Lisboa, o antes e depois do Terramoto de 1755
A ação do Marquês de Pombal
Disciplina: História Identificação: Matilde Cansado, 11, 8ºA Escola: Escola Básica e Secundária Dr. Isidoro de Sousa/ Escola Básica de Alcáçovas Ano Letivo: 2025/2026
Portugal na segunda metade do século XVIII: a ação governativa do Marquês de Pombal
- A segunda metade do século XVIII foi o período em que Portugal tentou, de forma mais sistemática, livrar-se do atraso económico através do poder centralizado do Estado. Embora não tenha atingido uma industrialização completa, conseguiu modernizar a sua administração e diversificar a sua economia para sobreviver ao fim da era do ouro.
- A política económica do Marquês de Pombal (1750-1777) foi um exemplo clássico de Mercantilismo Iluminista ou Colbertismo, caracterizado por um forte dirigismo estatal. O objetivo central era reduzir a dependência de Portugal face à Inglaterra, equilibrar a balança comercial e modernizar as estruturas de produção e comércio.
- Para reforçar o poder do Estado, o Marquês de Pombal implementou uma política de Despotismo Iluminado. O seu objetivo era transformar o rei num monarca absoluto incontestado, submetendo os grupos sociais tradicionais (nobreza e clero) e modernizando a máquina administrativa, as príncipais medidas políticas adotadas para reforço do poder do aparelho de Estado são: centralização Administrativa e Financeira, submissão das Ordens Sociais Tradicionais, reforma do Aparelho Judicial e Jurídico e reforma do Ensino.
Portugal na segunda metade do século XVIII: a ação governativa do Marquês de Pombal
- Para consolidar o poder absoluto de D. José I e modernizar o Estado, o Marquês de Pombal implementou uma estratégia de "equilíbrio de forças": enfraqueceu as ordens tradicionais (que resistiam à autoridade real) e fortaleceu a burguesia (que era o motor económico do país)e as príncipais medidas são: submissão da Nobreza, o Processo dos Távora, submissão do Clero, Valorização da Burguesia.
- O governo do Marquês de Pombal é o exemplo máximo do Despotismo Iluminado em Portugal. Esta corrente política tentava conciliar a autoridade absoluta do monarca com as ideias de progresso, racionalismo e eficiência propostas pelo Iluminismo.
- A reforma do ensino foi um dos pilares mais importantes da governação do Marquês de Pombal. O seu objetivo era retirar o controlo da educação das mãos da Igreja (especialmente dos Jesuítas) e transformá-la num instrumento do Estado para formar uma elite moderna, racionalista e tecnicamente preparada, as príncipais medidas adotadas pelo Marquês de Pombal são: Expulsão dos Jesuítas e Secularização, criação do Ensino Primário e Secundário, instituições de Ensino Técnico e de Elite, a Grande Reforma da Universidade de Coimbra e a criação da Real Mesa Censória.
O Terramoto de 1755 e a reconstrução da cidade de Lisboa: o urbanismo pombalino
- O Terramoto de 1755 foi um dos desastres naturais mais devastadores e marcantes da história moderna, não só pela destruição física, mas pelo impacto filosófico e político que teve na Europa.
Clique
Data:
Hora:
Aproximadamente às 09:40 da manhã.
1 de novembro de 1755 (Dia de Todos os Santos).
Epicentro:
Duração:
O abalo principal durou entre 3 a 6 minutos, um tempo extremamente longo que causou a abertura de fendas gigantescas no solo.
Localizado no Oceano Atlântico, estima-se que a cerca de 200 a 300 km a sudoeste do Cabo de São Vicente, na falha geológica Açores-Gibraltar.
Magnitude Estimada:
Réplicas:
Nas horas seguintes ao abalo principal, sentiram-se dezenas de réplicas de forte intensidade que impediram as tentativas de socorro e provocaram novos desabamentos.
Entre 8.5 e 9.0 na escala de Richter. Foi um dos terramotos mais fortes de que há registo na história da humanidade.
O Terramoto de 1755 e a reconstrução da cidade de Lisboa: o urbanismo pombalino
- No contexto do Grande Terramoto de Lisboa de 1755, a destruição não foi uniforme. A combinação de solo instável, proximidade com a costa e densidade populacional determinou as áreas mais castigadas.
Zonas mais afetadas:
Baixa Pombalina: Foi a zona mais destruída. O solo de aluvião (areia e lodo) sofreu liquefação, fazendo com que os edifícios colapsassem como castelos de cartas. O tsunami entrou pelo Terreiro do Paço com ondas de até 6 metros. Bairros Ribeirinhos: Santos, Boavista e Cais do Sodré foram varridos pela força das águas. Zonas Altas: Embora tenham sofrido menos com o tsunami, foram devastadas pelos incêndios que duraram cinco dias, alimentados pelos ventos e pelas talhas de azeite das igrejas e casas.
Lagos: Foi virtualmente varrida do mapa. O tsunami galgou as muralhas, destruindo quase todos os edifícios da zona baixa. A destruição foi tão profunda que a capital do Reino do Algarve teve de ser transferida para Faro. Vila Real de Santo António: A povoação original (Lota) desapareceu completamente sob as águas. Albufeira e Sagres: Sofreram danos estruturais massivos e perdas humanas elevadas devido à subida repentina do nível do mar.
O Terramoto de 1755 e a reconstrução da cidade de Lisboa: o urbanismo pombalino
Zonas mais afetadas:
- Setúbal e Litoral Alentejano
Setúbal: O tsunami entrou pelo estuário do Sado com uma força avassaladora, destruindo as muralhas e grande parte das habitações próximas ao porto. Sines: A vila sofreu danos severos tanto pelo abalo como pela ondulação extrema que se seguiu.
Mequinez e Fez: Cidades do interior marroquino onde o abalo foi tão forte que derrubou inúmeras mesquitas e habitações. Casablanca e Safi: Foram severamente fustigadas pelo tsunami, com relatos de ondas que penetraram profundamente em terra.
O Terramoto de 1755 e a reconstrução da cidade de Lisboa: o urbanismo pombalino
- O Grande Terramoto de 1755 é um caso de estudo clássico na sismologia porque não foi apenas um abalo de terra; foi uma catástrofe em cascata. A combinação de três eventos distintos — o sismo, o maremoto e os incêndios — é o que explica a escala da destruição.
O Gatilho (Dia de Todos os Santos): O sismo ocorreu por volta das 09:40 de um feriado religioso importante. Quase todas as igrejas e casas tinham velas e lareiras acesas para as celebrações. Quando os edifícios colapsaram, as chamas espalharam-se instantaneamente pelos materiais inflamáveis (madeira e tecidos). O "Efeito Chaminé": A queda de edifícios nas ruas estreitas da Baixa criou bloqueios que impediram a passagem de água e de pessoas para combater o fogo. O vento forte vindo do rio alimentou as chamas, criando um efeito de incêndio generalizado que fundiu metais e transformou pedras em cal. A Poda da Riqueza: Foi o fogo, e não o abalo, que destruiu a maior parte dos tesouros culturais, incluindo a Biblioteca Real (com 70 mil volumes) e os arquivos históricos dos Descobrimentos.
A Origem: O epicentro localizou-se no mar, na zona de fratura entre as placas Euroasiática e Africana (perto do Banco de Gorringe). Quando as placas se moveram bruscamente, uma parte do leito oceânico subiu, "empurrando" toda a massa de água acima dele. O Recuo das Águas: Cerca de 30 a 90 minutos após o abalo, os sobreviventes em Lisboa notaram algo estranho: as águas do Tejo recuaram, expondo o leito do rio e naufrágios antigos. Este recuo é o sinal físico de que a crista da onda gigante está a caminho. O Impacto: Três ondas gigantes (vagas) atingiram a costa. Em Lisboa, o tsunami subiu o rio e galgou o Terreiro do Paço. No Algarve, a destruição foi pior devido à proximidade, com ondas que chegaram aos 15 metros de altura, varrendo cidades costeiras como Lagos e Albufeira.
O Terramoto de 1755 e a reconstrução da cidade de Lisboa: o urbanismo pombalino
- O impacto do terramoto de 1755 foi tão profundo que não só alterou a face física de Portugal, como também abalou a consciência filosófica e política da Europa do Iluminismo. Foi, para a época, um prejuízo de escala moderna.
Habitação: Cerca de 85% dos edifícios de Lisboa ficaram inabitáveis. Monumentos: O Paço da Ribeira (residência real) foi destruído, levando consigo o arquivo real e o arquivo da Casa da Índia. A recém-inaugurada Ópera do Tejo, um dos teatros mais luxuosos da Europa, foi reduzida a cinzas. Arte e Literatura: Perderam-se obras originais de mestres como Ticiano e Rubens. A Biblioteca Real, com mais de 70.000 volumes e mapas preciosos sobre os Descobrimentos, foi totalmente consumida pelo fogo. Arquivos Religiosos: O terramoto ocorreu no Dia de Todos os Santos, destruindo quase todas as grandes igrejas de Lisboa (Catedral, São Domingos, Carmo), o que resultou na perda de registos paroquiais, certidões e história local.
Em Lisboa: Estima-se que tenham morrido entre 20.000 a 30.000 pessoas (numa população de cerca de 200.000). A maioria morreu no colapso dos edifícios, mas milhares pereceram afogados pelo tsunami enquanto tentavam fugir para a margem do rio ou queimados pelos incêndios. No Algarve e Resto do País: Cerca de 10.000 mortos adicionais. Em Marrocos: Relatos históricos sugerem que o número de vítimas no Norte de África pode ter atingido as 10.000 pessoas, devido à fragilidade das construções de adobe perante abalos de grande magnitude.
O Terramoto de 1755 e a reconstrução da cidade de Lisboa: o urbanismo pombalino
- O terramoto de 1755 não foi apenas um desastre natural; foi um evento transformador que alterou a trajetória política de Portugal e o pensamento filosófico da Europa. As suas repercussões moldaram o mundo moderno em diversas frentes.
- Repercussões Internacionais
Voltaire: Escreveu o "Poema sobre o Desastre de Lisboa" e, mais tarde, "Cândido", criticando a providência divina e o otimismo cego perante tamanha tragédia. Immanuel Kant: Ficou fascinado pelo evento e escreveu três textos sobre o assunto, tentando encontrar causas naturais para os sismos, separando o fenómeno da "punição divina". Fluxo de Ouro e Diamantes: A interrupção do comércio com o Brasil e a destruição da Casa da Índia afetaram os mercados financeiros de Londres, Hamburgo e Amsterdão. Ajuda Internacional: O evento gerou uma das primeiras grandes vagas de ajuda humanitária internacional, com a Inglaterra (aliada de Portugal) a enviar navios carregados de mantimentos e dinheiro.
Centralização do Poder: Usou a crise para enfraquecer a alta nobreza e a Inquisição, implementando um regime de despotismo iluminado. Reforma Educativa e Económica: A necessidade de fundos para a reconstrução levou a reformas profundas no ensino e na criação de companhias de comércio monopolistas. Inquérito de 1756: Foi a primeira tentativa sistemática na história de recolher dados empíricos sobre um sismo para fins científicos. A Gaiola: Uma estrutura de madeira flexível inserida nas paredes de alvenaria, desenhada para "oscilar mas não cair".
Praça do Comércio: esta praça é o símbolo máximo da resiliência portuguesa; foi aqui que o tsunami atingiu a cidade com força e foi a partir destas ruínas que nasceu a Lisboa moderna
Arco da Rua Augusta: É um dos monumentos mais icónicos de Portugal e serve como a porta de entrada monumental para quem vem da Praça do Comércio
O que vimos na fotografia é uma das partes mais marcantes e imersivas de Lisboa Story Center: a área dedicada à rescontituição deixada pelo Terramoto de 1755.
Medidas imediatas implementadas pelo Marquês de Pombal, após o terramoto:
- Vossa Excelência, perante o pânico de novembro de 1755, quais foram as primeiras ordens que ditou para evitar o colapso total da ordem pública em Lisboa?
"Enterrar os mortos e cuidar dos vivos": Esta foi a máxima que guiou cada movimento meu. Ordenei que os cadáveres fossem imediatamente recolhidos e lançados ao mar com pesos, para que as águas do Tejo os levassem para longe. Foi uma medida dura, bem sei, contrária aos ritos da Igreja, mas necessária para evitar que a peste e a podridão terminassem o que o abalo começou.
- Como justifica o lançamento de corpos ao mar e a proibição de saída da cidade?
Manter os mortos na cidade era convidar a peste a terminar o que o abalo começou. Se as epidemias se propagassem, a mortalidade duplicaria em poucos dias e quanto á proibição de saída da cidade,um Reino não se reconstrói com uma capital deserta. Se eu permitisse que a população fugisse em massa para as províncias, Lisboa morreria por abandono.
Elementos da equipa responsável pela reconstrução de Lisboa
- Por que confiou em engenheiros militares como Manuel da Maia e Eugénio dos Santos?
Confieiem Manuel da Maia, Eugénio dos Santos e Carlos Mardel porque a reconstrução de uma capital não é obra de estética galante ou de devaneios artísticos; é uma operação de guerra contra o caos.
- Por que escolheu arrasar totalmente a Baixa?
Escolhi o caminho mais radical porque a Razão assim o exigia. Manuel da Maia apresentou-me cinco hipóteses: desde a simples reparação das ruínas até à mudança da capital para Belém. Mas a minha visão para o Reino não admitia remendos em pano podre.
Plano urbanístico pombalino
- Que princípios do Iluminismo imprimiu no traçado ortogonal?
Ruas largas para o ar circular e o fogo não saltar de telhado em telhado. Ruas retas para que a vista seja clara e a circulação de mercadorias seja eficiente. A geometria é a linguagem da ordem divina aplicada pelo homem."
- Qual a importância da 'Gaiola Pombalina'?
É a nossa maior vitória sobre a natureza. Uma estrutura de madeira de sobreiro ou azinho, em cruz de Santo André, que dá elasticidade ao edifício. Se a terra voltar a tremer, a alvenaria pode rachar, mas o esqueleto de madeira manterá o prédio de pé. É o triunfo da inteligência sobre a força bruta do sismo.
- Por que a uniformidade das fachadas e a proibição de adornos?
Para garantir a celeridade e a economia. Ao padronizar as janelas, as portas e as varandas, pudemos fabricar em série. Além disso, a uniformidade impõe uma igualdade visual: na nova Lisboa, a fachada não serve para ostentar a vaidade do proprietário, mas para servir à estética do Estado.
Reflexo do poder absoluto do rei
- Como a Praça do Comércio simboliza a vitória de D. José I?
Aquela praça é o novo coração do Império. Onde antes estava o Paço Real fechado, agora está uma praça aberta ao comércio do mundo. No centro, a Estátua Equestre do Rei olha para o Tejo, demonstrando que ele é o guia da Nação. Ele não se esconde atrás de muros; ele cavalga sobre o caos, trazendo a civilização.
- Como Lisboa passou a ser o espelho da autoridade absoluta?
Toda a cidade agora obedece a um plano centralizado. Até as igrejas foram integradas no alinhamento das ruas, perdendo a sua autonomia visual. A Nobreza foi obrigada a construir segundo as minhas regras, não as deles. Lisboa é hoje o corpo de um Estado moderno, onde cada pedra e cada rua proclamam que a vontade do Rei, guiada pela Razão, é a lei suprema.
- Ao colocar a estátua de D. José I no centro da praça principal, não estaria a dizer ao povo que, mesmo após a tragédia, o Rei é o único deus visível na terra?
A estátua de D. José I, fundida num bronze que desafia o tempo, está ali para silenciar qualquer dúvida. Notai que o cavalo esmaga serpentes com as patas — as serpentes da traição, da ignorância e do caos que o terramoto trouxe.
FIM
Lisboa, o antes e depois do Terramoto de 1755
Matilde Cansado
Created on April 18, 2026
Start designing with a free template
Discover more than 1500 professional designs like these:
View
Essential Learning Unit
View
Akihabara Learning Unit
View
Genial learning unit
View
History Learning Unit
View
Primary Unit Plan
View
Vibrant Learning Unit
View
Art learning unit
Explore all templates
Transcript
Lisboa, o antes e depois do Terramoto de 1755
A ação do Marquês de Pombal
Disciplina: História Identificação: Matilde Cansado, 11, 8ºA Escola: Escola Básica e Secundária Dr. Isidoro de Sousa/ Escola Básica de Alcáçovas Ano Letivo: 2025/2026
Portugal na segunda metade do século XVIII: a ação governativa do Marquês de Pombal
Portugal na segunda metade do século XVIII: a ação governativa do Marquês de Pombal
O Terramoto de 1755 e a reconstrução da cidade de Lisboa: o urbanismo pombalino
Clique
Data:
Hora:
Aproximadamente às 09:40 da manhã.
1 de novembro de 1755 (Dia de Todos os Santos).
Epicentro:
Duração:
O abalo principal durou entre 3 a 6 minutos, um tempo extremamente longo que causou a abertura de fendas gigantescas no solo.
Localizado no Oceano Atlântico, estima-se que a cerca de 200 a 300 km a sudoeste do Cabo de São Vicente, na falha geológica Açores-Gibraltar.
Magnitude Estimada:
Réplicas:
Nas horas seguintes ao abalo principal, sentiram-se dezenas de réplicas de forte intensidade que impediram as tentativas de socorro e provocaram novos desabamentos.
Entre 8.5 e 9.0 na escala de Richter. Foi um dos terramotos mais fortes de que há registo na história da humanidade.
O Terramoto de 1755 e a reconstrução da cidade de Lisboa: o urbanismo pombalino
Zonas mais afetadas:
Baixa Pombalina: Foi a zona mais destruída. O solo de aluvião (areia e lodo) sofreu liquefação, fazendo com que os edifícios colapsassem como castelos de cartas. O tsunami entrou pelo Terreiro do Paço com ondas de até 6 metros. Bairros Ribeirinhos: Santos, Boavista e Cais do Sodré foram varridos pela força das águas. Zonas Altas: Embora tenham sofrido menos com o tsunami, foram devastadas pelos incêndios que duraram cinco dias, alimentados pelos ventos e pelas talhas de azeite das igrejas e casas.
Lagos: Foi virtualmente varrida do mapa. O tsunami galgou as muralhas, destruindo quase todos os edifícios da zona baixa. A destruição foi tão profunda que a capital do Reino do Algarve teve de ser transferida para Faro. Vila Real de Santo António: A povoação original (Lota) desapareceu completamente sob as águas. Albufeira e Sagres: Sofreram danos estruturais massivos e perdas humanas elevadas devido à subida repentina do nível do mar.
O Terramoto de 1755 e a reconstrução da cidade de Lisboa: o urbanismo pombalino
Zonas mais afetadas:
Setúbal: O tsunami entrou pelo estuário do Sado com uma força avassaladora, destruindo as muralhas e grande parte das habitações próximas ao porto. Sines: A vila sofreu danos severos tanto pelo abalo como pela ondulação extrema que se seguiu.
Mequinez e Fez: Cidades do interior marroquino onde o abalo foi tão forte que derrubou inúmeras mesquitas e habitações. Casablanca e Safi: Foram severamente fustigadas pelo tsunami, com relatos de ondas que penetraram profundamente em terra.
O Terramoto de 1755 e a reconstrução da cidade de Lisboa: o urbanismo pombalino
O Gatilho (Dia de Todos os Santos): O sismo ocorreu por volta das 09:40 de um feriado religioso importante. Quase todas as igrejas e casas tinham velas e lareiras acesas para as celebrações. Quando os edifícios colapsaram, as chamas espalharam-se instantaneamente pelos materiais inflamáveis (madeira e tecidos). O "Efeito Chaminé": A queda de edifícios nas ruas estreitas da Baixa criou bloqueios que impediram a passagem de água e de pessoas para combater o fogo. O vento forte vindo do rio alimentou as chamas, criando um efeito de incêndio generalizado que fundiu metais e transformou pedras em cal. A Poda da Riqueza: Foi o fogo, e não o abalo, que destruiu a maior parte dos tesouros culturais, incluindo a Biblioteca Real (com 70 mil volumes) e os arquivos históricos dos Descobrimentos.
A Origem: O epicentro localizou-se no mar, na zona de fratura entre as placas Euroasiática e Africana (perto do Banco de Gorringe). Quando as placas se moveram bruscamente, uma parte do leito oceânico subiu, "empurrando" toda a massa de água acima dele. O Recuo das Águas: Cerca de 30 a 90 minutos após o abalo, os sobreviventes em Lisboa notaram algo estranho: as águas do Tejo recuaram, expondo o leito do rio e naufrágios antigos. Este recuo é o sinal físico de que a crista da onda gigante está a caminho. O Impacto: Três ondas gigantes (vagas) atingiram a costa. Em Lisboa, o tsunami subiu o rio e galgou o Terreiro do Paço. No Algarve, a destruição foi pior devido à proximidade, com ondas que chegaram aos 15 metros de altura, varrendo cidades costeiras como Lagos e Albufeira.
O Terramoto de 1755 e a reconstrução da cidade de Lisboa: o urbanismo pombalino
Habitação: Cerca de 85% dos edifícios de Lisboa ficaram inabitáveis. Monumentos: O Paço da Ribeira (residência real) foi destruído, levando consigo o arquivo real e o arquivo da Casa da Índia. A recém-inaugurada Ópera do Tejo, um dos teatros mais luxuosos da Europa, foi reduzida a cinzas. Arte e Literatura: Perderam-se obras originais de mestres como Ticiano e Rubens. A Biblioteca Real, com mais de 70.000 volumes e mapas preciosos sobre os Descobrimentos, foi totalmente consumida pelo fogo. Arquivos Religiosos: O terramoto ocorreu no Dia de Todos os Santos, destruindo quase todas as grandes igrejas de Lisboa (Catedral, São Domingos, Carmo), o que resultou na perda de registos paroquiais, certidões e história local.
Em Lisboa: Estima-se que tenham morrido entre 20.000 a 30.000 pessoas (numa população de cerca de 200.000). A maioria morreu no colapso dos edifícios, mas milhares pereceram afogados pelo tsunami enquanto tentavam fugir para a margem do rio ou queimados pelos incêndios. No Algarve e Resto do País: Cerca de 10.000 mortos adicionais. Em Marrocos: Relatos históricos sugerem que o número de vítimas no Norte de África pode ter atingido as 10.000 pessoas, devido à fragilidade das construções de adobe perante abalos de grande magnitude.
O Terramoto de 1755 e a reconstrução da cidade de Lisboa: o urbanismo pombalino
Voltaire: Escreveu o "Poema sobre o Desastre de Lisboa" e, mais tarde, "Cândido", criticando a providência divina e o otimismo cego perante tamanha tragédia. Immanuel Kant: Ficou fascinado pelo evento e escreveu três textos sobre o assunto, tentando encontrar causas naturais para os sismos, separando o fenómeno da "punição divina". Fluxo de Ouro e Diamantes: A interrupção do comércio com o Brasil e a destruição da Casa da Índia afetaram os mercados financeiros de Londres, Hamburgo e Amsterdão. Ajuda Internacional: O evento gerou uma das primeiras grandes vagas de ajuda humanitária internacional, com a Inglaterra (aliada de Portugal) a enviar navios carregados de mantimentos e dinheiro.
Centralização do Poder: Usou a crise para enfraquecer a alta nobreza e a Inquisição, implementando um regime de despotismo iluminado. Reforma Educativa e Económica: A necessidade de fundos para a reconstrução levou a reformas profundas no ensino e na criação de companhias de comércio monopolistas. Inquérito de 1756: Foi a primeira tentativa sistemática na história de recolher dados empíricos sobre um sismo para fins científicos. A Gaiola: Uma estrutura de madeira flexível inserida nas paredes de alvenaria, desenhada para "oscilar mas não cair".
Praça do Comércio: esta praça é o símbolo máximo da resiliência portuguesa; foi aqui que o tsunami atingiu a cidade com força e foi a partir destas ruínas que nasceu a Lisboa moderna
Arco da Rua Augusta: É um dos monumentos mais icónicos de Portugal e serve como a porta de entrada monumental para quem vem da Praça do Comércio
O que vimos na fotografia é uma das partes mais marcantes e imersivas de Lisboa Story Center: a área dedicada à rescontituição deixada pelo Terramoto de 1755.
Medidas imediatas implementadas pelo Marquês de Pombal, após o terramoto:
"Enterrar os mortos e cuidar dos vivos": Esta foi a máxima que guiou cada movimento meu. Ordenei que os cadáveres fossem imediatamente recolhidos e lançados ao mar com pesos, para que as águas do Tejo os levassem para longe. Foi uma medida dura, bem sei, contrária aos ritos da Igreja, mas necessária para evitar que a peste e a podridão terminassem o que o abalo começou.
Manter os mortos na cidade era convidar a peste a terminar o que o abalo começou. Se as epidemias se propagassem, a mortalidade duplicaria em poucos dias e quanto á proibição de saída da cidade,um Reino não se reconstrói com uma capital deserta. Se eu permitisse que a população fugisse em massa para as províncias, Lisboa morreria por abandono.
Elementos da equipa responsável pela reconstrução de Lisboa
Confieiem Manuel da Maia, Eugénio dos Santos e Carlos Mardel porque a reconstrução de uma capital não é obra de estética galante ou de devaneios artísticos; é uma operação de guerra contra o caos.
Escolhi o caminho mais radical porque a Razão assim o exigia. Manuel da Maia apresentou-me cinco hipóteses: desde a simples reparação das ruínas até à mudança da capital para Belém. Mas a minha visão para o Reino não admitia remendos em pano podre.
Plano urbanístico pombalino
Ruas largas para o ar circular e o fogo não saltar de telhado em telhado. Ruas retas para que a vista seja clara e a circulação de mercadorias seja eficiente. A geometria é a linguagem da ordem divina aplicada pelo homem."
É a nossa maior vitória sobre a natureza. Uma estrutura de madeira de sobreiro ou azinho, em cruz de Santo André, que dá elasticidade ao edifício. Se a terra voltar a tremer, a alvenaria pode rachar, mas o esqueleto de madeira manterá o prédio de pé. É o triunfo da inteligência sobre a força bruta do sismo.
Para garantir a celeridade e a economia. Ao padronizar as janelas, as portas e as varandas, pudemos fabricar em série. Além disso, a uniformidade impõe uma igualdade visual: na nova Lisboa, a fachada não serve para ostentar a vaidade do proprietário, mas para servir à estética do Estado.
Reflexo do poder absoluto do rei
Aquela praça é o novo coração do Império. Onde antes estava o Paço Real fechado, agora está uma praça aberta ao comércio do mundo. No centro, a Estátua Equestre do Rei olha para o Tejo, demonstrando que ele é o guia da Nação. Ele não se esconde atrás de muros; ele cavalga sobre o caos, trazendo a civilização.
Toda a cidade agora obedece a um plano centralizado. Até as igrejas foram integradas no alinhamento das ruas, perdendo a sua autonomia visual. A Nobreza foi obrigada a construir segundo as minhas regras, não as deles. Lisboa é hoje o corpo de um Estado moderno, onde cada pedra e cada rua proclamam que a vontade do Rei, guiada pela Razão, é a lei suprema.
A estátua de D. José I, fundida num bronze que desafia o tempo, está ali para silenciar qualquer dúvida. Notai que o cavalo esmaga serpentes com as patas — as serpentes da traição, da ignorância e do caos que o terramoto trouxe.
FIM