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Biografia de Maria Ondina Braga

Helena Borralho

Created on December 18, 2024

Biografia

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Transcript

"Eu vim para ver a terra. Eu toda livre de compromissos, quer apostólicos quer políticos, e assim de qualquer miragem materialista, qualquer fim, qualquer fixação — alguém porventura melhor que eu para afirmar por escrito, e com letras maiúsculas, como vale a pena vir a África para ver a terra?" extraída da obra "Passagem do Cabo" publicada em 1994

Maria Ondina Braga

1922 - 2003

"A Mulher que Viajava: A Vida e a Obra de Maria Ondina Braga"

"Sempre achei valer a pena observar as pessoas, imaginar-lhes vidas, fixá-las na memória, ignorando-as. Sempre achei não valer a pena mais nada."

Maria Ondina Braga nasceu em Braga, Portugal, no dia 13 de janeiro de 1922. A sua casa natal, situada na Avenida Central de Braga, permaneceu na posse da família ao longo dos anos. A escritora cresceu num ambiente familiar que teve uma influência significativa na sua vida e obra, com uma mãe que contava histórias e um pai que faleceu quando ela era jovem. Após a morte do pai, o seu tio, Luiz Soares Barbosa, assumiu a responsabilidade pela educação de Maria Ondina e dos seus irmãos. Este ambiente familiar, rico em cultura e conhecimento, moldou a sua formação e o seu amor pela literatura. A solidão tornou-se um tema recorrente na vida e obra de Maria Ondina Braga, refletindo-se nas suas experiências de viagem e na busca pela identidade. A escritora optou por uma vida dedicada à escrita e à exploração do mundo, nunca se casando nem tendo filhos. Maria Ondina Braga destacou-se como uma viajante incansável, professora e tradutora. A sua obra literária, escrita em português de Portugal, é vasta e multifacetada, incluindo contos, poesia, romances, crónicas e memórias. A sua escrita é caracterizada por um estilo intimista e subtil, frequentemente explorando temas como a solidão, a busca pela identidade e o confronto com o "Outro".

"Angola – quão diferente que era! Lá a vida estava a começar. Ares claros, ardentes, audaciosos. Chão de lume, terra moça, abandonada, primitiva. Era a Vénus de Milo. Era “Le Baiser de Rodin”. Só vida, só beleza, só vigor – “As palmas das palmeiras” na ilha de Mussulo; os segredos do mato; as noites de luar e de chuva copiosa qual rio que, tendo a sua fonte no céu, desabasse perfumado e morno." (Eu Vim para Ver a Terra, 1965

Eu teimo na minha terra: as ruas de Braga, cada esquina, cada pedra... Ando por lá peregrinando."

Maria Ondina Braga, nascida em Braga em 1922, iniciou a sua carreira literária com dois livros de poesia: "O Meu Sentir" em 1949 e "Almas e Rimas" em 1952, ambos publicados como edições de autor. No entanto, a escritora decidiu posteriormente retirar estas obras daquela que considerava ser a sua obra oficial.Após estas incursões iniciais na poesia, Braga voltou-se principalmente para a prosa, género pelo qual viria a ser mais reconhecida. Esta mudança marcou um ponto de viragem significativo na sua carreira literária, levando-a a concentrar-se em géneros como contos, romances, crónicas e memórias. A decisão de afastar-se da poesia e dedicar-se à prosa revelou-se frutífera, permitindo a Braga desenvolver um estilo único, caracterizado por uma escrita intimista e fortemente influenciada pelas suas experiências de viagem. A sua obra em prosa explorou temas como a solidão, a migração e o encontro entre culturas, refletindo as suas vivências em diversos países e continentes.

Entre 1956 e 1965, Maria Ondina Braga viveu um período significativo de sua vida, marcado por viagens e experiências que influenciaram sua obra literária. Em 1956, Maria Ondina Braga parte para o Reino Unido com o objetivo de aperfeiçoar seu inglês. Trabalha como "au pair" na casa do Dr. Chalmers, em Worcester, e acompanha a família em férias em Inverness, Escócia. Em 1958, conclui o curso de Língua Inglesa na Royal Society of Arts em Londres. Em seguida, muda-se para Paris, onde frequenta a Alliance Française e trabalha como precetora de crianças na casa da família Ballet, em Bièvre, Versailles. Após um ano em Paris, Braga retorna a Portugal em 1959. Em 1960, em busca de novas oportunidades, parte para Angola, onde leciona português e inglês em Luanda. Em 1961, trabalha na Missão de Caranzalém em Goa, mas a invasão do território pelas tropas indianas leva-a a buscar refúgio em Macau. Durante sua estadia em Macau, ela lecionou no Colégio de Santa Rosa de Lima, onde ensinou tanto Português quanto Inglês. Além de suas atividades docentes, Maria Ondina também viajou extensivamente. Ela fez uma viagem notável de Hong Kong até a Somália Francesa e Jibuti, passando pela Índia e também visitou o Cairo, no Egito.

"Essa exigência demasiada de si própria... optei por dispensar tudo, mormente os bens materiais, pela recompensa que venho recebendo da solidão."

Em 1964, Maria Ondina decidiu abandonar Macau e retornar a Portugal, estabelecendo-se em Lisboa. Após o seu regresso, ela dedicou-se à tradução de obras de autores como Graham Greene, Pearl Buck, Anaïs Nin, John le Carré, Yukio Mishima e Herman Wouk. Em 1965, publicou o livro "Eu vim para ver a terra," uma coletânea de crónicas que reúne as suas experiências e reflexões sobre as suas viagens por Angola, Goa e Macau. Esta obra foi lançada pela Agência Geral do Ultramar e destaca-se pela sua abordagem autobiográfica e pela profundidade das suas observações sobre os lugares que visitou. Em 1966, publica "A China Fica ao Lado," uma coleção de contos que lhe confere reconhecimento e que ganha o Prémio do Concurso de Manuscritos do SNI. Esta obra explora temas relacionados com a cultura chinesa e as suas experiências em Macau."Estátua de Sal" é um romance de Maria Ondina Braga, publicado pela primeira vez em 1969. Considerado uma autobiografia romanceada, a obra narra as vivências da autora em Macau, explorando temas como a busca por identidade, as relações interpessoais e a experiência do deslocamento cultural. "Amor e Morte" é um volume de contos de Maria Ondina Braga, publicado em 1970. Esta obra é significativa na sua carreira literária, tendo recebido o Prémio Ricardo Malheiros da Academia das Ciências de Lisboa em 1979.

«Casada com um sujeito abastado, Áurea nunca mais ninguém a vira, o marido prendendo-a em casa tal se prendesse um pássaro na gaiola. [...]

"Os Rostos de Jano" é uma obra publicada em 1973, que consiste numa coleção de novelas (Em «Os Rostos de Jano» surgem mais seis novelas cujos títulos são o fiel espelho da sua narrativa cirúrgica: ‘O Recolhimento’, ‘A Visita’, ‘Marília’, ‘A Fuga’, ‘O Irmão’, ‘O Retrato’.). Este livro explora diferentes facetas da condição humana, utilizando a figura mitológica de Jano, o deus romano das portas e dos começos, como uma metáfora para as múltiplas identidades e experiências que os personagens vivenciam.

"A Revolta das Palavras" é uma obra de contos publicada em 1975. Este livro é significativo na sua produção literária, refletindo a sua abordagem intimista e psicológica em relação às experiências humanas, especialmente no que diz respeito à condição feminina. "A Personagem", publicado em 1978 é um romance que aprofunda questões de identidade feminina. A obra explora a vida de uma mulher que enfrenta os desafios impostos por uma sociedade patriarcal e tradicional, refletindo sobre a sua busca por autonomia e reconhecimento. No livro "Mulheres Escritoras," publicado em 1980, a escritora apresenta biografias breves de várias autoras que contribuíram significativamente para a literatura. "Mulheres Escritoras" é considerada um projeto pioneiro na escrita biográfica no feminino, contribuindo para a valorização da literatura escrita por mulheres. Através de suas biografias, Maria Ondina Braga promove uma maior visibilidade para essas autoras, ajudando a resgatar suas histórias e legados. Ainda em 1980, publica "Estação Morta", uma coleção de contos pela editora Vega.

“Sempre achei valer a pena observar as pessoas...”

“Saudades não guardo, e a solidão em que agora vivo comparo-a a uma casa por alguém varrida de cima a baixo, queimadas todas as recordações, destruídas todas as memórias, a qual resultasse em algo desolado e vazio como um celeiro na Primavera”.

Em 1982, Maria Ondina Braga regressou ao Oriente como professora convidada no Instituto de Línguas Estrangeiras de Pequim, onde lecionou português. Durante esta estadia, redigiu as crónicas que posteriormente seriam compiladas no livro "Angústia em Pequim", publicado em 1984. "O Homem da Ilha e Outros Contos" é uma coletânea de contos publicada pela editora Ática em 1982 e inclui uma variedade de contos que refletem a sensibilidade e a complexidade das relações humanas. Em 1983, a autora publicou a novela "A Casa Suspensa" pela editora Relógio d'Água. Além disso, foi a escritora convidada da primeira sessão de "Um escritor apresenta-se", organizada por Henrique Barreto Nunes e pela Biblioteca Pública de Braga, que decorreu no Museu Nogueira da Silva em abril de 1983.

""A Casa Suspensa" é uma novela de Maria Ondina Braga, publicada em 1983 pela editora Relógio d'Água. A autora foi convidada para a primeira sessão de "Um escritor apresenta-se", organizada por Henrique Barreto Nunes e pela Biblioteca Pública de Braga, que ocorreu no Museu Nogueira da Silva em abril do mesmo ano. A obra destaca-se pela sua exploração da solidão, memória e identidade, refletindo as experiências da autora e a sua profunda ligação com a casa que simboliza tanto um espaço físico quanto emocional. "Lua de Sangue" é uma coletânea de contos publicada em 1986. A autora, reconhecida na literatura portuguesa contemporânea, é também conferencista convidada nas Universidades de Hamburgo, Kiel e Colónia, na Alemanha. A obra reflete seu estilo característico, que combina experiências pessoais com uma profunda sensibilidade literária, explorando temas como a solidão e a memória. Nesse mesmo ano, foi conferencista convidada nas universidades de Hamburgo, Kiel e Colónia, na Alemanha.

"Eu teimo na minha terra: as ruas de Braga, cada esquina, cada pedra, quase um a um, vou transpondo os passeios estreitos das ruas velhas..."

Em 1988, a autora participou com a intervenção "Uma descoberta e um descanso" no evento "Bibliotecas: Memórias e mais dizeres", organizado por Henrique Barreto Nunes na Biblioteca Pública de Braga. No ano seguinte, em 1989, Maria Ondina Braga foi novamente conferencista convidada, desta vez nas universidades de Grenoble e Clermont-Ferrand, em França. Em 1990, escreveu o argumento do filme "A Lição de Inglês", dirigido por Vítor Silva. Durante esse ano, fez também a sua última viagem a Macau, entre 13 de fevereiro e 3 de março. "Nocturno em Macau" é um romance de publicado em 1991, que se passa na década de 1960, na casa-das-professoras de um colégio de meninas em Macau, referenciado como a Cidade do Santo Nome de Deus. A obra foi premiada com o Prémio Eça de Queirós em 1992. O romance aborda temas como a interculturalidade, a solidão e as complexidades das relações entre portugueses e chineses em Macau. A experiência da autora como professora na região confere à narrativa uma forte marca autobiográfica. "Nocturno em Macau" é considerado um dos melhores romances sobre a temática de Macau e oferece uma visão crítica sobre as relações culturais e sociais no contexto colonial. Além disso, publicou "A China Fica ao Lado", uma edição bilingue (português/chinês) pelo Instituto Cultural de Macau."A Rosa de Jericó" é uma coletânea de contos de Maria Ondina Braga, publicada em 1992 pela Editorial Caminho. Esta obra é notável por abordar questões sociais e culturais, frequentemente com uma abordagem crítica e poética. O conto que dá título à coletânea é especialmente significativo, pois trata de preconceitos que escravizam as mulheres, como a tradição dos pés de lótus na cultura chinesa, e aborda também a temática do aborto, confrontando o leitor com a dureza da realidade. Em 1993, Maria Ondina Braga realizou uma viagem à Guiné-Bissau, uma experiência que pode ter influenciado a sua escrita e as suas reflexões sobre culturas e realidades distintas. Essa viagem é parte de um percurso mais amplo da autora, que ao longo da sua vida viajou por vários continentes, incluindo África, Ásia e Europa, sempre com um olhar atento às diferentes culturas e modos de vida.

“Escrevo porque esse mundo que analisei, que vivi, revolucionou-me de tal modo a alma que tinha de o contar. Escrevo porque a experiência que recolhi do mundo transporta-me para a pena”.

Em 1994, Maria Ondina Braga recebeu a medalha de ouro da cidade de Braga, um reconhecimento significativo pela sua contribuição à literatura. Nesse mesmo ano, publicou "Passagem do Cabo", uma obra de literatura de viagens editada pela Caminho. Este livro reescreve várias crónicas que a autora havia coletado quase trinta anos antes no volume "Eu Vim para Ver a Terra" (1965), refletindo sobre as suas experiências e observações durante as suas viagens. A obra aborda temas como a busca de identidade, a interculturalidade e a reflexão sobre o passado colonial português. Maria Ondina Braga utiliza a viagem como um meio para explorar não apenas os lugares que visita, mas também as suas próprias emoções e memórias. No ano seguinte, em 1995, lançou "A Filha do Juramento", uma coletânea de contos publicada pela Editora Autores de Braga. Em 1998, publicou "Vidas Vencidas", uma biografia ficcionada que explora temas de identidade e memória, também pela Caminho. Em 2000, Maria Ondina Braga lançou "Quando o Claustro é Sem Ninguém", publicado pela Fundação Bracara Augusta. A obra "Vidas Vencidas" foi reconhecida com o Grande Prémio de Literatura ITF em 2000, destacando ainda mais a relevância da autora na literatura portuguesa contemporânea.

O Volume I das Obras Completas de Maria Ondina Braga, intitulado "Autobiografias Ficcionais", foi publicado em 2022 pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda (IN-CM)15. Este volume reúne três obras da autora: "Estátua de Sal", "Passagem do Cabo" e "Vidas Vencidas".

"Saudades não guardo, e a solidão em que agora vivo comparo-a a uma casa por alguém varrida de cima a baixo, queimadas todas as recordações."

"Maria Ondina Braga: Ecos de uma Narrativa Singular"

Colaborou em diversos jornais como Diário de Notícias, Diário Popular e A Capital, e em revistas como Panorama, Mulher, Ação e Colóquio/Letras. Numa entrevista concedida à jornalista e escritora Maria Teresa Horta, publicada no Diário de Notícias em abril de 1992, Maria Ondina Braga expressou de forma eloquente a sua devoção à escrita: "Penso que a única coisa que me deu gosto na vida, o que na verdade me interessou, foi escrever

"Descobrir o Minho com Maria Ondina Braga" é um roteiro turístico e cultural que convida os leitores a explorar a região do Minho através do olhar único da escritora portuguesa. Este roteiro não é apenas um guia de viagem, mas uma forma de ler o mundo através das experiências e da escrita de Maria Ondina Braga.