a dimensão estética
como definir arte?
questão semântica ou metafísica?
SEMÂNTICA: qual o critério (ou critérios) que nos permite(m) decidir a que objetos o termo «arte» se aplica corretamente.
METAFÍSICA: podemos compreender a «natureza» da arte? Podem os objetos artísticos ser unificados numa categoria única?
O PROBLEMA: LINGUAGEM OU REALIDADE?
O QUE É ARTE?
O QUE É A ARTE?
O QUE É ARTE?
ESTA QUESTÃO LIMITA-SE A SUPOR QUE A ARTE EXISTE E QUE DESEJAMOS SER CAPAZES SIMPLESMENTE DE IDENTIFICAR OS OBJETOS QUE SÃO ARTE.
NÃO PROCURA DAR QUALQUER ESCLARECIMENTO SOBRE A NATUREZA DA ARTE.
O QUE É A ARTE?
ESTA QUESTÃO PRESSUPÕE QUE DEVE EXISTIR «ALGO» [ESSÊNCIA] QUE TRANSFORME UM OBJETO NUMA OBRA ARTÍSTICA E QUE PODE SER POSSÍVEL INCLUIR NO CONCEITO DE ARTE OBRAS DE DIFERENTE NATUREZA (PICTÓRICA, ESCULTÓRICA, LITERÁRIA), POR POSSUÍREM ESSE «ALGO».
O QUE É ARTE?
DISPENSAM DEFINIÇÕES: Weitz e Carroll.
DEFINIÇÕES NÃO ESSENCIALISTAS: Danto e George Dickie (teoria institucional da arte).
DEFINIÇÃO RECURSIVA: Jerrold Levinson (teoria histórica da arte).
O QUE É a ARTE?
DEFINIÇÕES TRADICIONAIS - ESSENCIALISTAS
IMITAÇÃO (MIMESIS) OU REPRESENTAÇÃO: Platão e Aristóteles.
EXPRESSÃO: Lev Tolstoi (comunicação de emoções) e R.G.Collingwood (clarificação de emoções).
FORMA SIGNIFICANTE: Clive Bell.
outra proposta de classificação (davies)
FUNCIONAL
PROCEDIMENTAL
DEFINE A ARTE EM TERMOS DAS FUNÇÕES QUE NECESSARIAMENTE AS OBRAS DE ARTE SATISFAZEM OU EXECUTAM.
DEFINE A ARTE EM TERMOS DAS REGRAS E PROCEDIMENTOS QUE NECESSARIAMENTE PRESIDEM À AQUISIÇÃO DO SEU ESTATUTO ARTÍSTICO.
INTENÇÃO DE PROPORCIONAREM EXPERIÊNCIAS ESTÉTICAS.
SUBLINHAM O CARÁTER INSTITUCIONAL COM BASE EM REGRAS E PROCEDIMENTOS.
DESTACAM A RELAÇÃO ENTRE AS OBRAS DE ARTE E UMA DETERMINADA TRADIÇÃO HISTÓRICA.
DEFINIÇÕES ESTÉTICAS
DEFINIÇÕES INSTITUCIONALISTAS
DEFINIÇÕES HISTORICISTAS
ARTE COMO IMITAÇÃO
A arte como imitação (mimesis) é a teoria criada para definir as obras produzidas pelo Homem em que são imitadas perspectivas da Natureza e a ação do Homem. A palavra mimesis é grega e é traduzida por imitação. Esta é uma das mais antigas teorias relacionadas com a arte. Foi aceite por todos e chegou a ser inquestionável pois a arte era considerada uma espécie de espelho que refletia a imagem da Natureza, fixando-a numa forma artística. A teoria da arte como imitação tem dois objetivos, que consistem no facto de a obra de arte ter de reproduzir algo e ser tanto melhor quanto mais fielmente reproduzir aquilo que imita. Esta teoria é defendida por Aristóteles e Platão. Aristóteles defende que a as obras devem ser imitações perfeitas de imperfeições da Natureza. Platão defende que um artista, ao imitar a natureza, está a imitar uma imitação. Segundo esta teoria, uma obra só é arte se é produzida pelo homem e imita algo.
ARTE COMO EXPRESSÃO
Esta tese defende que as obras só são consideradas como arte se o espectador sentir emoções idênticas ás do artista quando a obra é criada. A arte como expressão também diz que a emoção sentida pelo artista é intencionalmente expressa pela sua obra. Esta tese, como todas as outras, tem algumas objeções, por exemplo, em várias formas de expressão, inúmeras obras não são consideradas arte por não terem a intenção de criar quaisquer sentimentos.
Arte como
forma significante
A arte como forma significante parte de um pressuposto acerca da natureza da arte: uma obra de arte é um objecto que provoca emoções estéticas no seu público e que tem como característica a relação estabelecida entre as partes que a constituem. A teoria formalista baseia-se num raciocínio circular, pois define forma significante como aquilo que produz emoção estética e emoção estética como aquilo que a forma significante provoca.
teoria
institucional
A Teoria Institucional da Arte, formulada por George Dickie com base em Arthur Danto, postula que algo é arte se for um artefacto ao qual o "mundo da arte" (galeristas, críticos, museólogos) confere o estatuto de candidato à apreciação. A definição foca-se no contexto social e na legitimação e não nas propriedades físicas do objeto, sendo muito usada para explicar a arte contemporânea.
TEORIA
HISTÓRICA
A teoria histórica da arte de Jerrold Levinson define uma obra de arte como algo que foi intencionalmente criado para ser encarado da mesma forma que obras de arte anteriores. Esta abordagem, focada na intenção do artista e na relação com o passado, estabelece condições necessárias e suficientes: direito à propriedade e intenção de referência. Para que um objeto seja arte, o criador deve:
- Ter direito à propriedade do objeto.
- Ter a intenção de que o objeto seja encarado (apreciado, interpretado) da maneira como obras de arte anteriores foram encaradas.
«(I) X é uma obra de arte = df X é um objeto acerca do qual uma pessoa ou pessoas, possuindo a propriedade apropriada sobre X, têm a intenção não-passageira de que este seja perspetivado-como-uma-obra-de-arte, i.e., perspetivado de qualquer modo (ou modos) como foram ou são perspetivadas corretamente (ou padronizadamente) obras de arte anteriores.» (Levinson, 1979, p. 236)
a dimensão estética
Rogerio Marques
Created on May 6, 2026
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Transcript
a dimensão estética
como definir arte?
questão semântica ou metafísica?
SEMÂNTICA: qual o critério (ou critérios) que nos permite(m) decidir a que objetos o termo «arte» se aplica corretamente.
METAFÍSICA: podemos compreender a «natureza» da arte? Podem os objetos artísticos ser unificados numa categoria única?
O PROBLEMA: LINGUAGEM OU REALIDADE?
O QUE É ARTE?
O QUE É A ARTE?
O QUE É ARTE?
ESTA QUESTÃO LIMITA-SE A SUPOR QUE A ARTE EXISTE E QUE DESEJAMOS SER CAPAZES SIMPLESMENTE DE IDENTIFICAR OS OBJETOS QUE SÃO ARTE.
NÃO PROCURA DAR QUALQUER ESCLARECIMENTO SOBRE A NATUREZA DA ARTE.
O QUE É A ARTE?
ESTA QUESTÃO PRESSUPÕE QUE DEVE EXISTIR «ALGO» [ESSÊNCIA] QUE TRANSFORME UM OBJETO NUMA OBRA ARTÍSTICA E QUE PODE SER POSSÍVEL INCLUIR NO CONCEITO DE ARTE OBRAS DE DIFERENTE NATUREZA (PICTÓRICA, ESCULTÓRICA, LITERÁRIA), POR POSSUÍREM ESSE «ALGO».
O QUE É ARTE?
DISPENSAM DEFINIÇÕES: Weitz e Carroll.
DEFINIÇÕES NÃO ESSENCIALISTAS: Danto e George Dickie (teoria institucional da arte).
DEFINIÇÃO RECURSIVA: Jerrold Levinson (teoria histórica da arte).
O QUE É a ARTE?
DEFINIÇÕES TRADICIONAIS - ESSENCIALISTAS
IMITAÇÃO (MIMESIS) OU REPRESENTAÇÃO: Platão e Aristóteles.
EXPRESSÃO: Lev Tolstoi (comunicação de emoções) e R.G.Collingwood (clarificação de emoções).
FORMA SIGNIFICANTE: Clive Bell.
outra proposta de classificação (davies)
FUNCIONAL
PROCEDIMENTAL
DEFINE A ARTE EM TERMOS DAS FUNÇÕES QUE NECESSARIAMENTE AS OBRAS DE ARTE SATISFAZEM OU EXECUTAM.
DEFINE A ARTE EM TERMOS DAS REGRAS E PROCEDIMENTOS QUE NECESSARIAMENTE PRESIDEM À AQUISIÇÃO DO SEU ESTATUTO ARTÍSTICO.
INTENÇÃO DE PROPORCIONAREM EXPERIÊNCIAS ESTÉTICAS.
SUBLINHAM O CARÁTER INSTITUCIONAL COM BASE EM REGRAS E PROCEDIMENTOS.
DESTACAM A RELAÇÃO ENTRE AS OBRAS DE ARTE E UMA DETERMINADA TRADIÇÃO HISTÓRICA.
DEFINIÇÕES ESTÉTICAS
DEFINIÇÕES INSTITUCIONALISTAS
DEFINIÇÕES HISTORICISTAS
ARTE COMO IMITAÇÃO
A arte como imitação (mimesis) é a teoria criada para definir as obras produzidas pelo Homem em que são imitadas perspectivas da Natureza e a ação do Homem. A palavra mimesis é grega e é traduzida por imitação. Esta é uma das mais antigas teorias relacionadas com a arte. Foi aceite por todos e chegou a ser inquestionável pois a arte era considerada uma espécie de espelho que refletia a imagem da Natureza, fixando-a numa forma artística. A teoria da arte como imitação tem dois objetivos, que consistem no facto de a obra de arte ter de reproduzir algo e ser tanto melhor quanto mais fielmente reproduzir aquilo que imita. Esta teoria é defendida por Aristóteles e Platão. Aristóteles defende que a as obras devem ser imitações perfeitas de imperfeições da Natureza. Platão defende que um artista, ao imitar a natureza, está a imitar uma imitação. Segundo esta teoria, uma obra só é arte se é produzida pelo homem e imita algo.
ARTE COMO EXPRESSÃO
Esta tese defende que as obras só são consideradas como arte se o espectador sentir emoções idênticas ás do artista quando a obra é criada. A arte como expressão também diz que a emoção sentida pelo artista é intencionalmente expressa pela sua obra. Esta tese, como todas as outras, tem algumas objeções, por exemplo, em várias formas de expressão, inúmeras obras não são consideradas arte por não terem a intenção de criar quaisquer sentimentos.
Arte como
forma significante
A arte como forma significante parte de um pressuposto acerca da natureza da arte: uma obra de arte é um objecto que provoca emoções estéticas no seu público e que tem como característica a relação estabelecida entre as partes que a constituem. A teoria formalista baseia-se num raciocínio circular, pois define forma significante como aquilo que produz emoção estética e emoção estética como aquilo que a forma significante provoca.
teoria
institucional
A Teoria Institucional da Arte, formulada por George Dickie com base em Arthur Danto, postula que algo é arte se for um artefacto ao qual o "mundo da arte" (galeristas, críticos, museólogos) confere o estatuto de candidato à apreciação. A definição foca-se no contexto social e na legitimação e não nas propriedades físicas do objeto, sendo muito usada para explicar a arte contemporânea.
TEORIA
HISTÓRICA
A teoria histórica da arte de Jerrold Levinson define uma obra de arte como algo que foi intencionalmente criado para ser encarado da mesma forma que obras de arte anteriores. Esta abordagem, focada na intenção do artista e na relação com o passado, estabelece condições necessárias e suficientes: direito à propriedade e intenção de referência. Para que um objeto seja arte, o criador deve:
«(I) X é uma obra de arte = df X é um objeto acerca do qual uma pessoa ou pessoas, possuindo a propriedade apropriada sobre X, têm a intenção não-passageira de que este seja perspetivado-como-uma-obra-de-arte, i.e., perspetivado de qualquer modo (ou modos) como foram ou são perspetivadas corretamente (ou padronizadamente) obras de arte anteriores.» (Levinson, 1979, p. 236)