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Canto o peito ilustre lusitano

Isabel Pires

Created on March 31, 2025

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Ano letivo 2024/2025Departamento de Português

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canto o peito ilustre lusitano

Camões aos olhos dos outros

LUís Vaz de camões

"O príncipe dos poetas"

Ponto de Escuta

Quem foi Camões? Mário Viegas entrevista Luís Vaz de Camões.

Camões Aos olhos de outros poetas

PoemasEntrevistas Notícias

"Camões e a tença" SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN Voz: José Mário Branco

Cerimónia de abertura das Comemorações do V Centenário do Nascimento de Luís de Camões

Ministério de tempo Série televisiva RTP

"Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades" Voz: José Mário Branco

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Camões na comunicação social

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Camões na WEB

"Retratos de Camões: os três feitos em Goa" Carmo Azevedo Revista da CulturaEdição do Instituto cultural de macau

"Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades" Voz: José Mário Branco

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Camões aos olhos dos alunos

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"Our cultures, legends and beliefs come together on a bridge" Ana isabel Mota9ºA

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Camões Aos olhos de outros artistas

PoemasEntrevistas Notícias

Camões José de Guimarães Acervo Museu de Arte de São Paulo

CamõesJulio Pomar, 1989

Camões na prisão de Goa Pintura anónima, 1556

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Camões aos olhos de outro poetas

Sophia de Mello Breyner Andresen

Almada Negreiros

Bocage

Miguel Torga

José Saramago

Camões aos olhos de outro poetas

Sophia de Mello Breyner Andresen

Almada Negreiros

Bocage

Miguel Torga

José Saramago

Camões aos olhos de outro poetas

Jorge de Sena

Carlos Drummond de Andrade

David Mourão-Ferreira

Manuel Bandeira

Imagem de retrato de Camões, desenho a pena e mancha a tinta-da-china, por Almada Negreiros em 1934, com a assinatura “almada 34”.

A Camões, comparando com os dele os seus próprios infortúnios Camões, grande Camões, quão semelhante Acho teu fado ao meu quando os cotejo! Igual causa nos fez perdendo o Tejo Arrostar co sacrílego gigante: Como tu, junto ao Ganges sussurrante Da penúria cruel no horror me vejo; Como tu, gostos vãos, que em vão desejo, Também carpindo estou, saudoso amante: Lubíbrio, como tu, da sorte dura, Meu fim demando ao Céu, pela certeza De que só terei paz na sepultura: Modelo meu tu és... Mas, ó tristeza!... Se te imito nos transes da ventura, Não te imito nos dons da natureza. Bocage

Camões... Nem tenho versos, cedro desmedido, Da pequena floresta portuguesa! Nem tenho versos, de tão comovido Que fico a olhar de longe tal grandeza. Quem te pode cantar, depois do Canto Que deste à pátria, que to não merece? O sol da inspiração que acendo e que levanto Chega aos teus pés e como que arrefece. Chamar-te génio é justo, mas é pouco. Chamar-te herói, é dar-te um só poder. Poeta dum império que era louco, Foste louco a cantar e a combater. Sirva, pois, de poema este respeito Que te devo e professo, Única nau do sonho insatisfeito Que não teve regresso! Miguel Torga

E depois o silêncio, e a gravidade Das estátuas jazentes, repousando, Não mortas, não geladas, devolvidas À vida inesperada, descoberta, E depois, verticais, as labaredas Ateadas nas frontes como espadas, E os corpos levantados, as mãos presas, E o instante dos olhos que se fundem Na lágrima comum. Assim o caos Devagar se ordenou entre as estrelas. Eram estas as grandezas que dizia Ou diria o meu espanto, se dizê-las Já não fosse este canto. José Saramago

Poema para Luís de Camões Meu amigo, meu espanto, meu convívio, Quem pudera dizer-te estas grandezas, Que eu não falo do mar, e o céu é nada Se nos olhos me cabe. A terra basta onde o caminho pára, Na figura do corpo está a escala do mundo. Olho cansado as mãos, o meu trabalho, E sei, se tanto um homem sabe, As veredas mais fundas da palavra E do espaço maior que, por trás dela, São as terras da alma. E também sei da luz e da memória, Das correntes do sangue o desafio Por cima da fronteira e da diferença. E a ardência das pedras, a dura combustão Dos corpos percutidos como sílex, E as grutas do pavor, onde as sombras De peixes irreais entram as portas Da última razão, que se esconde Sob a névoa confusa do discurso.

Camões dirige-se aos seus contemporâneosPodereis roubar-me tudo: as ideias, as palavras, as imagens, e também as metáforas, os temas, os motivos, os símbolos, e a primazia nas dores sofridas de uma língua nova, no entendimento de outros, na coragem de combater, julgar, de penetrar em recessos de amor para que sois castrados. E podereis depois não me citar, suprimir-me, ignorar-me, aclamar até outros ladrões mais felizes. Não importa nada: que o castigo será terrível. Não só quando vossos netos não souberem já quem sois terão de me saber melhor ainda do que fingis que não sabeis, como tudo, tudo o que laboriosamente pilhais, reverterá para o meu nome. E mesmo será meu, tido por meu, contado como meu, até mesmo aquele pouco e miserável que, só por vós, sem roubo, haveríeis feito. Nada tereis, mas nada: nem os ossos, que um vosso esqueleto há-de ser buscado, para passar por meu. E para outros ladrões, iguais a vós, de joelhos, porem flores no túmulo. Jorge de Sena

Fala apócrifa de Camões É inútil buscarem o meu signo procurarem-me em ruas ou retratos sequer em grutas gritos manuscritos muito menos em fósseis ou em falsas pistas que de meus ossos não existem É inútil julgarem-me comparsa de quem quer que julgou viver comigo já que em lugar algum terei passado comigo mais que um prazo muito exíguo mais ambíguo aliás e mais escasso que o vivido com Bembo ou com Virgílio com Petrarca Ariosto ou Garcilaso Só estes os contei por meus amigos E só de astros que tais rompe o meu rasto David Mourão-Ferreira In “No veio do cristal”, parte de Obra poética: 1948-1988. Lisboa: Presença, 1988, p. 397.

História, Coração, Linguagem Dos heróis que cantaste, que restou senão a melodia do teu canto? As armas em ferrugem se desfazem, os barões nos jazigos dizem nada. É teu verso, teu rude e teu suave balanço de consoantes e vogais, teu ritmo de oceano sofreado que os lembra ainda e sempre lembrará. Tu és a história que narraste, não o simples narrador. Ela persiste mais em teu poema que no tempo neutro, universal sepulcro da memória. Bardo, tu foste os deuses mais as ninfas, as ondas em furor, céus em delírio, astúcias, pragas, guerras e cobiças, lodoso material fundido em ouro. Multissexual germinador de assombros, na folha branca vieste demonstrando o que ao homem, na luta contra o fado, cabe tentar, cabe vencer, perder, e nisto se resume a irresumível humana condição no eterno jogo sem sentido maior que o de jogar. E quando de altos feitos te entediase voltas ao comum sofrer pedestredo desamado, não te vejo a tiperdido de saudades e desdéns.

Luís, homem estranho, pelo verbo és, mais que amador, o próprio amor latejante, esquecido, revoltado, submisso, renascendo, reflorindo em cem mil corações multiplicado. És a linguagem. Dor particular deixa de existir para fazer-se dor de todos os homens, musical, na voz de órfico acento, peregrina. Que pássaro lascivo se intercala no queixume subtil de tua estrofe e não se sabe mais se é dor, delícia, espinho, afago, morte, renascença? Volúpia de gemer, e do gemido destilar a canção consoladora a quantos de consolo careciam e jamais a fariam por si mesmos? (Amaldiçoado dia de nascer que em bênçãos para nós se converteu.) Já tenho uma palavra pré-escrita que tudo exprime quanto em mim se turva. Pelos antigos e pelos vindouros, foste discurso de geral amor. Camões – oh som de vida ressoando em cada tua sílaba fremente de amor e guerra e sonho entrelaçados... Carlos Drummond de Andrade

A Camões Quando nalma pesar de tua raça A névoa da apagada e vil tristeza, Busque ela sempre a glória que não passa, Em teu poema de heroísmo e de beleza. Génio purificado na desgraça, Tu resumiste em ti toda a grandeza: Poeta e soldado... Em ti brilhou sem jaça O amor da grande pátria portuguesa. E enquanto o fero canto ecoar na mente Da estirpe que em perigos sublimados Plantou a cruz em cada continente, Não morrerá sem poetas nem soldados A língua em que cantaste rudemente As armas e os barões assinalados. Manuel Bandeira, in 'Poesia Completa e Prosa, Rio de Janeiro, 1986'

A Camões Quando nalma pesar de tua raça A névoa da apagada e vil tristeza, Busque ela sempre a glória que não passa, Em teu poema de heroísmo e de beleza. Génio purificado na desgraça, Tu resumiste em ti toda a grandeza: Poeta e soldado... Em ti brilhou sem jaça O amor da grande pátria portuguesa. E enquanto o fero canto ecoar na mente Da estirpe que em perigos sublimados Plantou a cruz em cada continente, Não morrerá sem poetas nem soldados A língua em que cantaste rudemente As armas e os barões assinalados. Manuel Bandeira, in 'Poesia Completa e Prosa, Rio de Janeiro, 1986'

Livre da morte pôs-se a contar o que sabia de Portugal. Dias e dias grande pensar juntou Luís a recordar. Ficou um livro ao terminar muito importante para estudar. Ia num barco ia no mar e a tormenta vá d’estalar. Mais do que a vida há de guardar o barco a pique Luís a nadar. Fora da água um braço no ar na mão o livro Há de salvar. Nada que nada sempre a nadar livro perdido no alto mar. — Mar ignorante que queres roubar? a minha vida ou este cantar? A vida é minha ta posso dar mas este livro há de ficar. Estas palavras hão de durar por minha vida quero jurar. Tira-me as forças podes matar a minha alma sabe voar. Sou português de Portugal depois de morto não vou mudar. Sou português de Portugal acaba a vida e sigo igual. Meu corpo é Terra de Portugal e morto é ilha no alto mar. Há portugueses a navegar por sobre as ondas me hão de achar. A vida morta aqui a boiar mas não o livro se há de molhar. Estas palavras vão alegrar a minha gente de um só pensar. À nossa terra irão parar lá toda a gente há de gostar. Só uma coisa vão olvidar: o seu autor aqui a nadar. É fado nosso

Luís, o poeta, salva a nado o poema, José de Almada Negreiros Era uma vez um português de Portugal. O nome Luís Há de bastar toda a nação ouviu falar. Estala a guerra e Portugal chama Luís para embarcar. Na guerra andou a guerrear e perde um olho por Portugal.