TÉRMINUS DA VIDA DO IDOSO MORTE
Curso: Técnico/a de GeriatriaUFCD: 8915Duração: 25 horas Local: CIAP - Matosinhos Formador: A. Aires Barros
Apresentação
Principal objetivo é introduzir o formando aos aspetos relacionados com o término da vida do idoso, abordando a morte como processo humano e social, bem como capacitá-lo, para apoiar idosos e seus familiares neste momento delicado
"A morte não é nada para nós, pois, quando existimos, a morte não está presente; e quando a morte está presente, já não existimos".
Epicuro
Reflexão sobre o Pensamento
Este pensamento recorda-nos que o medo da morte nasce muitas vezes da antecipação e não da experiência em si, convidando à valorização do presente e da vida enquanto ela existe
+info
Critérios de análise para a verificação do óbito
Apoio à família após a morte
A instituição de saúde deve apoiar familiares e/ou amigos nos procedimentos necessários; Informação sobre serviços fúnebres e outras fontes de apoio; Acompanhamento sensível às necessidades e desejos da família
(WHO, 2023)
Preparação dos profissionais
Necessidade de disponibilidade para falar sobre morte e fim de vida; Apoio também aos colaboradores, especialmente os mais jovens ou inexperientes; Importância da formação e suporte emocional à equipa;
(WHO, 2023)
Políticas institucionais
Existência de procedimentos claros e estruturados Garantia de conforto, dignidade e respeito pelos desejos do residente nos últimos dias; Promoção de uma cultura organizacional humanizada;
(WHO, 2023)
Mecanismos de atuação imediata após o óbito
Comunicação do falecimento de forma calma, reservada e respeitosa; Comunicação formal a outras instituições relacionadas; Organização e entrega dos bens pessoais aos familiares Gestão emocional do grupo de residentes; Definição de representante institucional na cerimónia fúnebre;
(WHO, 2023)
Responsabilidade da organização nos cuidados post-mortem
A instituição assegura os cuidados após o falecimento; Atuação em articulação próxima com familiares ou pessoas significativas; Cumprimento das últimas vontades do cliente, quando previamente expressas Garantia de respeito pela autonomia e dignidade da pessoa até após a morte; Definição de representante institucional na cerimónia fúnebre;
(DGS, 2023)
Confirmação do óbito
O óbito deve ser oficialmente constatado por um médico; Apenas após essa confirmação se iniciam os procedimentos post-mortem; Início imediato da preparação do corpo após a declaração do óbito; Garantia de respeito pela autonomia e dignidade da pessoa até após a morte; Procedimentos realizados com respeito, ética e dignidade;
(DGS, 2022)
Finalidades da preparação
Higiene e identificação: manter o corpo limpo e devidamente identificado; Prevenção de alterações físicas: evitar odores e saída de excreções ou sangue; Início imediato da preparação do corpo após a declaração do óbito; Posicionamento adequado: colocar o corpo numa posição correta antes do aparecimento da rigidez cadavérica;
(DGS, 2022)
Princípios Orientadores
Garantia de dignidade no cuidado post-mortem; Cumprimento de normas técnicas, legais e institucionais; Respeito pela pessoa falecida e pelos familiares;
(DGS, 2022)
Responsabilidade Profissional
A preparação do cadáver é da responsabilidade do enfermeiro responsável pelo doente; O/a técnico/a auxiliar de saúde colabora na execução dos cuidados post-mortem; Garantir o isolamento da unidade do doente (ex.: correr cortinados); Colaboração na remoção de cateteres e outros dispositivos clínicos;
(DGS, 2022)
Responsabilidade Profissional
Realização da higiene corporal, sempre que necessário; Cumprimento das normas institucionais e legais em vigor; Atuação ética e humanizada; Preservação da dignidade da pessoa falecida; Rigor técnico e respeito pelas boas práticas em contexto de saúde;
(DGS, 2022)
Identificação Obrigatória
O cadáver deve ser identificado com duas etiquetas: uma interna e outra externa; A dupla identificação visa garantir segurança, rastreabilidade e prevenção de erros; O transporte deve ser realizado obrigatoriamente em maca específica para cadáveres; Após o transporte, o cadáver deve ser colocado em câmara frigorífica;
(DGS, 2022)
Comunicação prévia e obrigatória
A saída do cadáver da Unidade só ocorre após informação aos familiares; Em caso de impossibilidade de contacto, devem ser informadas as autoridades competentes; Contacto com as forças de segurança da área de residência do falecido (PSP/GNR). A remoção do corpo depende de autorização do enfermeiro responsável;
(DGS, 2022)
Respeito e dignidade no domicílio
Organização do espaço de forma calma e cuidada; Tornar o ambiente o mais harmonioso e esteticamente adequado possível para a família; Colocação do corpo numa cama limpa; Utilização de resguardos absorventes para garantir higiene e conforto visual;
(SNS, 2023)
Princípios Orientadores
Humanização dos cuidados em fim de vida; Apoio emocional à família; Colocação do corpo numa cama limpa; Cumprimento das orientações técnicas e legais vigentes;
(SNS, 2023)
Rigor Mortis
Endurecimento dos músculos após a morte; Surge primeiro nos músculos do maxilar e progride de forma descendente até às perna; Inicia 2-6 horas após a morte, atinge o pico em 12 horas e desaparece em 1-3 dias; O posicionamento do corpo deve ser efetuado ANTES da instalação do rigor mortis;
(Silva, J. 2016)
Info
Livor Mortis
Aparecimento de manchas arroxeadas/púrpura devido ao acúmulo de sangue nas partes mais baixas do corpo por ação da gravidade; Surge entre 20-30 minutos após a morte, com pico em 8-12 horas; A cor vermelho-púrpura resulta da estagnação do sangue nos vasos sanguíneos dependentes
(Silva, J. 2016)
Info
Posicionamento do corpo
Decúbito dorsal (deitado de costas); Corpo direito e alinhado, respeitando a posição anatómica natural; Braços ao longo do corpo ou cruzados sobre o abdómen; Pernas estendidas e unidas paralelamente; Ligeiramente elevada (se necessário) para prevenir saída de fluidos;
(OMS, 2020)
Info
A morte do outro e a própria morte
Cada pessoa atribui significados próprios à morte, influenciados pela idade, experiências de vida, cultura e contexto social; A morte do outro: Envolve o medo do abandono e da separação; Implica a consciência da ausência física e emocional; Pode desencadear sentimentos de tristeza, solidão e insegurança; Em contexto institucional, refere-se à morte de alguém próximo do idoso, seja familiar ou coabitante
(Kübler-Ross. 2014)
A própria morte
Relaciona-se com a consciência da finitude humana; Desperta reflexões sobre o sentido da vida e o momento do fim; Pode gerar ansiedade, medo ou, nalguns casos, aceitação; vivência da morte (do outro ou própria) influencia o equilíbrio emocional; Requer apoio afetivo, escuta ativa e acompanhamento adequado, sobretudo em populações idosas;
(Kübler-Ross. 2014)
As quatro dimensões da morte: Luto Pessoal
Representa a resposta emocional e psicológica face à perda de alguém significativo; Envolve um processo único e subjetivo de adaptação à ausência; Caracteriza-se por fases de choque, negação, revolta, depressão e aceitação; vivência da morte (do outro ou própria) influencia o equilíbrio emocional; A compreensão deste processo é fundamental para um acompanhamento adequado;
(Neimeyer, R. A. 2024)
As quatro dimensões da morte: Morte do Outro
Refere-se à experiência de perder alguém próximo e ao impacto dessa perda; Envolve a confrontação com a finitude alheia e as suas implicações existenciais; Desencadeia processos de luto que variam conforme a relação estabelecida; Os rituais de despedida desempenham um papel crucial no processamento desta perda;
(Neimeyer, R. A. 2024)
A consciência pessoal da morte
Representa a tomada de consciência da própria mortalidade; Implica um exercício de reflexão sobre a finitude humana; Pode gerar ansiedade, mas também promover crescimento pessoal e reavaliação de prioridades; O desenvolvimento desta consciência é essencial para uma vida mais autêntica e significativa;
(Neimeyer, R. A. 2024)
A nossa própria morte
Envolve a aceitação da realidade da própria morte; Requer preparação emocional, espiritual e prática; Inclui questões relacionadas com o processo de morrer, cuidados paliativos e planeamento do fim de vida; A abordagem desta dimensão permite uma morte mais serena e digna;
(Neimeyer, R. A. 2024)
Reações e atitudes
O morto é citado através das palavras de quem vive e das memórias que permanecem; Os mortos estão em silêncio, dependendo dos vivos para serem recordados; O legado do morto perpetua-se através do testemunho dos sobreviventes; o contexto cultural molda a forma como se lida com a perda;
(O'CONNOR, Mary-Frances 2023)
Medo de morrer
Surge o medo do sofrimento físico e psicológico; Existe o receio da indignidade pessoal e da perda de autonomia; O sofrimento alheio desencadeia sentimentos de impotência; A ameaça do desconhecido e do que possa existir depois da morte; O receio básico da própria extinção e do fim da consciência;
(MCFADDEN, J., 2024)
Fatores de contenção ao medo da morte
Maturidade psicológica; Capacidade de enfrentamento (coping); Orientação e envolvimento religioso/espiritual; Idade e etapa do ciclo vital; O medo da morte não é um fenómeno uniforme, variando conforme características individuais, contexto sociocultural e experiências de vida;
(Neimeyer, R. A. 2022)
Representação da morte
A morte assume simultaneamente uma dimensão biológica e simbólica; morte corresponde ao cessar irreversível das funções vitais do organismo; A ausência de atividade cardíaca e respiratória espontânea constituía o principal indicador clínico; Com os avanços da medicina, passou a considerar-se a cessação irreversível do funcionamento de todo o cérebro, incluindo o tronco cerebral; A perda da capacidade corporal de sustentar a consciência pode ser considerada um elemento central na definição de morte;
(Neimeyer, R. A. 2022)
Tipos de Morte
Morte biológica: Corresponde ao fim definitivo das funções vitais do organismo; Morte enquanto fenómeno social: O indivíduo deixa de existir socialmente através de rituais e cerimónias fúnebres; Morte clínica (ou aparente): Caracteriza-se por paragem respiratória e cardíaca e perda de consciência; Morte cerebral: Definida pela cessação irreversível de toda a atividade cerebral;
(DGS, 2022)
Tipos de Morte
Morte natural: Resulta da evolução de doença ou do envelhecimento; Morte súbita: Ocorre de forma inesperada, geralmente em indivíduos aparentemente saudáveis: Perspetiva religiosa e espiritual:Entendida como separação entre corpo e alma;
(DGS, 2022)
A construção do conceito da morte
Irreversibilidade: Refere-se à compreensão de que a morte é um estado definitivo; Universalidade: Corresponde ao reconhecimento de que todos os seres vivos morrem; Maturação conceptual:A educação e o diálogo aberto sobre o tema facilitam uma assimilação saudável e adequada à idade;
(Speece, M. W., & Brent, S. B., 1996)
A construção do conceito da morte
Irreversibilidade: Refere-se à compreensão de que a morte é um estado definitivo; Universalidade: Corresponde ao reconhecimento de que todos os seres vivos morrem; Maturação conceptual:A educação e o diálogo aberto sobre o tema facilitam uma assimilação saudável e adequada à idade;
(Speece, M. W., & Brent, S. B., 1996)
A construção do conceito da morte
Inevitabilidade: A morte é um evento universal e inevitável, que pode ocorrer a qualquer momento na vida de qualquer ser vivo; Não Funcionalidade: Compreensão de que todas as funções vitais cessam após a morte; Causalidade: Compreensão das causas reais e biológicas da morte;
(Speece, M. W., & Brent, S. B., 1996)
Sociedade Portuguesa
A Hospitalização da Morte: Assistiu-se, em Portugal, a uma inversão significativa no local onde ocorre a morte. Em 1969, 76,6% da população morria em casa e apenas 17,9% no hospital; já em 1993, verificou-se que 42,6% morriam em casa contra 47,2% no hospital, representando uma medicalização dos momentos essenciais da vida humana Profissionalização da morte: A gestão da morte tornou-se progressivamente um assunto profissional, mesmo nas pequenas aldeias, com a entrada de empresas internacionais no mercado e a aquisição de pequenos negócios familiares. A morte passou a ser gerida por profissionais, longe da família e do ambiente doméstico
(Cunha, V. 1999)
Grau de rutura do Sistema Familiar
O contexto social e étnico da morte: As diferentes culturas e grupos étnicos possuem rituais, crenças e práticas distintas face à morte, que influenciam diretamente a forma como a família vivencia o luto e se reorganiza após a perda; Suporte social: Determina o tipo e a qualidade do apoio disponível à família enlutada, seja através de redes comunitárias, religiosas ou institucionais, afetando a capacidade de adaptação ao luto; Acumulação de perdas: Famílias que experienciaram múltiplas perdas anteriores tendem a apresentar maior vulnerabilidade no processo de luto atual, podendo desenvolver um luto mais complicado e intenso;
(Rigão et al, 2024)
Promoção do processo de luto
A Aceitação Partilhada da Realidade da Morte e Experiência Partilhada da Morte; A família necessita de desenvolver um reconhecimento compartilhado da realidade da morte, criando um espaço onde cada membro possa expressar a sua compreensão e vivência da perda; Redistribuição de papéis e funções: Cada membro da família ocupa um papel de sentido no sistema de relações que organizam o seu ambiente, exigindo-se que todos os integrantes ressignifiquem os seus papéis e a dinâmica familiar, muitas vezes através de uma redistribuição das funções na família para encontrar um outro sentido e funcionamento;
(Rigão et al, 2024)
ATITUDES PERANTE A MORTE
Recusa: Primeira fase do processo de adaptação à morte; Corresponde à fase de negação e isolamento;Surge quando o doente toma consciência do diagnóstico ou da morte;
Cólera: emergem os sentimentos intensos de raiva; Questionamento frequente: “Porquê eu?”Hostilidade dirigida ao tratamento, aos profissionais de saúde, à família ou a Deus
(Kübler-Ross, E. 2024)
Info
Negociação: O doente procura “ganhar tempo” ou adiar a morte; dirigida a Deus, aos profissionais de saúde ou ao próprio; Intensificação de práticas religiosas ou espirituais;
Depressão: Ocorre quando a negação da doença se torna impossível; Há uma substituição de sentimentos anteriores por um sentimento profundo de perda; O doente prepara-se para o seu fim e para a perda do que mais ama na vida;
Info
(Nunes, P. 2021)
Aceitação: Representa o culminar de todas as reações emocionais; Momento em que o doente se rende perante a iminência da morte; Capacidade de compreender a sua situação com todas as consequências; Doente começa a falar claramente na morte; O doente apoiado alcança a aceitação e morre em paz;
Info
(Kübler-Ross, E. 2020)
IMPORTÂNCIA DE PROPORCIONAR UMA MORTE DIGNA
PROPORCIONAR UMA MORTE DIGNA
A dignidade na morte é um desejo universal, tal como na vida; Existe um anseio comum de morrer sem sofrimento (físico, psicológico ou espiritual); A “boa morte” depende de: contexto social e cultural do doente; evolução da doença;
(WHO, 2023)
Morrer com Qualidade
Cuidados individualizados; Continuidade relacional (ligação com profissionais e família); Trabalho em equipa; Planeamento antecipado; Preparação para a morte
(WHO, 2023)
Estruturas Residenciais
Enfrentam frequentemente solidão; Experienciam perda de autonomia e dignidade; Sofrem alterações físicas indesejadas; Planeamento antecipado; Podem ter ausência de apoio familiar, social ou espiritual no fim da vida;
(Andrade & Coelho, 2024)
Portaria 52/2012
Direito a cuidados paliativos adequados; Direito à Escolha; Direito ao acompanhamento; Direito à informação clínica; Direito à participação nas decisões; Direito à privacidade e confidencialidade; Direito à informação clara sobre internamento;
(DR. 2012)
Luto
O luto é uma reação natural a uma perda significativa; Envolve diversos processos psicológicos; Pode manifestar-se de diferentes formas; Processo de adaptação; Transformação e continuidade;
(Worden, 2018)
Luto Patológico
Caracteriza-se pela intensificação dos sintomas normais do luto; Duração muito longa dos sintomas (+ 6 meses) Características de obsessão; Intensidade dos sintomas; Frequência elevada das manifestações; Duração prolongada do sofrimento;
(Silva, 2024)
Critérios de Diagnóstico
Saudade crónica e persistente; A pessoa deve apresentar quatro ou mais dos seguintes aspetos, várias vezes por dia ou de forma intensa; Dificuldade na aceitação da morte; Incapacidade de confiar nos outros; Amargura ou raiva excessiva relacionadas com a morte; Dificuldade em seguir em frente; Dormência/desapego; Sentimento de vida vazia e sem sentido sem o ente querido; Futuro sombrio; Agitação
(APA, 2022)
Classificação do luto (Sublutos)
Luto traumático: Associado a perda inesperada; Luto inibido: Caracteriza-se por ser retardado, adiado ou "congelado"; Luto crónico: Relacionado com dependência emocional; Luto exagerado: Manifestação intensificada dos sintomas; Luto indizível: Ocorre quando a pessoa é privada do direito de viver o luto ou se encontra afastada;
(Worden, 2018)
Sentimentos no processo de luto
Emocionais: Choro; Suspiros; Tristeza; Depressão; Desespero; Ansiedade; Físicas: Perda de apetite; Perurbações do sono; Agitação; Exaustão; Psicológicas: Recordação; Alucinações; Confusão; Negação; Sonhos; Comportamentais: Isolamento; Consumo de substancias; Procura do falecido;
(Stroebe, 2019)
Tarefas a cumprir no processo do luto
Aceitar a realidade da perda; Trabalhar a dor da perda; Ajustar-se a um mundo sem a pessoa falecida; Ideia-chave sobre o luto: O luto não é um estado, mas um processo;
(Worden, 2018)
Tipos de negação
Factos da perda: Vai desde o mais leve até ao mais grave (Guardar Corpo) Significado da perda: Ser menos significativa do que realmente foi; Irreversibilidade da perda: Esperança da reunião com a pessoa falecida;
(Worden, 2018)
Áreas de ajustamento
Ajustamentos externos: Funcionamento diário no mundo; Ajustamentos internos: Sentido do Self; Ajustamento de crenças: Valores, crenças, considerações sobre o mundo;
(Worden, 2018)
Técnico de Geriatria e a morte
Apoio emocional ao idoso; Promoção do conforto e bem-estar; Apoio à família; Respeito pelos valores e vontades; Preparação para a morte e luto;
(Neto, 2020)
Teoria da Reminiscência
Evocação de memórias, experiências e momentos significativos do passado; Revisão da história de vida de forma organizada; Reforça o sentido da vida e do percurso pessoal; Redução do sentimento de isolamento;
(Butler, 2019)
Terapia da Reminiscência
Intervenção estruturada baseada na recordação orientada; Pode ser realizada individualmente ou em grupo; Utiliza estímulos (fotografias, músicas, objetos, histórias); Promover o bem-estar emocional;
(Woods et al, 2018)
Cuidados paliativos
Abordagem de cuidado centrada na qualidade de vida das pessoas com doenças que ameaçam a continuidade da vida e das suas famílias; O foco está no alívio do sofrimento, físico, psicológico, social e espiritual; Através de prevenção e alívio eficazes da dor e de outros problemas; Fim de vida deve ser vivido com dignidade, conforto e significado;
(Woods et al, 2018)
6 Dimensões dos Cuidados paliativos
Valorizar; Ligar; Fortalecer; Fazer por; Encontrar significado; Preservar integridade;
(Cassel & Meier, 2023)
ÓTIMISMO (APOIO, ACONSELHAMENTO E TERAPEUTICA)
Apoio: Intervenção inicial e informal; fornece presença empática e acolhimento; Aconselhamento: Intervenção profissional ou semi-profissional; estruturada para compreensão e ajustamento; Terapia: Intervenção intensiva para luto complicado ou persistente; realizada por psicólogos ou terapeutas especializados;
(Coelho et al, 2025)
Religião e Espiritualidade
Alívio da ansiedade; Força integradora; Potencial a ser maximizado com o tempo; Preparação para a própria morte; Transcendência; Espiritualidade integradora da personalidade; Significado para a vida e para a morte;
(Kissane & McKenzie, 2024)
Bibliografia
American Psychiatric Association. (2022). Diagnostic and statistical manual of mental disorders: DSM-5-TR (5th ed., text rev.). American Psychiatric Association.
Andrade, A., & Coelho, S. (2024). Caracterização das necessidades em cuidados paliativos em estruturas residenciais para pessoas idosas: Um estudo exploratório. RIAGE – Revista Ibero-Americana de Gerontologia, 5.
Baptista, A. F. M. (2023). Associação entre atitudes perante a morte, a vinculação e o luto: Um estudo transversal na população portuguesa (Master's Thesis). Universidade de Lisboa.
Cassel, C. K., & Meier, D. E. (Eds.). (2023). Care of the seriously ill and dying: The optimal clinical practice and public health approach (2nd ed.). Oxford University Press.
Coelho, A., et al. (2025). Bereavement support guidelines for caregivers in palliative care. Frontiers in Psychology. https://doi.org/10.xxxx
Cunha, V. (1999). A morte do outro. Mudança e diversidade nas atitudes perante a morte. Sociologia, Problemas e Práticas, 31, 103–128. https://sociologiapp.iscte-iul.pt/pdfs/9/110.pdf
Direção-Geral da Saúde. (2022). Norma n.º 015/2013 atualizada – Diagnóstico de morte cerebral e manutenção do potencial dador de órgãos. Lisboa: Autor.
Direção-Geral da Saúde. (2022). Norma n.º 015/2013 atualizada — Procedimentos após verificação do óbito. Lisboa: Autor.
Direção-Geral da Saúde. (2023). Cuidados paliativos e apoio no fim de vida: Orientações técnicas. Lisboa: Autor.
Kübler-Ross, E. (2014). Sobre a morte e o morrer (ed. atualizada). Bertrand Editora.
Kissane, D. W., & McKenzie, M. (2024). Handbook of spirituality, religion, and end-of-life care. Oxford University Press.
Marques, S. M. (2018). Agora e na hora da nossa morte. Tinta-da-China.
McFadden, J. (2024). Nothing to fear: Demystifying death to live more fully. Vermilion.
Neimeyer, R. A. (2022). Techniques of grief therapy: Assessment and intervention (3rd ed.). Routledge.
Neto, I. G. (2020). Cuidados paliativos: Princípios e prática. Lidel.
Nunes, P. (Coord.). (2021). Manual de cuidados paliativos (2ª ed.). Lidel.
O'Connor, M.-F. (2023). O cérebro de luto: Como a mente nos faz aprender com a dor e a perda (Tradução portuguesa). Principium.
Organização Mundial da Saúde. (2020). Infection prevention and control for the safe management of a dead body in the context of COVID-19: Interim guidance. WHO.
Portaria n.º 52/2012. (2012). Define os direitos e deveres do doente em cuidados paliativos. Diário da República, 1.ª série.
Rigão, G. S., et al. (2024). Família e luto: Revisando as contribuições empíricas entre 2010 e 2020. Psicologia Argumento, 42(116). https://doi.org/10.7213/psicolargum.42.116.AO14
Silva, G. B. (2024). Uma perda pode ser patológica? Uma revisão sistemática acerca do luto patológico (2010–2020). Revista Sul-Americana de Psicologia, 11(2), 57–77. https://doi.org/10.29344/2318650X.2.3476
Silva, J. F. (2016). Alterações cadavéricas ou post mortem. In M. C. Peleteiro (Coord.), Manual de necrópsia veterinária (pp. 19–36). Lidel.
Speece, M. W., & Brent, S. B. (1996). The development of children’s understanding of death. In C. A. Corr & D. M. Corr (Eds.), Handbook of childhood death and bereavement. Springer Publishing Company.
Stroebe, M., Schut, H., & Boelen, J. (2019). The dual process model of coping with bereavement: A decade on. OMEGA - Journal of Death and Dying, 90(2), 269–284. https://doi.org/10.1177/0030222819864767
Worden, J. W. (2018). Grief counseling and grief therapy: A handbook for the mental health practitioner (5th ed.). Springer Publishing Company.
World Health Organization. (2023). Integrating palliative care and symptom relief into primary health care: A WHO guide for planners, implementers, and managers. WHO.
Serviço Nacional de Saúde. (2023). Cuidados paliativos domiciliários: Guia de boas práticas. Lisboa: Autor.
Woods, B., O’Philbin, L., Farrell, E. M., Spector, A. E., & Orrell, M. (2018). Reminiscence therapy for dementia. Cochrane Database of Systematic Reviews. https://doi.org/10.xxxx
FIM
RIGOR MORTIS
CÓLERA
ACEITAÇÃO
Quem foi Epicuro?
filósofo grego antigo, fundador do Epicurismo, uma escola filosófica que influenciou profundamente o pensamento ocidental sobre ética, felicidade e a natureza da realidade
NEGOCIAÇÃO
LIVOR MORTIS
TÉRMINUS DA VIDA DO IDOSO MORTE
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TÉRMINUS DA VIDA DO IDOSO MORTE
Curso: Técnico/a de GeriatriaUFCD: 8915Duração: 25 horas Local: CIAP - Matosinhos Formador: A. Aires Barros
Apresentação
Principal objetivo é introduzir o formando aos aspetos relacionados com o término da vida do idoso, abordando a morte como processo humano e social, bem como capacitá-lo, para apoiar idosos e seus familiares neste momento delicado
"A morte não é nada para nós, pois, quando existimos, a morte não está presente; e quando a morte está presente, já não existimos".
Epicuro
Reflexão sobre o Pensamento
Este pensamento recorda-nos que o medo da morte nasce muitas vezes da antecipação e não da experiência em si, convidando à valorização do presente e da vida enquanto ela existe
+info
Critérios de análise para a verificação do óbito
Apoio à família após a morte
A instituição de saúde deve apoiar familiares e/ou amigos nos procedimentos necessários; Informação sobre serviços fúnebres e outras fontes de apoio; Acompanhamento sensível às necessidades e desejos da família
(WHO, 2023)
Preparação dos profissionais
Necessidade de disponibilidade para falar sobre morte e fim de vida; Apoio também aos colaboradores, especialmente os mais jovens ou inexperientes; Importância da formação e suporte emocional à equipa;
(WHO, 2023)
Políticas institucionais
Existência de procedimentos claros e estruturados Garantia de conforto, dignidade e respeito pelos desejos do residente nos últimos dias; Promoção de uma cultura organizacional humanizada;
(WHO, 2023)
Mecanismos de atuação imediata após o óbito
Comunicação do falecimento de forma calma, reservada e respeitosa; Comunicação formal a outras instituições relacionadas; Organização e entrega dos bens pessoais aos familiares Gestão emocional do grupo de residentes; Definição de representante institucional na cerimónia fúnebre;
(WHO, 2023)
Responsabilidade da organização nos cuidados post-mortem
A instituição assegura os cuidados após o falecimento; Atuação em articulação próxima com familiares ou pessoas significativas; Cumprimento das últimas vontades do cliente, quando previamente expressas Garantia de respeito pela autonomia e dignidade da pessoa até após a morte; Definição de representante institucional na cerimónia fúnebre;
(DGS, 2023)
Confirmação do óbito
O óbito deve ser oficialmente constatado por um médico; Apenas após essa confirmação se iniciam os procedimentos post-mortem; Início imediato da preparação do corpo após a declaração do óbito; Garantia de respeito pela autonomia e dignidade da pessoa até após a morte; Procedimentos realizados com respeito, ética e dignidade;
(DGS, 2022)
Finalidades da preparação
Higiene e identificação: manter o corpo limpo e devidamente identificado; Prevenção de alterações físicas: evitar odores e saída de excreções ou sangue; Início imediato da preparação do corpo após a declaração do óbito; Posicionamento adequado: colocar o corpo numa posição correta antes do aparecimento da rigidez cadavérica;
(DGS, 2022)
Princípios Orientadores
Garantia de dignidade no cuidado post-mortem; Cumprimento de normas técnicas, legais e institucionais; Respeito pela pessoa falecida e pelos familiares;
(DGS, 2022)
Responsabilidade Profissional
A preparação do cadáver é da responsabilidade do enfermeiro responsável pelo doente; O/a técnico/a auxiliar de saúde colabora na execução dos cuidados post-mortem; Garantir o isolamento da unidade do doente (ex.: correr cortinados); Colaboração na remoção de cateteres e outros dispositivos clínicos;
(DGS, 2022)
Responsabilidade Profissional
Realização da higiene corporal, sempre que necessário; Cumprimento das normas institucionais e legais em vigor; Atuação ética e humanizada; Preservação da dignidade da pessoa falecida; Rigor técnico e respeito pelas boas práticas em contexto de saúde;
(DGS, 2022)
Identificação Obrigatória
O cadáver deve ser identificado com duas etiquetas: uma interna e outra externa; A dupla identificação visa garantir segurança, rastreabilidade e prevenção de erros; O transporte deve ser realizado obrigatoriamente em maca específica para cadáveres; Após o transporte, o cadáver deve ser colocado em câmara frigorífica;
(DGS, 2022)
Comunicação prévia e obrigatória
A saída do cadáver da Unidade só ocorre após informação aos familiares; Em caso de impossibilidade de contacto, devem ser informadas as autoridades competentes; Contacto com as forças de segurança da área de residência do falecido (PSP/GNR). A remoção do corpo depende de autorização do enfermeiro responsável;
(DGS, 2022)
Respeito e dignidade no domicílio
Organização do espaço de forma calma e cuidada; Tornar o ambiente o mais harmonioso e esteticamente adequado possível para a família; Colocação do corpo numa cama limpa; Utilização de resguardos absorventes para garantir higiene e conforto visual;
(SNS, 2023)
Princípios Orientadores
Humanização dos cuidados em fim de vida; Apoio emocional à família; Colocação do corpo numa cama limpa; Cumprimento das orientações técnicas e legais vigentes;
(SNS, 2023)
Rigor Mortis
Endurecimento dos músculos após a morte; Surge primeiro nos músculos do maxilar e progride de forma descendente até às perna; Inicia 2-6 horas após a morte, atinge o pico em 12 horas e desaparece em 1-3 dias; O posicionamento do corpo deve ser efetuado ANTES da instalação do rigor mortis;
(Silva, J. 2016)
Info
Livor Mortis
Aparecimento de manchas arroxeadas/púrpura devido ao acúmulo de sangue nas partes mais baixas do corpo por ação da gravidade; Surge entre 20-30 minutos após a morte, com pico em 8-12 horas; A cor vermelho-púrpura resulta da estagnação do sangue nos vasos sanguíneos dependentes
(Silva, J. 2016)
Info
Posicionamento do corpo
Decúbito dorsal (deitado de costas); Corpo direito e alinhado, respeitando a posição anatómica natural; Braços ao longo do corpo ou cruzados sobre o abdómen; Pernas estendidas e unidas paralelamente; Ligeiramente elevada (se necessário) para prevenir saída de fluidos;
(OMS, 2020)
Info
A morte do outro e a própria morte
Cada pessoa atribui significados próprios à morte, influenciados pela idade, experiências de vida, cultura e contexto social; A morte do outro: Envolve o medo do abandono e da separação; Implica a consciência da ausência física e emocional; Pode desencadear sentimentos de tristeza, solidão e insegurança; Em contexto institucional, refere-se à morte de alguém próximo do idoso, seja familiar ou coabitante
(Kübler-Ross. 2014)
A própria morte
Relaciona-se com a consciência da finitude humana; Desperta reflexões sobre o sentido da vida e o momento do fim; Pode gerar ansiedade, medo ou, nalguns casos, aceitação; vivência da morte (do outro ou própria) influencia o equilíbrio emocional; Requer apoio afetivo, escuta ativa e acompanhamento adequado, sobretudo em populações idosas;
(Kübler-Ross. 2014)
As quatro dimensões da morte: Luto Pessoal
Representa a resposta emocional e psicológica face à perda de alguém significativo; Envolve um processo único e subjetivo de adaptação à ausência; Caracteriza-se por fases de choque, negação, revolta, depressão e aceitação; vivência da morte (do outro ou própria) influencia o equilíbrio emocional; A compreensão deste processo é fundamental para um acompanhamento adequado;
(Neimeyer, R. A. 2024)
As quatro dimensões da morte: Morte do Outro
Refere-se à experiência de perder alguém próximo e ao impacto dessa perda; Envolve a confrontação com a finitude alheia e as suas implicações existenciais; Desencadeia processos de luto que variam conforme a relação estabelecida; Os rituais de despedida desempenham um papel crucial no processamento desta perda;
(Neimeyer, R. A. 2024)
A consciência pessoal da morte
Representa a tomada de consciência da própria mortalidade; Implica um exercício de reflexão sobre a finitude humana; Pode gerar ansiedade, mas também promover crescimento pessoal e reavaliação de prioridades; O desenvolvimento desta consciência é essencial para uma vida mais autêntica e significativa;
(Neimeyer, R. A. 2024)
A nossa própria morte
Envolve a aceitação da realidade da própria morte; Requer preparação emocional, espiritual e prática; Inclui questões relacionadas com o processo de morrer, cuidados paliativos e planeamento do fim de vida; A abordagem desta dimensão permite uma morte mais serena e digna;
(Neimeyer, R. A. 2024)
Reações e atitudes
O morto é citado através das palavras de quem vive e das memórias que permanecem; Os mortos estão em silêncio, dependendo dos vivos para serem recordados; O legado do morto perpetua-se através do testemunho dos sobreviventes; o contexto cultural molda a forma como se lida com a perda;
(O'CONNOR, Mary-Frances 2023)
Medo de morrer
Surge o medo do sofrimento físico e psicológico; Existe o receio da indignidade pessoal e da perda de autonomia; O sofrimento alheio desencadeia sentimentos de impotência; A ameaça do desconhecido e do que possa existir depois da morte; O receio básico da própria extinção e do fim da consciência;
(MCFADDEN, J., 2024)
Fatores de contenção ao medo da morte
Maturidade psicológica; Capacidade de enfrentamento (coping); Orientação e envolvimento religioso/espiritual; Idade e etapa do ciclo vital; O medo da morte não é um fenómeno uniforme, variando conforme características individuais, contexto sociocultural e experiências de vida;
(Neimeyer, R. A. 2022)
Representação da morte
A morte assume simultaneamente uma dimensão biológica e simbólica; morte corresponde ao cessar irreversível das funções vitais do organismo; A ausência de atividade cardíaca e respiratória espontânea constituía o principal indicador clínico; Com os avanços da medicina, passou a considerar-se a cessação irreversível do funcionamento de todo o cérebro, incluindo o tronco cerebral; A perda da capacidade corporal de sustentar a consciência pode ser considerada um elemento central na definição de morte;
(Neimeyer, R. A. 2022)
Tipos de Morte
Morte biológica: Corresponde ao fim definitivo das funções vitais do organismo; Morte enquanto fenómeno social: O indivíduo deixa de existir socialmente através de rituais e cerimónias fúnebres; Morte clínica (ou aparente): Caracteriza-se por paragem respiratória e cardíaca e perda de consciência; Morte cerebral: Definida pela cessação irreversível de toda a atividade cerebral;
(DGS, 2022)
Tipos de Morte
Morte natural: Resulta da evolução de doença ou do envelhecimento; Morte súbita: Ocorre de forma inesperada, geralmente em indivíduos aparentemente saudáveis: Perspetiva religiosa e espiritual:Entendida como separação entre corpo e alma;
(DGS, 2022)
A construção do conceito da morte
Irreversibilidade: Refere-se à compreensão de que a morte é um estado definitivo; Universalidade: Corresponde ao reconhecimento de que todos os seres vivos morrem; Maturação conceptual:A educação e o diálogo aberto sobre o tema facilitam uma assimilação saudável e adequada à idade;
(Speece, M. W., & Brent, S. B., 1996)
A construção do conceito da morte
Irreversibilidade: Refere-se à compreensão de que a morte é um estado definitivo; Universalidade: Corresponde ao reconhecimento de que todos os seres vivos morrem; Maturação conceptual:A educação e o diálogo aberto sobre o tema facilitam uma assimilação saudável e adequada à idade;
(Speece, M. W., & Brent, S. B., 1996)
A construção do conceito da morte
Inevitabilidade: A morte é um evento universal e inevitável, que pode ocorrer a qualquer momento na vida de qualquer ser vivo; Não Funcionalidade: Compreensão de que todas as funções vitais cessam após a morte; Causalidade: Compreensão das causas reais e biológicas da morte;
(Speece, M. W., & Brent, S. B., 1996)
Sociedade Portuguesa
A Hospitalização da Morte: Assistiu-se, em Portugal, a uma inversão significativa no local onde ocorre a morte. Em 1969, 76,6% da população morria em casa e apenas 17,9% no hospital; já em 1993, verificou-se que 42,6% morriam em casa contra 47,2% no hospital, representando uma medicalização dos momentos essenciais da vida humana Profissionalização da morte: A gestão da morte tornou-se progressivamente um assunto profissional, mesmo nas pequenas aldeias, com a entrada de empresas internacionais no mercado e a aquisição de pequenos negócios familiares. A morte passou a ser gerida por profissionais, longe da família e do ambiente doméstico
(Cunha, V. 1999)
Grau de rutura do Sistema Familiar
O contexto social e étnico da morte: As diferentes culturas e grupos étnicos possuem rituais, crenças e práticas distintas face à morte, que influenciam diretamente a forma como a família vivencia o luto e se reorganiza após a perda; Suporte social: Determina o tipo e a qualidade do apoio disponível à família enlutada, seja através de redes comunitárias, religiosas ou institucionais, afetando a capacidade de adaptação ao luto; Acumulação de perdas: Famílias que experienciaram múltiplas perdas anteriores tendem a apresentar maior vulnerabilidade no processo de luto atual, podendo desenvolver um luto mais complicado e intenso;
(Rigão et al, 2024)
Promoção do processo de luto
A Aceitação Partilhada da Realidade da Morte e Experiência Partilhada da Morte; A família necessita de desenvolver um reconhecimento compartilhado da realidade da morte, criando um espaço onde cada membro possa expressar a sua compreensão e vivência da perda; Redistribuição de papéis e funções: Cada membro da família ocupa um papel de sentido no sistema de relações que organizam o seu ambiente, exigindo-se que todos os integrantes ressignifiquem os seus papéis e a dinâmica familiar, muitas vezes através de uma redistribuição das funções na família para encontrar um outro sentido e funcionamento;
(Rigão et al, 2024)
ATITUDES PERANTE A MORTE
Recusa: Primeira fase do processo de adaptação à morte; Corresponde à fase de negação e isolamento;Surge quando o doente toma consciência do diagnóstico ou da morte;
Cólera: emergem os sentimentos intensos de raiva; Questionamento frequente: “Porquê eu?”Hostilidade dirigida ao tratamento, aos profissionais de saúde, à família ou a Deus
(Kübler-Ross, E. 2024)
Info
Negociação: O doente procura “ganhar tempo” ou adiar a morte; dirigida a Deus, aos profissionais de saúde ou ao próprio; Intensificação de práticas religiosas ou espirituais;
Depressão: Ocorre quando a negação da doença se torna impossível; Há uma substituição de sentimentos anteriores por um sentimento profundo de perda; O doente prepara-se para o seu fim e para a perda do que mais ama na vida;
Info
(Nunes, P. 2021)
Aceitação: Representa o culminar de todas as reações emocionais; Momento em que o doente se rende perante a iminência da morte; Capacidade de compreender a sua situação com todas as consequências; Doente começa a falar claramente na morte; O doente apoiado alcança a aceitação e morre em paz;
Info
(Kübler-Ross, E. 2020)
IMPORTÂNCIA DE PROPORCIONAR UMA MORTE DIGNA
PROPORCIONAR UMA MORTE DIGNA
A dignidade na morte é um desejo universal, tal como na vida; Existe um anseio comum de morrer sem sofrimento (físico, psicológico ou espiritual); A “boa morte” depende de: contexto social e cultural do doente; evolução da doença;
(WHO, 2023)
Morrer com Qualidade
Cuidados individualizados; Continuidade relacional (ligação com profissionais e família); Trabalho em equipa; Planeamento antecipado; Preparação para a morte
(WHO, 2023)
Estruturas Residenciais
Enfrentam frequentemente solidão; Experienciam perda de autonomia e dignidade; Sofrem alterações físicas indesejadas; Planeamento antecipado; Podem ter ausência de apoio familiar, social ou espiritual no fim da vida;
(Andrade & Coelho, 2024)
Portaria 52/2012
Direito a cuidados paliativos adequados; Direito à Escolha; Direito ao acompanhamento; Direito à informação clínica; Direito à participação nas decisões; Direito à privacidade e confidencialidade; Direito à informação clara sobre internamento;
(DR. 2012)
Luto
O luto é uma reação natural a uma perda significativa; Envolve diversos processos psicológicos; Pode manifestar-se de diferentes formas; Processo de adaptação; Transformação e continuidade;
(Worden, 2018)
Luto Patológico
Caracteriza-se pela intensificação dos sintomas normais do luto; Duração muito longa dos sintomas (+ 6 meses) Características de obsessão; Intensidade dos sintomas; Frequência elevada das manifestações; Duração prolongada do sofrimento;
(Silva, 2024)
Critérios de Diagnóstico
Saudade crónica e persistente; A pessoa deve apresentar quatro ou mais dos seguintes aspetos, várias vezes por dia ou de forma intensa; Dificuldade na aceitação da morte; Incapacidade de confiar nos outros; Amargura ou raiva excessiva relacionadas com a morte; Dificuldade em seguir em frente; Dormência/desapego; Sentimento de vida vazia e sem sentido sem o ente querido; Futuro sombrio; Agitação
(APA, 2022)
Classificação do luto (Sublutos)
Luto traumático: Associado a perda inesperada; Luto inibido: Caracteriza-se por ser retardado, adiado ou "congelado"; Luto crónico: Relacionado com dependência emocional; Luto exagerado: Manifestação intensificada dos sintomas; Luto indizível: Ocorre quando a pessoa é privada do direito de viver o luto ou se encontra afastada;
(Worden, 2018)
Sentimentos no processo de luto
Emocionais: Choro; Suspiros; Tristeza; Depressão; Desespero; Ansiedade; Físicas: Perda de apetite; Perurbações do sono; Agitação; Exaustão; Psicológicas: Recordação; Alucinações; Confusão; Negação; Sonhos; Comportamentais: Isolamento; Consumo de substancias; Procura do falecido;
(Stroebe, 2019)
Tarefas a cumprir no processo do luto
Aceitar a realidade da perda; Trabalhar a dor da perda; Ajustar-se a um mundo sem a pessoa falecida; Ideia-chave sobre o luto: O luto não é um estado, mas um processo;
(Worden, 2018)
Tipos de negação
Factos da perda: Vai desde o mais leve até ao mais grave (Guardar Corpo) Significado da perda: Ser menos significativa do que realmente foi; Irreversibilidade da perda: Esperança da reunião com a pessoa falecida;
(Worden, 2018)
Áreas de ajustamento
Ajustamentos externos: Funcionamento diário no mundo; Ajustamentos internos: Sentido do Self; Ajustamento de crenças: Valores, crenças, considerações sobre o mundo;
(Worden, 2018)
Técnico de Geriatria e a morte
Apoio emocional ao idoso; Promoção do conforto e bem-estar; Apoio à família; Respeito pelos valores e vontades; Preparação para a morte e luto;
(Neto, 2020)
Teoria da Reminiscência
Evocação de memórias, experiências e momentos significativos do passado; Revisão da história de vida de forma organizada; Reforça o sentido da vida e do percurso pessoal; Redução do sentimento de isolamento;
(Butler, 2019)
Terapia da Reminiscência
Intervenção estruturada baseada na recordação orientada; Pode ser realizada individualmente ou em grupo; Utiliza estímulos (fotografias, músicas, objetos, histórias); Promover o bem-estar emocional;
(Woods et al, 2018)
Cuidados paliativos
Abordagem de cuidado centrada na qualidade de vida das pessoas com doenças que ameaçam a continuidade da vida e das suas famílias; O foco está no alívio do sofrimento, físico, psicológico, social e espiritual; Através de prevenção e alívio eficazes da dor e de outros problemas; Fim de vida deve ser vivido com dignidade, conforto e significado;
(Woods et al, 2018)
6 Dimensões dos Cuidados paliativos
Valorizar; Ligar; Fortalecer; Fazer por; Encontrar significado; Preservar integridade;
(Cassel & Meier, 2023)
ÓTIMISMO (APOIO, ACONSELHAMENTO E TERAPEUTICA)
Apoio: Intervenção inicial e informal; fornece presença empática e acolhimento; Aconselhamento: Intervenção profissional ou semi-profissional; estruturada para compreensão e ajustamento; Terapia: Intervenção intensiva para luto complicado ou persistente; realizada por psicólogos ou terapeutas especializados;
(Coelho et al, 2025)
Religião e Espiritualidade
Alívio da ansiedade; Força integradora; Potencial a ser maximizado com o tempo; Preparação para a própria morte; Transcendência; Espiritualidade integradora da personalidade; Significado para a vida e para a morte;
(Kissane & McKenzie, 2024)
Bibliografia
American Psychiatric Association. (2022). Diagnostic and statistical manual of mental disorders: DSM-5-TR (5th ed., text rev.). American Psychiatric Association. Andrade, A., & Coelho, S. (2024). Caracterização das necessidades em cuidados paliativos em estruturas residenciais para pessoas idosas: Um estudo exploratório. RIAGE – Revista Ibero-Americana de Gerontologia, 5. Baptista, A. F. M. (2023). Associação entre atitudes perante a morte, a vinculação e o luto: Um estudo transversal na população portuguesa (Master's Thesis). Universidade de Lisboa. Cassel, C. K., & Meier, D. E. (Eds.). (2023). Care of the seriously ill and dying: The optimal clinical practice and public health approach (2nd ed.). Oxford University Press. Coelho, A., et al. (2025). Bereavement support guidelines for caregivers in palliative care. Frontiers in Psychology. https://doi.org/10.xxxx Cunha, V. (1999). A morte do outro. Mudança e diversidade nas atitudes perante a morte. Sociologia, Problemas e Práticas, 31, 103–128. https://sociologiapp.iscte-iul.pt/pdfs/9/110.pdf Direção-Geral da Saúde. (2022). Norma n.º 015/2013 atualizada – Diagnóstico de morte cerebral e manutenção do potencial dador de órgãos. Lisboa: Autor. Direção-Geral da Saúde. (2022). Norma n.º 015/2013 atualizada — Procedimentos após verificação do óbito. Lisboa: Autor. Direção-Geral da Saúde. (2023). Cuidados paliativos e apoio no fim de vida: Orientações técnicas. Lisboa: Autor. Kübler-Ross, E. (2014). Sobre a morte e o morrer (ed. atualizada). Bertrand Editora. Kissane, D. W., & McKenzie, M. (2024). Handbook of spirituality, religion, and end-of-life care. Oxford University Press. Marques, S. M. (2018). Agora e na hora da nossa morte. Tinta-da-China. McFadden, J. (2024). Nothing to fear: Demystifying death to live more fully. Vermilion. Neimeyer, R. A. (2022). Techniques of grief therapy: Assessment and intervention (3rd ed.). Routledge. Neto, I. G. (2020). Cuidados paliativos: Princípios e prática. Lidel. Nunes, P. (Coord.). (2021). Manual de cuidados paliativos (2ª ed.). Lidel. O'Connor, M.-F. (2023). O cérebro de luto: Como a mente nos faz aprender com a dor e a perda (Tradução portuguesa). Principium.
Organização Mundial da Saúde. (2020). Infection prevention and control for the safe management of a dead body in the context of COVID-19: Interim guidance. WHO. Portaria n.º 52/2012. (2012). Define os direitos e deveres do doente em cuidados paliativos. Diário da República, 1.ª série. Rigão, G. S., et al. (2024). Família e luto: Revisando as contribuições empíricas entre 2010 e 2020. Psicologia Argumento, 42(116). https://doi.org/10.7213/psicolargum.42.116.AO14 Silva, G. B. (2024). Uma perda pode ser patológica? Uma revisão sistemática acerca do luto patológico (2010–2020). Revista Sul-Americana de Psicologia, 11(2), 57–77. https://doi.org/10.29344/2318650X.2.3476 Silva, J. F. (2016). Alterações cadavéricas ou post mortem. In M. C. Peleteiro (Coord.), Manual de necrópsia veterinária (pp. 19–36). Lidel. Speece, M. W., & Brent, S. B. (1996). The development of children’s understanding of death. In C. A. Corr & D. M. Corr (Eds.), Handbook of childhood death and bereavement. Springer Publishing Company. Stroebe, M., Schut, H., & Boelen, J. (2019). The dual process model of coping with bereavement: A decade on. OMEGA - Journal of Death and Dying, 90(2), 269–284. https://doi.org/10.1177/0030222819864767 Worden, J. W. (2018). Grief counseling and grief therapy: A handbook for the mental health practitioner (5th ed.). Springer Publishing Company. World Health Organization. (2023). Integrating palliative care and symptom relief into primary health care: A WHO guide for planners, implementers, and managers. WHO. Serviço Nacional de Saúde. (2023). Cuidados paliativos domiciliários: Guia de boas práticas. Lisboa: Autor. Woods, B., O’Philbin, L., Farrell, E. M., Spector, A. E., & Orrell, M. (2018). Reminiscence therapy for dementia. Cochrane Database of Systematic Reviews. https://doi.org/10.xxxx
FIM
RIGOR MORTIS
CÓLERA
ACEITAÇÃO
Quem foi Epicuro?
filósofo grego antigo, fundador do Epicurismo, uma escola filosófica que influenciou profundamente o pensamento ocidental sobre ética, felicidade e a natureza da realidade
NEGOCIAÇÃO
LIVOR MORTIS