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Cartas de amor

Tomás Freire

Created on March 15, 2026

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Transcript

Apresentação oral

Cartas de amor

Biografia de Fernando Pessoa

  • Nasceu dia 13 de junho de 1888;
  • Morreu dia 30 de novembro de 1935;
  • Publicou em vida a obra Mensagem em 1934 ;
  • Ficou conhecido tambem por criar heterónimios;
  • Viveu na África do Sul, trabalhou em Lisboa como tradutor e correspondente comercial, enquanto se dedicava à escrita.

Biografia de Ofélia Queiroz

  • Nasceu a 17 de junho de 1900
  • Faleceu a 18 de julho de 1991
  • Foi a única namorada conhecida de Fernando Pessoa
  • Trabalhou como datilógrafa num escritório
  • Conheceu Fernando Pessoa no seu local de trabalho

História de amor

  • Fernando Pessoa e Ofélia Queiroz conheceram-se em 1919, quando trabalhavam no mesmo escritório;
  • Começaram a aproximar-se e iniciaram uma relação marcada pela troca de cartas de amor;
  • Nessas cartas, Pessoa mostrava um lado mais carinhoso, brincalhão e íntimo, diferente da imagem séria que tinha como poeta;
  • Em 1920, Pessoa decidiu terminar a relação porque acreditava que a sua vida dedicada à literatura não era compatível com um namoro ou casamento;
  • Em 1929 voltaram a encontrar-se e a trocar cartas durante algum tempo, mas a relação acabou novamente.

Para Ofélia Maria Queiroz

Ophelinha: Para me mostrar o seu desprezo, ou, pelo menos, a sua indiferença real, não era preciso o disfarce transparente de um discurso tão comprido, nem da série de «razões» tão pouco sinceras como convincentes, que me escreveu. Bastava dizer-mo. Assim, entendo da mesma maneira, mas dói-me mais. Se prefere a mim o rapaz que namora, e de quem naturalmente gosta muito, como lhe posso eu levar isso a mal? A Ophelinha pode preferir quem quiser: não tem obrigação — creio eu — de amar-me, nem, realmente necessidade (a não ser que queira divertir-se) de fingir que me ama. Quem ama verdadeiramente não escreve cartas que parecem requerimentos de advogado. O amor não estuda tanto as coisas, nem trata os outros como réus que é preciso «entalar». Porque não é franca para comigo? Que empenho tem em fazer sofrer quem não lhe fez mal — nem a si, nem a ninguém —, a quem tem por peso e dor bastante a própria vida isolada e triste, e não precisa de que lha venham acrescentar criando-lhe esperanças falsas, mostrando-lhe afeições fingidas, e isto sem que se perceba com que interesse, mesmo de divertimento, ou com que proveito, mesmo de troça. Reconheço que tudo isto é cómico, e que a parte mais cómica disto tudo sou eu. Eu-próprio acharia graça, se não a amasse tanto, e se tivesse tempo para pensar em outra coisa que não fosse no sofrimento que tem prazer em causar-me sem que eu, a não ser por amá-la, o tenha merecido, e creio bem que amá-la não é razão bastante para o merecer. Enfim... Aí fica o «documento escrito» que me pede. Reconhece a minha assinatura o tabelião Eugénio Silva. 1.3.1920.

Apreciação crítica da carta

  • Tom triste e angustiado ao longo da carta;
  • Presença de alguma ironia especialmente no final;
  • Demonstração de ciúmes por parte de Fernando;
  • Indignação com a atitude de Ofélia Queiroz;
  • Dúvidas sobre se o amor dela foi verdadeiro;
  • Revelação de inseguranças na relação;
  • Mostra que nem todas as cartas de amor apenas se tratam de romance.

Fontes consultadas:

  • http://arquivopessoa.net/textos/1306
  • https://pt.wikipedia.org/wiki/Ofélia_Queiroz
  • https://pt.wikipedia.org/wiki/Fernando_Pessoa

Obrigado!

Apresentação feita por Pedro Sabino nº20 e Tomás Freire nº26

Ophelinha: Para me mostrar o seu desprezo, ou, pelo menos, a sua indiferença real, não era preciso o disfarce transparente de um discurso tão comprido, nem da série de «razões» tão pouco sinceras como convincentes, que me escreveu. Bastava dizer-mo. Assim, entendo da mesma maneira, mas dói-me mais. Se prefere a mim o rapaz que namora, e de quem naturalmente gosta muito, como lhe posso eu levar isso a mal? A Ophelinha pode preferir quem quiser: não tem obrigação — creio eu — de amar-me, nem, realmente necessidade (a não ser que queira divertir-se) de fingir que me ama. Quem ama verdadeiramente não escreve cartas que parecem requerimentos de advogado. O amor não estuda tanto as coisas, nem trata os outros como réus que é preciso «entalar». Porque não é franca para comigo? Que empenho tem em fazer sofrer quem não lhe fez mal — nem a si, nem a ninguém —, a quem tem por peso e dor bastante a própria vida isolada e triste, e não precisa de que lha venham acrescentar criando-lhe esperanças falsas, mostrando-lhe afeições fingidas, e isto sem que se perceba com que interesse, mesmo de divertimento, ou com que proveito, mesmo de troça. Reconheço que tudo isto é cómico, e que a parte mais cómica disto tudo sou eu. Eu-próprio acharia graça, se não a amasse tanto, e se tivesse tempo para pensar em outra coisa que não fosse no sofrimento que tem prazer em causar-me sem que eu, a não ser por amá-la, o tenha merecido, e creio bem que amá-la não é razão bastante para o merecer. Enfim... Aí fica o «documento escrito» que me pede. Reconhece a minha assinatura o tabelião Eugénio Silva. 1.3.1920.