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Sarau do tearo da trindade

Gaspar

Created on March 13, 2026

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Transcript

Sarau do tearo da trindade

Os maias

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Trabalho realizado por Gaspar Gomes e Gabriel Lopes

Contextualização

Este episódio encontra-se inserido no capítulo XVI d' Os Maias. Insere-se na crónica de costumes (intriga secundária). Porém, parte dele encontra-se inserida na intriga principal.

Objetivos do sarau no Teatro

Ajudar as vítimas das inundações do Ribatejo; Apresentar um tema querido da sociedade lisboeta: a oratória; Reunir novamente as várias camadas de classes mais destacadas, incluindo a família real; Criticar o ultra-romantismo que encharcava o público; Contrastar a festa com a tragédia.

Citações dos Objetivos

Ajudar as vitimas das inundações do Ribatejo; “Rufino estava exaltando uma princesa que dera seiscentos mil réis para os inundados do Ribatejo e ia, a benefício deles, organizar um bazar na Tapada". Reunir as pessoas pertencentes as classes de elevado estatuto social, incluindo a família real, que não compareceu. “E imediatamente Steinbroken queixou-se da ausência da família real…”

Ambiente

Espaço físico: Teatro da Trindade.Tempo: Noite de inverno. Espaço social: Alta sociedade lisboeta analisada através de tipos sociais. Critica-se a superficialidade e a ignorância da classe dirigente. Caracterização da sociedade: Inculta, estática e superficial, deformada pelos excessos e lugares comuns do Ultrarromantismo.

Síntese

  • Ega tenta convencer Carlos a irem ao sarau do teatro da trindade para assistirem à atuação de Cruges;
  • Ega encontrou Alencar que lhe quer apresentar Guimarães, o tio do Dâmaso;
  • Ega e Guimarães falam sobre uma carta que Dâmaso tinha escrito;
  • Atuação de Cruges, no piano, a Sonata Patética, de Beethoven, é ridicularizado;
  • No intervalo do sarau, encontram-se com o Conde e Condessa de Gouvarinho;
  • O Conde fala da sua estadia na Câmara e a Condessa recorda alguns momentos passados com Carlos;
  • Depois do intervalo, Alencar recita "A Democracia";
  • NA saida do Sarau Guimarães vai ter com Ega para lhe dar o cofre e a trágica noticia

Momentos importantes do sarau

Carta de Dâmaso Dâmaso: “A carta de que fala foi escrita pelo João da Ega. Eu era incapaz de tal desacato à nossa querida família. Foi ele que me agarrou na mão, à força, para eu assinar: e eu naquela atrapalhação, sem saber o que fazia, assinei para evitar falatórios.” (…) “não fique pois zangado comigo” Discurso de Rufino Declamação de Alencar representa o romantismo Cofre Já depois do Sarau: Guimarães revela o incesto existente entre Carlos e Maria Eduarda a Ega, entregando-lhe um cofre com vários documentos.

Personagens principais no episódio

Carlos da Maia

“Homem Viajado, culto, requintado, de bom gosto, inteligente, diletante e dandy.” Comportamento: Carlos vê o Eusebiozinho e vai atrás dele e dá-lhe uns "abanões" e um pontapé devido à história da carta.Observa o sarau com espírito crítico funcionando como o olhar do leitor e ajudando a revelar a artificialidade do ambiente social.

João da Ega

“Amigo íntimo de Carlos, estudante de Direito, original, ateu, demagogo, audaz, revolucionário, boémio, satânico, rebelde, sentimental.” Comportamento: Ega e Guimarães acabam por resolver tudo e ficam amigos; Ega descobre que Carlos tem uma irmã, e Guimarães diz tê-los visto aos três numa carruagem: Carlos, Ega e a irmã, Maria Eduarda. Mais tarde, quando Ega se ia embora, Guimarães aparece dizendo lhe que tem um cofre da mãe de Carlos para entregar à família, que esta lhe tinha pedido antes de morrer. Representa: Intelectual moderno e amigo de Carlos da Maia. Importância: Faz um discurso no sarau e representa a tentativa de renovação cultural e intelectual em Portugal, embora também participe no espetáculo social que critica.

Alencar

“Muito Alto, todo abotoado numa casaca preta, face escaveirada, nariz aquilino, longos espessos, românticos bigodes grisalhos, calvo na frente, grenha muito seca, dentes estragados, teatral. Poeta Ultrarromântico.” Comportamento: Declamação de Alencar “Democracia” que encanta a sala; (Carlos e Ega vão ao sarau da Trindade ouvir o Cruges e o Alencar) Alencar é quem apresenta Ega a Guimarães, contribuindo também para o desenlace da tragédia romântica; Representa:Declama poesia sentimental e simboliza uma cultura ultrapassada, mostrando o atraso literário apreciado pela sociedade.

Cruges

“Grenha crespa, olhinhos piscos, nariz espetado, melancólico, tímido, reservado, músico Talentoso não reconhecido.” Comportamento: Recital de Cruges, Cruges toca mas é um fiasco pois ninguém lhe liga nenhuma; Cruges representou um raro talento verdadeiro, incompreendido e alvo de risos.Representa:Classe dos artistas e intelectuais, um modo de vida baseado na sensibilidade e autenticidade, e funciona como contraste com a sociedade lisboeta, evidenciando a sua superficialidade e falta de cultura verdadeira.

Rufino

“Bacharel vindo de Coimbra, considerado um grande orador, bochechudo, de voz tonitruante, mestre da retórica oca e do sentimentalismo fácil.” Comportamento: Abertura do Sarau: É o primeiro a discursar, utilizando uma oratória académica e pomposa que encanta o público menos crítico, mas que Carlos e Ega consideram vazia; A Oratória: O seu discurso foca-se na caridade e nas vítimas das inundações, mas de uma forma tão exagerada e artificial que serve para exemplificar a superficialidade intelectual da época; O Incidente do Leque: Durante a sua prestação, a queda de um leque na plateia causa um pequeno alvoroço, interrompendo momentaneamente o fluxo da sua retórica "irresistível".

Guimarães (Tio de Dâmaso)

Comportamento: Guimarães dirige-se a Ega procurando explicações sobre a carta do sobrinho Dâmaso, que afirmou ao tio que fora Ega a escrevê-la; Guimarães entrega o cofre de Maria Monforte para este entregar a Carlos ou a Maria Eduarda, que chocado com a verdade, decide pedir ajuda a Vilaça para contar tudo a Carlos.

O Público (A Elite Lisboeta)

Gostam do que é fácil: Batem palmas com muita força ao Rufino e ao Alencar, porque os discursos deles são exagerados e cheios de "palavras bonitas", mas sem conteúdo real. Não entendem de arte: Tratam mal o músico Cruges. Enquanto ele toca uma peça difícil ao piano, as pessoas ignoram-no, falam alto e chegam a rir-se dele. Só querem aparecer: Para eles, a festa no teatro é mais para ver quem lá está e fazer fofoca do que para ajudar as vítimas das cheias. Ficam agitados por nada: Dão mais atenção à queda de um leque no chão do que à música ou aos poemas que estão a ser apresentados.

Critica social

Mostra o olhar crítico de Carlos e Ega Simboliza o fracasso cultural de Portugal Integra-se no Realismo. As ovações calorosas dadas a Rufino traduzem o gosto do público por aspetos fúteis, típicos do ultrarromantismo, uma das críticas de Eça de Queirós.Crítica a dois vícios: recurso a imagens de originalidade duvidosa ("O Anjo da Esmola que ele entrevira, além no azul,") e o modo como o auditório se deixa inflamar ("Um largo frémito de emoção passou") por tiradas ocas que, à custa de lugares-comuns de retórica fácil apelam à sensibilização de um público deformado por excessos líricos do Ultrarromantismo. Critica-se a ausência de espírito crítico, a falta de cultura e a superficialidade dos temas de conversa, bem como o gosto caduco dos portugueses que demonstram um sentimentalismo patriótico e social já ultrapassado. Sonata Patética de Beethoven mostra a ignorância mais a insensibilidade artística portuguesa. A ausência da família real no espetáculo de beneficência estabelece uma crítica à monarquia e à sociedade da época. Por fim, o poema “A Democracia” começa por uma descrição romântica e sentimentalista e acaba com uma crítica social: ideias revolucionárias e republicanas.

Linguagem e estilo

Adjetivo“A sala permanecia muda e desconfiada.” Tripla adjetivação “Tudo nela era harmonioso, são, perfeito...”Advérbio “Tranquilamente, os dois recolheram ao Sarau.” Gerúndio “(…) passava a vida adorando e adorava (…)” Intervenções O sr. Guimarães atirou logo a mão num grande cesto. Ah bem! Então era jogo com ele? Repetições “ Vozes sufocadas de gozo mal podiam murmurar: Muito bem, muito bem…”

Conclusão

O sarau no Teatro da Trindade, em Os Maias de Eça de Queirós, reúne a alta sociedade lisboeta num evento cultural marcado por discursos e declamações. Através das personagens e do comportamento do público, o autor critica a superficialidade, o gosto pelas aparências e a falsa cultura da elite portuguesa do século XIX.