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o sentimento de um ocidental

Samyra Silva

Created on April 29, 2026

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Transcript

o sentimento de um ocidental

HORAS MORTAS

CEsÁrio verde

Ângelo Andrade nº3 Gabriel Silva nº 5 Luciana Miranda nº6 Lucas Sanchez nº7 Samyra Silva nº 10
Curso Profissional Técnico de Multimédia e Curso Profissional Design e Comunicação Gráfica
  • Introdução
  • Transcrição do poema e exploração vocabular
  • Tema /Assunto
  • Recursos expressivos e explicitação
  • Levantamento dos personagens e caracterização
  • Crítica social
  • Análise Crítica
  • Apreciação do poema

Índice

Introdução

Cesário Verde, nascido em Lisboa em 1855, é uma figura fundamental da poesia portuguesa moderna, reconhecido como precursor do Modernismo. O seu poema "Horas Mortas" foi publicada em 1887 no livro "O Sentimento de um Ocidenal". Sendo esse o poema que iremos abordar neste trabalho.

Objetivos e expectativas

As nossas expectativas antes da leitura deste poema foram: saber mais sobre as obras do autor, compreender mais a sociedade da época, a visão das pessoas naquele tempo e quais eram os problemas mais comuns. Os nossos objetivos com este trabalho é: Perceber a importância dos sentidos principais; Conhecer a realidade social da Burguesia e do Povo Conhecer os períodos das áreas de Portugal

Transcrição do poema

E as frotas dos avós, e os nómadas ardentes, Nós vamos explorar todos os continentes E pelas vastidões aquáticas seguir! Mas se vivemos, os emparedados, Sem árvores, no vale escuro das muralhas!... Julgo avistar, na treva, as folhas das navalhas E os gritos de socorro ouvir, estrangulados. E nestes nebulosos corredores Nauseiam-me, surgindo, os ventres das tabernas; Na volta, com saudade, e aos bordos sobre as pernas, Cantam, de braço dado, uns tristes bebedores. Eu não receio, todavia, os roubos; Afastam-se, a distância, os dúbios caminhantes; E sujos, sem ladrar, ósseos, febris, errantes, Amareladamente, os cães parecem lobos. E os guardas, que revistam as escadas, Caminham de lanterna e servem de chaveiros; Por cima, os imorais, nos seus roupões ligeiros, Tossem, fumando sobre a pedra das sacadas. E, enorme, nesta massa irregular De prédios sepulcrais, com dimensões de montes, A Dor humana busca os amplos horizontes, E tem marés, de fel, como um sinistro mar!

O tecto fundo de oxigénio, de ar, Estende-se ao comprido, ao meio das trapeiras; Vêm lágrimas de luz dos astros com olheiras, Enleva-se a quimera azul de transmigrar. Por baixo, que portões! Que arruamentos! Um parafuso cai nas lajes, às escuras: Colocam-se taipais, rangem as fechaduras, E os olhos dum caleche espantam-me, sangrentos. E eu sigo, como as linhas de uma pauta A dupla correnteza augusta das fachadas; Pois sobem, no silêncio, infaustas e trinadas, As notas pastoris de uma longínqua flauta. Se eu não morresse, nunca! E eternamente Buscasse e conseguisse a perfeição das cousas! Esqueço-me a prever castíssimas esposas, Que aninhem em mansões de vidro transparente! Ó nossos filhos! Que de sonhos ágeis, Pousando, vos trarão a nitidez às vidas! Eu quero as vossas mães e irmãs estremecidas, Numas habitações translúcidas e frágeis. Ah! Como a raça ruiva do porvir,

TEMA

O tema central é a dualidade entre a melancolia/decadência da cidade sombria e a crítica social/saudosismo de um passado glorioso, marcada por uma atmosfera misteriosa, sensorial e marginal.

ASSUNTO

1ª estofre: A viagem noturna do sujeito poético levou-o até ao momento da escuridão mais profunda, momento esse que todas as luzes se apagaram, restanto apenas a lierdade pelos astros, isto é, uma luz natural, contudo, escassa.

2ª estofre: O silêncio profundo e a escuridão permitem uma maior atenção aos apelos sensitivos. Ampliam-se, deste modo, os sons dos parafusos que cai na laje, ou das fechaduras que rangem.

ASSUNTO

4ª/5ª estofre: O primeiro verso da estofre 4, exprime uma ânsia de eternidade e perfeição, desejo contrariado pelo uso do pretérito imperfeito que transmite a ideia de uma ação hipotética e difícil de concretizar. Há também uma busca da realibitação do real através do imaginário. O mesmo desejo acabará por se projetar na estofre 5.

3ª estofre: No silêncio profundo «sobem», então, as «notas pastoris de uma longínqua flauta». A sensação auditiva, real ou imaginária, transpoprta o sujeito o poético para o campo, lugar de regeneração e vitalidade.

ASSUNTO

5ª/6ª estofre: A ânsia de liberdade inscreve-se nos domínios espacial e temporal, uma vez que no presente claustrofóbio da cidade, da sua atmosfera doentia, o sujeito poético afirma a intenção de «explorar todos os continentes» anulando fronteiras de espaço e tempo.

7ª estofre: O desejo de percorrer os oceanos para encontrar novos lugares emtodos os cotinentes apresenta-se, no entanto, como uma impossibilidade «mas se vivemos os emparedados/ sem árvores no vale escuro das muralhas».

ASSUNTO

9ª estofre: O medo aumenta com o aparecimento dos cãos vadios, «errantes», magros e doentes. Expressando, de forma itensa, a ideia do perigo silêncioso e de ferocidade que está também presente na comparação dos cães com os lobos.

8ª estofre: A metarforização das ruas em «correndores nebulosos» desfaz toda a sua possibilidade de esperança.

ASSUNTO

10ª estofre: Os «guardas» e as «imorais» voltam a ser mencionados na parte final do poema, reforçando-se a sua carga semântica.

11ª estofre: Na última estofre, exprime-se enfaticamente a mesma certeza que a estofre 7: num infidável movimento sem viagem, de inevitável retorno.

recursos expressivos e explicitação

  • Metáfora e Imagens Sensoriais: Cesário Verde utiliza imagens poderosas para descrever a cidade como um lugar sufocante. A metáfora "os ventres das tabernas" sugere a sordidez e o lado sombrio da cidade, enquanto "emparedados" (v. 25) sublinha a sensação de enclausuramento num ambiente industrial ("vale escuro das muralhas").
  • Sinestesia: Mistura de sensações auditivas e visuais ("o silêncio, infaustas e trinadas / As notas pastoris de uma longínqua flauta"), que acentua a atmosfera surreal e a solidão.Enumeração e Adjetivação: A descrição minuciosa ("bêbados", "assassinos", "ladrões", "prostitutas") contribui para a construção de um cenário disfórico, mostrando a marginalidade que domina a noite.
  • Hipérbole: Exagero para enfatizar a náusea e a angústia sentida pelo sujeito poético perante a realidade degradada

O texto "Horas Mortas" é um exemplo exímio da utilização de recursos expressivos para transformar uma deambulação noturna numa experiência sensorial e crítica. A explicitação das "horas mortas" — a madrugada, o silêncio, o vazio — serve para intensificar a claustrofobia, a solidão e a decadência urbana, permitindo ao sujeito poético refletir sobre a desilusão.

recursos expressivos e explicitação

Estrutura Externa: Composto por três estrofes de quatro versos (quartetos). Os versos alternam frequentemente entre decassílabos e, predominantemente, versos alexandrinos (12 sílabas métricas), conferindo um ritmo lento e pausado, condizente com o ambiente noturno. Rima: Utiliza rimas cruzadas ou alternadas, mantendo uma sonoridade regular, mas que quebra a monotonia, reflectindo a inquietação do sujeito poético. Linguagem e Imagens: Cesário Verde utiliza uma linguagem visual e sensorial, marcada pela descrição de cenários urbanos degradados ou sombrios ("nebulosos corredores", "ventres das tabernas").

Personificação: A cidade parece ter vida própria, mas uma vida perigosa e sombria, dominada por figuras marginais ("bêbados", "assassinos", "prostitutas").Tom Disfórico: O desfecho revela uma angústia profunda, um retorno à dura realidade após o sonho, simbolizando a impossibilidade de escape e a decadência nacional.

levantamento dos personagens e caracterização

No poema "Horas Mortas" (IV parte de O Sentimento dum Ocidental), de Cesário Verde, o sujeito poético deambula por uma Lisboa noturna e sombria, focando-se em figuras marginais e trabalhadores noturnos que povoam a cidade de madrugada. O levantamento dos personagens inclui: O Sujeito Poético/Lírico: O observador que caminha pela cidade, sentindo-se isolado e alienado, mas que sonha com a perfeição e a história de Portugal. As "Impuras": Representam a marginalidade e a decadência urbana, muitas vezes descritas com roupões ligeiros. A "Lúbrica Pessoa": Figura associada à sensualidade sombria da noite.Os "Bêbados": Personagens que circulam pelas ruas escuras. Os "Assassinos" e "Ladrões": Contribuem para a atmosfera ameaçadora e insegura da cidade.

crítica social

Na nossa opinião a crítica social do poema Horas mortas é oque a contese nos cantos mais escuros das cidades quando o sol dorme e as pessoas injulgam nos pecados com a lujuria referenciada no poema, até as pessoas que deviam manter o controle parecem zumbis apenas passando pela rotina e sem fazer nada para parar a corrupção nas sombras.

análise crítica

No poema "O Sentimento dum Ocidental", de Cesário Verde, no excerto "Horas Mortas" está presente avisão do sujeito poético, enquanto vaga, sobre o ambiente urbano de Lisboa de madrugada, de forma melancólica e detalhada e pela busca pelo sentido da existência. O poema inicia-se com a descrição de um céu noturno “O teto fundo de oxigénio, d'ar”, símbolo de liberdade. No entanto, essa imagem é logo contrariada à realidade urbana, marcada pela decadência e pela solidão. As ruas escuras e os edifícios dão uma sensação de opressão e isolamento, como se determinasse o limite da cidade, esta também muito poluída. O sujeito poético tem um desejo de fugir daquele lugar"quimera azul de transmigrar". À medida que o poema avança, o contraste entre o que seria ideal na sua imaginação e a realidade aumenta.

apreciação do poema

O poema contrasta o sonho de expansão e perfeição com a realidade opressora e decadente da cidade, marcada pela solidão e decadência nacional. A atmosfera é melancólica, com descrições realistas e impressionistas da noite, onde o desejo de grandeza passado se contrapõe à miséria presente.

Pontos-chave da apreciação: Deambulação Noturna: O eu poético caminha pelas ruas escuras, observando fachadas, ferros e tabernas, transmitindo uma sensação de isolamento e aprisionamento no "vale escuro das muralhas". Dualidade (Sonho vs. Realidade): Existe um contraste entre o desejo de explorar novos continentes ("a raça ruiva do porvir") e a sensação de estar "emparedado" na decadência urbana. Atmosfera Urbana: Cesário Verde utiliza uma linguagem que antecipa o modernismo, focando-se no real, na degradação da cidade e na melancolia das "horas mortas", onde surgem sons distantes ("notas pastoris de uma longínqua flauta"). Evocação do Passado: Há uma referência à glória dos descobrimentos ("frotas dos avós"), que contrasta com a inércia da época. Estilo: Mistura realismo, naturalismo e impressionismo, com um olhar detalhado que transforma a cidade num cenário vivo e opressor

Agradecemos vossa atenção!!!!!