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O caso Abysson

lafijan

Created on October 4, 2025

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Transcript

O caso Abysson

Jogar

Sobre o jogo

Início

Jogar do começo

Escolher fase

Início

Fazenda - primeiro encontro com S. Malafalsa

Bar - primeiro encontro com Basil Clavis

Sala do legista - encontro com Dr. Desmodus Rotundus

Cena do crime - casa de Ulisses Abysson

Barbearia - encontro com Élio Navalha

Consultório - encontro com Dr. Wilhelm Vogel

Farmácia - encontro com Albino Pretto

Casa da alfaiate - primeiro encontro com Rafaela

12

11

10

Casa dos coelhos - encontro com Simone e Hugo

Universidade - encontro com Dra. Hildegarda

Fazenda - segundo encontro com S. Malafalsa

Universidade - segundo encontro com Basil Clavis

13

14

16

15

Casa da alfaiate - segundo encontro com Rafaela

Avaliação do jogo

Resolução do caso - Parte II

Resolução do caso - Parte I

Início

Sobre o jogo

Equipe

O Caso Abysson é um jogo investigativo narrativo no qual o jogador assume o papel da detetive Clarice, encarregada de solucionar o assassinato de um filósofo controverso em uma cidade aparentemente pacata. Ao longo do jogo, surgem temas filosóficos polêmicos como niilismo, antinatalismo, aborto e eutanásia, apresentados por meio de diálogos, pistas e disputas entre personagens com visões opostas. A jogabilidade combina point and click e visual novel: o jogador explora cenários, coleta indícios e escolhe perguntas para conduzir os diálogos. No final, deve resolver o mistério em torno do crime.

Ana AngstAngélica AlonsoChristofer AndriotteDaniel FragaDiana LoureiroGerson NunesJuliana MissaggiaPeterson Lourenci

Recursos

Sobre o projeto

Imagens: - Cenários: Dungeon Alchemist - Personagens: Hero ForgeDemais recursos: Genially.

Este jogo foi desenvolvido como parte das atividades extensionistas do curso de Filosofia da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) sob orientação da profa. Juliana Missaggia, no segundo semestre de 2025.

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Centro da cidade

Universidade

Fazenda de S. Malafalsa

00:07

Fui chamada para investigar a morte do ilustre Dr. Ulisses Abysson. Filósofo, escritor e, aparentemente, colecionador de inimigos.

Cidade pequena, ar tranquilo… Se a maldade dependesse apenas da taxa populacional, esse lugar seria um paraíso.

Centro da cidade

Universidade

Devo começar a investigação na casa da vítima.

Fazenda de S. Malafalsa

Centro da cidade

Universidade

Hora de conversar com o legista.

Fazenda de S. Malafalsa

Centro da cidade

Universidade

Estou de cabeça cheia e estômago vazio. Vou precisar encarar o restaurante da cidade.

Fazenda de S. Malafalsa

Centro da cidade

A farmácia ainda está fechada a essa hora. Vou conversar então com o tal Pastor Malafalsa. Ele mora em uma fazendo próxima.

Universidade

Fazenda de S. Malafalsa

Centro da cidade

Universidade

Hora de conversar com o farmacêutico.

Fazenda de S. Malafalsa

Centro da cidade

Universidade

Fazenda de S. Malafalsa

Centro da cidade

Universidade

Fazenda de S. Malafalsa

Centro da cidade

Universidade

Fazenda de S. Malafalsa

00:20

Boa tarde, sou Albino Pretto. Você deve ser a detetive Clarice, não é? Fique à vontade para investigar meu estabelecimento.

Cuidado apenas para não esbarrar nos frascos; alguns custam mais que a própria prudência desta cidade.

Senhor Albino, preciso falar sobre uma substância tóxica que o legista encontrou. Algo que, em alta dose, poderia deixar algumas partes do corpo roxas.

Ah. Finalmente alguém que fala em fatos e não em fábulas.Sim, eu mantenho um estoque controlado. Sim, é perigoso, como todo conhecimento mal utilizado.

É um remédio chamado Cicutros, que mantenho nos cofres. Ele é como o sol: em pequena dose, é benéfico, em alta dose, pode até mesmo matar.

Seria possível que alguém o encontrasse sem o senhor saber? O pastor Malafalsa afirmou que há substâncias “de fácil acesso” em sua farmácia.

O pastor acredita que tudo que não entende é pecaminoso. E ele não entende absolutamente nada de química.

Aqui só entra quem tem autorização, assinatura, registro. Mesmo que alguém tivesse acesso ao cofre... eu mantenho o estoque contabilizado. Saberia caso algo fosse roubado.

E para quem o senhor já vendeu esse medicamento... Cicutros?

Esses são os nomes que constam nas retiradas dessa substância: Élio, o barbeiro, fornecedor de cuidados paliativos para a esposa. Wilhelm, o analista, para uso controlado com pacientes.

Aliás, aquele analista, o Dr. Passarinho, como é conhecido, está muito longe de ser capaz de manter sigilo profissional... certamente vai lhe dar muitas informações úteis.

O nome da vítima não está em seus registros?

Jamais. O filósofo não era meu cliente. Se o pastor inventou alguma história é porque me detesta; diz que “a ciência tenta tomar o lugar do milagre”.

Ele é contra o aborto, inclusive em casos de violência sexual, e é completamente contra a eutanásia, mesmo em casos vegetativos. Ele, sim, muito suspeito. Um inimigo declarado do Dr. Abysson.

Além do pastor, o senhor saberia dizer se Abysson tinha outros desafetos na cidade?

Desafetos? O barbeiro, por exemplo. Élio não tinha nenhuma paciência para aquelas conversas intermináveis sobre dor, fim da vida, essas coisas.

E o senhor? O que pensava do doutor Abysson?

Francamente? Nunca tive apreço por esse tipo de filosofia que passa mais tempo descrevendo os problemas do que tentando resolvê-los.

Enquanto ele escrevia sobre as “dores da existência”, eu tentava aliviá-las com remédios que funcionam. Ideias não curam ninguém. No máximo, dão assunto para discussões em bares.

Então o senhor discordava dele.

Discordar implica levar a sério. Eu apenas… não via utilidade. Prefiro substâncias testadas a conceitos vagos demais para encarar a realidade.

PERGUNTAR SOBRE SUAS CRÍTICAS AO PENSAMENTO DE ABYSSON

PERGUNTAR SE ELE TEM MAIS ALGUMA INFORMAÇÃO E ENCERRAR DIÁLOGO

O senhor parece ter uma opinião bem definida sobre as ideias de Abysson. Poderia explicá-la melhor?

Ele confundia especulação com profundidade. Enquanto a ciência testa, mede e corrige erros, ele se apoiava em argumentos vagos demais para serem verificados.

Questionar tudo sem oferecer soluções não é lucidez, é conforto intelectual. Típico de filósofos em seus castelos de ar.

Então o senhor via as ideias dele como inúteis?

Na prática, sim… porém não inofensivas.Ideias mal ancoradas podem influenciar pessoas reais. A ciência, ao menos, precisa responder às consequências de suas teorias.

Há algo mais que o senhor ache relevante para a investigação?

Apenas isto: Abysson falava demais e ouvia de menos. Quando alguém insiste em provocar todos ao redor, acaba acumulando mais reações do que gostaria.

Se me permite um palpite… este não me parece um crime movido por afetos, mas por ideologias. Há crimes de impulso. Este me soa como um crime de convicção.

Muito obrigada, senhor Albino. Vou procurar então o barbeiro Élio, que fica próximo daqui.

00:05

Insira a senha

Digite a senha

00:25

Boa tarde. O senhor é S. Malafalsa, correto?

Sou eu, minha filha. Que o Espírito de Apsis te conduza neste vale de sombras.

Sou Clarice, a investigadora. Busco informações sobre o filósofo assassinado.

Ah… aquele lobo. Pregava que a vida é um erro, que nascer é um fardo. Um absurdo ser a favor do aborto e da eutanásia.

Suas palavras envenenaram mais do que qualquer substância. Não me espanta que tenha encontrado seu fim.

O senhor deve imaginar que falando assim se torna um tanto suspeito...

Passei a semana toda trabalhando na minha fazenda, investigadora. Há dias não piso na cidade.

Então estou tranquilo para falar daquele lobo herege como eu bem entender.

E há alguma prova de que o senhor não saiu daqui?

Ora, provas! Que prova melhor do que minha honra como cidadão de fé!

Gostaria de dar uma olhada em sua casa, se possível.

Pode bisbilhotar o quanto quiser, minha filha. Não tenho nada a esconder.

Vejo que o senhor mantém uma coleção considerável de facas.

Facas? Sim. Nada demais nisso. Quem vive no campo aprende cedo a respeitar bons instrumentos.

E para que o senhor as utiliza?

Para churrasco, minha filha. Carne mal cortada é desperdício. E desperdício também é pecado.

PERGUNTAR SOBRE AS DIVERGÊNCIAS DE MALAFALSA COM AS IDEIAS DO FILÓSOFO

PERGUNTAR APENAS SE ELE SUSPEITA DE ALGUÉM E ENCERRAR CONVERSA

Queria entender melhor, pastor: o que exatamente o senhor tanto repele nas ideias que o filósofo defendia?

Minha filha, veja a questão da eutanásia, por exemplo: quando se começa a dizer que tirar a vida de uma pessoa enferma pode ser um “ato de misericórdia”, abre-se uma porteira difícil de fechar.

Hoje é o doente que pede, amanhã é o médico que “sugere”, depois a família que se sente pressionada… e logo os mais fracos passam a achar que são peso, que é melhor desaparecer para “não dar trabalho”.

Então o senhor diria que a eutanásia voluntária abre margem para a prática da eutanásia involuntária e à matança de pessoas consideradas indesejáveis?

Sim, e não apenas isso. A eutanásia enfraquece o respeito pelo valor da vida. Dá poder demais a quem decide a dose, a hora, o jeito. E quem garante que esse desejo de morrer não é só um grito de dor do momento?

Com cuidado, com acolhimento, com alívio da dor, com o que chamam de cuidados paliativos, por exemplo, muita gente volta a querer viver.

Então, para o senhor, permitir a eutanásia é abrir caminho para abusos?

É abrir caminho para que doentes terminais deixem de ser pessoas e virem “casos”. É mais fácil desligar um aparelho do que buscar cura, pesquisar remédio, apoiar a família.

A morte atinge o corpo de um, mas o estrago se espalha em volta. É por isso que eu dizia: as ideias daquele lobo não eram só teorias… eram perigo.

E o senhor teria alguma suspeita sobre o crime?

Sim… o farmacêutico, uma serpente traiçoeira. Há tempos alerto a cidade sobre seus frascos proibidos, venenos de fácil acesso.

Ele guarda substâncias que curam… ou matam.E quem decide? Ele!Um servo da ciência que brinca de ser Deus.

Há provas de que ele esteve com a vítima?

Provas… A verdade não precisa ser vista para existir.Mas ouvi, de boas almas, que o lobo usava remédios que são vendidos lá. Remédios fortes. Remédios...perigosos.

O senhor parece saber muito sobre a vida de todos.

Minha filha, quando se cuida de um rebanho, ouve-se cada mugido, cada estalo de galho.

Agradeço, senhor Malafalsa. Voltarei a procurá-lo, se necessário.

00:15

Com licença… você é a investigadora, não é? Eu… eu sou Basil Clavis. Assistente do Doutor Ulisses Abysson.

Sim, eu mesma. Sou a detetive Clarice. É um prazer conhecê-lo, Basil. Estava mesmo querendo encontrá-lo.

O prazer é meu. E perdoe-me por abordá-la assim, mas… precisava falar com a senhora.Desde que soube da morte dele, não durmo.

Ulisses era… era meu mentor. Um fósforo intelectual, que a todos iluminava com suas ideias.

Fósforo intelectual? Do tipo que acaba provocando incêndios, talvez.

O legista mencionou que você pareceu… muito calmo ao saber da morte.

Calmo? Eu? Não, não… aquilo foi choque! Eu fiquei… congelado. A dor é tão grande que… que não encontro palavras. Estou muito abalado.

Uhum. Um verdadeiro colapso emocional.

PERGUNTAR SE BASIL CONCORDAVA COM AS IDEIAS DE ABYSSON

ENCERRAR CONVERSA COM BASIL

Você concorda com as ideias filosóficas que Abysson defendia?

Concordar é pouco. Eu me via nelas. Ele entendia o absurdo da existência melhor do que qualquer um.

O antinatalismo, a crítica à ilusão de sentido, a recusa em dourar a vida… tudo isso era libertador.Ulisses costumava dizer que eu era o único que realmente o acompanhava até o fim dos argumentos.

Interessante. Mas se a vida não tem sentido e o nascimento é um erro…Então a vida não tem de fato muito valor, não é? Faz sentido lamentar uma morte?

É… complicado. Não lamento a existência terminar... mas lamento perder alguém que me dava direção.Sem ele, a cidade fica… mais vazia. E eu também.

Curioso. As ideias deles pareciam bastante claras quanto à aceitação da finitude como uma benção que dá fim ao sofrimento.

E, no entanto, aqui está você dizendo que lamenta profundamente a morte de seu mentor...

Eu… não sei. Talvez seja uma contradição, sim.Ulisses chamaria isso de experiência de viver.

Considerando que somos também seres emocionais, talvez seja demais exigir que nossas condutas tenham a exatidão e rigidez de um argumento perfeitamente lógico.

PERGUNTAR SE BASIL SUSPEITA DE ALGUÉM

ENCERRAR CONVERSA COM BASIL

Agradeço, Basil. Há mais alguma informação que gostaria de me passar?

Apenas que...bem, se tivesse que apontar um suspeito, diria que existe alguém com motivação real: o Pastor, senhor Malafalsa.

Ele detesta tudo o que Ulisses representava: o ateísmo, as críticas às tradições,o desprezo às crenças que… ‘mantêm a comunidade unida’, como ele gosta de dizer.O Pastor o via como ameaça.

E há mais algum inimigo significativo?

Além dele... Rafaela, a alfaiate. Ela também é muito religiosa, e chegou a ter uma briga pública com Ulisses.

Não sei de detalhes, mas foi motivado por alguma questão teológica. Ela se ofendeu, ele respondeu, ela começou a gritar…Foi um pequeno escândalo.

Você sabe quem poderia querer matá-lo?

Ora… todo mundo que discorda de suas ideias, não é? Mas se me permite… existe alguém com motivação real: o Pastor.

O Pastor?

Sim. O senhor Malafalsa. Ele detesta tudo o que Ulisses representava: o ateísmo, as críticas às tradições, o desprezo às crenças que… ‘mantêm a comunidade unida’, como ele gosta de dizer.

Eles discutiam sempre.O Pastor o via como ameaça.Talvez… talvez tenha decidido tomar uma atitude.

E há mais alguém que você apontaria como suspeito? Alguém sobre o qual seu mentor tenha falado algo?

Bem... Rafaela, a alfaiate. Ela também é muito religiosa, e chegou a ter uma briga pública com Ulisses.

O que aconteceu?

Não sei de detalhes, mas foi motivado por alguma questão teológica. Ela se ofendeu, ele respondeu, ela começou a gritar…Foi um pequeno escândalo.

Rafaela é uma excelente costureira, mas bastante radical em suas crenças. Ulisses a considerava uma fanática insuportável...

Em todo o caso, devo dizer que ela não parece do tipo que seria capaz de cometer atos violentos.

Hum, bem, mas é alguém habituada a lidar com lâminas e cortes precisos...

CORTES?!

Sim, a causa da morte... Uma perfuração no peito.Você não sabia que foi assim que Abysson foi assassinado?

Não! Eu pensei...

Bem... Em todo caso, preciso ir.Investigadora… se eu puder ajudar com qualquer coisa… qualquer coisa mesmo…eu estou à disposição.

Claro. Certamente voltarei a procurá-lo...

00:15

Boa tarde. Sou Clarice, responsável pela investigação do caso Abysson. O senhor é Élio Navalha?

Sou, sim. Pode falar, investigadora. O que procura?

O farmacêutico mencionou que o senhor retirou recentemente uma substância controlada. Um medicamento chamado Cicutros. Para que está usando?

Para minha esposa. Ela anda pior, e alguns remédios só saem com autorização. Nada fora disso.

E onde o senhor guarda esses medicamentos?

Num baú, na outra sala.Fica tudo junto e organizado. Só o que ela precisa.

Certo… O senhor conhecia bem Ulisses Abysson?

Conhecer bem… é exagero. Ele vinha cortar o pelo do rosto e falar dessas ideias desagradáveis dele sobre dor, fim da vida, essas coisas pesadas que ele gostava de repetir.

Minha barbearia vive cheia de histórias e burburinhos da cidade inteira.Abysson era só mais um rosto entre tantos, mas com certeza não o mais agradável deles.

Não vou fingir que tinha simpatia pelo sujeito, só porque ele foi dessa para melhor.

O senhor o considerava um desafeto?

Não. Desafeto é alguém com quem a gente briga.Ele só não era alguém que eu gostasse de ter por perto.

Por quê?

Porque falava demais de sofrer, mas só sabia de sofrimento na teoria. Quem vive de verdade aprende cedo que dor não é conceito. É rotina.

E disso, ele não entendia nada. Se achava superior por ter estudado as coisas. Sendo que quem sabe mesmo, é quem vive na pele.

O que mais o senhor sabe sobre ele?

Soube que ele usava um remédio forte para dor de dente. Ele me perguntou algumas vezes se eu conhecia quem vendesse, mas eu disse que não mexo com remédio.

Nunca trouxe receita. Depois, simplesmente não tocou mais no assunto. Cada um encontra seu jeito.

O senhor conhece alguém que teria motivo para matá-lo?

Motivo… não falta para ninguém por aqui. Ele era bastante detestado por suas ideias.Mas o que posso dizer é o que todo mundo comenta: o pastor Malafalsa e os seguidores da Religião de Apsis não engoliam o lobo de jeito nenhum.

Sempre que encontro Malafalsa ele fica horas falando comigo, querendo me doutrinar sobre ser um pecado a prática de eutanásia, mesmo em casos de doença terminal...

Abysson, por outro lado, defendia a eutanásia e o pastor chamava isso de crime contra a fé… Era briga certa!

PERGUNTAR A OPINIÃO DE ÉLIO SOBRE A EUTANÁSIA

PERGUNTAR APENAS SOBRE SUSPEITOS E ENCERRAR A CONVERSA

E o senhor, Élio? Qual sua opinião sobre a eutanásia?Pelo jeito o pastor falou bastante disso na sua presença.

É… esse assunto me toca, investigadora. Mais do que eu gostaria.Minha esposa… você sabe… sofre. Tem dias que mal consegue levantar da cama.

Muitas vezes ela mesma diz que já deu o que tinha que dar, que está cansada da dor.Eu escuto… mas não tenho coragem de fazer nada além de cuidar dela.

Mas o que o senhor pensa, de verdade?

Eu acho… que as pessoas têm direito de escolher quando já não querem mais viver daquele jeito.

Tem gente que fala que “a vida é sagrada por definição”, mas… quem está no corpo não é a cidade, nem o Estado. É a pessoa.Se não dói em mais ninguém… por que interferir?

Então o senhor entende que a decisão sobre a vida deve ser um assunto privado? Que cada pessoa deve decidir por si?

Sim, e vou lhe dizer outra coisa: manter alguém vivo só porque “é assim que tem que ser”, quando a pessoa está implorando por descanso…isso sim me parece crueldade. E olha que eu sou barbeiro, não filósofo.

Alguns dizem que legalizar a eutanásia poderia abrir precedentes perigosos...

Claro que precisa de regra... tudo precisa.Mas em muitos casos é questão de compaixão. Há doenças, como a da minha esposa, que não têm chance de cura.

Mas ainda assim, o senhor não faria?

Não… não faria.Não por discordar, mas porque…porque se ela fosse embora, eu ia sentir falta demais.Talvez seja egoísmo meu, ou covardia.

Mas nem adianta pensar nisso, porque de qualquer modo é crime...Não quero acabar na cadeia por amor… ou por desespero.Meu lugar é ao lado dela, não em uma cela.

Entendo.

É isso. Eu sou a favor… mas não sou corajoso o suficiente pra ser eu a apertar o gatilho, sabendo que a sociedade é contra, que eu teria que fazer isso sem nenhum apoio, e ainda ser considerado um criminoso.

Queria perguntar mais uma coisa. Ouvi dizer que a alfaiate discutiu com Dr. Abysson em público. Ela também faz parte dessa Religião de Apsis, não?

Sim, ela segue a mesma fé de Malafalsa, e com igual fervor.A discussão foi bastante intensa. Ela perdeu a paciência, chamou ele de blasfemo.Ele devolveu na mesma moeda.Quem viu aquela cena sabe que não foi só uma discordância leve.

O senhor suspeita de mais alguém?

Suspeitar é palavra forte… mas ouvi comentários, como todo mundo por aqui. Dizem que Abysson se envolvia com alguém já comprometida.

E o marido?

Um sujeito pacato. Tranquilo demais, talvez. Gente assim costuma engolir muita coisa… até o dia em que explode.

Obrigada pela sua ajuda, Élio. Será que posso dar uma ollhada aqui na barbearia?

Claro, fique à vontade.Se eu lembrar de mais alguma coisa, aviso.

SAIR

00:07

00:14

SAIR

00:09

00:11

00:09

00:14

00:12

SAIR

Boa tarde, sou o Dr. Desmodus Rotundus. Como posso ajudá-la?

Boa tarde, Dr. Rotundus. Sou Clarice, a investigadora do caso. Imagino que o corpo já tenha sido examinado e encaminhado para os ritos fúnebres.

É um prazer conhecê-la, Clarice. Sim, o corpo já foi examinado. Porém, conforme o desejo do falecido, não haverá rituais e cerimônias. O corpo será cremado imediatamente.

PERGUNTAR O QUE O QUE SERÁ FEITO COM AS CINZAS

PERGUNTAR QUAL FOI A CAUSA DA MORTE

O senhor sabe dizer qual será o destino das cinzas? Havia alguma instrução em particular por parte do Dr. Abysson?

Constava que... fossem descartadas. Literalmente, o texto do testamento dizia: “que meu cadáver seja cremado e as cinzas jogadas na primeira vala encontrada”.

Que simpático.

PERGUNTAR QUAL FOI A CAUSA DA MORTE

ENCERRAR CONVERSA

O senhor saberia confirmar a causa da morte?

A causa da morte, em um exame superficial, é bastante clara: uma perfuração profunda por objeto cortante e pontiagudo. Algo com duas lâminas... Foi rápido. Letal. Bastante preciso também, devo dizer.

Hum, objeto cortante com duas lâminas...

PERGUNTAR SOBRE AS MANCHAS NAS MÃOS

ENCERRAR CONVERSA

Agradeço seu auxílio, Dr.

Estou ao seu dispôr, minha cara. Inclusive, se me permite duas pequenas observações, que talvez possam ajudá-la em sua investigação. Primeiro, sugiro conversar com o farmacêutico.

O tipo de substância que suspeito ter alterado a coloração das mãos não circula sem registro. O farmacêutico dificilmente ignoraria quem buscou algo assim.

Segundo, o assistente do filósofo. Descrito como alguém próximo demais… e ainda assim, na notícia da morte, permaneceu tão frio quanto mármore. Silêncio excessivo costuma ser uma assinatura por si só.

Muito obrigada por sua ajuda, Dr. Desmodus.

E quanto às manchas nas mãos?

Suspeito de envenenamento por uma substância em alta dose, possivelmente ingerida pouco antes do golpe fatal. Precisarei de exames toxicológicos para confirmar.

O veneno pode ser a verdadeira causa, e a facada, apenas o ponto final. Ou o contrário. A história está confusa.

PERGUNTAR SOBRE O SÍMBOLO NO CORPO

ENCERRAR CONVERSA

Suponho que o senhor também tenha observado o estranho símbolo na perna.

Sim. Pequeno, mas intencional. Meu exame indica ter sido feito após a morte. Ritualístico, talvez. Estético, no mínimo. Desconheço o significado.

PERGUNTAR SE ELE SUSPEITA DE ALGUÉM

ENCERRAR CONVERSA

O senhor saberia dizer se alguém na cidade teria motivos para cometer o crime?

Não o conhecia bem. Mas o histórico da vítima, que me foi passado, não ajuda a simplificar. Era um indivíduo com ideias... controversas.

Aquele tipo de pessoa que constrói pontes e depois as incendeia, apenas para provar que pode. Inimigos? Ele tinha mais inimigos do que a noite tem estrelas. Um campo fértil para suspeitas.

Por onde o senhor indicaria começar a investigação?

Dado o possível envenenamento, sugiro duas possibilidades iniciais. A primeira: o farmacêutico. O acesso ao tipo de substância que suspeito requer autorização especial, e ele pode saber quem retirou o que, e quando.

A segunda... é mais sutil. O assistente da vítima. Dizem que eram próximos, quase simbióticos. E, no entanto... presenciei quando ele foi informado do falecimento, e sua reação foi de uma frieza....

Nenhuma lágrima, nenhum tremor. Apenas um silêncio calculista. Às vezes, a traição mais profunda vem da sombra que consideramos nossa.

00:05

Bom dia… O senhor é o doutor...“Uilhelm Vogel”?

Ja, Ja, sou eu mesmo, e se pronuncia “Vil-relm Fô-guel”.

Certo, doutor. Obrigada pela aula linguística. Agora… posso perguntar sobre o filósofo que morreu? Qualquer informação pode me ajudar.

Veja, meine liebe, eu sei tudo sobre todos deste fim de mundo, mas ao mesmo tempo meu código profissional me impede de falar qualquer coisa que seja…

É um paradoxo, como esses que este cidadão que faleceu tanto gostava, hohoho.

PERGUNTAR SOBRE AS IDEIAS POLÊMICAS DE ABYSSON

PERGUNTAR APENAS SOBRE AS SUSPEITAS DO ANALISTA E ENCERRAR A CONVERSA

Doutor Vogel, ouvi dizer que o filósofo era… digamos… uma usina de conflitos ambulante.Mas quais ideias dele realmente causavam problemas por aqui?

Ah, meine liebe, se eu fosse listar todas, precisaríamos de um café, um sofá confortável e talvez um terapeuta para nós dois.Mas falemos do que mais incendiava os debates: o aborto.

Sim, ouvi rumores. Mas o que exatamente ele defendia?

Abysson defendia que aquela que gesta é soberana sobre o próprio corpo, e que negar-lhe o aborto seria tratá-la como… como um recipiente, não como uma pessoa.

Segundo ele, ninguém deveria ser forçado a carregar no próprio corpo um destino que não escolheu, inclusive porque nenhum método anticoncepcional é totalmente seguro.

Posso imaginar que não fosse um argumento bem recebido.

Absolutamente nicht! Abysson argumentava também que negar aborto em casos de violência era uma crueldade dupla; que uma jovem sem condições emocionais ou financeiras não deveria ser condenada à maternidade forçada.

Abysson dizia que o bem-estar dela, uma pessoa plenamente formada, afinal, deveria pesar mais do que o de um embrião que ainda sequer sente o mundo.

Além disso, defendia que proibir abortos só empurra aquelas que carregam uma gravidez indesejada para lugares clandestinos onde morrem duas vezes: a primeira no corpo, a segunda na memória de todos, que passam a julgá-las como assassinas.

E isso gerava brigas, imagino.

Brigas? Hah! Isso gerava tempestades teológicas.A comunidade religiosa da cidade quase teve um colapso quando Abysson afirmou, em público, que o bem-estar psicológico de um ser adulto vale mais do que o potencial abstrato de um feto.

O filósofo insistia que direitos pertencem a pessoas formadas.

Entendo por que ele era tão… popular.

Popular como um furacão. Todos sabiam quando ele se aproximava... e muitos procuravam abrigo.

PEDIR QUE REVELE ALGUMA INFORMAÇÃO SOBRE A VIDA PESSOAL DE ABYSSON

PERGUNTAR APENAS SOBRE AS SUSPEITAS DO ANALISTA E ENCERRAR A CONVERSA

Claro que eu jamais pediria que o senhor violasse suas regras. Mas digamos que eu ouvi… comentários… de que o senhor tem certa habilidade para “contextualizar” situações.

Mein Gott! Calúnias e mais calúnias! Veja, o que posso lhe dizer é o que todos sabem… Aí eu acredito que eu não estaria violando o sigilo, apenas estaria adiantando o que você hora ou outra descobriria da boca do povo.

Estou ouvindo…

Bom… Além de ser um cidadão considerado quase que unanimemente como repugnante, mesquinho, aproveitador, arrogante, sem sentimentos, orgulhoso, beberrão, Sohn einer…

Certo… Certo… Isso eu já entendi. E algo que ainda não me contaram, doutor?

Ah, sim, claro.. Além de ser considerado tudo aquilo, ele tinha um “romance” secreto, se é que podemos chamar assim, com uma certa coelhinha. Mas claro, você não ouviu isso de mim…

Claro! Mas por que o senhor falou “romance” dessa forma?

Oh! Porque era um romance com amor genuíno apenas na cabeça dela. Aquele cidadão depois que chegou em suas concepções filosóficas passou a não ligar mais para ninguém, sequer para ele mesmo...

Você deve ter percebido pelo tanto de bebidas na casa dele, visto que estava sempre com uma garrafa de pinga debaixo de um braço, e no outro geralmente um ensaio obscuro de algum existencialista tão pessimista quanto ele.

O senhor diria então que Abysson se aproveitava dela de alguma forma?

Ele se aproveitava de todo mundo. Não que a coelha fosse uma santa, claro. Mas o filósofo beirava o solipsismo, às vezes agia como se estivesse em um mundo lotado de autômatos, onde apenas ele possuía consciência.

Na verdade estou começando a entender porquê é chamado de passarinho, doutor… O que o senhor quer dizer ao falar que ela não é santa?

Ninguém é santo nessa aldeia, investigadora. Ela também tinha interesse próprio naquele “romance”. Usos mútuos, digamos assim.

O que o senhor quer dizer com isso, Dr. Passarinho?

Nada desse apelido detestável! Me chame de Dr. Wilhelm Vogel. Não posso lhe dizer mais nada.

Doutor Vogel, não quero tomar muito seu tempo, mas…O senhor ouviu algum comentário útil para a investigação? Nada que viole seus códigos, claro.

Útil? Hm… talvez. A cidade inteira sabia que havia… digamos… uma proximidade peculiar entre Abysson e uma certa coelhinha...

Uma história meio confusa, mas que certamente gerou falatório suficiente para deixar qualquer alma sensível desconfortável.

O senhor acha que isso tem relação com o crime?

Ah, meine liebe, achar não me compete. Eu apenas observo... A verdade é que nesta cidade quase todo mundo tinha um motivo.

Mas agora preciso ir. Tenho uma consulta domiciliar. Oh! Ops! Auf Wiedersehen, investigadora.

SAIR

00:18

00:08

Boa tarde. No que posso ajudá-la?

Boa tarde, senhorita Rafaela. Sou Clarice, estou investigando o caso Abysson e preciso lhe fazer algumas perguntas.

É… não dá para dizer que ele tinha medo de opiniões fortes. Só medo de crianças, talvez.

A eutanásia é vista com escândalo moral por pessoas que não hesitam em condenar seus semelhantes à dor por décadas sob o pretexto da ‘sacralidade da vida’. A ironia é impressionante: quanto mais alguém protege a vida como valor absoluto, mais indiferente se torna ao sofrimento que ela produz.

Os que defendem a ‘vida desde a concepção’ costumam partir de um pressuposto improvável: que um punhado de células já carrega consciência, alma ou qualquer qualidade que justifique uma obrigação moral absoluta. É uma fantasia conveniente. Ainda mais conveniente é o fato de que esse zelo pela ‘vida’ quase sempre se encerra na porta da maternidade.

Segure e arraste para mover. Clique para ampliar.

Defender a continuidade forçada de uma existência insuportável não é compaixão; é crueldade com verniz religioso. Permitir que alguém escolha o próprio fim deveria ser celebrado como o ápice do livre-arbítrio, e não tratado como um pecado. Afinal, que liberdade é essa que exclui justamente a decisão que mais importa?

A proibição do aborto costuma se apoiar em uma retórica sentimental que ignora um fato simples: acidentes acontecem, mesmo quando métodos contraceptivos são adotados. Obrigar alguém a levar adiante uma gestação indesejada não é defesa da vida: é coerção e desrespeito ao corpo alheio.

Não é o sofrimento que nos assusta, mas a responsabilidade que ele impõe.Preferimos chamar de empatia o medo de sermos os próximos a cair.O altruísmo, quando observado de perto, raramente passa de autopreservação elegante.

Chamamos de cuidado aquilo que, no fundo, é medo de abandonar.A compaixão não passa de um apego socialmente aceito à dor alheia.Libertar alguém do sofrimento exige coragem; mantê-lo vivo, apenas hábito.

A Ilusão do Cuidado Ulisses Abysson

Abysson confunde lucidez com anestesia emocional.Reduz a compaixão a fraqueza e ignora que o vínculo humano não é um erro lógico a ser corrigido, mas um dado fundamental da psique.Se o altruísmo é apenas autopreservação, escrever livros para ‘libertar’ os outros talvez seja… marketing emocional.A lucidez seletiva é um sintoma curioso.— W. Vogel

Charmoso. Nada como filosofia para deixar a gente deprimida antes mesmo do café.

A Vida é um Problema Terminal

É curioso observar como nos apegamos a promessas de plenitude, como se felicidade fosse um projeto plausível. A verdade incômoda é que o sofrimento não é um defeito do sistema. É o sistema operando conforme o esperado. E ainda assim, seguimos em frente, abastecidos por miragens sofisticadas a que chamamos de ‘propósito’, por ideias ilusórias de almas e supostas recompensas no além.

Codinome Jackalope O paciente faz tratamento com medicação controlada (1 ml de Cicutros, 2 vezes ao dia) há 2 meses, adquirida do meu estoque particular. Quanto aos aspectos emocionais, Jackalope apresenta baixa auto-estima, problemas com a fertilidade e com o relacionamento interpessoal. (Jackalope carrega muito peso na cabeça, hohoho). Última consulta: 4 de Sestídio

Codinome De Caerbannog Cônjuge de Jackalope, buscou tratamento relacionado à fertilidade do casal. Mantém um relacionamento extraconjugal com Boêmio. Demonstra fantasia persistente: acredita que gerar um filho com Boêmio o faria desenvolver afeto verdadeiro, ignorando que este não consegue amar nem a si mesmo. Última consulta: 18 de Ventório

Codinome FelixJovem estudante de grande sensibilidade.Apresentava dificuldades em lidar com a existência e buscava respostas profundas demais para a idade.Após contato intenso com as ideias de Boêmio, demonstrou inquietação crescente e perda progressiva de esperança.Semanas depois, veio a tirar a própria vida.Tratamento encerrado abruptamente; caso lamentável.Última consulta: 21 de Ventório

Codinome Fluvius:Paciente cortês e racional, buscou-me uma única vez, exclusivamente para receber tratamento ocasional para insônia. Colega de profissão de Boêmio.Consulta única: 7 de Brumário

Codinome Cantaria Paciente de fervor religioso intenso, com progressiva fixação na ideia de ‘salvar almas’. Demonstra pensamento dicotômico rígido, interpretando divergências ideológicas como ameaças morais.Apresenta sinais de obsessão em relação ao paciente Boêmio: menciona o nome dele repetidas vezes, alternando entre críticas ferinas e… curiosa admiração Piora considerável após discussão pública com Boêmio.Possível atração não elaborada.Estado emocional instável; recomenda-se acompanhamento contínuo.Última consulta: 10 de Sestídio.

Codinome Umbra: O paciente Umbra sente com pesar, assim como eu, o falecimento do paciente codinome Felix. Sente grande dificuldade de aceitar o passado, sente culpa, e procura culpados para aquela tragédia, mesmo que tenha sido escolha do paciente codinome Felix. Ele tem forte desilusão com quem o paciente codinome Boêmio demonstrou ser, e associa a perda de Felix às ideias de Boêmio, cuja filosofia Umbra antes idolatrava. Após o trauma-Felix, Umbra teve virada de chave em suas ideias e por conseguinte de sua carreira, e agora aproxima-se de paciente codinome Fluvius. Aumentou a frequência das sessões e passou a comparecer semanalmente.Última consulta: 12 de Sestídio

Codinome Boêmio Paciente resistente a qualquer intervenção terapêutica.Ideias filosóficas rígidas, frequentemente desadaptativas, defendidas com arrogância e ironia. Consumo excessivo de álcool.Relatos insistentes de que estava sendo ‘observado’ ou ‘seguido’. Diz ter certeza de que alguém o seguiu nos dias 7 e 16 deste mês. Possível paranoia leve, embora jamais admitisse fragilidade emocional.Opiniões que beiram o niilismo absoluto e geram atritos constantes na comunidade.Paciente… desgastante.Última consulta: 23 de Lunário

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Hora de ter uma conversa com a tal Alfaiate.

ATENÇÃO: Clique para sair somente se já tiver encerrado a investigação no local.

SAIR

Não esquecer de repor um frasco grande de Cicutros (300 ml). Verifiquei as medicações hoje, na manhã de 13 de Sestídio, e no armário estava faltando uma unidade do lote novo (comprado no dia 11).

Pode ter sido erro de contagem, pois fiz o inventário com sono naquele dia.

Uau. Este livro iria render entrevistas, debates e, com certeza, algumas brigas em bares.

O curioso é como as divindades se adaptam às necessidades pessoais. Quando precisamos de conforto, tornam-se maternas; quando precisamos de ordem, tornam-se juízes; e quando precisamos justificar atrocidades, tornam-se silenciosas. É a prova de que não são elas que nos criam: somos nós que as moldamos.

Se existe um plano divino, ele certamente não passou pelo setor de qualidade. A aleatoriedade do sofrimento, a má distribuição de sorte e a tendência do universo de cair aos pedaços contradizem qualquer engenheiro minimamente competente.

A Queda dos Deuses – esboços iniciaisA crença em divindades é a forma mais sofisticada de terceirizar responsabilidade. Não precisamos explicar o caos, basta atribuí-lo a um plano invisível. Não precisamos encarar escolhas difíceis, basta chamá-las de destino. A fé, nesse sentido, não é consolo espiritual: é alívio administrativo.

Então o sujeito foi atacado com lâminas, temperado com veneno e decorado com símbolo.Parece até uma receita excêntrica do restaurante local. Falando nisso...hora de ir comer alguma coisa.

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Próximo passo: visitar o analista. Quem sabe ele não me explica como manter a sanidade investigando o caso Abysson.

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Um legista inclinado à poesia… justo o que eu precisava nesta sala macabra. Espero que essa tinta vermelha seja realmente... tinta. Essa cidade está ficando cada vez mais intrigante. E não no bom sentido.

Morte no dia 14 de Sestídio. O corpo repousa como se ainda meditasse sobre o próprio fim.O ferimento é único: preciso, quase cirúrgico, como se o assassino conhecesse o limite exato entre dor e silêncio. O corte foi causado por objeto com duas lâminas, certamente tão afiado quanto a língua do falecido. As mãos, porém, exibem uma coloração arroxeada que me intriga. Um aviso tardio de algo que talvez antecedeu a lâmina. Talvez um veneno discreto, talvez uma reação fisiológica peculiar.

É perturbador como um cadáver insiste em se comunicar, mesmo depois de perder a voz. E há também o símbolo: pequeno, desenhado sobre a pele da perna com gesto cuidadoso, talvez devocional. Não ouso interpretar. Os rituais pertencem aos vivos; os mortos, com sorte, apenas os carregam para além do véu frio que separa os dois mundos.

A natalidade, portanto, é um mecanismo de loteria cósmica em que ninguém pediu para comprar o bilhete, mas se vê embarcado em uma jornada de sofrimento.Nesse sentido, a reprodução é, em grande medida, a forma mais otimista de hereditariedade: transmitir não só traços e características, mas a convicção teimosa de que desta vez vai dar certo. Uma crença digna de estudo, especialmente porque a história inteira já provou o contrário.

Se eu tivesse que apostar, diria que o Dr. Abysson não era muito convidado para chás de fralda.

Contra o Nascimento: Ensaios Sobre o Erro Inicial O nascimento é um equívoco cósmico repetido à exaustão. Nascer é o único erro que cometemos sem participação ativa. E é um erro com consequências vitalícias, apenas encerrado com a morte. Ainda assim, somos responsabilizados por tudo que acontece entre um ponto e outro.

13 de sestídio - Clientes do dia: * 13h: Hugo * 16h: Desmodus 14 de sestídio - Dia de folga.

11 de sestídio - Clientes do dia: * 13h: Vogel * 16h: Malafalsa 12 de sestídio - Clientes do dia: * 15h: Simone * 16h: Abysson, o chato...

Agenda

Ahá. Romance secreto. E alguém tentando convencê-lo a abandonar o anti-natalismo. Deve ter sido como tentar convencer um gato a tomar banho.

Algumas vidas podem ser boas, ou ao menos melhores do que a ausência delas. Além disso, não existe também beleza na dor? Sofro por não tê-lo todos os dias, sofro pela culpa... mas jamais trocaria esse sofrimento pela alternativa de nunca ter cruzado o seu caminho. .Talvez seja ingenuidade minha, mas prefiro acreditar que somos nós que damos sentido às coisas.

Ulisses,Não posso continuar vivendo nas sombras. Eu abandonaria tudo sem hesitar se você me desse um lugar ao seu lado. Você é a minha única chance de ter a família grande que sempre desejei... é algo que meu mundo atual jamais poderá me oferecer.Sei que você acredita que ter filhos é um erro, mas não consigo aceitar que toda vida seja apenas sofrimento inevitável.

E eu quero escolher a vida, não o vazio que você descreve tão bem. Permita-me lhe mostrar que isso é possível... Daquela que o ama.

13 de sestídio - Clientes do dia: * 13h: Hugo * 16h: Desmodus 14 de sestídio - Dia de folga.

11 de sestídio - Clientes do dia: * 13h: Vogel * 16h: Malafalsa 12 de sestídio - Clientes do dia: * 15h: Simone * 16h: Abysson, o chato...

Agenda

Temos: romance complicado, símbolo ritualístico, bebida pesada e filosofia mais pesada ainda…Vou tomar um café enquanto o corpo é levado ao legista. Com sorte, ele me explica algumas coisas antes que eu invente uma teoria esotérica.

ATENÇÃO: Clique para sair somente se já tiver encerrado a investigação na casa.

SAIR