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Vida de Nichiren Daishonin

Editora Brasil Seiky

Created on February 4, 2026

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Viver com coragem e compaixão

Fevereiro é o mês do aniversário de nascimento do buda Nichiren Daishonin, que dedicou a vida a cumprir o juramento de propagar a Lei Mística pela felicidade de todas as pessoas. Veja a primeira parte da série ilustrada sobre sua vida e obra.

Parte 1

Nichiren Daishonin nasceu no décimo sexto dia do segundo mês de 1222 no povoado de pescadores chamado Kataumi, na vila de Tojo, distrito de Nagasa, província de Awa (parte da atual cidade de Kamogawa, província de Chiba, Japão). Sua família era de origem simples e vivia da pesca. Ele recebeu o nome de Zennichi-maro.

Aos 12 anos, ele começou a estudar num templo próximo chamado Seicho-ji. Nessa época, Daishonin estabeleceu um juramento de se “tornar a pessoa mais sábia de todo o Japão”. 1 Dessa forma, buscou a sabedoria do budismo para superar os sofrimentos fundamentais da vida e da morte e, assim, conduzir seus pais e as pessoas à verdadeira felicidade. Para realizar isso, Daishonin decidiu se tornar monge aos 16 anos, a fim de se aprofundar nos ensinamentos budistas, tendo como mestre o sacerdote Dozen-bo, do templo Seicho-ji.

Daishonin partiu então para Kamakura, Quioto, Nara e outras localidades, percorrendo templos para estudar cuidadosamente os sutras e compreender a essência das doutrinas das maiores escolas budistas.

Como resultado desses estudos, ele concluiu que o Sutra do Lótus constitui o mais elevado ensinamento dentre todos os sutras budistas e que a Lei do Nam-myoho-renge-kyo, para a qual havia despertado, é a essência do Sutra do Lótus que possibilita libertar as pessoas do sofrimento no nível mais profundo. Ele despertou também para a missão de propagar amplamente o Nam-myoho-renge-kyo como o ensinamento para a iluminação de todas as pessoas dos Últimos Dias da Lei. 2

Durante as suas viagens de estudo pelos centros budistas, Nichiren Daishonin confirmou sua missão e o meio para propagar a Lei Mística — o Nam-myoho-renge-kyo. E, preparado para encontrar grandes dificuldades e perseguições que certamente surgiriam no caminho, decidiu dar início à propagação da Lei.

Então, por volta do meio-dia do vigésimo oitavo dia do quarto mês de 1253, em Seicho-ji, Daishonin refutou os ensinamentos da Nembutsu e de outras escolas budistas daquele período. Recitou vigorosamente Nam-myoho-renge-kyo e declarou que este era o único ensinamento budista correto capaz de conduzir todas as pessoas dos Últimos Dias da Lei à iluminação. Esse evento é conhecido como a “declaração do estabelecimento de seus ensinamentos”. Nessa ocasião, ele estava com 32 anos e, a partir daí, adotou o nome Nichiren, composto pelos ideogramas sol e lótus.

No momento da declaração de seus ensinamentos, Daishonin criticou severamente a doutrina da Nembutsu. Ouvindo isso, Tojo Kagenobu, administrador local (oficial do governo que tinha autoridade policial e de coleta de impostos), ficou enfurecido por ser devotado seguidor da Nembutsu. Em virtude disso, ele tomou medidas para prejudicar Daishonin que, por pouco, conseguiu escapar dessa perseguição.

Daishonin dirigiu-se então a Kamakura, centro político naquele tempo. Ele se instalou numa pequena cabana e iniciou as atividades de propagação de seus ensinamentos. Enquanto propagava a prática da recitação do daimoku de Nam-myoho-renge-kyo, Daishonin continuou refutando os erros das escolas Nembutsu e Zen, que exerciam influência negativa sobre a população de Kamakura naquela ocasião. Nessa fase inicial da propagação, Toki Jonin, Shijo Kingo (Yorimoto), Ikegami Munenaka, entre outros, se converteram.

Na época em que Daishonin iniciou a propagação de seus ensinamentos em Kamakura, ocorriam quase anualmente catástrofes naturais, como distúrbios climáticos e grandes terremotos, que causaram enorme onda de fome, incêndios e epidemias. Em particular, no oitavo mês de 1257, o grande terremoto da era Shoka, que atingiu a região de Kamakura, provocou grandes estragos destruindo por completo as principais construções da cidade.

Esse desastre refletiu-se no ímpeto de Daishonin para escrever o tratado Estabelecer o Ensinamento para a Pacificação da Terra visando elucidar as causas fundamentais da miséria que assolava a sociedade e indicar a todos o caminho para erradicá-las. No décimo sexto dia do sétimo mês de 1260, submeteu esse tratado a Hojo Tokiyori, regente retirado do governo militar de Kamakura, na realidade, a autoridade de maior poder da época. Nesse tratado, ele atribui a causa dos contínuos desastres naturais e outras calamidades à calúnia das pessoas do país por acreditar em falsas doutrinas que ignoram o ensinamento correto.

Afirma também que a causa fundamental se encontrava no ensinamento da Nembutsu popularizado no Japão por Honen (1133–1212). Daishonin enfatizou que, se as pessoas abandonassem a fé em doutrinas maléficas e abraçassem a Lei correta do budismo, construiriam uma terra de paz e de segurança. Mas, se continuassem a seguir um ensinamento errôneo, alertou que, dentre as “três calamidades e sete desastres”, 3 citados nos sutras, os dois que ainda não haviam ocorrido, conflitos internos e invasão estrangeira, se manifestariam. Daishonin advertiu a todos para que abraçassem rapidamente a Lei correta.

Entretanto, autoridades governamentais ignoraram sua sincera advertência e os seguidores da Nembutsu, sob consentimento velado das autoridades, conspiraram para perseguir Daishonin. Certa noite, pouco tempo depois da entrega do tratado, seguidores da Nembutsu atacaram a residência de Daishonin com o intuito de matá-lo (Perseguição de Matsubagayatsu). Felizmente, nessa ocasião, Daishonin escapou do ataque e afastou-se temporariamente de Kamakura. No décimo segundo dia do quinto mês de 1261, após o seu retorno a Kamakura, as autoridades prenderam Daishonin e decretaram seu exílio a Izu (Exílio em Izu). No segundo mês de 1263, Daishonin, que recebeu o indulto do exílio em Izu, retornou a Kamakura e, no ano seguinte, dirigiu-se à região de Awa, sua terra natal, para visitar a mãe enferma.

No décimo primeiro dia do décimo primeiro mês de 1264, o grupo de Daishonin foi atacado pelos militares de Tojo Kagenobu, administrador de Matsubara, quando estava a caminho da residência de Kudo, seu seguidor de Amatsu, na província de Awa. Nessa época, Daishonin foi ferido na testa e teve a mão esquerda fraturada. Houve mortes entre seus discípulos (Perseguição de Komatsubara).

Continua.

1. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 184, 2020.

3. As “três calamidades e sete desastres” são: as três calamidades da fome (alta do preço dos grãos devido à fome), guerra (grandes distúrbios ocasionados pela guerra) e peste (onda de doenças contagiosas); e os sete tipos de desastres são: mudanças incomuns nas estrelas e nos planetas (desalinhamentos das rotas e brilho das estrelas), tempestades fora de estação, entre outros.

2. Refere-se ao período em que o Budismo de Shakyamuni perde o poder de conduzir as pessoas à iluminação. Na época, considerava-se que esse período se iniciava 2 mil anos após a morte de Shakyamuni. No Japão, acreditava-se que esse período começava no ano 1052.