Luiza Neto Jorge
marcas discursivas
poema
vida e obra
temáticas
Minibiografia Não me quero com o tempo nem com a moda Olho como um deus para tudo de alto Mas zás! do motor corpo o mau ressalto Me faz a todo o passo errar a coda. Porque envelheço, adoeço, esqueço Quanto a vida é gesto e amor é foda; Diferente me concebo e só do avesso O formato mulher se me acomoda E se nave vier do fundo espaço Cedo raptar-me, assassinar-me, cedo: Logo me leve, subirei sem medo À cena do mais árduo e do mais escasso. Um poema deixo, ao retardador: Meia palavra a bom entendedor.
Resumo da interpretação do poema- A Divisibilidade
O poema mostra que a divisão das coisas ajuda a compreendê-las melhor, não como algo negativo, mas como uma forma de analisar os detalhes. A mulher e o homem são apresentados através de “gestos particulares”, “extremos”, “coloridos”, “arenosos” e “destilados”, o que revela uma análise muito detalhada do corpo e das ações do ser humano, transformando o físico em linguagem. A frase “Se o átomo é divisível só o poeta o diz” destaca o poder da poesia de ir além da lógica e dividir até o que parece indivisível, revelando novas perspectivas. No geral, o poema foca-se em momentos intensos e isolados, dividindo a realidade em pequenas partes para melhor a compreender.
Bibliografia
https://doutrotempo.com/wp-content/uploads/2020/05/1336244858-f.jpg
https://www.escritas.org/pt/t/47769/a-divisibilidade-a-invisibilidade-a-dois
https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/14243/2/13furoresefulgor000073940.pdf
https://www.infopedia.pt/artigos/$luiza-neto-jorge
https://www.escritas.org/pt/t/47769/a-divisibilidade-a-invisibilidade-a-dois
https://www.relampago.pt/luizanetojorge/lnj-biografia.htm
A Divisibilidade: a Invisibilidade a Dois
A mulher divide-se em gestos particulares o homem divide-se também. Se o átomo é divisível só o poeta o diz. a mulher divide-se em gestos extremos coloridos arenosos destilados. dois homens são duas divisões de uma casa que já foi um animal de costas para o seu pólo mágico.
A divisibilidade da luz aclara os mistérios. A mulher tem filhos. Descobrem-se partículas soltas um dedo mínimo o peso menos pesado da balança um cabelo eloquente em desagregação Gestos estrídulos dividem a mulher o homem divide-a ainda.
10.
5.
15.
Temáticas
- O corpo e a sexualidade
- A condição feminina
- A experiência existencial e subjetiva
- A linguagem e a forma poética
- Crítica social e política
- O imaginário e o surrealismo
Luiza Neto Jorge
Luiza Neto Jorge nasceu a 10 de maio de 1939 e passou a infância no bairro dos Anjos, em Lisboa. Esse período foi marcado pela educação sob o regime salazarista e por problemas respiratórios que a acompanharam ao longo da vida, influenciando também a sua escrita. Frequentou o curso de Filologia Românica na Faculdade de Letras de Lisboa, onde conviveu com importantes figuras da cultura portuguesa e publicou os primeiros trabalhos poéticos. Destacam-se A Noite Vertebrada (1960) e a sua participação na coletânea Poesia 61, marco da renovação da poesia portuguesa contemporânea. Entre 1962 e 1970 viveu em Paris, onde exerceu diversas profissões e publicou obras fundamentais, como Terra Imóvel(1964), O Seu a Seu Tempo (1966) e Dezanove Recantos (1969). Nesse período, consolidou uma poesia marcada pelo surrealismo e pela busca de novas formas de expressão. Além da poesia, desenvolveu uma vasta prática editorial como tradutora e colaborou em guiões cinematográficos e adaptações teatrais. Faleceu a 23 de fevereiro de 1989, deixando um legado fundamental para a poesia portuguesa contemporânea. Poucos meses depois foi editado o livro póstumo A Lume, organizado a partir dos manuscritos que deixara preparados. Em 1993, a publicação do volume Poesia reuniu toda a sua obra poética, confirmando-a como uma das vozes mais originais e inovadoras da poesia portuguesa do século XX.
Marcas discursivas
- Fragmentação do discurso – versos interrompidos ou incompletos, criando descontinuidade
- Ausência de pontuação convencional – leitura mais livre e aberta a interpretações
- Linguagem metafórica e simbólica – imagens intensas e muitas vezes de caráter surrealista
- Associações inesperadas de palavras – criação de novos significados e efeitos expressivos
- Jogos linguísticos – exploração criativa da linguagem
- Subjetividade intensa – presença de um “eu” poético forte, por vezes implícito ou fragmentado
- Sobreposição de planos de sentido – mistura entre o real, o imaginário e o corporal
- Tom oscilante – entre o íntimo/pessoal e o crítico/social
Luiza Neto Jorge
Sofia Silva
Created on March 24, 2026
Apresentação oral de português 12ºano
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Luiza Neto Jorge
marcas discursivas
poema
vida e obra
temáticas
Minibiografia Não me quero com o tempo nem com a moda Olho como um deus para tudo de alto Mas zás! do motor corpo o mau ressalto Me faz a todo o passo errar a coda. Porque envelheço, adoeço, esqueço Quanto a vida é gesto e amor é foda; Diferente me concebo e só do avesso O formato mulher se me acomoda E se nave vier do fundo espaço Cedo raptar-me, assassinar-me, cedo: Logo me leve, subirei sem medo À cena do mais árduo e do mais escasso. Um poema deixo, ao retardador: Meia palavra a bom entendedor.
Resumo da interpretação do poema- A Divisibilidade
O poema mostra que a divisão das coisas ajuda a compreendê-las melhor, não como algo negativo, mas como uma forma de analisar os detalhes. A mulher e o homem são apresentados através de “gestos particulares”, “extremos”, “coloridos”, “arenosos” e “destilados”, o que revela uma análise muito detalhada do corpo e das ações do ser humano, transformando o físico em linguagem. A frase “Se o átomo é divisível só o poeta o diz” destaca o poder da poesia de ir além da lógica e dividir até o que parece indivisível, revelando novas perspectivas. No geral, o poema foca-se em momentos intensos e isolados, dividindo a realidade em pequenas partes para melhor a compreender.
Bibliografia
https://doutrotempo.com/wp-content/uploads/2020/05/1336244858-f.jpg
https://www.escritas.org/pt/t/47769/a-divisibilidade-a-invisibilidade-a-dois
https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/14243/2/13furoresefulgor000073940.pdf
https://www.infopedia.pt/artigos/$luiza-neto-jorge
https://www.escritas.org/pt/t/47769/a-divisibilidade-a-invisibilidade-a-dois
https://www.relampago.pt/luizanetojorge/lnj-biografia.htm
A Divisibilidade: a Invisibilidade a Dois
A mulher divide-se em gestos particulares o homem divide-se também. Se o átomo é divisível só o poeta o diz. a mulher divide-se em gestos extremos coloridos arenosos destilados. dois homens são duas divisões de uma casa que já foi um animal de costas para o seu pólo mágico.
A divisibilidade da luz aclara os mistérios. A mulher tem filhos. Descobrem-se partículas soltas um dedo mínimo o peso menos pesado da balança um cabelo eloquente em desagregação Gestos estrídulos dividem a mulher o homem divide-a ainda.
10.
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Temáticas
Luiza Neto Jorge
Luiza Neto Jorge nasceu a 10 de maio de 1939 e passou a infância no bairro dos Anjos, em Lisboa. Esse período foi marcado pela educação sob o regime salazarista e por problemas respiratórios que a acompanharam ao longo da vida, influenciando também a sua escrita. Frequentou o curso de Filologia Românica na Faculdade de Letras de Lisboa, onde conviveu com importantes figuras da cultura portuguesa e publicou os primeiros trabalhos poéticos. Destacam-se A Noite Vertebrada (1960) e a sua participação na coletânea Poesia 61, marco da renovação da poesia portuguesa contemporânea. Entre 1962 e 1970 viveu em Paris, onde exerceu diversas profissões e publicou obras fundamentais, como Terra Imóvel(1964), O Seu a Seu Tempo (1966) e Dezanove Recantos (1969). Nesse período, consolidou uma poesia marcada pelo surrealismo e pela busca de novas formas de expressão. Além da poesia, desenvolveu uma vasta prática editorial como tradutora e colaborou em guiões cinematográficos e adaptações teatrais. Faleceu a 23 de fevereiro de 1989, deixando um legado fundamental para a poesia portuguesa contemporânea. Poucos meses depois foi editado o livro póstumo A Lume, organizado a partir dos manuscritos que deixara preparados. Em 1993, a publicação do volume Poesia reuniu toda a sua obra poética, confirmando-a como uma das vozes mais originais e inovadoras da poesia portuguesa do século XX.
Marcas discursivas