"Odete Costa Semedo: Voz Poética e Política da Guiné-Bissau"
7 de novembro de 1959
"Odete Costa Semedo: Trajetória Académica, Política e Compromisso com a Educação na Guiné-Bissau"
Odete Costa Semedo nasceu em Bissau, Guiné-Bissau, em 7 de novembro de 1959. A sua infância e adolescência decorreram na capital da Guiné-Bissau, onde estudou no Liceu Nacional Kwame N’Krumah. Desde jovem destacou-se como aluna persistente e interessada pelas letras, e aos 18 anos iniciou a carreira docente como professora — facto pouco comum em jovens mulheres do país na altura, revelando desde cedo um perfil de liderança e compromisso com a educação.Apesar das limitações e desafios do contexto pós-independência na Guiné-Bissau, Odete Semedo mostrou um percurso excecional ao escolher a área das Letras e posteriormente avançar para uma formação superior em Portugal. Depois dos estudos secundários, rumou a Lisboa, onde concluiu a licenciatura em Línguas e Literaturas Modernas na Universidade Nova de Lisboa, entre 1989 e 1990. Mais tarde, já com considerável experiência profissional, seguiu para o Brasil em 2006, para realizar o seu doutoramento em Letras na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, concluído em 2010. No âmbito académico e político, ao regressar à Guiné-Bissau, foi Coordenadora Nacional do Projeto de Língua Portuguesa no Ensino Secundário e Diretora da Escola Normal Superior Tchico-Té, além de atuar como professora. Galgou várias posições: foi Diretora-Geral do Ensino da Guiné, presidente da Comissão Nacional para a UNESCO, Ministra da Educação Nacional (junho/1997 a fevereiro/1999) e Ministra da Saúde (março/2004 a novembro/2005). Em 2013 foi nomeada reitora da Universidade Amílcar Cabral, cargo que exerceu até setembro de 2014. Atualmente, é investigadora no Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa, para as áreas de Educação e Formação, e segunda vice-presidente do PAIGC (Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde)
"As minhas lágrimas escapuliram, esboçaram no chão do meu rosto um fio de mágoa profunda, queimando bem fundo. Nenhum grito... nenhum gemido... palavra nenhuma, letra alguma jamais traduziu tanto sofrer." (Do livro No fundo do canto)
"Odete Costa Semedo:Liderança Política e Académica na Guiné-Bissau"
Odete Costa Semedo tem uma trajetória política importante na Guiné-Bissau, especialmente ligada ao Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), do qual é militante desde os 15 anos, logo após a independência do país. Participou ativamente da juventude do PAIGC, colaborando em várias ações comunitárias e educativas, como alfabetização de adultos e trabalhos voluntários na cidade. Ela assumiu cargos públicos de grande relevância, como Ministra da Educação Nacional entre 1997 e 1999, e Ministra da Saúde entre 2004 e 2005. Em 2013 foi nomeada reitora da Universidade Amílcar Cabral, onde atuou até 2014.
Atualmente, Odete Semedo exerce a função de segunda vice-presidente do PAIGC e é também deputada da Nação pelo partido, sendo uma voz ativa na defesa da participação das mulheres e da democracia no país. Sua atuação política simboliza o compromisso com a igualdade de gênero, a educação e a construção democrática na Guiné-Bissau.
"Poemar é amar o mar. Poemar é revestir o ser com o próprio pensamento. É trazer à superfície o subconsciente. É ser vidente. É ser viandante. É amar a dor e dar calor ao frio da noite. Poemar é dar prazer ao ser. É estar contente por poder amar. E poemar é amor. Poemar é amar quando ao luar o mar e a mente se entrelaçam, quando a dor e o calor se confundem... Poemar é amor. É amar. É mar. E é dor também." (Poema "Poemar" em Entre o Ser e o Amar)
Odete Costa Semedo: Carreira Literária e Contribuição Cultural
Maria Odete da Costa Soares Semedo é uma escritora, poeta, professora universitária e política, reconhecida como uma das principais vozes literárias da Guiné-Bissau e uma figura de referência na literatura de língua portuguesa africana.A sua obra literária é plural, abarcando poesia, contos e ensaios, com destaque para títulos como Entre o Ser e o Amar (1996), Histórias e passadas que ouvi contar (2003), No Fundo do Canto (2007), Guiné-Bissau - História, Culturas, Sociedade e Literatura (2010) e Literaturas da Guiné-Bissau - Cantando os escritos da história (2011). Os temas principais da sua escrita incluem a memória histórica, a ancestralidade, a resistência cultural e a identidade nacional, com uma forte presença da tradição oral guineense, especialmente as cantigas femininas, que foram também objeto de sua tese de doutoramento. A sua poesia expressa a inquietude do indivíduo perante a existência, o sofrimento gerado pelo processo pós-independência e o valor da língua como testemunha viva da cultura. Além de escritora, Odete Semedo colaborou na fundação da Associação de Escritores da Guiné-Bissau e esteve envolvida em múltiplos projetos culturais, como a tradução para crioulo do guião do filme Olhos Azuis de Yonta, do cineasta Flora Gomes. A sua influência é notória no panorama literário lusófono, destacando-se pela integração da cultura local com perspectivas literárias contemporâneas e pela valorização da voz feminina na literatura africana de expressão portuguesa.
Poemar
Poemar é amar o mar
Poemar é revestir o ser
Com o próprio pensamento
É trazer à superfície
O subconsciente
É ser vidente
É ser viandante
É amar a dor
E dar calor
Ao frio da noite.
Poemar é dar prazer ao ser
É estar contente
Por poder amar
E poemar é amor
Poemar é amar
Quando ao luar
O mar e a mente se entrelaçam
Quando a dor e o calor se confundem...
Poemar é amor
É amar
É mar
E é dor também Odete Semedo, Entre o ser e o amar.
"Entre o Ser e o Amar: A Poesia da Identidade e Resistência na Obra de Odete Costa Semedo"
O livro Entre o Ser e o Amar (1996), de Odete Costa Semedo, é a sua primeira coletânea poética e representa o início da sua afirmação como importante voz literária na Guiné-Bissau. Nesta obra, a autora explora temas como a busca de identidade e as desilusões ligadas ao período pós-independência do seu país, assim como as tensões e contradições da existência individual diante de um mundo em transformação.Os poemas apresentam uma linguagem rica em imagens, metáforas e simbolismos que criam um diálogo íntimo entre o eu lírico e o leitor, estabelecendo uma ponte entre a experiência pessoal e a realidade social e cultural da Guiné-Bissau. A poesia aborda a dor, a esperança, a memória, a identidade, o amor e a luta, revelando uma sensibilidade profunda diante das mudanças e desafios da nação. Além disso, a obra é marcada por um bilinguismo que integra português e crioulo, valorizando a cultura local e a tradição oral. Entre o Ser e o Amar é também uma reflexão sobre a condição humana e o papel da palavra poética como meio de construção e resistência cultural.
Este poema reflete a ligação íntima entre a experiência do ser, do amar e da criação poética, numa linguagem rica e simbólica que evoca o pertencimento e a sensibilidade da autora.
"Histórias e Passadas que Ouvi Contar: Tradição Oral e Memória Coletiva na Literatura de Odete Costa Semedo"
O livro Histórias e passadas que ouvi contar (2003), de Odete Costa Semedo, é uma coletânea de contos que resgata e reelabora tradições orais da Guiné-Bissau. A obra é uma importante expressão da cultura guineense, apresentando narrativas que mesclam a tradição local com as tensões entre o passado e a modernidade.Nessas histórias, a autora tece lugares, personagens e contradições sociais da Guiné-Bissau, transformando-as em matéria estética literária. O livro tem um papel fundamental na preservação da memória coletiva do povo guineense e no fortalecimento da identidade cultural por meio da literatura. A obra é também considerada um espelho da dor e das aspirações do povo, com forte expressão da resistência cultural, onde a narração oral é uma forma de alimentar a memória e a alma comunitária. Odete Semedo usa esses contos para oferecer ao leitor uma leitura que transcende o simples entendimento, convidando a refletir sobre as relações sociais e estéticas que se entrelaçam na literatura africana contemporânea
"Odete Costa Semedo, na sua obra Histórias e passadas que ouvi contar (2003), destaca a importância da tradição oral como veículo essencial para a preservação da identidade cultural guineense, refletindo a memória coletiva do povo e a resistência cultural através da narrativa."
"No Fundo do Canto: Voz Poética e Resistência na Construção da Identidade Guineense"
As minhas lágrimas
As lágrimas
escapuliram
esboçaram
no chão do meu rosto
um fio de mágoa profunda
queimando
bem fundo
Nenhum grito...
nenhum gemido...
palavra nenhuma
letra alguma
jamais traduziu
tanto sofrer
os olhos sentiram
a minha gente viu
E eu?
E eu?
Odete Semedo, No fundo do canto.
O livro No Fundo do Canto (2007) de Odete Costa Semedo é um "cantopoema" que aborda a história recente da Guiné-Bissau, especialmente o horror da guerra civil, e a busca pela afirmação da identidade nacional. A obra é bilíngue, com poemas escritos em português e crioulo, refletindo a diversidade linguística e cultural do país.
Nesta coletânea, a autora revisita o percurso do povo guineense, denunciando fatos silenciados pela história oficial e clamando pela reconstrução coletiva da nação. O livro é estruturado em partes, incluindo um prelúdio que prenuncia a guerra e poemas que expressam tanto o sofrimento quanto a esperança de um futuro melhor.
A poesia de Odete Costa Semedo é marcada pela sensibilidade, olhar crítico e um forte sentido de resistência cultural. Ela usa seu canto para dar voz às dores e lutas de seu povo, ao mesmo tempo que aponta caminhos para a paz, justiça e harmonia nacional. O livro é considerado uma obra emblemática na literatura africana de língua portuguesa, unindo tradição oral e modernidade poética para narrar a experiência guineense de forma profunda e estética.
"Guiné-Bissau - História, Culturas, Sociedade e Literatura: Uma Perspetiva de Odete Costa Semedo"
O livro Guiné-Bissau - História, Culturas, Sociedade e Literatura (2010), de Odete Costa Semedo, apresenta um vasto panorama histórico-cultural e sociopolítico da Guiné-Bissau, abrangendo os períodos pré-colonial, colonial e pós-colonial. A obra enfatiza a importância da tradição oral guineense como um elemento fundamental da cultura do povo, considerando a voz e a palavra como veículos essenciais para a preservação da identidade cultural.O livro examina a emergência de uma literatura nacional guineense de língua portuguesa, destacando o papel da literatura na construção da identidade nacional de um país recente e marcado por instabilidades políticas. Trata também da relação entre a literatura e a história oficial do país, dando voz a personagens e narrativas frequentemente marginalizadas. Além disso, aborda os elementos culturais que distinguem a identidade guineense, incluindo modelos educacionais, símbolos, rituais, heróis e sabores locais. A obra é fundamental para compreender a intersecção entre história, cultura, sociedade e literatura na Guiné-Bissau e para revelar as múltiplas vozes que constituem a identidade do país. Este livro é uma contribuição relevante para os estudos africanos, literários e culturais, permitindo uma visão holística da Guiné-Bissau desde suas raízes históricas até seu cenário contemporâneo.
"Literaturas da Guiné-Bissau: Cantando os Escritos da História"
O livro Literaturas da Guiné-Bissau - Cantando os escritos da história (2011), organizado por Odete Costa Semedo e Margarida Calafate Ribeiro, é uma importante obra que reúne uma reflexão multifacetada sobre a literatura guineense em processo de afirmação.
A obra destaca que a literatura da Guiné-Bissau se alimenta profundamente da tradição oral e da oratura, estruturando-se a partir de eventos sociais, políticos e culturais do país. Escritores guineenses usam as línguas locais para desconstruir a língua do colonizador e transformá-la numa língua de emancipação e expressão cultural. Isso representa um esforço literário para ligar memória, história e identidade nacional.
Além disso, o livro explora estratégias narrativas que revisitam memórias silenciadas pela colonização e pós-independência, reforçando a preservação da tradição e a construção da "guineidade" através da literatura. O trabalho se destaca como uma contribuição fundamental para a literatura africana de expressão portuguesa, iluminando múltiplas vozes e perspectivas da nação guineense.
"Esta obra oferece uma reflexão polifónica e multifacetada sobre uma literatura em fase de busca e afirmação, que encontra sua força vital na tradição oral e na oratura. Trata-se de uma literatura que se alimenta dos acontecimentos sociais, políticos e culturais, encontrando sua identidade na tradição e nas línguas locais. Os poetas, contistas e romancistas utilizam essas línguas para desconstruir e reconstruir aquela que foi a língua do opressor, transformando-a na língua da emancipação, do contacto com o mundo e também da expressão do coração."
As Mandjuandadi: Cantigas de Mulher na Guiné-Bissau: Da Tradição Oral à Literatura
O livro As Mandjuandadi: Cantigas de Mulher na Guiné-Bissau: da Tradição Oral à Literatura (2010), de Odete Costa Semedo, é uma pesquisa aprofundada sobre as cantigas de mandjuandadi, um importante género da tradição oral guineense. Essas cantigas, cantadas por mulheres em contextos sociais e cerimoniais, representam uma manifestação cultural singular e são analisadas com um olhar atento à sua expressividade, ritmo, performance e significado social.Odete Costa Semedo compara a tradição do canto das mandjuandadi ao pano de tear usado em cerimónias tradicionais, utilizando essa metáfora para ilustrar como essas cantigas são entrelaçadas e tecidos culturalmente na vida da comunidade. O livro destaca a importância das vozes femininas na construção da cultura guineense e na transição da oralidade para a literatura moderna, celebrando a criatividade poética que brota das diversas culturas do país. A obra também traz uma análise da história social da Guiné-Bissau, especialmente nos períodos pré-colonial, colonial e pós-colonial, e a centralidade do crioulo como língua de expressão dessas cantigas. É uma contribuição significativa para o conhecimento histórico, sociológico, etnográfico e literário da Guiné-Bissau
"(In)Confidências"
Silêncio
Silêncio,
o grito não se ouve
mas não se cala.
É voz invisível,
resistência profunda
que ecoa no peito. Confidência
Confidência é dar-se sem medo,
é abrir portas fechadas,
é habitar os sonhos
que não morrem no escuro.
O livro (In)Confidências de Odete Costa Semedo, lançado em 2023, é uma coletânea poética que reúne mais de cento e cinquenta poemas. A obra destaca-se pelo elogio a uma resistência heróica — individual e coletiva — que atravessa aspectos culturais, físicos e psicológicos. O silêncio aparece como uma grande inibição, especialmente no contexto da representação feminina, e a resistência se conecta ao chão, à terra, à pátria e à África.A poesia presente no livro evidencia a expressão da identidade e da memória da Guiné-Bissau, ampliando-se também à comunidade afro-diaspórica. A estrutura da obra inclui grandes poemas e macro-poemas que articulam expressividade lírica e enunciação épica, explorando temas como a liberdade, as micro-representações do quotidiano e o plurilinguismo.
Odete Costa Semedo, reconhecida pela sua produção académica, atuação política e ativismo em defesa das mulheres e da democracia, utiliza sua escrita para interpretar a terra da Guiné e suas tradições através de suas próprias experiências, conferindo à obra um tom sereno e íntimo.
Este livro é um convite para mergulhar na complexidade da identidade africana contemporânea, traduzida pela voz firme e sensível de uma das grandes poetas guineenses.
Heroína do teu conto
Quero ser heroína
Do conto que inventares
Que firme segue o seu destino
Quero ser uma mortal
Guiada pelo teu poder
E pela tua voz
Quero ser uma semi-deusa
E vencer os obstáculos
Que tu teceres
Escapar das nuvens e do próprio sol
Quero ser a deusa lua no teu conto
Acompanhar as crianças
Nas suas fantasias
E no sonho seguir os seus desígnios
Quero ser a heroína do teu conto
Ou apenas um verso do teu canto
Odete Semedo
O poema expressa o desejo da voz lírica de ser protagonista da história que o outro inventa, transitando entre a mortalidade e a condição de semi-deusa. Há uma busca por força, superação e presença poética, assumindo tanto o papel de heroína quanto o de simples verso num canto. O poema destaca a força feminina, o sonho e a esperança, explorando a presença tanto na ação quanto na poesia. É uma celebração do poder da imaginação e da resistência íntima, símbolos de uma identidade que se constrói entre fantasia e realidade
Odete Costa Semedo: Contribuições Culturais e Literárias
Com uma trajetória marcada por um compromisso profundo com a cultura e a identidade guineense, Odete Semedo tem desempenhado um papel fundamental na preservação e promoção da literatura e das tradições orais do seu país.Entre as suas contribuições culturais mais relevantes está a coordenação e fundação da revista Tcholona, uma publicação dedicada às letras, artes e cultura, que tem servido como espaço de reflexão e divulgação da produção cultural guineense. Esta revista é fundamental para o fortalecimento da literatura local, numa perspetiva que valoriza a interculturalidade e o diálogo entre a tradição oral e a literatura escrita. Além disso, Odete Costa Semedo traduziu para crioulo o roteiro do filme Olhos Azuis de Yonta (1992) do cineasta Flora Gomes, participando também em aspetos da produção cinematográfica como assistente de realização. Esta ação é um exemplo claro do seu empenho em aproximar as expressões culturais tradicionais dos meios modernos de comunicação e arte, promovendo a língua crioula e a cultura guineense em diversas plataformas. Odete também fez parte da fundação e foi Secretária-Geral da Associação de Escritores da Guiné-Bissau, organização essencial para a valorização dos escritores locais e o desenvolvimento da literatura no país. A sua atuação política inclui cargos como Ministra da Educação e Ministra da Saúde, além da reitoria da Universidade Amílcar Cabral, consolidando o seu compromisso com a educação, a cultura e o desenvolvimento social da Guiné-Bissau. Atualmente, como investigadora no Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa, continua a contribuir para a investigação e promoção cultural, sempre com especial ênfase na educação, na formação e na valorização da cultura guineense.
Prémios e Reconhecimentos Literários de Odete Costa Semedo
Além deste reconhecimento recente, Odete também foi agraciada com importantes prémios que celebram a sua carreira e impacto cultural, entre os quais destaca-se o Prémio Rosalia de Castro, conferido pelo PEN Club da Galiza, que valoriza a sua presença literária na cena internacional e o seu contributo na redefinição das vozes culturais lusófonas.No âmbito nacional, Odete recebeu distinções por seu papel ativo na promoção da cultura guineense, destacando-se como personalidade que contribuiu para o desenvolvimento global da Guiné-Bissau na categoria de escritor, em 2003. Estes prémios refletem a importância da sua obra, que vai muito além da literatura para abranger a investigação acadêmica, o ativismo cultural e político no seu país. Através da sua escrita, Odete Costa Semedo promove a história, a memória e a identidade da Guiné-Bissau, afirmando a força da cultura africana no espaço lusófono e no mundo.
Odete Costa Semedo é uma das mais destacadas escritoras e poetas da Guiné-Bissau, cujo trabalho lhe conferiu reconhecimento nacional e internacional, refletido em diversos prémios literários e honrarias. O percurso literário e cultural da autora é marcado por uma profunda ligação à identidade guineense, à defesa da cultura e da língua, bem como à valorização da tradição oral no contexto da literatura de expressão portuguesa. Em 2023, Odete Semedo foi laureada com o Prémio Literário Guerra Junqueiro Lusofonia, considerado um dos mais prestigiados prémios da literatura lusófona contemporânea. Este prémio reconhece a sua contribuição significativa para o enriquecimento da literatura em língua portuguesa, bem como o impacto cultural do seu trabalho no universo literário africano. A autora tornou-se, nesse ano, a primeira mulher a receber esta distinção, amplificando ainda mais o valor simbólico desta conquista para a literatura feminina e lusófona.
"Vozes de Odete: Poesia e Confidências"
"A poesia é a voz que nos permite ser guardiões da memória e construir o futuro com as palavras do presente."
"Odete Costa Semedo: Voz Poética e Política da Guiné-Bissau"
Helena Borralho
Created on August 20, 2025
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"Odete Costa Semedo: Voz Poética e Política da Guiné-Bissau"
7 de novembro de 1959
"Odete Costa Semedo: Trajetória Académica, Política e Compromisso com a Educação na Guiné-Bissau"
Odete Costa Semedo nasceu em Bissau, Guiné-Bissau, em 7 de novembro de 1959. A sua infância e adolescência decorreram na capital da Guiné-Bissau, onde estudou no Liceu Nacional Kwame N’Krumah. Desde jovem destacou-se como aluna persistente e interessada pelas letras, e aos 18 anos iniciou a carreira docente como professora — facto pouco comum em jovens mulheres do país na altura, revelando desde cedo um perfil de liderança e compromisso com a educação.Apesar das limitações e desafios do contexto pós-independência na Guiné-Bissau, Odete Semedo mostrou um percurso excecional ao escolher a área das Letras e posteriormente avançar para uma formação superior em Portugal. Depois dos estudos secundários, rumou a Lisboa, onde concluiu a licenciatura em Línguas e Literaturas Modernas na Universidade Nova de Lisboa, entre 1989 e 1990. Mais tarde, já com considerável experiência profissional, seguiu para o Brasil em 2006, para realizar o seu doutoramento em Letras na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, concluído em 2010. No âmbito académico e político, ao regressar à Guiné-Bissau, foi Coordenadora Nacional do Projeto de Língua Portuguesa no Ensino Secundário e Diretora da Escola Normal Superior Tchico-Té, além de atuar como professora. Galgou várias posições: foi Diretora-Geral do Ensino da Guiné, presidente da Comissão Nacional para a UNESCO, Ministra da Educação Nacional (junho/1997 a fevereiro/1999) e Ministra da Saúde (março/2004 a novembro/2005). Em 2013 foi nomeada reitora da Universidade Amílcar Cabral, cargo que exerceu até setembro de 2014. Atualmente, é investigadora no Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa, para as áreas de Educação e Formação, e segunda vice-presidente do PAIGC (Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde)
"As minhas lágrimas escapuliram, esboçaram no chão do meu rosto um fio de mágoa profunda, queimando bem fundo. Nenhum grito... nenhum gemido... palavra nenhuma, letra alguma jamais traduziu tanto sofrer." (Do livro No fundo do canto)
"Odete Costa Semedo:Liderança Política e Académica na Guiné-Bissau"
Odete Costa Semedo tem uma trajetória política importante na Guiné-Bissau, especialmente ligada ao Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), do qual é militante desde os 15 anos, logo após a independência do país. Participou ativamente da juventude do PAIGC, colaborando em várias ações comunitárias e educativas, como alfabetização de adultos e trabalhos voluntários na cidade. Ela assumiu cargos públicos de grande relevância, como Ministra da Educação Nacional entre 1997 e 1999, e Ministra da Saúde entre 2004 e 2005. Em 2013 foi nomeada reitora da Universidade Amílcar Cabral, onde atuou até 2014. Atualmente, Odete Semedo exerce a função de segunda vice-presidente do PAIGC e é também deputada da Nação pelo partido, sendo uma voz ativa na defesa da participação das mulheres e da democracia no país. Sua atuação política simboliza o compromisso com a igualdade de gênero, a educação e a construção democrática na Guiné-Bissau.
"Poemar é amar o mar. Poemar é revestir o ser com o próprio pensamento. É trazer à superfície o subconsciente. É ser vidente. É ser viandante. É amar a dor e dar calor ao frio da noite. Poemar é dar prazer ao ser. É estar contente por poder amar. E poemar é amor. Poemar é amar quando ao luar o mar e a mente se entrelaçam, quando a dor e o calor se confundem... Poemar é amor. É amar. É mar. E é dor também." (Poema "Poemar" em Entre o Ser e o Amar)
Odete Costa Semedo: Carreira Literária e Contribuição Cultural
Maria Odete da Costa Soares Semedo é uma escritora, poeta, professora universitária e política, reconhecida como uma das principais vozes literárias da Guiné-Bissau e uma figura de referência na literatura de língua portuguesa africana.A sua obra literária é plural, abarcando poesia, contos e ensaios, com destaque para títulos como Entre o Ser e o Amar (1996), Histórias e passadas que ouvi contar (2003), No Fundo do Canto (2007), Guiné-Bissau - História, Culturas, Sociedade e Literatura (2010) e Literaturas da Guiné-Bissau - Cantando os escritos da história (2011). Os temas principais da sua escrita incluem a memória histórica, a ancestralidade, a resistência cultural e a identidade nacional, com uma forte presença da tradição oral guineense, especialmente as cantigas femininas, que foram também objeto de sua tese de doutoramento. A sua poesia expressa a inquietude do indivíduo perante a existência, o sofrimento gerado pelo processo pós-independência e o valor da língua como testemunha viva da cultura. Além de escritora, Odete Semedo colaborou na fundação da Associação de Escritores da Guiné-Bissau e esteve envolvida em múltiplos projetos culturais, como a tradução para crioulo do guião do filme Olhos Azuis de Yonta, do cineasta Flora Gomes. A sua influência é notória no panorama literário lusófono, destacando-se pela integração da cultura local com perspectivas literárias contemporâneas e pela valorização da voz feminina na literatura africana de expressão portuguesa.
Poemar Poemar é amar o mar Poemar é revestir o ser Com o próprio pensamento É trazer à superfície O subconsciente É ser vidente É ser viandante É amar a dor E dar calor Ao frio da noite. Poemar é dar prazer ao ser É estar contente Por poder amar E poemar é amor Poemar é amar Quando ao luar O mar e a mente se entrelaçam Quando a dor e o calor se confundem... Poemar é amor É amar É mar E é dor também Odete Semedo, Entre o ser e o amar.
"Entre o Ser e o Amar: A Poesia da Identidade e Resistência na Obra de Odete Costa Semedo"
O livro Entre o Ser e o Amar (1996), de Odete Costa Semedo, é a sua primeira coletânea poética e representa o início da sua afirmação como importante voz literária na Guiné-Bissau. Nesta obra, a autora explora temas como a busca de identidade e as desilusões ligadas ao período pós-independência do seu país, assim como as tensões e contradições da existência individual diante de um mundo em transformação.Os poemas apresentam uma linguagem rica em imagens, metáforas e simbolismos que criam um diálogo íntimo entre o eu lírico e o leitor, estabelecendo uma ponte entre a experiência pessoal e a realidade social e cultural da Guiné-Bissau. A poesia aborda a dor, a esperança, a memória, a identidade, o amor e a luta, revelando uma sensibilidade profunda diante das mudanças e desafios da nação. Além disso, a obra é marcada por um bilinguismo que integra português e crioulo, valorizando a cultura local e a tradição oral. Entre o Ser e o Amar é também uma reflexão sobre a condição humana e o papel da palavra poética como meio de construção e resistência cultural.
Este poema reflete a ligação íntima entre a experiência do ser, do amar e da criação poética, numa linguagem rica e simbólica que evoca o pertencimento e a sensibilidade da autora.
"Histórias e Passadas que Ouvi Contar: Tradição Oral e Memória Coletiva na Literatura de Odete Costa Semedo"
O livro Histórias e passadas que ouvi contar (2003), de Odete Costa Semedo, é uma coletânea de contos que resgata e reelabora tradições orais da Guiné-Bissau. A obra é uma importante expressão da cultura guineense, apresentando narrativas que mesclam a tradição local com as tensões entre o passado e a modernidade.Nessas histórias, a autora tece lugares, personagens e contradições sociais da Guiné-Bissau, transformando-as em matéria estética literária. O livro tem um papel fundamental na preservação da memória coletiva do povo guineense e no fortalecimento da identidade cultural por meio da literatura. A obra é também considerada um espelho da dor e das aspirações do povo, com forte expressão da resistência cultural, onde a narração oral é uma forma de alimentar a memória e a alma comunitária. Odete Semedo usa esses contos para oferecer ao leitor uma leitura que transcende o simples entendimento, convidando a refletir sobre as relações sociais e estéticas que se entrelaçam na literatura africana contemporânea
"Odete Costa Semedo, na sua obra Histórias e passadas que ouvi contar (2003), destaca a importância da tradição oral como veículo essencial para a preservação da identidade cultural guineense, refletindo a memória coletiva do povo e a resistência cultural através da narrativa."
"No Fundo do Canto: Voz Poética e Resistência na Construção da Identidade Guineense"
As minhas lágrimas As lágrimas escapuliram esboçaram no chão do meu rosto um fio de mágoa profunda queimando bem fundo Nenhum grito... nenhum gemido... palavra nenhuma letra alguma jamais traduziu tanto sofrer os olhos sentiram a minha gente viu E eu? E eu? Odete Semedo, No fundo do canto.
O livro No Fundo do Canto (2007) de Odete Costa Semedo é um "cantopoema" que aborda a história recente da Guiné-Bissau, especialmente o horror da guerra civil, e a busca pela afirmação da identidade nacional. A obra é bilíngue, com poemas escritos em português e crioulo, refletindo a diversidade linguística e cultural do país. Nesta coletânea, a autora revisita o percurso do povo guineense, denunciando fatos silenciados pela história oficial e clamando pela reconstrução coletiva da nação. O livro é estruturado em partes, incluindo um prelúdio que prenuncia a guerra e poemas que expressam tanto o sofrimento quanto a esperança de um futuro melhor. A poesia de Odete Costa Semedo é marcada pela sensibilidade, olhar crítico e um forte sentido de resistência cultural. Ela usa seu canto para dar voz às dores e lutas de seu povo, ao mesmo tempo que aponta caminhos para a paz, justiça e harmonia nacional. O livro é considerado uma obra emblemática na literatura africana de língua portuguesa, unindo tradição oral e modernidade poética para narrar a experiência guineense de forma profunda e estética.
"Guiné-Bissau - História, Culturas, Sociedade e Literatura: Uma Perspetiva de Odete Costa Semedo"
O livro Guiné-Bissau - História, Culturas, Sociedade e Literatura (2010), de Odete Costa Semedo, apresenta um vasto panorama histórico-cultural e sociopolítico da Guiné-Bissau, abrangendo os períodos pré-colonial, colonial e pós-colonial. A obra enfatiza a importância da tradição oral guineense como um elemento fundamental da cultura do povo, considerando a voz e a palavra como veículos essenciais para a preservação da identidade cultural.O livro examina a emergência de uma literatura nacional guineense de língua portuguesa, destacando o papel da literatura na construção da identidade nacional de um país recente e marcado por instabilidades políticas. Trata também da relação entre a literatura e a história oficial do país, dando voz a personagens e narrativas frequentemente marginalizadas. Além disso, aborda os elementos culturais que distinguem a identidade guineense, incluindo modelos educacionais, símbolos, rituais, heróis e sabores locais. A obra é fundamental para compreender a intersecção entre história, cultura, sociedade e literatura na Guiné-Bissau e para revelar as múltiplas vozes que constituem a identidade do país. Este livro é uma contribuição relevante para os estudos africanos, literários e culturais, permitindo uma visão holística da Guiné-Bissau desde suas raízes históricas até seu cenário contemporâneo.
"Literaturas da Guiné-Bissau: Cantando os Escritos da História"
O livro Literaturas da Guiné-Bissau - Cantando os escritos da história (2011), organizado por Odete Costa Semedo e Margarida Calafate Ribeiro, é uma importante obra que reúne uma reflexão multifacetada sobre a literatura guineense em processo de afirmação. A obra destaca que a literatura da Guiné-Bissau se alimenta profundamente da tradição oral e da oratura, estruturando-se a partir de eventos sociais, políticos e culturais do país. Escritores guineenses usam as línguas locais para desconstruir a língua do colonizador e transformá-la numa língua de emancipação e expressão cultural. Isso representa um esforço literário para ligar memória, história e identidade nacional. Além disso, o livro explora estratégias narrativas que revisitam memórias silenciadas pela colonização e pós-independência, reforçando a preservação da tradição e a construção da "guineidade" através da literatura. O trabalho se destaca como uma contribuição fundamental para a literatura africana de expressão portuguesa, iluminando múltiplas vozes e perspectivas da nação guineense.
"Esta obra oferece uma reflexão polifónica e multifacetada sobre uma literatura em fase de busca e afirmação, que encontra sua força vital na tradição oral e na oratura. Trata-se de uma literatura que se alimenta dos acontecimentos sociais, políticos e culturais, encontrando sua identidade na tradição e nas línguas locais. Os poetas, contistas e romancistas utilizam essas línguas para desconstruir e reconstruir aquela que foi a língua do opressor, transformando-a na língua da emancipação, do contacto com o mundo e também da expressão do coração."
As Mandjuandadi: Cantigas de Mulher na Guiné-Bissau: Da Tradição Oral à Literatura
O livro As Mandjuandadi: Cantigas de Mulher na Guiné-Bissau: da Tradição Oral à Literatura (2010), de Odete Costa Semedo, é uma pesquisa aprofundada sobre as cantigas de mandjuandadi, um importante género da tradição oral guineense. Essas cantigas, cantadas por mulheres em contextos sociais e cerimoniais, representam uma manifestação cultural singular e são analisadas com um olhar atento à sua expressividade, ritmo, performance e significado social.Odete Costa Semedo compara a tradição do canto das mandjuandadi ao pano de tear usado em cerimónias tradicionais, utilizando essa metáfora para ilustrar como essas cantigas são entrelaçadas e tecidos culturalmente na vida da comunidade. O livro destaca a importância das vozes femininas na construção da cultura guineense e na transição da oralidade para a literatura moderna, celebrando a criatividade poética que brota das diversas culturas do país. A obra também traz uma análise da história social da Guiné-Bissau, especialmente nos períodos pré-colonial, colonial e pós-colonial, e a centralidade do crioulo como língua de expressão dessas cantigas. É uma contribuição significativa para o conhecimento histórico, sociológico, etnográfico e literário da Guiné-Bissau
"(In)Confidências"
Silêncio Silêncio, o grito não se ouve mas não se cala. É voz invisível, resistência profunda que ecoa no peito. Confidência Confidência é dar-se sem medo, é abrir portas fechadas, é habitar os sonhos que não morrem no escuro.
O livro (In)Confidências de Odete Costa Semedo, lançado em 2023, é uma coletânea poética que reúne mais de cento e cinquenta poemas. A obra destaca-se pelo elogio a uma resistência heróica — individual e coletiva — que atravessa aspectos culturais, físicos e psicológicos. O silêncio aparece como uma grande inibição, especialmente no contexto da representação feminina, e a resistência se conecta ao chão, à terra, à pátria e à África.A poesia presente no livro evidencia a expressão da identidade e da memória da Guiné-Bissau, ampliando-se também à comunidade afro-diaspórica. A estrutura da obra inclui grandes poemas e macro-poemas que articulam expressividade lírica e enunciação épica, explorando temas como a liberdade, as micro-representações do quotidiano e o plurilinguismo.
Odete Costa Semedo, reconhecida pela sua produção académica, atuação política e ativismo em defesa das mulheres e da democracia, utiliza sua escrita para interpretar a terra da Guiné e suas tradições através de suas próprias experiências, conferindo à obra um tom sereno e íntimo. Este livro é um convite para mergulhar na complexidade da identidade africana contemporânea, traduzida pela voz firme e sensível de uma das grandes poetas guineenses.
Heroína do teu conto Quero ser heroína Do conto que inventares Que firme segue o seu destino Quero ser uma mortal Guiada pelo teu poder E pela tua voz Quero ser uma semi-deusa E vencer os obstáculos Que tu teceres Escapar das nuvens e do próprio sol Quero ser a deusa lua no teu conto Acompanhar as crianças Nas suas fantasias E no sonho seguir os seus desígnios Quero ser a heroína do teu conto Ou apenas um verso do teu canto Odete Semedo
O poema expressa o desejo da voz lírica de ser protagonista da história que o outro inventa, transitando entre a mortalidade e a condição de semi-deusa. Há uma busca por força, superação e presença poética, assumindo tanto o papel de heroína quanto o de simples verso num canto. O poema destaca a força feminina, o sonho e a esperança, explorando a presença tanto na ação quanto na poesia. É uma celebração do poder da imaginação e da resistência íntima, símbolos de uma identidade que se constrói entre fantasia e realidade
Odete Costa Semedo: Contribuições Culturais e Literárias
Com uma trajetória marcada por um compromisso profundo com a cultura e a identidade guineense, Odete Semedo tem desempenhado um papel fundamental na preservação e promoção da literatura e das tradições orais do seu país.Entre as suas contribuições culturais mais relevantes está a coordenação e fundação da revista Tcholona, uma publicação dedicada às letras, artes e cultura, que tem servido como espaço de reflexão e divulgação da produção cultural guineense. Esta revista é fundamental para o fortalecimento da literatura local, numa perspetiva que valoriza a interculturalidade e o diálogo entre a tradição oral e a literatura escrita. Além disso, Odete Costa Semedo traduziu para crioulo o roteiro do filme Olhos Azuis de Yonta (1992) do cineasta Flora Gomes, participando também em aspetos da produção cinematográfica como assistente de realização. Esta ação é um exemplo claro do seu empenho em aproximar as expressões culturais tradicionais dos meios modernos de comunicação e arte, promovendo a língua crioula e a cultura guineense em diversas plataformas. Odete também fez parte da fundação e foi Secretária-Geral da Associação de Escritores da Guiné-Bissau, organização essencial para a valorização dos escritores locais e o desenvolvimento da literatura no país. A sua atuação política inclui cargos como Ministra da Educação e Ministra da Saúde, além da reitoria da Universidade Amílcar Cabral, consolidando o seu compromisso com a educação, a cultura e o desenvolvimento social da Guiné-Bissau. Atualmente, como investigadora no Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa, continua a contribuir para a investigação e promoção cultural, sempre com especial ênfase na educação, na formação e na valorização da cultura guineense.
Prémios e Reconhecimentos Literários de Odete Costa Semedo
Além deste reconhecimento recente, Odete também foi agraciada com importantes prémios que celebram a sua carreira e impacto cultural, entre os quais destaca-se o Prémio Rosalia de Castro, conferido pelo PEN Club da Galiza, que valoriza a sua presença literária na cena internacional e o seu contributo na redefinição das vozes culturais lusófonas.No âmbito nacional, Odete recebeu distinções por seu papel ativo na promoção da cultura guineense, destacando-se como personalidade que contribuiu para o desenvolvimento global da Guiné-Bissau na categoria de escritor, em 2003. Estes prémios refletem a importância da sua obra, que vai muito além da literatura para abranger a investigação acadêmica, o ativismo cultural e político no seu país. Através da sua escrita, Odete Costa Semedo promove a história, a memória e a identidade da Guiné-Bissau, afirmando a força da cultura africana no espaço lusófono e no mundo.
Odete Costa Semedo é uma das mais destacadas escritoras e poetas da Guiné-Bissau, cujo trabalho lhe conferiu reconhecimento nacional e internacional, refletido em diversos prémios literários e honrarias. O percurso literário e cultural da autora é marcado por uma profunda ligação à identidade guineense, à defesa da cultura e da língua, bem como à valorização da tradição oral no contexto da literatura de expressão portuguesa. Em 2023, Odete Semedo foi laureada com o Prémio Literário Guerra Junqueiro Lusofonia, considerado um dos mais prestigiados prémios da literatura lusófona contemporânea. Este prémio reconhece a sua contribuição significativa para o enriquecimento da literatura em língua portuguesa, bem como o impacto cultural do seu trabalho no universo literário africano. A autora tornou-se, nesse ano, a primeira mulher a receber esta distinção, amplificando ainda mais o valor simbólico desta conquista para a literatura feminina e lusófona.
"Vozes de Odete: Poesia e Confidências"
"A poesia é a voz que nos permite ser guardiões da memória e construir o futuro com as palavras do presente."