A coisa que mais dói no mundo
Escolhi este livro, porque o seu título me chamou à atenção, promovendo a minha reflexão sobre o tema. Por isso, convido-vos a fazer o mesmo: pensem no que, para vocês, é a coisa que mais dói no mundo.
Este livro foi escrito por Paco Liván, a partir de um conto tradicional da Costa do Marfim. As ilustrações são da autoria de Roger Olmos e a obra foi publicada pela OQO Editora.
Guarda inicial
Guarda final
Análise de uma ilustração
Ilustrações
Sobre o livro
Ilustrações
Além disso, o ilustrador recorre frequentemente ao exagero, como nos dentes muito afiados, nas bocas exageradamente abertas e nas expressões dramáticas das personagens, o que lembra um estilo caricatural. Contudo, o cenário das ilustrações é bastante simples, apresentando um céu claro, colinas arredondadas e poucos elementos decorativos (como árvores ou flores). Essa simplicidade faz com que as personagens se destaquem mais nas imagens. Compreendo a razão pela qual o ilustrador escolheu este tipo de ilustrações — com o objetivo de captar a atenção do leitor em cada página e de dar mais personalidade às personagens. Contudo, pessoalmente prefiro ilustrações mais simples e menos estranhas.
Para além do tema do livro, o que mais me chamou a atenção foram as suas ilustrações, sobretudo pelo lado negativo. Isto deve-se ao facto de representarem exatamente aquilo que é descrito ao longo da história, sendo bastante pormenorizadas, um pouco extravagantes e fora do “normal”. Por exemplo, nos desenhos da hiena percebe-se claramente que se trata desse animal, mas o ilustrador Roger Olmos altera alguns detalhes, tornando-a mais estranha.
Análise de uma ilustração
Decidi analisar a seguinte imagem porque foi a que, durante a minha primeira leitura, mais me chamou a atenção, devido à variedade de elementos presentes. Em todas as páginas deste livro, a leitura é feita em dupla página, tal como acontece com as ilustrações. Além disso, para facilitar a leitura dos leitores mais novos, todos os diálogos aparecem a negrito, enquanto a narração surge em letra normal. Nesta página, a lebre e a hiena estão a conversar sobre qual será a coisa que mais dói no mundo, enquanto pescam. A hiena apresenta várias hipóteses que, na sua opinião, poderiam ser as maiores dores do mundo: “a patada de um elefante”, “a dor de dentes” e “a picada de uma vespa”. No entanto, a lebre não aceita nenhuma dessas respostas como sendo a correta.
A ilustração destas páginas mostra a lebre e a hiena a pescarem juntas, enquanto surgem, numa espécie de quadros ilustrativos, representações das respostas dadas pela hiena. À esquerda, aparece a pata de um elefante a pressionar uma balança, que mostra o quão pesada pode ser, simbolizando assim a “patada de um elefante”. No centro, vemos uma boca aberta, com falta de alguns dentes e instrumentos dentários, representando “a dor de dentes”. À direita, surge uma vespa ampliada, simbolizando “a picada de uma vespa”.
Análise de uma ilustração
Outro pormenor interessante é o facto de, na borda do quadro da esquerda, estar escrito «A“K”ME». Segundo a pesquisa realizada, este detalhe parece ser uma referência à marca fictícia ACME Corporation, uma empresa imaginária muito conhecida dos desenhos animados, especialmente da série Looney Tunes. Nesses desenhos, a ACME fabrica todo o tipo de máquinas absurdas, armadilhas e invenções exageradas. Ao utilizar uma palavra semelhante a «ACME», o ilustrador cria a ideia de que aquela máquina faz parte de um equipamento inventado ou experimental, semelhante aos que aparecem nesses desenhos animados. O facto de Roger Olmos escrever «A“K”ME» em vez de «ACME» poderá também servir para evitar usar exatamente o nome original da marca.
Para além disso, nesta ilustração a hiena apresenta uns óculos, elemento que não aparece no resto do livro. Este detalhe pode simbolizar a observação, análise ou reflexão que a personagem faz ao tentar descobrir qual é a coisa que mais dói no mundo. Os óculos também podem sugerir um lado diferente da hiena, dando-lhe temporariamente um ar mais curioso e até mais intelectual, o que contrasta com o seu aspeto mais selvagem e desorganizado no resto da obra. Como referido anteriormente, nesta ilustração é possível observar um cenário bastante simples, o que ajuda a manter o foco nas personagens e nos elementos mais relevantes da cena. Este objetivo também é reforçado pelo uso das cores: o cenário apresenta tons mais claros e suaves, enquanto as personagens e os elementos principais surgem com cores mais escuras e vivas, destacando-se assim na composição da imagem.
Sobre o livro
Na última página do livro, a palavra “mentira” está a negrito para destacar a ideia principal do livro, reforçar a moral da história, criar impacto emocional e facilitar a compreensão do leitor. Concluindo, gostei muito do tema deste livro, pois ele mostra às crianças que todas as suas ações têm consequências, por mais pequenas que possam parecer.
Guarda inicial
A guarda inicial apresenta um fundo minimalista, representando o céu. À esquerda estão representadas várias moscas, que sugerem movimento, contribuindo para dar alguma dinâmica a uma imagem que, à primeira vista, parece quase vazia. Este tipo de ilustração cria uma atmosfera calma e vazia, que funciona como preparação para a história. A simplicidade da imagem permite que o leitor entre gradualmente no universo do livro, sem revelar as personagens e a ação principal.
Guarda final
De facto, a guarda final, mantém o mesmo fundo (representando o céu), criando uma continuidade visual no início e no fim do livro. No entanto, à direita está representado um novo elemento: um bolo colocado no topo de uma coluna clássica, com a expressão “Mmmm...” colocada no seu topo. A sobremesa aparece isolada no canto inferior direto da página, destacando-se no espaço vazio. A expressão apresentada no bolo simboliza um tom irónico. O aumento das moscas nesta guarda pode sugerir as consequências negativas da narrativa. As moscas estão, normalmente, associadas a algo desagradável e sujo, funcionando aqui como uma metáfora visual para algo moralmente errado.
A coisa que mais dói no mundo
Alice Costa
Created on March 9, 2026
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Transcript
A coisa que mais dói no mundo
Escolhi este livro, porque o seu título me chamou à atenção, promovendo a minha reflexão sobre o tema. Por isso, convido-vos a fazer o mesmo: pensem no que, para vocês, é a coisa que mais dói no mundo.
Este livro foi escrito por Paco Liván, a partir de um conto tradicional da Costa do Marfim. As ilustrações são da autoria de Roger Olmos e a obra foi publicada pela OQO Editora.
Guarda inicial
Guarda final
Análise de uma ilustração
Ilustrações
Sobre o livro
Ilustrações
Além disso, o ilustrador recorre frequentemente ao exagero, como nos dentes muito afiados, nas bocas exageradamente abertas e nas expressões dramáticas das personagens, o que lembra um estilo caricatural. Contudo, o cenário das ilustrações é bastante simples, apresentando um céu claro, colinas arredondadas e poucos elementos decorativos (como árvores ou flores). Essa simplicidade faz com que as personagens se destaquem mais nas imagens. Compreendo a razão pela qual o ilustrador escolheu este tipo de ilustrações — com o objetivo de captar a atenção do leitor em cada página e de dar mais personalidade às personagens. Contudo, pessoalmente prefiro ilustrações mais simples e menos estranhas.
Para além do tema do livro, o que mais me chamou a atenção foram as suas ilustrações, sobretudo pelo lado negativo. Isto deve-se ao facto de representarem exatamente aquilo que é descrito ao longo da história, sendo bastante pormenorizadas, um pouco extravagantes e fora do “normal”. Por exemplo, nos desenhos da hiena percebe-se claramente que se trata desse animal, mas o ilustrador Roger Olmos altera alguns detalhes, tornando-a mais estranha.
Análise de uma ilustração
Decidi analisar a seguinte imagem porque foi a que, durante a minha primeira leitura, mais me chamou a atenção, devido à variedade de elementos presentes. Em todas as páginas deste livro, a leitura é feita em dupla página, tal como acontece com as ilustrações. Além disso, para facilitar a leitura dos leitores mais novos, todos os diálogos aparecem a negrito, enquanto a narração surge em letra normal. Nesta página, a lebre e a hiena estão a conversar sobre qual será a coisa que mais dói no mundo, enquanto pescam. A hiena apresenta várias hipóteses que, na sua opinião, poderiam ser as maiores dores do mundo: “a patada de um elefante”, “a dor de dentes” e “a picada de uma vespa”. No entanto, a lebre não aceita nenhuma dessas respostas como sendo a correta.
A ilustração destas páginas mostra a lebre e a hiena a pescarem juntas, enquanto surgem, numa espécie de quadros ilustrativos, representações das respostas dadas pela hiena. À esquerda, aparece a pata de um elefante a pressionar uma balança, que mostra o quão pesada pode ser, simbolizando assim a “patada de um elefante”. No centro, vemos uma boca aberta, com falta de alguns dentes e instrumentos dentários, representando “a dor de dentes”. À direita, surge uma vespa ampliada, simbolizando “a picada de uma vespa”.
Análise de uma ilustração
Outro pormenor interessante é o facto de, na borda do quadro da esquerda, estar escrito «A“K”ME». Segundo a pesquisa realizada, este detalhe parece ser uma referência à marca fictícia ACME Corporation, uma empresa imaginária muito conhecida dos desenhos animados, especialmente da série Looney Tunes. Nesses desenhos, a ACME fabrica todo o tipo de máquinas absurdas, armadilhas e invenções exageradas. Ao utilizar uma palavra semelhante a «ACME», o ilustrador cria a ideia de que aquela máquina faz parte de um equipamento inventado ou experimental, semelhante aos que aparecem nesses desenhos animados. O facto de Roger Olmos escrever «A“K”ME» em vez de «ACME» poderá também servir para evitar usar exatamente o nome original da marca.
Para além disso, nesta ilustração a hiena apresenta uns óculos, elemento que não aparece no resto do livro. Este detalhe pode simbolizar a observação, análise ou reflexão que a personagem faz ao tentar descobrir qual é a coisa que mais dói no mundo. Os óculos também podem sugerir um lado diferente da hiena, dando-lhe temporariamente um ar mais curioso e até mais intelectual, o que contrasta com o seu aspeto mais selvagem e desorganizado no resto da obra. Como referido anteriormente, nesta ilustração é possível observar um cenário bastante simples, o que ajuda a manter o foco nas personagens e nos elementos mais relevantes da cena. Este objetivo também é reforçado pelo uso das cores: o cenário apresenta tons mais claros e suaves, enquanto as personagens e os elementos principais surgem com cores mais escuras e vivas, destacando-se assim na composição da imagem.
Sobre o livro
Na última página do livro, a palavra “mentira” está a negrito para destacar a ideia principal do livro, reforçar a moral da história, criar impacto emocional e facilitar a compreensão do leitor. Concluindo, gostei muito do tema deste livro, pois ele mostra às crianças que todas as suas ações têm consequências, por mais pequenas que possam parecer.
Guarda inicial
A guarda inicial apresenta um fundo minimalista, representando o céu. À esquerda estão representadas várias moscas, que sugerem movimento, contribuindo para dar alguma dinâmica a uma imagem que, à primeira vista, parece quase vazia. Este tipo de ilustração cria uma atmosfera calma e vazia, que funciona como preparação para a história. A simplicidade da imagem permite que o leitor entre gradualmente no universo do livro, sem revelar as personagens e a ação principal.
Guarda final
De facto, a guarda final, mantém o mesmo fundo (representando o céu), criando uma continuidade visual no início e no fim do livro. No entanto, à direita está representado um novo elemento: um bolo colocado no topo de uma coluna clássica, com a expressão “Mmmm...” colocada no seu topo. A sobremesa aparece isolada no canto inferior direto da página, destacando-se no espaço vazio. A expressão apresentada no bolo simboliza um tom irónico. O aumento das moscas nesta guarda pode sugerir as consequências negativas da narrativa. As moscas estão, normalmente, associadas a algo desagradável e sujo, funcionando aqui como uma metáfora visual para algo moralmente errado.