TEAM UCIPed QUIZ
Cuidar Intensivamente...
Os Irmãos da Criança Doente
COMEÇAR
MENSAGEM INICIAL
Quando uma criança é admitida numa Unidade de Cuidados Intensivos Pediátricos, toda a família é profundamente afetada — mesmo os elementos que não vemos no hospital. Os irmãos são, muitas vezes, os participantes silenciosos desta vivência. Através deste quiz, convido-te a refletir o teu papel, enquanto enfermeiro/a, na promoção de um cuidado verdadeiramente centrado na família, que reconheça e cuide os irmãos como parte desta. Cada pergunta é acompanhada por evidência científica que sustenta a importância desta abordagem. Boa sorte, e boas aprendizagens!
Helena Azinheira
Estudante de Mestrado em Enfermagem, com Especialização em Saúde Infantil e Pediátrica | Universidade de Évora
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PENSAR | INTEGRAR | CUIDAR os irmãos da criança doente...
PORQUÊ?
O QUÊ?
COMO?
cuidar em pediatria
1/4
cuidar em pediatria
A única forma de prestar cuidados seguros, oportunos e eficazes em pediatria é através de uma abordagem que reconheça as características de desenvolvimento das crianças, a integralidade do papel da família e as suas necessidades, e que incentive a colaboração entre este binómio e os profissionais (OMS, 2018). Os CCF assumem uma abordagem respeitadora da singularidade de cada criança e família, e fomentam o envolvimento destas nos cuidados através da negociação e empoderamento (Costa et al., 2022; Hodgson, Mehra & Franck, 2024).
ser família
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SER FAMÍLIA
Segundo Wright & Leahey (2019), a família é constituída por aqueles que a pessoa reconhece como família, não sendo limitada por laços biológicos ou legais, mas por laços emocionais, sentido de pertença e pela paixão de estarem envolvidos na vida uns dos outros. A família é um lugar ímpar para o desenvolvimento das crianças, sendo essencial um apoio familiar completo para o bem-estar infantil (OMS, 2018; UNICEF, 2020). Apesar disto, o binómio criança–família é muitas vezes confundido com a díade criança doente–pais, não sendo reconhecidos os restantes elementos (em especial, os irmãos, também eles crianças) nos cuidados (Biswas, 2022).
TER IRMÃOS
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TER IRMÃOS
A relação entre irmãos é a mais longa da vida humana, e tem influência no desenvolvimento cognitivo, social e emocional das crianças, na construção da personalidade e da sua visão do mundo (Agerskov, Thiesson & Pedersen, 2021). Os irmãos são importantes figuras de vinculação, e a conservação de relações positivas entre eles pode ter um papel protetor da saúde face a eventos adversos. Os irmãos recorrem uns aos outros em busca de afeto e apoio, funcionando a relação fraterna como moderadora do impacto negativo dos contextos stressores nos irmãos (Edels, Naoufal & Montreuil, 2024).
Pensar OS IRMÃOS
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PENSAR os irmãos
De acordo com a Teoria da Adaptação de Callista Roy, o papel do enfermeiro passa por promover as capacidades adaptativas da pessoa, e por melhorar as interações desta com o ambiente através da gestão dos estímulos (Tomey & Alligood, 2004). Sendo este um profissional de proximidade para as famílias, o enfermeiro está numa posição privilegiada para reconhecer as necessidades dos irmãos e facilitar a adaptação familiar (Rennick et al., 2021; Nygard et al., 2024).
O enfermeiro faz parte de uma equipa multidisciplinar que trabalha com a família (incluindo os irmãos), mas tem um papel próprio e de primeira linha. É um profissional de proximidade durante a hospitalização e tem um papel complementar mas insubstituivel no apoio emocional à criança e família.
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porquê?
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o quê?
como?
A DOENÇA E A FAMÍLIA
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A DOENÇA E A FAMÍLIA
Apesar de frequentemente serem afastados do contexto de cuidados e do irmão pelos pais ou profissionais de saúde, os irmãos continuam a ser atingidos por todas as alterações nas dinâmicas do sistema familiar (Nogueira & Ribeiro, 2020). Testemunham o sofrimento do irmão e perdem o suporte, atenção e segurança dos pais, o que os faz sentirem-se desvalorizados (Bernardo et al., 2023). Têm que dar mais apoio à família, fazendo tarefas domésticas ou passando informação à escola, e recebem menos apoio instrumental e emocional do que antes (Wawrzynski et al., 2021).
AS EMOÇÕES DOS IRMÃOS
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AS EMOÇÕES DOS IRMÃOS
A forma como os irmãos respondem à doença depende da sua idade e estadio de desenvolvimento: no irmão em idade pré-escolar, podem predominar o ciúme e a ansiedade de separação dos pais, na criança em idade escolar os pensamentos sobre se a doença terá sido sua culpa, e no adolescente o conflito entre a busca por autonomia e a necessidade de apoiar a família (Baker, 2024). De forma geral, os irmãos sentem-se incompreendidos e desvalorizados (Bernardo et al., 2023). A imprevisibilidade e incompreensão da doença e futuro causam medo e tristeza (Dryden-Palmer, Shinewald & O’Leary, 2024). Ao mesmo tempo, a empatia para com o irmão é frequente, o que torna a vivência de emoções negativas, como o ciúme ou a raiva, ainda mais conflituosa (Nogueira & Ribeiro, 2020).
OS IRMÃOS DA UCIPED
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OS IRMÃOS DA UCIPED
A Síndrome Pós-Cuidados Intensivos em Crianças (Post Intensive Care Syndrome - Pediatrics, PICS-p) reconhece que a criança sobrevivente está dentro de uma unidade familiar onde se incluem pais e irmãos (Manning, Colville & Rennick, 2018). A síndrome reflete que os impactos da doença crítica podem ser profundos, atingindo não só a criança mas também os irmãos nas dimensões física (fadiga, distúrbios do sono ou alimentares), cognitiva (comportamentos regressivos, dificuldades de concentração), emocional (dificuldade na gestão de emoções) e social (isolamento, dificuldades económicas familiares), mesmo após a alta (Appleyard et al., 2025).
NECESSIDADES DOS IRMÃOS
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NECESSIDADES DOS IRMÃOS
Com vista à sua adaptação e ao restabelecimento do equilíbrio familiar, a evidência identifica que os irmãos têm necessidade de: Suporte instrumental (manutenção de atividades habituais, criação de sentido de normalidade, distração da experiência de doença). Suporte de validação (reconhecimento pelas suas contribuições em casa e atenção individual). Suporte emocional (tempo passado com os pais e irmãos, recurso às relações extra-familiares e oportunidades para a expressão emocional segura). Suporte instrumental (comunicação clara, honesta e adequada à idade sobre a doença e os seus impactos na família, esclarecimento de dúvidas e inclusão da situação de saúde da familia). (Dryden-Palmer et al., 2024)
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PORQUÊ?
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O QUÊ?
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COMO?
O ENFERMEIRO E OS IRMÃOS
DICA BÓNUS
Ter um irmão com doença crítica e necessidade de internamento em cuidados intensivos pode afetar a qualidade de vida, a criação de planos para o futuro e o autoconceito das crianças de forma negativa ( Faith et al., 2023). Por outro lado, o diagnóstico de uma doença grave pode ter resultados positivos para os irmãos quando estes são incluidos na situação de saúde da família, como o aumento da empatia, da maturidade, da capacidade de dar voz ao outro, e de valorizar o que realmente importa (Faith et al., 2023).
O enfermeiro tem um papel fundamental como facilitador desta inclusão.
SUPORTE INSTRUMENTAL
1/4
SUPORTE INSTRUMENTAL
Os irmãos têm necessidade de distração da experiência da doença, criação de um sentido de normalidade e manutenção de atividades, como os trabalhos escolares e amizades (Wawrynski et al., 2021). O enfermeiro pode incentivar os pais a criarem com os filhos o seu mapa da rede de apoio, para que possam pedir ajuda emocional ou prática quando precisam (Van Schoors et al., 2021). Intervenções na escola e comunidade também podem ser úteis, nomeadamente os grupos de apoio para irmãos dentro da mesma faixa etária (Gill, 2020) - um caminho ainda a percorrer em Portugal.
Clica na imagem para descobrires o CareMap - uma ferramenta de enfermagem útil para os irmãos e famílias.
SUPORTE DE VALIDAÇÃO
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SUPORTE DE VALIDAÇÃO
A validação da experiência do irmão saudável ajuda a reconhecer a sua perspetiva e a situá-lo na experiência da família, normalizando as suas respostas emocionais, apreensões e esperanças (Dryden-Palmer, Shinewald, & O’Leary, 2024). A criação, em equipa, de estratégias criativas para comemorar marcos para a criança saudável ou família (mesmo perante a doença ou hospitalização do irmão) podem ser intervenções essenciais para o suporte adequado a estas crianças (Dryden-Palmer, Shinewald, & O’Leary, 2024).
Às vezes sentimos que não temos tempo para chegar aos irmãos. Mas... não estamos sozinhos! E se déssemos o impulso para a celebração do "Dia dos irmãos", junto do Espaço Familiar Ronald McDonald?
SUPORTE EMOCIONAL
3/4
SUPORTE EMOCIONAL
Dar ao irmão saudável a ESCOLHA de visitar a criança doente, de forma programada e estruturada, reduz sentimentos de separação e isolamento e potencia a adaptação. Quando a visita não é possível, os enfermeiros podem incentivar demonstrações de afeto, como a entrega de brinquedos que simbolizem abraços, a realização de videochamadas, e o envolvimento do irmão na vida da criança doente oferecendo-lhe "trabalhos de casa", como tomar conta dos pertences do irmão (Appleyard et al., 2025). O enfermeiro pode facilitar a expressão segura das emoções em casa e na unidade. Na primeira forma, incentivando os pais a falarem das suas emoções com os filhos. Na segunda forma, utilizando materiais didáticos (livros, brinquedos, vídeos) para explorar as preocupações e desejos dos irmãos, e fazer a distinção entre a sua situação de saúde e a da criança doente (Dryden-Palmer, Shinewald, & O’Leary, 2024).
SUPORTE DE INFORMAÇÃO
3/4
SUPORTE DE INFORMAÇÃO
O enfermeiro, em parceria com os pais, deve compreender o estadio de desenvolvimento do irmão e as suas necessidades, para que consigam educá-lo sobre ideias preconcebidas, adequando as explicações à sua compreensão (Dryden-Palmer, Shinewald, & O’Leary, 2024).
Depois de gerirem as suas próprias emoções, os pais não devem esperar muito tempo para falar com os filhos saudáveis sobre a doença do irmão. Esta deve ser uma conversa planeada com a ajuda dos profissionais de saúde, a acontecer num sítio calmo, durante o dia.
Irmãos adolescentes podem precisar de informação detalhada sobre a doença, o tratamento e o prognóstico. Irmãos em idade pré-escolar e escolar podem beneficiar de mediação lúdica na transmissão de informação.
Clica na imagem para descobrires o exemplo do ICUSteps!
Quiz COMPLETO!
🎉
Parabéns!
Concluíste o quiz com sucesso - o que significa que agora estás mais preparado para cuidar (intensivamente) a família! As crianças, irmãos e famílias da UCIPed contam contigo.
E eu também Obrigada!
Helena Azinheira
Estudante de Mestrado em Enfermagem, com Especialização em Saúde Infantil e Pediátrica | Universidade de Évora
REFERÊNCIAS
Agerskov, H., Thiesson, H. C., & Pedersen, B. D. (2021). Siblings of children with chronic kidney disease: A qualitative study of everyday life experiences. Journal of Renal Care, 47(4), 242–249. https://doi.org/10.1111/jorc.12389 Appleyard, J., Copnell, B., Haling, A., Manning, J. C., & Butler, A. E. (2025). Multi-stakeholder perspectives into the experiences of siblings when a child is critically ill: A qualitative systematic review. In Intensive and Critical Care Nursing (Vol. 87). Churchill Livingstone. https://doi.org/10.1016/j.iccn.2024.103920 Baker, S. (2024). Siblings – A guide for parents. The Arthrogryposis Group. https://arthrogryposis.co.uk/wp-content/uploads/2024/04/Siblings.pdf Bernardo, A. F. N., Vasconcelos, A. R. L. R., Santos, I. F. C. dos, Patrício, M. A. D. R. V., & Rocha, G. M. (2023). O papel do enfermeiro especialista no envolvimento dos irmãos perante o internamento do recém-nascido. Revista Recien - Revista Científica de Enfermagem, 13(41), 324–334. https://doi.org/10.24276/rrecien2023.13.41.324-334 Biswas, M. (2022). Impact of critical illness on healthy siblings. Pediatric Nursing, 48(3), 129-135.
Costa, J., Moraes, E., Carmona, E., & Mendes-Castillo, A. (2022). O cuidado centrado na família em unidade de terapia intensiva neonatal: Conceções dos técnicos de enfermagem. Revista de Enfermagem Referência, 6(1), e21144. https://doi.org/10.12707/RV21144
REFERÊNCIAS
Dryden-Palmer, K., Shinewald, A., & O’Leary, K. (2024). Supporting siblings during the critical illness hospitalization of a child: learning from experience. Frontiers in Pediatrics, 12. https://doi.org/10.3389/fped.2024.1337491 Edels, R., Naoufal, M., & Montreuil, T. C. (2024). The influence of sibling relationship quality on the social, emotional, and behavioral functioning of children and adolescents: a scoping review. Journal of Family Social Work, 27(1–2), 1–29. https://doi.org/10.1080/10522158.2024.2414789 Faith, M., Boone, D., Healy, A., & Davila, E. (2023). Parent coping, emotion socialization beliefs, and sibling relationship quality in pediatric cancer. Children’s Health Care, 52(3), 221–243. https://doi.org/10.1080/02739615.2022.2076682 Gill, M.A. (2020). Making space for siblings in family-centered care. Pediatric Nursing, 46(1), 48-51.
Manning, J. C., Pinto, N. P., Rennick, J. E., Colville, G., & Curley, M. A. Q. (2018). Conceptualizing Post Intensive Care Syndrome in Children: The PICS-p framework. Pediatric Critical Care Medicine, 19(4), 298–300. https://doi.org/10.1097/PCC.0000000000001476
Nogueira, A., & Ribeiro, M. T. (2020). “Na Sombra da Doença”: A Perspetiva de Irmãos de Crianças em Cuidados Paliativos. Revista Iberoamericana de Diagnóstico y Evaluación - e Avaliação Psicológica, 54(1), 19-34.
Nygård, C., Clancy, A., & Kitzmüller, G. (2024). Balancing on life’s ladder: A meta-ethnography of the existential experiences of siblings of children with complex care needs. Journal of Advanced Nursing, 80(7), 2629–2646. https://doi.org/10.1111/jan.15991
REFERÊNCIAS
Organização Mundial da Saúde. (2018). Standards for improving the quality of care for children and young adolescents in health facilities. https://www.who.int/publications/i/item/9789241565554
Rennick, J. E., Knox, A. M., Treherne, S. C., Dryden-Palmer, K., Stremler, R., Chambers, C. T., McRae, L., Ho, M., Stack, D. M., Dougherty, G., Fudge, H., & Campbell-Yeo, M. (2021). Family Members’ Perceptions of Their Psychological Responses One Year Following Pediatric Intensive Care Unit (PICU) Hospitalization: Qualitative Findings From the Caring Intensively Study. Frontiers in Pediatrics, 9. https://doi.org/10.3389/fped.2021.724155
Tomey, A., & Alligood, M. (2004). Teóricas de Enfermagem e a sua Obra (Modelos e Teorias de Enfermagem) (5ª ed.). Lusociência.
UNICEF. (2020). A Árvore da Família. Disponível em: https://escolas.unicef.pt/wp-content/uploads/woocommerce_uploads/2022/02/UNICEF_B4_ArvoreFamilia-xsjzw5.pdf Van Schoors, M., Sels, L., Goubert, L., & Verhofstadt, L. L. (2021). Siblings Dealing with Pediatric Cancer: A Family- and Context-oriented Approach. Journal of Pediatric Oncology Nursing, 38(3), 166–175. https://doi.org/10.1177/1043454221992303
Wawrzynski, S. E., Schaefer, M. R., Schvaneveldt, N., & Alderfer, M. A. (2021). Social support and siblings of children with cancer: A scoping review. In Psycho-Oncology (Vol. 30, Issue 8, pp. 1232–1245). John Wiley and Sons Ltd. https://doi.org/10.1002/pon.5689
Wright, L. M., & Leahey, M. (2019). Nurses and Families: A Guide to Family Assessment and Intervention (7ª ed.). F.A. Davis.
Os Irmãos da Criança Doente
Helena
Created on November 4, 2025
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TEAM UCIPed QUIZ
Cuidar Intensivamente...
Os Irmãos da Criança Doente
COMEÇAR
MENSAGEM INICIAL
Quando uma criança é admitida numa Unidade de Cuidados Intensivos Pediátricos, toda a família é profundamente afetada — mesmo os elementos que não vemos no hospital. Os irmãos são, muitas vezes, os participantes silenciosos desta vivência. Através deste quiz, convido-te a refletir o teu papel, enquanto enfermeiro/a, na promoção de um cuidado verdadeiramente centrado na família, que reconheça e cuide os irmãos como parte desta. Cada pergunta é acompanhada por evidência científica que sustenta a importância desta abordagem. Boa sorte, e boas aprendizagens!
Helena Azinheira
Estudante de Mestrado em Enfermagem, com Especialização em Saúde Infantil e Pediátrica | Universidade de Évora
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PENSAR | INTEGRAR | CUIDAR os irmãos da criança doente...
PORQUÊ?
O QUÊ?
COMO?
cuidar em pediatria
1/4
cuidar em pediatria
A única forma de prestar cuidados seguros, oportunos e eficazes em pediatria é através de uma abordagem que reconheça as características de desenvolvimento das crianças, a integralidade do papel da família e as suas necessidades, e que incentive a colaboração entre este binómio e os profissionais (OMS, 2018). Os CCF assumem uma abordagem respeitadora da singularidade de cada criança e família, e fomentam o envolvimento destas nos cuidados através da negociação e empoderamento (Costa et al., 2022; Hodgson, Mehra & Franck, 2024).
ser família
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SER FAMÍLIA
Segundo Wright & Leahey (2019), a família é constituída por aqueles que a pessoa reconhece como família, não sendo limitada por laços biológicos ou legais, mas por laços emocionais, sentido de pertença e pela paixão de estarem envolvidos na vida uns dos outros. A família é um lugar ímpar para o desenvolvimento das crianças, sendo essencial um apoio familiar completo para o bem-estar infantil (OMS, 2018; UNICEF, 2020). Apesar disto, o binómio criança–família é muitas vezes confundido com a díade criança doente–pais, não sendo reconhecidos os restantes elementos (em especial, os irmãos, também eles crianças) nos cuidados (Biswas, 2022).
TER IRMÃOS
3/4
TER IRMÃOS
A relação entre irmãos é a mais longa da vida humana, e tem influência no desenvolvimento cognitivo, social e emocional das crianças, na construção da personalidade e da sua visão do mundo (Agerskov, Thiesson & Pedersen, 2021). Os irmãos são importantes figuras de vinculação, e a conservação de relações positivas entre eles pode ter um papel protetor da saúde face a eventos adversos. Os irmãos recorrem uns aos outros em busca de afeto e apoio, funcionando a relação fraterna como moderadora do impacto negativo dos contextos stressores nos irmãos (Edels, Naoufal & Montreuil, 2024).
Pensar OS IRMÃOS
4/4
PENSAR os irmãos
De acordo com a Teoria da Adaptação de Callista Roy, o papel do enfermeiro passa por promover as capacidades adaptativas da pessoa, e por melhorar as interações desta com o ambiente através da gestão dos estímulos (Tomey & Alligood, 2004). Sendo este um profissional de proximidade para as famílias, o enfermeiro está numa posição privilegiada para reconhecer as necessidades dos irmãos e facilitar a adaptação familiar (Rennick et al., 2021; Nygard et al., 2024).
O enfermeiro faz parte de uma equipa multidisciplinar que trabalha com a família (incluindo os irmãos), mas tem um papel próprio e de primeira linha. É um profissional de proximidade durante a hospitalização e tem um papel complementar mas insubstituivel no apoio emocional à criança e família.
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PENSAR | INTEGRAR | CUIDAR os irmãos da criança doente...
porquê?
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o quê?
como?
A DOENÇA E A FAMÍLIA
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A DOENÇA E A FAMÍLIA
Apesar de frequentemente serem afastados do contexto de cuidados e do irmão pelos pais ou profissionais de saúde, os irmãos continuam a ser atingidos por todas as alterações nas dinâmicas do sistema familiar (Nogueira & Ribeiro, 2020). Testemunham o sofrimento do irmão e perdem o suporte, atenção e segurança dos pais, o que os faz sentirem-se desvalorizados (Bernardo et al., 2023). Têm que dar mais apoio à família, fazendo tarefas domésticas ou passando informação à escola, e recebem menos apoio instrumental e emocional do que antes (Wawrzynski et al., 2021).
AS EMOÇÕES DOS IRMÃOS
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AS EMOÇÕES DOS IRMÃOS
A forma como os irmãos respondem à doença depende da sua idade e estadio de desenvolvimento: no irmão em idade pré-escolar, podem predominar o ciúme e a ansiedade de separação dos pais, na criança em idade escolar os pensamentos sobre se a doença terá sido sua culpa, e no adolescente o conflito entre a busca por autonomia e a necessidade de apoiar a família (Baker, 2024). De forma geral, os irmãos sentem-se incompreendidos e desvalorizados (Bernardo et al., 2023). A imprevisibilidade e incompreensão da doença e futuro causam medo e tristeza (Dryden-Palmer, Shinewald & O’Leary, 2024). Ao mesmo tempo, a empatia para com o irmão é frequente, o que torna a vivência de emoções negativas, como o ciúme ou a raiva, ainda mais conflituosa (Nogueira & Ribeiro, 2020).
OS IRMÃOS DA UCIPED
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OS IRMÃOS DA UCIPED
A Síndrome Pós-Cuidados Intensivos em Crianças (Post Intensive Care Syndrome - Pediatrics, PICS-p) reconhece que a criança sobrevivente está dentro de uma unidade familiar onde se incluem pais e irmãos (Manning, Colville & Rennick, 2018). A síndrome reflete que os impactos da doença crítica podem ser profundos, atingindo não só a criança mas também os irmãos nas dimensões física (fadiga, distúrbios do sono ou alimentares), cognitiva (comportamentos regressivos, dificuldades de concentração), emocional (dificuldade na gestão de emoções) e social (isolamento, dificuldades económicas familiares), mesmo após a alta (Appleyard et al., 2025).
NECESSIDADES DOS IRMÃOS
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NECESSIDADES DOS IRMÃOS
Com vista à sua adaptação e ao restabelecimento do equilíbrio familiar, a evidência identifica que os irmãos têm necessidade de: Suporte instrumental (manutenção de atividades habituais, criação de sentido de normalidade, distração da experiência de doença). Suporte de validação (reconhecimento pelas suas contribuições em casa e atenção individual). Suporte emocional (tempo passado com os pais e irmãos, recurso às relações extra-familiares e oportunidades para a expressão emocional segura). Suporte instrumental (comunicação clara, honesta e adequada à idade sobre a doença e os seus impactos na família, esclarecimento de dúvidas e inclusão da situação de saúde da familia). (Dryden-Palmer et al., 2024)
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O ENFERMEIRO E OS IRMÃOS
DICA BÓNUS
Ter um irmão com doença crítica e necessidade de internamento em cuidados intensivos pode afetar a qualidade de vida, a criação de planos para o futuro e o autoconceito das crianças de forma negativa ( Faith et al., 2023). Por outro lado, o diagnóstico de uma doença grave pode ter resultados positivos para os irmãos quando estes são incluidos na situação de saúde da família, como o aumento da empatia, da maturidade, da capacidade de dar voz ao outro, e de valorizar o que realmente importa (Faith et al., 2023).
O enfermeiro tem um papel fundamental como facilitador desta inclusão.
SUPORTE INSTRUMENTAL
1/4
SUPORTE INSTRUMENTAL
Os irmãos têm necessidade de distração da experiência da doença, criação de um sentido de normalidade e manutenção de atividades, como os trabalhos escolares e amizades (Wawrynski et al., 2021). O enfermeiro pode incentivar os pais a criarem com os filhos o seu mapa da rede de apoio, para que possam pedir ajuda emocional ou prática quando precisam (Van Schoors et al., 2021). Intervenções na escola e comunidade também podem ser úteis, nomeadamente os grupos de apoio para irmãos dentro da mesma faixa etária (Gill, 2020) - um caminho ainda a percorrer em Portugal.
Clica na imagem para descobrires o CareMap - uma ferramenta de enfermagem útil para os irmãos e famílias.
SUPORTE DE VALIDAÇÃO
2/4
SUPORTE DE VALIDAÇÃO
A validação da experiência do irmão saudável ajuda a reconhecer a sua perspetiva e a situá-lo na experiência da família, normalizando as suas respostas emocionais, apreensões e esperanças (Dryden-Palmer, Shinewald, & O’Leary, 2024). A criação, em equipa, de estratégias criativas para comemorar marcos para a criança saudável ou família (mesmo perante a doença ou hospitalização do irmão) podem ser intervenções essenciais para o suporte adequado a estas crianças (Dryden-Palmer, Shinewald, & O’Leary, 2024).
Às vezes sentimos que não temos tempo para chegar aos irmãos. Mas... não estamos sozinhos! E se déssemos o impulso para a celebração do "Dia dos irmãos", junto do Espaço Familiar Ronald McDonald?
SUPORTE EMOCIONAL
3/4
SUPORTE EMOCIONAL
Dar ao irmão saudável a ESCOLHA de visitar a criança doente, de forma programada e estruturada, reduz sentimentos de separação e isolamento e potencia a adaptação. Quando a visita não é possível, os enfermeiros podem incentivar demonstrações de afeto, como a entrega de brinquedos que simbolizem abraços, a realização de videochamadas, e o envolvimento do irmão na vida da criança doente oferecendo-lhe "trabalhos de casa", como tomar conta dos pertences do irmão (Appleyard et al., 2025). O enfermeiro pode facilitar a expressão segura das emoções em casa e na unidade. Na primeira forma, incentivando os pais a falarem das suas emoções com os filhos. Na segunda forma, utilizando materiais didáticos (livros, brinquedos, vídeos) para explorar as preocupações e desejos dos irmãos, e fazer a distinção entre a sua situação de saúde e a da criança doente (Dryden-Palmer, Shinewald, & O’Leary, 2024).
SUPORTE DE INFORMAÇÃO
3/4
SUPORTE DE INFORMAÇÃO
O enfermeiro, em parceria com os pais, deve compreender o estadio de desenvolvimento do irmão e as suas necessidades, para que consigam educá-lo sobre ideias preconcebidas, adequando as explicações à sua compreensão (Dryden-Palmer, Shinewald, & O’Leary, 2024).
Depois de gerirem as suas próprias emoções, os pais não devem esperar muito tempo para falar com os filhos saudáveis sobre a doença do irmão. Esta deve ser uma conversa planeada com a ajuda dos profissionais de saúde, a acontecer num sítio calmo, durante o dia.
Irmãos adolescentes podem precisar de informação detalhada sobre a doença, o tratamento e o prognóstico. Irmãos em idade pré-escolar e escolar podem beneficiar de mediação lúdica na transmissão de informação.
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Quiz COMPLETO!
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Parabéns!
Concluíste o quiz com sucesso - o que significa que agora estás mais preparado para cuidar (intensivamente) a família! As crianças, irmãos e famílias da UCIPed contam contigo.
E eu também Obrigada!
Helena Azinheira
Estudante de Mestrado em Enfermagem, com Especialização em Saúde Infantil e Pediátrica | Universidade de Évora
REFERÊNCIAS
Agerskov, H., Thiesson, H. C., & Pedersen, B. D. (2021). Siblings of children with chronic kidney disease: A qualitative study of everyday life experiences. Journal of Renal Care, 47(4), 242–249. https://doi.org/10.1111/jorc.12389 Appleyard, J., Copnell, B., Haling, A., Manning, J. C., & Butler, A. E. (2025). Multi-stakeholder perspectives into the experiences of siblings when a child is critically ill: A qualitative systematic review. In Intensive and Critical Care Nursing (Vol. 87). Churchill Livingstone. https://doi.org/10.1016/j.iccn.2024.103920 Baker, S. (2024). Siblings – A guide for parents. The Arthrogryposis Group. https://arthrogryposis.co.uk/wp-content/uploads/2024/04/Siblings.pdf Bernardo, A. F. N., Vasconcelos, A. R. L. R., Santos, I. F. C. dos, Patrício, M. A. D. R. V., & Rocha, G. M. (2023). O papel do enfermeiro especialista no envolvimento dos irmãos perante o internamento do recém-nascido. Revista Recien - Revista Científica de Enfermagem, 13(41), 324–334. https://doi.org/10.24276/rrecien2023.13.41.324-334 Biswas, M. (2022). Impact of critical illness on healthy siblings. Pediatric Nursing, 48(3), 129-135. Costa, J., Moraes, E., Carmona, E., & Mendes-Castillo, A. (2022). O cuidado centrado na família em unidade de terapia intensiva neonatal: Conceções dos técnicos de enfermagem. Revista de Enfermagem Referência, 6(1), e21144. https://doi.org/10.12707/RV21144
REFERÊNCIAS
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