cantigas de escárnio e maldizer
Começar
ASPETOS PRImordiais
Surgiram no período do Trovadorismo (séculos XII-XIV), em Portugal e na Galiza
Fazem críticas e zombarias sobre pessoas e costumes da época.
Origem
Temática
Crítica direta usando o sentido próprio das palavras, revelando muitas vezes a identidade da pessoa referida.
Crítica direta, feita com ironia e duplo sentido, sem revelar a identidade da pessoa a quem se refere.
Escárnio
Maldizer
Usam o galego-português e podem ser refinadas ou populares.
Revelam o humor e a crítica social da Idade Média.
Linguagem
Importância
Aspetos primordiais
As cantigas de escárnio e maldizer são estruturadas como poemas curtos da lírica medieval galego-portuguesa, com estrofes de métrica regular e linguagem satírica, sendo o escárnio indireto e irónico e o maldizer direto e ofensivo.
Tinha uma função narrativa (conta um episódio ou narra um episódio). Critica por norma algo de caráter: pessoal, moral, político, religioso e ou social.
Forma
Características
Comparação com quim barreiros (cantigas de escárnio)
Quim Barreiros "Cabritinha"
João Garcia de Guilhade (séc. XIII)
"Diz que o frade é muito santo, mas rouba pão como outro tanto"O trovador ironiza o frade ao dizer que ele “é muito santo”, quando na verdade ele rouba pão, o oposto do comportamento esperado de alguém religioso e moralista. Essa contradição cria o efeito de escárnio.
"Mamo à hora que eu quero porque a cabritinha é minha. Eu gosto de mamar, nos peitos da cabritinha." É uma cantigo de escárnio devido ao uso de duplo sentido, onde a letra é uma metáfora bem-humorada sobre a intimidade de um casal.
Pero da Ponte (séc. XIII)
Quim Barreiros "A garagem da vizinha"
“Disseram que meu amigo é mui bom jograr, mais sabe mentir que tanger ou cantar.” O trovador finge elogiar o “amigo” chamando-o de “mui bom jograr”, mas logo desfaz o elogio ao afirmar que ele “sabe mentir mais do que tocar ou cantar”.
"Ponho o carro, tiro o carro, há hora que eu quiser
Que garagem apertadinha, que doçura de mulher!"A letra usa o duplo sentido, com uma música leve e engraçada.
exemplos de cantigas de escárnio e maldizer
A um frade dizem encaralhado
Ai dona feia foste vos queixar
A um frade dizem escaralhado, e faz pecado quem lho vai dizer, ca, pois el sabe arreitar de foder, cuid'eu que gai é, de piss'arreitado; e pois emprenha estas com que jaz e faze filhos e filhas assaz, ante lhe dig'eu bem encaralhado. Escaralhado nunca eu diria, mais que traje ante caralho ou veite, ao que tantas molheres de leite tem, ca lhe parirom três em um dia, e outras muitas prenhadas que tem; e atal frade cuid'eu que mui bem encaralhado per esto seria. Escaralhado nom pode seer o que tantas filhas fez em Marinha e que tem ora outra pastorinha prenhe, que ora quer encaecer, e outras muitas molheres que fode; e atal frade bem cuid'eu que pode encaralhado per esto seer.
Ai dona fea, fostes-vos queixar que vos nunca louv'en[o] meu cantar; mais ora quero fazer um cantar em que vos loarei todavia; e vedes como vos quero loar: dona fea, velha e sandia! Dona fea, se Deus mi perdom, pois havedes [a]tam gram coraçom que vos eu loe, em esta razom vos quero já loar todavia; e vedes qual será a loaçom: dona fea, velha e sandia! Dona fea, nunca vos eu loei em meu trobar, pero muito trobei; mais ora já um bom cantar farei em que vos loarei todavia; e direi-vos como vos loarei: dona fea, velha e sandia!
Conclusão
Bibliografia
https://cantigas.fcsh.unl.pt/index.asp
Cantigas de Escárnio e Maldizer
“Ai, eu coitada, como vivo em gran cuidado, pois meu amigo é ido, e foi-se do meu grado!" Cantiga de D. Dinis
“Maria Pérez, a nossa cruzada, fez o ofício e não foi chamada.” Cantiga de Pero da Ponte
cantigas de escárnio e maldizer
Luís Teixeira
Created on October 7, 2025
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cantigas de escárnio e maldizer
Começar
ASPETOS PRImordiais
Surgiram no período do Trovadorismo (séculos XII-XIV), em Portugal e na Galiza
Fazem críticas e zombarias sobre pessoas e costumes da época.
Origem
Temática
Crítica direta usando o sentido próprio das palavras, revelando muitas vezes a identidade da pessoa referida.
Crítica direta, feita com ironia e duplo sentido, sem revelar a identidade da pessoa a quem se refere.
Escárnio
Maldizer
Usam o galego-português e podem ser refinadas ou populares.
Revelam o humor e a crítica social da Idade Média.
Linguagem
Importância
Aspetos primordiais
As cantigas de escárnio e maldizer são estruturadas como poemas curtos da lírica medieval galego-portuguesa, com estrofes de métrica regular e linguagem satírica, sendo o escárnio indireto e irónico e o maldizer direto e ofensivo.
Tinha uma função narrativa (conta um episódio ou narra um episódio). Critica por norma algo de caráter: pessoal, moral, político, religioso e ou social.
Forma
Características
Comparação com quim barreiros (cantigas de escárnio)
Quim Barreiros "Cabritinha"
João Garcia de Guilhade (séc. XIII)
"Diz que o frade é muito santo, mas rouba pão como outro tanto"O trovador ironiza o frade ao dizer que ele “é muito santo”, quando na verdade ele rouba pão, o oposto do comportamento esperado de alguém religioso e moralista. Essa contradição cria o efeito de escárnio.
"Mamo à hora que eu quero porque a cabritinha é minha. Eu gosto de mamar, nos peitos da cabritinha." É uma cantigo de escárnio devido ao uso de duplo sentido, onde a letra é uma metáfora bem-humorada sobre a intimidade de um casal.
Pero da Ponte (séc. XIII)
Quim Barreiros "A garagem da vizinha"
“Disseram que meu amigo é mui bom jograr, mais sabe mentir que tanger ou cantar.” O trovador finge elogiar o “amigo” chamando-o de “mui bom jograr”, mas logo desfaz o elogio ao afirmar que ele “sabe mentir mais do que tocar ou cantar”.
"Ponho o carro, tiro o carro, há hora que eu quiser Que garagem apertadinha, que doçura de mulher!"A letra usa o duplo sentido, com uma música leve e engraçada.
exemplos de cantigas de escárnio e maldizer
A um frade dizem encaralhado
Ai dona feia foste vos queixar
A um frade dizem escaralhado, e faz pecado quem lho vai dizer, ca, pois el sabe arreitar de foder, cuid'eu que gai é, de piss'arreitado; e pois emprenha estas com que jaz e faze filhos e filhas assaz, ante lhe dig'eu bem encaralhado. Escaralhado nunca eu diria, mais que traje ante caralho ou veite, ao que tantas molheres de leite tem, ca lhe parirom três em um dia, e outras muitas prenhadas que tem; e atal frade cuid'eu que mui bem encaralhado per esto seria. Escaralhado nom pode seer o que tantas filhas fez em Marinha e que tem ora outra pastorinha prenhe, que ora quer encaecer, e outras muitas molheres que fode; e atal frade bem cuid'eu que pode encaralhado per esto seer.
Ai dona fea, fostes-vos queixar que vos nunca louv'en[o] meu cantar; mais ora quero fazer um cantar em que vos loarei todavia; e vedes como vos quero loar: dona fea, velha e sandia! Dona fea, se Deus mi perdom, pois havedes [a]tam gram coraçom que vos eu loe, em esta razom vos quero já loar todavia; e vedes qual será a loaçom: dona fea, velha e sandia! Dona fea, nunca vos eu loei em meu trobar, pero muito trobei; mais ora já um bom cantar farei em que vos loarei todavia; e direi-vos como vos loarei: dona fea, velha e sandia!
Conclusão
Bibliografia
https://cantigas.fcsh.unl.pt/index.asp
Cantigas de Escárnio e Maldizer
“Ai, eu coitada, como vivo em gran cuidado, pois meu amigo é ido, e foi-se do meu grado!" Cantiga de D. Dinis
“Maria Pérez, a nossa cruzada, fez o ofício e não foi chamada.” Cantiga de Pero da Ponte