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HGP II - T2.2 Portugal Liberal e ascensão da monarquia constitucional

Nuno Martins Ferreira

Created on April 27, 2026

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Transcript

História e Geografia de Portugal II
HGP II - T2.2 Portugal Liberal e ascensão da monarquia constitucional Das invasões francesas à Regeneração e ao fontismo
Nuno Martins Ferreira
A evolução da modernização do País Agricultura
A evolução da modernização do País Propriedade

Decreto da extinção das ordens religiosas 28 de maio de 1834

A evolução da modernização do País Propriedade
A evolução da modernização do País Indústria
A evolução da modernização do País Indústria

Até 1852, a industrialização foi lenta. A localização das indústrias relacionava-se com: - zonas populosas; - portos marítimos.

A evolução da modernização do País

João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett (1799-1854)

A população
Burguesia
Operariado
A Emigração
A Emigração
A Emigração
A Emigração
A Emigração

1864 – Centro de gravidade populacional do país está no Minho e Douro Litoral (densidade de população de 100 hab./km2 para uma média nacional de 44 hab./km2) 1864 a 1911 – Crescimento da população a nível nacional, apesar de Portugal manter as características de ocupação desde a sua Fundação: • Regiões tradicionalmente povoadas veem a sua ocupação densificar-se • Restantes assistem à partida da sua população (emigração; êxodo rural)

Orlando Ribeiro
Primeiro Inquérito Parlamentar sobre a Emigração de 1873

«[o brasileiro] que se torna negociante, enriquece e, vendo-se dono de um pecúlio maior ou menor, como esse pecúlio é dinheiro sem fixidez, liquida, recheia a carteira e volta a acabar regaladamente a vida junto às carvalhas da sua infância, na Praça Nova do Porto, ou na Rua dos Capelistas de Lisboa.»

«Por toda a faixa litoral do Minho ao Mondego, se pode ver, no aspecto das casas e das povoações, os vestígios dessa fonte de riqueza [brasileiros] alheia a tais regiões.»

«Se lançarmos a vista sobre as cidades, vilas e aldeias, ali encontramos palácios sumptuosos, casas elegantes, casais cómodos, tudo edificado com o dinheiro que os emigrados de ontem trouxeram da emigração.»

A figura do brasileiro na literatura e na memória coletiva
J. P. Oliveira Martins
A Emigração
A Emigração
Antigo Convento da Boa Hora
  • Fundado, em 1674, pelos Eremitas Descalços de Santo Agostinho
  • Após a extinção das ordens religiosas (1834), o convento albergou o quartel do 1º Batalhão dos Voluntários do Comércio. Em 1843, foram instalados no edifício os tribunais civis e criminais de Lisboa.
  • No final dos anos 60 foram transferidos alguns tribunais da Boa Hora para o Palácio da Justiça, no Alto do Parque Eduardo VII.

🏛️ Impacto e Consequências • Dispersão e perda patrimonial: Milhares de obras de arte, livros e documentos perderam o seu contexto original; muitos foram destruídos ou roubados. • Criação de museus e arquivos: Parte do vasto espólio recolhido serviu para enriquecer as bibliotecas públicas e criar os primeiros museus nacionais. • Reutilização de edifícios: Os antigos conventos e mosteiros foram convertidos em quartéis, hospitais, tribunais, escolas e palácios públicos

A figura do «brasileiro»

  • designa o natural do Brasil, em Portugal passou-se a empregá-lo, em meados do século XIX, para nomear também o emigrante português enriquecido na sua colónia americana, de retorno à pátria.
  • «brasileiro de mão furada», designa o emigrante que regressa a Portugal sem fortuna
  • "brasileiro" de "torna-viagem" e "vai e torna" por ser um emigrante em permanente ida e vinda do Brasil

• A redistribuição da propriedade foi uma das principais características do Portugal Oitocentista • Durante a Guerra Civil de 1832-34, os liberais decretaram o confisco de todos os bens do inimigo. A terra e outros haveres foram postos em leilão e logo adquiridos pelos mais ricos dos vencedores, na sua maioria homens de comércio ou industriais. A isto se associou a extinção das ordens religiosas. • Surgia assim uma classe poderosa de burgueses terratenentes, que impediram o regresso ao Antigo Regime.

📜 Principais Medidas do Decreto • Extinção imediata de todos os conventos, mosteiros, colégios e hospícios das ordens religiosas masculinas. • Nacionalização dos bens da Igreja, que foram incorporados na Fazenda Nacional e posteriormente vendidos em hasta pública para abater a dívida do Estado e financiar a nova burguesia liberal. • Regime de exceção para as mulheres: as casas religiosas femininas não foram fechadas de imediato; foi-lhes proibido admitir novas noviças, aguardando-se a morte da última freira para o encerramento definitivo de cada convento.

Operariado Entre as classes inferiores, saliente-se o lento, mas gradual crescimento do proletariado. No início de Oitocentos, o artesanato, com a propriedade das suas oficinas e dos seus meios de produção, controlava ainda 2/3 de toda a «produção industrial». Havia cerca de 36 000 obreiros e aprendizes. Os trabalhadores rurais formavam uns 70% do total da população dos campos. Cem anos mais tarde, existiam já unidades fabris com mais de dez pessoas a laborar - 100 000 trabalhadores, correspondendo a cerca de 20% da totalidade dos obreiros que se ocupavam em transformar matéria-prima. A grande maioria da população «industrial» estava, portanto, ainda distribuída por pequenas oficinas como menos de dez trabalhadores, por atividades artesanais de tipo doméstico. As mulheres continuavam a desempenhar papel de relevo, conquanto a sua percentagem na população obreira viesse a declinar desde as décadas de 1880 ou 1890: 34,8% (1890), 29% (1900), 28,3% (1911).

Após anos de privação e sem a fortuna prometida, Manuel regressa a Portugal. No entanto, o retorno é marcado pelo sentimento de derrota: a sua terra natal parece-lhe agora estranha e a sua família seguiu caminhos diferentes. O livro termina com a sua decisão cíclica de voltar a emigrar, incapaz de se readaptar à miséria local.

Regresso amargo

O protagonista acaba por trabalhar numa fazenda de café em condições de quase escravidão e, mais tarde, em São Paulo, onde vive as dificuldades do proletariado urbano. Durante este período, envolve-se emocionalmente com uma mulher

Luta e desengano

A ilusão

Manuel parte com a esperança de sucesso rápido, mas ao chegar ao Brasil depara-se com uma realidade cruel. O seu "patrício", que supostamente o ajudaria, ignora-o, forçando-o a aceitar trabalhos precários

1834 - lei de liberdade de comércio e indústria, podendo os industriais adoptar inventos, investir capitais, fixar preços e explorar o trabalho como melhor entendessem Até 1835, não existiam máquinas a vapor; em 1840 já trabalhavam 4, com força total de 79 cavalos-vapor. Em 1850, 8 máquinas a vapor, com dez vezes mais potência; Em 1881, havia uma força total de 9087 cavalos-vapor

«Ah, seja como for, seja por onde for, partir! Largar por aí fora, pelas ondas, pelo perigo, pelo mar Ir para Longe, ir para Fora, para a Distância Abstracta Indefinidamente, pelas noites misteriosas e fundas, Levado como a poeira, pelos ventos, pelos vendavais! Ir, ir, ir de vez!»

• Em 1819, dois terços do solo nacional estavam por cultivar; 50 anos mais tarde essa parte baixara para metade; e para menos de 40% em 1902 • Introduziu-se e expandiu-se a cultura da batata e do arroz: a batata substituiu o consumo de nabos e castanhas na alimentação popular, sobretudo no Norte e Nordeste. • Em meados do século XIX, a máquina agrícola foi introduzida, bem como os adubos químicos

Não: plantai batatas, ó geração de vapor e de pó de pedra; macadamizai estradas; fazei caminhos de ferro; construí passarolas de Ícaro, para andar, a qual mais depressa, estas horas contadas de uma vida tão material, maçuda e grossa, como tendes feito esta que Deus nos deu, tão diferente do que a que hoje vivemos. Andai, ganha-pães, andai; Reduzi tudo a cifras, todas as considerações deste mundo a equações de interesse corporal; comprai, vendei, agiotai. - No fim de tudo isto o que lucrou a espécie humana? Que há mais umas poucas de dúzias de homens ricos. E eu pergunto aos economistas-políticos, aos moralistas, se já calcularam o número de indivíduos que é forçoso condenar à miséria, ao trabalho desproporcionado, à desmoralização, à infâmia, à ignorância crapulosa, a desgraça invencível, à penúria absoluta, para produzir um rico.

Emigrantes, óleo de Domingos Rebelo, 1929, Ponta Delgada, ilha de São Miguel, Açores.

A partir da segunda metade de Oitocentos, após a Independência do Brasil (1822), o expatriamento assumiu entre nós uma proporção significativa, dando-se dois tipos de movimentos geográficos de população:

  • No interior de cada país industrializado deu-se uma redistribuição regional da população caracterizada pelo brusco crescimento das cidades
  • As necessidades de mão-de-obra abriu o caminho à expansão das populações fora da Europa: «emigração»

Remessas Do total de pessoas que emigravam, apenas uma pequena minoria é que regressava, mas em compensação, o volume de divisas que os emigrantes remetiam do Brasil e de outras partes servia para estimular a economia portuguesa. Os cálculos aproximados, avaliavam essas remessas em 3 000 contos de média anual na década de 1870, mais de 12 000 na de 1890 e talvez uns 20 000 por volta de 1910- o equivalente a mais da quarta parte das receitas totais do Estado!

Burguesia Em 1820, os grupos burgueses abrangiam 8% da população total, mas dentro deles a maioria era composta por funcionário públicos, professores, estudantes universitários, advogados, médicos, etc., com apenas 1/10 de mercadores e homens de negócio. Por volta de 1867, a burguesia duplicara a sua percentagem no país, já com os negociantes e industriais a predominarem face ao funcionalismo público. Analisando os censos feitos à população desde 1864, verifica-se claramente o declínio daqueles que se dedicavam exclusivamente à agricultura: 72% (1864), 61% (1890 e 1900), 57% (1911).