Want to create interactive content? It’s easy in Genially!

Reuse this genially

Vitorino Nemésio

Helena Borralho

Created on December 26, 2024

Biografia

Start designing with a free template

Discover more than 1500 professional designs like these:

Higher Education Presentation

Psychedelic Presentation

Harmony Higher Education Thesis

Vaporwave presentation

Geniaflix Presentation

Vintage Mosaic Presentation

Modern Zen Presentation

Transcript

“Sou ilhéu; e, tanto ou mais do que a ilha, o ilhéu define-se por um rodeio de mar por todos os lados. Vivemos de peixe, da hora da maré e a ver navios…”, disse o poeta açoriano Vitorino Nemésio

Vitorino Nemésio

1901 - 1978

"Vitorino Nemésio: O Poeta das Letras Açorianas"

"Os mortos, na verdade, são umas pessoas completas" é uma frase emblemática de Vitorino Nemésio

Vitorino Nemésio Mendes Pinheiro da Silva era filho único de Vitorino da Silva e de D. Maria da Glória Pinheiro. Nasceu rodeado de mar, numa casa da Rua da Cadeia, na Praia da Vitória, ilha Terceira. Era o dia 19 de dezembro de 1901. Vitorino Nemésio era descendente, tanto do lado paterno como materno, de famílias radicadas nos Açores desde o século XVI. Entre os seus antepassados contam-se representantes da mais velha fidalguia terceirense, a começar pelo primeiro donatário da Praia e fundador de Angra, Álvares Martins Homem. Simultaneamente contam-se também origens bem mais plebeias: o avô era marceneiro e o pai era um pequeno comerciante e um amador musical, a quem, aliás, Nemésio nunca deixou de render o mais enternecido culto. Deste modo prefiguram-se na sua ascendência quanto há de aristocrático e quanto há de popular em toda a consumada arte de escrever, em toda a espontânea «arte de ser», do incomparável humanista que foi o grande poeta e prosador Vitorino Nemésio.Vitorino Nemésio teve uma infância marcada por dificuldades escolares. Ele enfrentou desafios significativos em sua trajetória educacional. Expulso do Liceu de Angra e reprovado no 5.º ano, sentiu-se incompreendido pelos professores, exceto por Manuel António Ferreira Deusdado, seu professor de História, que o incentivou a se interessar pelas Letras.

"Quando eu morrer, mandem embora os lírios: / Vou nu, não quero que me vejam." extraído do poema "Outro Testamento"

Após uma infância marcada por dificuldades escolares, Vitorino Nemésio desembarcou pela primeira vez na cidade da Horta, na ilha do Faial, em maio de 1918, com apenas 16 anos. O seu objetivo era apresentar-se a exames como aluno externo no Liceu Nacional da Horta, na esperança de concluir o Curso Geral dos Liceus. A sua estadia na Horta foi curta, estendendo-se de maio a agosto de 1918. Durante esse período, Nemésio conseguiu concluir o curso a 16 de julho, obtendo a qualificação de dez valores, com o apoio de alguns professores que reconheceram o seu talento. Curiosamente, um ano antes da sua chegada à Horta, enviara um exemplar do seu primeiro livro de poesia, "Canto Matinal", publicado em 1916, ao diretor do jornal O Telégrafo, Manuel Emídio. Durante sua estadia, Nemésio conheceu pessoas que mais tarde mencionaria em sua obra "Mau Tempo no Canal".

Em 1919, Vitorino Nemésio alistou-se como voluntário no serviço militar na arma de Infantaria, o que lhe proporcionou a primeira oportunidade de viajar para fora dos Açores. Após concluir o liceu em Coimbra em 1921, Nemésio inscreveu-se na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. No entanto, três anos depois, em 1924, abandonou o curso de Direito e matriculou-se na Faculdade de Letras, optando pelo curso de Ciências Histórico-Filosóficas.Em 1925, Nemésio decidiu mudar novamente de curso, matriculando-se em Filologia Românica na Faculdade de Letras. Foi neste mesmo ano que surgiu o jornal "Humanidade", um quinzenário de estudantes de Coimbra, do qual Nemésio foi o redator principal. Durante os seus anos em Coimbra, Nemésio destacou-se não apenas pelo seu desempenho académico, mas também pela sua intensa vida cultural e social. Envolveu-se em várias atividades literárias e políticas, estabelecendo contactos com outros intelectuais da época.

"O poema em que te busco é a minha rede, / Bem mais de borboletas que de peixes." do poema "O Poema em que te Busco é a Minha Rede"

Em 1923, Vitorino Nemésio realizou sua primeira viagem à Espanha como parte do Orfeão Académico. Durante essa viagem, teve a oportunidade de conhecer Miguel de Unamuno, uma figura proeminente da literatura e filosofia espanhola. Unamuno e Nemésio mantiveram uma correspondência ao longo dos anos, como evidenciado pela existência de cartas no epistolário de Unamuno publicado pela Gulbenkian. Esta troca de correspondência foi importante para o desenvolvimento intelectual de Nemésio e para o fortalecimento dos laços culturais entre Portugal e Espanha.

Leyendo, y con que deleite! su Varanda de Pilatos, me he dado cuenta de por qué gusta usted de mis Recuerdos de Niñez y de Mocedad. Nos hermanamos en guardar la infancia a flor de alma. Y ella es el más limpio y el más lleno manantial de poesía. Y la de usted se brizó en una isla, y en una isla anteriana, en Brumolandia. Carta de Unamuno, 9 Maio 1929

A conexão intelectual entre Vitorino Nemésio e Miguel de Unamuno teve de fato um impacto significativo no pensamento e na obra de Nemésio. Unamuno forneceu a Nemésio não apenas a sugestão do termo "açorianidade" (inspirado em "hispanidad"), mas também uma partilha da experiência insular, como evidenciado pela correspondência entre eles. Nemésio via Unamuno como um ideal a ser alcançado, admirando sua presença corporal no primeiro plano de suas páginas.

"Seja a terra da Terceira / A minha coberta de alma" é um verso famoso do poema "Já Velho e Doente" de Vitorino Nemésio.

A 12 de fevereiro de 1926, Vitorino Nemésio, casou-se com Gabriela Monjardino de Azevedo Gomes na Igreja de Santa Maria de Celas, em Coimbra, com quem teve quatro filhos: Georgina (novembro de 1926), Jorge (abril de 1929), Manuel (julho de 1930) e Ana Paula (dezembro de 1931).Em 1930 transferiu-se para a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa onde, no ano seguinte, concluiu o curso de Filologia Românica, com elevadas classificações, começando desde logo a lecionar literatura italiana. A partir de 1931 deu início à carreira académica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde lecionou Literatura Italiana e, mais tarde, Literatura Espanhola. Em 1934 doutorou-se em Letras pela Universidade de Lisboa com a tese A Mocidade de Herculano até à Volta do Exílio.

Após a sua formação, foi convidado a lecionar na Vrije Universiteit Brussel (Universidade Livre de Bruxelas), onde esteve entre 1937 e 1939, antes do início da Segunda Guerra Mundial. Após o seu regresso a Portugal, retomou a sua carreira académica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde lecionou Literatura Italiana e Espanhola durante quase quatro décadas, até à sua jubilação em 1971.

Em 1926, fundou e dirigiu com Paulo Quintela, Cal Brandão e Sílvio Lima, o jornal "Gente Nova" (jornal republicano académico) e a partir de 1928 passou a colaborar na revista "Seara Nova".

"Quando penso no mar, o mar regressa / A certa forma que só teve em mim" é uma citação do poema "Correspondência ao Mar" de Vitorino Nemésio, publicado em sua obra "O Bicho Harmonioso"

Entre 1920 e 1940, Vitorino Nemésio publicou várias obras poéticas: "A Fala das Quatro Flores" (1920), "Nave Etérea" (1922) "La Voyelle Promise" (1935) "O Bicho Harmonioso" (1938) "Eu, Comovido a Oeste" (1940). "O Bicho Harmonioso", publicado em 1938, é considerado uma obra particularmente importante deste período. David Mourão-Ferreira, um dos críticos mais atentos à obra de Vitorino Nemésio, destaca a dificuldade em traçar um perfil preciso do autor devido à sua complexidade e versatilidade. Ele afirma: "A dificuldade do retrato não deriva apenas da diversidade, da complexidade e da acumulação de imagens do retratado: deriva também da força íntima de cada uma delas, da exuberância do talento (porque não genialidade?) com que se têm afirmado, em Vitorino Nemésio, o poeta e o professor, o ficcionista e o crítico, o cronista, o biógrafo, o historiador e o filósofo da cultura" (A citação de David Mourão-Ferreira sobre Vitorino Nemésio é extraída do livro "O Essencial sobre Vitorino Nemésio", publicado em 1987 pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda.)

"A tempo entrei no tempo, / Sem tempo dele sairei: / Homem moderno, / Antigo serei." é uma estrofe do poema "A Tempo" de Vitorino Nemésio, publicado na obra 'O Verbo e a Morte'

Em 1944, foi editada a primeira edição de O Mau Tempo no Canal, um romance de Vitorino Nemésio que se tornou uma obra significativa da literatura portuguesa. No ano seguinte, em 1945, a obra recebeu o Prémio Ricardo Malheiros da Academia das Ciências de Lisboa, destacando sua relevância e qualidade literária. O romance explora as complexas relações sociais e emocionais em um contexto açoriano, refletindo sobre temas como amor e rivalidade familiar.Em 1946, Vitorino Nemésio tornou-se colaborador regular do jornal Diário Popular, onde escreveu uma seção intitulada "Leitura Semanal". Essa coluna abordava temas literários e culturais, permitindo que Nemésio se conectasse com um público amplo, contribuindo para a disseminação da literatura e do conhecimento em um período em que o acesso à cultura era limitado para muitos portugueses.

Em 1947, Vitorino Nemésio colaborou na revista Vértice, publicando o texto "Arquipélago dos Picapaus" no volume IV, número 52, correspondente aos meses de Novembro-Dezembro

Em 1952, Vitorino Nemésio viajou pela primeira vez para o Brasil, um destino que se tornaria frequente em sua vida. Entre 1956 e 1958, foi diretor da Faculdade de Letras de Lisboa, onde teve um papel importante no desenvolvimento académico da instituição. A partir de 1958, começou a lecionar no Brasil, passando por estados como a Baía e o Ceará. Essas experiências enriqueceram a sua obra literária, permitindo-lhe explorar e valorizar as tradições culturais e populares brasileiras.

"Direi, pela noite, não ódio que tivesse, nem detestar vida corpórea e ninhos de manhã, mas meu alto cansaço, a tristeza de lá onde se sente o aqui traído, a falsa entranha." do poema "Requiescat"

Em 1960, Vitorino Nemésio participou na reforma dos planos de estudos das Faculdades de Letras, um projeto significativo para a modernização do ensino superior em Portugal. Nesse mesmo ano, viajou para África para lecionar em cursos de extensão universitária em Luanda e Lourenço Marques. Em 1965, foi distinguido com o título de doutor honoris causa pela Universidade Paul Valery de Montpellier e recebeu o Prémio Nacional de Literatura pelo conjunto da sua obra, reconhecendo a sua contribuição notável à literatura portuguesa.

Em 1969, Vitorino Nemésio começou uma colaboração regular na RTP, apresentando o programa "Se bem me lembro", que se tornou um marco na comunicação audiovisual em Portugal.

Em 1970, Vitorino Nemésio inaugurou as comemorações do centenário da Geração de 70 no Centro Cultural Português de Paris. Como parte dessas celebrações, realizou-se um ciclo de cinco conferências, onde participaram destacados intelectuais, incluindo Nemésio, os professores Eduardo Lourenço, Jean Girodon, Albert Silbert e António Coimbra.

Em 1971, Vitorino Nemésio começou a colaborar regularmente na revista "Observador". No mesmo ano, a 12 de dezembro, proferiu a sua "Última Lição" na Faculdade de Letras de Lisboa, onde lecionou durante quase quarenta anos. Este evento marcou o fim de uma longa e influente carreira académica, consolidando o seu legado como um dos principais intelectuais da literatura portuguesa.

Não me proíbam que seja o imaginário amoroso, Nem me venham prender À sua própria cama." (do poema "Disposições de Última Vontade")

Em 1974, Vitorino Nemésio recebeu o Prémio Montaigne da Fundação Freiherr von Stein/Friedrich von Schiller, de Hamburgo, um reconhecimento significativo pela sua contribuição à literatura. Nesse mesmo ano, a editora Bertrand lançou a primeira coletânea de estudos sobre a obra de Vitorino Nemésio, intitulada "Críticas sobre Vitorino Nemésio". Esta coletânea foi uma contribuição significativa para a análise crítica da sua obra, reunindo diversos ensaios e reflexões que ajudam a compreender a importância do autor na literatura portuguesa.No ano seguinte, em 1975, colaborou na homenagem ao Professor Aurélio Quintanilha, dedicando-lhe a obra "Limite de Idade", que reflete sobre temas como o envelhecimento e a passagem do tempo. No mesmo ano, em 11 de dezembro, assumiu a direção do jornal O Dia, uma posição que lhe permitiu influenciar o panorama jornalístico da época

Vitorino Nemésio faleceu a 20 de fevereiro de 1978, no Hospital da CUF, em Lisboa, aos 76 anos. Após uma vida dedicada à literatura e ao ensino, ele expressou o desejo de ser sepultado em Coimbra, uma cidade que teve um papel fundamental na sua formação académica e cultural. e que os sinos tocassem o "Aleluia" em vez do tradicional dobre a finados.

""Toda a vida estudei de tudo e o mais que podia para o que desse e viesse. Não me preparava dia a dia para amanhã e depois ou racionando, como a formiga, do verão propício ao inverno rigoroso. Mas talvez não fosse apenas leviano, como a cigarra, pois tive de dançar no inverno e cantei sempre" citação extraída da obra A Mocidade de Herculano, escrita por Vitorino Nemésio.

"A tempo entrei no tempo, / Sem tempo dele sairei: / Homem moderno, / Antigo serei." é um poema de Vitorino Nemésio, extraído da obra "O Verbo e a Morte"

As comemorações do centenário de Vitorino Nemésio, que ocorreram em 2001, incluíram uma variedade de atividades e eventos significativos para celebrar a vida e a obra deste importante autor português. Aqui estão algumas das principais iniciativas realizadas:

A exposição "Rotação da Memória" foi uma importante iniciativa organizada pela Biblioteca Nacional de Portugal em 2001, em celebração do centenário do nascimento de Vitorino Nemésio, um dos mais destacados poetas e escritores portugueses do século XX. A exposição foi organizada em quatro núcleos: Formação e Carreira, Viagens, Criação Literária e Ensaio. Ela apresentou documentos inéditos, manuscritos e outros materiais do espólio de Nemésio, adquirido pela Biblioteca Nacional

O programa "Entre Nós: recordar Vitorino Nemésio" é uma produção da Universidade Aberta, realizado por Luís Armando Vaz e com a colaboração da tecnóloga Fernanda Vilas. Transmitido em 2001, o programa faz parte das comemorações do centenário do nascimento de Vitorino Nemésio, um dos grandes escritores e poetas do século XX em Portugal.

A Revista Armada, em sua edição de janeiro de 2002, dedicou um número especial a essa celebração, refletindo sobre a influência de Nemésio e sua conexão com os Açores.

"Quando penso no mar, o mar regressa / A certa forma que só teve em mim" extraída do poema "Correspondência ao Mar"

Vitorino Nemésio,deixou-nos um legado literário rico e diversificado, do qual se destacam os poemas:

O "A caminho do Corvo", dito por Vasco Pereira da Costa, evoca a jornada para a ilha do Corvo, a mais pequena e remota do arquipélago dos Açores. Um verso particularmente marcante deste poema é "da espuma do mar sai gente e amor também", que captura a essência da ligação profunda entre o povo açoriano, o mar e a sua terra.

"Décima de Sílvio e Silvana" Este poema, estruturado na forma tradicional da décima, faz parte de uma coleção de obras de Nemésio que foram gravadas e preservadas para a posteridade. Embora não tenhamos informações específicas sobre a interpretação de Manuel Freire, sabemos que a décima é uma forma poética que se presta bem à musicalização.

"A Poesia Dita." é um podcast dedicado à poesia portuguesa, incluindo obras de Vitorino Nemésio. Este projeto apresenta leituras de poemas de autores publicados pela Imprensa Nacional. Estes poemas fazem parte da coleção "Obra Completa de Vitorino Nemésio", uma parceria entre a Imprensa Nacional e a Companhia das Ilhas

O Estúdio Raposa é um audioblogue criado por Luís Gaspar que apresenta leituras de poesia, incluindo obras de Vitorino Nemésio.

"Eu, ali, uma coisa imaginada / Que o Eterno pica, / Vou na onda, de tempo carregada" extraída do poema "Correspondência ao Mar",

O pão e a culpa (1955)

Festa Redonda (1950)

Nem Toda a Noite a Vida (1953)

A Fala das Quatro Flores (1920)

O Verbo e a Morte (1959)

Canto de Véspera (1966)

"Agora sinto-me bem; Os mortos, na verdade, são umas pessoas completas." frase, extraída do poema "Disposições de Última Vontade"

Sapateia Açoriana (1976)

Obras Completas, Vol. II

Caderno de Caligraphia e Outros Poemas a Marga