Want to create interactive content? It’s easy in Genially!

Reuse this genially

Almeida Garrett : O Fundador do Romantismo Português

teachers

Created on February 5, 2025

Start designing with a free template

Discover more than 1500 professional designs like these:

Smart Presentation

Practical Presentation

Essential Presentation

Akihabara Presentation

Pastel Color Presentation

Visual Presentation

Relaxing Presentation

Transcript

João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett

Almeida Garrett : O Fundador do Romantismo Português

1799 - 1854

"A caridade é uma virtude que não desacompanha jamais suas irmãs, a fé que dá o ânimo e a esperança que anima o coração."

João Baptista da Silva Leitão, que viria a ser conhecido como Almeida Garrett, nasceu a 4 de Fevereiro de 1799, numa casa da velha zona ribeirinha do Porto. Filho de António Bernardo da Silva e de Ana Augusta de Almeida Leitão, foi batizado a 10 de Fevereiro na igreja de Santo Ildefonso. Aos cinco anos, em 1804, a família mudou-se para Vila Nova de Gaia. Ali, Garrett viveu primeiro na Quinta do Castelo, no lugar do Candal, e depois na Quinta do Sardão, em Oliveira do Douro. Nestas propriedades, o jovem João Baptista passou "os felizes dias de [sua] descuidada meninice", como viria a recordar mais tarde. Foi na Quinta do Castelo que Garrett ouviu pela primeira vez a lenda de Gaia, que viria a influenciar a sua obra literária. As criadas Brígida e Rosa de Lima enriqueceram a sua infância com velhas histórias e lendas populares, alimentando a sua imaginação.

Em 1809, com a ameaça das invasões napoleónicas, a família deslocou-se para Lisboa e, posteriormente, para Angra do Heroísmo, na Ilha Terceira, Açores. Na Terceira, Garrett viveu a sua adolescência, recebendo uma educação primorosa. Frequentou a escola régia, onde teve como mestre de latim o padre João António, cujo saber sempre elogiou. Estudou também grego com Joaquim Alves, embora com menos entusiasmo. Inicialmente destinado à carreira eclesiástica, Garrett chegou a tomar ordens menores. O seu tio paterno, D. Frei Alexandre da Sagrada Família, então bispo de Angra, intercedeu para que ingressasse na Ordem de Cristo. Contudo, o jovem cedo recusou prosseguir este caminho.

"O amar vem da alma."

Foi neste período que Garrett fez as suas primeiras incursões literárias, algumas sob o pseudónimo de Josino Duriense. Entre as suas obras iniciais contam-se as "Odes Anacreônticas" (c. 1814), algumas das primeiras poesias incluídas na "Lírica", o poema épico inacabado "Afonseida, ou fundação do império lusitano" (1815-16), um esboço trágico de "Ifigénia em Táuride" (1816) e a tragédia "Xerxes". Em 1816, Almeida Garrett matriculou-se em Leis na Universidade de Coimbra. Durante o seu período universitário, Garrett entrou em contacto com as ideias liberais, que influenciaram significativamente o seu pensamento político. O jovem Almeida Garrett, recém-formado em Leis e membro de uma loja maçónica, abraçou com fervor a causa liberal durante a Revolução de 1820. A sua participação neste movimento crucial da história portuguesa foi multifacetada e intensa. Como poeta e dramaturgo, Garrett contribuiu para o espírito revolucionário através da sua arte. Compôs um Hino Patriótico que ecoou no Teatro de São João, inflamando os ânimos dos apoiantes liberais. A sua pena serviu como arma na luta pelos ideais de liberdade e progresso. Enquanto dirigente estudantil e orador, destacou-se pela sua eloquência. Na Sala dos Capelos da Universidade de Coimbra, por ocasião de uma celebração estudantil da abertura das Cortes, Garrett declamou versos que eletrizaram a audiência, reafirmando o seu compromisso com a causa liberal. Paralelamente, envolveu-se em atividades clandestinas. Em 1821, participou na fundação da Sociedade dos Jardineiros, uma organização possivelmente ligada à maçonaria, demonstrando o seu empenho na difusão dos ideais liberais por vias menos convencionais.

"Em 1821, Almeida Garrett publicou "O Retrato de Vénus", que lhe valeu um processo judicial. O poema causou grande polémica na época, levando Garrett a ser acusado e processado por imoralidade e abuso de liberdade de imprensa. O processo judicial contra Garrett decorreu entre junho e outubro de 1821, inicialmente em Coimbra e depois transferido para Lisboa, culminando na sua absolvição. O poema reflete as ideias liberais do jovem autor, exaltando a natureza e defendendo que a felicidade é essencial para a bondade humana.

"Entre o Querer e o Amar: As Complexidades do Amor em Almeida Garrett

Almeida Garrett, figura proeminente do Romantismo português, explorou o amor e a paixão de forma profunda e multifacetada ao longo da sua vida e obra. A sua abordagem a estes temas evoluiu com o tempo, refletindo não só as convenções literárias da época, mas também as suas próprias experiências pessoais. Nos seus primeiros anos como escritor, Garrett já demonstrava uma inclinação para temas amorosos. As "Odes Anacreônticas" (c. 1814) e algumas das primeiras poesias incluídas na "Lírica" revelavam uma abordagem ainda influenciada pelo neoclassicismo, mas já com laivos do sentimentalismo romântico. O exílio em Inglaterra e França, entre 1823 e 1826, expôs Garrett às correntes do Romantismo europeu, influenciando profundamente a sua conceção do amor. Este período marcou uma transição na sua obra, onde o amor começou a ser retratado de forma mais intensa e complexa. Com a publicação de "Flores sem Fruto" (1835), Garrett aprofundou a sua exploração do amor.

Nesta obra, o poeta aborda temas como o amor idealizado, a angústia existencial e a busca por um afeto inalcançável, elementos típicos do Romantismo. O ápice da expressão amorosa de Garrett surge com "Folhas Caídas" (1853), considerada a sua obra mais romântica e pessoal. Esta coletânea, inspirada pela sua paixão tardia por Rosa Montufar Barreiros, a Viscondessa da Luz, revela um Garrett maduro, capaz de explorar as nuances mais profundas e contraditórias do amor. A dualidade do amor é magistralmente explorada em poemas como "Gozo e dor", onde Garrett apresenta o paradoxo do amor como fonte simultânea de felicidade e sofrimento: "Se estou contente, querida,/Com esta imensa ternura/De que me enche o teu amor?/Não. Ai não; falta-me a vida;/Sucumbe-me a alma à ventura:/O excesso de gozo é dor."

Em "Folhas Caídas", Garrett distingue entre o "querer" e o "amar", como exemplificado no célebre poema "Não te amo":"Não te amo, quero-te: o amar vem d'alma./E eu n'alma — tenho a calma,/A calma — do jazigo./Ai!, não te amo, não."Esta distinção reflete uma compreensão sofisticada do amor, onde o desejo físico ("querer") é contrastado com um amor mais profundo e espiritual. A obra de Almeida Garrett oferece um panorama rico e complexo do amor e da paixão. Desde as suas primeiras incursões poéticas até às suas obras mais maduras, Garrett explorou o amor em todas as suas facetas: do idealismo romântico à crueza da paixão, da alegria extática à dor da perda.

"O Legado do Romantismo em Portugal: Três Gerações de Ideais e Emoções"

O movimento romântico em Portugal surgiu no início do século XIX, num período de profundas transformações políticas e sociais. Emergiu num contexto de efervescência política, na sequência da Revolução Liberal de 1820, influenciado pelos ideais da Revolução Francesa. Vários sectores da burguesia portuguesa - incluindo magistrados, comerciantes e militares - lutavam pela modernização do país, defendendo reformas institucionais e a elaboração de uma Constituição. O Romantismo português evoluiu ao longo de três gerações distintas:Primeira Geração (1825-1840): Caracterizada pelo nacionalismo, preocupações históricas e ideais liberais. Os principais representantes foram: Almeida Garrett - autor do poema "Camões" (1825), considerado o marco inicial do Romantismo português. Alexandre Herculano - conhecido por obras como "A Voz do Profeta" (1836), que consolidou o movimento romântico em Portugal. António Feliciano de Castilho - autor de transição entre o Arcadismo e o Romantismo. Esta geração procurou resgatar os mitos históricos de Portugal, como Luís Vaz de Camões, num esforço de afirmação da identidade nacional. Segunda Geração (1840-1860): Marcada por extremo sentimentalismo, pessimismo e idealização do sofrimento amoroso, contrastando com o nacionalismo da primeira geração. Camilo Castelo Branco, com a sua obra "Amor de Perdição", foi o principal autor, explorando temas como amor trágico, morte e saudade. Esta fase caracterizou-se por uma produção literária voltada para o entretenimento da burguesia, com enredos passionais e trágicos. Terceira Geração (1860-1870): Esta fase assinalou um período de transição para o Realismo. Caracterizou-se por um afastamento dos excessos sentimentais típicos da geração anterior, uma maior atenção à realidade social e uma renovação da linguagem poética. Destacaram-se autores como: Antero de Quental: considerado o principal nome do período, ficou conhecido pela sua poesia revolucionária, especialmente com a obra "Odes Modernas". Júlio Dinis: notabilizou-se pelos seus romances ambientados no campo, sendo "As Pupilas do Senhor Reitor" uma das suas obras mais reconhecidas. Esta geração retomou o espírito revolucionário da primeira fase do Romantismo, adotando uma postura mais crítica e socialmente empenhada. Os escritores deste período procuraram equilibrar o idealismo romântico com uma visão mais objetiva da realidade, preparando assim o terreno para o movimento realista que se seguiria. Os temas abordados incluíam questões sociais prementes da época, como o abolicionismo, e havia uma maior preocupação com o presente e a realidade social. Esta evolução do Romantismo português refletiu as profundas transformações políticas, sociais e culturais que ocorriam em Portugal na época, marcando um momento crucial de transição na literatura portuguesa.

"Eu pergunto aos economistas políticos, aos moralistas, se já calcularam o número de indivíduos que é forçoso condenar à miséria, ao trabalho desproporcionado, à desmoralização, à infância, à ignorância crapulosa, à desgraça invencível, à penúria absoluta, para produzir um rico?"

Em 1824, Garrett mudou-se para a França, onde escreveu duas obras fundamentais do romantismo português: "Camões" (1825) e "Dona Branca" (1826). Estas são geralmente consideradas as primeiras obras da literatura romântica em Portugal. Ao retornar brevemente a Portugal em 1826, Almeida Garrett dedicou-se ao jornalismo, fundando e dirigindo o jornal diário "O Portuguêz" (1826-1827) e o semanário "O Cronista" (1827). Em 1828, Garrett foi novamente forçado a deixar Portugal com o retorno do rei tradicionalista D. Miguel. Durante este novo exílio na Inglaterra, publicou "Adozinda" (1828).

Em 1829, Garrett publicou "Lírica de João Mínimo", uma coleção de poesias, e o ensaio "Da Educação". Ambas as obras foram publicadas em Londres, onde Garrett se encontrava exilado devido à retomada do poder absoluto por D. Miguel em Portugal. "Lírica de João Mínimo" é uma compilação de poemas que Garrett escreveu durante seu período arcádico, antes de sua transição para o estilo romântico. Esta obra é dividida em três "livros", com o terceiro precedido por uma introdução intitulada "Notícia do autor desta obra". A "Lírica de João Mínimo" reúne a produção poética da juventude de Garrett, refletindo suas experiências e desenvolvimento literário durante seus anos de formação e início de carreira. "Da Educação" é um tratado que reflete o interesse de Garrett em questões educacionais e sociais. Estas publicações ocorreram durante um período crucial na vida de Garrett, marcado pelo exílio e pela evolução de seu estilo literário do arcadismo para o romantismo. Durante o seu exílio, Almeida Garrett travou conhecimento com importantes escritores que influenciaram significativamente a sua obra: Lord Byron, Walter Scott, Victor Hugo, William Shakespeare… O contacto com estes autores, especialmente durante a sua estadia em Inglaterra e França, moldou profundamente a obra de Garrett. Descobriu Shakespeare e Wa lter Scott enquanto estava em Inglaterra, o que se refletiu na sua produção literária posterior. O conhecimento das obras destes escritores transformou Garrett num autor mais empenhado na educação do povo e contribuiu para o desenvolvimento do Romantismo em Portugal.

"Imaginar é sonhar, dorme e repousa a vida no entretanto; sentir é viver activamente, cansa-a e consome-a."

Em 1830, Garrett publicou o tratado político "Portugal na Balança da Europa", no qual analisava a crise portuguesa e apelava à unidade e moderação e a obra "Elogio Fúnebre de Carlos Infante de Lacerda, Barão de Sabroso" - um folheto publicado em Londres. Além disso, também foi publicada nesse ano a "Carta de Múcio Cévola", um panfleto político onde Garrett usou o pseudónimo Múcio Cévola. Durante este período, Garrett também se dedicou à composição do poema "Magriço", que planeava publicar na Dinamarca.

Em 1831 começou a dirigir o jornal "O Precursor". O jornal foi criado num período em que Garrett estava exilado devido à sua oposição ao regime absolutista em Portugal. Através de "O Precursor", Garrett defendia a união dos liberais em torno de D. Pedro IV, que havia abdicado do trono brasileiro.

Em 1832, participou na expedição liberal comandada por D. Pedro, integrando-se no Batalhão Académico e desembarcando no Mindelo. Durante o cerco do Porto, Garrett escreveu o romance histórico "O Arco de Santana" e colaborou com Mouzinho da Silveira nas reformas administrativas. É importante notar que 1833 foi um ano de transição para Garrett, marcado pelo seu regresso a Portugal após o exílio. Em outubro desse ano, ele desembarcou em Lisboa após a ocupação da cidade pelas tropas liberais em julho.

Em 1834, Garrett foi nomeado cônsul-geral em Bruxelas, onde entrou em contacto com a língua e literatura alemãs, estudando autores como Herder, Schiller e Goethe. Este período em Bruxelas, que durou até 1836, pode ser considerado uma espécie de terceiro exílio, motivado pelo seu crescente desencanto com a política portuguesa. Garrett regressou a Portugal em 1836 e foi encarregado de reorganizar o teatro nacional, sendo nomeado inspetor dos teatros.

"O homem é uma grande e sublime criatura, por mais que digam filósofos."

Almeida Garrett fundou o jornal "O Português Constitucional" em 2 de julho de 1836. Este periódico, do qual Garrett era o principal redator, tinha como objetivo expressar ideias da oposição política. Durante este período, Garrett também participou ativamente na vida política portuguesa. Em 1837, Almeida Garrett teve um ano intenso na política e na vida pessoal. Foi eleito deputado por Braga, tomando posse nas Cortes Constituintes a 25 de janeiro. Redigiu decretos que concederam títulos honoríficos ao Porto e à ilha Terceira. A 1 de março, proferiu o seu primeiro discurso parlamentar, defendendo o setembrismo. Discursou sobre as colónias portuguesas em 31 de março e sobre a legislação de Mouzinho da Silveira em abril. Foi encarregue de redigir o projeto da nova Constituição, sobre o qual discursou extensamente em 24 de abril. Fundou o jornal teatral "O Entreacto" em 17 de maio. Conheceu Adelaide Pastor Deville, com quem passou a viver no Pátio do Pimenta, em Lisboa. Foi relator de uma Mensagem das Cortes em julho e redigiu o Manifesto das Cortes Constituintes à Nação em agosto. Publicou "Da Formação da Segunda Câmara das Cortes" em outubro.

Em 1838, Garrett escreveu "Um Auto de Gil Vicente" para o teatro, marcando o início de uma fase prolífica na sua carreira dramática. Colaborou na redação da comédia "O Camões do Rossio", assinada por Inácio Feijó. Iniciou a escrita de "A Sobrinha do Marquês" e "Inês de Castro".Em 1839, publicou um prospeto do plano geral das suas Obras como apêndice ao jornal O Biógrafo em abril. Lançou o primeiro volume das suas Obras no outono, que consistia na 2ª edição de "Camões".

“O povo nunca se excita fortemente pelo bom do que há de vir, senão pelo mau e insuportável do que é.”

Em 1840, Almeida Garrett publicou a peça de teatro "D. Filipa de Vilhena", uma comédia histórica em três atos que se baseia na figura de D. Filipa de Vilhena, condessa de Atouguia, destacada pelo seu patriotismo na Restauração da Independência de Portugal em 1640. A peça foi representada pela primeira vez no Teatro do Salitre pelos alunos do Conservatório Real. A obra apresenta D. Filipa como uma heroína nacional, que sacrifica os seus sentimentos maternos ao armar os seus filhos cavaleiros e enviá-los para lutar contra a dominação castelhana. No prefácio, Garrett reflete sobre a falta de um repertório dramático nacional e defende a conciliação entre o género clássico e o romântico. Apesar de ter sido encenada em 1840, a peça só foi publicada em formato impresso em 1846, juntamente com outras obras do autor. "D. Filipa de Vilhena" foi uma contribuição importante para o programa de renovação do teatro português liderado por Garrett, alinhado com os ideais culturais e patrióticos da época.

Em 1841, Almeida Garrett viveu um ano de grandes mudanças pessoais e profissionais. No campo profissional, Garrett continuou a sua intensa atividade literária e política. Redigiu os Estatutos do Conservatório Real de Lisboa e publicou duas obras importantes: a tragédia juvenil "Mérope" e "Um Auto de Gil Vicente", esta última acompanhada de um prefácio sobre a história do teatro português.

Almeida Garrett publicou "Discurso do Sr. Deputado por Lisboa J. B. de Almeida Garrett, na discussão da Lei da Décima" em 1841, em Lisboa. Esta publicação reflete o envolvimento de Garrett na vida política portuguesa, especialmente seu papel como deputado

Em 1842, Garrett escreveu "O Alfageme de Santarém ou A espada do condestável", uma peça teatral que continuou o seu projeto de renovação do teatro português.

“O que não respeita os templos, os monumentos (…) é mau amigo da Liberdade, desonra-a, deixa-a em desamparo, entrega-a à irrisão e ao ódio ao povo”

Em 1843, publicou "Frei Luís de Sousa", considerada a sua obra-prima teatral, que um crítico alemão descreveu como "a obra mais brilhante que o teatro romântico produziu". A publicação oficial da obra ocorreu em 1844, acompanhada de notas do autor. O enredo é inspirado na vida do escritor seiscentista Frei Luís de Sousa, cujo nome secular era D. Manuel de Sousa Coutinho. A história desenrola-se no século XVII, tendo como pano de fundo a resistência à dominação filipina em Portugal. A peça é estruturada em três atos e aborda temas como o amor, o patriotismo, a honra e o destino.

Almeida Garrett publicou o "Elogio Histórico do Sócio Barão da Ribeira de Sabrosa" nas Memórias do Conservatório Real de Lisboa, que foram editadas em 1843. Neste ano, Almeida Garrett editou um opúsculo intitulado "Memória Histórica do Conselheiro António Manuel Lopes Vieira de Castro".

Em 6 de maio de 1843, Almeida Garrett proferiu uma memória no Conservatório Real de Lisboa, onde apresentou sua peça "Frei Luís de Sousa". Este evento foi significativo, pois marcou a primeira leitura pública do drama, que seria publicado no ano seguinte. Na sua memória, Garrett discutiu a importância do drama como a expressão literária mais verdadeira da sociedade, refletindo sobre a condição da literatura e do teatro na época. Ele destacou que o drama não apenas representa a sociedade, mas também exerce uma influência poderosa sobre ela, enfatizando a necessidade de uma abordagem mais contida e significativa na arte dramática

Nesse mesmo ano, Garrett começou a publicar "Viagens na Minha Terra" na Revista Universal Lisbonense, uma obra que viria a ser publicada em formato de livro em 1846.

"Almeida Garrett: Entre Viagens e Dramas - A Revolução Literária do Romantismo Português"

Almeida Garrett revolucionou a literatura portuguesa do período romântico com duas obras marcantes: "Viagens na Minha Terra" e "Frei Luís de Sousa". "Viagens na Minha Terra", publicada entre 1843 e 1846, é considerada um marco da moderna prosa portuguesa, misturando diversos estilos e géneros literários, como narrativa de viagens, manifesto político, crónica jornalística e romance. A obra alterna entre uma linguagem erudita e popular, criando um estilo inovador e oralizante que rompe com a tradição clássica. Apresenta dois eixos narrativos principais: o relato da viagem de Lisboa a Santarém com reflexões sobre o Portugal do século XIX e uma história de amor envolvendo Carlos, Joaninha e Frei Dinis"Frei Luís de Sousa", de Almeida Garrett, é uma obra-prima do teatro romântico português, escrita em 1843 e publicada em 1844. Este drama em três atos é baseado livremente na vida de Manuel de Sousa Coutinho, que adotou o nome Frei Luís de Sousa ao ingressar na vida religiosa. A peça aborda temas como o amor, o destino, o patriotismo e a tragédia familiar, tendo como pano de fundo o contexto histórico da resistência ao domínio filipino no século XVII. A história centra-se em D. Madalena de Vilhena, que, após sete anos sem notícias do seu primeiro marido, D. João de Portugal, dado como morto na batalha de Alcácer-Quibir, casa-se com Manuel de Sousa Coutinho. O casal tem uma filha, Maria, cuja pureza e inocência simbolizam a esperança. No entanto, o regresso inesperado de D. João torna o casamento ilegítimo e desencadeia uma série de eventos trágicos. Maria adoece gravemente e morre, enquanto os pais decidem ingressar na vida religiosa, adotando os nomes Frei Luís de Sousa e Soror Madalena.

“ O amor é essencial parte do drama porque o drama é a vida, e o amor essencial parte da vida”

Almeida Garrett reescreveu a Lenda de Gaia em verso popular e publicou-a em 1845 no Jornal das Belas Artes. Três anos depois, em 1848, a lenda foi incluída no primeiro volume do seu Romanceiro. A lenda narra uma história de amor e morte, explorando temas como a ferocidade possessiva masculina e a suposta perversidade feminina. O enredo gira em torno do Rei Ramiro de Leão, que se apaixona por uma princesa moura, raptando-a e convertendo-a ao cristianismo. "O Conselheiro J. B. de Almeida Garrett" é um breve esboço autobiográfico que Garrett publicou em 1844 na revista "Universo Pitoresco". Ainda neste ano, Almeida Garrett redigiu a "Carta sobre a Origem da Língua Portuguesa" . Esta obra é um ensaio literário que aborda a história e as origens da língua portuguesa.

Esta obra enquadra-se num período de crescente interesse pela história e características distintivas do idioma português. Garrett, ao abordar as origens da língua, reconheceu a sua derivação do latim vulgar, trazido pelos romanos durante a ocupação da Península Ibérica. Este latim vulgar, falado pelos soldados, comerciantes e colonos romanos, diferenciava-se do latim clássico usado pelas elites e na literatura.

Em 1845, Almeida Garrett publicou o primeiro volume de "O Arco de Sant'Ana", um romance histórico que se desenrola no Porto medieval do século XIV. O segundo volume viria a lume em 1850, completando assim esta obra notável da literatura portuguesa. A narrativa centra-se nos conflitos políticos e religiosos da época, retratando a luta do povo contra o poder opressivo da Igreja, personificado na figura de um bispo despótico. O protagonista, Vasco, um jovem estudante, envolve-se numa revolta popular contra o bispo da cidade, desencadeando uma série de eventos que formam o cerne da trama. Garrett incorpora elementos típicos do romantismo, como intrigas amorosas e conflitos de poder, criando uma narrativa rica e envolvente. A história gira em torno do sequestro de Aninhas, uma jovem mãe, pelo bispo, e os esforços de Vasco e outros para a resgatar, com o apoio do rei D. Pedro. É importante salientar que, através desta obra ambientada no passado, Garrett tece uma crítica velada à sociedade do seu próprio tempo, nomeadamente à reação cabralista e às tentativas de restauração do poder eclesiástico. O autor utiliza a história medieval como um espelho para refletir e comentar as questões políticas e sociais do século XIX.

"O homem é uma grande e sublime criatura, por mais que digam filósofos."

Também em 1845, publicou "Flores sem fruto". Esta obra é uma coletânea de poesias que reflete a fase romântica do autor, marcada por um lirismo melancólico e introspetivo. Os temas principais giram em torno do amor, da morte e da natureza. "Memória Histórica do Conde de Avilez" é uma obra escrita por Almeida Garrett e publicada pela primeira vez em 1845. Esta obra biográfica foca-se na vida de Jorge de Avillez Juzarte de Sousa Tavares, o primeiro Conde de Avillez. "Falar Verdade a Mentir" é uma comédia em um ato escrita por Almeida Garrett em 1845 e publicada em 1846. A peça, que se desenrola em Lisboa no século XIX, é uma crítica social bem-humorada à sociedade portuguesa da época. A peça é conhecida por seu humor refinado e crítica social aguçada, explorando temas como a mentira, a honestidade e as relações sociais.

"As Profecias do Bandarra" é uma comédia em dois atos escrita por Almeida Garrett em 1845. A peça é baseada nas famosas trovas proféticas de Gonçalo Annes Bandarra, um sapateiro de Trancoso que viveu no século XVI.

"Falar Verdade a Mentir" é uma comédia da autoria de Almeida Garrett, escrita em 1845 e publicada no ano seguinte. A peça desenrola-se na Lisboa oitocentista, retratando o embate entre os interesses de duas famílias burguesas e dos seus criados.

“Se nessa cidade há muito quem troque o B pelo V, há muito pouco quem troque a honra pela infâmia e a liberdade pela servidão”

"Tio Simplício" é uma comédia em um ato escrita por Almeida Garrett. A peça foi publicada pela primeira vez em 1846, juntamente com outras duas obras do autor: "D. Filipa de Vilhena" e "Falar Verdade a Mentir"

"O Noivado no Dafundo", também conhecido como "Cada terra com seu uso, cada roca com seu fuso: provérbio n'um acto", é uma comédia em um ato escrita por Almeida Garrett em 1847 e publicada em 1848. Esta peça satiriza os casamentos de conveniência e o novo-riquismo de certas camadas da sociedade portuguesa de meados do século XIX

"A Sobrinha do Marquês" é uma peça de teatro da autoria de Almeida Garrett, escrita em 1847 e publicada em 1848. Esta obra dramática, em três atos, retrata os eventos finais do reinado de D. José I e a iminente queda do Marquês de Pombal, situando-se no ano de 1777, cerca de 80 anos antes da sua escrita.

"Memória Histórica de J. Xavier Mouzinho da Silveira" é uma obra biográfica escrita por Almeida Garrett e publicada em 1849. A obra é um ensaio biográfico sobre José Xavier Mouzinho da Silveira, um importante estadista e reformador português do século XIX. Ele foi uma figura central na Revolução Liberal de 1820 e responsável por importantes reformas legislativas e administrativas que moldaram as instituições portuguesas após a Carta Constitucional.

O homem é uma grande e sublime criatura, por mais que digam filósofos."

Em 1850, publicou o segundo volume de "O Arco de Sant'Ana", concluindo assim este romance histórico. Em 1851, Almeida Garrett publicou os volumes 2 e 3 do livro 2 do "Romanceiro", que faziam parte do seu projeto mais amplo inicialmente intitulado "Romanceiro e Cancioneiro Geral". Em 1852 foi eleito novamente deputado e, por um curto período ocupou o cargo de Ministro dos Negócios Estrangeiros.

Em 1853 publicou "Folhas Caídas", uma das suas obras poéticas mais importantes, onde se liberta de convenções literárias e abraça um discurso mais fluido e espontâneo. A coletânea foi inicialmente publicada sob anonimato, possivelmente porque Garrett temia o escândalo devido à revelação de amores ilícitos. Muitos estudiosos acreditam que a obra foi escrita como uma expressão do amor de Garrett por Rosa Montufar, a Viscondessa da Luz. A obra representa o estado de alma do poeta nas suas variadas e vacilantes oscilações do espírito."Fábulas; Folhas cahidas" é uma obra significativa de Almeida Garrett, publicada em 1853 pela Imprensa Nacional em Lisboa. Esta segunda edição faz parte da coleção "Obras do V. de Almeida Garrett", sendo o volume 17 da série "Versos".

"Camões", poema de Almeida Garrett, teve sua 4ª edição revista publicada em 1854 no Porto, incluindo um estudo de Camilo Castelo Branco.Em 9 de dezembro de 1854, faleceu Almeida Garrett.

Almeida Garrett (1799-1854) foi uma figura fundamental do Romantismo português, deixando um legado incontornável na literatura e cultura do seu país. Poeta, romancista, dramaturgo e político, Garrett destacou-se pela versatilidade e inovação da sua obra. Iniciador do movimento romântico em Portugal com o poema "Camões" (1825), Garrett revolucionou o panorama literário nacional com obras como "Viagens na Minha Terra" (1846) e "Frei Luís de Sousa" (1843). A sua última publicação, "Folhas Caídas" (1853), é considerada o auge da sua poesia lírica. Além da sua produção literária, Garrett contribuiu significativamente para a renovação do teatro português e para a preservação do património cultural, nomeadamente através do seu trabalho no "Romanceiro". A obra de Garrett, caracterizada pela fusão de elementos clássicos e populares, pelo patriotismo e pela inovação estilística, continua a influenciar a literatura portuguesa até aos dias de hoje, cimentando o seu lugar como um dos maiores escritores portugueses de todos os tempos.