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Mod 4 - Não, não e NÃO - Vinculação e relação com os pais

Ana Margarida Silva

Created on April 10, 2026

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Transcript

Não, não e NÃO:

e agora?

Módulo 4 - Vinculação e relação com os pais

Índice

01 · Vinculação e relação com os pais

05 · Preferência por um dos pais

06 · Ansiedade de separação

02 · Base teórica

03 · Objetivo da vinculação

07 · Caso prático

04 · Tipos de vinculação

04

Vinculação e relação com os pais

Vinculação e relação com os pais

Base teórica — John Bowlby

Teoria da Vinculação A Teoria da Vinculação defende que a criança nasce biologicamente preparada para:

  • criar laços emocionais fortes
  • procurar proximidade e proteção junto de figuras cuidadoras
Isto não é aprendido, é instintivo e essencial à sobrevivência.

Vinculação e relação com os pais

Porque é que isto existe?

Do ponto de vista evolutivo: Um bebé/criança pequena depende totalmente do adulto para:

  • proteção
  • alimentação
  • regulação emocional
Por isso, o cérebro “programa” comportamentos como:
  • chorar
  • procurar colo
  • agarrar-se
  • seguir o adulto

Estes comportamentos não são “manhas”, são estratégias de sobrevivência emocional e física.

Vinculação e relação com os pais

Objetivo da vinculação

Sentir-se segura para explorar o mundo Parece simples… mas é mesmo a base de tudo. Quando a criança sente:

  • segurança
  • previsibilidade
  • resposta do adulto
ganha confiança para:
  • explorar o ambiente
  • brincar
  • aprender
  • desenvolver autonomia

Vinculação e relação com os pais

O “efeito elástico” da vinculação

A criança funciona como um elástico:

  • afasta-se para explorar
  • volta ao adulto para se “recarregar” emocionalmente
Este movimento é saudável e esperado. Se a base for segura:
  • explora mais
  • arrisca mais
  • desenvolve-se melhor

Vinculação e relação com os pais

Tipos de vinculação

Através da experiência da “Situação Estranha”, de Mary Ainsworth, identificou diferentes tipos de vinculação:

  • Segura → procura o adulto e acalma-se com ele
  • Insegura evitante → evita contacto
  • Insegura ambivalente → procura, mas não se acalma facilmente
O tipo de vinculação depende da forma como o adulto responde às necessidades da criança.

Vinculação e relação com os pais

“A criança não precisa de um adulto perfeito… precisa de um adulto disponível e consistente.”

Vinculação e relação com os pais

Quando a criança:

  • chora
  • chama
  • quer colo
  • não quer largar o pai/mãe

Vinculação e relação com os pais

O que é uma ligação emocional segura?

Uma vinculação segura acontece quando o adulto:

  • responde de forma consistente
  • é emocionalmente disponível
  • transmite segurança

Vinculação e relação com os pais

Porque é tão importante?

Uma ligação segura permite:

  • melhor regulação emocional
  • mais confiança
  • maior autonomia (sim, autonomia nasce da segurança!)

Vinculação e relação com os pais

Preferência por um dos pais

Muito comum entre os 2-3 anos Nesta fase, a criança pode:

  • querer estar só com um dos pais
  • rejeitar o outro de forma intensa (e às vezes dramática)
  • alternar preferências ao longo do tempo

Vinculação e relação com os pais

Preferência por um dos pais

Como isto aparece no dia a dia Exemplos reais:

  • “Não quero o pai! Quero a mãe!”
  • “Sai daqui!” (dito com convicção de CEO de 2 anos)
  • Chorar quando o “pai errado” tenta ajudar
  • Recusar colo, banho ou adormecer com um dos pais
  • Aceitar um e rejeitar o outro… no mesmo dia

Vinculação e relação com os pais

Preferência por um dos pais

Característica importante É uma fase, não é permanente! Pode durar dias, semanas… ou ir e vir. Pode mudar sem aviso (hoje é a mãe, amanhã é o pai). Não é uma escolha racional → é emocional!

Vinculação e relação com os pais

Preferência por um dos pais

O que está por trás disto? (Segundo John Bowlby) A criança:

  • procura a figura que sente como mais reguladora naquele momento
  • associa essa pessoa a segurança, conforto e previsibilidade
  • usa essa preferência para lidar com emoções intensas
Ou seja:
  • Não é sobre “gostar mais”
  • É sobre sentir-se mais segura naquele momento

Vinculação e relação com os pais

Preferência por um dos pais

O impacto nos pais Para o pai/mãe “rejeitado” pode ser:

  • doloroso
  • frustrante
  • até injusto
Pensamentos comuns:
  • “Ela não gosta de mim…”
  • “Só quer o outro…”
(Realidade: não é nada disso)

Vinculação e relação com os pais

“A preferência não mede amor… mede necessidade emocional naquele momento.”

Limites e Disciplina

Preferência por um dos pais

O que fazer na prática

Para o pai/mãe “preferido”

Para o pai/mãe “rejeitado”

O que evitar

Vinculação e relação com os pais

“A criança não está a escolher um pai… está a procurar segurança da forma que consegue.”

Vinculação e relação com os pais

Preferência por um dos pais

Porque acontece?

  • Procura de segurança
  • Fase de desenvolvimento emocional
  • Maior ligação a quem associa a conforto
  • Necessidade de previsibilidade
Não é rejeição real → é necessidade emocional

Vinculação e relação com os pais

Preferência por um dos pais

Como não levar para o lado pessoal

  • Não interpretar como rejeição
  • Não competir pelo afeto
  • Não forçar a criança
Em vez disso:
  • manter presença
  • respeitar o ritmo
  • continuar disponível

Vinculação e relação com os pais

Ansiedade de separação

Muito comum nesta idade A criança pode:

  • chorar quando o adulto sai
  • agarrar-se
  • resistir à separação

Vinculação e relação com os pais

Ansiedade de separação

Porque acontece? A criança:

  • já percebe que o adulto pode ir embora
  • ainda não tem noção clara do tempo
  • teme a ausência prolongada

Vinculação e relação com os pais

Ansiedade de separação

Como ajudar

  • despedidas curtas e seguras
  • não sair escondido
  • manter rotinas
  • garantir previsibilidade
Ex: “A mãe vai trabalhar e volta depois.”

Vinculação e relação com os pais

“A segurança não vem de nunca se separar… vem de saber que o adulto volta.”

Caso prático: “Só quero a mãe!”

A Leonor, de 2 anos e meio, tem demonstrado uma forte preferência pela mãe nas últimas semanas. Sempre que o pai tenta:

  • dar banho
  • adormecê-la
  • ou ajudá-la quando chora
a Leonor reage com:
  • choro intenso
  • gritos: “Não! Sai! Quero a mãe!”
  • empurra o pai e agarra-se à mãe
A mãe começa a sentir-se sobrecarregada e o pai sente-se triste e rejeitado. Num dos dias, o pai insiste em ficar com a Leonor ao deitar. Ela chora ainda mais, chama pela mãe e não se acalma.

Vinculação e relação com os pais

Pergunta de reflexão

“O que farias no momento em que a criança diz "só quero a mãe/pai’?”

Obrigada

Para o pai/mãe “rejeitado”:
  • manter presença calma;
  • não desistir nem afastar-se emocionalmente;
  • criar momentos positivos (brincar, rir, sem pressão).
Para o pai/mãe “preferido”:
  • não reforçar exclusividade
  • incluir o outro de forma natural
Ex: “O pai também pode ajudar-te.”

Resultado: A criança sente:

  • “Estou segura”
  • “Tenho para onde voltar”

O que evitar
  • Levar para o lado pessoal
  • Dizer: “Então vai só para a mãe/pai!”
  • Forçar interação
  • Competir pelo afeto