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"Sebastião da Gama: Uma Vida Breve, Uma Obra Eterna"

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Transcript

"Sebastião da Gama: Uma Vida Breve, Uma Obra Eterna"

1924 - 1952

"A Infância de Sebastião da Gama: Sementes para a Poesia"

Sebastião Artur Cardoso da Gama nasceu em 10 de abril de 1924 em Vila Nogueira de Azeitão. Ele viveu em sua cidade natal até os 14 anos de idade. Durante sua infância, Sebastião frequentou a Escola Primária de Azeitão, onde completou o exame da quarta classe. Após concluir o ensino primário, Sebastião iniciou seus estudos secundários no Liceu Bocage, em Setúbal, onde cursou os três primeiros anos. Foi durante esse período, ainda na adolescência, que a tuberculose óssea, doença que eventualmente lhe custaria a vida, começou a se manifestar. Como parte do tratamento recomendado pelos médicos, Sebastião mudou-se com sua mãe para uma casa alugada na Serra da Arrábida. Este cenário natural viria a ter uma influência profunda em sua poesia futura. Posteriormente, por volta de 1939, toda a família de Sebastião se mudou para um forte abandonado no Portinho da Arrábida, que seus pais transformaram em pousada e restaurante. Esta mudança proporcionou a Sebastião um ambiente ideal para sua saúde e também se tornou uma fonte de inspiração poética, nutrindo sua sensibilidade artística desde cedo.

"Pelo sonho é que vamos, Comovidos e mudos. Chegamos? Não chegamos? Haja ou não frutos, Pelo Sonho é que vamos."

"Sebastião da Gama na Universidade: O Nascimento de um Poeta"

Sebastião da Gama licenciou-se em Filologia Românica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, concluindo o curso em 1947. Durante o período universitário, Sebastião da Gama começou a desenvolver sua atividade literária. Em 1945, ainda estudante, publicou seu livro de estreia, "Serra-Mãe". No ano seguinte, em 1946, colaborou com Miguel Caleiro na obra "Loas a Nossa Senhora da Arrábida". Durante seus anos de estudo, Sebastião da Gama também colaborou em diversas revistas literárias. Entre 1946 e 1948, contribuiu para a revista "Mundo Literário". Além disso, participou nas revistas "Árvore" e "Távola Redonda". Em 1947, o mesmo ano em que concluiu sua licenciatura, Sebastião da Gama publicou "Cabo da Boa Esperança". Este período marcou o início de sua carreira como poeta e professor, demonstrando sua habilidade em conciliar os estudos universitários com uma produção literária significativa.

Pelo sonho é que vamos, Comovidos e mudos. Chegamos? Não chegamos? Haja ou não frutos, Pelo Sonho é que vamos.

"Sebastião da Gama: A Vida que Foi um Poema"

Após concluir a licenciatura em Filologia Românica em 1947, Sebastião da Gama iniciou sua carreira como professor. Lecionou em várias escolas, incluindo a Escola Industrial e Comercial Veiga Beirão, em Lisboa, e outras em Setúbal e Estremoz. A sua experiência como docente foi marcada por uma abordagem humanista e próxima dos alunos, refletida no princípio de que "ensinar é amar", registado no Diário, iniciado em 1949 e publicado postumamente em 1958. Em 1951, publicou Campo Aberto, consolidando o seu lugar como um poeta sensível e profundamente ligado à natureza. No mesmo ano, em 4 de maio de 1951, casou-se com Joana Luísa de Oliveira Rodrigues no Convento da Arrábida, num evento que foi também o primeiro casamento realizado nesse local. A lua-de-mel do casal decorreu no mesmo cenário idílico da Arrábida, onde a poesia e o amor se misturaram. Infelizmente, o tempo de casamento foi breve. Sebastião da Gama enfrentava sérios problemas de saúde devido à tuberculose renal, que o acompanhava desde a adolescência. Em fevereiro de 1952, apenas nove meses após o casamento, Sebastião faleceu em Lisboa, aos 27 anos de idade, deixando Joana Luísa viúva e com a missão de preservar seu legado literário.

«O mais difícil não é ir à Arrábida (...). Difícil, difícil, é entendê-la: porque boas praias, boas sombras e boas vistas há-as em toda a parte para os bons banhistas, os bons amigos de bem comer, os bons turistas; o que não há em toda a parte é a religiosidade que dá à Serra da Arrábida elevação e sentido. (...) Mas é fora de dúvida que o visitante, se o não apreendeu, saiu da Arrábida sem sequer ter entrado nela verdadeiramente! Vá sozinho, suba ao Convento, que é onde o espírito da Serra converge e como que ganha forma, leve, se quiser, os versos de Agostinho (...) e experimente como afinal é fácil estar a sós com Deus», escreveu Sebastião da Gama

Filme produzido pela Câmara Municipal por ocasião da inauguração da Casa-Memória Joana Luísa e Sebastião da Gama, em 2021. No dia 28 de fevereiro de 2023, deu-se início ao programa de comemoração do centenário dos nascimentos de Joana Luísa e do poeta Sebastião da Gama. Esta peça é uma singela homenagem à história de amor e de uma vida deste casal azeitonense.

"O Diário de Sebastião da Gama: Um Legado de Amor ao Ensino"

O "Diário" de Sebastião da Gama, escrito entre 1949 e 1950, é uma obra ímpar na literatura pedagógica portuguesa. Redigido durante o seu estágio como professor na Escola Veiga Beirão, em Lisboa, o livro surgiu por sugestão do professor metodólogo Virgílio Couto, como um exercício de reflexão sobre a prática docente. Publicado postumamente em 1958, o "Diário" rapidamente se tornou uma referência para educadores em Portugal. A obra, que já conta com mais de treze edições, apresenta uma visão inovadora e humanista do ensino, baseada no amor e no respeito incondicional pelo aluno.O "Diário" é considerado uma reflexão pedagógica comovente sobre o que é ensinar, resumida na frase "ensinar é amar". O escritor Manuel da Cruz Malpique, na sua obra "Mestres e Discípulos", destacou o "Diário" como um testemunho de referência para o que é ser professor, elogiando a abordagem de Gama baseada na bondade, inteligência e persuasão calorosa:

“Sebastião seguia, com o mais vivo interesse, os alunos de tendências reprováveis. Dentro de uma política de bondade, de inteligência e cálida persuasão, procurava trazê-los ao bom caminho. (…) Amparar e aconselhar era o seu sistema – de resultados eficientes. (…) Sebastião nunca se furtou, antes nisso punha extraordinário gosto, a elogiar as qualidades dos seus discípulos, aquilo que neles havia de prometedor. (…) Sebastião, como poeta, como homem de coração, como bom psicólogo, tinha sagrado respeito pela personalidade dos seus educandos. Entendia que é preciso ajudar a formar, de maneira construtiva, as personalidades nascentes. (…) A sinceridade foi a nota fundamental em Sebastião da Gama. A sinceridade tocada de um arzinho de doce ironia. (…)”.

o Diário “é um manual educativo cuja leitura será salutar para todos aqueles que se dedicam à causa da educação, quer na escola, quer na família”

"O Diário de Sebastião da Gama: Um Legado de Amor ao Ensino"

“Eu não quero ‘impingir’ versos aos meus alunos; quero abrir-lhes a janela da poesia.”

“Aulas más são as aulas que os rapazes não querem ouvir. Mas então - poderia eu defender-me - que culpa temos nós de os rapazes serem barulhentos, desinquietos e desatentos? É verdade que, às vezes, a culpa não é nossa: é toda deles, a quem mais apetecia estar na rua que na escola. Mas para isso justamente é que serve o bom professor. Ser bom professor consiste em adivinhar a maneira de levar todos os alunos a estar interessados; a não se lembrarem de que lá fora é melhor. E foi o que eu ontem não consegui.”

Para Sebastião da Gama, ser um bom professor significa ter a capacidade de despertar o interesse de todos os alunos, fazendo com que eles se esqueçam de que poderiam estar noutro lugar. Ele acredita que o professor é o principal responsável por manter os alunos envolvidos e interessados durante as aulas. Esta reflexão ilustra a abordagem pedagógica de Gama, baseada no amor e no respeito pelos alunos. Ele defendia uma relação de proximidade entre professor e aluno, acreditando que "ensinar é amar". A sua filosofia educacional, muitas vezes referida como "pedagogia do amor", continua a inspirar educadores até aos dias de hoje

“O que era bom era dar sempre aulas como a de hoje! Vir da aula tão feliz que tivesse precisão de gritar ao primeiro desconhecido: – Sabe? Dei hoje a melhor aula, a aula mais linda da minha vida!” . E outra vez: “Foi uma aula ‘cheia’ que me deixou contente e os há-de ter deixado também a eles. Uma lição de amor”

"Cada vez me apetece menos classificar os rapazes, dar-lhes notas, pelo que eles 'sabiam'. Eu não quero (ou dispenso) que eles metam coisas na cabeça; não é para isso que eu dou aulas." Sebastião da Gama

"Sebastião da Gama: O Poeta que Encontrou Deus na Natureza"

Sebastião da Gama (1924-1952) deixou uma obra que pode ser vista como uma verdadeira geografia espiritual, articulada em três dimensões simbólicas: Serra-Mãe (1945), Cabo da Boa Esperança (1947) e Campo Aberto (1951). Esses títulos refletem não apenas a geografia física da Arrábida, mas também um percurso espiritual e existencial.

"Serra-Mãe", publicado em 1945, é a obra inaugural de poesia de Sebastião da Gama, um jovem poeta nascido em Vila Nogueira de Azeitão. Este livro marca o início da sua jornada literária e estabelece os alicerces da sua poética, profundamente enraizada na serra da Arrábida. A obra nasce da estadia do poeta no Portinho da Arrábida, um local que se torna o seu refúgio e fonte de inspiração. Aqui, Gama encontra não apenas um cenário de beleza natural deslumbrante, mas também um espaço de recolhimento espiritual e contemplação mística. A serra transforma-se numa figura maternal, acolhedora e nutridora, tanto do corpo como do espírito do poeta.A serra da Arrábida, descrita em Serra-Mãe, é apresentada como um espaço de transcendência e união com Deus. Para Gama, a serra simboliza proteção e acolhimento, sendo vista como uma mãe que nutre e inspira. Sua poesia revela uma relação íntima com a natureza, onde o poeta se funde com o espaço físico e espiritual: "Agora, só, que é o meu corpo terra confundida na terra desta Serra minha Mãe". A serra não é apenas cenário; ela é símbolo pensado, um lugar sagrado onde o poeta encontra Deus e se conecta consigo mesmo.

Para ser professor, também é preciso ter as mãos purificadas. A toda a hora temos de tocar em flores. A toda a hora a Poesia nos visita. O aluno acredita em nós e não deve acreditar em vão. Impõe-se-nos que mereçamos, com a nossa, a pureza dos nossos alunos; que a nossa alimente a deles, a mantenha. Sejamos a lição em pessoa – que é isso mais importante e mais eficaz que sermos o papel onde a lição está escrita; e possamos dizer sem constrangimento: Deixai-as vir a mim, as criancinhas...”

"Sebastião da Gama: O Poeta que Encontrou Deus na Natureza"

Cabo da Boa Esperança: A Busca pela Esperança

"Cabo da Boa Esperança", publicado em 1947, é o segundo livro de poesia de Sebastião da Gama. Esta obra representa um marco significativo na jornada poética e espiritual do autor, refletindo uma profunda transformação na sua perspetiva face à vida e à morte. O livro é caracterizado por um otimismo surpreendente, considerando a condição de saúde frágil do poeta. Gama, consciente da sua mortalidade iminente devido à tuberculose, transforma esta realidade numa fonte de coragem e esperança. Os poemas em "Cabo da Boa Esperança" funcionam como um manifesto contra a desistência, tanto pessoal como coletiva. Um elemento central desta obra é a fé renovada do poeta. No poema "Hoje Deus é verdade", Gama expressa uma experiência de revelação divina que transcende dogmas e convenções religiosas. Esta experiência espiritual torna-se um pilar fundamental para a sua resistência contra o desespero. O poema "Largada" exemplifica o espírito combativo que permeia o livro. Gama declara que cada gesto seu será "bandeira desfraldada ou vela de navio", simbolizando uma determinação inabalável de viver plenamente, apesar das adversidades. Além da luta pessoal, "Cabo da Boa Esperança" estende-se a uma dimensão coletiva. Gama dirige-se aos seus compatriotas, incentivando-os a superar o derrotismo nacional. Ele evoca a imagem de guerreiros que, após derrotas, retomam as suas espadas, "dispostos a vencer ou a morrer", numa clara alusão à necessidade de renovação e coragem face às dificuldades do país. O título do livro, "Cabo da Boa Esperança", é em si mesmo simbólico. Representa não apenas um ponto geográfico, mas um local de transição e promessa. Para Gama, o cabo simboliza o fim de um mundo natural, mas também o início da esperança, uma "finisterra" que marca o começo de novas possibilidades. Esta obra de Gama é notável pela sua capacidade de transformar a tragédia pessoal em um canto de esperança universal. Através da sua poesia, ele não apenas enfrenta a sua própria mortalidade, mas também inspira os outros a perseverar face às adversidades, sejam elas pessoais ou coletivas.

"Sebastião da Gama: O Poeta que Encontrou Deus na Natureza"

Campo Aberto: A Comunhão com o Mundo

"Campo Aberto", publicado em 1951, é o terceiro e último livro de poesia de Sebastião da Gama, lançado pouco antes da sua morte prematura em 1952. Esta obra representa o culminar da evolução poética e espiritual do autor, revelando uma visão mais ampla e madura do mundo e da existência humana. O livro está estruturado em capítulos temáticos, começando com um conjunto de poemas que abordam a morte. Esta secção inicial reflete a consciência aguda do poeta sobre a sua própria mortalidade, fruto da tuberculose que o afligia. No entanto, longe de ser uma meditação sombria, estes poemas revelam uma aceitação serena e até uma certa transcendência face à inevitabilidade da morte. O título "Campo Aberto" é profundamente simbólico, representando não apenas a natureza física, mas também o mundo social e um espaço metafísico de libertação. Para Gama, o campo aberto simboliza a possibilidade de exercer a caridade e o amor divino, transformando o amor em ação concreta tanto na natureza como na sociedade. Nesta obra, Gama expande o seu olhar para além do seu mundo interior e da sua relação íntima com a serra da Arrábida, temas dominantes nos seus livros anteriores. "Campo Aberto" revela uma abertura ao mundo e aos outros, transcendendo o foco individual e abraçando uma visão mais universal da existência humana. A poesia de "Campo Aberto" continua a refletir a fusão característica de Gama entre a exaltação da vida e da natureza e uma busca pela ascese religiosa. No entanto, neste livro, essa fusão atinge um novo patamar de maturidade e profundidade, revelando um poeta em pleno domínio da sua arte e da sua visão do mundo. Este livro completa uma tríade simbólica na obra de Gama, correspondendo às três virtudes teologais: "Serra-Mãe" representando a Fé, "Cabo da Boa Esperança" simbolizando a Esperança, e "Campo Aberto" encarnando a Caridade. Esta estrutura tripartida reflete a profunda espiritualidade do poeta e a sua visão integrada da existência humana. "Campo Aberto" consolida a posição de Sebastião da Gama como uma voz única e significativa na poesia portuguesa do século XX. A obra combina uma sensibilidade profunda à natureza com uma espiritualidade intensa e uma preocupação social abrangente, deixando um legado duradouro na literatura portuguesa.

“Elegia para a minha campa” Agora, só, que é o meu corpo terra confundida na terra desta Serra minha Mãe; agora, só, a minha voz que sempre cantou mal ao Céu se eleva… Agora, só, que no ventre da Serra minha Mãe repousa meu corpo de Poeta, de Poeta mudo em vida, por ausente do ventre maternal os nove meses; agora, só, claríssima se eleva a minha voz-louvor, a minha voz-carícia a minha Mãe, ao Céu… Agora, só, que os meus lábios são terra de onde nascem as moitas de folhado e de alecrim, a minha voz saudosa de cantar se elevará até aonde o Céu tem cor e fim. Se elevará a minha voz, perfume desprendido, suavíssimo, dos matos que surgiram de mim… Agora, só, que sou terra na terra misturada, que a minha voz é voz de rosmaninho, eu poderei tratar por tu a meu Irmão Frei Agostinho… Agora, só, a meu Irmão, que comigo nasceu naquele Dia em que ao Céu se entregou, ébria de Sol e Maresia, nossa Mãe Serra in Campo Aberto

A Transcendência Poética de Sebastião da Gama

"Elegia para a minha campa" é um dos poemas mais emblemáticos de Sebastião da Gama. Este poema, que faz parte da coleção "Serra-Mãe", publicada postumamente em 1991, revela a profunda conexão do poeta com a natureza e a sua contemplação da morte. O poema é estruturado em torno da repetição da frase "Agora, só", que enfatiza a solidão e a finalidade da morte, mas também a união do poeta com a terra que tanto amou. Gama imagina o seu corpo a fundir-se com o solo da Serra da Arrábida, a qual ele carinhosamente chama de "minha Mãe". Esta imagem poderosa ilustra não apenas a sua ligação física com a paisagem, mas também uma transformação espiritual. A voz do poeta, que ele humildemente descreve como tendo "sempre cantou mal" em vida, agora eleva-se claramente ao céu após a morte. Esta metáfora sugere uma libertação e uma transcendência, como se a morte permitisse ao poeta finalmente expressar-se com a clareza que sempre desejou. Gama apresenta a morte não como um fim, mas como um retorno ao "ventre maternal", uma imagem que evoca tanto conforto quanto renascimento.O poema reflete também sobre a ideia do poeta como um ser "mudo em vida", talvez aludindo à frustração de não conseguir expressar plenamente a sua visão poética durante a sua curta existência. No entanto, através da morte e da união com a Serra, o poeta encontra finalmente a sua voz verdadeira e eterna. "Elegia para a minha campa" é, assim, uma obra que transcende a mera contemplação da morte, tornando-se uma celebração da vida, da natureza e da poesia. Sebastião da Gama, através destes versos, alcança uma forma de imortalidade, permanecendo para sempre parte da Serra da Arrábida que tanto amou e que inspirou a sua obra.

"Sebastião da Gama: O Sonho que Inspira - Uma Jornada pela Poesia e Legado"

O Sonho Pelo sonho é que vamos, Comovidos e mudos. Chegamos? Não chegamos? Haja ou não frutos, Pelo Sonho é que vamos. Basta a fé no que temos. Basta a esperança naquilo Que talvez não teremos. Basta que a alma demos, Com a mesma alegria, Ao que desconhecemos E ao que é do dia-a-dia. Chegamos? Não chegamos? -Partimos. Vamos. Somos. Sebastião da Gama in Pelo Sonho é que Vamos (1953)

O livro "Pelo sonho é que vamos" de Sebastião da Gama tem uma história fascinante e um impacto duradouro na cultura portuguesa. Publicado postumamente em 1953, um ano após a morte prematura do poeta, o livro contém 27 poemas, a maioria escritos em 1951. O título do livro surgiu de uma inspiração súbita de Gama. Em 1 de setembro de 1951, enquanto lia Frédéric Mistral na Serra da Arrábida, ele escreveu o poema "O sonho" e, em uma carta a seu amigo Cristovam Pavia, mencionou que este poema poderia conter o título de seu quarto livro: "Pelo sonho é que vamos". Após a morte de Gama, sua esposa Joana Luísa da Gama e um grupo de amigos prepararam o livro para publicação. O verso "Pelo sonho é que vamos" tornou-se uma metáfora amplamente reconhecida para esperança, coragem e determinação, transcendendo seu contexto literário original. O livro inclui alguns dos poemas mais conhecidos de Gama, como "Anunciação", "Largo Espírito Santo, 2 - 2º", e "O sonho". Vários desses poemas foram publicados em vida do autor em diversos periódicos. A obra de Gama continua a inspirar artistas em diferentes meios. Músicos gravaram álbuns com seus poemas, e pintores como Eduardo Carqueijeiro e Nuno David criaram obras visuais baseadas no famoso verso. Em 2013, para marcar o 60º aniversário da primeira edição, a Associação Cultural Sebastião da Gama e o Museu Sebastião da Gama organizaram uma exposição de fac-símiles de alguns dos manuscritos originais dos poemas. Hoje, em 2025, o legado de "Pelo sonho é que vamos" permanece vivo, continuando a inspirar leitores e artistas com sua mensagem de esperança e perseverança.

“Bastam os poemas que temos diante para catalogar Sebastião da Gama como aquilo que fundamentalmente ele foi: um cantor da vida, das coisas belas da vida, dos sentimentos nobres, da pureza” RUY BELO

"Entre Linhas e Versos: A Descoberta de Itinerário Paralelo"

"Itinerário Paralelo" é o quinto volume da obra poética de Sebastião da Gama, publicado postumamente em 1967 pela editora Ática. Este livro reúne poemas inéditos escritos entre 1942 e 1947, período em que o poeta tinha entre 18 e 23 anos de idade, oferecendo aos leitores uma visão única do desenvolvimento artístico do jovem autor. A obra é prefaciada por David Mourão-Ferreira, que fornece informações preciosas sobre a génese do livro e o percurso intelectual de Sebastião da Gama. Este prefácio contextualiza os poemas e ajuda a compreender melhor o ambiente literário e pessoal em que foram criados. Os poemas incluídos em "Itinerário Paralelo" são contemporâneos à escrita de "Serra-Mãe" (1945) e "Cabo da Boa Esperança" (1947), as duas primeiras obras publicadas por Gama em vida. Estes versos representam composições que o autor optou por não incluir nessas publicações, proporcionando assim uma perspetiva complementar sobre a sua produção poética desse período. Este volume póstumo, com 112 páginas, permite aos leitores e estudiosos um "convívio mais demorado" com o poeta, revelando facetas do seu processo criativo que não foram expostas nas obras publicadas durante a sua vida. Desta forma, "Itinerário Paralelo" torna-se uma peça fundamental para o estudo crítico e aprofundado da obra de Sebastião da Gama. A publicação de "Itinerário Paralelo" enriquece significativamente o corpus poético de Sebastião da Gama, oferecendo uma visão mais completa da evolução do seu estilo e das suas preocupações temáticas durante um período crucial da sua curta, mas intensa carreira literária. Este livro não só complementa as obras anteriores do poeta, mas também proporciona novos insights sobre o seu talento precoce e a sua sensibilidade poética única.

"Eu não posso admitir que seja louvada junto de crianças a crueldade, a ironia ruim e sem coração de Dona Formiga. E não admito também que se chame inútil à Cigarra - quando a Cigarra vive para alegrar os outros."

"Sebastião da Gama: O Amor como Segredo da Vida"

"O Segredo é Amar" é uma obra de Sebastião da Gama que reflete a profunda conexão entre amor e espiritualidade, um tema central na sua poesia. Publicado pela editora Ática em abril de 1994, este livro reúne poemas que exploram a essência do amor como um mistério sagrado e uma força motriz na vida humana. Através de suas composições, Gama expressa a ideia de que o amor é um elemento fundamental da existência, capaz de transcender as dificuldades e iluminar a vida. O título do livro, que também é o nome de um poema incluído em "Cabo da Boa Esperança", sugere que amar é um segredo que revela a verdadeira natureza da vida e das relações humanas. Os poemas de Gama são caracterizados por uma linguagem lírica e uma sensibilidade única, onde o amor se manifesta tanto no cotidiano quanto nas experiências mais profundas. A obra é uma celebração do amor em suas diversas formas — romântico, platónico e divino — refletindo a crença do poeta de que o amor é essencial para a compreensão do mundo e da própria existência. Além disso, "O Segredo é Amar" também pode ser visto como uma continuação da exploração dos temas presentes em seus livros anteriores, como "Serra-Mãe" e "Cabo da Boa Esperança", onde a natureza e a espiritualidade estão intimamente ligadas ao conceito de amor. Através desta obra, Sebastião da Gama oferece aos leitores um convite à reflexão sobre a importância do amor nas suas vidas e na sociedade.

"Estou aqui para ensinar umas e aprender outras. Ensinar, não. Falar delas. Aqui e no pátio e na rua e no vapor e no comboio e no jardim e onde quer que nos encontremos."

Crepuscular Já não são horas, meu Amor... A hora... passou em que era grato a gente amar. É um querer de Irmão este de agora. Nem a Tarde é já o cravo rubro de inda há pouco: é um murmúrio quase... um lírio inexistente dulcificando as coisas, perfumando-as de carinhos... Não é a hora, Amor. Agora deixa sorrir em nós a peregrina ternura da Paisagem. Não desprendas as mãos das minhas... Abandona-as, mas castas como berços... E beija-me na testa... Quando a Noite mansa vier vindo, Amor, beija de manso a minha testa... De manso, meu Amor... Como se o lírio da Tarde se fechasse...

O poema retrata uma transição no relacionamento amoroso, onde a paixão ardente dá lugar a um amor mais sereno e fraternal. O poeta utiliza metáforas da natureza para expressar esta mudança, comparando o passar do tempo com as transformações da paisagem ao entardecer.

Por mim fora Quem me quiser amar, que me leve fechado no meu mistério… Me leve como um presente imerecido, vindo não sabe de aonde – sempre com medo que lhe fuja da caixinha cor da bruma em que se esconde. Quem me quiser amar, me leve, sem se importar de perguntar o que eu valho. – Já lhe basta essa alegria de saber que me possui de saber que eu valho mais que quanto puder pensar.

O poema aborda o tema do amor e da identidade pessoal, explorando a ideia de ser amado na sua totalidade, incluindo os aspectos misteriosos e desconhecidos do ser.

VIESSES TU, POESIA... Viesses tu, Poesia, e o mais estava certo. Viesses no deserto, viesses na tristeza, viesses com a Morte... Que alegria mereço, ou que pomar, se os não justificar, Poesia, a tua vara mágica? Bem sei: antes de ti foi a Mulher, foi a Flor, foi o Fruto, foi a Água... Mas tu é que disseste e os apontaste: - Eis a Mulher, a Água, a Flor, o Fruto. E logo foram graça, aparição, presença, sinal... (Sem ti, sem ti que fora das rosas?) Mortas, mortas pra sempre na primeira, morta à primeira hora.) Ó Poesia! viesses na hora desolada e regressara tudo à graça do princípio... In "Pelo Sonho é que Vamos"

Este poema exemplifica a visão de Sebastião da Gama sobre a Poesia como uma força quase divina, capaz de transformar a perceção do mundo e dar-lhe significado. Reflete também a sua tendência para ver a Poesia como uma entidade autónoma, que atua sobre o poeta e o mundo, em vez de ser simplesmente produzida pelo poeta

Ressurreição Senhor!... Eu bem te vejo, apesar da escuridão! Inda me não tocou a tua mão, mas bem na sinto, bem na sinto em meus cabelos, numa carícia igual a um perfume ou um perdão. Senhor! Eu bem te vejo, apesar da escuridão! Que já se abriram cinco (ou são cinquenta?...? ou são quinhentas?---) Estrelinhas azuis no Céu azul - as Tuas cinco, ou não sei quantas, feridas lavadas pelas águas lá de Cima. Vejo-Te ainda incerto e vago como um desenho sumido, mas esta é, Jesus, a última das noites. Há já três (não Te lembras, Senhor, das bofetadas e dos cravos nos pés?...) que Te pregaram numa cruz e que morreste. Até logo, Senhor! (Deixa ser longa a Noite e o Logo longo, que é de noite que eu seco os meus espinhos e cavo, na minh´alma, o Teu jardim. Rompa tarde a Manhã de ao fim da Tua minha Noite derradeira. - Não quero é que Te rasgues novamente, quando, no terceiro Dia longe - perto misericordiosamente, ressuscitares em mim.)

Este poema é uma poderosa expressão da fé cristã e da aceitação serena da morte como parte do ciclo espiritual. Sebastião da Gama não vê a morte como um fim definitivo, mas como uma passagem para uma união mais profunda com Deus. Através de imagens poéticas intensas e simbólicas, ele transforma o sofrimento em esperança e celebra a possibilidade de renascer espiritualmente

"Sebastião da Gama: A Harmonia entre Poesia e Música"

Quando eu nasci Quando eu nasci, Ficou tudo como estava. Nem homens cortaram veias, Nem o Sol escureceu, Nem houve Estrelas a mais... Somente, Esquecida das dores, A minha Mãe sorriu e agradeceu. Quando eu nasci, Não houve nada de novo Senão eu. As nuvens não se espantaram, Não enlouqueceu ninguém... P'ra que o dia fosse enorme, Bastava Toda a ternura que olhava Nos olhos de minha Mãe... Poema de Sebastião da Gama
"Cantilena" Cortaram as asas ao rouxinol Cortaram as asas ao rouxinol Rouxinol sem asas não pode voar Rouxinol sem asas não pode voar Quebraram-te o bico, rouxinol ! Quebraram-te o bico, rouxinol ! Rouxinol sem bico não pode cantar. Rouxinol sem bico não pode cantar. Que ao menos a Noite ninguém, rouxinol... ta queira roubar. Que ao menos a Noite ninguém, rouxinol... ta queira roubar. Rouxinol sem Noite não pode viver. Rouxinol sem Noite não pode viver. Poema de Sebastião da Gama

Sebastião da Gama por Maria Barroso

Francisco Fanhais - Cantilena

"Quando Eu Nasci" Poema de Sebastião da Gamo lido por Fernando Guerreiro com música "paradise moutain" de Rui Serôdio

Amália Rodrigues - Nasci para ser ignorante

"Não. É para aprender. Pois sim senhor, para aprender é que é: para eu aprender, para o aluno aprender; para estarmos mais perto um do outro: para partirmos a aula ao meio: pataca a mim, pataca a ti."

D'ALMA - Pequeno Poema "Sebastião da Gama"

Sebastião da Gama :: Poesia / Por Carmen Dolores

"Saudade e Memória: O Legado de Joana Luísa da Gama"

Estala de saudade o coração" é uma obra comovente que nos transporta para o universo íntimo de Joana Luísa da Gama, a viúva do célebre poeta português Sebastião da Gama. Publicado em 2013, este livro é um testemunho do amor profundo e duradouro que uniu o casal, mesmo após a morte prematura do poeta. Nas páginas deste livro, Joana Luísa partilha as suas memórias mais queridas, oferecendo aos leitores um vislumbre da vida que partilhou com Sebastião. As suas crónicas sobre Azeitão, terra natal de ambos, pintam um retrato vívido do ambiente que tanto inspirou a poesia de Sebastião da Gama, permitindo-nos compreender melhor as raízes da sua criação literária. Um dos aspetos mais tocantes do livro é a inclusão de correspondências trocadas entre o casal. Joana Luísa revela que ela e Sebastião trocaram mais de 800 cartas durante o namoro, um tesouro de palavras que ilustra a profundidade do seu afecto e a riqueza da sua relação. A obra culmina com uma entrevista concedida por Joana Luísa a Vladimiro Nunes em 2012, na qual ela reflete sobre a sua vida, o seu amor por Sebastião e o seu papel como guardiã do legado do poeta.

Esta entrevista oferece uma perspetiva única sobre a vida de Joana Luísa após a perda do marido e o seu compromisso incansável em manter viva a memória de Sebastião.

"Um risco pode equivaler a uma reguada. E na alma, que é onde dói mais."

Poesia depois da chuva Depois da chuva o Sol - a raça. Oh! a terra molhada iluminada! E os regos de água atravessando a praça - luz a fluir, num fluir imperceptível quase. Canta, contente, um pássaro qualquer. Logo a seguir, nos ramos nus, esvoaça. O fundo é branco - cai fresquinha no casario da praça. Guizos, rodas rodando, vozes claras no ar. Tão alegre este Sol! Há Deus. (Tivera-O eu negado antes do Sol, não duvidava agora.) Ó Tarde virgem, Senhora Aparecida! Ó Tarde igual às manhãs do princípio! E tu passaste, flor dos olhos pretos que eu admiro. Grácil, tão grácil!... Pura imagem da tarde... Flor levada nas águas, mansamente... (Fluida a luz, num fluir imperceptível quase...)

"Sebastião da Gama: Um Poeta e Professor que Marcou Gerações"

O poema "Depois da chuva" de Sebastião da Gama é uma ode à beleza da natureza após uma chuva. A obra descreve a luz do sol iluminando a terra molhada, o canto de um pássaro e o movimento das águas, criando uma atmosfera de alegria e renovação. O poeta expressa uma sensação de fé e admiração pela beleza do mundo, culminando com a aparição de uma figura feminina que personifica a pureza da tarde. O poema é uma celebração da vida e da natureza, destacando a interconexão entre o divino e o mundo natural.

"Sebastião da Gama: Trajectória Literária na Imprensa Nacional"

Sebastião da Gama (1924-1952) foi um notável poeta e professor português, cuja vida breve mas intensa deixou uma marca indelével na literatura e pedagogia portuguesas. Nascido em Vila Nogueira de Azeitão a 10 de abril de 1924, Gama licenciou-se em Filologia Românica pela Universidade de Lisboa em 1947. A sua obra poética está profundamente ligada à Serra da Arrábida, que serviu de inspiração para muitos dos seus versos, incluindo o seu livro de estreia, "Serra-Mãe" (1945). Ao longo da sua curta vida, publicou várias obras, entre as quais "Cabo da Boa Esperança" (1947) e "Campo Aberto" (1951). Gama foi também um professor dedicado, tendo lecionado em Lisboa, Setúbal e Estremoz. A sua experiência como docente ficou registada no "Diário", publicado postumamente em 1958, que se tornou uma referência na reflexão sobre o ensino em Portugal. Além da poesia e do ensino, Sebastião da Gama destacou-se como um dos primeiros ambientalistas portugueses. A sua preocupação com a preservação da Serra da Arrábida levou à criação da Liga para a Proteção da Natureza em 1948, a primeira associação ecologista do país. Gama colaborou em várias revistas literárias, incluindo "Mundo Literário", "Árvore" e "Távola Redonda". A sua obra póstuma inclui títulos como "Pelo Sonho é que Vamos" (1953) e "Itinerário Paralelo" (1967). Faleceu prematuramente aos 27 anos, vítima de tuberculose, deixando um legado literário e pedagógico que continua a inspirar gerações. Em 1993, foi agraciado postumamente com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, e em 2021 foi inaugurada a Casa-Memória Joana Luísa e Sebastião da Gama em Vila Nogueira de Azeitão.

"O professor é um semeador de ideias."

filme “ITINERÁRIO, o meu caminho até Sebastião da Gama”

O filme "ITINERÁRIO, o meu caminho até Sebastião da Gama", realizado por Alberto Pereira, é uma homenagem cinematográfica à vida e obra do poeta Sebastião da Gama. Lançado em 2023, como parte das celebrações do centenário de nascimento de Sebastião e da sua esposa Joana Luísa, o filme convida os espectadores a mergulhar na poesia e na espiritualidade que marcaram a trajetória do autor.

"Sebastião da Gama: O Poeta que Deu Voz à Natureza"

Sebastião da Gama contribuiu significativamente para a criação da Liga para a Protecção da Natureza (LPN) através do seu apelo apaixonado para salvar a Mata do Solitário na Serra da Arrábida. Em 1947, Gama escreveu uma carta urgente alertando para a destruição da mata, que estava a ser usada como combustível para um forno de cal. A carta de Sebastião da Gama, enviada ao engenheiro Miguel Neves, continha um apelo desesperado: "Socorro! Socorro! Socorro! O José Júlio da Costa começou (e vai já adiantada) a destruição da metade da Mata do Solitário que lhe pertence.

Peço-lhe que trate imediatamente. Se for necessário restaure-se a pena de morte. SOCORRO!" Este apelo chegou ao conhecimento do Professor Carlos Manuel Baeta Neves, que interveio para impedir a destruição da mata. Como resultado direto deste incidente, Baeta Neves fundou a LPN em 1948, tornando-a a primeira e mais antiga organização de defesa do ambiente em Portugal e na Península Ibérica

Testemunhos de Afinidades Literárias: As Conexões entre Sebastião da Gama e a Geração de Escritores Portugueses

"Chego a julgar a Arrábida por Mãe, quando não serei mais que seu bastardo."