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A Ciência como Construção do Real

Francisco Daniel Rebelo Filipe

Created on May 7, 2026

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Transcript

A Ciência como Construção do Real

Realizado por: Afonso Jesus n1 3ºTIS,Francisco Felipe nº8 3ºPRG, João Inácio nº6 3ºPRG

Índice

Introdução

Práticas científicas e problemas éticos

Verificacionismo

Falsificacionismo

A bioética

Conclusão

A evolução da ciência

Introdução

  • Foi solicitado pela professora Maria Alice Manaia no ambito da disciplina de AI, para realizarmos uma apresentação com os seguintes topicos.

O que é o Verificacionismo?

No método hipotético-dedutivo, a ciência precisa de um critério de demarcação para distinguir o que é científico do que não é. Segundo o verificacionismo, uma teoria só é considerada científica se puder ser confirmada por provas empíricas. Assim, a observação e a experimentação tornam-se essenciais: apenas hipóteses que possam ser testadas e verificadas no mundo real pertencem ao campo da ciência.

A Verificabilidade como Fronteira

Nas ciências empíricas, todos os enunciados devem poder ser confirmados pela experiência e observação, pelo menos em princípio. A verificabilidade funciona como critério que distingue a ciência de outros saberes especulativos. Assim, um enunciado só é considerado científico se puder ser verificado empiricamente, garantindo que os conceitos científicos correspondem a fenómenos reais e observáveis.

O Grande Problema do Verificacionismo

A verificabilidade enfrenta um problema lógico e prático: a ciência procura formular leis universais, válidas para todos os casos. No entanto, é impossível verificar empiricamente todos os exemplos existentes, passados, presentes e futuros. Por isso, nenhuma lei científica pode ser totalmente confirmada pela experiência, o que limita a verificabilidade como critério absoluto de demarcação científica.

A Crítica de David Hume e a Metáfora dos Cisnes

David Hume mostrou o problema da indução: observar muitos casos favoráveis não prova que uma regra universal seja sempre verdadeira, pois pode existir uma exceção. Por exemplo, a frase “Existe um cisne branco” pode ser facilmente verificada ao observar um único caso, mas “Todos os cisnes são brancos” nunca pode ser totalmente confirmada, porque seria necessário observar todos os cisnes de todos os tempos. Assim, como refere Javier Echevarría, um número finito de observações nunca permite deduzir com certeza absoluta uma lei universal.

A Insuficiência do Método

O verificacionismo apresenta um paradoxo: se aplicado de forma rigorosa, excluiria da ciência as próprias leis científicas, porque estas são universais e não podem ser totalmente verificadas. Como é impossível confirmar todos os casos possíveis, a verificabilidade falha em validar as leis gerais da ciência. Por isso, revelou-se um critério insuficiente de demarcação científica, levando à procura de novas propostas, como o falsificacionismo de Karl Popper.

O que é o Falsificacionismo?

Karl Popper apresentou uma alternativa ao verificacionismo ao defender que a ciência deve basear-se na refutação e não na confirmação. Para ele, uma teoria só é científica se for falsificável, isto é, se existir a possibilidade de demonstrar, através da observação ou da experiência, que ela pode estar errada. Assim, o centro do método científico passa a ser a tentativa de testar e refutar teorias.

O Critério da Falsificabilidade

Para Karl Popper, a falsificabilidade é o verdadeiro critério de demarcação científica: uma teoria é científica se puder ser testada e eventualmente refutada. Quanto mais uma teoria resiste às tentativas de falsificação, mais sólida e válida ela se torna. No exemplo dos cisnes, em vez de tentar provar que “todos os cisnes são brancos”, basta encontrar um único cisne não branco para falsificar a teoria.

Verificacionismo vs. Falsificacionismo

Na perspetiva do Verificacionismo: Uma hipótese é científica se puder ser provada (ou verificada) empiricamente através do método experimental. (Procura a confirmação). Na perspetiva do Falsificacionismo: Uma hipótese é científica se puder ser falsificada, isto é, se puder ser ativamente sujeita a testes rigorosos com o objetivo de ser refutada. (Procura o erro).

Teorias Científicas vs. Teorias Não Científicas

A Distinção de Popper: Existem apenas dois tipos de teorias: as falsificáveis (que são científicas) e as não falsificáveis (que não são científicas). O que significa "Não Científica"? Dizer que uma teoria não é científica não significa que ela seja falsa ou sem valor; significa apenas que ela não pode ser submetida a testes empíricos. Exemplo: A afirmação "Deus existe" não é científica (é de natureza filosófica ou religiosa), precisamente porque não existe nenhuma experiência ou teste laboratorial capaz de a refutar. Por outro lado, uma teoria biológica (como a do endocruzamento) é científica porque pode ser submetida a testes.

Como escolher a melhor teoria?

Segundo Karl Popper, entre várias teorias devemos escolher a que é falsificável, foi sujeita a testes rigorosos e conseguiu resistir às tentativas de refutação. Quando uma teoria supera esses testes, diz-se que está corroborada. Assim, para Popper, uma teoria científica não é definitivamente provada, mas sim uma teoria que pode ser falsificada e que, até ao momento, resistiu aos testes realizados.

A evolução da ciênciaA Perspetiva de Karl Popper

A filosofia da ciência debate se o progresso científico acontece de forma contínua ou através de ruturas. Karl Popper compara a evolução da ciência à seleção natural: as teorias competem entre si e os erros são eliminados através da refutação. Assim, a ciência aproxima-se gradualmente da verdade. No entanto, uma teoria que resiste aos testes não é considerada definitivamente verdadeira, mas apenas corroborada, ou seja, a melhor explicação disponível até poder ser refutada no futuro.

A Perspetiva de Thomas Kuhn

Contra a Acumulação: Kuhn rejeita a visão de que a ciência progride de forma pacífica, contínua e por simples acumulação de conhecimentos ao longo do tempo. Evolução por "Solavancos": Segundo Kuhn, o conhecimento científico avança de forma descontínua, por meio de abalos sucessivos. O verdadeiro progresso dá-se através de revoluções científicas que mudam radicalmente a forma como a comunidade compreende a realidade. O Papel do Paradigma: A ciência organiza-se sempre em torno de um paradigma, que é um modelo ou quadro explicativo aceite por toda a comunidade científica numa determinada época. O progresso efetivo só acontece quando esse paradigma falha e é inteiramente substituído por um novo.

O Ciclo da Ciência

1. Ciência Normal: Corresponde à investigação rotineira e pacífica. Nesta fase, os cientistas trabalham para aprofundar e resolver problemas estritamente dentro das regras e dos limites do paradigma vigente, sem o questionar. 2. Anomalias e Crise: Com o tempo, surgem problemas persistentes (anomalias) que a comunidade não consegue resolver à luz do paradigma atual. Quando estas anomalias se acumulam, a confiança no modelo quebra-se, originando uma fase de crise na ciência. 3. Ciência Extraordinária e Revolução: Durante a crise, se as regras normais não servirem para encontrar uma solução, entra-se numa fase de investigação fora do comum (ciência extraordinária). Este processo culmina na adoção de um novo paradigma que resolve os problemas antigos, ocorrendo assim uma revolução científica que dá início a um novo ciclo.

O Impacto do Desenvolvimento Científico

Transformação da Sociedade: A ciência e a tecnologia trouxeram transformações inegáveis ao nosso quotidiano, permitindo alcançar uma vida muito mais confortável e ampliando extraordinariamente o acesso à informação. Novos Desafios: Apesar de todos os benefícios, o progresso científico e tecnológico não conduz obrigatoriamente a um progresso humano ou moral. Estas transformações obrigam a sociedade a enfrentar um conjunto de novos e complexos problemas. A Necessidade de Reflexão: O crescimento da capacidade de intervenção humana no mundo exige que o desenvolvimento da ciência seja acompanhado por uma profunda reflexão sobre as suas consequências a longo prazo.

A Falsa Neutralidade da Ciência

Condicionamento da Investigação: A investigação científica e tecnológica não atua de forma neutra. Ela é fortemente condicionada e direcionada pela origem dos seus financiamentos. Interesses Económicos e Políticos: As prioridades do desenvolvimento científico refletem as escolhas de governos e corporações. Como exemplo, a indústria militar recebe frequentemente mais fundos (públicos e privados) em detrimento de outras áreas vitais para a humanidade, como a investigação para a transição e neutralidade carbónica. Limites Éticos: Esta ausência de neutralidade demonstra que a ciência e a tecnologia, bem como o uso que se faz delas, necessitam de limites éticos rigorosos para não se tornarem perigosas ou prejudiciais para a sociedade.

O Alerta Histórico

O Uso Destrutivo do Conhecimento: Os bombardeamentos de Hiroxima e Nagasaki representam o exemplo extremo das consequências trágicas que ocorrem quando o conhecimento científico é utilizado sem restrições éticas. Um Grito de Alerta: Estes eventos históricos servem como um alerta permanente para os riscos que os atuais arsenais nucleares e outras armas de destruição maciça representam para a humanidade. Preservação da Vida: Fica evidente que o poder da tecnologia atual tem a capacidade de ameaçar seriamente toda a vida na Terra, tornando essencial que a comunidade internacional assuma a missão de impor limites ao desenvolvimento científico em prol da paz e da cooperação.

O Conceito e Origem da Bioética

Definição e Origem: O termo "bioética" é um neologismo construído a partir das palavras gregas bios (vida) e ethos (ética). É entendida como uma ciência, disciplina ou movimento de intervenção social que centra a sua atuação fundamentalmente no agir da pessoa humana e nas consequências que resultam dessas ações. O Pai da Bioética: O médico oncologista norte-americano Van Rensselaer Potter é considerado o pai da bioética. Em 1970, na sua obra A Sobrevivência da Ciência, Potter introduziu o conceito para dar resposta aos rápidos avanços científicos. A Ponte Fundamental: Em 1971, Potter definiu a bioética como sendo a ponte essencial entre a ciência e a humanidade, unindo o conhecimento científico rigoroso aos valores e princípios humanos.

O Propósito e a Ética Global

A bioética tem como objetivo melhorar a vida humana e garantir a continuidade da espécie, promovendo uma relação responsável entre o ser humano, os outros seres vivos e o ambiente. Van Rensselaer Potter defende a necessidade de uma ética alargada, que inclua a natureza, a vida selvagem, as populações e o meio urbano, formando uma “ética da Terra”. A bioética não rejeita a ciência e a tecnologia, mas exige uma reflexão crítica constante sobre os seus impactos e limites.

Os Debates Atuais e a Tecnologia

Dilemas Biotecnológicos: A intervenção biotecnológica e a engenharia genética incidem diretamente sobre a manipulação da natureza humana e não humana. Temas como a clonagem reprodutiva, a eutanásia, a reprodução medicamente assistida e a manipulação genética são debates centrais nas sociedades atuais. A Dualidade da Tecnologia: O conhecimento científico não é neutro. A tecnologia pode ser uma grande "amiga" (trazendo enormes benefícios como os avanços na medicina e genética), mas também pode ter um lado negro e atuar como "inimiga" (quando o seu crescimento descontrolado destrói recursos vitais ou contribui para a produção de armas letais). O Equilíbrio Necessário: É fundamental encontrar um equilíbrio ético rigoroso. A ciência e a tecnologia devem ser orientadas por um fundamento moral capaz de respeitar o ser humano e a natureza, garantindo as melhores condições de vida no Planeta.

Conclusão

Em suma, este trabalho,podemos analisar e perceber que a ciência não deve ser vista como um conjunto de verdades absolutas, mas como um processo em constante evolução, marcado pela refutação de teorias e mudanças de paradigmas. O desenvolvimento científico e tecnológico não é neutro e pode trazer riscos se não for acompanhado de reflexão crítica. Nesse contexto, a bioética torna-se essencial ao ligar ciência e valores humanos, garantindo que o progresso ocorra com responsabilidade, respeitando a dignidade humana e protegendo o planeta para as gerações futuras.

Obrigado!!!!