O problema da justiça
Nuno Júdice
- 1949-2024
- Estreou-se em 1972
- Poesia, ficção e ensaio
- Professor universitário em Lisboa
- Recebeu vários prémios literários importantes
- Escrita combina reflexão e ironia
Ideia central do poema
Os deuses estão furiosos com os homens,porque os homens não querem saber dos deuses:penso que o castigo não deve estar longee olho para o céu, à espera de ver o Juízo Final. O pior é que o céu está vazio; mas um anjo vem ter comigo, e explica-meporquê: «Já ninguém vai para o inferno. Os condenados metem recurso atrás de recurso, eos arcanjos tiveram um esgotamento. São pedro,que não pode com tantos arguidos a bater-lheà porta para entrar no paraíso, gritandoa presunção de inocência, escondeu-seno meio das nuvens. É por isso que o céuestá cheio de nuvens, para ninguém saberem qual delas se esconde.» E o anjo deu-meum cartão: «Se lhe calhar a si uma condenaçãopara o inferno, ou para o purgatório, telefone-meque eu resolvo tudo. Ganhei todos os casos.» Efoi-se embora, arrastanto as asas, coma pasta a abarrotar de papéis.
O poema transforma o Juízo Final numa espécie de tribunal burocrático
Assim, a justiça divina aparece atrsada, confusa e quase absurda.
O problema da justiça, Nuno Júdice
Expectativa e rutura
o problema da justiça
- Expectativa de castigo divino
- Olhar para o céu com esperança de julgamento
“Os deuses estão furiosos com os homens, porque os homens não querem saber dos deuses: penso que o castigo não deve estar longe e olho para o céu, à espera de ver o Juízo Final. O pior é que o céu está vazio; (...)"
"(...) o céu está vazio (...)"
- Ausência de Deus / de justiça
- Sensação de falha e desorganização
Explicação do anjo
o problema da justiça
- Surge o anjo para explicar a situação
- Início da descrição do funcionamento da “justiça”
“um anjo vem ter comigo, e explica-me porquê: «Já ninguém vai para o inferno. Os condenados metem recurso atrás de recurso (...) São pedro, que não pode com tantos arguidos (...) gritando a presunção de inocência (...)"
"(...) «Já ninguém vai para o inferno. Os condenados metem recurso atrás de recurso (...)"
- Uso de linguagem jurídica
- Justiça apresentada como burocrática e ineficaz
São Pedro e as nuvens
o problema da justiça
- São Pedro responsável pelo julgamento
- Incapacidade de lidar com a quantidade de “arguidos”
“São pedro, que não pode com tantos arguidos a bater-lhe à porta para entrar no paraíso (...) escondeu-se no meio das nuvens. É por isso que o céu está cheio de nuvens, para ninguém saber em qual delas se esconde.»
"(...) São pedro, (...) escondeu-seno meio das nuvens.."
- Nuvens deixam de simbolizar o divino e passam a esconder
- Justiça que se oculta e foge à sua função
Ironia e crítica final
o problema da justiça
- Sistema apresentado como burocrático e bloqueado
- Tom irónico torna-se mais evidente
"(...) «Se lhe calhar a si uma condenação para o inferno, ou para o purgatório, telefone-me que eu resolvo tudo. Ganhei todos os casos.» E foi-se embora, arrastanto as asas, com a pasta a abarrotar de papéis."
"(...)telefone-meque eu resolvo tudo. Ganhei todos os casos. (...)"
- Anjo comporta-se como advogado ou intermediário
- Justiça transformada num sistema manipulável e pouco credível
Juízo Final
Michelangelo
Pintura: ordem e julgamento absoluto Poema: sistema bloqueado e ineficaz Contraste entre ideal e realidade
o problema da justiça
Conclusão
- A justiça no poema não é apenas divina mas também uma crítica à justiça humana.
- Quando presa à burocracia, à linguagem técnica e a processos intermináveis, deixa de cumprir a sua função.
- A pintura de Michelangelo representa a grandeza da justiça divina, enquanto o poema revela a sua falha e lentidão.
O problema da justiça
Diana
Created on April 2, 2026
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O problema da justiça
Nuno Júdice
Ideia central do poema
Os deuses estão furiosos com os homens,porque os homens não querem saber dos deuses:penso que o castigo não deve estar longee olho para o céu, à espera de ver o Juízo Final. O pior é que o céu está vazio; mas um anjo vem ter comigo, e explica-meporquê: «Já ninguém vai para o inferno. Os condenados metem recurso atrás de recurso, eos arcanjos tiveram um esgotamento. São pedro,que não pode com tantos arguidos a bater-lheà porta para entrar no paraíso, gritandoa presunção de inocência, escondeu-seno meio das nuvens. É por isso que o céuestá cheio de nuvens, para ninguém saberem qual delas se esconde.» E o anjo deu-meum cartão: «Se lhe calhar a si uma condenaçãopara o inferno, ou para o purgatório, telefone-meque eu resolvo tudo. Ganhei todos os casos.» Efoi-se embora, arrastanto as asas, coma pasta a abarrotar de papéis.
O poema transforma o Juízo Final numa espécie de tribunal burocrático
Assim, a justiça divina aparece atrsada, confusa e quase absurda.
O problema da justiça, Nuno Júdice
Expectativa e rutura
o problema da justiça
“Os deuses estão furiosos com os homens, porque os homens não querem saber dos deuses: penso que o castigo não deve estar longe e olho para o céu, à espera de ver o Juízo Final. O pior é que o céu está vazio; (...)"
"(...) o céu está vazio (...)"
Explicação do anjo
o problema da justiça
“um anjo vem ter comigo, e explica-me porquê: «Já ninguém vai para o inferno. Os condenados metem recurso atrás de recurso (...) São pedro, que não pode com tantos arguidos (...) gritando a presunção de inocência (...)"
"(...) «Já ninguém vai para o inferno. Os condenados metem recurso atrás de recurso (...)"
São Pedro e as nuvens
o problema da justiça
“São pedro, que não pode com tantos arguidos a bater-lhe à porta para entrar no paraíso (...) escondeu-se no meio das nuvens. É por isso que o céu está cheio de nuvens, para ninguém saber em qual delas se esconde.»
"(...) São pedro, (...) escondeu-seno meio das nuvens.."
Ironia e crítica final
o problema da justiça
"(...) «Se lhe calhar a si uma condenação para o inferno, ou para o purgatório, telefone-me que eu resolvo tudo. Ganhei todos os casos.» E foi-se embora, arrastanto as asas, com a pasta a abarrotar de papéis."
"(...)telefone-meque eu resolvo tudo. Ganhei todos os casos. (...)"
Juízo Final
Michelangelo
Pintura: ordem e julgamento absoluto Poema: sistema bloqueado e ineficaz Contraste entre ideal e realidade
o problema da justiça
Conclusão