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Teoria da arte como expressão

Beatriz Rodrigues

Created on April 24, 2026

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Teoria da arte como expressão

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Filosofia da Arte

A filosofia da arte é o ramo da filosofia que se dedica a refletir sobre a natureza, o valor e o significado da experiência artística. Ao contrário da história da arte, que estuda movimentos e cronologias, ou da crítica de arte, que avalia a qualidade de obras específicas, a filosofia da arte procura responder a outras questões. O seu grande objetivo é compreender o que torna algo uma "obra de arte" e de que forma a arte se relaciona com a verdade, com a moral e com as nossas emoções. No fundo, a disciplina pretende fornecer-nos ferramentas críticas para irmos além do simples "gosto" ou "não gosto", obrigando-nos a pensar sobre os criadores daquilo que vemos, ouvimos ou sentimos perante um objeto artístico.

Teoria da arte como expressão

Também conhecida como teoria expressivista, esta teoria diz que a arte é maioritariamente uma forma de expressar sentimentos e emoções. É um vínculo de expressão das emoções humanas, revelando experiências pessoais e subjetivas. Quando alguém diz que uma certa obra de arte não o comove ou não o deixa indiferente, esta pessoa está indiretamente a concordar com esta teoria.

" O Baloiço"

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Jean-Honoré Fragonard

Jean-Honoré Fragonard

Edgar Degas

Caspar David Friedrich

Levi Tolstoi

Nasceu em 1828, na Rússia e acabou por falecer em 1910. Foi um escritor Russo, que, durante a sua carreira, escreveu um livro onde defende que a arte exprime sentimentos. Segundo Tolstoi algo apenas pode ser considerado arte caso seja produzido por alguém com o objetivo de exprimir os seus sentimentos individuais. De modo a contagiar as outras pessoas com esses mesmos sentimentos. A verdadeira arte, aquela que se distingue das imitações de arte, é a que une pessoas nos mesmos sentimentos, e que ajuda no progresso em direção ao bem de cada ser humano e da humanidade. A verdadeira arte não pode ser considerada arte caso seja usada como busca de prazer, beleza e diversão.

O que é a arte para tolstoi?

Para Tolstoi quanto mais eficazmente o público sentir o que o artista sentiu, maior é o "contágio" e, consequentemente, o valor da obra. O nível de contágio depende de três fatores principais, a individualidade do sentimento, a clareza e a sinceridade.

É uma forma de comunicação, tendo por finalidade transmitir e partilhar sentimentos entre o artista, que cria a obra, e o público, que a aprecia. A arte cria um vínculo entre o artista e todas as pessoas que tiveram ou terão a mesma impressão artística.

“A arte é, assim, uma forma de comunicação de sentimentos autênticos, com os quais o artista contagia os destinatários das suas obras, criando uma espécie de comunhão de sentimentos. Por isso, a arte tem uma função moral e social.”

Robin George Collingwood

Nascido em 1889 e falecido em 1943, foi um filosofia e professor inglês. Ocupou o cargo de Professor de Filosofica Metafísica na Universidade de Oxford por vários anos. Para além disso também se dedicou à filosofia da arte. Collingwood concorda com o Tolstoi quando diz que a arte é a expressão de sentimentos ou emoções. Porém ele considera que o artista exprime sentimentos e emoções que ele mesmo não entende.

O que é a arte para Collingwood?

A arte apenas pode ser considerada arte se e só se, caso seja pintada por alguém que não conhece as emoções individuais que está a sentir. Dessa forma cria arte de forma a clarificá-las. Para ele a arte não é um "correio" de emoções, não é apenas considerado arte caso quem a observa a entenda. Para Collingwood o objetivo da arte é ajudar o criador a entender a "perturbação psíquica" que está a sentir, e "torná-la" numa emoção.

Segundo Collingwood, exprimir uma emoção não é o mesmo que descrevê-la. Se alguém disser que está feliz, esta pessoa está a descrever a sua emoção, não a exprimi-la. O verdadeiro artista é aquele que, ao lutar com o problema de exprimir uma certa emoção, tem o desejo de a tornar clara, ou seja, de a clarificar.

Collingwood também faz a distinção entre o artesão e o artista. Para ele o artesanato não pode ser considerado arte, já que o artesão tem um plano, sabe o que vai criar, já o artista não. O artista "de" Collingwood não tem um plano rígido, ele descobre a obra enquanto a faz.

Susanne langer

Susanne Langer (1895-1985) foi uma filósofa americana que revolucionou a estética ao tratar a arte não como um mero desabafo emocional, mas como uma forma de conhecimento simbólico. Para Susanne, a arte é a "criação de formas simbólicas do sentimento humano", isto significa que o artista não está a "chorar" na obra, mas a construir uma estrutura que objetiva a natuureza do sentimento para que os outros possam compreendê-la intelectualmente.

Cada arte cria uma "ilusão" ou "aparência" própria, a pintura cria o espaço virtual, a música cria o tempo virtual e a dança cria o jogo de forças virtuais.

Langer distingue a linguagem comum, que é linear e lógica, das formas artísticas. Enquanto a linguagem explica o mundo por parte, a arte apresenta uma "imagem" total e imediata do sentimento que a lógia verbal não consegue captar. Langer não se refere apenas a emoções como alegria ou tristeza, mas toda a "vida do sentimento", ritmos vitais, tensões, resoluções e a própria sensação de estar vivo.

'A música é um símbolo da vida sentida, o seu tempo não é o tempo do relógio, mas o tempo da experiência interior.'

Conclusão

A filosofia da arte procura assim compreender o significado e a função da arte. Tanto Tolstói como Robin George Collingwood defendem que a arte está ligada à expressão de emoções. Para Tolstói, a arte transmite sentimentos entre as pessoas, o artista transmite aos outros aquilo que sente, criando uma ligação entre as pessoas através das emoções. Já Collingwood considera que a verdadeira arte não serve apenas para transmitir emoções, mas principalmente para as clarificar e tornar conscientes, ajudando o artista e o público a compreender melhor os seus próprios sentimentos Assim, ambos veem a arte como uma forma importante de expressão humana.

XIX

Antes do século XIX, a arte era dominada pela Teoria da Arte como Imitação (ou mimesis). O objetivo do artista era ser um espelho fiel da realidade, e a sua qualidade era medida pela perícia técnica em reproduzir a natureza, a anatomia humana ou a luz de uma paisagem. Porém com o avanço dos anos e com o aparecimento do Romantismo e do Impressionismo a arte passou a ser uma forma de expressar sentimentos e emoções, não apenas demostrar a sua técnica. Dando assim uma nova definição à arte.

História da arte