas…”“— Fiasco completo — declarou Carlos (…) algumas palmas ressoaram, moles e de cortesia…” Pagina 531
Prata
- Prata é um dos oradores do Sarau da Trindade.
- Fala sobre um tema sério: o estado agrícola do Minho.
- Apesar do tema ser importante, o seu discurso é lento e monótono.
- Não consegue prender a atenção do público.
- Representa os discursos sérios, mas pouco interessantes e pouco eficazes.
- Através dele, Eça critica uma elite que não se interessa pelos problemas reais de Portugal.
“o Prata, de ilharga para a luz, mergulhou no caderno: e de entre o perfil triste e as folhas largas, um rumor lento foi escorrendo, rumor de reza numa sonolência de novena…Página 531
Alencar
- Alencar é um poeta romântico.
- Representa uma geração mais antiga e ultrapassada.
- Está ligado ao sentimentalismo, ao exagero e ao romantismo antigo.
- Eça usa esta personagem para criticar uma cultura presa ao passado.
- Simboliza uma visão antiquada da literatura e da sociedade.
“Estava eu no Rodrigues, esquadrinhando alguma dessa velha literatura, hoje tão desprezada (…) desde que para aí apareceu o Satanismo, o Naturalismo e o Bandalhismo…”Pagina 143 “A poesia do Alencar (…) saíra-lhe consideravelmente chocha. — Muita flor, muita farófia, muita liberdade, mas não havia ali um ataque em forma…” Pagina 554
Sr.Guimarães
- Sr.Guimarães aparece no final do Sarau da Trindade.
- É uma personagem secundária, mas decisiva.
- Está ligado ao passado de Maria Monforte.
- Traz documentos importantes sobre a família Maia.
- Revela que Maria Eduarda é irmã de Carlos.
- Representa o passado escondido que regressa e provoca a tragédia.
“Eu conservo ainda em meu poder esse depósito (…) trouxe-o por acaso quando vim a Portugal (…) hoje justamente, ali no teatro, comecei a reflectir que o melhor era entregá-lo à família…Pagina 546-547 “E o Sr. Guimarães de repente estacou, vendo os olhos do Ega esgazearem-se de horror, uma terrível palidez cobrir-lhe a face.” Pagina 548
Publico do sarau
- O público funciona como uma personagem coletiva.
- Representa a alta sociedade lisboeta.
- As pessoas vão ao teatro para aparecer, observar e comentar.
- Mostram vaidade, futilidade e preocupação com o estatuto social.
- O público revela a superficialidade da elite portuguesa.
“Aqui e além algumas palmas ressoaram, moles e de cortesia, entre um grande murmúrio de alívio.”“Por toda a sala, o sussurro crescia. Os encatarroados tossiam livremente. Dois cavalheiros tinham aberto a Tarde.”Pagina 531
Enquadramento no espaço
Ação principal: Teatro da Trindade:
- O teatro deveria ser um espaço de cultura, arte e conhecimento;
- No entanto, no episódio, aparece sobretudo como um local de convívio e exibição social.
- As pessoas vão ao sarau para serem vistas, comentar os outros e mostrar o seu estatuto;
Outros locais presentes na ação deste capítulo:
- Casa de Maria Eduarda na Rua de S. Francisco;
- Porta do Hotel Paris, no qual ficava o Sr. Guimarães.
"Ao fim do jantar, na Rua de S. Francisco"
Cap. XVI
Enquadramento no tempo
- Ocorre numa noite de inverno na década de 1870;
- Na obra, este episódio ocorre após a publicação no jornal "A Tarde", por parte de Ega, da carta de Dâmaso em que ele se refere como um bêbedo incorrigível;
- Carlos já tinha pedido Maria Eduarda em casamento e e já tinha voltado para a casa de S. Francisco após ter vivido na Toca.
"...surpreendidos com a beleza dessa noite de Inverno,
tão clara e doce, seguiam devagar pela rua...""no encanto estranho daquela noite de Inverno, sem estrelas, mas tão macia que nela parecia andar perdido um bafo de Maio"
Cap. XVI
Objetivo do autor
Crítica social:
- Desinteresse do público pela arte musical de Cruges;
- Ovações dadas ao poema vazio de Rufino;
- Ausência de espirito crítico, a falta de cultura e a superficialidade dos temas de conversa dos portugueses.
- A ausência da família real no espetáculo de beneficência estabelece uma crítica à monarquia e a sociedade da época;
- O poema “A Democracia”, de Alencar começa por uma descrição romântica e sentimentalista acaba com uma crítica social;
- O atraso cultural de Portugal no século XIX presente em todas as classes sociais.
"Tremia, revoltado! Numa noite daquelas, toda de poesia,
quando os homens de letras se deviam mostrar como são, filhos da
Democracia e da Liberdade, vir aquele pulha pôr-se ali a lamber os
pés à família real... Era simplesmente ascoroso!"
"Uma das Pedrosos não percebera bem o nome da sonata. [...], disse que era a Sonata Pateta. Por toda a
bancada foi um rastilho de risos sufocados."
Cap. XVI
Cap. XVI
Objetivo do autor
Dentro da narrativa:
- O episódio marca o fim da "comédia social" e o início da tragédia absoluta.
- O encontro com o Sr. Guimarães funciona como o clímax informativo, onde a verdade sobre a origem de Maria Eduarda é finalmente revelada.
- O autor usa a festa do Sarau para acentuar o choque da revelação sombria.
Linguagem e estilo
Ironia e sátira “Lisboa bocejava de tédio.” → Mostra a crítica irónica à sociedade lisboeta e ao ambiente cultural vazio. Descrição detalhada “As senhoras, muito decotadas, resplandeciam sob a luz forte do gás.” → Exemplo de descrição visual cuidada e realista. Crítica social “Tudo aquilo lhe parecia postiço e artificial.” → Critica a superficialidade da elite presente no sarau. Humor caricatural “Rufino começou logo a derramar a sua eloquência untuosa.” → Linguagem caricatural usada para ridicularizar a personagem.
Linguagem culta “A sala reluzia num esplendor solene.” → Vocabulário sofisticado e descritivo típico de Eça de Queirós. Cap.XVI
Obrigado!
Apresentação feita por Gabriel Afonso nº11, Susana Chinak nº25, Tomás Freire nº26.
Sarau no Teatro da Trindade
Gabriel margarida henrique
Created on May 10, 2026
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Os Maias
Sarau no Teatro da Trindade
Cap. XVI
Apresentação da temática
Caracterização das personagens
Carlos da Maia
“Paris era o único lugar da Terra (…) «o homem rico que vive bem»” / “Nada mais inofensivo, mais nulo, e mais agradável.” / “— Falhámos a vida, menino!” Pagina 635
João da Ega
“O conde estava encantado! Encantado sobretudo com a variedade de escala (...) Extraordinário! (...) Ega não se conteve: — Eu acho esse génio um imbecil.” Pagina 536
“De resto, que podia ele fazer neste país? (...) pensara em entrar na diplomacia. (...) Mas depois reflectira. Por fim, em que consistia a diplomacia portuguesa? Numa outra forma da ociosidade...” Pagina 615
Rufino
“Rufino (…) descrevia a doçura de uma aldeia (…)” / “confessava uma fragilidade da sua alma” / “fora dilacerado pelo espinho da descrença” Pagina 524-526 “Os bravos partiram profundos e roucos…” / “os cavalheiros (…) berrando, batendo as mãos, afirmaram soberbamente o Céu!” Página 525
Cruges
“Por toda a sala, o sussurro crescia (…) o pobre Cruges, suando, estonteado por aquela desatenção rumorosa, atabalhoava as notas…”“— Fiasco completo — declarou Carlos (…) algumas palmas ressoaram, moles e de cortesia…” Pagina 531
Prata
“o Prata, de ilharga para a luz, mergulhou no caderno: e de entre o perfil triste e as folhas largas, um rumor lento foi escorrendo, rumor de reza numa sonolência de novena…Página 531
Alencar
“Estava eu no Rodrigues, esquadrinhando alguma dessa velha literatura, hoje tão desprezada (…) desde que para aí apareceu o Satanismo, o Naturalismo e o Bandalhismo…”Pagina 143 “A poesia do Alencar (…) saíra-lhe consideravelmente chocha. — Muita flor, muita farófia, muita liberdade, mas não havia ali um ataque em forma…” Pagina 554
Sr.Guimarães
“Eu conservo ainda em meu poder esse depósito (…) trouxe-o por acaso quando vim a Portugal (…) hoje justamente, ali no teatro, comecei a reflectir que o melhor era entregá-lo à família…Pagina 546-547 “E o Sr. Guimarães de repente estacou, vendo os olhos do Ega esgazearem-se de horror, uma terrível palidez cobrir-lhe a face.” Pagina 548
Publico do sarau
“Aqui e além algumas palmas ressoaram, moles e de cortesia, entre um grande murmúrio de alívio.”“Por toda a sala, o sussurro crescia. Os encatarroados tossiam livremente. Dois cavalheiros tinham aberto a Tarde.”Pagina 531
Enquadramento no espaço
Ação principal: Teatro da Trindade:
Outros locais presentes na ação deste capítulo:
"Ao fim do jantar, na Rua de S. Francisco"
Cap. XVI
Enquadramento no tempo
"...surpreendidos com a beleza dessa noite de Inverno, tão clara e doce, seguiam devagar pela rua...""no encanto estranho daquela noite de Inverno, sem estrelas, mas tão macia que nela parecia andar perdido um bafo de Maio"
Cap. XVI
Objetivo do autor
Crítica social:
"Tremia, revoltado! Numa noite daquelas, toda de poesia, quando os homens de letras se deviam mostrar como são, filhos da Democracia e da Liberdade, vir aquele pulha pôr-se ali a lamber os pés à família real... Era simplesmente ascoroso!"
"Uma das Pedrosos não percebera bem o nome da sonata. [...], disse que era a Sonata Pateta. Por toda a bancada foi um rastilho de risos sufocados."
Cap. XVI
Cap. XVI
Objetivo do autor
Dentro da narrativa:
Linguagem e estilo
Ironia e sátira “Lisboa bocejava de tédio.” → Mostra a crítica irónica à sociedade lisboeta e ao ambiente cultural vazio. Descrição detalhada “As senhoras, muito decotadas, resplandeciam sob a luz forte do gás.” → Exemplo de descrição visual cuidada e realista. Crítica social “Tudo aquilo lhe parecia postiço e artificial.” → Critica a superficialidade da elite presente no sarau. Humor caricatural “Rufino começou logo a derramar a sua eloquência untuosa.” → Linguagem caricatural usada para ridicularizar a personagem.
Linguagem culta “A sala reluzia num esplendor solene.” → Vocabulário sofisticado e descritivo típico de Eça de Queirós. Cap.XVI
Obrigado!
Apresentação feita por Gabriel Afonso nº11, Susana Chinak nº25, Tomás Freire nº26.