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Laboratório de Alquimia do Sousa
Transmutando o Invisível
Uma prática pedagógica para a formação de Voluntários de Proteção Ambiental — Paços de Ferreira CoInvenção de uma Prática Pedagógica no Paradigma OnLIFE
Candidata: Cláudia Ferreira Módulo 1 — Tecnologias Emergentes em EDeL Doutoramento em Educação a Distância e eLearning (EDeL) Universidade Aberta Orientação: Prof.ª Eliane Schlemmer
O Invisível e a Infodemia
🌊 Urgência Ecológica
🔍 Poluentes Invisíveis
O relatório da UNESCO (2021), propõe um novo contrato social para a educação: uma ecologia de saberes, não transmissão linear. Este é o enquadramento ético-político da proposta.
Os microplásticos transitam das ribeiras do Sousa para o Douro e para o Atlântico: nunca os vemos, mas habitam o território. Invisibilidade material que ecoa a invisibilidade informacional.
⚡ Infodemia Digital
Como validar informação científica num ecossistema saturado de dados e alucinações de IA? Este é o duplo desafio central do Laboratório: o invisível material e o invisível informacional.
A Jornada do Alquimista do Sousa
A nossa prática estrutura-se como um RPG científico. Os voluntários não são apenas participantes — são Alquimistas do Sousa. A aprendizagem acontece através de quatro missões sequenciais e interdependentes.
🗺️
📚
🌊
⚗️
Amalgamação
Destilação
Rastreio
Projeção
Curadoria e evidência científica
Síntese imersiva no Metaverso
Desafiar a IA com pensamento crítico
Cartografia situada do território
MISSÃO 0 · O RASTREIO SITUADO
Cibricidade Territorial · Ribeiras da Sousa
Os Alquimistas do Sousa percorrem as margens das ribeiras do concelho, recolhendo evidências plásticas georreferenciadas através do Marine Litter Watch e Epicollect5. Cada observação é registada em três camadas:
- o que vejo
- o que os dados dizem
- o que sinto.
O território torna-se currículo vivo.
Cristal de Evidência Situada
Item colecionável obrigatório para desbloquear a Projeção final no OnLIFE Lab.
MISSÃO 1 · A DESTILAÇÃO CRÍTICA
O Alquimista das Correntes
Configurámos a IA não para dar respostas prontas, mas para desafiar. O "Alquimista das Correntes" mistura factos com alucinações deliberadas.
⚠️ O Alquimista do Sousa é provocado a exercer a sua agência humana para desmentir a máquina, transformando a tensão em aprendizagem profunda.
O Prompt de Sistema é a chave: define as regras do jogo e coloca o Alquimista do Sousa no centro do processo de validação.
Anatomia do Prompt de Sistema
"A intencionalidade pedagógica não se delega à IA. O prompt de sistema é um ato docente tão deliberado quanto o desenho de uma ficha de trabalho." — Schlemmer (2023b)
MISSÃO 2 · O GRIMÓRIO DIGITAL
Curadoria e Amalgamação de Evidências
Na segunda fase, usamos o NotebookLM. Os alunos carregam fontes científicas reais para criar o seu Grimório Digital — um repositório vivo de conhecimento curado.
Ver Exemplo do Grimório
Cibricidade em Ação
A conexão entre o rastro digital da pesquisa e a ancoragem em evidências sólidas, superando a superficialidade da rede.
MISSÃO 3 · PROJEÇÃO NO VERSONLIFE
4 zonas imersivas articuladas aos 4 modos da Atenção Cartográfica (Kastrup)
🗺️ ZONA DO RASTREIO
(Missão 0) Torres de luz sobre as coordenadas do Sousa
⚗️ ZONA DA DESTILAÇÃO
(Missão 1) Muro das alucinações desmontadas: cada fragmento revela o argumento que o refutou
🌊 QUINTA ESSÊNCIA
📚 ZONA DA AMALGAMAÇÃO
(Síntese) Câmara de convergência ativa apenas com a intervenção de 3 outros grupos. Autoria partilhada.
(Missão 2) Grimório 3D navegável, com fontes, diálogos e síntese crítica
As Sete Competências do Alquimista do Sousa
- do utilizador de ferramentas ao habitante crítico de ecossistemas -
Fundamentação Epistemológica
Esta proposta não é apenas pedagógica — é filosófica e política. Fundamenta-se em três pilares que redefinem o que significa aprender no paradigma OnLIFE.
Atenção Cartográfica - Kastrup
A base metodológica.
Cibricidade — Schlemmer
O rastro digital como extensão cognitiva e ética do sujeito aprendente.
Agência Distribuída — Di Felice
Humanos e não-humanos co-constituem o processo de aprender.
Novo Contrato Social — UNESCO
A educação como ecologia de saberes, não como transmissão linear.
Avaliação Processual - Três Dimensões Interdependentes
🗺️ Habitância Crítica 🔮 Agência Co-inventiva 🌊 Literacia Ecológica 30% 40% 30% Registo tripartido do território Diálogo crítico com IA Instalação imersiva no Spatial Diário georreferenciado Grimório digital Reflexão final
A intencionalidade pedagógica não se delega à IA. O prompt de sistema é um ato docente tão deliberado quanto o desenho de uma ficha de trabalho (Schlemmer, 2023b).
Da Informação ao Habitar Crítico
No paradigma OnLIFE, aprender é transmutar a nossa relação com o mundo — não acumular dados, mas habitar o conhecimento com agência e responsabilidade.
🔬 O Laboratório
⚗️ A Alquimia
Um espaço de co-invenção pedagógica
Transmutar informação em sabedoria crítica
🌐 O Convite
Habitar esta rede connosco
Reflexão Final
Esta prática pedagógica não visa apenas 'monitorizar as ribeiras do Sousa', mas sim transmutar os Alquimistas do Sousa de utilizadores passivos de ferramentas em habitantes críticos de ecossistemas educativos (Schlemmer, 2023a), capazes de tomar decisões fundamentadas em contextos de incerteza tecnológica.
Contextualização e Problema
Partimos de um duplo desafio ancorado no território: a invisibilidade dos microplásticos nas ribeiras do Sousa (afluentes do Douro, em Paços de Ferreira) e a crescente infodemia científica. O relatório da UNESCO (2021) propõe um novo contrato social para a educação e alerta para a falácia da 'fórmula mágica' tecnológica: a tecnologia digital sem propósitos claros e sem empoderamento cívico não é desejável. Os algoritmos frequentemente reproduzem preconceitos do passado, deixando pouco espaço para os Alquimistas do Sousa, os voluntários ambientais em formação, se reinventarem como sujeitos críticos. O problema que lançamos ao Laboratório é: como validar criticamente a ciência num ecossistema saturado de dados e alucinações algorítmicas, enquanto se habita um território real em degradação ambiental? A nossa resposta é a transmutação da informação em conhecimento crítico e situado e a transmutação do voluntário ambiental em habitante crítico de ecossistemas educativos.
Missão 1 - A Destilação Crítica (O Desafio da IA)
Na primeira missão, a 'Destilação', introduzimos a agência não-humana. Configurámos o ChatGPT para atuar como o 'Alquimista das Correntes', um agente que mistura factos científicos com alucinações deliberadas. O objetivo pedagógico aqui não é obter a resposta certa, mas sim gerar uma tensão deliberada. O Alquimista do Sousa é provocado a duvidar, investigar e validar, exercendo uma autoria crítica sobre o fluxo algorítmico. A IA deixa de ser um mero instrumento para assumir o papel de um ator não humano ativo. Ao provocar o Alquimista do Sousa, esta IA atua como uma maiêutica algorítmica reversa, estimulando o pensamento crítico e a invenção de novos problemas.
Laboratório de Alquimia do Sousa
Bom dia a todos. O projeto que hoje apresento intitula-se 'Laboratório de Alquimia do Sousa: Transmutando o Invisível'. Esta proposta de co-invenção pedagógica nasce no seio do Paradigma da Educação OnLIFE (Floridi, 2015; Schlemmer, 2023a). Este paradigma rompe com a visão antropocêntrica e dualista: a separação entre humano e máquina, entre online e offline. A aprendizagem deixa de ser focada apenas na formação de indivíduos isolados para passar à formação de ecologias conectivas, onde o conhecimento é construído de forma reticular, integrando atores humanos e não-humanos: algoritmos, dados, biodiversidade ripícola, num ato conectivo transorgânico. O objetivo não é usar ferramentas, é habitar uma ecologia onde a preservação das ribeiras do Sousa, afluente do Douro, e as tecnologias emergentes se fundem numa nova forma de habitar a cibricidade.
Missão 2 - O Grimório Digital (NotebookLM)
Uma vez destilada a dúvida, passamos à 'Amalgamação'. Aqui utilizamos o NotebookLM para construir um 'Grimório Digital' (que, para efeitos de exemplificação, foi convertido em pdf). O paradigma OnLIFE exige que quem habita a infoesfera atue como curador ético. O NotebookLM permite navegar criticamente nesse território, transformando os Alquimistas do Sousa em sujeitos 'hiper-híbridos' (Di Felice, 2017) que produzem conhecimento em simbiose com a máquina. Esta ferramenta permite que realizem uma curadoria densa, ancorando a sua pesquisa em evidências científicas sólidas. É o momento da hibridização, onde o rastro digital da pesquisa se transforma num corpo de conhecimento estruturado e co-criado.
Missão 3 - A Célula Imersiva no OnLIFE Lab
Chegamos ao fim da jornada. Mas não é um fim — é o ponto onde tudo converge. Cada grupo de Alquimistas do Sousa recebe uma célula imersiva no metaverso Spatial. Quatro zonas, articuladas às quatro missões e aos quatro modos da atenção cartográfica de Kastrup.
- Zona do Rastreio: as coordenadas físicas recolhidas nas ribeiras tornam-se torres de luz sobre um rio virtual. Os visitantes caminham sobre o rio e leem as histórias situadas das evidências.
- Zona da Destilação: um muro onde as alucinações desmontadas se suspendem como fragmentos visuais. Toque um fragmento e ele dissolve-se, revelando o argumento que o refutou — a literacia algorítmica tornada experiência.
- Zona da Amalgamação: o Grimório Digital torna-se um livro monumental 3D, navegável em camadas — fontes, diálogos, síntese.
E no centro, a Quinta Essência — câmara de convergência que só se ativa quando pelo menos três outros grupos visitam e validam. A autoria é sempre partilhada. Nenhum grupo conclui a sua própria célula sozinho. Este é o princípio pedagógico mais importante do Laboratório: no paradigma OnLIFE, a autoria não é individual. É uma ecologia.
Ancoragem Teórica (Quatro Pilares)
O Laboratório de Alquimia Digital ancora-se em quatro pilares interdependentes que redefinem o que significa aprender no paradigma OnLIFE. Primeiro, a Atenção Cartográfica (Kastrup, 2012) estrutura o método — os quatro modos de rastreio, toque, pouso e reconhecimento atento organizam a progressão das missões e a qualidade da habitância. Segundo, a Cibricidade (Schlemmer, Ribeiro) articula o átomo e o bit — as ribeiras do Sousa, a aplicação ASPEA, o metaverso Spatial co-engendram um único território epistémico. Terceiro, a Agência Distribuída (Di Felice, 2012) reconhece que a aprendizagem resulta da colaboração entre humanos e não-humanos — voluntários, IAs, algoritmos, biodiversidade ripícola co-constituem o processo formativo. Quarto, o Novo Contrato Social da Educação (UNESCO, 2021) enquadra eticamente a proposta — a educação como ecologia de saberes, não como transmissão linear. Os quatro pilares não são camadas separadas — são dimensões interdependentes que ativam, em conjunto, uma nova forma de habitar o ensinar e o aprender.
Conclusão
Para concluir, o Laboratório de Alquimia do Sousa é mais do que um plano de formação, é uma proposta de transmutação em três movimentos:
- de utilizadores de ferramentas a cartógrafos do território;
- de consumidores de informação a co-inventores de conhecimento;
- de aprendentes individuais a habitantes de uma ecologia.
No princípio era a conexão e é através dessa conexão ética e estética que reimagino os nossos futuros educativos. Muito obrigada.
A Narrativa Gamificada (Menu Interativo)
A nossa prática estrutura-se como uma narrativa gamificada em quatro missões sequenciais e interdependentes. Este mapa representa a nossa ecologia de aprendizagem:
- o Rastreio, onde cartografamos o território físico do concelho;
- a Destilação, onde confrontamos a IA;
- a Amalgamação, onde fazemos a curadoria de dados;
- a Projeção, onde habitamos o metaverso.
Cada fase é uma 'chave' que abre novas dimensões de compreensão. A Missão 0 (Rastreio) ancora toda a ecologia digital subsequente num território físico real, as ribeiras do concelho de Paços de Ferreira.Mobilizamos a gamificação pedagógica consistente (Schlemmer, 2016, 2021), que se distingue explicitamente da gamificação PBL (points, badges, leaderboards): aqui, a narrativa alquímica não premeia comportamentos com recompensas extrínsecas, opera como dispositivo que propicia autonomia, autoria e invenção crítica de problemas. Esta abordagem articula-se com os quatro modos da atenção cartográfica rastreio, toque, pouso e reconhecimento atento (Kastrup & Barros, 2012), não apenas para resolver problemas, mas para a invenção de problemas a partir da leitura crítica do território e da comunidade.O ficheiro de áudio serve de ferramenta de 'rastreio' inicial.
Missão 0 — O Rastreio Situado
A cibricidade não existe só no digital. Começamos onde a realidade começa: no território. Os Alquimistas do Sousa percorrem as ribeiras do concelho de Paços de Ferreira — margens do Ferreira, da Ferreirinha, afluentes do Sousa — recolhendo evidências plásticas com geolocalização. A ferramenta que usam é o Marine Litter Watch, protocolo da Agência Europeia do Ambiente, e o Epicollect5 para cartografia colaborativa. Cada observação é documentada em três camadas: o que vejo, o que os dados dizem, o que sinto/penso. Estas três camadas correspondem aos quatro modos da atenção cartográfica de Kastrup — rastreio, toque, pouso, reconhecimento atento. Narrativamente, invocamos Dona Antónia Adelaide Ferreira, a "Ferreirinha" histórica, que combateu a filoxera nas vinhas do Douro. Os Alquimistas do Sousa herdam essa linhagem: enfrentam a ameaça invisível do seu tempo — os microplásticos — com as ferramentas do seu tempo. Sem o Cristal de Evidência Situada, nenhum Alquimista acede ao OnLIFE Lab. O digital só é legítimo se ancorado no territorial.
Avaliação Processual
A avaliação no Laboratório de Alquimia do Sousa não é sumativa pois é observado o percurso à medida que ele se desenvolve, em três dimensões interdependentes:
- A Habitância Crítica avalia o registo tripartido do território: o que vejo, o que os dados dizem, o que sinto.
- A Agência Co-inventiva avalia o diálogo crítico com a IA: se cada Alquimista identifica alucinações, pede fontes, desafia.
- A Literacia Ecológica avalia a instalação imersiva no Spatial: a coerência conceptual e a capacidade de autoria partilhada.
Três momentos de feedback pontuam o percurso: após cada missão, mobilizando avaliadores humanos e não-humanos — mas a decisão final é sempre humana. Há um prolongamento: os dados recolhidos pelos Alquimistas integram a rede nacional do Projeto Rios e o Observatório Ambiental Municipal. A avaliação é pedagógica e cívica.
Anatomia do Prompt de Sistema
Antes de haver o Alquimista das Correntes, há uma decisão docente. Uma decisão pedagógica humana que configura a IA para um papel, uma mecânica e com limites.
- O papel: não é assistente, é parceiro adversarial. Maiêutica algorítmica em vez de oráculo.
- A mecânica: mistura deliberada de factos científicos com duas alucinações plausíveis por sessão. Só reconhece erro se o Alquimista citar fonte académica validada. Termina sempre com pergunta, nunca com resposta.
- Os limites: nunca invoca autores reais em falsidades. Nunca produz conteúdo perigoso. Se detetar frustração, baixa a intensidade e oferece scaffolding.
Este prompt (documentado integralmente no Anexo A) materializa o princípio que atravessa todo o Laboratório, que a intencionalidade pedagógica não se delega à IA, esta é sempre humana.
As Sete Competências do Alquimista do Sousa
7 competências organizadas em 3 clusters que correspondem aos 3 primeiros pilares da fundamentação teórica.
- No cluster da Cibricidade, aprende-se a habitar territorialmente: a literacia ecológica digital e a cartografia situada, os quatro modos de Kastrup em ação.
- No cluster da Agência Distribuída, aprende-se a co-inteligência: pensamento crítico algorítmico, curadoria ética de fontes científicas, co-construção com agentes não-humanos. É aqui que vive o confronto com o Alquimista das Correntes e a curadoria no Grimório.
- No cluster do Novo Contrato Social, aprende-se a autoria partilhada: transliteracia imersivaou seja, a capacidade de traduzir entre texto, dado, imagem e espaço 3D e a decisão fundamentada em contextos de incerteza. Esta última é a competência-síntese do percurso.
Há também uma transformação visível em 3 níveis: do utilizador de ferramentas, passando pelo pensador crítico em ação, ao habitante crítico de ecossistemas educativos. O objetivo não é chegar ao nível 3 no tempo da formação, o objetivo é iniciar a trajetória. Importa notar que estas competências articulam-se com a certificação formal de Monitor do Projeto Rios, inscrevendo a formação em redes de reconhecimento mais amplas.
Transmutando o Invisivel
Claudia Ferreira
Created on April 17, 2026
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Laboratório de Alquimia do Sousa
Transmutando o Invisível
Uma prática pedagógica para a formação de Voluntários de Proteção Ambiental — Paços de Ferreira CoInvenção de uma Prática Pedagógica no Paradigma OnLIFE
Candidata: Cláudia Ferreira Módulo 1 — Tecnologias Emergentes em EDeL Doutoramento em Educação a Distância e eLearning (EDeL) Universidade Aberta Orientação: Prof.ª Eliane Schlemmer
O Invisível e a Infodemia
🌊 Urgência Ecológica
🔍 Poluentes Invisíveis
O relatório da UNESCO (2021), propõe um novo contrato social para a educação: uma ecologia de saberes, não transmissão linear. Este é o enquadramento ético-político da proposta.
Os microplásticos transitam das ribeiras do Sousa para o Douro e para o Atlântico: nunca os vemos, mas habitam o território. Invisibilidade material que ecoa a invisibilidade informacional.
⚡ Infodemia Digital
Como validar informação científica num ecossistema saturado de dados e alucinações de IA? Este é o duplo desafio central do Laboratório: o invisível material e o invisível informacional.
A Jornada do Alquimista do Sousa
A nossa prática estrutura-se como um RPG científico. Os voluntários não são apenas participantes — são Alquimistas do Sousa. A aprendizagem acontece através de quatro missões sequenciais e interdependentes.
🗺️
📚
🌊
⚗️
Amalgamação
Destilação
Rastreio
Projeção
Curadoria e evidência científica
Síntese imersiva no Metaverso
Desafiar a IA com pensamento crítico
Cartografia situada do território
MISSÃO 0 · O RASTREIO SITUADO
Cibricidade Territorial · Ribeiras da Sousa
Os Alquimistas do Sousa percorrem as margens das ribeiras do concelho, recolhendo evidências plásticas georreferenciadas através do Marine Litter Watch e Epicollect5. Cada observação é registada em três camadas:
- o que vejo
- o que os dados dizem
- o que sinto.
O território torna-se currículo vivo.Cristal de Evidência Situada
Item colecionável obrigatório para desbloquear a Projeção final no OnLIFE Lab.
MISSÃO 1 · A DESTILAÇÃO CRÍTICA
O Alquimista das Correntes
Configurámos a IA não para dar respostas prontas, mas para desafiar. O "Alquimista das Correntes" mistura factos com alucinações deliberadas.
⚠️ O Alquimista do Sousa é provocado a exercer a sua agência humana para desmentir a máquina, transformando a tensão em aprendizagem profunda.
O Prompt de Sistema é a chave: define as regras do jogo e coloca o Alquimista do Sousa no centro do processo de validação.
Anatomia do Prompt de Sistema
"A intencionalidade pedagógica não se delega à IA. O prompt de sistema é um ato docente tão deliberado quanto o desenho de uma ficha de trabalho." — Schlemmer (2023b)
MISSÃO 2 · O GRIMÓRIO DIGITAL
Curadoria e Amalgamação de Evidências
Na segunda fase, usamos o NotebookLM. Os alunos carregam fontes científicas reais para criar o seu Grimório Digital — um repositório vivo de conhecimento curado.
Ver Exemplo do Grimório
Cibricidade em Ação
A conexão entre o rastro digital da pesquisa e a ancoragem em evidências sólidas, superando a superficialidade da rede.
MISSÃO 3 · PROJEÇÃO NO VERSONLIFE
4 zonas imersivas articuladas aos 4 modos da Atenção Cartográfica (Kastrup)
🗺️ ZONA DO RASTREIO
(Missão 0) Torres de luz sobre as coordenadas do Sousa
⚗️ ZONA DA DESTILAÇÃO
(Missão 1) Muro das alucinações desmontadas: cada fragmento revela o argumento que o refutou
🌊 QUINTA ESSÊNCIA
📚 ZONA DA AMALGAMAÇÃO
(Síntese) Câmara de convergência ativa apenas com a intervenção de 3 outros grupos. Autoria partilhada.
(Missão 2) Grimório 3D navegável, com fontes, diálogos e síntese crítica
As Sete Competências do Alquimista do Sousa
- do utilizador de ferramentas ao habitante crítico de ecossistemas -
Fundamentação Epistemológica
Esta proposta não é apenas pedagógica — é filosófica e política. Fundamenta-se em três pilares que redefinem o que significa aprender no paradigma OnLIFE.
Atenção Cartográfica - Kastrup
A base metodológica.
Cibricidade — Schlemmer
O rastro digital como extensão cognitiva e ética do sujeito aprendente.
Agência Distribuída — Di Felice
Humanos e não-humanos co-constituem o processo de aprender.
Novo Contrato Social — UNESCO
A educação como ecologia de saberes, não como transmissão linear.
Avaliação Processual - Três Dimensões Interdependentes
🗺️ Habitância Crítica 🔮 Agência Co-inventiva 🌊 Literacia Ecológica 30% 40% 30% Registo tripartido do território Diálogo crítico com IA Instalação imersiva no Spatial Diário georreferenciado Grimório digital Reflexão final
A intencionalidade pedagógica não se delega à IA. O prompt de sistema é um ato docente tão deliberado quanto o desenho de uma ficha de trabalho (Schlemmer, 2023b).
Da Informação ao Habitar Crítico
No paradigma OnLIFE, aprender é transmutar a nossa relação com o mundo — não acumular dados, mas habitar o conhecimento com agência e responsabilidade.
🔬 O Laboratório
⚗️ A Alquimia
Um espaço de co-invenção pedagógica
Transmutar informação em sabedoria crítica
🌐 O Convite
Habitar esta rede connosco
Reflexão Final
Esta prática pedagógica não visa apenas 'monitorizar as ribeiras do Sousa', mas sim transmutar os Alquimistas do Sousa de utilizadores passivos de ferramentas em habitantes críticos de ecossistemas educativos (Schlemmer, 2023a), capazes de tomar decisões fundamentadas em contextos de incerteza tecnológica.
Contextualização e Problema
Partimos de um duplo desafio ancorado no território: a invisibilidade dos microplásticos nas ribeiras do Sousa (afluentes do Douro, em Paços de Ferreira) e a crescente infodemia científica. O relatório da UNESCO (2021) propõe um novo contrato social para a educação e alerta para a falácia da 'fórmula mágica' tecnológica: a tecnologia digital sem propósitos claros e sem empoderamento cívico não é desejável. Os algoritmos frequentemente reproduzem preconceitos do passado, deixando pouco espaço para os Alquimistas do Sousa, os voluntários ambientais em formação, se reinventarem como sujeitos críticos. O problema que lançamos ao Laboratório é: como validar criticamente a ciência num ecossistema saturado de dados e alucinações algorítmicas, enquanto se habita um território real em degradação ambiental? A nossa resposta é a transmutação da informação em conhecimento crítico e situado e a transmutação do voluntário ambiental em habitante crítico de ecossistemas educativos.
Missão 1 - A Destilação Crítica (O Desafio da IA)
Na primeira missão, a 'Destilação', introduzimos a agência não-humana. Configurámos o ChatGPT para atuar como o 'Alquimista das Correntes', um agente que mistura factos científicos com alucinações deliberadas. O objetivo pedagógico aqui não é obter a resposta certa, mas sim gerar uma tensão deliberada. O Alquimista do Sousa é provocado a duvidar, investigar e validar, exercendo uma autoria crítica sobre o fluxo algorítmico. A IA deixa de ser um mero instrumento para assumir o papel de um ator não humano ativo. Ao provocar o Alquimista do Sousa, esta IA atua como uma maiêutica algorítmica reversa, estimulando o pensamento crítico e a invenção de novos problemas.
Laboratório de Alquimia do Sousa
Bom dia a todos. O projeto que hoje apresento intitula-se 'Laboratório de Alquimia do Sousa: Transmutando o Invisível'. Esta proposta de co-invenção pedagógica nasce no seio do Paradigma da Educação OnLIFE (Floridi, 2015; Schlemmer, 2023a). Este paradigma rompe com a visão antropocêntrica e dualista: a separação entre humano e máquina, entre online e offline. A aprendizagem deixa de ser focada apenas na formação de indivíduos isolados para passar à formação de ecologias conectivas, onde o conhecimento é construído de forma reticular, integrando atores humanos e não-humanos: algoritmos, dados, biodiversidade ripícola, num ato conectivo transorgânico. O objetivo não é usar ferramentas, é habitar uma ecologia onde a preservação das ribeiras do Sousa, afluente do Douro, e as tecnologias emergentes se fundem numa nova forma de habitar a cibricidade.
Missão 2 - O Grimório Digital (NotebookLM)
Uma vez destilada a dúvida, passamos à 'Amalgamação'. Aqui utilizamos o NotebookLM para construir um 'Grimório Digital' (que, para efeitos de exemplificação, foi convertido em pdf). O paradigma OnLIFE exige que quem habita a infoesfera atue como curador ético. O NotebookLM permite navegar criticamente nesse território, transformando os Alquimistas do Sousa em sujeitos 'hiper-híbridos' (Di Felice, 2017) que produzem conhecimento em simbiose com a máquina. Esta ferramenta permite que realizem uma curadoria densa, ancorando a sua pesquisa em evidências científicas sólidas. É o momento da hibridização, onde o rastro digital da pesquisa se transforma num corpo de conhecimento estruturado e co-criado.
Missão 3 - A Célula Imersiva no OnLIFE Lab
Chegamos ao fim da jornada. Mas não é um fim — é o ponto onde tudo converge. Cada grupo de Alquimistas do Sousa recebe uma célula imersiva no metaverso Spatial. Quatro zonas, articuladas às quatro missões e aos quatro modos da atenção cartográfica de Kastrup.
- Zona do Rastreio: as coordenadas físicas recolhidas nas ribeiras tornam-se torres de luz sobre um rio virtual. Os visitantes caminham sobre o rio e leem as histórias situadas das evidências.
- Zona da Destilação: um muro onde as alucinações desmontadas se suspendem como fragmentos visuais. Toque um fragmento e ele dissolve-se, revelando o argumento que o refutou — a literacia algorítmica tornada experiência.
- Zona da Amalgamação: o Grimório Digital torna-se um livro monumental 3D, navegável em camadas — fontes, diálogos, síntese.
E no centro, a Quinta Essência — câmara de convergência que só se ativa quando pelo menos três outros grupos visitam e validam. A autoria é sempre partilhada. Nenhum grupo conclui a sua própria célula sozinho. Este é o princípio pedagógico mais importante do Laboratório: no paradigma OnLIFE, a autoria não é individual. É uma ecologia.Ancoragem Teórica (Quatro Pilares)
O Laboratório de Alquimia Digital ancora-se em quatro pilares interdependentes que redefinem o que significa aprender no paradigma OnLIFE. Primeiro, a Atenção Cartográfica (Kastrup, 2012) estrutura o método — os quatro modos de rastreio, toque, pouso e reconhecimento atento organizam a progressão das missões e a qualidade da habitância. Segundo, a Cibricidade (Schlemmer, Ribeiro) articula o átomo e o bit — as ribeiras do Sousa, a aplicação ASPEA, o metaverso Spatial co-engendram um único território epistémico. Terceiro, a Agência Distribuída (Di Felice, 2012) reconhece que a aprendizagem resulta da colaboração entre humanos e não-humanos — voluntários, IAs, algoritmos, biodiversidade ripícola co-constituem o processo formativo. Quarto, o Novo Contrato Social da Educação (UNESCO, 2021) enquadra eticamente a proposta — a educação como ecologia de saberes, não como transmissão linear. Os quatro pilares não são camadas separadas — são dimensões interdependentes que ativam, em conjunto, uma nova forma de habitar o ensinar e o aprender.
Conclusão
Para concluir, o Laboratório de Alquimia do Sousa é mais do que um plano de formação, é uma proposta de transmutação em três movimentos:
- de utilizadores de ferramentas a cartógrafos do território;
- de consumidores de informação a co-inventores de conhecimento;
- de aprendentes individuais a habitantes de uma ecologia.
No princípio era a conexão e é através dessa conexão ética e estética que reimagino os nossos futuros educativos. Muito obrigada.A Narrativa Gamificada (Menu Interativo)
A nossa prática estrutura-se como uma narrativa gamificada em quatro missões sequenciais e interdependentes. Este mapa representa a nossa ecologia de aprendizagem:
- o Rastreio, onde cartografamos o território físico do concelho;
- a Destilação, onde confrontamos a IA;
- a Amalgamação, onde fazemos a curadoria de dados;
- a Projeção, onde habitamos o metaverso.
Cada fase é uma 'chave' que abre novas dimensões de compreensão. A Missão 0 (Rastreio) ancora toda a ecologia digital subsequente num território físico real, as ribeiras do concelho de Paços de Ferreira.Mobilizamos a gamificação pedagógica consistente (Schlemmer, 2016, 2021), que se distingue explicitamente da gamificação PBL (points, badges, leaderboards): aqui, a narrativa alquímica não premeia comportamentos com recompensas extrínsecas, opera como dispositivo que propicia autonomia, autoria e invenção crítica de problemas. Esta abordagem articula-se com os quatro modos da atenção cartográfica rastreio, toque, pouso e reconhecimento atento (Kastrup & Barros, 2012), não apenas para resolver problemas, mas para a invenção de problemas a partir da leitura crítica do território e da comunidade.O ficheiro de áudio serve de ferramenta de 'rastreio' inicial.Missão 0 — O Rastreio Situado
A cibricidade não existe só no digital. Começamos onde a realidade começa: no território. Os Alquimistas do Sousa percorrem as ribeiras do concelho de Paços de Ferreira — margens do Ferreira, da Ferreirinha, afluentes do Sousa — recolhendo evidências plásticas com geolocalização. A ferramenta que usam é o Marine Litter Watch, protocolo da Agência Europeia do Ambiente, e o Epicollect5 para cartografia colaborativa. Cada observação é documentada em três camadas: o que vejo, o que os dados dizem, o que sinto/penso. Estas três camadas correspondem aos quatro modos da atenção cartográfica de Kastrup — rastreio, toque, pouso, reconhecimento atento. Narrativamente, invocamos Dona Antónia Adelaide Ferreira, a "Ferreirinha" histórica, que combateu a filoxera nas vinhas do Douro. Os Alquimistas do Sousa herdam essa linhagem: enfrentam a ameaça invisível do seu tempo — os microplásticos — com as ferramentas do seu tempo. Sem o Cristal de Evidência Situada, nenhum Alquimista acede ao OnLIFE Lab. O digital só é legítimo se ancorado no territorial.
Avaliação Processual
A avaliação no Laboratório de Alquimia do Sousa não é sumativa pois é observado o percurso à medida que ele se desenvolve, em três dimensões interdependentes:
- A Habitância Crítica avalia o registo tripartido do território: o que vejo, o que os dados dizem, o que sinto.
- A Agência Co-inventiva avalia o diálogo crítico com a IA: se cada Alquimista identifica alucinações, pede fontes, desafia.
- A Literacia Ecológica avalia a instalação imersiva no Spatial: a coerência conceptual e a capacidade de autoria partilhada.
Três momentos de feedback pontuam o percurso: após cada missão, mobilizando avaliadores humanos e não-humanos — mas a decisão final é sempre humana. Há um prolongamento: os dados recolhidos pelos Alquimistas integram a rede nacional do Projeto Rios e o Observatório Ambiental Municipal. A avaliação é pedagógica e cívica.Anatomia do Prompt de Sistema
Antes de haver o Alquimista das Correntes, há uma decisão docente. Uma decisão pedagógica humana que configura a IA para um papel, uma mecânica e com limites.
- O papel: não é assistente, é parceiro adversarial. Maiêutica algorítmica em vez de oráculo.
- A mecânica: mistura deliberada de factos científicos com duas alucinações plausíveis por sessão. Só reconhece erro se o Alquimista citar fonte académica validada. Termina sempre com pergunta, nunca com resposta.
- Os limites: nunca invoca autores reais em falsidades. Nunca produz conteúdo perigoso. Se detetar frustração, baixa a intensidade e oferece scaffolding.
Este prompt (documentado integralmente no Anexo A) materializa o princípio que atravessa todo o Laboratório, que a intencionalidade pedagógica não se delega à IA, esta é sempre humana.As Sete Competências do Alquimista do Sousa
7 competências organizadas em 3 clusters que correspondem aos 3 primeiros pilares da fundamentação teórica.
- No cluster da Cibricidade, aprende-se a habitar territorialmente: a literacia ecológica digital e a cartografia situada, os quatro modos de Kastrup em ação.
- No cluster da Agência Distribuída, aprende-se a co-inteligência: pensamento crítico algorítmico, curadoria ética de fontes científicas, co-construção com agentes não-humanos. É aqui que vive o confronto com o Alquimista das Correntes e a curadoria no Grimório.
- No cluster do Novo Contrato Social, aprende-se a autoria partilhada: transliteracia imersivaou seja, a capacidade de traduzir entre texto, dado, imagem e espaço 3D e a decisão fundamentada em contextos de incerteza. Esta última é a competência-síntese do percurso.
Há também uma transformação visível em 3 níveis: do utilizador de ferramentas, passando pelo pensador crítico em ação, ao habitante crítico de ecossistemas educativos. O objetivo não é chegar ao nível 3 no tempo da formação, o objetivo é iniciar a trajetória. Importa notar que estas competências articulam-se com a certificação formal de Monitor do Projeto Rios, inscrevendo a formação em redes de reconhecimento mais amplas.