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As gravatas do meu pai

Bárbara Alexandre

Created on April 28, 2026

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Transcript

As gravatas do meu pai

Bárbara Melo Alexandre Nº124937

guarda inicial

guarda final

Ilustrações

História

"As Gravatas do Meu Pai" é uma narrativa sensível sobre a relação entre um pai e um filho, utilizando as gravatas paternas como metáforas para a identidade e a memória. O protagonista explora o mundo interior do pai através destes objetos singulares, que funcionam como diários visuais de sentimentos e momentos vividos. Mais do que um acessório de moda, cada gravata representa um ensinamento ou um traço da personalidade paterna, tornando-se o fio condutor de uma viagem emocional que liga o passado ao presente. Ao revisitar estas memórias, o filho tenta compreender quem foi o pai, transformando a saudade numa herança afetiva que ajuda a construir a sua própria identidade.

Na guarda final, o vazio é o elemento central. O desaparecimento quase total dos objetos, restando apenas um pequeno detalhe subtil, simboliza o encerramento de um ciclo. As cores mantêm a mesma harmonia, mas a limpeza do espaço sugere que o mistério inicial foi substituído pela serenidade da memória guardada.

Neste livro o autor utiliza figuras distorcidas e elementos simbólicos para expressar a profundidade das emoções e a complexidade da relação pai-filho.A escolha cromática é fundamental: o uso predominante de tons sépia e acastanhados confere às ilustrações uma estética envelhecida, como se estivéssemos a folhear um álbum de memórias ou um diário antigo, reforçando o tom nostálgico da obra. Este fundo mais sóbrio é pontuado por manchas suaves de aguarela, tons pastéis de azul e pêssego, que trazem leveza às imagens. Este contraste entre o traço técnico, quase mecânico, e a fluidez das aguarelas cria um equilíbrio visual que espelha a dualidade entre a vida adulta (a seriedade do pai) e a ternura da infância, tornando a obra visualmente rica e emocionalmente envolvente.

Opinião Pessoal

Na minha opinião, este livro consegue transformar um objeto tão comum e, por vezes, rígido como uma gravata, num símbolo de ternura e complexidade humana. O que mais me fascina é a forma como o autor utiliza a ilustração para dar um peso físico a sentimentos abstratos, como a saudade. É um livro que não tenta dar todas as respostas, mas sim convidar o leitor a olhar para as figuras da sua própria vida com uma nova atenção. A narrativa é uma reflexão poderosa sobre o facto de que, mesmo quando alguém parte ou muda, a sua essência permanece guardada nos símbolos que escolhemos preservar, tornando esta leitura uma experiência íntima que ressoa muito para além das suas páginas.

A ilustração apresenta um detalhe particularmente curioso e lúdico: uma pequena mão emerge de uma estrutura vertical alongada e adornada, segurando um instrumento de fazer bolhas de sabão, um arco com uma pequena argola na ponta. Este elemento contrasta com o ambiente de tons sépia e traços delicados que remetem a algo antigo ou a um diário de memórias. A presença deste objeto de soprar bolhas sugere uma infância lúdica, onde a magia e o absurdo se cruzam com a rotina, antecipando o modo como as gravatas do pai, no desenrolar do livro, se transformam em elementos de fantasia que ganham vida e personalidade própria. É um detalhe que evoca leveza e efemeridade, funcionando como uma metáfora perfeita para a relação entre o protagonista e o mundo imaginário que o seu pai lhe revela através das suas gravatas.

Autor e Ilustrador: Pedro Seromenho Editora: Paleta de Cores Edição: Janeiro de 2026