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UC 00795 - PS e Situações de Emergência

Rui Pinto

Created on March 23, 2026

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IMPLEMENTAR NORMAS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO SETOR DO COMÉRCIO E VENDAS

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CAIXA DE PRIMEIROS SOCORROS

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CAIXA DE PRIMEIROS SOCORROS

A caixa de primeiros socorros é um elemento fundamental na gestão de segurança e saúde no trabalho, representando a primeira linha de intervenção em caso de acidentes ou emergências médicas leves. A sua presença é obrigatória em todos os locais de trabalho, conforme definido pelo Decreto-Lei n.º 50/2005, regulamentado pelo Regulamento de Segurança e Saúde no Trabalho (Decreto-Lei n.º102/2009), que estabelece os conteúdos mínimos, manutenção e acessibilidade da caixa de primeiros socorros.

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CAIXA DE PRIMEIROS SOCORROS

A existência de uma caixa de primeiros socorros adequada contribui para:

  • Redução da gravidade das lesões;
  • Intervenção rápida em situações de emergência;
  • Proteção da saúde dos trabalhadores e clientes;
  • Cumprimento das normas legais de SST;
  • Promoção de um ambiente de trabalho seguro e preparado para emergências.

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CAIXA DE PRIMEIROS SOCORROS

A caixa de primeiros socorros é um conjunto organizado de materiais e equipamentos destinados a prestar assistência imediata a ferimentos, acidentes ou situações de saúde súbita até à chegada de cuidados profissionais.

As principais finalidades são:

  • Permitir a intervenção imediata em acidentes leves ou médios;
  • Minimizar complicações decorrentes de atrasos na assistência;
  • Garantir a continuidade da segurança laboral, prevenindo que pequenas lesões se agravem;
  • Sensibilizar e capacitar os trabalhadores para procedimentos de emergência.

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Conteúdo da Caixa de Primeiros Socorros

O conteúdo da caixa de primeiros socorros é essencial para garantir uma intervenção rápida e eficaz em caso de acidentes ou emergências no local de trabalho. Deve incluir materiais e equipamentos adequados à atividade da empresa, capazes de tratar ferimentos leves, pequenas queimaduras, cortes ou situações de mal-estar até à chegada de assistência profissional.

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Conteúdo da Caixa de Primeiros Socorros

O conteúdo mínimo deve ser adequado ao tipo de atividade e dimensão do local de trabalho. No setor do comércio e serviços, recomenda-se incluir:

• Materiais de proteção e higiene: luvas descartáveis, máscaras, toalhetes antissépticos; • Materiais para cuidados com ferimentos: compressas estéreis, gazes, pensos rápidos, esparadrapos, ita adesiva; • Antissépticos e soluções desinfetantes: álcool a 70%, soluções de iodo ou clorexidina; • Instrumentos básicos: tesoura, pinça, termómetro; • Produtos específicos: analgésicos ou pomadas para pequenas queimaduras (de acordo com regulamentação interna e com supervisão médica); • Documentação: ficha de registo de acidentes, instruções de primeiros socorros.

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Localização e Acessibilidade

Para ser eficaz, a caixa de primeiros socorros deve cumprir critérios de acessibilidade e visibilidade:

  • Localizada em áreas de fácil acesso para todos os trabalhadores;
  • Sinalização clara indicando o ponto de primeiros socorros;
  • Protegida de contaminação ou danos, mas sempre disponível em situações de emergência;
  • Em locais de maior risco ou com maior número de trabalhadores, podem ser necessárias caixas adicionais.
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Gestão e Responsabilidades

A gestão eficaz da caixa de primeiros socorros envolve:

1. Designação de responsável: normalmente um trabalhador com formação em primeiros socorros;2. Formação adequada dos colaboradores: treino para utilização correta de materiais e procedimentos; 3. Inspeção e reposição regular: verificação periódica do estado dos produtos e substituição de materiais expirados; 4. Registo de ocorrências: manter histórico de acidentes tratados e uso de materiais para análise de riscos futuros.

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Integração na Cultura de Segurança

A cultura de segurança refere-se ao conjunto de valores, atitudes, competências e comportamentos compartilhados por todos os membros de uma organização, que determina a prioridade atribuída à prevenção de acidentes e à saúde no trabalho. Segundo Reason (1997), a segurança não depende apenas de normas ou equipamentos, mas do compromisso coletivo da organização e dos trabalhadores em identificar, comunicar e mitigar riscos.

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Integração na Cultura de Segurança

A caixa de primeiros socorros não é apenas um equipamento obrigatório, mas um instrumento pedagógico e preventivo:

  • Incentiva os trabalhadores a reconhecer riscos e a agir de forma rápida;
  • Reforça a importância da prevenção em acidentes do dia a dia;
  • Integra-se nos protocolos de emergência, incluindo evacuação, contacto com serviços de saúde e primeiros socorros no local.
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SITUAÇÕES DE EMERGÊNCIA E PRIMEIROS SOCORROS

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SITUAÇÕES DE EMERGÊNCIA E PRIMEIROS SOCORROS

Uma situação de emergência é um evento súbito que representa risco imediato para a vida ou integridade física, saúde ou ambiente de trabalho.

Pode incluir:

  • Acidentes com queda de pessoas ou objetos;
  • Cortes, queimaduras ou choques elétricos;
  • Incêndios;
  • Episódios de asfixia ou engasgamento;
  • Mal súbito, como desmaios ou paragem cardíaca.

Objetivo do reconhecimento precoce: identificar a situação, avaliar riscos e acionar respostas imediatas.

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Regras gerais de atuação em emergências

Princípio Fundamental: A Segurança do Interveniente

Do ponto de vista técnico, este princípio baseia-se na cadeia de controlo do risco: 1. Identificação do perigo; 2. Avaliação do risco; 3. Implementação de medidas de controlo.

A intervenção só deve ocorrer após eliminação ou controlo do risco imediato.

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Modelo Teórico de Atuação: Proteger – Alertar – Socorrer (PAS)

Proteger

Corresponde à avaliação da cenário e eliminação de perigos adicionais. Inclui: • Garantir segurança própria; • Isolar a área; • Afastar curiosos; • Desligar fontes de energia (quando aplicável); • Utilizar Equipamentos de Proteção Individual (EPI).

Esta fase fundamenta-se no princípio da prevenção do agravamento do acidente.

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Modelo Teórico de Atuação: Proteger – Alertar – Socorrer (PAS)

Alertar

Após garantir condições mínimas de segurança, deve ser ativado o sistema integrado de emergência médica (112 em Portugal). A comunicação deve ser: • Clara; • Objetiva; • Estruturada.

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Modelo Teórico de Atuação: Proteger – Alertar – Socorrer (PAS)

Alertar

Elementos essenciais da comunicação:

  • Localização exata;
  • Número de vítimas;
  • Estado aparente das vítimas;
  • Tipo de ocorrência;
  • Riscos adicionais presentes.

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Modelo Teórico de Atuação: Proteger – Alertar – Socorrer (PAS)

Socorrer

Só após proteger e alertar deve iniciar-se a prestação de cuidados imediatos.

A intervenção deve:

  • Ser adequada à formação do interveniente;
  • Limitar-se a técnicas básicas;
  • Evitar práticas invasivas ou para as quais não exista competência.

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Modelo Teórico de Atuação: Proteger – Alertar – Socorrer (PAS)

Socorrer

O objetivo é:

  • Manter funções vitais;
  • Prevenir agravamento;
  • Estabilizar até chegada de ajuda diferenciada.

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Reconhecimento e Atuação em no Local de Trabalho

A Lei n.º 102/2009, de 10 de setembro, estabelece que a entidade empregadora deve assegurar a organização dos meios de primeiros socorros e que os trabalhadores devem receber formação adequada para atuação em situações de risco grave e iminente. A intervenção inicial por parte de trabalhadores não especializados não substitui a atuação médica, mas é determinante na chamada “cadeia de sobrevivência”, conceito amplamente reconhecido na emergência pré-hospitalar. O tempo de resposta nos primeiros minutos influencia diretamente o prognóstico da vítima.

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Reconhecimento e Atuação em Situações de Emergência no Local de Trabalho

Contudo, a atuação deve obedecer a três princípios fundamentais:

1. Rapidez – minimizar o tempo até à intervenção; 2. Segurança – garantir autoproteção e controlo do risco; 3. Limitação técnica – atuar apenas dentro das competências adquiridas.

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Perda de Sentidos (Síncope ou Inconsciência)

A perda de sentidos corresponde a uma alteração súbita do estado de consciência, caracterizada pela incapacidade de resposta adequada a estímulos externos. Pode manifestar-se de forma transitória (síncope) ou prolongada (inconsciência), constituindo sempre uma situação potencialmente grave.

A consciência depende do funcionamento adequado de três componentes fundamentais: 1. Fluxo sanguíneo cerebral adequado; 2. Oxigenação suficiente do cérebro; 3. Atividade elétrica cerebral funcional.

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Perda de Sentidos (Síncope ou Inconsciência)

A síncope é definida como uma perda transitória de consciência, de início súbito, curta duração e recuperação espontânea completa, causada por diminuição temporária do fluxo sanguíneo cerebral.

Principais mecanismos: • Síncope vasovagal (a mais comum): resposta reflexa exagerada que provoca diminuição da frequência cardíaca e da pressão arterial; • Hipotensão ortostática: queda da pressão arterial ao mudar de posição; • Hipoglicemia: redução acentuada da glicose sanguínea; • Desidratação ou calor excessivo; • Situações emocionais intensas; • Dor súbita ou stress agudo.

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Perda de Sentidos (Síncope ou Inconsciência)

Inconsciência Prolongada: Gravidade Clínica

Quando a vítima não recupera espontaneamente em poucos segundos, pode estar perante:• Paragem cardiorrespiratória; • Acidente vascular cerebral; • Trauma craniano; • Intoxicação; • Crise epilética; • Hipóxia grave.

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Perda de Sentidos (Síncope ou Inconsciência)

O reconhecimento precoce baseia-se na observação sistemática:

Sinais prévios (na síncope):• Tonturas; • Visão turva; • Sudorese fria; • Náuseas; • Palidez; • Sensação de fraqueza.

Após a perda de sentidos: • Ausência de resposta verbal ou motora; • Queda súbita; • Alteração do tónus muscular; • Eventual ausência de respiração (casos graves).

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Perda de Sentidos (Síncope ou Inconsciência) - Princípios de atuação

A atuação deve obedecer ao modelo estruturado de emergência, integrando os princípios do Suporte Básico de Vida (SBV).

Avaliação Primária 1. Garantir segurança da cena; 2. Avaliar responsividade (estimulação verbal e tátil); 3. Verificar respiração normal.

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Perda de Sentidos (Síncope ou Inconsciência) - Princípios de atuação

Conduta perante síncope com recuperação rápida

Se a vítima recuperar rapidamente: • Colocar em posição supina; • Elevar membros inferiores (melhorar retorno venoso); • Garantir ventilação adequada; • Afrouxar roupas apertadas; • Monitorizar estado geral.

A elevação dos membros inferiores baseia-se na redistribuição sanguínea para melhorar a perfusão cerebral.

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Perda de Sentidos (Síncope ou Inconsciência) - Princípios de atuação

Conduta perante inconsciência com respiração preservada

• Colocar em posição lateral de segurança; • Manter permeabilidade da via aérea; • Monitorizar continuamente; • Acionar 112.

A posição lateral reduz o risco de obstrução da via aérea por queda da língua ou vómito, prevenindo aspiração.

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Perda de Sentidos (Síncope ou Inconsciência) - Princípios de atuação

Conduta perante ausência de respiração normal

• Acionar 112 imediatamente; • Iniciar compressões torácicas (100–120/minuto); • Utilizar DAE se disponível.

A intervenção imediata aumenta significativamente a probabilidade de sobrevivência.

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Riscos Associados à Perda de Sentidos no Local de Trabalho

Além da causa clínica primária, a queda associada pode provocar: • Traumatismo craniano; • Fraturas; • Lesões vertebrais; • Hemorragias secundárias.

Em ambientes comerciais, a presença de mobiliário, vitrinas ou escadas aumenta o risco de lesão traumática associada.

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Limites da Intervenção

Não deve: • Administrar líquidos a vítima inconsciente; • Sacudir violentamente; • Abandonar a vítima; • Assumir diagnóstico clínico.

A atuação do trabalhador deve limitar-se a: • Avaliação básica; • Manutenção da via aérea; • Aplicação de SBV se necessário; • Monitorização até chegada de ajuda especializada.

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Feridas Abertas e Fechadas

As feridas correspondem a lesões resultantes da ação de um agente externo (mecânico, térmico, químico ou elétrico) que provoca alteração da integridade dos tecidos.

A intervenção precoce é determinante para: • Controlar hemorragias; • Reduzir risco de infeção; • Prevenir complicações sistémicas; • Minimizar incapacidade temporária.

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Classificação das Feridas

FeridasAbertas

Caracterizam-se pela rutura da pele e exposição dos tecidos subjacentes. Podem classificar-se em:

• Incisas – provocadas por objetos cortantes (bordos regulares); • Laceradas – resultantes de trauma com bordos irregulares; • Perfurantes – causadas por objetos pontiagudos; • Avulsões – destacamento parcial ou total de tecido; • Amputações traumáticas – perda completa de segmento corporal.

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Classificação das Feridas

Feridas Fechadas

Não há rutura da pele, mas ocorre lesão interna. Incluem: • Contusões – trauma por impacto com dano capilar; • Hematomas – acumulação de sangue nos tecidos; • Esmagamentos – compressão intensa com possível lesão muscular e vascular profunda.

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Classificação das Feridas

Feridas Fechadas

A ausência de lesão cutânea não exclui gravidade. Hemorragias internas podem evoluir silenciosamente. A pele é a principal barreira protetora contra agentes infecciosos. A sua rutura compromete a integridade do sistema imunitário local.

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principais consequências fisiopatológicas das feridas

Hemorragia

A perda de sangue pode ser: • Capilar (ligeira); • Venosa (fluxo contínuo); • Arterial (fluxo pulsátil e abundante).

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principais consequências fisiopatológicas das feridas

Hemorragia

Hemorragias graves podem evoluir para choque hipovolémico, caracterizado por: • Taquicardia; • Hipotensão; • Palidez; • Sudorese fria; • Alteração do estado de consciência.

A perda significativa de volume sanguíneo compromete a perfusão dos órgãos vitais.

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principais consequências fisiopatológicas das feridas

Processo Inflamatório

Após a lesão, inicia-se uma resposta inflamatória com: • Vasodilatação; • Edema; • Dor; • Rubor.

Esta resposta é fisiológica e necessária para cicatrização, mas pode ser exacerbada em caso de infeção.

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principais consequências fisiopatológicas das feridas

Risco de Infeção

A contaminação da ferida por microrganismos pode originar infeções locais ou sistémicas (ex.: celulite, septicemia).

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Reconhecimento da Gravidade

A avaliação deve considerar: • Extensão da lesão; • Profundidade; • Localização; • Intensidade da hemorragia; • Presença de corpos estranhos; • Estado geral da vítima.

Feridas na face, pescoço, tórax ou abdómen requerem maior vigilância.

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Princípios Teóricos de Atuação em Primeiros Socorros

Segurança

• Garantir autoproteção (uso de luvas, se disponíveis); • Avaliar riscos ambientais.

A proteção contra exposição a fluidos biológicos é essencial para prevenir contaminação cruzada.

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Princípios Teóricos de Atuação em Primeiros Socorros

Controlo da Hemorragia

A compressão direta é o método mais eficaz e prioritário. A pressão direta promove hemostase mecânica e facilita a formação de coágulo. Procedimentos: • Aplicar compressa limpa; • Manter pressão contínua; • Elevar o membro afetado (se não houver fratura suspeita); • Não remover objetos encravados (estabilizar).

A remoção de objetos pode agravar hemorragia por perda do efeito tamponamento.

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Princípios Teóricos de Atuação em Primeiros Socorros

Limpeza e Proteção

Em feridas ligeiras: • Lavar com água corrente; • Remover sujidade visível; • Cobrir com penso estéril.

Não aplicar substâncias caseiras ou irritantes.

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Princípios Teóricos de Atuação em Primeiros Socorros

Feridas Fechadas – Protocolo RICE

• Rest (Repouso); • Ice (Gelo protegido); • Compression (Compressão moderada); • Elevation (Elevação).

O gelo reduz fluxo sanguíneo local e edema, limitando resposta inflamatória excessiva.

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Complicações Potenciais

Sem intervenção adequada, podem ocorrer: • Choque hipovolémico; • Infeção local ou sistémica; • Necrose tecidular; • Síndrome compartimental (em esmagamentos); • Incapacidade funcional prolongada.

A identificação precoce de sinais de agravamento é fundamental.

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Limites da Intervenção do Trabalhador

A atuação deve restringir-se a: • Controlo de hemorragias externas; • Proteção da ferida; • Monitorização do estado geral; • Acionamento dos serviços de emergência quando necessário.

Não deve incluir: • Suturas improvisadas; • Administração de medicamentos; • Exploração profunda da ferida; • Tentativa de realinhamento ósseo.

O princípio orientador é a intervenção proporcional às competências adquiridas.

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Queimaduras

As queimaduras são lesões tecidulares resultantes da ação de agentes térmicos, químicos, elétricos ou radiação, que provocam destruição parcial ou total da pele e, em casos mais graves, de estruturas subjacentes.

No contexto do comércio e serviços, podem ocorrer em diversas situações:

• Contacto com superfícies quentes (equipamentos, cafetarias, cozinhas); • Derrame de líquidos aquecidos; • Manuseamento de produtos químicos de limpeza; • Incêndios; • Acidentes elétricos.

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Queimaduras

A pele é o maior órgão do corpo humano e desempenha funções essenciais: • Proteção contra agentes externos; • Regulação térmica; • Controlo da perda de líquidos; • Barreira contra infeções; • Função sensorial.

Uma queimadura compromete estas funções, podendo desencadear alterações sistémicas significativas, especialmente quando extensa.

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Classificação das Queimaduras

A gravidade da lesão depende de quatro fatores principais: 1. Temperatura do agente agressor; 2. Tempo de exposição; 3. Extensão da superfície corporal afetada; 4. Profundidade da lesão.

Cada tipo possui mecanismos fisiopatológicos específicos, mas todos podem causar destruição celular e inflamação intensa.

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Classificação das Queimaduras - Quanto à profundidade

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Fisiopatologia das Queimaduras

a) Destruição celular O calor ou agente agressor provoca desnaturação de proteínas e morte celular. b) Resposta inflamatória O organismo desencadeia libertação de mediadores inflamatórios, provocando: • Vasodilatação; • Aumento da permeabilidade capilar; • Edema; • Dor.

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Fisiopatologia das Queimaduras

c) Perda de líquidos Em queimaduras extensas, ocorre extravasamento de plasma, podendo evoluir para choque hipovolémico. d) Risco de infeção A perda da barreira cutânea expõe tecidos a microrganismos, aumentando risco de infeções locais e sistémicas.

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Reconhecimento da Gravidade

Devem ser considerados critérios de gravidade: • Extensão superior a 10% da superfície corporal em adultos; • Envolvimento de face, mãos, pés, genitais ou articulações; • Queimaduras químicas ou elétricas; • Presença de dificuldade respiratória (inalação de fumo); • Vítima idosa ou com doença crónica.

No ambiente laboral, queimaduras associadas a incêndio exigem especial atenção à possível intoxicação por fumos.

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Princípios Teóricos de Atuação em Primeiros Socorros

Segurança do Cenário

• Garantir ausência de risco ativo (fogo, produto químico, eletricidade); • Utilizar proteção individual se disponível. A autoproteção evita multiplicação de vítimas.

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Princípios Teóricos de Atuação em Primeiros Socorros

Interrupção do agente causal

• Afastar a vítima da fonte de calor; • Remover roupa em chamas (sem arrancar tecidos aderentes); • Em queimaduras químicas, remover vestuário contaminado.

A interrupção rápida do agente limita a progressão da lesão.

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Princípios Teóricos de Atuação em Primeiros Socorros

Arrefecimento

Aplicar água corrente à temperatura ambiente durante 10 a 20 minutos. O arrefecimento precoce reduz a temperatura tecidular, limita a extensão da necrose e diminui a dor. Não utilizar: • Gelo direto; • Substâncias caseiras; • Pomadas ou cremes não prescritos.

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Princípios Teóricos de Atuação em Primeiros Socorros

Avaliação geral

• Monitorizar sinais vitais; • Identificar sinais de choque; • Acionar 112 em casos moderados ou graves.

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Princípios Teóricos de Atuação em Primeiros Socorros

Queimaduras Químicas – Especificidades

O contacto com produtos corrosivos exige: • Lavagem abundante e prolongada com água; • Remoção imediata de vestuário contaminado; • Evitar neutralizações químicas improvisadas. A irrigação dilui e remove o agente agressor, reduzindo dano contínuo.

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Princípios Teóricos de Atuação em Primeiros Socorros

Queimaduras Elétricas – Particularidades

Podem provocar: • Arritmias cardíacas; • Paragem cardiorrespiratória; • Lesões musculares profundas; • Rabdomiólise.

Mesmo com lesões cutâneas discretas, a avaliação médica é obrigatória.

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Princípios Teóricos de Atuação em Primeiros Socorros

Queimaduras Elétricas – Particularidades

A atuação inclui: • Cortar fonte elétrica; • Avaliar consciência e respiração; • Iniciar SBV se necessário; • Encaminhamento urgente.

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Princípios Teóricos de Atuação em Primeiros Socorros

Queimaduras Elétricas – Particularidades

Complicações Potenciais • Choque hipovolémico; • Infeção; • Cicatrização patológica; • Limitação funcional; • Insuficiência respiratória (inalação de fumo).

A gravidade não depende apenas do aspeto visual inicial.

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Limites da Intervenção

O trabalhador deve: • Arrefecer; • Proteger; • Monitorizar; • Acionar emergência.

Não deve: • Aplicar pomadas ou substâncias não indicadas; • Rebentar bolhas; • Retirar tecidos aderentes; • Minimizar queimaduras extensas.

A intervenção deve respeitar o princípio da competência técnica e da não maleficência.

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Choque Elétrico e Eletrocussão

O choque elétrico ocorre quando uma corrente elétrica atravessa o corpo humano, interferindo com o funcionamento normal dos tecidos, particularmente do sistema nervoso, muscular e cardíaco.A eletrocussão corresponde ao choque elétrico com resultado fatal.

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Choque Elétrico e Eletrocussão

No setor do comércio e serviços, apesar de não se tratar de um setor industrial pesado, existem riscos associados a:• Equipamentos elétricos defeituosos; • Extensões e cablagens sobrecarregadas; • Quadros elétricos; • Equipamentos de climatização; • Máquinas de café, fornos, sistemas de iluminação; • Ambientes húmidos.

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Bases Físicas da Corrente Elétrica

Para compreender o impacto no organismo, é necessário considerar quatro variáveis fundamentais:1. Intensidade da corrente (amperagem) – principal determinante da gravidade; 2. Tensão (voltagem); 3. Resistência dos tecidos; 4. Tempo de exposição.

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Bases Físicas da Corrente Elétrica

O corpo humano apresenta resistências variáveis: • Pele seca → maior resistência; • Pele húmida → menor resistência (maior risco); • Tecidos internos → baixa resistência.

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Fisiopatologia do Choque Elétrico

Sistema Cardíaco

A complicação mais grave é a fibrilhação ventricular, uma arritmia fatal caracterizada por contrações cardíacas desorganizadas e ineficazes. Outras possíveis alterações: • Assistolia; • Taquicardias ventriculares; • Bloqueios de condução.

O risco aumenta quando a corrente atravessa o tórax (trajeto mão-mão ou mão-pé).

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Fisiopatologia do Choque Elétrico

Sistema Respiratório

A corrente pode provocar: • Paralisia dos músculos respiratórios; • Depressão do centro respiratório; • Paragem respiratória. A ausência de ventilação eficaz conduz rapidamente à hipóxia cerebral.

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Fisiopatologia do Choque Elétrico

Sistema Nervoso

Podem ocorrer: • Perda imediata de consciência; • Convulsões; • Alterações neurológicas transitórias ou permanentes.

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Fisiopatologia do Choque Elétrico

Sistema Muscular

A contração muscular involuntária pode ser intensa e sustentada. Um fenómeno típico é o “efeito de agarrar”, em que a vítima não consegue largar a fonte elétrica devido à tetania muscular.

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Fisiopatologia do Choque Elétrico

Lesões Térmicas

A corrente elétrica gera calor interno, provocando: • Queimaduras nos pontos de entrada e saída; • Lesões profundas musculares; • Necrose tecidular. Em muitos casos, a extensão interna é mais grave do que o aspeto cutâneo sugere.

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Fatores Determinantes da Gravidade

• Intensidade da corrente; • Tempo de contacto; • Trajeto da corrente pelo corpo; • Condições ambientais (humidade); • Estado de saúde da vítima. A exposição prolongada aumenta exponencialmente o risco de arritmia fatal.

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Reconhecimento Clínico

A vítima pode apresentar: • Perda de consciência; • Paragem cardiorrespiratória; • Queimaduras; • Contrações musculares; • Confusão ou desorientação; • Dor torácica; • Dificuldade respiratória.

Mesmoque aparentemente recuperada, pode desenvolver arritmias horas após o acidente.

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Princípios Teóricos de Atuação em Primeiros Socorros

Segurança do Cenário

Nunca tocar na vítima enquanto estiver em contacto com a fonte elétrica. Procedimentos: • Desligar o quadro elétrico;• Remover a fonte de energia;• Utilizar objeto isolante (madeira seca, plástico) se necessário. A prioridade absoluta é interromper a corrente antes de qualquer contacto físico.

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Princípios Teóricos de Atuação em Primeiros Socorros

Avaliação Primária

Após garantir segurança: 1. Avaliar consciência; 2. Verificar respiração; 3. Avaliar sinais de circulação. Se ausência de respiração normal: • Acionar 112; • Iniciar compressões torácicas; • Utilizar DAE se disponível. A desfibrilhação precoce é determinante em casos de fibrilhação ventricular.

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Princípios Teóricos de Atuação em Primeiros Socorros

Monitorização

Mesmo que a vítima esteja consciente:• Manter em repouso; • Monitorizar sinais vitais; • Encaminhar obrigatoriamente para avaliação médica. As arritmias podem surgir de forma tardia.

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Princípios Teóricos de Atuação em Primeiros Socorros

Tratamento de Queimaduras Associadas

• Arrefecer com água corrente;• Cobrir com compressa limpa; • Não aplicar substâncias.

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Princípios Teóricos de Atuação em Primeiros Socorros

Complicações Potenciais

• Fibrilhação ventricular; • Paragem cardiorrespiratória; • Insuficiência respiratória; • Rabdomiólise; • Lesão renal secundária; • Lesões neurológicas permanentes. A mortalidade está frequentemente associada a atraso na desfibrilhação.

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Limites da Intervenção do Trabalhador

O trabalhador deve: • Garantir segurança; • Interromper fonte elétrica; • Avaliar funções vitais; • Iniciar SBV se necessário; • Acionar emergência médica.

Não deve: • Reentrar em área energizada; • Manipular quadros elétricos sem competência; • Minimizar sintomas após recuperação aparente.

A atuação deve ser rápida, segura e dentro das competências adquiridas.

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Ataque Cardíaco (Enfarte Agudo do Miocárdio)

O Enfarte Agudo do Miocárdio (EAM), vulgarmente designado por ataque cardíaco, corresponde à necrose (morte) de uma parte do músculo cardíaco resultante da interrupção súbita do fluxo sanguíneo numa artéria coronária. Trata-se de uma emergência médica tempo-dependente: quanto mais cedo for restabelecida a circulação coronária, maior a probabilidade de sobrevivência e menor a extensão da lesão cardíaca.

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Bases Anatómicas e Fisiológicas

O coração é irrigado pelas artérias coronárias, responsáveis pelo fornecimento de oxigénio e nutrientes ao músculo cardíaco (miocárdio). O EAM ocorre geralmente devido a: 1. Formação de placa aterosclerótica na parede arterial; 2. Rutura dessa placa; 3. Formação de trombo (coágulo); 4. Obstrução total ou quase total da artéria.

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Fatores de Risco

Os principais fatores de risco incluem: • Hipertensão arterial; • Diabetes mellitus; • Dislipidemia; • Tabagismo; • Obesidade; • Sedentarismo; • Stress crónico; • História familiar de doença cardiovascular; • Idade avançada.

No ambiente laboral, o stress ocupacional e estilos de vida sedentários podem contribuir para o risco cardiovascular.

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Manifestações Clínicas

Sintomas clássicos

• Dor torácica opressiva (sensação de aperto ou peso); • Irradiação para braço esquerdo, mandíbula, dorso ou epigastro; • Duração superior a 20 minutos; • Sudorese fria; • Náuseas e vómitos; • Falta de ar; • Ansiedade intensa.

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Manifestações Clínicas

Apresentações atípicas

Mais frequentes em mulheres, idosos e diabéticos: • Desconforto abdominal; • Fadiga extrema; • Tonturas; • Sensação de indigestão; • Ausência de dor torácica evidente. A diversidade sintomática reforça a importância do reconhecimento precoce.

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Complicações Potenciais

O enfarte pode evoluir para: • Arritmias graves (fibrilhação ventricular); • Paragem cardiorrespiratória; • Insuficiência cardíaca aguda; • Choque cardiogénico.

A fibrilhação ventricular é a principal causa de morte súbita nas primeiras horas após o início do enfarte.

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Cadeia de Sobrevivência

A abordagem ao EAM integra o conceito de cadeia de sobrevivência, que inclui: I. Reconhecimento precoce dos sintomas; II. Ativação imediata do sistema de emergência (112); III. Início de Suporte Básico de Vida se necessário; IV. Desfibrilhação precoce (em caso de paragem cardíaca); V. Tratamento hospitalar especializado. Cada minuto de atraso reduz a probabilidade de sobrevivência.

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Princípios Teóricos de Atuação em Primeiros Socorros

Reconhecimento

Perante queixa de dor torácica suspeita: • Valorizar sempre o sintoma; • Não desvalorizar ou atribuir a causas banais; • Observar sinais associados (sudorese, palidez, dispneia).

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Princípios Teóricos de Atuação em Primeiros Socorros

Ativação de Emergência

Acionar imediatamente o 112. A intervenção precoce permite acesso rápido a terapêutica especializada (angioplastia ou trombólise), fundamentais para limitar a necrose miocárdica.

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Princípios Teóricos de Atuação em Primeiros Socorros

Posicionamento e Monitorização

• Colocar a vítima em posição confortável (semi-sentada); • Evitar esforço físico; • Manter ambiente calmo; • Monitorizar estado de consciência e respiração. O repouso reduz a carga de trabalho cardíaco.

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Princípios Teóricos de Atuação em Primeiros Socorros

Evolução para Paragem Cardiorrespiratória

Se a vítima perder consciência e não respirar normalmente: • Iniciar compressões torácicas imediatamente; • Solicitar DAE, se disponível; • Seguir instruções do equipamento. A desfibrilhação precoce pode reverter arritmias fatais.

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Limites da Intervenção do Trabalhador

O trabalhador deve: • Reconhecer sinais suspeitos; • Acionar emergência; • Garantir repouso e monitorização; • Iniciar SBV se necessário.

Não deve: • Administrar medicação sem indicação médica; • Permitir que a vítima retome atividade; • Minimizar sintomas persistentes; • Abandonar a vítima.

A intervenção deve ser proporcional à formação e orientada pelo princípio da não maleficência.

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Entorses e Distensões

As entorses e distensões são lesões traumáticas do sistema músculo-esquelético frequentemente associadas a quedas, movimentos bruscos, esforços excessivos ou posturas inadequadas.

No setor do comércio e serviços, podem ocorrer em situações como: • Quedas em pisos escorregadios; • Transporte manual de cargas; • Movimentos repetitivos; • Uso inadequado de escadas; • Mudanças rápidas de direção em espaços reduzidos.

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Bases Anatómicas

Para compreender estas lesões, importa distinguir as estruturas envolvidas: • Músculos – responsáveis pelo movimento; • Tendões – ligam músculo ao osso; • Ligamentos – ligam os ossos entre si e estabilizam articulações; • Articulações – permitem mobilidade entre segmentos ósseos.

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Definição e Diferenciação

Entorse

É uma lesão ligamentar provocada por torção ou movimento forçado que excede os limites fisiológicos da articulação. Ocorre frequentemente no tornozelo, joelho ou punho. Pode variar entre: • Distensão ligamentar leve; • Rutura parcial; • Rutura total do ligamento.

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Definição e Diferenciação

Distensão Muscular

É uma lesão do músculo ou do tendão resultante de estiramento excessivo ou contração brusca. Pode envolver: • Microrrupturas de fibras musculares; • Rutura parcial; • Rutura completa (casos mais graves). É comum em membros inferiores e região lombar.

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Fisiopatologia da Lesão

Quando ocorre estiramento excessivo: 1. As fibras musculares ou ligamentares sofrem microlesões; 2. Inicia-se resposta inflamatória local; 3. Há aumento da permeabilidade capilar; 4. Ocorre edema e dor.

A inflamação é uma resposta biológica natural que visa iniciar o processo de reparação tecidular.

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Princípios Teóricos de Atuação em Primeiros Socorros

Rest (Repouso)

  • Evitar mobilização da área lesionada.
  • O repouso limita o agravamento da lesão e evita aumento da rutura tecidular.
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Princípios Teóricos de Atuação em Primeiros Socorros

Ice (Gelo)

  • Aplicação de frio local protegido por tecido, durante 15–20 minutos.
  • O frio provoca vasoconstrição, reduzindo edema e inflamação, além de diminuir a condução nervosa da dor.
  • Não aplicar gelo diretamente na pele para evitar queimaduras por frio.
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Princípios Teóricos de Atuação em Primeiros Socorros

Compression (Compressão)

  • Ligadura elástica moderada.
  • A compressão controla edema e estabiliza parcialmente a articulação.
  • Evitar compressão excessiva que comprometa circulação distal.
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Princípios Teóricos de Atuação em Primeiros Socorros

Elevation (Elevação)

  • Elevar o membro acima do nível do coração.
  • Facilita retorno venoso e reduz acumulação de líquidos.
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Monitorização e Encaminhamento

Deve-se procurar avaliação médica quando houver: • Dor intensa persistente; • Incapacidade de suportar peso; • Deformidade visível; • Suspeita de fratura; • Edema progressivo acentuado.

No contexto laboral, o registo do incidente é fundamental para análise de risco e prevenção futura.

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Complicações Potenciais

Sem intervenção adequada podem ocorrer: • Instabilidade articular crónica; • Diminuição da amplitude de movimento; • Dor persistente; • Lesões recorrentes; • Síndrome compartimental (casos raros mas graves).

A reabilitação adequada é determinante para recuperação funcional.

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Limites da Intervenção do Trabalhador

O trabalhador deve: • Aplicar protocolo RICE; • Imobilizar temporariamente; • Monitorizar sinais de agravamento; • Encaminhar para avaliação médica quando indicado.

Não deve: • Tentar manipular articulações instáveis; • Forçar mobilização; • Aplicar calor nas primeiras 24–48 horas; • Minimizar dor intensa ou incapacidade funcional.

A intervenção deve respeitar o princípio da competência técnica e da segurança.

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Envenenamentos

Corresponde à entrada de uma substância tóxica no organismo em quantidade suficiente para provocar.

No contexto laboral, particularmente no setor do comércio e serviços, as situações mais frequentes estão associadas a: • Produtos de limpeza e desinfeção; • Mistura inadequada de químicos (ex.: lixívia + amoníaco); • Inalação de vapores tóxicos em espaços pouco ventilados; • Contacto cutâneo com substâncias corrosivas; • Ingestão acidental; • Exposição a pesticidas ou solventes; • Monóxido de carbono em espaços fechados.

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Conceito de Toxicidade

A toxicidade depende de vários fatores: • Tipo de substância; • Dose absorvida; • Via de exposição; • Tempo de contacto; • Características individuais (idade, peso, patologias prévias).

Em toxicologia, aplica-se o princípio clássico: “A dose faz o veneno”.

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Vias de Exposição

Via Digestiva (Ingestão)

• Produtos armazenados incorretamente; • Contaminação alimentar; • Transferência acidental mãos-boca.

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Vias de Exposição

Via Respiratória (Inalação)

• Vapores químicos; • Gases tóxicos; • Aerossóis.

É particularmente perigosa devido à rápida absorção pulmonar.

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Vias de Exposição

Via Cutânea

• Contacto direto com químicos corrosivos; • Absorção através da pele.

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Vias de Exposição

Via Ocular

• Salpicos acidentais; • Projeção de partículas químicas.

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Classificação dos Agentes Tóxicos

1. Substâncias Corrosivas Ex.: ácidos, lixívia concentrada Provocam destruição tecidular imediata.2. Substâncias Irritantes Causam inflamação e dor sem necrose profunda.3. Substâncias Asfixiantes Ex.: monóxido de carbono Comprometem transporte de oxigénio. 4. Substâncias Neurotóxicas Afetam sistema nervoso central. 5. Substâncias Sistémicas Afetam órgãos internos após absorção.

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Fisiopatologia do Envenenamento

Após exposição: 1.O tóxico é absorvido; 2. Entra na corrente sanguínea;3. Distribui-se pelos tecidos;4. Interfere com funções celulares; 5.Pode causar falência orgânica. O tipo de lesão depende do mecanismo de ação:

    • Inibição enzimática;
    • Alteração da oxigenação celular;
    • Necrose tecidular;
    • Alteração neurológica.

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sINAIS E SINTOMAS GERAIS

Sintomas Digestivos

Sintomas Respiratórios

Sintomas Neurológicos

• Náuseas; • Vómitos; • Dor abdominal; • Diarreia.

• Tosse; • Dificuldade respiratória; • Sensação de aperto torácico; • Cianose (casos graves).

• Tonturas; • Confusão; • Convulsões; • Perda de consciência.

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sINAIS E SINTOMAS GERAIS

Sintomas Cutâneos

Sinais Sistémicos Graves

• Vermelhidão; • Queimadura química; • Dor intensa.

• Hipotensão; • Alterações do ritmo cardíaco; • Paragem cardiorrespiratória.

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Princípios Teóricos de Atuação em Primeiros Socorros

A atuação deve obedecer a três princípios fundamentais: 1. Segurança do socorrista; 2. Interrupção da exposição; 3. Ativação rápida de ajuda especializada.

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Atuação por Tipo de Exposição

Inalação

• Remover a vítima para local ventilado; • Afrouxar roupa apertada; • Monitorizar respiração; • Acionar emergência se houver dificuldade respiratória.

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Atuação por Tipo de Exposição

Contacto Cutâneo

• Remover roupa contaminada; • Lavar abundantemente com água corrente durante pelo menos 15 minutos; • Não aplicar substâncias neutralizantes caseiras.

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Atuação por Tipo de Exposição

Contacto Ocular

• Lavar com água corrente ou soro fisiológico durante 15 minutos; • Manter pálpebras abertas; • Encaminhar para avaliação médica.

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Atuação por Tipo de Exposição

Ingestão

• Não induzir o vómito (salvo indicação médica); • Não administrar alimentos ou líquidos sem orientação; • Identificar substância ingerida; • Contactar o Centro de Informação Antivenenos (CIAV).

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Limites da Intervenção do Trabalhador

O trabalhador deve: • Garantir segurança; • Interromper exposição; • Aplicar medidas básicas de descontaminação; • Acionar emergência médica.

Não deve: • Administrar medicamentos; • Provocar vómitos; • Realizar neutralizações químicas; • Subestimar sintomas ligeiros.

A intervenção deve respeitar os limites da formação recebida.

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Gestão e Intervenção em Situações de Incêndio

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Causas de Incêndio no Comércio e Serviços

Principais fatores que podem provocar incêndios em estabelecimentos comerciais:

  • Falhas elétricas: curto-circuito, sobrecarga, ligações defeituosas.
  • Equipamentos de aquecimento mal mantidos.
  • Armazenamento incorreto de produtos inflamáveis.
  • Negligência humana ou uso inadequado de equipamentos.
  • Falta de manutenção preventiva.
  • Incêndio intencional (doloso) em alguns casos.

Estes fatores podem provocar ignição e rápida propagação do fogo.

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Tipos de Incêndios

Os incêndios são classificados conforme o material combustível:

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Sistemas de Deteção de Incêndios

Os sistemas de deteção permitem identificar rapidamente o início de um incêndio.

Principais componentes:

    • Detetores de fumo.
    • Detetores de calor.
    • Alarmes automáticos.
    • Central de controlo.

Funções principais:

    • Alertar ocupantes do edifício.
    • Permitir evacuação rápida.
    • Acionar sistemas automáticos de combate ao fogo.

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Cada extintor deve ser usado conforme o tipo de incêndio

Tipos de Extintores

Os extintores variam conforme o agente extintor utilizado:

Extintor de águaPara incêndios classe A. Extintor de espumaPara classes A e B. Extintor de pó químicoPara classes A, B e C (mais versátil). Extintor de CO₂Para equipamentos elétricos e líquidos inflamáveis.

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Plano de Ataque e Utilização de Meios de Extinção

O plano de ataque define como agir perante um incêndio.

Objetivos:

    • Proteger pessoas e bens.
    • Controlar a propagação do fogo.
    • Utilizar corretamente os meios de combate.
Passos principais:
    • Avaliar localização e dimensão do fogo
    • Identificar a classe do incêndio
    • Escolher o meio de extinção adequado
    • Comunicar e acionar emergência

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Plano de Ataque e Utilização de Meios de Extinção

Utilização do extintor – Técnica PASS

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Plano de Ataque e Utilização de Meios de Extinção

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Técnicas de Extinção de Incêndios de Gás

Incêndios de gás são perigosos devido à alta inflamabilidade e risco de explosão.

Principais gases envolvidos:

    • Propano.
    • Butano.
    • Metano.
Estratégias de combate:
    • Cortar a fonte de gás (fechar válvulas).
    • Evacuar pessoas da área de risco.
    • Utilizar extintores adequados (pó químico BC ou ABC).
    • Arrefecer materiais próximos para evitar propagação.

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obrigado pela atenção!