CURSO DE LÍNGUAS HUMANIDADES ANO LETIVO 2025/26 HISTÓRIA A –12º ANO DE EsCOLARIDADE
O primeiro modernismo
(1911-1919)
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Torres Vedras, Outubro 2025
Bárbara Dinis, nº3
índice
28 -» Revista "Orpheu"
2 -» Introdução
3 -» Contexto histórico e cultural
29 -» O fim do primeiro movimento modernista português
4 -» Influência das vanguardas
31 -» O legado do Primeiro Modernismo
5 -» Caracterização do Primeiro Modernismo
33 -» Conclusão
7 -» Principais artistas(Amadeo de Souza-Cardoso, Almada Negreiros, Santa-Rita Pintor e Fernando Pessoa
34 -» Bibliografia e Webgrafia
Introdução
O Modernismo foi um movimento artístico, literário e cultural do início do século XX que rompeu com os padrões estéticos tradicionais, buscando uma expressão mais livre e adaptada à nova realidade social e tecnológica da época. Caracteriza-se pela inovação, subjetividade, liberdade de expressão e experimentação, refletindo as profundas transformações do período, como a primeira guerra mundial e os avanços científicos.
Influência das vanguardas
Contexto
Caracterização
Contexto
Início do século XX (1910) — o panorama artístico português ainda estava preso às tradições naturalistas e académicas do século XIX. Artistas como Silva Porto, Columbano Bordalo Pinheiro e Malhoa ainda dominavam, com pintura de costumes e temas rurais. A crítica e o público valorizavam o realismo e o naturalismo, resistindo à inovação.
Com as influências das vanguardas europeias
As primeiras reações contra o naturalismo surgiram por volta de 1911–1912, com a Exposição dos Humoristas Portugueses (1912), organizada por jovens artistas ligados à Escola de Belas-Artes. Foi o ponto de partida do Modernismo em Portugal, simbolizando uma ruptura com o passado artístico.
Fig. 1 - "dinamismo de um cavalo em corrida + casas"
Influência
das Vanguardas Europeias
As vanguardas europeias revolucionaram a arte e a literatura do início do século XX e marcaram uma grande rutura com a arte tradicional. Movimentos como o futurismo, o cubismo, o expressionismo e o surrealismo defendiam a liberdade creativa, a inovação e a experimentação, refletindo o espírito moderno de época feito de velocidade, tecnologia e mudança.
Fig. 2 - " Painting"
Caracterização
Rutura com o passado
Correntes dominantes (consideradas ultrapassadas)
• Naturalismo • Academismo
Para que se desse a rutura com o passado
Defenderam
libertar a arte e a literatura das regras clássicas
Valorizaram
Fig. 3 - " Parto da viola Bom Ménage"
a inovação, a imaginação e a expressão individual
Caracterização
Com a chegada do Modernismo...
Objetivos
- Revolucionar a cultura portuguesa
- Trazer à arte e à literatura portuguesas o espírito de modernidade e experimentação do início do século XX
- Colocar Portugal ao nível da inovação de Paris, Londres e Berlim
Fig. 4 - " Les Cavaliers"
Principais artistas
O Primeiro Modernismo português (1911–1919) reuniu artistas como Amadeo de Souza-Cardoso, Almada Negreiros, Santa-Rita Pintor e Fernando Pessoa.
Inspirados pelas vanguardas europeias, defenderam a rutura, liberdade e modernidade, renovando a arte, a literatura e a identidade nacional.
fernando pessoa
Amadeo de souza-cardoso
santa-rita pintor
almada negreiros
Amadeo de souza- cardoso
(páginas 104 e 105)
Nasceu a 14 de novembro de 1887 – Espinho
"Os Galgos"
foi para Paris em 1906
"Canção Popular – A Russa e o Figaro"
esteve em contacto com as vanguardas europeias e trouxe para Portugal essas ideias
"A Entrada"
Após regressar, expôs no Porto e Lisboa obras de orientação variada, experimentais
Fig. 5 - Amadeo de Souza-Cardoso
CONTRIBUTO
Almada negreiros
(página 106, Doc. 13 e página 108, Doc. 15)
nasceu a 7 de abril de 1893 - Trindade, São Tomé e Príncipe
Almada Negreiros foi:
“Manifesto Anti-Dantas e por Extenso”
“Ultimatum Futurista às Gerações Portuguesas do Século XX”
“K4 O Quadrado Azul”
Autodidata, (começou no desenho humorístico e destacou-se pela sua escrita interventiva)
artista multidisciplinar, (dedicando-se ao desenho, pintura, poesia, teatro e ensaio)
Fig. 9 - "Almada Negreiros"
CONTRIBUTO
13
Santa-rita pintor
(páginas 107, Doc. 14 - A, 2)
31 de outubro de 1889 - São Jorge de Arroios, Lisboa
"Cabeça"
"Perspectiva Dinâmica de um Quarto ao Acordar"
Tal como Amadeo de Souza-Cardoso esteve em contacto com as vanguardas europeias e trouxe para Portugal essas ideias
"Orfeu nos Infernos"
Defendia uma arte moderna e provocadora
Fig. 13 - Santa-Rita Pintor
CONTRIBUTO
18
Fernando Pessoa
Fernando Pessoa
(páginas 104 e 105)
(páginas 104 e 105)
Nasceu a 13 de junho de 1888 – Lisboa
Poemas na revista Orpheu
Fernando Pessoa foi:
- Ensaísta
- Crítico literário
- Poeta
"O Marinheiro"
Poemas de Alberto Caeiro Heterónimo
Criou vários heterónimos como por exemplo: Álvaro de Campos, Ricardo Reis, Alberto Caeiro (explorou diferentes estilos e visões através dessas vozes literárias)
CONTRIBUTO
23
Fig. 17 - Fernando Pessoa
Revista Orpheu
A Revista Orpheu foi uma publicação literária e artística que marcou o início do Primeiro Modernismo em Portugal. Surgiu em 1915, em Lisboa, e teve apenas dois números publicados, mas o seu impacto foi enorme.
Criada por um grupo de jovens intelectuais entre eles Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro, Luís de Montalvor, Almada Negreiros e Santa-Rita Pintor, a revista pretendia romper com a arte tradicional e introduzir em Portugal as vanguardas europeias, como o futurismo, o cubismo e o sensacionismo.
A Orpheu defendia uma liberdade total de criação, a valorização do inconsciente, da imaginação e da individualidade artística. As suas ideias e textos causaram escândalo na época, porque o público e a crítica não estavam preparados para tanta novidade.
Apesar de curta, a Revista Orpheu tornou-se um símbolo da modernidade portuguesa, representando o desejo de fazer arte nova e de colocar Portugal ao nível cultural da Europa do século XX.
Fig. 21 - Revista Orpheu
28
O fim do primeiro movimento modernista português
(1919)
- O Primeiro Modernismo Português é considerado o período mais brilhante do movimento
- Chegou ao fim em 1919, marcado por acontecimentos trágicos e mudanças inevitáveis
Principais motivos da dissolução
- Morte de Mário de Sá-Carneiro (1916)
- Morte de Santa-Rita Pintor (1918)
- Morte de Amadeo de Souza-Cardoso (1918)
- Regresso dos Delaunay a França (1917)
- Partida de Almada Negreiros para Paris (1919)
Estes acontecimentos enfraqueceram o grupo inicial, levando ao encerramento de uma fase profundamente inovadora na arte e na literatura portuguesas
29
O fim do primeiro movimento modernista português
(1919)
Surgiu uma nova geração de artistas e escritores, que continuou o espírito de renovação:
Durante a década de 1920, o movimento modernista manteve-se vivo, embora mais fragmentado
- José Régio
- João Gaspar Simões
- Mário Eloy
- Sarah Affonso
As revistas literárias voltaram a ter um papel central, destacando-se:
Presença (1927–1940) – símbolo da nova fase modernista
- Os artistas enfrentaram resistência das instituições oficiais, sendo muitas vezes excluídos de exposições
- Criaram e frequentaram espaços alternativos, como cafés e clubes, que se tornaram centros de divulgação da arte moderna
30
O Legado do Primeiro Modernismo
- O legado do primeiro modernismo português ultrapassou o seu breve período de existência
- Apesar do fim trágico de muitos protagonistas e da dispersão do grupo original, o movimento deixou marcas profundas na:
- Através da ousadia e da inovação, os modernistas abriram caminho para:
- Arte
- Literatura
- Cultura portuguesa
- Novas formas de expressão
- Uma atitude artística livre e criativa
- A rutura com o passado
31
O Legado do Primeiro Modernismo
- O espírito modernista continuou a inspirar as gerações seguintes
- O modernismo não desapareceu com o fim do Orpheu:
Destacou-se na década de 1920, com:
- Transformou-se,
- Renovou-se,
- E consolidou-se como o fundamento da modernidade artística em Portugal
- A revista Presença (1927–1940)
- O surgimento de novos autores que procuraram uma identidade moderna e autónoma para a cultura portuguesa.
- Influenciou toda a produção cultural das décadas que se seguiram
32
Conclusão
O Primeiro Modernismo Português surgiu no início do século XX, num contexto de grandes transformações, trazendo liberdade criativa, inovação e ruptura com o tradicionalismo.Inspirado pelas vanguardas europeias (futurismo, cubismo e expressionismo), contou com figuras como Amadeo de Souza-Cardoso, Santa-Rita Pintor, Almada Negreiros e Fernando Pessoa, que divulgaram as suas ideias através da revista Orpheu. Apesar de breve, o movimento redefiniu a arte e a literatura portuguesas, deixando um legado duradouro e mostrando que Portugal podia dialogar com a modernidade europeia sem perder a sua identidade.
33
Bibliografia e webgrafia
- Fortes, Alexandra e outros, Linhas da História (2013), História A 12º ano - Ensino Secundário, parte 1, 1ª ed, Areal Editores, Porto págs. 107 - 112;
- Rosas, Maria Antónia Monterroso e outros, Entre Tempos (2023), História A 12º ano - Ensino Secundário, parte 1, 1ª ed, Porto Editora págs. 102 - 109;
- https://pt.wikipedia.org/wiki/Wikip%C3%A9dia:P%C3%A1gina_principal;
- https://gemini.google.com/?hl=pt-PT;
- https://pt.pinterest.com/pin/6051780744842938/.
34
Poemas de Alberto Caeiro Heterónimo
“mestre” dos outros heterónimos
Poemas de Alberto Caeiro Heterónimo “mestre” dos outros heterónimos
- Poemas simples, ligados à natureza, rejeitando abstrações e metafísica
- Contribuição central para a estética modernista: perceção direta e experiência sensorial
Fig. 20 - primeiros poemas de Alberto Caeiro - 1914–1915
27
Sensacionismo
Definição:
Movimento literário e artístico português do início do séc.XX, criado por Fernando Pessoa (através do seu heterónimo Álvaro de Campos) e Mário de Sá-Carneiro.
Defende que a realidade é feita de sensações, ou seja, o que realmente existe para nós são as sensações que temos das coisas, e não as coisas em si.
"os Galgos"
"Os Galgos"
- Uma das suas primeiras obras modernistas
- Demonstra influência do futurismo e do cubismo, com linhas fortes e sensação de movimento
- Representa dois galgos em corrida, símbolo de velocidade, energia e modernidade
- Mostra o interesse de Amadeo em capturar o dinamismo da vida moderna
10
Fig. 6 - “Os Galgos (ou Coursing)” – 1911
“Ultimatum Futurista às Gerações Portuguesas do Século XX"
“Ultimatum Futurista às Gerações Portuguesas do Século XX"
- Um dos manifestos mais conhecidos do futurismo em Portugal
- Almada desafia os artistas e intelectuais portugueses a acordarem para a modernidade
- O texto defende uma arte nova, moderna e universal, capaz de colocar Portugal ao nível das grandes vanguardas europeias
- Representa o espírito combativo e interventivo do Primeiro Modernismo
Fig. 11 - “Ultimatum Futurista às Gerações Portuguesas do Século XX” - 1917
16
"O Marinheiro"
"O Marinheiro"
- Poema longo que antecipa o modernismo
- Explora viagem, solidão e questionamento existencial
- Mistura simbolismo com sensibilidade moderna e imaginativa
Fig. 19 - "O Marinheiro" - 1912 - 1915
26
"Manifesto Anti-Dantas"
"Manifesto Anti-Dantas"
- Texto provocador escrito após o lançamento da Revista Orpheu
- Almada ataca o conservadorismo artístico representado por Júlio Dantas, símbolo da arte tradicional portuguesa
- É um grito de revolta modernista, defendendo a liberdade de criação e o rompimento com o passado
- Tornou-se um símbolo da irreverência do futurismo português
15
Fig. 10 - “Manifesto Anti-Dantas e por Extenso” - 1915
Contributo
Foi uma figura central no movimento futurista português:
traduz manifestos, publica artigos, organiza exposições/conferências futuristas
Na segunda edição da revista "Orpheu":
Participou no “Comité Futurista de Lisboa” (1916), no Portugal Futurista de 1917
as suas reproduções são incluídas
influenciou a estética futurista/plástica que se comentava entre os modernistas (especialmente no corpo visual da revista)
19
"Canção Popular – A Russa e o Figaro"
"Canção Popular – A Russa e o Figaro"
- Mistura motivos populares portugueses com influências internacionais
- Expressa a ideia de que a arte pode ser nacional e universal ao mesmo tempo
- Uso expressivo da cor e do ritmo, evocando a musicalidade e a energia popular
- Representa o equilíbrio entre emoção, experimentação e identidade nacional
Fig. 7 - “Canção Popular (A Russa)” – 1916
11
Contributo
Introduziu em Portugal as vanguardas literárias europeias e deu ao Modernismo uma dimensão mais filosófica e intelectual
Influenciou fortemente outros modernistas, como Almada Negreiros e Mário de Sá-Carneiro
ao criar os heterónimos
ampliou a diversidade literária e estética do movimento
Através do heterónimo Álvaro de Campos, escreveu “Ode Triunfal” (1914), primeiro texto futurista português
24
Poemas na revista Orpheu
Poemas na revista Orpheu
- Publicou poemas sob o seu próprio nome e heterónimos (Alberto Caeiro, Ricardo Reis)
- Introduziu temas modernistas: rutura com a tradição e linguagem inovadora
- Influenciou a estética e a geração modernista portuguesa
Fig. 18 - poemas publicados na revista Orpheu, tanto sob o seu próprio nome como sob heterónimos
25
"Orfeu nos Infernos"
"Orfeu nos Infernos"
- Pintura a óleo sobre tela, também publicada na revista Portugal Futurista
- Fusão de elementos do mito clássico com uma abordagem modernista
- Caracterizada por formas geométricas e cores contrastantes
- Representa a transição entre o real e o imaginário, típica do espírito vanguardista
- Uma das poucas obras que sobreviveram à destruição de grande parte da sua produção
Fig. 16 - "Orfeu nos Infernos" - 1917
22
Contributo
Foi um dos fundadores do grupo futurista em Portugal
Escreveu manifestos importantes:
colaborou em revistas como Portugal Futurista onde organizou conferências futuristas
“Ultimatum Futurista às Gerações Portuguesas do Século XX” (1917)
“Saltimbancos (Contrastes Simultâneos)”
- Participou também na revista Orpheu
Estes textos proclamavam uma nova arte portuguesa, uma arte do século XX alinhada com progresso, liberdade estética e provocação do velho gosto
14
"cabeça"
"Cabeça"
- Uma das obras centrais do modernismo português
- Influenciada pelas máscaras africanas que Picasso usou em Les Demoiselles d’Avignon.
- Apresenta formas circulares e dinâmicas, antecipando o cubismo e o futurismo
- Publicada na revista Orpheu em 1915. Uma das poucas obras sobreviventes da sua produção
20
Fig. 14 - "Cabeça" - 1910-1912
"Perspectiva Dinâmica de um Quarto ao Acordar"
"Perspectiva Dinâmica de um Quarto ao Acordar"
- Pintura a óleo sobre tela publicada na revista Portugal Futurista em 1917
- Representa uma cena interior de forma fragmentada e dinâmica
- Expressa o movimento e a percepção espacial de forma inovadora
- Demonstra a influência do futurismo e a ruptura com convenções artísticas da época
Fig. 15 - "Perspectiva Dinâmica de um Quarto ao Acordar" - 1912
21
Contributo
apelidado por Almada Negreiros como “a primeira descoberta de Portugal na Europa do século XX”
o que mostra como
ele era visto como ponte entre Portugal e as vanguardas europeias
Experimentou com cor, forma, desdobramento espacial nas obras, ao adotar influências do:
As suas exposições :
- causaram choque
- provocaram reações fortes
- estabeleceram um novo patamar de ousadia plástica no panorama artístico português
cubismo
abstracionismo
futurismo
“K4 O Quadrado Azul”
“K4 O Quadrado Azul”
- Obra literária experimental e vanguardista, que mistura prosa, poesia e ilustração
- Inspirada nas ideias futuristas, simbolistas e cubistas
- Rompe com as regras tradicionais da narrativa e procura expressar o pensamento e a emoção de forma livre
- É um exemplo claro da busca de Almada por uma “arte total”, onde o texto e a imagem se completam
Fig. 12 - “K4 O Quadrado Azul” - 1917
17
"A Entrada"
"A Entrada"
- Criada no período em que Amadeo regressa a Portugal
- Combina formas abstratas e cores intensas, aproximando-se do abstracionismo
- Sugere uma passagem simbólica, uma entrada para o novo, ou seja, para a arte moderna
- Demonstra a sua maturidade artística e a capacidade de integrar tradição e vanguarda
12
Fig, 8 - “A Entrada” – 1917
O primeiro modernismo
Bárbara Dinis
Created on October 6, 2025
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CURSO DE LÍNGUAS HUMANIDADES ANO LETIVO 2025/26 HISTÓRIA A –12º ANO DE EsCOLARIDADE
O primeiro modernismo
(1911-1919)
entrar
Torres Vedras, Outubro 2025
Bárbara Dinis, nº3
índice
28 -» Revista "Orpheu"
2 -» Introdução
3 -» Contexto histórico e cultural
29 -» O fim do primeiro movimento modernista português
4 -» Influência das vanguardas
31 -» O legado do Primeiro Modernismo
5 -» Caracterização do Primeiro Modernismo
33 -» Conclusão
7 -» Principais artistas(Amadeo de Souza-Cardoso, Almada Negreiros, Santa-Rita Pintor e Fernando Pessoa
34 -» Bibliografia e Webgrafia
Introdução
O Modernismo foi um movimento artístico, literário e cultural do início do século XX que rompeu com os padrões estéticos tradicionais, buscando uma expressão mais livre e adaptada à nova realidade social e tecnológica da época. Caracteriza-se pela inovação, subjetividade, liberdade de expressão e experimentação, refletindo as profundas transformações do período, como a primeira guerra mundial e os avanços científicos.
Influência das vanguardas
Contexto
Caracterização
Contexto
Início do século XX (1910) — o panorama artístico português ainda estava preso às tradições naturalistas e académicas do século XIX. Artistas como Silva Porto, Columbano Bordalo Pinheiro e Malhoa ainda dominavam, com pintura de costumes e temas rurais. A crítica e o público valorizavam o realismo e o naturalismo, resistindo à inovação.
Com as influências das vanguardas europeias
As primeiras reações contra o naturalismo surgiram por volta de 1911–1912, com a Exposição dos Humoristas Portugueses (1912), organizada por jovens artistas ligados à Escola de Belas-Artes. Foi o ponto de partida do Modernismo em Portugal, simbolizando uma ruptura com o passado artístico.
Fig. 1 - "dinamismo de um cavalo em corrida + casas"
Influência
das Vanguardas Europeias
As vanguardas europeias revolucionaram a arte e a literatura do início do século XX e marcaram uma grande rutura com a arte tradicional. Movimentos como o futurismo, o cubismo, o expressionismo e o surrealismo defendiam a liberdade creativa, a inovação e a experimentação, refletindo o espírito moderno de época feito de velocidade, tecnologia e mudança.
Fig. 2 - " Painting"
Caracterização
Rutura com o passado
Correntes dominantes (consideradas ultrapassadas)
• Naturalismo • Academismo
Para que se desse a rutura com o passado
Defenderam
libertar a arte e a literatura das regras clássicas
Valorizaram
Fig. 3 - " Parto da viola Bom Ménage"
a inovação, a imaginação e a expressão individual
Caracterização
Com a chegada do Modernismo...
Objetivos
Fig. 4 - " Les Cavaliers"
Principais artistas
O Primeiro Modernismo português (1911–1919) reuniu artistas como Amadeo de Souza-Cardoso, Almada Negreiros, Santa-Rita Pintor e Fernando Pessoa. Inspirados pelas vanguardas europeias, defenderam a rutura, liberdade e modernidade, renovando a arte, a literatura e a identidade nacional.
fernando pessoa
Amadeo de souza-cardoso
santa-rita pintor
almada negreiros
Amadeo de souza- cardoso
(páginas 104 e 105)
Nasceu a 14 de novembro de 1887 – Espinho
"Os Galgos"
foi para Paris em 1906
"Canção Popular – A Russa e o Figaro"
esteve em contacto com as vanguardas europeias e trouxe para Portugal essas ideias
"A Entrada"
Após regressar, expôs no Porto e Lisboa obras de orientação variada, experimentais
Fig. 5 - Amadeo de Souza-Cardoso
CONTRIBUTO
Almada negreiros
(página 106, Doc. 13 e página 108, Doc. 15)
nasceu a 7 de abril de 1893 - Trindade, São Tomé e Príncipe
Almada Negreiros foi:
“Manifesto Anti-Dantas e por Extenso”
“Ultimatum Futurista às Gerações Portuguesas do Século XX”
“K4 O Quadrado Azul”
Autodidata, (começou no desenho humorístico e destacou-se pela sua escrita interventiva)
artista multidisciplinar, (dedicando-se ao desenho, pintura, poesia, teatro e ensaio)
Fig. 9 - "Almada Negreiros"
CONTRIBUTO
13
Santa-rita pintor
(páginas 107, Doc. 14 - A, 2)
31 de outubro de 1889 - São Jorge de Arroios, Lisboa
"Cabeça"
"Perspectiva Dinâmica de um Quarto ao Acordar"
Tal como Amadeo de Souza-Cardoso esteve em contacto com as vanguardas europeias e trouxe para Portugal essas ideias
"Orfeu nos Infernos"
Defendia uma arte moderna e provocadora
Fig. 13 - Santa-Rita Pintor
CONTRIBUTO
18
Fernando Pessoa
Fernando Pessoa
(páginas 104 e 105)
(páginas 104 e 105)
Nasceu a 13 de junho de 1888 – Lisboa
Poemas na revista Orpheu
Fernando Pessoa foi:
"O Marinheiro"
Poemas de Alberto Caeiro Heterónimo
Criou vários heterónimos como por exemplo: Álvaro de Campos, Ricardo Reis, Alberto Caeiro (explorou diferentes estilos e visões através dessas vozes literárias)
CONTRIBUTO
23
Fig. 17 - Fernando Pessoa
Revista Orpheu
A Revista Orpheu foi uma publicação literária e artística que marcou o início do Primeiro Modernismo em Portugal. Surgiu em 1915, em Lisboa, e teve apenas dois números publicados, mas o seu impacto foi enorme. Criada por um grupo de jovens intelectuais entre eles Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro, Luís de Montalvor, Almada Negreiros e Santa-Rita Pintor, a revista pretendia romper com a arte tradicional e introduzir em Portugal as vanguardas europeias, como o futurismo, o cubismo e o sensacionismo. A Orpheu defendia uma liberdade total de criação, a valorização do inconsciente, da imaginação e da individualidade artística. As suas ideias e textos causaram escândalo na época, porque o público e a crítica não estavam preparados para tanta novidade. Apesar de curta, a Revista Orpheu tornou-se um símbolo da modernidade portuguesa, representando o desejo de fazer arte nova e de colocar Portugal ao nível cultural da Europa do século XX.
Fig. 21 - Revista Orpheu
28
O fim do primeiro movimento modernista português
(1919)
Principais motivos da dissolução
Estes acontecimentos enfraqueceram o grupo inicial, levando ao encerramento de uma fase profundamente inovadora na arte e na literatura portuguesas
29
O fim do primeiro movimento modernista português
(1919)
Surgiu uma nova geração de artistas e escritores, que continuou o espírito de renovação:
Durante a década de 1920, o movimento modernista manteve-se vivo, embora mais fragmentado
As revistas literárias voltaram a ter um papel central, destacando-se:
Presença (1927–1940) – símbolo da nova fase modernista
30
O Legado do Primeiro Modernismo
31
O Legado do Primeiro Modernismo
Destacou-se na década de 1920, com:
32
Conclusão
O Primeiro Modernismo Português surgiu no início do século XX, num contexto de grandes transformações, trazendo liberdade criativa, inovação e ruptura com o tradicionalismo.Inspirado pelas vanguardas europeias (futurismo, cubismo e expressionismo), contou com figuras como Amadeo de Souza-Cardoso, Santa-Rita Pintor, Almada Negreiros e Fernando Pessoa, que divulgaram as suas ideias através da revista Orpheu. Apesar de breve, o movimento redefiniu a arte e a literatura portuguesas, deixando um legado duradouro e mostrando que Portugal podia dialogar com a modernidade europeia sem perder a sua identidade.
33
Bibliografia e webgrafia
34
Poemas de Alberto Caeiro Heterónimo
“mestre” dos outros heterónimos
Poemas de Alberto Caeiro Heterónimo “mestre” dos outros heterónimos
Fig. 20 - primeiros poemas de Alberto Caeiro - 1914–1915
27
Sensacionismo
Definição:
Movimento literário e artístico português do início do séc.XX, criado por Fernando Pessoa (através do seu heterónimo Álvaro de Campos) e Mário de Sá-Carneiro.
Defende que a realidade é feita de sensações, ou seja, o que realmente existe para nós são as sensações que temos das coisas, e não as coisas em si.
"os Galgos"
"Os Galgos"
10
Fig. 6 - “Os Galgos (ou Coursing)” – 1911
“Ultimatum Futurista às Gerações Portuguesas do Século XX"
“Ultimatum Futurista às Gerações Portuguesas do Século XX"
Fig. 11 - “Ultimatum Futurista às Gerações Portuguesas do Século XX” - 1917
16
"O Marinheiro"
"O Marinheiro"
Fig. 19 - "O Marinheiro" - 1912 - 1915
26
"Manifesto Anti-Dantas"
"Manifesto Anti-Dantas"
15
Fig. 10 - “Manifesto Anti-Dantas e por Extenso” - 1915
Contributo
Foi uma figura central no movimento futurista português:
traduz manifestos, publica artigos, organiza exposições/conferências futuristas
Na segunda edição da revista "Orpheu":
Participou no “Comité Futurista de Lisboa” (1916), no Portugal Futurista de 1917
as suas reproduções são incluídas
influenciou a estética futurista/plástica que se comentava entre os modernistas (especialmente no corpo visual da revista)
19
"Canção Popular – A Russa e o Figaro"
"Canção Popular – A Russa e o Figaro"
Fig. 7 - “Canção Popular (A Russa)” – 1916
11
Contributo
Introduziu em Portugal as vanguardas literárias europeias e deu ao Modernismo uma dimensão mais filosófica e intelectual
Influenciou fortemente outros modernistas, como Almada Negreiros e Mário de Sá-Carneiro
ao criar os heterónimos
ampliou a diversidade literária e estética do movimento
Através do heterónimo Álvaro de Campos, escreveu “Ode Triunfal” (1914), primeiro texto futurista português
24
Poemas na revista Orpheu
Poemas na revista Orpheu
Fig. 18 - poemas publicados na revista Orpheu, tanto sob o seu próprio nome como sob heterónimos
25
"Orfeu nos Infernos"
"Orfeu nos Infernos"
Fig. 16 - "Orfeu nos Infernos" - 1917
22
Contributo
Foi um dos fundadores do grupo futurista em Portugal
Escreveu manifestos importantes:
colaborou em revistas como Portugal Futurista onde organizou conferências futuristas
“Ultimatum Futurista às Gerações Portuguesas do Século XX” (1917)
“Saltimbancos (Contrastes Simultâneos)”
Estes textos proclamavam uma nova arte portuguesa, uma arte do século XX alinhada com progresso, liberdade estética e provocação do velho gosto
14
"cabeça"
"Cabeça"
20
Fig. 14 - "Cabeça" - 1910-1912
"Perspectiva Dinâmica de um Quarto ao Acordar"
"Perspectiva Dinâmica de um Quarto ao Acordar"
Fig. 15 - "Perspectiva Dinâmica de um Quarto ao Acordar" - 1912
21
Contributo
apelidado por Almada Negreiros como “a primeira descoberta de Portugal na Europa do século XX”
o que mostra como
ele era visto como ponte entre Portugal e as vanguardas europeias
Experimentou com cor, forma, desdobramento espacial nas obras, ao adotar influências do:
As suas exposições :
cubismo
abstracionismo
futurismo
“K4 O Quadrado Azul”
“K4 O Quadrado Azul”
Fig. 12 - “K4 O Quadrado Azul” - 1917
17
"A Entrada"
"A Entrada"
12
Fig, 8 - “A Entrada” – 1917