Feature organization, G. N. Clements (2004)
As premissas básicas. Funcionalidade e universalidade.
Feature organization, G. N. Clements (2004) Geometria de traços. Premissas básicas. Funcionalidade e universalidade.
Fonologia (2025) Sara Santo Docente: Prof.ª Dr.ª Susana Correia
Universidade Nova de LisboaMestrado em Ciências da Linguagem
Contributo da teoria da geometria de traços (Clements, 2004) Premissas (1)
1. Definição de traços internos de uma estrutura segmental sonora.
2. Desenho de árvore com nós de traços
i. traços de segmento - Raiz
- traços de superfície
- traços de profundidade
ii. traços de classe - nós intermédios
3. Hierarquização dos traços é universal.
4. Cada set de traços especifica um ramo autossegmental.
5. Cada traço liga-se a apenas um nó de nível superior.
Extensão da teoria: aplicação à fonética (fonologia articulatória)
Geometria de traços (Clements, 2004)
Funcionalidade (2) e fonética (3)
(2) A representação fonológica indica o set de traços articulatórios.
Há localização articulatória (PAV e PAC).
É necessária a organização dos traços distintivos.
O traço é a unidade mínima da fonologia.
(3) A performance fonética prova a funcionalidade da representação (2).
Na produção fonética verificam-se PAV/PAC + traço s distintivos (classe e terminal).
É necessária homogeneidade na performance, um padrão.
O tom permite co-ocorrência segmental (regular - ensinado / regional - produzido)
- MCCarthy (1988) revê a representação autossegmental:
- assimilação
- dissimilação
- traços flutuantes
- traços de contorno
- morfemas de traço
A previsão de [±sonoro] e [±vozeado] como autossegmental está errada, não é previsível.
[±sonoro] e [±oclusivo] devem ser traços do nó Raiz.
Universalidade (4)
Hockett (1942); Harris (1944); Firth (1957) “os traços podem ter diferentes extensões ao longo dos segmentos de que uma palavra / frase é composta”
Bloomfield (1933) “sons são sequências de traços simultâneos, sem organização interna”
Hayes (1986) “as classes de traços são construídas derivacionalmente, incluídas apenas quando desencadeadas pelas regras”
Browman and Goldstein (1989, 1992) “os princípios que regem uma língua falada entendem-se melhor vistos com padrões de gestos articulatórios coordenados”
A fonologia articulatória define padrões fonológicos e fonéticos para “performances articulatórias” representações formais de gestos abstratos e dos seus padrões coordenados, representações distintivas.
MacCarthy (1988) Revê propriedades para autossegmentalidade: assimilação; dissimilação; traços flutuantes; traços de contorno; morfemas de traço único.Sendo as representações corretas, a regra segui-las-á.
Clements (1985); Padget (2002) “os traços organizam-se em classes, combinando-se para um nível de superfície”
Universalidade (4)
Sagey (1990) e Halle (1995) “os traços segmentais dividem-se em 2 tipos: dependentes e independentes; há 3 tipos de sons: segmentos complexos, segmentos de perfil / curva e segmentos simples”
“traços articuladores para PAC e PAV”
Ni Chiósain e Padgett (1993) “os traços consonânticos estão representados duas vezes, no ponto de traço primário e no ponto vocálico virtual secundário”
Keyser e Stevens (1994) “geometria de traços baseada em critérios fonéticos”
Clements e Hertz (1996) IRS - sistema integrado de representação para expressão de relações acústicas-fonológicas.
Bao (1999) eHalle e Stevens (2001) “consoantes e tons partilham os traços [+ folga] e [+ rigidez] ligados ao nível glotal, análogo ao nível laríngeo”
MacCarthy (2001) “os traços distinguem-se porque têm dinâmica individual”
Universalidade (4)
Clements (2004) Traços não têm duração. Traços são categoriais. Traços definem-se por relações quânticas acústicas articulatórias (quantidade de som). Traços representados em diferentes níveis de representação. Os nós de classe localizam-se na representação do traço. Geometria de traços é rígida.
Clements (2003) A geometria de traços permite perceber traços de economia na performance.
Universalidade (4)
A existência de línguas tonais permite questionar a universalidade, uma das premissas da geometria de traços:
Nas línguas tonais, as oclusivas vozeadas afetam as vogais nos traços [+ baixo] e [+alto].
A assimilação não se realiza em todas as línguas.
A mudança histórica afeta a influência das oclusivas vozeadas e não vozeadas.
Algumas línguas tonais não apresentam interação fonológica consonântica/tonal.
Universalidade (4)
Consoantes
oclusivas vozeadas oclusivas não vozeadas
Vogais - tons baixo (muito baixo) alto
Traços (Halle e Stevens) folga das cordas vocais
(sons graves, interrupção do som)
rigidez das cordas vocais
(sons agudos, fragmentação do som)
Universalidade (4)
Enriquecimento da teoria da geometria de traços:
1. parametrização com alteração da ligação dos traços;
2. indicação do nó glotal para:
línguas com interação consoante / tom;inclusão do nó silábico e mora (duração). Diverge a quantidade de níveis na hierarquia dos traços.
Os tons não têm representação fonológica, mas afetam a performance, o que põe em causa a universalidade e convoca outras áreas da análise linguística, como a análise prosódica, para o reforço da teoria.
SS_FG
Sara Espírito Santo
Created on October 31, 2025
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Feature organization, G. N. Clements (2004) As premissas básicas. Funcionalidade e universalidade.
Feature organization, G. N. Clements (2004) Geometria de traços. Premissas básicas. Funcionalidade e universalidade.
Fonologia (2025) Sara Santo Docente: Prof.ª Dr.ª Susana Correia
Universidade Nova de LisboaMestrado em Ciências da Linguagem
Contributo da teoria da geometria de traços (Clements, 2004) Premissas (1)
1. Definição de traços internos de uma estrutura segmental sonora. 2. Desenho de árvore com nós de traços i. traços de segmento - Raiz
- traços de superfície
- traços de profundidade
ii. traços de classe - nós intermédios 3. Hierarquização dos traços é universal. 4. Cada set de traços especifica um ramo autossegmental. 5. Cada traço liga-se a apenas um nó de nível superior.Extensão da teoria: aplicação à fonética (fonologia articulatória)
Geometria de traços (Clements, 2004)
Funcionalidade (2) e fonética (3)
(2) A representação fonológica indica o set de traços articulatórios. Há localização articulatória (PAV e PAC). É necessária a organização dos traços distintivos. O traço é a unidade mínima da fonologia. (3) A performance fonética prova a funcionalidade da representação (2). Na produção fonética verificam-se PAV/PAC + traço s distintivos (classe e terminal). É necessária homogeneidade na performance, um padrão. O tom permite co-ocorrência segmental (regular - ensinado / regional - produzido)
A previsão de [±sonoro] e [±vozeado] como autossegmental está errada, não é previsível. [±sonoro] e [±oclusivo] devem ser traços do nó Raiz.
Universalidade (4)
Hockett (1942); Harris (1944); Firth (1957) “os traços podem ter diferentes extensões ao longo dos segmentos de que uma palavra / frase é composta”
Bloomfield (1933) “sons são sequências de traços simultâneos, sem organização interna”
Hayes (1986) “as classes de traços são construídas derivacionalmente, incluídas apenas quando desencadeadas pelas regras”
Browman and Goldstein (1989, 1992) “os princípios que regem uma língua falada entendem-se melhor vistos com padrões de gestos articulatórios coordenados” A fonologia articulatória define padrões fonológicos e fonéticos para “performances articulatórias” representações formais de gestos abstratos e dos seus padrões coordenados, representações distintivas.
MacCarthy (1988) Revê propriedades para autossegmentalidade: assimilação; dissimilação; traços flutuantes; traços de contorno; morfemas de traço único.Sendo as representações corretas, a regra segui-las-á.
Clements (1985); Padget (2002) “os traços organizam-se em classes, combinando-se para um nível de superfície”
Universalidade (4)
Sagey (1990) e Halle (1995) “os traços segmentais dividem-se em 2 tipos: dependentes e independentes; há 3 tipos de sons: segmentos complexos, segmentos de perfil / curva e segmentos simples” “traços articuladores para PAC e PAV”
Ni Chiósain e Padgett (1993) “os traços consonânticos estão representados duas vezes, no ponto de traço primário e no ponto vocálico virtual secundário”
Keyser e Stevens (1994) “geometria de traços baseada em critérios fonéticos”
Clements e Hertz (1996) IRS - sistema integrado de representação para expressão de relações acústicas-fonológicas.
Bao (1999) eHalle e Stevens (2001) “consoantes e tons partilham os traços [+ folga] e [+ rigidez] ligados ao nível glotal, análogo ao nível laríngeo”
MacCarthy (2001) “os traços distinguem-se porque têm dinâmica individual”
Universalidade (4)
Clements (2004) Traços não têm duração. Traços são categoriais. Traços definem-se por relações quânticas acústicas articulatórias (quantidade de som). Traços representados em diferentes níveis de representação. Os nós de classe localizam-se na representação do traço. Geometria de traços é rígida.
Clements (2003) A geometria de traços permite perceber traços de economia na performance.
Universalidade (4)
A existência de línguas tonais permite questionar a universalidade, uma das premissas da geometria de traços: Nas línguas tonais, as oclusivas vozeadas afetam as vogais nos traços [+ baixo] e [+alto]. A assimilação não se realiza em todas as línguas. A mudança histórica afeta a influência das oclusivas vozeadas e não vozeadas. Algumas línguas tonais não apresentam interação fonológica consonântica/tonal.
Universalidade (4)
Consoantes oclusivas vozeadas oclusivas não vozeadas
Vogais - tons baixo (muito baixo) alto
Traços (Halle e Stevens) folga das cordas vocais (sons graves, interrupção do som) rigidez das cordas vocais (sons agudos, fragmentação do som)
Universalidade (4)
Enriquecimento da teoria da geometria de traços: 1. parametrização com alteração da ligação dos traços; 2. indicação do nó glotal para: línguas com interação consoante / tom;inclusão do nó silábico e mora (duração). Diverge a quantidade de níveis na hierarquia dos traços. Os tons não têm representação fonológica, mas afetam a performance, o que põe em causa a universalidade e convoca outras áreas da análise linguística, como a análise prosódica, para o reforço da teoria.