Relato de prática
Sou coordenadora pedagógica e atuo na mesma escola há cinco anos. Nesse tempo, pude observar o percurso de estudantes ao longo de vários anos da escolaridade e me deparei com muitos casos preocupantes.
Pela observação que eu fazia do cotidiano escolar e das conversas que tenho com a equipe docente e pela análise periódica de resultados das avaliações internas e externas, constatei que havia estudantes que avançavam muito pouco no decorrer dos anos.
Crianças que estavam no final dos anos iniciais seguiam para a próxima etapa escolar sem atingir as aprendizagens prioritárias em língua portuguesa ou matemática; já adolescentes, ao término dos anos finais, a defasagem permanecia. Eu sabia que havíamos feito ações para abordar esses problemas, mas os dados mostravam que haviam sido insuficientes. A situação me fez pensar que era preciso entender melhor a realidade da nossa escola e das/dos estudantes que não estavam aprendendo. Eu me perguntava: quem são as crianças e adolescentes que fazem parte desta comunidade? Estamos proporcionando um atendimento adequado? Por isso, no começo do ano seguinte, planejei ações com a equipe docente para aprofundar o conhecimento sobre o contexto e as/os estudantes que apresentavam mais dificuldades.
Fiz então uma reunião em que propus a realização de uma caracterização mais precisa de cada turma. Sugeri algumas perguntas para direcionar a conversa, de modo a obter mais detalhes para realizar os perfis.
Quantas são as meninas e quantos são os meninos?
Quantos são declarados pela família ou responsáveis como brancos, pretos, pardos, amarelos e indígenas?
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Quantos são estudantes com deficiência?
Há casos de estudantes em situação de distorção idade/série? Quantas/os?
Como a distorção se mostra por gênero?
Há problemas com frequência escolar?
Conversando com as professoras sobre o acompanhamento das aprendizagens que faziam, identificamos quais eram as/os estudantes com maior defasagem em cada componente curricular e cruzamos essa informação com o perfil das turmas. Também conversamos sobre o vínculo de cada uma/um com a escola. Essas reuniões mostraram quem precisava de mais atenção para realmente avançar em suas aprendizagens. Além disso, durante as conversas, as professoras compartilharam relatos que me ajudaram a conhecer ainda mais a realidade e a diversidade de cada estudante e das turmas.
Com base no que foi mapeado, pude tirar algumas conclusões sobre a situação das/os estudantes com trajetórias escolares mais frágeis. Um aspecto que merece ser comentado é que existe uma correlação entre pouco avanço, gênero e raça. Vou detalhar como conduzimos o caso do 5º ano da nossa escola.
Contexto do 5º ano
Identifiquei alguns aspectos que chamavam a atenção no 5º ano. Em um total geral de 46 estudantes, havia 12 em situação mais preocupante, ou seja, muito distantes de saber o que era esperado para o momento da escolaridade.
Desses 12 casos mais preocupantes, 8, ou seja, a maioria, era de crianças negras, sendo 3 meninas e 5 meninos. Um dos meninos está em situação de distorção idade-série e em condição socioeconômica muito vulnerável.
Não há problemas de frequência.
Essas informações me fizeram concluir que estávamos deixando de oferecer especificamente a essas/es estudantes aquilo que era necessário para que avançassem. A próxima ação que pretendo realizar é uma reunião com a equipe docente para problematizar esse cenário e definir como intensificar o trabalho desenvolvido com essas crianças. Quero organizar esse encontro de modo que a planejar em parceria ações de promoção da equidade. Penso que poderemos explorar a proposta de trabalhar com atividades diversificadas e grupos de apoio no período de aula e/ou no contraturno, ou seja, que essas/es estudantes sejam reagrupados em algum momento na escola para serem atendidas/os pela professora num grupo menor para atender a necessidades específicas de aprendizagem. Também quero propor que repensemos a maneira de realizar o acompanhamento de todas/os que precisam.
Coordenadora pedagógica Zeni.
Módulo 2: Reflexão sobre a prática
Roda Educativa
Created on May 14, 2025
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Relato de prática
Sou coordenadora pedagógica e atuo na mesma escola há cinco anos. Nesse tempo, pude observar o percurso de estudantes ao longo de vários anos da escolaridade e me deparei com muitos casos preocupantes. Pela observação que eu fazia do cotidiano escolar e das conversas que tenho com a equipe docente e pela análise periódica de resultados das avaliações internas e externas, constatei que havia estudantes que avançavam muito pouco no decorrer dos anos.
Crianças que estavam no final dos anos iniciais seguiam para a próxima etapa escolar sem atingir as aprendizagens prioritárias em língua portuguesa ou matemática; já adolescentes, ao término dos anos finais, a defasagem permanecia. Eu sabia que havíamos feito ações para abordar esses problemas, mas os dados mostravam que haviam sido insuficientes. A situação me fez pensar que era preciso entender melhor a realidade da nossa escola e das/dos estudantes que não estavam aprendendo. Eu me perguntava: quem são as crianças e adolescentes que fazem parte desta comunidade? Estamos proporcionando um atendimento adequado? Por isso, no começo do ano seguinte, planejei ações com a equipe docente para aprofundar o conhecimento sobre o contexto e as/os estudantes que apresentavam mais dificuldades.
Fiz então uma reunião em que propus a realização de uma caracterização mais precisa de cada turma. Sugeri algumas perguntas para direcionar a conversa, de modo a obter mais detalhes para realizar os perfis.
Quantas são as meninas e quantos são os meninos?
Quantos são declarados pela família ou responsáveis como brancos, pretos, pardos, amarelos e indígenas?
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Há casos de estudantes em situação de distorção idade/série? Quantas/os?
Como a distorção se mostra por gênero?
Há problemas com frequência escolar?
Conversando com as professoras sobre o acompanhamento das aprendizagens que faziam, identificamos quais eram as/os estudantes com maior defasagem em cada componente curricular e cruzamos essa informação com o perfil das turmas. Também conversamos sobre o vínculo de cada uma/um com a escola. Essas reuniões mostraram quem precisava de mais atenção para realmente avançar em suas aprendizagens. Além disso, durante as conversas, as professoras compartilharam relatos que me ajudaram a conhecer ainda mais a realidade e a diversidade de cada estudante e das turmas.
Com base no que foi mapeado, pude tirar algumas conclusões sobre a situação das/os estudantes com trajetórias escolares mais frágeis. Um aspecto que merece ser comentado é que existe uma correlação entre pouco avanço, gênero e raça. Vou detalhar como conduzimos o caso do 5º ano da nossa escola.
Contexto do 5º ano
Identifiquei alguns aspectos que chamavam a atenção no 5º ano. Em um total geral de 46 estudantes, havia 12 em situação mais preocupante, ou seja, muito distantes de saber o que era esperado para o momento da escolaridade. Desses 12 casos mais preocupantes, 8, ou seja, a maioria, era de crianças negras, sendo 3 meninas e 5 meninos. Um dos meninos está em situação de distorção idade-série e em condição socioeconômica muito vulnerável. Não há problemas de frequência.
Essas informações me fizeram concluir que estávamos deixando de oferecer especificamente a essas/es estudantes aquilo que era necessário para que avançassem. A próxima ação que pretendo realizar é uma reunião com a equipe docente para problematizar esse cenário e definir como intensificar o trabalho desenvolvido com essas crianças. Quero organizar esse encontro de modo que a planejar em parceria ações de promoção da equidade. Penso que poderemos explorar a proposta de trabalhar com atividades diversificadas e grupos de apoio no período de aula e/ou no contraturno, ou seja, que essas/es estudantes sejam reagrupados em algum momento na escola para serem atendidas/os pela professora num grupo menor para atender a necessidades específicas de aprendizagem. Também quero propor que repensemos a maneira de realizar o acompanhamento de todas/os que precisam. Coordenadora pedagógica Zeni.