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Módulo 1: Reflexão sobre a prática

Roda Educativa

Created on May 7, 2025

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Transcript

Relação entre o princípio da equidade e as práticas escolares

Francisco é agente escolar. Ele trabalha na secretaria de uma escola municipal há dois anos e, entre outas atribuições, faz as fichas de matrícula de novas/os alunas/os. Ao longo dos anos, ele tem vivenciado algumas situações que lhe trazem questionamentos sobre o preenchimento desse documento.

Por isso, resolveu conversar com Ivani e Gilda, respectivamente coordenadora pedagógica e diretora, para compartilhar algumas percepções envolvendo a declaração racial e questões sobre a condição socioeconômica das famílias.

Francisco: Eu gostaria de compartilhar com vocês algumas situações que têm acontecido durante a matrícula. Eu achei que eram circunstâncias pontuais, com algumas famílias só. Mas estou vendo que as coisas se repetem e acho que a gente precisa pensar junto. Na nossa ficha de matrícula temos o dado cor/raça, certo? Ivani: Sim, temos os quesitos do questionário do Censo Escolar e cor/raça é um deles. É uma informação superimportante. Francisco: Tenho percebido que quando pergunto para os responsáveis qual é a raça/cor e digo as opções branca, preta, parda, amarela, indígena, têm pessoas que parece que não querem responder. Gilda: Isso é um problema para a análise desses dados. Assim como quando colocam “não declarado”. Francisco: Sim, Gilda. Eu percebo que as pessoas parecem em dúvida sobre o que declarar, às vezes nem querem declarar, sabe? Acontece com certa frequência. Teve um caso de um pai que me disse que tem gente que acha que o filho é “branco”, mas que ele não considera isso e que para ele o filho é pardo. Ele me pediu para confirmar... Como se trata de uma criança, portanto é uma pessoa menor de 16 anos, eu disse que o que vale é a declaração que o responsável faz. Ivani: É isso mesmo. Isso que você está trazendo é muito importante. Porque se temos familiares e responsáveis que não se sentem à vontade para fazer a declaração, podemos ter dificuldade de conhecer a realidade étnico-racial da comunidade da nossa escola. Gilda: Realmente... Estou pensando que esse é um ponto para levar para toda a equipe, porque precisamos planejar um trabalho focado na questão da autodeclaração racial.

Francisco: Vai ser bem importante mesmo esse trabalho! Outra coisa que eu gostaria de comentar é que estamos recebendo famílias que não tem endereço fixo. Quando me falam isso, geralmente peço para que deem algum endereço e telefone de contato de uma pessoa de confiança, que more próximo. Mas o fato de não terem endereço é importante para a gente saber que é uma família em uma situação mais vulnerável, concordam? E a informação de que recebem benefício social também pode dar pistas sobre a condição socioeconômica. Por isso, tive a ideia de inserir um campo de observações para colocar informações desse tipo, que complementem os dados. Gilda: É uma boa solução. Não podemos deixar essas informações se perderem. Como vamos saber que temos na nossa escola famílias que não tem uma moradia fixa? Essa é uma condição que pode impactar diretamente a permanência das crianças e adolescentes na escola. É um dado que nos traz um alerta para acompanhar cada estudante! Ivani: Concordo com vocês. Esta conversa está me fazendo pensar que precisamos de outras ações... Vai ser importante que a gente faça um mapeamento das informações que temos sobre as/os estudantes e suas famílias. Gilda: E também uma revisão da nossa ficha de matrícula, para ver se há outros dados que precisam ser inseridos. Francisco: Eu incluiria nessas ações uma reflexão sobre a forma como a gente coleta esses dados. É um momento muito importante, um primeiro contato com familiares e responsáveis.

A partir da conversa, Gilda e Ivani decidiram organizar reuniões envolvendo outras pessoas que trabalham na secretaria escolar e também professoras e professores para tratar da importância da ficha de matrícula e das informações coletadas nesse documento com o objetivo de aprimorá-lo para fazer um uso mais efetivo dos dados coletados, de modo a conhecer melhor a realidade das/os estudantes da escola.

Interessante esse diálogo, não é? Vamos fazer um Raio-X sobre o conteúdo que ele nos traz?