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O 25 de Abril - Antes e Depois

Paulo Soares

Created on March 15, 2026

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Passar o Tempo

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Olá, soldado. Chamo-me Salgueiro Maia. Após várias tentativas falhadas de contactar o General Spínola, não nos resta outra opção: vou entrar e falar diretamente com o Presidente do Conselho. Pode acompanhar-me?

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Passar o Tempo

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Olá, jovem. O meu nome é Mário Soares e fui uma das figuras políticas mais importantes no processo de adesão de Portugal à CEE. Vejo que conseguiste chegar longe nesta missão. No entanto, antes de te deixar atravessar esta porta, preciso de testar os teus conhecimentos. Responde com atenção às minhas questões e prova que estás preparado para avançar.

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O Terreiro do Paço

No dia 25 de Abril de 1974, esta praça era o principal centro de poder político do Estado Novo. O Movimento das Forças Armadas (MFA) incluiu-a no plano de operações como um objectivo a ocupar nesse dia, por se tratar de um símbolo do poder a derrubar, mas também por aqui se situarem os Ministérios do Exército e da Marinha, através dos quais o regime poderia interferir na acção militar em curso. A ocupação foi concretizada por uma força da Escola Prática de Cavalaria de Santarém, com cerca de 220 militares comandados pelo capitão Fernando Salgueiro Maia, capitão Mário Tavares de Almeida, tenente Alfredo Correia Assunção e tenente Rui Santos Silva. A esta força juntaram-se outras, enviadas pelo regime para combater os revoltosos. A conquista deste objectivo permitiu concretizar também a ocupação do Banco de Portugal e da Rádio Marconi, que foi comunicada ao Posto de Comando do MFA às 06H10 pelo Capitão Salgueiro Maia, “ocupámos TOLEDO, BRUXELAS e VIENA”.

Ocupação do Terreiro do Paço pelas tropas revolucionárias

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A Tomada do Aeroporto

O capitão Costa Martins da Força Aérea foi o primeiro a chegar ao aeroporto da Portela na madrugada de 25 de Abril. Estava à espera de encontrar os militares de Mafra, mas, como estes não tinham chegado, dirigiu-se à zona militar de Figo Maduro e falou com o oficial de dia, um tenente que estava a dormitar, dizendo-lhe que se tratava de uma revolução, que o aeroporto estava cercado por tropas e que, a partir dali, era ele quem mandava. Os militares acataram as ordens e Costa Martins ficou à espera do pessoal de Mafra, que chegou mais tarde. Depois dirigiu-se com o capitão Rodrigues à parte civil do aeroporto e tomou conta da torre de controlo, interditando todo o espaço aéreo português. Os voos comerciais foram desviados para Espanha e as companhias de aviação queixaram-se, pois queriam saber quem pagava as indemnizações pelos prejuízos resultantes dos desvios. Costa Martins disse-lhes que não tinha dinheiro, mas que alguém haveria de pagar.

Aeroporto de Lisboa que foi tomado pelas forças da Escola prática de Infantaria de Mafra
ESTUDIOS DA RÁDIO TELEVISÃO PORTUGUESA

Localizavam-se aqui os antigos estúdios do Lumiar da Rádio Televisão Portuguesa. O MFA incluiu a RTP no seu plano de operações como objetivo a ocupar, a fim de evitar que o regime a pudesse utilizar em seu favor e também para poder servir como meio de informação ao serviço do Movimento. A ação foi levada a efeito por uma companhia da EPAM com cerca de 100 militares comandados pelo capitão Teófilo da Silva Bento que depois de desarmar os guardas da PSP no local e montar o dispositivo de defesa, comunicou, pelas 03h59, ao PC do MFA: “Acabamos de ocupar MÓNACO sem incidentes”.

Sala técnica da RTP nos estúdios do Lumiar, que foram ocupados pelas tropas da EPAM

Junta de Salvação Nacional

Marcelo Caetano e Américo Tomás foram presos e exilados para a ilha da Madeira e, depois, partiram para o Brasil. Constituiu-se, entretanto, uma Junta de Salvação Nacional, que governaria o país até à formação de um governo provisório e que nomeou o general Spínola Presidente da República. A Junta de Salvação Nacional, de acordo com o Programa do MFA, tomou, de imediato, medidas com vista à democratização do país, como a extinção da polícia política, da Legião Portuguesa e da Mocidade Portuguesa, a abolição da censura, o reconhecimento da liberdade de expressão e de pensamento, e a libertação dos presos políticos. O general Spínola indicou o professor Adelino da Palma Carlos para chefe do governo provisório, o qual deveria preparar eleições democráticas.

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O plano dos centenários

O ensino foi considerado essencial pelo regime, pelo que no Plano dos Centenários, entre os anos 40 e 50, construíram-se mais de 7000 edifícios escolares com mais de 12 000 Salas de Aula. A construção de Escolas continuou até meados da década de 1960. Com escolas nas cidades, vilas e aldeias, o estado procurou diminuir o analfabetismo, aumentado, progressivamente, o ensino obrigatório de três para quatro anos, em 1960, e para seis anos, em 1967.

Virgínia Moura
Maria Inglez
Maria Lamas
O Refugio de Marcelo Caetano

Marcelo Caetano tinha sido alertado pouco depois depois das 04h00 do Golpe Militar. Já estava a dormir quando recebeu o primeiro telefonema do director da PIDE/DGS, Silva Pais, a dar-lhe conta de que a revolução estava na rua e de que os revoltosos ocupavam já pontos estratégicos em Lisboa Pouco depois, recebeu um segundo telefonema de Silva Pais, informando-o de que eram importante sair de casa com maxima urgência. Por Sugestão do chefe da polícia política, Marcelo Caetano procurou refúgio no Quartel-General da GNR, no Largo do Carmo

Quartel do Carmo nos dias de hoje
Culto ao Chefe

Tal como em itália, a consolidação e o robustecimento do Estado Novo passaram pelo culto ao chefe, que fez de Salazar o "salvador da Pátria". Porém, ao contrário de Mussolini, que transmitia uma imagem militarista, agressiva e viril, Salazar mostrava-se avesso às multidões e cultivava a discrição, a austeridade e a moralidade. Neste virtudes, habilmente exploradas pela propaganda, residiu o fundamento do seu carisma.

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O difícil caminho da democracia portuguesa

O programa do MFA assentava em três «D»: Descolonizar, Democratizar e Desenvolver. A democratização de Portugal foi um processo difícil. O primeiro governo provisório, liderado por Palma Carlos, incluiu, entre os seus ministros, Mário Soares (socialista), Álvaro Cunhal (comunista) e Francisco Sá Carneiro (social-democrata). Contudo, divergências quanto ao rumo que o país devia seguir conduziram à queda do governo, logo a 18 de julho. O coronel Vasco Gonçalves foi então nomeado primeiro-ministro.