Laboratório de memória
25 de Abril
Início
História A | Cidadania e Desenvolvimento Prof. Jorge M. Alberto | 2026
Introdução
A Revolução de 25 de Abril de 1974 é frequentemente apresentada como um momento consensual de libertação. No entanto, a forma como é lembrada varia. Neste laboratório vamos explorar como a memória coletiva do 25 de Abril é construída. O objetivo final é a criação de uma campanha de "desmitificação" da História para as redes sociais, onde serão utilizadas provas documentais para confrontar mitos ou visões simplistas sobre a Revolução dos Cravos.
Objetivos
Identificar desinformação por omissão, simplificação e enquadramento
Desenvolver pensamento crítico sobre a narrativa histórica
Compreender o papel da memória na construção da História
Promover a literacia mediática
1.
O que sabemos?
O que aconteceu no 25 de Abril?
Há elementos comuns, mas também há lacunas e simplificações!
2.
Dossier de fontes
Mito 1 | "A Revolução não teve sangue"
Diário de Notícias: "Revoltosos partiram vidros, a PIDE matou" (24/04/2024)
Reportagem da RTP: Retrospetiva dos acontecimentos (25/04/1994)
Fonte 1
Fonte 2
Grelha de exploração
Mito 2 | "As mulheres foram apenas figurantes"
Vogue: "A história de 4 mulheres que lutaram pela liberdade" (25/04/2025)
Cartaz: União das Mulheres Anti-fascistas e Revolucionárias (UMAR)
Fonte 3
Fonte 4
Grelha de exploração
Mito 3 | "A Revolução durou um dia"
Reportagem RTP: 1975 foi ano de PREC (Processo Revolucionário em Curso) (2007)
Os cravos eram vermelhos: Uma cronologia da revolução portuguesa
Fonte 5
Fonte 6
Grelha de exploração
Mito 4 | "A descolonização foi simples"
Documentário RTP:Retornados ou o resto do império (2001)
Reportagem RTP: A descolonização portuguesa (05/04/1994)
Fonte 7
Fonte 8
Grelha de exploração
Se apenas tivessem este conjunto de fontes, com que ideia ficariam da Revolução?
Pode haver desinformação mesmo sem factos falsos!
Nenhuma fonte é totalmente neutra!
A desinformação pode surgir de ênfases e omissões!
3.
Como evoluiu a memória do 25 de Abril?
A memória do 25 de Abril é plural e construída, variando ao longo do tempo, como todas as memórias históricas!
Como evoluiu a memória da transição política nos últimos anos?
Quatro historiadores responderam à questão (2019). Vamos ler as suas respostas.
E que tal fazer esta mesma pergunta a familiares vossos?Vamos a isso!
4.
Campanha de "Desmitificação"
Produzir 1 (ou mais) posts digitais que exponham uma prova documental e expliquem como a desinformação foi construída através da simplificação ou omissão.
5.
Reflexão final
A memória é neutra?
Quem decide o que é lembrado?
Como podemos evitar a desinformação?
A desinformação não está apenas no que é falso, mas também no que é omitido, simplificado ou enquadrado — e a memória histórica é um dos principais espaços onde isso acontece.
Obrigado!
União das Mulheres Anti-fascistas e Revolucionárias
Fonte: EPHEMERA - Biblioteca e arquivo de José Pacheco Pereira
Grelha de exploração
Questionem todas as vossas fontes. Cada fonte deve passar por este crivo.
Placa evocativa na fachada da antiga sede da PIDE/DGS, na rua António Maria Cardoso, em Lisboa
25 de Abril de 1974, Arquivo do Diário de Notícias
União das Mulheres Anti-fascistas e Revolucionárias, Arquivo EPHEMERA
As mulheres e o 25 de Abril, in Vogue
O povo e o Movimento das Forças Armadas (MFA), Reuters
Manifestação em Lisboa durante o Processo Revolucionário Em Curso (PREC)
Soldados indonésios retiram a bandeira de Portugal, em Timor Leste, 1975
Milhares de caixas são enviadas por portugueses das ex-colónias e acumulam-se em Belém
Consoante as épocas e se sucederam a uma rutura de regime, período revolucionário e transição democrática, assim se modifica também a memória. Esta também muda enquanto se sucedem as diversas gerações: as mais novas têm memórias diferentes das que expressam evidentemente os seus antecessores: habitualmente, os filhos "rebelam-se" contra os pais e aproximam-se dos avós. Habitualmente, assinala-se que a memória de um processo, por rutura como foi o português, atravessa várias fases, que se sucedem e modificam a memória, ao mesmo tempo que são influenciadas por esta. Em os cerca de 40 a 45 anos que nos separam temporalmente do 25 de Abril de 1974, já houve pelo menos três a quatro gerações. E podemos caracterizar também que se sucederam cerca de quatro a cinco fases: 1) uma fase de "quebra do espelho" em que se pretende rapidamente acabar com as instituições do regime anterior 2) habitualmente, sucede uma fase de calma, depois da radicalização e da agitação, e começa-se a esquecer o passado recente, em nome da construção do presente e do futuro 3) e 4) seguem-se fases lentas ou mais rápidas, consoante os traumas, de um regresso, por vezes difícil, da memória e 5) e por vezes há tanto uma míngua, como um excesso de memória sobre a ditadura e a transição para a democracia. Isto tudo descrito em traços muito gerais.
www.transicaopolitica.pt/irene-flunser-pimentel/
A memória sobre este período de transição tem passado por várias fases. Do enaltecimento e orgulho nacional por ser a Revolução dos Cravos, passou ao semiesquecimento e, neste momento, há setores que, subreptícia ou ostensivamente, estão apostados em denegrir as personagens e os acontecimentos e subverter os valores que a revolução prometeu e que, em parte, ainda não se cumpriram.As comemorações já não movem as populações. O entusiasmo inicial e a esperança num futuro de maior justiça social, mais igualdade, solidariedade e democracia foi cedendo lugar à descrença, ao conformismo e ao desinteresse dos cidadãos e também ao desinvestimento político na mudança.Dou apenas um exemplo. Nas eleições de 1975, esperei horas na fila para poder votar, nas últimas eleições houve 70% de abstenção.O desinvestimento no SNS e na educação e as cedências progressivas aos interesses privados prejudicam a qualidade e a imagem da democracia.Temo que a memória da Revolução se esgote na geração dos que a viveram e saudaram. A escola, que devia ser lugar de aprendizagem e de formação para a cidadania, não está a cumprir a sua função educativa. Muitos jovens não sabem o que foi e representou o 25 de Abril para Portugal.E, também não querem saber. Culpa de quem? De todos ou de ninguém?
www.transicaopolitica.pt/natividade-monteiro/
Sobre a memória do 25 de Abril, acho que muito se está a perder. As pessoas, em grande parte, esqueceram o que era o país antes e depois da revolução. Lembro-me que quando foi fixado, pela primeira vez, o ordenado mínimo abrangeu mais de metade dos trabalhadores e eram uns míseros 3500$00. Penso que a grande maioria das pessoas não pensa nas mudanças que a revolução trouxe ao país. Veem a situação atual como um dado adquirido e não pensam ou nem sabem o que custou a construir. Por outro lado, também passa a imagem de que o PREC foi apenas uma confusão e que o país andava à deriva. Acho que era importante fazer programas e projetos para recuperar o verdadeiro significado do 25 de Abril.
www.transicaopolitica.pt/cadida-proenca/
Ultimamente tenho feito estudos para perceber como os portugueses se lembram do passado. Tomando em consideração que enquanto faço essas perguntas também as estou a fazer a portugueses que não viveram esse passado. Mesmo eu que tenho 54 anos, tenho uma memória pessoal muito limitada do que foi vivido. Os jovens podem não ter vivido o 25 de Abril, mas certamente que têm uma imagem do que aconteceu na Revolução. Cada pessoa ao ouvir simplesmente familiares a falar, ao ouvir os meios de comunicação e através do que nos é ensinado na escola constrói uma memória. Este período de evolução está marcado pela visão claramente positiva da chegada da liberdade, o fim da guerra colonial e o regresso dos soldados, a libertação dos presos políticos, a abolição da censura e, evidentemente, o regresso dos portugueses que fugiram à guerra. Sobre estes aspetos, os portugueses têm de forma, muito maioritária, desde sempre, uma opinião muito positiva.A visão que os portugueses podem ter do passado tem muito a ver com o momento em que cada um viveu esse passado.
https://www.transicaopolitica.pt/manuel-loff/
Instruções
Para a vossa campanha de "desmitificação", deverão analisar cuidadosamente o conjunto de fontes que vos foi atribuído, cada um está associado a um mito sobre a Revolução. Devem ainda preencher a grelha de exploração das fontes disponível junto de cada conjunto.
Mito 3
Mito 1
Mito 2
Mito 4
Grelha de exploração
Questionem todas as vossas fontes. Cada fonte deve passar por este crivo.
Grelha de exploração
Questionem todas as vossas fontes. Cada fonte deve passar por este crivo.
Grelha de exploração
Questionem todas as vossas fontes. Cada fonte deve passar por este crivo.
Laboratório de Memória: 25 de Abril
Jorge M. Alberto
Created on April 17, 2026
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Laboratório de memória
25 de Abril
Início
História A | Cidadania e Desenvolvimento Prof. Jorge M. Alberto | 2026
Introdução
A Revolução de 25 de Abril de 1974 é frequentemente apresentada como um momento consensual de libertação. No entanto, a forma como é lembrada varia. Neste laboratório vamos explorar como a memória coletiva do 25 de Abril é construída. O objetivo final é a criação de uma campanha de "desmitificação" da História para as redes sociais, onde serão utilizadas provas documentais para confrontar mitos ou visões simplistas sobre a Revolução dos Cravos.
Objetivos
Identificar desinformação por omissão, simplificação e enquadramento
Desenvolver pensamento crítico sobre a narrativa histórica
Compreender o papel da memória na construção da História
Promover a literacia mediática
1.
O que sabemos?
O que aconteceu no 25 de Abril?
Há elementos comuns, mas também há lacunas e simplificações!
2.
Dossier de fontes
Mito 1 | "A Revolução não teve sangue"
Diário de Notícias: "Revoltosos partiram vidros, a PIDE matou" (24/04/2024)
Reportagem da RTP: Retrospetiva dos acontecimentos (25/04/1994)
Fonte 1
Fonte 2
Grelha de exploração
Mito 2 | "As mulheres foram apenas figurantes"
Vogue: "A história de 4 mulheres que lutaram pela liberdade" (25/04/2025)
Cartaz: União das Mulheres Anti-fascistas e Revolucionárias (UMAR)
Fonte 3
Fonte 4
Grelha de exploração
Mito 3 | "A Revolução durou um dia"
Reportagem RTP: 1975 foi ano de PREC (Processo Revolucionário em Curso) (2007)
Os cravos eram vermelhos: Uma cronologia da revolução portuguesa
Fonte 5
Fonte 6
Grelha de exploração
Mito 4 | "A descolonização foi simples"
Documentário RTP:Retornados ou o resto do império (2001)
Reportagem RTP: A descolonização portuguesa (05/04/1994)
Fonte 7
Fonte 8
Grelha de exploração
Se apenas tivessem este conjunto de fontes, com que ideia ficariam da Revolução?
Pode haver desinformação mesmo sem factos falsos!
Nenhuma fonte é totalmente neutra!
A desinformação pode surgir de ênfases e omissões!
3.
Como evoluiu a memória do 25 de Abril?
A memória do 25 de Abril é plural e construída, variando ao longo do tempo, como todas as memórias históricas!
Como evoluiu a memória da transição política nos últimos anos?
Quatro historiadores responderam à questão (2019). Vamos ler as suas respostas.
E que tal fazer esta mesma pergunta a familiares vossos?Vamos a isso!
4.
Campanha de "Desmitificação"
Produzir 1 (ou mais) posts digitais que exponham uma prova documental e expliquem como a desinformação foi construída através da simplificação ou omissão.
5.
Reflexão final
A memória é neutra?
Quem decide o que é lembrado?
Como podemos evitar a desinformação?
A desinformação não está apenas no que é falso, mas também no que é omitido, simplificado ou enquadrado — e a memória histórica é um dos principais espaços onde isso acontece.
Obrigado!
União das Mulheres Anti-fascistas e Revolucionárias
Fonte: EPHEMERA - Biblioteca e arquivo de José Pacheco Pereira
Grelha de exploração
Questionem todas as vossas fontes. Cada fonte deve passar por este crivo.
Placa evocativa na fachada da antiga sede da PIDE/DGS, na rua António Maria Cardoso, em Lisboa
25 de Abril de 1974, Arquivo do Diário de Notícias
União das Mulheres Anti-fascistas e Revolucionárias, Arquivo EPHEMERA
As mulheres e o 25 de Abril, in Vogue
O povo e o Movimento das Forças Armadas (MFA), Reuters
Manifestação em Lisboa durante o Processo Revolucionário Em Curso (PREC)
Soldados indonésios retiram a bandeira de Portugal, em Timor Leste, 1975
Milhares de caixas são enviadas por portugueses das ex-colónias e acumulam-se em Belém
Consoante as épocas e se sucederam a uma rutura de regime, período revolucionário e transição democrática, assim se modifica também a memória. Esta também muda enquanto se sucedem as diversas gerações: as mais novas têm memórias diferentes das que expressam evidentemente os seus antecessores: habitualmente, os filhos "rebelam-se" contra os pais e aproximam-se dos avós. Habitualmente, assinala-se que a memória de um processo, por rutura como foi o português, atravessa várias fases, que se sucedem e modificam a memória, ao mesmo tempo que são influenciadas por esta. Em os cerca de 40 a 45 anos que nos separam temporalmente do 25 de Abril de 1974, já houve pelo menos três a quatro gerações. E podemos caracterizar também que se sucederam cerca de quatro a cinco fases: 1) uma fase de "quebra do espelho" em que se pretende rapidamente acabar com as instituições do regime anterior 2) habitualmente, sucede uma fase de calma, depois da radicalização e da agitação, e começa-se a esquecer o passado recente, em nome da construção do presente e do futuro 3) e 4) seguem-se fases lentas ou mais rápidas, consoante os traumas, de um regresso, por vezes difícil, da memória e 5) e por vezes há tanto uma míngua, como um excesso de memória sobre a ditadura e a transição para a democracia. Isto tudo descrito em traços muito gerais.
www.transicaopolitica.pt/irene-flunser-pimentel/
A memória sobre este período de transição tem passado por várias fases. Do enaltecimento e orgulho nacional por ser a Revolução dos Cravos, passou ao semiesquecimento e, neste momento, há setores que, subreptícia ou ostensivamente, estão apostados em denegrir as personagens e os acontecimentos e subverter os valores que a revolução prometeu e que, em parte, ainda não se cumpriram.As comemorações já não movem as populações. O entusiasmo inicial e a esperança num futuro de maior justiça social, mais igualdade, solidariedade e democracia foi cedendo lugar à descrença, ao conformismo e ao desinteresse dos cidadãos e também ao desinvestimento político na mudança.Dou apenas um exemplo. Nas eleições de 1975, esperei horas na fila para poder votar, nas últimas eleições houve 70% de abstenção.O desinvestimento no SNS e na educação e as cedências progressivas aos interesses privados prejudicam a qualidade e a imagem da democracia.Temo que a memória da Revolução se esgote na geração dos que a viveram e saudaram. A escola, que devia ser lugar de aprendizagem e de formação para a cidadania, não está a cumprir a sua função educativa. Muitos jovens não sabem o que foi e representou o 25 de Abril para Portugal.E, também não querem saber. Culpa de quem? De todos ou de ninguém?
www.transicaopolitica.pt/natividade-monteiro/
Sobre a memória do 25 de Abril, acho que muito se está a perder. As pessoas, em grande parte, esqueceram o que era o país antes e depois da revolução. Lembro-me que quando foi fixado, pela primeira vez, o ordenado mínimo abrangeu mais de metade dos trabalhadores e eram uns míseros 3500$00. Penso que a grande maioria das pessoas não pensa nas mudanças que a revolução trouxe ao país. Veem a situação atual como um dado adquirido e não pensam ou nem sabem o que custou a construir. Por outro lado, também passa a imagem de que o PREC foi apenas uma confusão e que o país andava à deriva. Acho que era importante fazer programas e projetos para recuperar o verdadeiro significado do 25 de Abril.
www.transicaopolitica.pt/cadida-proenca/
Ultimamente tenho feito estudos para perceber como os portugueses se lembram do passado. Tomando em consideração que enquanto faço essas perguntas também as estou a fazer a portugueses que não viveram esse passado. Mesmo eu que tenho 54 anos, tenho uma memória pessoal muito limitada do que foi vivido. Os jovens podem não ter vivido o 25 de Abril, mas certamente que têm uma imagem do que aconteceu na Revolução. Cada pessoa ao ouvir simplesmente familiares a falar, ao ouvir os meios de comunicação e através do que nos é ensinado na escola constrói uma memória. Este período de evolução está marcado pela visão claramente positiva da chegada da liberdade, o fim da guerra colonial e o regresso dos soldados, a libertação dos presos políticos, a abolição da censura e, evidentemente, o regresso dos portugueses que fugiram à guerra. Sobre estes aspetos, os portugueses têm de forma, muito maioritária, desde sempre, uma opinião muito positiva.A visão que os portugueses podem ter do passado tem muito a ver com o momento em que cada um viveu esse passado.
https://www.transicaopolitica.pt/manuel-loff/
Instruções
Para a vossa campanha de "desmitificação", deverão analisar cuidadosamente o conjunto de fontes que vos foi atribuído, cada um está associado a um mito sobre a Revolução. Devem ainda preencher a grelha de exploração das fontes disponível junto de cada conjunto.
Mito 3
Mito 1
Mito 2
Mito 4
Grelha de exploração
Questionem todas as vossas fontes. Cada fonte deve passar por este crivo.
Grelha de exploração
Questionem todas as vossas fontes. Cada fonte deve passar por este crivo.
Grelha de exploração
Questionem todas as vossas fontes. Cada fonte deve passar por este crivo.