A resistência da princesa
Sobre o projeto
- Este game foi desenvolvido para ser jogado individualmente ou em equipe, com o objetivo de educar e apresentar, de forma interativa, a trajetória de uma figura histórica importante do Espírito Santo.
- Se estiverem jogando em grupo, escolham uma pessoa responsável por compartilhar a tela e inserir as respostas ao longo do jogo. Conversem entre si, organizem-se e dividam as tarefas para resolver os desafios juntos.
Como funciona o jogo
- O jogo é composto por cenas narrativas e enigmas.
- Ao final de cada cena, observe atentamente o ambiente e descubra a resposta correta por meio da resolução de um enigma.
- Enquanto tentam decifrar o desafio, uma pista vai surgir automaticamente após alguns segundos. Para ver a dica, clique no ícone da lâmpada, localizado no lado esquerdo da tela.
- Quando o mistério da cena for resolvido, clique no botão “RESPOSTA” e digite a solução no campo indicado.
E se errar?
Se a resposta estiver incorreta, volte para a missão, aguarde a dica e pense com calma na solução.
Caso não consiga resolver o enigma, após 1 minuto a resposta correta aparecerá na tela, permitindo que você avance no jogo.
Ícones e narrativa
Clique para entrar no puzzle
Clique para enviar a resposta
Exibe uma dica para ajudar a resolver o enigma.
Mostra a resposta/solução do enigma.
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O jogo alterna entre momentos de narrativa e desafios. A cada enigma resolvido, uma parte da história é revelada.
Bom jogo!
As crianças brincavam, corriam e riam juntas. Mas, no meio da diversão, Zuri estava sozinha. Ela tentou se aproximar e participar da brincadeira… mas foi ignorada. Com o coração apertado e cheia de frustração, Zuri virou as costas e saiu correndo para casa.
Zuri explicou tudo para sua avó. Ela a ouviu com calma e a acolheu com carinho.
Avó
Vou te contar uma história, minha querida Zuri. Uma história antiga, contada pela sua bisavó e pela sua tataravó, e que nossa família guarda com carinho. Ela nos ensina a seguir em frente nas adversidades, sem perder a nossa majestade e o orgulho de quem somos.
Zuri
Essa história… a gente aprende ela na escola?
Avó
Não, essa história não está nos livros da escola. A maioria das pessoas não conhece esta história... Ela vem da tradição oral do nosso povo e foi transmitida boca a boca, de geração em geração. Muitas pessoas a contaram ao longo do tempo, e cada uma trouxe um olhar diferente sobre ela.
Avó
Essa história guarda enigmas. Vamos precisar resolvê-los juntas para chegar ao final.
Avó
Era o ano de 1690. Pessoas negras foram tiradas à força da África e levadas para outros lugares do mundo, onde foram escravizadas.
Avó
Essas pessoas eram obrigadas a deixar para trás tudo o que amavam: sua terra, sua cultura, sua fé, sua família e tudo o que haviam construído ao longo da vida.
Avó
A vida como essas pessoas a conheciam acabava no instante em que eram colocadas em embarcações que as levavam para um futuro doloroso e desconhecido. Essas embarcações tinham um nome. Você sabe qual?
Avó
Historicamente, eles foram chamados de navios negreiros. Mas, na verdade, eram navios de escravização, usados no tráfico de pessoas africanas, tratadas como mercadoria.
Avó
Um homem contou que foi capturado. Ele lutou o quanto pôde, mas não conseguiu fugir. O medo e a raiva se misturavam dentro dele.
Avó
Ali, naquele navio, ele não estava sozinho. Seus olhos encontraram os de uma mulher que ele conhecia… e o choque foi imediato. Ela também estava ali.
Avó
Os dias passaram, e eles chegaram a um lugar desconhecido. A próxima pista está ligada ao local onde a embarcação atracou.
R+1
Ã
L+3
N-1
C-2
Q+3
A+4
T+1
N+5
Avó
A embarcação chegou ao norte do Espírito Santo, na região que hoje conhecemos como São Mateus. As pessoas escravizadas foram levadas dali para trabalhar à força na fazenda de José Trancoso.
Avó
Uma mulher, tomada pela saudade dos filhos, chorava todas as noites. Ela foi acolhida por outra mulher… a mesma que aquele homem havia se espantado ao reencontrar no navio.
Avó
Na fazenda de José Trancoso, os dias eram duros, e o sofrimento era constante. Foi nesse momento que a mulher misteriosa do navio falou, com firmeza:
?????
Não nos trouxeram aqui para morrermos. Nos trouxeram para vivermos. O tempo da espera acabou. Nossa luta começa agora. A primeira chave para a nossa liberdade está na nossa história.
Avó
Antes de seguir, você precisa saber: quem é ela?
ZACIMBA GABA
Zacimba
Eu sou Zacimba Gaba. Uma mulher do povo Woyo. Aqui, em terras brasileiras, tentaram me transformar em escravizada… mas minha história não termina assim.
Avó
A chave para a liberdade está na nossa história.
Zuri
O que isso quer dizer, vó?
Investigue esta cena e encontre a senha.
Zuri
O que é ancestralidade?
Avó
Ancestralidade é quando a gente lembra e honra as pessoas que vieram antes de nós: nossos pais, avós, bisavós, tataravós… E também todos aqueles que lutaram e abriram caminhos, deixando um pedacinho deles dentro da gente.
Avó
É como um fio invisível que une o passado, o presente e o futuro.
Avó
Mesmo que a gente não tenha conhecido todos os nossos antepassados, o que eles viveram continua dentro da gente: nas nossas palavras, no nosso jeito de dançar, nas músicas, nas comidas e até nas nossas ideias sobre a vida.
Avó
A ancestralidade nos ajuda a enfrentar o medo. Ela lembra: “Você não está sozinho. Atrás de você existe um exército de amor, sabedoria e coragem.”
Avó
Ancestralidade é carregar no coração quem veio antes. É entender que nossa história é antiga, e isso nos dá força para buscar liberdade.
Contam que, nas noites de lua cheia, Zacimba erguia sua voz em busca da proteção dos deuses africanos, seguindo a tradição de seus antepassados.
Zuri quer descobrir a origem de Zacimba. De onde ela veio? Resolva o enigma para encontrar a resposta.
Angola
Quênia
Egito
Malawi
Mocambique
Tunísia
SIM
NÃO
estrela
preto
vermelho
enxada
verde
branco
Zacimba
Avó
Zacimba era do povo Woyo, da região de Cabinda, que fica no atual território de Angola.
Zacimba
Zacimba
Sim. Cabinda, Zuri, a nação africana de onde fomos arrancados, mas cuja força vive em nossos corações.
CAPATAZ
Eu percebi que Zacimba é tratada de forma diferente pelos outros escravizados. Desconfio que existe algo mais nessa história… algo que eu ainda não sei.
CAPATAZ
Eu vi alguém se curvar diante de Zacimba. Isso não é normal. Vou continuar aqui, observando. Ainda há algo nessa história que eu não entendi.
Há algo escondido na história de Zacimba. Desvende o enigma para descobrir.
Zacimba
Sim, Zuri. Eu era princesa em minha terra. Aqui, me fizeram escravizada. Mas eu não me rendi. Minha origem e minha realeza vivem em mim. Eu lembro dos tambores, das danças e da força do povo Woyo.
Zuri ficou surpresa. Ela nunca tinha pensado nisso antes. Assim como em outras partes do mundo, muitos povos africanos também tinham suas próprias tradições, com reinos, reis, rainhas e princesas. Foi então que Zuri entendeu: Zacimba era uma princesa Woyo… que foi escravizada no Brasil.
Zuri lembrou de nomes da realeza que conhecia, como a princesa Diana e a rainha Elizabeth II. Era difícil imaginar alguém assim sendo escravizado. Zacimba foi. E, mesmo assim, continuou liderando com coragem, como aprendeu com seus pais.
Avó
Infelizmente, Zuri, você não foi a única a descobrir esse importante aspecto da história de Zacimba. O senhor de engenho José Trancoso também soube de sua origem… e passou a vê-la como uma ameaça.
José Trancoso
Uma princesa aqui? Nunca. Ela vai aprender que isso não vale em minhas terras. Zacimba é perigosa. Vou vigiá-la. E já sei o que fazer com ela.
Zacimba foi separada dos seus. Para onde ela foi levada?
Akin
Aqui, todos os negros sofrem, é verdade. Mas, depois que o senhor do engenho descobriu que Zacimba era uma princesa em sua terra natal e tinha o respeito de muitos outros, tudo mudou.
Akin
Ela passou a sofrer violências ainda mais severas do que os outros. Castigos cruéis, abusos e privações faziam parte do dia a dia imposto a ela.
Avó
Zacimba não havia desistido. Em silêncio, com estratégia, ela planejava o que faria a seguir. Por fora, parecia calma. Por dentro, estava se movendo.
Zacimba preparava algo em silêncio… A próxima chave vai revelar o quê. Você consegue resolver o enigma?
Zacimba
Havia um lugar onde meu povo era forçado a viver…
Onde a dor era grande, mas também morava coragem e esperança.
Zacimba
Ali, escondidos, surgiam segredos da mata,
saberes para se proteger e sonhar com a liberdade.
Onde Zacimba estava preparando o veneno?
Avó
O veneno era preparado na senzala, porque era um dos poucos lugares onde as pessoas negras conseguiam agir sem serem vigiadas o tempo todo.
Avó
Mesmo sendo um lugar de dor, a senzala também se tornou um espaço de união, organização e resistência.
Essa, Zuri não esperava. Zacimba estava preparando algo perigoso em segredo, junto de seus aliados na senzala. Que veneno era esse? E para quê? Descubra no próximo enigma.
7-2
4-5
16-1
9-3
Durante a época da escravização no Brasil, a violência ia além do corpo e alcançava a linguagem e a memória. Pessoas negras eram arrancadas de suas terras e culturas, tratadas como mercadoria. O trabalho exaustivo levantava pó nos canaviais, nas minas e nas estradas, misturando suor e sofrimento. O sinhô, figura central desse poder, mandava e punia sustentado pela desumanização. Reconhecer isso é um passo essencial para não repetir, para reparar e para honrar quem nunca deixou de lutar, mesmo quando tudo parecia feito para amansar corpos e calar vozes.
Ayana
Aqui pelos lados de São Mateus e Conceição da Barra, o povo conhece os segredos da mata. Existe uma cobra conhecida como Preguiçosa. Um bicho quieto… mas com um veneno de respeito. Quem é do Vale do Cricaré sabe bem.
Ayana
Com a cobra se faz um pó. E esse pó… ah, esse pó vai sendo colocado devagarinho na comida do senhor de engenho. Um tantinho hoje, outro tantinho amanhã. Sem pressa...
Ayana
Até porque, às vezes, o sinhô manda a gente comer primeiro, pra provar que a comida dele não tem nada misturado.
Zacimba
Usei o conhecimento e a estratégia para buscar a liberdade e proteger meu povo de José Trancoso.
Avó
O que começou como uma condenação, ficar na casa grande por ordem de José Trancoso, com o tempo se transformou em um caminho para a liberdade.
Avó
Ou seja, por estar trabalhando na Casa Grande, onde tinha como uma das funções cozinhar, Zacimba, envenenou o senhor de engenho usando um veneno chamado “pó de amansar sinhô”, utilizado para matar aos poucos, evitando suspeitas.
Zacimba
Uma grande confusão se começou depois da morte de José Trancoso. Com coragem e determinação, eu liderei meu povo em um levante na fazenda contra a opressão.
Zacimba
Mas agora que a fazenda caiu, ainda estamos em perigo. Precisamos encontrar um lugar seguro para ficar. Qual será meu próximo passo? O que vou construir?
Zacimba
Um quilombo é mais que refúgio, Zuri. É onde a liberdade começa a tomar forma.
Avó
Zacimba fundou um quilombo na região do Riacho Doce, perto do que hoje conhecemos como Vila de Itaúnas.
Qual era o nome do quilombo fundado por Zacimba?
Zaire
No quilombo, vi Zacimba sentada sozinha. Me aproximei devagar e perguntei: “E agora?”
Zaire
Zacimba chamou todos para perto e falou com firmeza: “Uma nova luta vai começar.” Eu ouvi aquelas palavras… mas ainda não compreendia o que ela queria dizer.
Zaire
Existem vários caminhos. Encontre o trajeto que vai do começo ao fim, percorrendo o menor valor possível. Desvende o enigma para descobrir o que Zacimba tem em mente.
Zacimba
Eles pensam que somos apenas corpos a serem explorados. Mas a violência que sofremos não nos define. A verdadeira justiça não vai cair do céu. Ela nasce da nossa união e da nossa coragem.
Zuri
Como assim, resistência, vovó? O que ela fez?
Desvende o enigma para continuar descobrindo essa história.
EN O R
TO O R
QU R C
Marinheiro
Eu nunca vou esquecer aquele momento. Achávamos que estávamos no controle… mas fomos surpreendidos por Zacimba Gaba e seus aliados.
Avó
Zacimba organizou ações noturnas para libertar pessoas recém-chegadas em navios de escravização na região de São Mateus.
Avó
Zacimba sabia que não podia salvar todos… mas fazia tudo o que podia para libertar quem estivesse ao seu alcance. Não se sabe ao certo quantos navios de escravização ela enfrentou, mas sua luta foi firme contra o tráfico de pessoas africanas escravizadas.
Avó
Ela foi brilhante, Zuri. A estratégia de Zacimba era atacar os navios ainda no rio Cricaré, antes mesmo de atracarem, aproveitando a fragilidade da tripulação após meses de viagem em condições precárias.
Avó
Assim, mesmo com poucos recursos, havia maiores chances de sucesso. Embora os navios fossem bem armados e protegidos, a tripulação costumava estar fragilizada para o combate. Além disso, eram construídas canoas, que vinham dos quilombos, para facilitar a fuga das pessoas escravizadas.
Zacimba
Essa é uma luta do nosso povo que não teve fim comigo e continuou com vários outros. A chave para seguir é um ano importante para o nosso povo.
Zacimba
Muito bem! A minha rebelião começou muito antes da abolição da escravatura do Brasil. Essa data conta a história da nossa luta.
Zacimba
Eu não sabia, mas a abolição da escravidão no Brasil só aconteceria em 1888. Foi no dia 13 de maio, com a assinatura da Lei Áurea pela princesa Isabel.
Zacimba
Esse evento acabou com a escravidão como algo legal no país, mas suas consequências sociais e econômicas continuaram, e ainda continuam, afetando a população negra.
Avó
Bom, Zuri, a gente também luta no nosso tempo. Todos nós que carregamos essa identidade negra marcada na pele ainda enfrentamos desafios… e seguimos resistindo.
Zuri
Vó… contra o que a gente ainda precisa lutar?
Avó
Zuri, você já ouviu falar em racismo estrutural? Deixa eu te explicar de um jeito simples. Imagina um jardim…
Avó
Tem flores de várias cores. Mas algumas flores, lá no passado, tiveram pouca água e pouco sol.
Avó
Mesmo que hoje ninguém esteja tirando água delas,
elas ainda crescem com mais dificuldade,
porque o terreno foi feito pensando só nas flores brancas.
Avó
Isso vem de muito tempo atrás, da época da escravidão.O mundo foi construído como se só uma parte das pessoas fosse importante. E, mesmo sem correntes hoje, as marcas desse passado ainda estão aqui.
Avó
Isso é racismo estrutural.
Avó
Quando muitos desafios se cruzam na vida de uma pessoa ao mesmo tempo, chamamos isso de interseccionalidade.
Avó
Interseccionalidade é quando uma pessoa enfrenta mais de uma dificuldade ao mesmo tempo por causa de quem ela é.
Avó
Por exemplo, alguém pode ser negro, mulher e pobre ao mesmo tempo. Quando esses desafios se somam, os obstáculos costumam ser maiores.
Avó
É como carregar várias mochilas pesadas juntas, enquanto outras pessoas carregam só uma ou nenhuma.
Avó
Agora vamos falar da Zacimba.
Zacimba era: negra, mulher e escravizada.
Avó
Isso significa que ela tinha vários pesos injustos ao mesmo tempo. E, por causa disso, mesmo sendo uma líder forte, corajosa e tão importante, a história dela quase não apareceu nos livros. Por quê?
Avó
Porque por muito tempo, homens eram mais lembrados que mulheres, pessoas brancas eram mais lembradas que pessoas negras, e pessoas negras heróicas eram escondidas.
Avó
Então, agora que sabemos disso, nossa missão é: contar essa história e dar a ela o lugar que merece.
Avó
Estamos chegando ao fim da nossa jornada… Você conheceu histórias de dor e resistência, e aprendeu sobre justiça, liberdade e coragem.
Avó
Agora eu te pergunto: que mudança queremos construir com tudo isso?
Avó
Queremos um mundo em que as pessoas não fiquem quietas diante da injustiça.
Avó
Ser antirracista é escolher a coragem.
É quando a gente vê algo errado e decide mudar, não fingir que não viu.
Avó
E agora o enigma final... O que Zacimba Gaba nos deixou?
B6
B3
C5
C1
D3
A5
Avó
A história de Zacimba Gaba não chegou até nós pelos livros, mas pela memória e pela voz do nosso povo negro do Espírito Santo.
Avó
Ela foi princesa Woyo, mulher negra, líder quilombola e guerreira da liberdade e mesmo assim sua história foi quase apagada.
Avó
Como muitas mulheres negras que transformaram o mundo, Zacimba foi invisibilizada, mas sua força permaneceu. Hoje, ela vive em cada luta por justiça e em cada criança que aprende seu nome.
Avó
Que essa jornada honre sua memória e te inspire a olhar para o passado, entender o presente e ajudar a construir um futuro onde vidas negras, principalmente de mulheres negras, sejam respeitadas, lembradas e celebradas.
Você concluiu essa jornada com sucesso!
Obrigada por jogar e aprender conosco.
Equipe LUDO Thinking
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CRÉDITOS
Game design, arte e pesquisa Mídias Sociais Programação Produção
- Renata Machado - Laura Becalli - Dandara Salaun - Anna Barbosa
Resposta:
Antirracismo
Resposta:
Racismo Estrutural
Resposta:
Angola
Resposta:
Veneno
Resposta:
Ancestralidade
Resposta:
Quilombo
Resposta:
Sapê do Norte
Resposta:
Pó de amansar sinhô
Resposta:
Casa Grande
Resposta:
Navios de Escravização
Resposta:
Resistência
Resposta:
Senzala
Resposta:
1888
Resposta:
Legado
Resposta:
Princesa
Resposta:
Zacimba Gaba
Resposta:
Ataques Noturnos no Rio Cricaré
Resposta:
São Mateus
Oficial - Zacimba - Game
Anna Barbosa
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Transcript
A resistência da princesa
Sobre o projeto
Como funciona o jogo
- O jogo é composto por cenas narrativas e enigmas.
- Ao final de cada cena, observe atentamente o ambiente e descubra a resposta correta por meio da resolução de um enigma.
- Enquanto tentam decifrar o desafio, uma pista vai surgir automaticamente após alguns segundos. Para ver a dica, clique no ícone da lâmpada, localizado no lado esquerdo da tela.
- Quando o mistério da cena for resolvido, clique no botão “RESPOSTA” e digite a solução no campo indicado.
E se errar? Se a resposta estiver incorreta, volte para a missão, aguarde a dica e pense com calma na solução. Caso não consiga resolver o enigma, após 1 minuto a resposta correta aparecerá na tela, permitindo que você avance no jogo.Ícones e narrativa
Clique para entrar no puzzle
Clique para enviar a resposta
Exibe uma dica para ajudar a resolver o enigma.
Mostra a resposta/solução do enigma.
Volta para a página anterior
O jogo alterna entre momentos de narrativa e desafios. A cada enigma resolvido, uma parte da história é revelada.
Bom jogo!
As crianças brincavam, corriam e riam juntas. Mas, no meio da diversão, Zuri estava sozinha. Ela tentou se aproximar e participar da brincadeira… mas foi ignorada. Com o coração apertado e cheia de frustração, Zuri virou as costas e saiu correndo para casa.
Zuri explicou tudo para sua avó. Ela a ouviu com calma e a acolheu com carinho.
Avó
Vou te contar uma história, minha querida Zuri. Uma história antiga, contada pela sua bisavó e pela sua tataravó, e que nossa família guarda com carinho. Ela nos ensina a seguir em frente nas adversidades, sem perder a nossa majestade e o orgulho de quem somos.
Zuri
Essa história… a gente aprende ela na escola?
Avó
Não, essa história não está nos livros da escola. A maioria das pessoas não conhece esta história... Ela vem da tradição oral do nosso povo e foi transmitida boca a boca, de geração em geração. Muitas pessoas a contaram ao longo do tempo, e cada uma trouxe um olhar diferente sobre ela.
Avó
Essa história guarda enigmas. Vamos precisar resolvê-los juntas para chegar ao final.
Avó
Era o ano de 1690. Pessoas negras foram tiradas à força da África e levadas para outros lugares do mundo, onde foram escravizadas.
Avó
Essas pessoas eram obrigadas a deixar para trás tudo o que amavam: sua terra, sua cultura, sua fé, sua família e tudo o que haviam construído ao longo da vida.
Avó
A vida como essas pessoas a conheciam acabava no instante em que eram colocadas em embarcações que as levavam para um futuro doloroso e desconhecido. Essas embarcações tinham um nome. Você sabe qual?
Avó
Historicamente, eles foram chamados de navios negreiros. Mas, na verdade, eram navios de escravização, usados no tráfico de pessoas africanas, tratadas como mercadoria.
Avó
Um homem contou que foi capturado. Ele lutou o quanto pôde, mas não conseguiu fugir. O medo e a raiva se misturavam dentro dele.
Avó
Ali, naquele navio, ele não estava sozinho. Seus olhos encontraram os de uma mulher que ele conhecia… e o choque foi imediato. Ela também estava ali.
Avó
Os dias passaram, e eles chegaram a um lugar desconhecido. A próxima pista está ligada ao local onde a embarcação atracou.
R+1 Ã L+3 N-1 C-2 Q+3 A+4 T+1 N+5
Avó
A embarcação chegou ao norte do Espírito Santo, na região que hoje conhecemos como São Mateus. As pessoas escravizadas foram levadas dali para trabalhar à força na fazenda de José Trancoso.
Avó
Uma mulher, tomada pela saudade dos filhos, chorava todas as noites. Ela foi acolhida por outra mulher… a mesma que aquele homem havia se espantado ao reencontrar no navio.
Avó
Na fazenda de José Trancoso, os dias eram duros, e o sofrimento era constante. Foi nesse momento que a mulher misteriosa do navio falou, com firmeza:
?????
Não nos trouxeram aqui para morrermos. Nos trouxeram para vivermos. O tempo da espera acabou. Nossa luta começa agora. A primeira chave para a nossa liberdade está na nossa história.
Avó
Antes de seguir, você precisa saber: quem é ela?
ZACIMBA GABA
Zacimba
Eu sou Zacimba Gaba. Uma mulher do povo Woyo. Aqui, em terras brasileiras, tentaram me transformar em escravizada… mas minha história não termina assim.
Avó
A chave para a liberdade está na nossa história.
Zuri
O que isso quer dizer, vó?
Investigue esta cena e encontre a senha.
Zuri
O que é ancestralidade?
Avó
Ancestralidade é quando a gente lembra e honra as pessoas que vieram antes de nós: nossos pais, avós, bisavós, tataravós… E também todos aqueles que lutaram e abriram caminhos, deixando um pedacinho deles dentro da gente.
Avó
É como um fio invisível que une o passado, o presente e o futuro.
Avó
Mesmo que a gente não tenha conhecido todos os nossos antepassados, o que eles viveram continua dentro da gente: nas nossas palavras, no nosso jeito de dançar, nas músicas, nas comidas e até nas nossas ideias sobre a vida.
Avó
A ancestralidade nos ajuda a enfrentar o medo. Ela lembra: “Você não está sozinho. Atrás de você existe um exército de amor, sabedoria e coragem.”
Avó
Ancestralidade é carregar no coração quem veio antes. É entender que nossa história é antiga, e isso nos dá força para buscar liberdade.
Contam que, nas noites de lua cheia, Zacimba erguia sua voz em busca da proteção dos deuses africanos, seguindo a tradição de seus antepassados.
Zuri quer descobrir a origem de Zacimba. De onde ela veio? Resolva o enigma para encontrar a resposta.
Angola
Quênia
Egito
Malawi
Mocambique
Tunísia
SIM
NÃO
estrela preto vermelho
enxada verde branco
Zacimba
Avó
Zacimba era do povo Woyo, da região de Cabinda, que fica no atual território de Angola.
Zacimba
Zacimba
Sim. Cabinda, Zuri, a nação africana de onde fomos arrancados, mas cuja força vive em nossos corações.
CAPATAZ
Eu percebi que Zacimba é tratada de forma diferente pelos outros escravizados. Desconfio que existe algo mais nessa história… algo que eu ainda não sei.
CAPATAZ
Eu vi alguém se curvar diante de Zacimba. Isso não é normal. Vou continuar aqui, observando. Ainda há algo nessa história que eu não entendi.
Há algo escondido na história de Zacimba. Desvende o enigma para descobrir.
Zacimba
Sim, Zuri. Eu era princesa em minha terra. Aqui, me fizeram escravizada. Mas eu não me rendi. Minha origem e minha realeza vivem em mim. Eu lembro dos tambores, das danças e da força do povo Woyo.
Zuri ficou surpresa. Ela nunca tinha pensado nisso antes. Assim como em outras partes do mundo, muitos povos africanos também tinham suas próprias tradições, com reinos, reis, rainhas e princesas. Foi então que Zuri entendeu: Zacimba era uma princesa Woyo… que foi escravizada no Brasil.
Zuri lembrou de nomes da realeza que conhecia, como a princesa Diana e a rainha Elizabeth II. Era difícil imaginar alguém assim sendo escravizado. Zacimba foi. E, mesmo assim, continuou liderando com coragem, como aprendeu com seus pais.
Avó
Infelizmente, Zuri, você não foi a única a descobrir esse importante aspecto da história de Zacimba. O senhor de engenho José Trancoso também soube de sua origem… e passou a vê-la como uma ameaça.
José Trancoso
Uma princesa aqui? Nunca. Ela vai aprender que isso não vale em minhas terras. Zacimba é perigosa. Vou vigiá-la. E já sei o que fazer com ela.
Zacimba foi separada dos seus. Para onde ela foi levada?
Akin
Aqui, todos os negros sofrem, é verdade. Mas, depois que o senhor do engenho descobriu que Zacimba era uma princesa em sua terra natal e tinha o respeito de muitos outros, tudo mudou.
Akin
Ela passou a sofrer violências ainda mais severas do que os outros. Castigos cruéis, abusos e privações faziam parte do dia a dia imposto a ela.
Avó
Zacimba não havia desistido. Em silêncio, com estratégia, ela planejava o que faria a seguir. Por fora, parecia calma. Por dentro, estava se movendo.
Zacimba preparava algo em silêncio… A próxima chave vai revelar o quê. Você consegue resolver o enigma?
Zacimba
Havia um lugar onde meu povo era forçado a viver… Onde a dor era grande, mas também morava coragem e esperança.
Zacimba
Ali, escondidos, surgiam segredos da mata, saberes para se proteger e sonhar com a liberdade.
Onde Zacimba estava preparando o veneno?
Avó
O veneno era preparado na senzala, porque era um dos poucos lugares onde as pessoas negras conseguiam agir sem serem vigiadas o tempo todo.
Avó
Mesmo sendo um lugar de dor, a senzala também se tornou um espaço de união, organização e resistência.
Essa, Zuri não esperava. Zacimba estava preparando algo perigoso em segredo, junto de seus aliados na senzala. Que veneno era esse? E para quê? Descubra no próximo enigma.
7-2 4-5 16-1 9-3
Durante a época da escravização no Brasil, a violência ia além do corpo e alcançava a linguagem e a memória. Pessoas negras eram arrancadas de suas terras e culturas, tratadas como mercadoria. O trabalho exaustivo levantava pó nos canaviais, nas minas e nas estradas, misturando suor e sofrimento. O sinhô, figura central desse poder, mandava e punia sustentado pela desumanização. Reconhecer isso é um passo essencial para não repetir, para reparar e para honrar quem nunca deixou de lutar, mesmo quando tudo parecia feito para amansar corpos e calar vozes.
Ayana
Aqui pelos lados de São Mateus e Conceição da Barra, o povo conhece os segredos da mata. Existe uma cobra conhecida como Preguiçosa. Um bicho quieto… mas com um veneno de respeito. Quem é do Vale do Cricaré sabe bem.
Ayana
Com a cobra se faz um pó. E esse pó… ah, esse pó vai sendo colocado devagarinho na comida do senhor de engenho. Um tantinho hoje, outro tantinho amanhã. Sem pressa...
Ayana
Até porque, às vezes, o sinhô manda a gente comer primeiro, pra provar que a comida dele não tem nada misturado.
Zacimba
Usei o conhecimento e a estratégia para buscar a liberdade e proteger meu povo de José Trancoso.
Avó
O que começou como uma condenação, ficar na casa grande por ordem de José Trancoso, com o tempo se transformou em um caminho para a liberdade.
Avó
Ou seja, por estar trabalhando na Casa Grande, onde tinha como uma das funções cozinhar, Zacimba, envenenou o senhor de engenho usando um veneno chamado “pó de amansar sinhô”, utilizado para matar aos poucos, evitando suspeitas.
Zacimba
Uma grande confusão se começou depois da morte de José Trancoso. Com coragem e determinação, eu liderei meu povo em um levante na fazenda contra a opressão.
Zacimba
Mas agora que a fazenda caiu, ainda estamos em perigo. Precisamos encontrar um lugar seguro para ficar. Qual será meu próximo passo? O que vou construir?
Zacimba
Um quilombo é mais que refúgio, Zuri. É onde a liberdade começa a tomar forma.
Avó
Zacimba fundou um quilombo na região do Riacho Doce, perto do que hoje conhecemos como Vila de Itaúnas.
Qual era o nome do quilombo fundado por Zacimba?
Zaire
No quilombo, vi Zacimba sentada sozinha. Me aproximei devagar e perguntei: “E agora?”
Zaire
Zacimba chamou todos para perto e falou com firmeza: “Uma nova luta vai começar.” Eu ouvi aquelas palavras… mas ainda não compreendia o que ela queria dizer.
Zaire
Existem vários caminhos. Encontre o trajeto que vai do começo ao fim, percorrendo o menor valor possível. Desvende o enigma para descobrir o que Zacimba tem em mente.
Zacimba
Eles pensam que somos apenas corpos a serem explorados. Mas a violência que sofremos não nos define. A verdadeira justiça não vai cair do céu. Ela nasce da nossa união e da nossa coragem.
Zuri
Como assim, resistência, vovó? O que ela fez?
Desvende o enigma para continuar descobrindo essa história.
EN O R
TO O R
QU R C
Marinheiro
Eu nunca vou esquecer aquele momento. Achávamos que estávamos no controle… mas fomos surpreendidos por Zacimba Gaba e seus aliados.
Avó
Zacimba organizou ações noturnas para libertar pessoas recém-chegadas em navios de escravização na região de São Mateus.
Avó
Zacimba sabia que não podia salvar todos… mas fazia tudo o que podia para libertar quem estivesse ao seu alcance. Não se sabe ao certo quantos navios de escravização ela enfrentou, mas sua luta foi firme contra o tráfico de pessoas africanas escravizadas.
Avó
Ela foi brilhante, Zuri. A estratégia de Zacimba era atacar os navios ainda no rio Cricaré, antes mesmo de atracarem, aproveitando a fragilidade da tripulação após meses de viagem em condições precárias.
Avó
Assim, mesmo com poucos recursos, havia maiores chances de sucesso. Embora os navios fossem bem armados e protegidos, a tripulação costumava estar fragilizada para o combate. Além disso, eram construídas canoas, que vinham dos quilombos, para facilitar a fuga das pessoas escravizadas.
Zacimba
Essa é uma luta do nosso povo que não teve fim comigo e continuou com vários outros. A chave para seguir é um ano importante para o nosso povo.
Zacimba
Muito bem! A minha rebelião começou muito antes da abolição da escravatura do Brasil. Essa data conta a história da nossa luta.
Zacimba
Eu não sabia, mas a abolição da escravidão no Brasil só aconteceria em 1888. Foi no dia 13 de maio, com a assinatura da Lei Áurea pela princesa Isabel.
Zacimba
Esse evento acabou com a escravidão como algo legal no país, mas suas consequências sociais e econômicas continuaram, e ainda continuam, afetando a população negra.
Avó
Bom, Zuri, a gente também luta no nosso tempo. Todos nós que carregamos essa identidade negra marcada na pele ainda enfrentamos desafios… e seguimos resistindo.
Zuri
Vó… contra o que a gente ainda precisa lutar?
Avó
Zuri, você já ouviu falar em racismo estrutural? Deixa eu te explicar de um jeito simples. Imagina um jardim…
Avó
Tem flores de várias cores. Mas algumas flores, lá no passado, tiveram pouca água e pouco sol.
Avó
Mesmo que hoje ninguém esteja tirando água delas, elas ainda crescem com mais dificuldade, porque o terreno foi feito pensando só nas flores brancas.
Avó
Isso vem de muito tempo atrás, da época da escravidão.O mundo foi construído como se só uma parte das pessoas fosse importante. E, mesmo sem correntes hoje, as marcas desse passado ainda estão aqui.
Avó
Isso é racismo estrutural.
Avó
Quando muitos desafios se cruzam na vida de uma pessoa ao mesmo tempo, chamamos isso de interseccionalidade.
Avó
Interseccionalidade é quando uma pessoa enfrenta mais de uma dificuldade ao mesmo tempo por causa de quem ela é.
Avó
Por exemplo, alguém pode ser negro, mulher e pobre ao mesmo tempo. Quando esses desafios se somam, os obstáculos costumam ser maiores.
Avó
É como carregar várias mochilas pesadas juntas, enquanto outras pessoas carregam só uma ou nenhuma.
Avó
Agora vamos falar da Zacimba. Zacimba era: negra, mulher e escravizada.
Avó
Isso significa que ela tinha vários pesos injustos ao mesmo tempo. E, por causa disso, mesmo sendo uma líder forte, corajosa e tão importante, a história dela quase não apareceu nos livros. Por quê?
Avó
Porque por muito tempo, homens eram mais lembrados que mulheres, pessoas brancas eram mais lembradas que pessoas negras, e pessoas negras heróicas eram escondidas.
Avó
Então, agora que sabemos disso, nossa missão é: contar essa história e dar a ela o lugar que merece.
Avó
Estamos chegando ao fim da nossa jornada… Você conheceu histórias de dor e resistência, e aprendeu sobre justiça, liberdade e coragem.
Avó
Agora eu te pergunto: que mudança queremos construir com tudo isso?
Avó
Queremos um mundo em que as pessoas não fiquem quietas diante da injustiça.
Avó
Ser antirracista é escolher a coragem. É quando a gente vê algo errado e decide mudar, não fingir que não viu.
Avó
E agora o enigma final... O que Zacimba Gaba nos deixou?
B6 B3 C5 C1 D3 A5
Avó
A história de Zacimba Gaba não chegou até nós pelos livros, mas pela memória e pela voz do nosso povo negro do Espírito Santo.
Avó
Ela foi princesa Woyo, mulher negra, líder quilombola e guerreira da liberdade e mesmo assim sua história foi quase apagada.
Avó
Como muitas mulheres negras que transformaram o mundo, Zacimba foi invisibilizada, mas sua força permaneceu. Hoje, ela vive em cada luta por justiça e em cada criança que aprende seu nome.
Avó
Que essa jornada honre sua memória e te inspire a olhar para o passado, entender o presente e ajudar a construir um futuro onde vidas negras, principalmente de mulheres negras, sejam respeitadas, lembradas e celebradas.
Você concluiu essa jornada com sucesso!
Obrigada por jogar e aprender conosco.
Equipe LUDO Thinking
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CRÉDITOS
Game design, arte e pesquisa Mídias Sociais Programação Produção
- Renata Machado - Laura Becalli - Dandara Salaun - Anna Barbosa
Resposta:
Antirracismo
Resposta:
Racismo Estrutural
Resposta:
Angola
Resposta:
Veneno
Resposta:
Ancestralidade
Resposta:
Quilombo
Resposta:
Sapê do Norte
Resposta:
Pó de amansar sinhô
Resposta:
Casa Grande
Resposta:
Navios de Escravização
Resposta:
Resistência
Resposta:
Senzala
Resposta:
1888
Resposta:
Legado
Resposta:
Princesa
Resposta:
Zacimba Gaba
Resposta:
Ataques Noturnos no Rio Cricaré
Resposta:
São Mateus