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Nuno Judice

Vitória Fernandes

Created on April 27, 2026

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Nuno Judice

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Índice

Biografica

Obras

Video

Poema

Linguagem, estilo e recursos expressivos

Estrutura e formas poéticas

Temática do poema

Biografia

Nuno Manuel Gonçalves Júdice Glória nasceu a 29 de abril de 1949, em Mexilhoeira Grande, no Algarve, e faleceu a 17 de março de 2024, em Lisboa. Formou-se em Filologia Românica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e obteve o grau de Doutor pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, com uma dissertação sobre Literatura Medieval. Entre 1972 e 1977, lecionou no ensino secundário e, a partir de 1977, foi professor universitário até à aposentação em 2015, tornando-se professor associado em 1989

Obras e Prémeos

Nuno Júdice é um dos mais importantes nomes da poesia contemporânea portuguesa. Suas obras incluem "A Noção de Poema" (1972), "Meditação sobre Ruínas" (1994), e "Voyage dans uns siècle de Littérature Portuguaise" (1993). Júdice recebeu numerosos prémios, entre os quais:

  • Prémio Pen Clube (1985)
  • Prémio D. Dinis da Casa de Mateus (1990) Prémio Europeu de Literatura Aristeion (1994)
  • Prémio Rainha Sofia de Poesia Ibero-Americana (2013)
  • Prémio de Poesia Poetas del Mundo Latino Víctor Sandoval (2014)
  • Prémio Argana de Poesia (2015)

Vídeo

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É Isto o Amor Em quem pensar, agora, senão em ti? Tu, que me esvaziaste de coisas incertas, e trouxeste a manhã da minha noite. É verdade que te podia dizer: «Como é mais fácil deixar que as coisas não mudem, sermos o que sempre fomos, mudarmos apenas dentro de nós próprios?» Mas ensinaste-me a sermos dois; e a ser contigo aquilo que sou, até sermos um apenas no amor que nos une, contra a solidão que nos divide. Mas é isto o amor: ver-te mesmo quando te não vejo, ouvir a tua voz que abre as fontes de todos os rios, mesmo esse que mal corria quando por ele passámos, subindo a margem em que descobri o sentido de irmos contra o tempo, para ganhar o tempo que o tempo nos rouba. Como gosto, meu amor, de chegar antes de ti para te ver chegar: com a surpresa dos teus cabelos, e o teu rosto de água fresca que eu bebo, com esta sede que não passa. Tu: a primavera luminosa da minha expectativa, a mais certa certeza de que gosto de ti, como gostas de mim, até ao fim do mundo que me deste. Nuno Júdice, in 'Pedro, Lembrando Inês'

Poema

Temática do poema

  • O poema aborda o amor como:
  • Experiência transformadora (“me esvaziaste de coisas incertas”);
  • União contra a solidão;
  • Presença na ausência (“ver-te mesmo quando te não vejo”).
  • Integra-se sobretudo na temática:
  • Representações do contemporâneo, pois apresenta um amor introspectivo, consciente e reflexivo.

Linguagem, estilo e recursos expressivos

  • A linguagem é:
  • Subjetiva e intimista;
  • Rica em imagens poéticas e metáforas.
  • Recursos expressivos:
  • Metáfora: “a manhã da minha noite” → o amor como luz transformadora;
  • Paradoxo: “ver-te mesmo quando te não vejo” → presença na ausência;
  • Anáfora: repetição de estruturas (“Tu: …”) reforça a importância da pessoa amada;
  • Comparação implícita e imagens naturais: rios, primavera → associam o amor à vida e renovação.

Estrutura e formas poéticas

  • Poema em verso livre (sem rima nem métrica regular);
  • Estrutura em bloco textual contínuo, aproximando-se da prosa poética;
  • Progressão temática:
  1. Reflexão inicial sobre a mudança;
  2. Definição do amor;
  3. Exemplificação sensorial e emocional;
  4. Exaltação final da pessoa amada.

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