Apresentação oral
Cartas de amor
Biografia de Fernando Pessoa
- Nasceu dia 13 de junho de 1888;
- Morreu dia 30 de novembro de 1935;
- Publicou em vida a obra Mensagem em 1934 ;
- Ficou conhecido tambem por criar heterónimios;
- Viveu na África do Sul, trabalhou em Lisboa como tradutor e correspondente comercial, enquanto se dedicava à escrita.
Biografia de Ofélia Queiroz
- Nasceu a 17 de junho de 1900
- Faleceu a 18 de julho de 1991
- Foi a única namorada conhecida de Fernando Pessoa
- Trabalhou como datilógrafa num escritório
- Conheceu Fernando Pessoa no seu local de trabalho
História de amor
- Fernando Pessoa e Ofélia Queiroz conheceram-se em 1919, quando trabalhavam no mesmo escritório;
- Começaram a aproximar-se e iniciaram uma relação marcada pela troca de cartas de amor;
- Nessas cartas, Pessoa mostrava um lado mais carinhoso, brincalhão e íntimo, diferente da imagem séria que tinha como poeta;
- Em 1920, Pessoa decidiu terminar a relação porque acreditava que a sua vida dedicada à literatura não era compatível com um namoro ou casamento;
- Em 1929 voltaram a encontrar-se e a trocar cartas durante algum tempo, mas a relação acabou novamente.
Para Ofélia Maria Queiroz
Ophelinha: Para me mostrar o seu desprezo, ou, pelo menos, a sua indiferença real, não era preciso o disfarce transparente de um discurso tão comprido, nem da série de «razões» tão pouco sinceras como convincentes, que me escreveu. Bastava dizer-mo. Assim, entendo da mesma maneira, mas dói-me mais. Se prefere a mim o rapaz que namora, e de quem naturalmente gosta muito, como lhe posso eu levar isso a mal? A Ophelinha pode preferir quem quiser: não tem obrigação — creio eu — de amar-me, nem, realmente necessidade (a não ser que queira divertir-se) de fingir que me ama. Quem ama verdadeiramente não escreve cartas que parecem requerimentos de advogado. O amor não estuda tanto as coisas, nem trata os outros como réus que é preciso «entalar». Porque não é franca para comigo? Que empenho tem em fazer sofrer quem não lhe fez mal — nem a si, nem a ninguém —, a quem tem por peso e dor bastante a própria vida isolada e triste, e não precisa de que lha venham acrescentar criando-lhe esperanças falsas, mostrando-lhe afeições fingidas, e isto sem que se perceba com que interesse, mesmo de divertimento, ou com que proveito, mesmo de troça. Reconheço que tudo isto é cómico, e que a parte mais cómica disto tudo sou eu. Eu-próprio acharia graça, se não a amasse tanto, e se tivesse tempo para pensar em outra coisa que não fosse no sofrimento que tem prazer em causar-me sem que eu, a não ser por amá-la, o tenha merecido, e creio bem que amá-la não é razão bastante para o merecer. Enfim... Aí fica o «documento escrito» que me pede. Reconhece a minha assinatura o tabelião Eugénio Silva. 1.3.1920.
Apreciação crítica da carta
- Tom triste e angustiado ao longo da carta;
- Presença de alguma ironia especialmente no final;
- Demonstração de ciúmes por parte de Fernando;
- Indignação com a atitude de Ofélia Queiroz;
- Dúvidas sobre se o amor dela foi verdadeiro;
- Revelação de inseguranças na relação;
- Mostra que nem todas as cartas de amor apenas se tratam de romance.
Fontes consultadas:
- http://arquivopessoa.net/textos/1306
- https://pt.wikipedia.org/wiki/Ofélia_Queiroz
- https://pt.wikipedia.org/wiki/Fernando_Pessoa
Obrigado!
Apresentação feita por Pedro Sabino nº20 e Tomás Freire nº26
Ophelinha: Para me mostrar o seu desprezo, ou, pelo menos, a sua indiferença real, não era preciso o disfarce transparente de um discurso tão comprido, nem da série de «razões» tão pouco sinceras como convincentes, que me escreveu. Bastava dizer-mo. Assim, entendo da mesma maneira, mas dói-me mais. Se prefere a mim o rapaz que namora, e de quem naturalmente gosta muito, como lhe posso eu levar isso a mal? A Ophelinha pode preferir quem quiser: não tem obrigação — creio eu — de amar-me, nem, realmente necessidade (a não ser que queira divertir-se) de fingir que me ama. Quem ama verdadeiramente não escreve cartas que parecem requerimentos de advogado. O amor não estuda tanto as coisas, nem trata os outros como réus que é preciso «entalar». Porque não é franca para comigo? Que empenho tem em fazer sofrer quem não lhe fez mal — nem a si, nem a ninguém —, a quem tem por peso e dor bastante a própria vida isolada e triste, e não precisa de que lha venham acrescentar criando-lhe esperanças falsas, mostrando-lhe afeições fingidas, e isto sem que se perceba com que interesse, mesmo de divertimento, ou com que proveito, mesmo de troça. Reconheço que tudo isto é cómico, e que a parte mais cómica disto tudo sou eu. Eu-próprio acharia graça, se não a amasse tanto, e se tivesse tempo para pensar em outra coisa que não fosse no sofrimento que tem prazer em causar-me sem que eu, a não ser por amá-la, o tenha merecido, e creio bem que amá-la não é razão bastante para o merecer. Enfim... Aí fica o «documento escrito» que me pede. Reconhece a minha assinatura o tabelião Eugénio Silva. 1.3.1920.
Cartas de amor
Tomás Freire
Created on March 15, 2026
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Transcript
Apresentação oral
Cartas de amor
Biografia de Fernando Pessoa
Biografia de Ofélia Queiroz
História de amor
Para Ofélia Maria Queiroz
Ophelinha: Para me mostrar o seu desprezo, ou, pelo menos, a sua indiferença real, não era preciso o disfarce transparente de um discurso tão comprido, nem da série de «razões» tão pouco sinceras como convincentes, que me escreveu. Bastava dizer-mo. Assim, entendo da mesma maneira, mas dói-me mais. Se prefere a mim o rapaz que namora, e de quem naturalmente gosta muito, como lhe posso eu levar isso a mal? A Ophelinha pode preferir quem quiser: não tem obrigação — creio eu — de amar-me, nem, realmente necessidade (a não ser que queira divertir-se) de fingir que me ama. Quem ama verdadeiramente não escreve cartas que parecem requerimentos de advogado. O amor não estuda tanto as coisas, nem trata os outros como réus que é preciso «entalar». Porque não é franca para comigo? Que empenho tem em fazer sofrer quem não lhe fez mal — nem a si, nem a ninguém —, a quem tem por peso e dor bastante a própria vida isolada e triste, e não precisa de que lha venham acrescentar criando-lhe esperanças falsas, mostrando-lhe afeições fingidas, e isto sem que se perceba com que interesse, mesmo de divertimento, ou com que proveito, mesmo de troça. Reconheço que tudo isto é cómico, e que a parte mais cómica disto tudo sou eu. Eu-próprio acharia graça, se não a amasse tanto, e se tivesse tempo para pensar em outra coisa que não fosse no sofrimento que tem prazer em causar-me sem que eu, a não ser por amá-la, o tenha merecido, e creio bem que amá-la não é razão bastante para o merecer. Enfim... Aí fica o «documento escrito» que me pede. Reconhece a minha assinatura o tabelião Eugénio Silva. 1.3.1920.
Apreciação crítica da carta
Fontes consultadas:
Obrigado!
Apresentação feita por Pedro Sabino nº20 e Tomás Freire nº26
Ophelinha: Para me mostrar o seu desprezo, ou, pelo menos, a sua indiferença real, não era preciso o disfarce transparente de um discurso tão comprido, nem da série de «razões» tão pouco sinceras como convincentes, que me escreveu. Bastava dizer-mo. Assim, entendo da mesma maneira, mas dói-me mais. Se prefere a mim o rapaz que namora, e de quem naturalmente gosta muito, como lhe posso eu levar isso a mal? A Ophelinha pode preferir quem quiser: não tem obrigação — creio eu — de amar-me, nem, realmente necessidade (a não ser que queira divertir-se) de fingir que me ama. Quem ama verdadeiramente não escreve cartas que parecem requerimentos de advogado. O amor não estuda tanto as coisas, nem trata os outros como réus que é preciso «entalar». Porque não é franca para comigo? Que empenho tem em fazer sofrer quem não lhe fez mal — nem a si, nem a ninguém —, a quem tem por peso e dor bastante a própria vida isolada e triste, e não precisa de que lha venham acrescentar criando-lhe esperanças falsas, mostrando-lhe afeições fingidas, e isto sem que se perceba com que interesse, mesmo de divertimento, ou com que proveito, mesmo de troça. Reconheço que tudo isto é cómico, e que a parte mais cómica disto tudo sou eu. Eu-próprio acharia graça, se não a amasse tanto, e se tivesse tempo para pensar em outra coisa que não fosse no sofrimento que tem prazer em causar-me sem que eu, a não ser por amá-la, o tenha merecido, e creio bem que amá-la não é razão bastante para o merecer. Enfim... Aí fica o «documento escrito» que me pede. Reconhece a minha assinatura o tabelião Eugénio Silva. 1.3.1920.