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Módulo 3: Reflexão sobre a prática

Roda Educativa

Created on May 7, 2025

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Transcript

Relato de experiência

Desde 2021, a rede municipal de Santa Bárbara do Oeste (SP) implementou uma política pública voltada para a equidade educacional. Em parceria com instituições como a Roda Educativa e o ateliescola acaia, baseia-se em diagnósticos, autoavaliações participativas e formações que envolvem toda a comunidade escolar. As ações abrangeram gestores, professoras/es, famílias e estudantes, fortalecendo práticas pedagógicas antirracistas e promovendo a equidade na educação.

Neste relato de experiência, você conhecerá algumas ações voltadas para o acompanhamento das aprendizagens, mas, antes, assista ao vídeo a direita para conhecer um pouco mais a realidade dessa rede.

Vídeo institucional do projeto Jaê – Educação para Equidade

O acompanhamento das aprendizagens visando a diminuição das desigualdades educacionais na rede municipal de Santa Bárbara do Oeste foi uma das etapas do processo. A coleta e o registro de informações nos diagnósticos encaminhados nas escolas permitiram a análise dos dados buscando relacionar os níveis de fluência de leitura e o perfil das/dos estudantes.

Era preciso responder duas questões: meninas e meninos negras/os (incluindo pretos e pardos) e brancas/os estão avançando de maneira equitativa? Qual é o impacto da condição socioeconômica na aprendizagem?

Nesses dois últimos anos [2023 e 2024], o projeto Jaê abriu um novo eixo de trabalho na rede, que foi o acompanhamento da aprendizagem de leitura dos estudantes do 4º ano com foco interseccional, ou seja, com o cruzamento dos níveis de leitura com o perfil racial e socioeconômico dos estudantes. Isso nos permitiu olhar para os resultados da fluência leitora e trazer luz para a desigualdade e poder refletir o quanto precisamos ajustar as intervenções – pensar nos agrupamentos, nas boas perguntas, olhar para o mapa de sala. Onde essa/e aluna/o tem sentado? Ela/e está ao alcance do professor? Quais perguntas a gente precisa fazer?

Não adianta dizer que os alunas/os não têm oportunidade em casa. A escola precisa suprir essa falta, muitas vezes de acesso aos bons livros, por meio das rodas de conversa, do acesso ao jornal e à tecnologia, para que elas/es realmente ampliem os seus conhecimentos e as suas curiosidades.

Então, com esse trabalho, entendemos que só com dados se consegue construir uma política pública eficaz que possa diminuir essa desigualdade que influencia tanto na aprendizagem das/os estudantes. Quando a gente fala de uma educação antirracista, a gente pensa por esse viés também de não deixar ninguém para trás. A gente pensar na qualidade do ensino é pensar numa escola onde caibam todos” (adaptado da p. 19). Juliana Ramos Fernandes, assessora técnico-pedagógica da Secretaria Municipal de Educação de Santa Bárbara d’Oeste

Fonte

Com o levantamento dos dados do diagnóstico inicial, foi possível identificar que havia no 4º ano das escolas da rede uma grande heterogeneidade. Enquanto algumas/ns estudantes apresentavam uma fluência de leitura considerada adequada às expectativas, outros estavam em níveis preocupantes para esse momento da escolaridade. Mesmo reconhecendo que as/os estudantes têm trajetórias diversas na construção de suas aprendizagens, o quadro revelava desigualdades educacionais que precisavam ser vistas como risco ao direito de aprender.

Foi possível perceber que entre o grupo abaixo das expectativas para o ano existia prevalência de meninos negros e de estudantes com nível socioeconômico mais baixo, ou seja, cujas famílias recebiam benefícios sociais.