Não, não e NÃO:
e agora?
Módulo 4 - Vinculação e relação com os pais
Índice
01 · Vinculação e relação com os pais
05 · Preferência por um dos pais
06 · Ansiedade de separação
02 · Base teórica
03 · Objetivo da vinculação
07 · Caso prático
04 · Tipos de vinculação
04
Vinculação e relação com os pais
Vinculação e relação com os pais
Base teórica — John Bowlby
Teoria da Vinculação A Teoria da Vinculação defende que a criança nasce biologicamente preparada para:
- criar laços emocionais fortes
- procurar proximidade e proteção junto de figuras cuidadoras
Isto não é aprendido, é instintivo e essencial à sobrevivência.
Vinculação e relação com os pais
Porque é que isto existe?
Do ponto de vista evolutivo: Um bebé/criança pequena depende totalmente do adulto para:
- proteção
- alimentação
- regulação emocional
Por isso, o cérebro “programa” comportamentos como:
- chorar
- procurar colo
- agarrar-se
- seguir o adulto
Estes comportamentos não são “manhas”, são estratégias de sobrevivência emocional e física.
Vinculação e relação com os pais
Objetivo da vinculação
Sentir-se segura para explorar o mundo Parece simples… mas é mesmo a base de tudo. Quando a criança sente:
- segurança
- previsibilidade
- resposta do adulto
ganha confiança para:
- explorar o ambiente
- brincar
- aprender
- desenvolver autonomia
Vinculação e relação com os pais
O “efeito elástico” da vinculação
A criança funciona como um elástico:
- afasta-se para explorar
- volta ao adulto para se “recarregar” emocionalmente
Este movimento é saudável e esperado. Se a base for segura:
- explora mais
- arrisca mais
- desenvolve-se melhor
Vinculação e relação com os pais
Tipos de vinculação
Através da experiência da “Situação Estranha”, de Mary Ainsworth, identificou diferentes tipos de vinculação:
- Segura → procura o adulto e acalma-se com ele
- Insegura evitante → evita contacto
- Insegura ambivalente → procura, mas não se acalma facilmente
O tipo de vinculação depende da forma como o adulto responde às necessidades da criança.
Vinculação e relação com os pais
“A criança não precisa de um adulto perfeito… precisa de um adulto disponível e consistente.”
Vinculação e relação com os pais
Quando a criança:
- chora
- chama
- quer colo
- não quer largar o pai/mãe
Vinculação e relação com os pais
O que é uma ligação emocional segura?
Uma vinculação segura acontece quando o adulto:
- responde de forma consistente
- é emocionalmente disponível
- transmite segurança
Vinculação e relação com os pais
Porque é tão importante?
Uma ligação segura permite:
- melhor regulação emocional
- mais confiança
- maior autonomia (sim, autonomia nasce da segurança!)
Vinculação e relação com os pais
Preferência por um dos pais
Muito comum entre os 2-3 anos Nesta fase, a criança pode:
- querer estar só com um dos pais
- rejeitar o outro de forma intensa (e às vezes dramática)
- alternar preferências ao longo do tempo
Vinculação e relação com os pais
Preferência por um dos pais
Como isto aparece no dia a dia Exemplos reais:
- “Não quero o pai! Quero a mãe!”
- “Sai daqui!” (dito com convicção de CEO de 2 anos)
- Chorar quando o “pai errado” tenta ajudar
- Recusar colo, banho ou adormecer com um dos pais
- Aceitar um e rejeitar o outro… no mesmo dia
Vinculação e relação com os pais
Preferência por um dos pais
Característica importante É uma fase, não é permanente! Pode durar dias, semanas… ou ir e vir. Pode mudar sem aviso (hoje é a mãe, amanhã é o pai). Não é uma escolha racional → é emocional!
Vinculação e relação com os pais
Preferência por um dos pais
O que está por trás disto? (Segundo John Bowlby) A criança:
- procura a figura que sente como mais reguladora naquele momento
- associa essa pessoa a segurança, conforto e previsibilidade
- usa essa preferência para lidar com emoções intensas
Ou seja:
- Não é sobre “gostar mais”
- É sobre sentir-se mais segura naquele momento
Vinculação e relação com os pais
Preferência por um dos pais
O impacto nos pais Para o pai/mãe “rejeitado” pode ser:
- doloroso
- frustrante
- até injusto
Pensamentos comuns:
- “Ela não gosta de mim…”
- “Só quer o outro…”
(Realidade: não é nada disso)
Vinculação e relação com os pais
“A preferência não mede amor… mede necessidade emocional naquele momento.”
Limites e Disciplina
Preferência por um dos pais
O que fazer na prática
Para o pai/mãe “preferido”
Para o pai/mãe “rejeitado”
O que evitar
Vinculação e relação com os pais
“A criança não está a escolher um pai… está a procurar segurança da forma que consegue.”
Vinculação e relação com os pais
Preferência por um dos pais
Porque acontece?
- Procura de segurança
- Fase de desenvolvimento emocional
- Maior ligação a quem associa a conforto
- Necessidade de previsibilidade
Não é rejeição real → é necessidade emocional
Vinculação e relação com os pais
Preferência por um dos pais
Como não levar para o lado pessoal
- Não interpretar como rejeição
- Não competir pelo afeto
- Não forçar a criança
Em vez disso:
- manter presença
- respeitar o ritmo
- continuar disponível
Vinculação e relação com os pais
Ansiedade de separação
Muito comum nesta idade A criança pode:
- chorar quando o adulto sai
- agarrar-se
- resistir à separação
Vinculação e relação com os pais
Ansiedade de separação
Porque acontece? A criança:
- já percebe que o adulto pode ir embora
- ainda não tem noção clara do tempo
- teme a ausência prolongada
Vinculação e relação com os pais
Ansiedade de separação
Como ajudar
- despedidas curtas e seguras
- não sair escondido
- manter rotinas
- garantir previsibilidade
Ex: “A mãe vai trabalhar e volta depois.”
Vinculação e relação com os pais
“A segurança não vem de nunca se separar… vem de saber que o adulto volta.”
Caso prático: “Só quero a mãe!”
A Leonor, de 2 anos e meio, tem demonstrado uma forte preferência pela mãe nas últimas semanas. Sempre que o pai tenta:
- dar banho
- adormecê-la
- ou ajudá-la quando chora
a Leonor reage com:
- choro intenso
- gritos: “Não! Sai! Quero a mãe!”
- empurra o pai e agarra-se à mãe
A mãe começa a sentir-se sobrecarregada e o pai sente-se triste e rejeitado. Num dos dias, o pai insiste em ficar com a Leonor ao deitar. Ela chora ainda mais, chama pela mãe e não se acalma.
Vinculação e relação com os pais
Pergunta de reflexão
“O que farias no momento em que a criança diz "só quero a mãe/pai’?”
Obrigada
Para o pai/mãe “rejeitado”:
- manter presença calma;
- não desistir nem afastar-se emocionalmente;
- criar momentos positivos (brincar, rir, sem pressão).
Para o pai/mãe “preferido”:
- não reforçar exclusividade
- incluir o outro de forma natural
Ex: “O pai também pode ajudar-te.”
Resultado: A criança sente:
- “Estou segura”
- “Tenho para onde voltar”
O que evitar
- Levar para o lado pessoal
- Dizer: “Então vai só para a mãe/pai!”
- Forçar interação
- Competir pelo afeto
Mod 4 - Não, não e NÃO - Vinculação e relação com os pais
Ana Margarida Silva
Created on April 10, 2026
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Não, não e NÃO:
e agora?
Módulo 4 - Vinculação e relação com os pais
Índice
01 · Vinculação e relação com os pais
05 · Preferência por um dos pais
06 · Ansiedade de separação
02 · Base teórica
03 · Objetivo da vinculação
07 · Caso prático
04 · Tipos de vinculação
04
Vinculação e relação com os pais
Vinculação e relação com os pais
Base teórica — John Bowlby
Teoria da Vinculação A Teoria da Vinculação defende que a criança nasce biologicamente preparada para:
- criar laços emocionais fortes
- procurar proximidade e proteção junto de figuras cuidadoras
Isto não é aprendido, é instintivo e essencial à sobrevivência.Vinculação e relação com os pais
Porque é que isto existe?
Do ponto de vista evolutivo: Um bebé/criança pequena depende totalmente do adulto para:
- proteção
- alimentação
- regulação emocional
Por isso, o cérebro “programa” comportamentos como:Estes comportamentos não são “manhas”, são estratégias de sobrevivência emocional e física.
Vinculação e relação com os pais
Objetivo da vinculação
Sentir-se segura para explorar o mundo Parece simples… mas é mesmo a base de tudo. Quando a criança sente:
- segurança
- previsibilidade
- resposta do adulto
ganha confiança para:Vinculação e relação com os pais
O “efeito elástico” da vinculação
A criança funciona como um elástico:
- afasta-se para explorar
- volta ao adulto para se “recarregar” emocionalmente
Este movimento é saudável e esperado. Se a base for segura:Vinculação e relação com os pais
Tipos de vinculação
Através da experiência da “Situação Estranha”, de Mary Ainsworth, identificou diferentes tipos de vinculação:
- Segura → procura o adulto e acalma-se com ele
- Insegura evitante → evita contacto
- Insegura ambivalente → procura, mas não se acalma facilmente
O tipo de vinculação depende da forma como o adulto responde às necessidades da criança.Vinculação e relação com os pais
“A criança não precisa de um adulto perfeito… precisa de um adulto disponível e consistente.”
Vinculação e relação com os pais
Quando a criança:
Vinculação e relação com os pais
O que é uma ligação emocional segura?
Uma vinculação segura acontece quando o adulto:
Vinculação e relação com os pais
Porque é tão importante?
Uma ligação segura permite:
Vinculação e relação com os pais
Preferência por um dos pais
Muito comum entre os 2-3 anos Nesta fase, a criança pode:
Vinculação e relação com os pais
Preferência por um dos pais
Como isto aparece no dia a dia Exemplos reais:
Vinculação e relação com os pais
Preferência por um dos pais
Característica importante É uma fase, não é permanente! Pode durar dias, semanas… ou ir e vir. Pode mudar sem aviso (hoje é a mãe, amanhã é o pai). Não é uma escolha racional → é emocional!
Vinculação e relação com os pais
Preferência por um dos pais
O que está por trás disto? (Segundo John Bowlby) A criança:
- procura a figura que sente como mais reguladora naquele momento
- associa essa pessoa a segurança, conforto e previsibilidade
- usa essa preferência para lidar com emoções intensas
Ou seja:Vinculação e relação com os pais
Preferência por um dos pais
O impacto nos pais Para o pai/mãe “rejeitado” pode ser:
- doloroso
- frustrante
- até injusto
Pensamentos comuns:- “Ela não gosta de mim…”
- “Só quer o outro…”
(Realidade: não é nada disso)Vinculação e relação com os pais
“A preferência não mede amor… mede necessidade emocional naquele momento.”
Limites e Disciplina
Preferência por um dos pais
O que fazer na prática
Para o pai/mãe “preferido”
Para o pai/mãe “rejeitado”
O que evitar
Vinculação e relação com os pais
“A criança não está a escolher um pai… está a procurar segurança da forma que consegue.”
Vinculação e relação com os pais
Preferência por um dos pais
Porque acontece?
- Procura de segurança
- Fase de desenvolvimento emocional
- Maior ligação a quem associa a conforto
- Necessidade de previsibilidade
Não é rejeição real → é necessidade emocionalVinculação e relação com os pais
Preferência por um dos pais
Como não levar para o lado pessoal
- Não interpretar como rejeição
- Não competir pelo afeto
- Não forçar a criança
Em vez disso:Vinculação e relação com os pais
Ansiedade de separação
Muito comum nesta idade A criança pode:
Vinculação e relação com os pais
Ansiedade de separação
Porque acontece? A criança:
Vinculação e relação com os pais
Ansiedade de separação
Como ajudar
- despedidas curtas e seguras
- não sair escondido
- manter rotinas
- garantir previsibilidade
Ex: “A mãe vai trabalhar e volta depois.”Vinculação e relação com os pais
“A segurança não vem de nunca se separar… vem de saber que o adulto volta.”
Caso prático: “Só quero a mãe!”
A Leonor, de 2 anos e meio, tem demonstrado uma forte preferência pela mãe nas últimas semanas. Sempre que o pai tenta:
- dar banho
- adormecê-la
- ou ajudá-la quando chora
a Leonor reage com:- choro intenso
- gritos: “Não! Sai! Quero a mãe!”
- empurra o pai e agarra-se à mãe
A mãe começa a sentir-se sobrecarregada e o pai sente-se triste e rejeitado. Num dos dias, o pai insiste em ficar com a Leonor ao deitar. Ela chora ainda mais, chama pela mãe e não se acalma.Vinculação e relação com os pais
Pergunta de reflexão
“O que farias no momento em que a criança diz "só quero a mãe/pai’?”
Obrigada
Para o pai/mãe “rejeitado”:
Para o pai/mãe “preferido”:
- não reforçar exclusividade
- incluir o outro de forma natural
Ex: “O pai também pode ajudar-te.”Resultado: A criança sente:
O que evitar