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“Alegres campos, verdes arvoredos, claras e frescas águas de cristal” — Luís Vaz De Camões

Lara Saraiva

Created on April 11, 2026

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Transcript

“Alegres campos, verdes arvoredos, claras e frescas águas de cristal” — Luís Vaz De Camões

Índice

  • O poema
  • Tema e assunto
  • Estrutura do poema
  • Recursos expressivos
  • Análise formal
  • Conclusão

Alegres campos, verdes arburedosclaras e frescas águas de cristal

Alegres campos, verdes arvoredos. claras e frescas águas de cristal, que em vós os debuxais ao natural. discorrendo da altura dos rochedos, Silvestres montes, ásperos penedos, compostos em concerto desigual, sabei que, sem licença de meu mal, Já não podeis fazer meus olhos ledos. E pois me já não vedes como vistes, Não me alegrem verduras deleitosas, Nem águas que correndo alegres vêm. Semearei em vós lembranças tristes, Regando-vos com lágrimas saudosas, E nasceram saudades de meu bem.

Tema e assunto

Estrutura do poema

versos 1-6

versos 7-11

versos 12-14

Recursos

expressivos

Analise formal: soneto

Alegres campos, verdes arvoredos. claras e frescas águas de cristal, que em vós os debuxais ao natural. discorrendo da altura dos rochedos, Silvestres montes, ásperos penedos, compostos em concerto desigual, sabei que, sem licença de meu mal, Já não podeis fazer meus olhos ledos. E pois me já não vedes como vistes, Não me alegrem verduras deleitosas, Nem águas que correndo alegres vêm. Semearei em vós lembranças tristes, Regando-vos com lágrimas saudosas, E nasceram saudades de meu bem.

Análise formal: Rimas

Alegres campos, verdes arvoredos. claras e frescas águas de cristal, que em vós os debuxais ao natural. discorrendo da altura dos rochedos, Silvestres montes, ásperos penedos, compostos em concerto desigual, sabei que, sem licença de meu mal, Já não podeis fazer meus olhos ledos. E pois me já não vedes como vistes, Não me alegrem verduras deleitosas, Nem águas que correndo alegres vêm. Semearei em vós lembranças tristes, Regando-vos com lágrimas saudosas, E nasceram saudades de meu bem.

Conclusão

O poema evidencia o contraste entre a harmonia da natureza e o sofrimento interior do sujeito poético. Apesar de inserido num locus amoenus, este deixa de encontrar beleza no mundo exterior, pois a saudade da amada domina o seu estado emocional. Assim, a natureza transforma-se num reflexo da sua dor, mostrando que os sentimentos se sobrepõem à realidade envolvente.

Lara Saraiva e Elayne Raposo 10F

Fim.

Lara Saraiva e Elayne Raposo 10F

Fim.

O sujeito poético utiliza metáforas para expressar de forma simbólica a saudade e o sofrimento amoroso, projetando os seus sentimentos na natureza. “(…) Semearei em vós lembranças tristes (…) Regando-vos com lágrimas saudosas (…)”

Metáfora

O sujeito poético utiliza as enumerações e adjetivação expressiva para reforçar as características da natureza: a paisagem ideal. '(...) verdes arvoredos, claras e frescas (...) Silvestres montes, asperos penedos, (...) olhos ledos (..) verduras deleitosas (..)"

Enumeração

O sujeito poético dirige-se a natureza. confiando-lhe as suas saudades e tristezas. "Alegres campos (...) verdes arvoredos (...) que em vós (..) sabei que (...) Já não podeis (..) E pois me já não vedes como vistes (...) Semearei em vós (...) Regando-vos (...)".

Apóstrofe

Assunto

Alegres campos, verdes arvoredos. claras e frescas águas de cristal, que em vós os debuxais ao natural. discorrendo da altura dos rochedos, Silvestres montes, ásperos penedos, compostos em concerto desigual, sabei que, sem licença de meu mal, Já não podeis fazer meus olhos ledos. E pois me já não vedes como vistes, Não me alegrem verduras deleitosas, Nem águas que correndo alegres vêm. Semearei em vós lembranças tristes, Regando-vos com lágrimas saudosas, E nasceram saudades de meu bem.

O sujeito poético descreve o ambiente campestre em que se encontra (“Alegres campos, verdes arvoredos…”), iniciando um diálogo com a natureza para nos mostrar que, apesar de bela, ela já não lhe traz felicidade.A sua tristeza interior sobrepõe-se à beleza do espaço natural: “(…) Já não podeis fazer meus olhos ledos (…)” “(…) Nem águas que correndo alegres vêm (…)” As lembranças tristes e as lágrimas saudosas irão transformar esse ambiente, fazendo nascer: “(…) saudades de meu bem.”

Temas

Alegres campos, verdes arvoredos. claras e frescas águas de cristal, que em vós os debuxais ao natural. discorrendo da altura dos rochedos, Silvestres montes, ásperos penedos, compostos em concerto desigual, sabei que, sem licença de meu mal, Já não podeis fazer meus olhos ledos. E pois me já não vedes como vistes, Não me alegrem verduras deleitosas, Nem águas que correndo alegres vêm. Semearei em vós lembranças tristes, Regando-vos com lágrimas saudosas, E nasceram saudades de meu bem.

Natureza "(...) campos (...) arvoredos (..) águas (...) natural (...) rochedos (...) montes (...) penedos (...) verduras (...) águas (...)" Saudade "(...) lembranças (...) lágrimas (...) saudades (...)"

Versos 12-14

Alegres campos, verdes arvoredos. claras e frescas águas de cristal, que em vós os debuxais ao natural. discorrendo da altura dos rochedos, Silvestres montes, ásperos penedos, compostos em concerto desigual, sabei que, sem licença de meu mal, Já não podeis fazer meus olhos ledos. E pois me já não vedes como vistes, Não me alegrem verduras deleitosas, Nem águas que correndo alegres vêm. Semearei em vós lembranças tristes, Regando-vos com lágrimas saudosas, E nasceram saudades de meu bem.

Nos versos 12 a 14, revela-se que a origem dessa mudança está na saudade da amada, que provoca um profundo sofrimento emocional. Através de metáforas, como “semear lembranças tristes” e “regar com lágrimas”, o sujeito poético demonstra que a sua dor irá transformar a natureza. No final, conclui-se que desse processo nascerão apenas saudades do “meu bem”, mostrando que o estado emocional do sujeito poético se sobrepõe à beleza do mundo exterior A harmonia do locus amoenus é desconstruída pela dor amorosa, evidenciando que o sujeito poético projeta o seu sofrimento na natureza, transformando-a num reflexo do seu estado interior..

Versos 7-11

Alegres campos, verdes arvoredos. claras e frescas águas de cristal, que em vós os debuxais ao natural. discorrendo da altura dos rochedos, Silvestres montes, ásperos penedos, compostos em concerto desigual, sabei que, sem licença de meu mal, Já não podeis fazer meus olhos ledos. E pois me já não vedes como vistes, Não me alegrem verduras deleitosas, Nem águas que correndo alegres vêm. Semearei em vós lembranças tristes, Regando-vos com lágrimas saudosas, E nasceram saudades de meu bem.

Nos versos 7 a 11, verifica-se uma mudança no estado de espírito do sujeito poético, que passa a estabelecer um diálogo direto com a natureza. No verso 7, surge a referência ao seu sofrimento (“meu mal”), e no verso 8 afirma-se que a natureza já não é capaz de o alegrar, com destaque para o advérbio “já”, que marca essa transformação. No verso 9, estabelece-se um contraste entre o passado e o presente, reforçando a perda da alegria. Nos versos 10 e 11, o sujeito poético rejeita a beleza natural, afirmando que nem as “verduras deleitosas” nem as águas em movimento lhe trazem felicidade, intensificando-se assim a ideia de negação e tristeza.

Este poema é um soneto, pois tem 14 versos, 4 estrofes (2 quadras e 2 tercetos) e versos decassilábicos.

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A/le/gres / cam/pos, / ver/des / ar/vo/re/dosclaras e frescas águas de cristal, que em vós os debuxais ao natural. discorrendo da altura dos rochedos, Silvestres montes, ásperos penedos, compostos em concerto desigual, sabei que, sem licença de meu mal, Já não podeis fazer meus olhos ledos. E pois me já não vedes como vistes, Não me alegrem verduras deleitosas, Nem águas que correndo alegres vêm. Semearei em vós lembranças tristes, Regando-vos com lágrimas saudosas, E nasceram saudades de meu bem.

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Versos 1-6

Alegres campos, verdes arvoredos. claras e frescas águas de cristal, que em vós os debuxais ao natural. discorrendo da altura dos rochedos, Silvestres montes, ásperos penedos, compostos em concerto desigual, sabei que, sem licença de meu mal, Já não podeis fazer meus olhos ledos. E pois me já não vedes como vistes, Não me alegrem verduras deleitosas, Nem águas que correndo alegres vêm. Semearei em vós lembranças tristes, Regando-vos com lágrimas saudosas, E nasceram saudades de meu bem.

Nos versos 1 a 6, o sujeito poético apresenta a natureza como um espaço belo, harmonioso e idealizado, típico do locus amoenus. Através da enumeração de elementos naturais, como campos, arvoredos, águas e montes, constrói-se uma paisagem marcada pela pureza, frescura e tranquilidade. No verso 1, destaca-se a vivacidade da paisagem (“alegres campos, verdes arvoredos”), enquanto no verso 2 se reforça a sua pureza e frescura, através da metáfora “águas de cristal”. No verso 3, a natureza surge como um reflexo perfeito e natural, e no verso 4 o movimento da água introduz uma ideia de vida e dinamismo. Já no verso 5 aparecem elementos mais rudes (“ásperos penedos”), que, no verso 6, se organizam numa harmonia equilibrada, expressa na ideia de “concerto desigual”.

Esta expressão foi a forma do sujeito poético contrastar o ínicio do poema (de um passado feliz) com o fim do poema (de um futuro saudoso e triste). "(..) meu mal (..) meu bem / (...) em águas que correndo alegres (..) lembranças tristes (..)".

Antítese

O uso consistente do vocábulo 'não' reforça o facto de que a natureza já não o deixa feliz como antes. "'...) Já não podeis fazer meus olhos ledos (..) E pois me já não vedes como vistes (...) Não me alegrem verduras deleitosas (..).

Anáfora

Personificações A personificação dá características humanas a elementos inanimados, neste caso: a natureza. Tem como objetivo transmitir-nos a ideia de que a natureza é sua confidente "Alegres campos (..)":.

Personificação

Ao nível da rima, verifica-se um esquema interpolado nas quadras (ABBA ABBA) e nos tercetos (CDE CDE), contribuindo para a harmonia e musicalidade do poema.

Alegres campos, verdes arvoredos. claras e frescas águas de cristal, que em vós os debuxais ao natural. discorrendo da altura dos rochedos, Silvestres montes, ásperos penedos, compostos em concerto desigual, sabei que, sem licença de meu mal, Já não podeis fazer meus olhos ledos. E pois me já não vedes como vistes, Não me alegrem verduras deleitosas, Nem águas que correndo alegres vêm. Semearei em vós lembranças tristes, Regando-vos com lágrimas saudosas, E nasceram saudades de meu bem.

AB B A A B B A C D E C D E