Filosofía da Arte: Teorias Essencialistas
go!
O que é arte?
Se algo é uma obra de arte, então é X. condição necessária Se algo é X, então é uma obra de arte. condição suficiente Algo é uma obra de arte se, e só se, é X. Basta um contraexemplo para um definição de arte ser falsa:
- uma obra de arte que não sexa X;
- coisas que sejam X e não sejam uma obra de arte.
Qual é a definição de arte?
É necessário identificar características como:
- que todas as obras de arte possuam(Condição necessária);
- e que só as obras de arte possuam(Condição suficiente).
Teoria Representacionista
"Algo é arte se imitar ou representar." A teoria representacionista está incluída numa das teorias essencialistas da arte. Mas afinal em que consistem? As teorias essencialistas defendem que existe uma essência do objeto artístico, isto é, acreditam que os objetos artísticos possuem uma ou mais características intrínsecas que os definem como obras de arte. A teoria representacionista pode ser dividida em duas versões: - arte como imitação; - arte como representação.
Vermeer, A Leiteira
Teorias Essencialistas
- Defendem que existe uma essência do objeto artístico, isto é, acreditam que os objetos artísticos possuem uma (ou mais) características intrísecas que os defínem como obras de arte.
Teorias Essencialistas
Teoria Representacionista
Teoria Expressivista
Teoria Formalista
Arte como imitação
As reflexões filosóficas sobre a arte remontam ao tempo de Aristóteles e Platão. Nessa época valorizavam-se os artistas que produziam obras com muita semelhança aos objetos retratados, quanto mais semelhanças mais valor tinha essa obra. Essa avaliação da arte baseava-se numa visão da arte como imitação. OU SEJA, toda a arte é imitação de alguma coisa, ação ou acontecimento. Qualquer obra, para ser considerada arte, tem de imitar a realidade.
Quais são os argumentos que a sustentam?
A noção de representação é mais inclusiva do que a de imitação, pois pode abdicar da semelhança com a realidade como fator indispensável para uma obra ser considerada "arte", isto é, algo pode representar uma realidade sem ser minimamente parecida com ela. O quadro de Gauguin De onde vimos? Quem somos? Para onde vamos? representa as grandes interrogações da humanidade, mas não as imita. A Cabeça de Touro, de Picasso, representa o animal, mas não o imita. A teoria representacionista, abdicando da imitação, torna-se mais abrangente, pois as obras de arte que não imitam a realidade, mas que apenas se referem a ela simbolicamente, já se enquadram nesta definição.
A crítica a essa teoria
"A imitação não é condição necessária nem suficiente da arte." Se repararmos, esta definição de arte não é consistente, pois os defensores desta teoria não podem afirmar que ser uma imitação é condição suficiente para classificarmos algo como uma obra de arte. Por exemplo, uma fotografia num passaporte retrata uma realidade, o seu detentor. Sendo fiel à realidade é uma imitação de qualidade. No entanto, ninguém a considera como "obra de arte", logo, nem tudo o que é uma imitação é arte. Se nem todas as imitações são arte, então a imitação não é uma condição suficiente para algo ser considerado arte.
"De Onde Viemos? O Que Somos? Para Onde Vamos?"- Paul Gauguin
Arte como representação
A definição de arte como imitção excluía demasiadas obras que eram e são reconhecidas como
"arte", por isso, foi sendo reinterpretada e trasnformou-se numa perspetiva mais abrangente, baseada no conceito de representação.
OU SEJA, um item é considerado uma obra de arte se representar algo.
"Cabeça de Touro"- Pablo Picasso
Quais são os argumentos que a sustentam?
Para compreender esta perspetiva, devemos ter em conta que a arte na Grécia Antiga era sobretudo o Teatro (a tragédia e as artes dramáticas), de modo que quando Platão e Aristóteles falavam de imitação, eles referiam-se principalmente ao ato de atuar num palco com música e palavras. Nessa época, a palavra "arte" nomeava qualquer habilidade prática, no entanto, referiam a imitação como propriedade comum às atividades que hoje englobamos no conceito "arte". O Teatro era a imitação das ações dos homens e a música, escultura ou pintura eram apenas "habilidades auxiliares" dessa arte. Quando, já no século XVIII, se começa a procurar definir o que é "arte", o pensamento grego era a referência, daí que Charles Batteux defina as "belas-artes" com recurso ao conceito de imitação - um objeto é uma obra de arte se for a imitação de algo. Esta visão foi prevalecente entre os pensadores da arte até ao século XIX, pois a maioria dos exemplos de arte visual que existiam eram claramente imitativos - procuravam imitar a realidade. Com o surgimento da fotografia, a intenção de imitar a realidade foi esmorecendo e no início do século XX já a vanguarda artística se tinha desvinculado dessa preocupação.
A crítica a essa teoria
"A representação não é condição necessária nem suficiente da arte! A teoria representacionista, mesmo abandonando o conceito de imitação, é ainda demasiado exclusiva, pois não classifica como arte muitas obras que hoje são aceites como obras de arte. Obras musicais que não pretendem representar nada são um exemplo. Na pintura e escultura também existem muitos casos. A arquitetura é considerada uma arte e não é representacional. A arte decorativa é outro exemplo, pois assenta na agradabilidade das formas e cores sem nenhuma preocupação de representar seja o que for. Todos estes contraexemplos mostram que a representação (ou a imitação) não é uma condição necessária para existir arte. Por outro lado, existem muitos objetos que representam outras realidades, ações ou emoções e que não consideramos obras de arte, tais como símbolos religiosos ou sinais de trânsito. Se nem tudo o que representa é arte, então a representação não é condição suficiente da arte.
"A Ronda da Noite"- Rembrandt
Teorias Essencialistas
Teorias Essencialistas
Teoria Representacionista
Teoria Expressivista
Teoria Formalista
Teoria Expressivista
"Algo é arte se e só se expressa emoções de forma autêntica e eficaz." A Teoria da Arte foi crescendo entre os artístas a ideia de que o cerne da arte é a emoção e não a imitação ou a representação da realidade.
A boa Arte é aquela que produz uma emoção estética genuínamente partilhado pelo artista e pelo seu público. Foi assim que nasceu a conceção da arte como domínio expressivo dos sentimentos e emoções.
"O grito"- Edvard Munch
Lev Tolstoi
"Tal como se transmitem pensamentos por via de comunicação verbal, a função da arte é unir as pessoas através de sentimentos e emoções"
Uma obra, que pode ser bela, poética, rica em efeitos e interessante, não é uma obra de arte se não despertar em nós aquela emoção partícular. Se um homem experimenta esse sentimento, se é contagiado pelo estado de espírito em que se encontra o autor, se sente a sua união com outras pessoas, então é arte.
Quais são os argumentos que a sustentam?
Este argumento defende que a emoção deve ser passada de forma positiva para o público e não outra sensação distinta. A eficácia da transmissão é essencial para que o objeto seja classificado como arte.
Em síntese, podemos apontar duas virtudes à teoria expressivista: é mais abrangente e consegue explicar por que razão a arte é importante para nós. Não é porque imita ou representa a realidade, mas sim porque comunica sentimentos objetivos que ligam emocionalmente o criador ao seu público.
Quais são os argumentos que a sustentam?
O argumento da INTENCIONALIDADE consiste na intenção consciente da expressão dos sentimentos. O sentimento que o autor pretende tranmitir é algo momentaneo e não proposital. Expressar uma emoção é diferente de expressar uma emoção imaginativamente ou criativamente. Comunicar um sentimento ou uma emoção é o objetivo e função da arte. Se um objeto é produzido sem esse intuito, então não é uma "obra de arte".
Quais são os argumentos que a sustentam?
Expressar intencionalmente um sentimento ou emoção em uma obra, não é suficiente para se defenir como arte. A emoção é passada com sucesso apra o observador quando esta foi realemente esperienciada pelo criador.
A autenticidade é uma condição necessária à produção artística. Quando o artista não vivenciou essa experiencia, não consegue transmiti-la de forma correta, ou seja é falsa e não verdadeira.
As críticas a essa teoria
"A tese de Tolstoi é demasiado inclusiva" A definição de arte apresentada por Tolstoi é demasiado inclusiva, pois aceita como manifestação artísticas certas coisas que nos parece não caber no conceito de arte.
Um exemplo disso é: Um paciente relata ao seu terapeuta uma emoção que sentiu, e fá-lo de uma forma tão contagiante que o médico o vivência. Isso é uma obra de arte, mas é apenas um relato de uma emoção. Portanto a trasmissão de uma emoção através de um meio não é o suficiente para a arte acontecer.
As críticas a essa teoria
"A tese de Tolstoi é demasiado exclusiva" Por outro lado é demasiado exclusiva, pois limita demasiado o âmbito daquilo que pode ser considerado uma "obra de arte".
De acordo com Tolstoi se a obra de um artista é criada para transmitir ao seu público uma emoção que estava realmente a sentir, não provocar essa emoção nos seus destinatários, então não é uma obra de arte.
A teoria de Tolstoi não nos ajuda a compreender este fenómeno da obra de arte "à frente do seu tempo"
As críticas a essa teoria
"A arte não exige a autencidade emocional" A exigência de autencidade emocional do artista é outro aspeto criticado nesta teoria.
Miguel Ângelo, quando esculpiu a Pietà, não sentiu as emoções que uma mãe sente quando perde um filho. Nessa teoria, isso desqualifica a escultura: pode ser uma bela peça de decoração, mas não é arte. Ao crítico de Tolstoi isso é inaceitável. Um escritor que ao longo de um romance descreve de forma contagiante diversos sentimentos dos personagens, não pode sentir realmente todas essas emoções.
Pietà-Michelangelo (1499)
Teorias Essencialistas
Teorias Essencialistas
Teoria Representacionista
Teoria Expressivista
Teoria Formalista
Teoria Formalista
"Algo é arte se e só se foi criado intencionalmente para possuir e exibir forma significante." .Encarar a obra de arte como representação de algo ou expressão de sentimentos levanta interrogações que mostram os limites das teorias representacionista e expressivista. Estes limites levaram, no início do século XX, ao surgimento do movimento formalista, que procurou a essência da arte na própria arte e não no mundo ou no artista. Clive Bell foi o mais influente representante desta visão, graças ao seu livro Arte (1914). Para encontrar a essência da arte, Bell voltou a sua atenção apenas para as obras de arte. O que as torna objetos distintos de todos os outros é a sua forma. Não uma forma qualquer, mas aquilo a que ele chamou "forma significante". A forma significante é um arranjo especial de linhas, cores, volumes, etc.. que só as obras de arte possuem. Apesar de Bell ter refletido e escrito sobretudo a pensar nas artes visuais, ele su-seriu que a sua teoria se aplicaria também à música e à dança (silêncios, timbres, dinâ-mica, movimento, gestos, etc., constituem elementos cuja combinação possui uma determinada forma). Como sabemos se um certo objeto possui essa forma significante? Bell considerava que se essa forma significante estivesse presente num obieto, este despertaria em nós uma emoção estética. Não se trata de uma emoção como o medo ou a alegria, mas sim uma emoção especificamente ligada às manifestações artísticas e que só elas podem despertar. A emoção estética é a experiência que o público sente quando entra em contacto com a obra de arte; Para algo ser arte, precisa apenas de causar emoção estética, não precisa de imitar ou representar a natureza, o mundo, nem precisa de expressar emoções que o artista sentiu.
Quais são os argumentos que a sustentam?
Para um formalista, o facto de uma obra representar a realidade não a exclui do âmbito artístico. Bell considerava que a maioria das obras de arte representacionista eram, na realidade, verdadeiras obras de arte, mas não o eram porque representavam alguma coisa, eram-no porque possuíam forma significante. A representação era irrelevante para atribuir o estatuto de arte a um objeto. A teoria formalista de Bell é realmente mais inclusiva do que as teorias repre-sentacionista e expressivista, pois o seu critério definidor de arte inclui claramente as obras musicais e arquitetónicas, bem como a arte visual abstrata. Algumas obras musicais e edifícios podem ser vistos como contraexemplos ao representacionismo e ao expressivismo. No entanto, todas as obras musicais e criações arquitetónicas têm forma - uma organização de elementos capaz de provocar emoção estética no público-, -logo, encaixam no critério formalista.
Quais são os argumentos que a sustentam?
Podemos exigir a Clive Bell que nos diga algo mais profundo do que "todas as obras de arte possuem forma", pois podemos encontrar "forma" em muitas criações humanas que não são arte, por exemplo, num discurso político ou num teorema matemático. Assim, o formalista apela à função especial das obras de arte que as diferencia de todas as outras criações humanas. A função de uma obra de arte é apenas mostrar a sua forma significante. Um discurso tem como objetivo persuadir, um teorema tem como função provar uma conclusão. Podem possuir forma significante, mas não é essa a sua característica definidora. Uma obra de arte tem como propósito único ostentar a sua forma significante. Este aspeto intencional é importante, pois só assim podemos evitar classificar as maravilhas naturais como obras de arte. Não o são porque não foram concebidas intencionalmente para exibir a sua forma significante. Algo é uma obra de arte se e só se foi criado intencionalmente para possuir e exibir forma significante.
As críticas a essa teoria
"A intencionalidade não é condição necessária nem suficiente da arte."
A condição de intencionalidade torna a teoria vulnerável a imensos contraexemplos.Existem muitas obras que não foram criadas intencionalmente para exibirem a sua forma significante, mas que se consideram "arte". Sejam os vitrais de igrejas concebidos para filtrar a luz de modo a permitir a oração e veneração divina, sejam as figuras religiosas para inspirar conforto e refúgio, as estátuas de demónios construídas para assustar e criar o medo da condenação interna ou monumentos para assinalar vitórias militares, existem imensos exemplos de obras de arte que nasceram com uma intenção divergente daquela que Clive Bell exige para se classificar determinado objeto como "arte". Assim, o crítico do formalismo pode afirmar que a teoria é demasiado exclusiva, pois nem todas as obras de arte foram criadas intencionalmente para mostrarem forma significante. Mas, se o formalista recuar e aceitar que a intenção de mostrar a forma significante não é condição necessária da arte, levanta-se o problema de não conseguirmos separar arte e na-tureza, pois as belezas naturais que nos encantam possuem também uma "forma", tornando assim a teoria demasiado inclusiva, pois passaria a considerar como arte coisas que todos aceitam que não são arte. De uma forma ou de outra, o formalismo não nos consegue dar condições necessárias ou suficientes para definir a arte.
As críticas a essa teoria
"Circulo Vicioso"
Os dois conceitos centrais na teoria de Bell são "forma significante" e "emoção estética". Os críticos de Bell afirmam que a sua explicação destes conceitos cai num cículo vicioso: forma significante é definida como o arranjo de características que desperta no ser humano a emoção estética, e esta é definida como o tipo especial de emoção que é causada pela forma significante dos objetos.Bell não desenvolve definições independentes destes dois conceitos. Pelo menos, deveria incluir uma explicação mais robusta do significado de cada um que nos permitisse entender cada conceito sem fazer referência ao outro. Como essa explicação não existe, não temos possibilidade de entender nenhum deles recorrendo a outros dados. Cada um define-se pelo outro e isso enfraquece fatalmente a sua argumentação.
Wassily Kandinsky, No Branco
As críticas a essa teoria
" Argumento dos objetos indistinguíveis."
O formalismo de Bell é vulnerável a um outro tipo de crítica.Se um falsário conseguir uma réplica exata (átomo a átomo) de uma obra de arte, esta cópia também será uma obra de arte? Bell teria de responder afirmativamente, pois a obra original tinha forma significante e esta réplica é idêntica ao original até ao mais infimo pormenor. A esta experiência mental o formalista ainda poderia responder que realizar tal cópia é impossível (será?). No entanto, uma situação diferente, e real, coloca um problema muito semelhante. Na década de 60 do século XX, Andy Warhol realizou uma série de obras de arte que consistiam na reprodução exata de caixas de detergente Brillo. As Caixas de Brillo eram idênticas às caixas comerciais de detergente. Mas estas (caixas comerciais) não eram obras de arte, logo, não possuíam forma significante. No entanto, as Caixas de Brillo (executadas por Warhol), sendo obras de arte (causando emoção estética), possuíam forma significante. Sendo objetos indistinguíveis, como podemos afirmar que num caso existe forma significante e noutro não? O formalismo não nos permite responder a esta questão.
Andy Warhol, "Caixas de Brillo"
FIM
Filosofía da Arte: Teorias Essencialistas
Tomás Sousa
Created on March 18, 2025
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Filosofía da Arte: Teorias Essencialistas
go!
O que é arte?
Se algo é uma obra de arte, então é X. condição necessária Se algo é X, então é uma obra de arte. condição suficiente Algo é uma obra de arte se, e só se, é X. Basta um contraexemplo para um definição de arte ser falsa:
Qual é a definição de arte?
É necessário identificar características como:
Teoria Representacionista
"Algo é arte se imitar ou representar." A teoria representacionista está incluída numa das teorias essencialistas da arte. Mas afinal em que consistem? As teorias essencialistas defendem que existe uma essência do objeto artístico, isto é, acreditam que os objetos artísticos possuem uma ou mais características intrínsecas que os definem como obras de arte. A teoria representacionista pode ser dividida em duas versões: - arte como imitação; - arte como representação.
Vermeer, A Leiteira
Teorias Essencialistas
Teorias Essencialistas
Teoria Representacionista
Teoria Expressivista
Teoria Formalista
Arte como imitação
As reflexões filosóficas sobre a arte remontam ao tempo de Aristóteles e Platão. Nessa época valorizavam-se os artistas que produziam obras com muita semelhança aos objetos retratados, quanto mais semelhanças mais valor tinha essa obra. Essa avaliação da arte baseava-se numa visão da arte como imitação. OU SEJA, toda a arte é imitação de alguma coisa, ação ou acontecimento. Qualquer obra, para ser considerada arte, tem de imitar a realidade.
Quais são os argumentos que a sustentam?
A noção de representação é mais inclusiva do que a de imitação, pois pode abdicar da semelhança com a realidade como fator indispensável para uma obra ser considerada "arte", isto é, algo pode representar uma realidade sem ser minimamente parecida com ela. O quadro de Gauguin De onde vimos? Quem somos? Para onde vamos? representa as grandes interrogações da humanidade, mas não as imita. A Cabeça de Touro, de Picasso, representa o animal, mas não o imita. A teoria representacionista, abdicando da imitação, torna-se mais abrangente, pois as obras de arte que não imitam a realidade, mas que apenas se referem a ela simbolicamente, já se enquadram nesta definição.
A crítica a essa teoria
"A imitação não é condição necessária nem suficiente da arte." Se repararmos, esta definição de arte não é consistente, pois os defensores desta teoria não podem afirmar que ser uma imitação é condição suficiente para classificarmos algo como uma obra de arte. Por exemplo, uma fotografia num passaporte retrata uma realidade, o seu detentor. Sendo fiel à realidade é uma imitação de qualidade. No entanto, ninguém a considera como "obra de arte", logo, nem tudo o que é uma imitação é arte. Se nem todas as imitações são arte, então a imitação não é uma condição suficiente para algo ser considerado arte.
"De Onde Viemos? O Que Somos? Para Onde Vamos?"- Paul Gauguin
Arte como representação
A definição de arte como imitção excluía demasiadas obras que eram e são reconhecidas como "arte", por isso, foi sendo reinterpretada e trasnformou-se numa perspetiva mais abrangente, baseada no conceito de representação. OU SEJA, um item é considerado uma obra de arte se representar algo.
"Cabeça de Touro"- Pablo Picasso
Quais são os argumentos que a sustentam?
Para compreender esta perspetiva, devemos ter em conta que a arte na Grécia Antiga era sobretudo o Teatro (a tragédia e as artes dramáticas), de modo que quando Platão e Aristóteles falavam de imitação, eles referiam-se principalmente ao ato de atuar num palco com música e palavras. Nessa época, a palavra "arte" nomeava qualquer habilidade prática, no entanto, referiam a imitação como propriedade comum às atividades que hoje englobamos no conceito "arte". O Teatro era a imitação das ações dos homens e a música, escultura ou pintura eram apenas "habilidades auxiliares" dessa arte. Quando, já no século XVIII, se começa a procurar definir o que é "arte", o pensamento grego era a referência, daí que Charles Batteux defina as "belas-artes" com recurso ao conceito de imitação - um objeto é uma obra de arte se for a imitação de algo. Esta visão foi prevalecente entre os pensadores da arte até ao século XIX, pois a maioria dos exemplos de arte visual que existiam eram claramente imitativos - procuravam imitar a realidade. Com o surgimento da fotografia, a intenção de imitar a realidade foi esmorecendo e no início do século XX já a vanguarda artística se tinha desvinculado dessa preocupação.
A crítica a essa teoria
"A representação não é condição necessária nem suficiente da arte! A teoria representacionista, mesmo abandonando o conceito de imitação, é ainda demasiado exclusiva, pois não classifica como arte muitas obras que hoje são aceites como obras de arte. Obras musicais que não pretendem representar nada são um exemplo. Na pintura e escultura também existem muitos casos. A arquitetura é considerada uma arte e não é representacional. A arte decorativa é outro exemplo, pois assenta na agradabilidade das formas e cores sem nenhuma preocupação de representar seja o que for. Todos estes contraexemplos mostram que a representação (ou a imitação) não é uma condição necessária para existir arte. Por outro lado, existem muitos objetos que representam outras realidades, ações ou emoções e que não consideramos obras de arte, tais como símbolos religiosos ou sinais de trânsito. Se nem tudo o que representa é arte, então a representação não é condição suficiente da arte.
"A Ronda da Noite"- Rembrandt
Teorias Essencialistas
Teorias Essencialistas
Teoria Representacionista
Teoria Expressivista
Teoria Formalista
Teoria Expressivista
"Algo é arte se e só se expressa emoções de forma autêntica e eficaz." A Teoria da Arte foi crescendo entre os artístas a ideia de que o cerne da arte é a emoção e não a imitação ou a representação da realidade. A boa Arte é aquela que produz uma emoção estética genuínamente partilhado pelo artista e pelo seu público. Foi assim que nasceu a conceção da arte como domínio expressivo dos sentimentos e emoções.
"O grito"- Edvard Munch
Lev Tolstoi
"Tal como se transmitem pensamentos por via de comunicação verbal, a função da arte é unir as pessoas através de sentimentos e emoções"
Uma obra, que pode ser bela, poética, rica em efeitos e interessante, não é uma obra de arte se não despertar em nós aquela emoção partícular. Se um homem experimenta esse sentimento, se é contagiado pelo estado de espírito em que se encontra o autor, se sente a sua união com outras pessoas, então é arte.
Quais são os argumentos que a sustentam?
Este argumento defende que a emoção deve ser passada de forma positiva para o público e não outra sensação distinta. A eficácia da transmissão é essencial para que o objeto seja classificado como arte. Em síntese, podemos apontar duas virtudes à teoria expressivista: é mais abrangente e consegue explicar por que razão a arte é importante para nós. Não é porque imita ou representa a realidade, mas sim porque comunica sentimentos objetivos que ligam emocionalmente o criador ao seu público.
Quais são os argumentos que a sustentam?
O argumento da INTENCIONALIDADE consiste na intenção consciente da expressão dos sentimentos. O sentimento que o autor pretende tranmitir é algo momentaneo e não proposital. Expressar uma emoção é diferente de expressar uma emoção imaginativamente ou criativamente. Comunicar um sentimento ou uma emoção é o objetivo e função da arte. Se um objeto é produzido sem esse intuito, então não é uma "obra de arte".
Quais são os argumentos que a sustentam?
Expressar intencionalmente um sentimento ou emoção em uma obra, não é suficiente para se defenir como arte. A emoção é passada com sucesso apra o observador quando esta foi realemente esperienciada pelo criador. A autenticidade é uma condição necessária à produção artística. Quando o artista não vivenciou essa experiencia, não consegue transmiti-la de forma correta, ou seja é falsa e não verdadeira.
As críticas a essa teoria
"A tese de Tolstoi é demasiado inclusiva" A definição de arte apresentada por Tolstoi é demasiado inclusiva, pois aceita como manifestação artísticas certas coisas que nos parece não caber no conceito de arte.
Um exemplo disso é: Um paciente relata ao seu terapeuta uma emoção que sentiu, e fá-lo de uma forma tão contagiante que o médico o vivência. Isso é uma obra de arte, mas é apenas um relato de uma emoção. Portanto a trasmissão de uma emoção através de um meio não é o suficiente para a arte acontecer.
As críticas a essa teoria
"A tese de Tolstoi é demasiado exclusiva" Por outro lado é demasiado exclusiva, pois limita demasiado o âmbito daquilo que pode ser considerado uma "obra de arte".
De acordo com Tolstoi se a obra de um artista é criada para transmitir ao seu público uma emoção que estava realmente a sentir, não provocar essa emoção nos seus destinatários, então não é uma obra de arte. A teoria de Tolstoi não nos ajuda a compreender este fenómeno da obra de arte "à frente do seu tempo"
As críticas a essa teoria
"A arte não exige a autencidade emocional" A exigência de autencidade emocional do artista é outro aspeto criticado nesta teoria.
Miguel Ângelo, quando esculpiu a Pietà, não sentiu as emoções que uma mãe sente quando perde um filho. Nessa teoria, isso desqualifica a escultura: pode ser uma bela peça de decoração, mas não é arte. Ao crítico de Tolstoi isso é inaceitável. Um escritor que ao longo de um romance descreve de forma contagiante diversos sentimentos dos personagens, não pode sentir realmente todas essas emoções.
Pietà-Michelangelo (1499)
Teorias Essencialistas
Teorias Essencialistas
Teoria Representacionista
Teoria Expressivista
Teoria Formalista
Teoria Formalista
"Algo é arte se e só se foi criado intencionalmente para possuir e exibir forma significante." .Encarar a obra de arte como representação de algo ou expressão de sentimentos levanta interrogações que mostram os limites das teorias representacionista e expressivista. Estes limites levaram, no início do século XX, ao surgimento do movimento formalista, que procurou a essência da arte na própria arte e não no mundo ou no artista. Clive Bell foi o mais influente representante desta visão, graças ao seu livro Arte (1914). Para encontrar a essência da arte, Bell voltou a sua atenção apenas para as obras de arte. O que as torna objetos distintos de todos os outros é a sua forma. Não uma forma qualquer, mas aquilo a que ele chamou "forma significante". A forma significante é um arranjo especial de linhas, cores, volumes, etc.. que só as obras de arte possuem. Apesar de Bell ter refletido e escrito sobretudo a pensar nas artes visuais, ele su-seriu que a sua teoria se aplicaria também à música e à dança (silêncios, timbres, dinâ-mica, movimento, gestos, etc., constituem elementos cuja combinação possui uma determinada forma). Como sabemos se um certo objeto possui essa forma significante? Bell considerava que se essa forma significante estivesse presente num obieto, este despertaria em nós uma emoção estética. Não se trata de uma emoção como o medo ou a alegria, mas sim uma emoção especificamente ligada às manifestações artísticas e que só elas podem despertar. A emoção estética é a experiência que o público sente quando entra em contacto com a obra de arte; Para algo ser arte, precisa apenas de causar emoção estética, não precisa de imitar ou representar a natureza, o mundo, nem precisa de expressar emoções que o artista sentiu.
Quais são os argumentos que a sustentam?
Para um formalista, o facto de uma obra representar a realidade não a exclui do âmbito artístico. Bell considerava que a maioria das obras de arte representacionista eram, na realidade, verdadeiras obras de arte, mas não o eram porque representavam alguma coisa, eram-no porque possuíam forma significante. A representação era irrelevante para atribuir o estatuto de arte a um objeto. A teoria formalista de Bell é realmente mais inclusiva do que as teorias repre-sentacionista e expressivista, pois o seu critério definidor de arte inclui claramente as obras musicais e arquitetónicas, bem como a arte visual abstrata. Algumas obras musicais e edifícios podem ser vistos como contraexemplos ao representacionismo e ao expressivismo. No entanto, todas as obras musicais e criações arquitetónicas têm forma - uma organização de elementos capaz de provocar emoção estética no público-, -logo, encaixam no critério formalista.
Quais são os argumentos que a sustentam?
Podemos exigir a Clive Bell que nos diga algo mais profundo do que "todas as obras de arte possuem forma", pois podemos encontrar "forma" em muitas criações humanas que não são arte, por exemplo, num discurso político ou num teorema matemático. Assim, o formalista apela à função especial das obras de arte que as diferencia de todas as outras criações humanas. A função de uma obra de arte é apenas mostrar a sua forma significante. Um discurso tem como objetivo persuadir, um teorema tem como função provar uma conclusão. Podem possuir forma significante, mas não é essa a sua característica definidora. Uma obra de arte tem como propósito único ostentar a sua forma significante. Este aspeto intencional é importante, pois só assim podemos evitar classificar as maravilhas naturais como obras de arte. Não o são porque não foram concebidas intencionalmente para exibir a sua forma significante. Algo é uma obra de arte se e só se foi criado intencionalmente para possuir e exibir forma significante.
As críticas a essa teoria
"A intencionalidade não é condição necessária nem suficiente da arte."
A condição de intencionalidade torna a teoria vulnerável a imensos contraexemplos.Existem muitas obras que não foram criadas intencionalmente para exibirem a sua forma significante, mas que se consideram "arte". Sejam os vitrais de igrejas concebidos para filtrar a luz de modo a permitir a oração e veneração divina, sejam as figuras religiosas para inspirar conforto e refúgio, as estátuas de demónios construídas para assustar e criar o medo da condenação interna ou monumentos para assinalar vitórias militares, existem imensos exemplos de obras de arte que nasceram com uma intenção divergente daquela que Clive Bell exige para se classificar determinado objeto como "arte". Assim, o crítico do formalismo pode afirmar que a teoria é demasiado exclusiva, pois nem todas as obras de arte foram criadas intencionalmente para mostrarem forma significante. Mas, se o formalista recuar e aceitar que a intenção de mostrar a forma significante não é condição necessária da arte, levanta-se o problema de não conseguirmos separar arte e na-tureza, pois as belezas naturais que nos encantam possuem também uma "forma", tornando assim a teoria demasiado inclusiva, pois passaria a considerar como arte coisas que todos aceitam que não são arte. De uma forma ou de outra, o formalismo não nos consegue dar condições necessárias ou suficientes para definir a arte.
As críticas a essa teoria
"Circulo Vicioso"
Os dois conceitos centrais na teoria de Bell são "forma significante" e "emoção estética". Os críticos de Bell afirmam que a sua explicação destes conceitos cai num cículo vicioso: forma significante é definida como o arranjo de características que desperta no ser humano a emoção estética, e esta é definida como o tipo especial de emoção que é causada pela forma significante dos objetos.Bell não desenvolve definições independentes destes dois conceitos. Pelo menos, deveria incluir uma explicação mais robusta do significado de cada um que nos permitisse entender cada conceito sem fazer referência ao outro. Como essa explicação não existe, não temos possibilidade de entender nenhum deles recorrendo a outros dados. Cada um define-se pelo outro e isso enfraquece fatalmente a sua argumentação.
Wassily Kandinsky, No Branco
As críticas a essa teoria
" Argumento dos objetos indistinguíveis."
O formalismo de Bell é vulnerável a um outro tipo de crítica.Se um falsário conseguir uma réplica exata (átomo a átomo) de uma obra de arte, esta cópia também será uma obra de arte? Bell teria de responder afirmativamente, pois a obra original tinha forma significante e esta réplica é idêntica ao original até ao mais infimo pormenor. A esta experiência mental o formalista ainda poderia responder que realizar tal cópia é impossível (será?). No entanto, uma situação diferente, e real, coloca um problema muito semelhante. Na década de 60 do século XX, Andy Warhol realizou uma série de obras de arte que consistiam na reprodução exata de caixas de detergente Brillo. As Caixas de Brillo eram idênticas às caixas comerciais de detergente. Mas estas (caixas comerciais) não eram obras de arte, logo, não possuíam forma significante. No entanto, as Caixas de Brillo (executadas por Warhol), sendo obras de arte (causando emoção estética), possuíam forma significante. Sendo objetos indistinguíveis, como podemos afirmar que num caso existe forma significante e noutro não? O formalismo não nos permite responder a esta questão.
Andy Warhol, "Caixas de Brillo"
FIM