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Biografia de José Ary dos Santos
Helena Borralho
Created on December 13, 2024
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Transcript
"Serei tudo o que disserem: Poeta castrado não!" verso emblemático do poema "Poeta Castrado Não!" de José Carlos Ary dos Santos
José Carlos Ary dos Santos
1936-1984
Biografia
"Quem faz um filho fá-lo por gosto" de Ary dos Santos. Este verso da canção "Desfolhada" causou grande polémica ao desafiar a moral conservadora da época.
José Carlos Pereira Ary dos Santos, nascido em Lisboa em 7 de dezembro de 1936, tornou-se uma figura proeminente na poesia e música portuguesa do século XX. Ele ficou conhecido do grande público não apenas como um talentoso poeta, mas também como um inovador na música ligeira portuguesa. Ary dos Santos considerava seus poemas como uma forma de comunicação direta com o povo. Ele acreditava que a poesia era um meio de "falar ao povo", utilizando uma linguagem que combinava elementos populares e eruditos Esta abordagem permitiu-lhe criar obras que ressoavam profundamente com o público, tornando-o um dos poetas mais queridos de sua geração.Iniciou a sua instrução no Colégio Infante Sagres mas, tendo sido expulso por mau comportamento, passou para o Instituto Nuno Álvares, um colégio interno em Santo Tirso. Mais tarde regressou aos estudos em Lisboa, no Colégio São João de Brito, no Lumiar. Apesar de não ter terminado nenhum curso superior frequentou as faculdades de Direito e de Letras de Lisoa.
"Tu que dormes à noite na calçada do relento numa cama de chuva com lençóis feitos de vento" extraída do poema "Quando um Homem Quiser"
Dizer poesia
"Ser operário é apenas saber dar mais um pouco de nós ao que nós fomos" extraída do poema "A Fábrica"
Ary dos Santos demonstrou desde cedo um talento para a poesia. Aos 14 anos, em 1953, a sua família publicou o seu primeiro livro intitulado "Asas", contra a sua vontade. Este início precoce na escrita marcaria o começo de uma carreira literária notável, apesar de o próprio poeta considerar estes primeiros poemas de qualidade inferior. Aos 16 anos, Ary dos Santos alcançou um marco significativo em sua carreira literária quando alguns de seus poemas foram selecionados para a Antologia do Prémio Almeida Garrett.
Este reconhecimento precoce impulsionou sua independência e rebeldia, levando-o a sair de casa dos pais. Vendeu máquinas de pastilhas, foi paquete na Sociedade Nacional de Fósforos, escriturário no Casino Estoril, fez publicidade. Apesar dessas experiências profissionais variadas, o que verdadeiramente motivava Ary dos Santos era seu desejo irreprimível pela poesia. Em 1963, publicou seu livro de poemas "A liturgia do sangue", marcando sua estreia efetiva no mundo literário. Esta obra representou um passo importante em sua carreira como poeta, consolidando seu talento.
Ary dos Santos declama o poema - Soneto escrito na morte de todos os AntiFascistas assassinados pela PIDE e o poema - Meu camarada e amigo na Festa-Comício no Estádio 1º de Maio em 1974
"Original é o poeta que chegar ao despudor de escrever todos os dias como se fizesse amor." extraida do "O Poema Original" de José Carlos Ary dos Santos. Este poema faz parte da obra "Resumo", publicada em 1973
No ano seguinte à publicação de "A Liturgia do Sangue" em 1963, José Carlos Ary dos Santos lançou "Tempo da Lenda das Amendoeiras" e o poema "Azul Existe" em 1964. O poema "Azul Existe" foi representado no Tivoli, no Teatro da Estufa Fria e na RTP
Teleteatro, com a representação da peça “Azul Existe”, um poema da autoria do poeta português Ary dos Santos, adaptado para o teatro.
Poema "Desespero"
Da Condição Humana Todos sofremos. O mesmo ferro oculto Nos rasga e nos estilhaça a carne exposta O mesmo sal nos queima os olhos vivos. Em todos dorme A humanidade que nos foi imposta. Onde nos encontramos, divergimos. É por sermos iguais que nos esquecemos Que foi do mesmo sangue, Que foi do mesmo ventre que surgimos. Ary dos Santos, in 'Liturgia do Sangue'
O livro "A Liturgia do Sangue" contém poemas que demonstram o talento de Ary dos Santos, incluindo o poema "Desespero", que foi posteriormente interpretado por José Manuel Osório em um disco lançado em 1967. Mísia cantou "Desespero" no seu álbum "Ritual", lançado em janeiro de 2001.
Ao longo da sua carreira, Ary dos Santos, foi sempre publicando livros de poemas, como: “Adereços, endereços”, em 1965; “Insofrimento in sofrimento”, em 1969; “Fotos-grafias”, um livro que foi apreendido pela PIDE, em 1971; “Resumo”, em 1973; “As Portas que Abril Abriu”, em 1975; “O Sangue das Palavras”, em 1979; e, em 1983, “20 Anos de Poesia”.
"De tudo o que Abril abriu/ ainda pouco se disse/e só nos faltava agora/ que este Abril não se cumprisse." extraído do poema «As Portas que Abril Abriu» de Ary dos Santos)
Ary dos Santos, poeta e declamador carismático, é conhecido do grande público como autor das letras de algumas das mais populares canções das décadas de 1960, 1970 e 1980. Durante o período do Estado Novo, contribuiu para a renovação da música ligeira portuguesa através da escrita poética, que considerava ser a sua maneira de falar ao povo. Os seus versos, muitos escritos na Rua da Saudade, no bairro lisboeta de Alfama, andaram de boca em boca como letras de cantigas que fintaram, de modo subversivo, a censura da ditadura. Ary dos Santos compôs centenas de poemas que se transformaram em canções, incluindo quatro que representaram Portugal no Festival Eurovisão da Canção. Mais importante é o facto do seu nome estar ligado a um disco, do fadista Carlos do Carmo, que marcou a História do Fado, o LP “Um Homem na Cidade”, de 1977, inteiramente concebido com poemas de Ary dos Santos. O mesmo formato será aplicado no álbum “Um Homem no País”, editado em 1984, também com as letras do poeta, musicadas por vários compositores.
"Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia/ Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia/ Era tarde, tão tarde, que a boca tardando-lhe o beijo morria." extraída do poema " Estrela da Tarde# (Ary dos Santos, in 'As Palavras das Cantigas')
José Carlos Ary dos Santos, faleceu em 1984 enquanto trabalhava em duas obras significativas: “As Palavras das Cantigas” e uma autobiografia romanceada intitulada “Estrada da Luz – Rua da Saudade”. As Palavras das Cantigas, publicada postumamente em 1989 sob a coordenação de Ruben de Carvalho, reúne as letras de 77 canções que se tornaram clássicos da música portuguesa, interpretadas por artistas renomados como Amália Rodrigues e Zeca Afonso. O livro foi organizado de acordo com um esquema deixado pelo autor, refletindo sua intenção original e consolidando seu legado na cultura musical nacional.A autobiografia “Estrada da Luz – Rua da Saudade”, que Ary dos Santos planeava escrever, pretendia ser uma narrativa mais pessoal e reflexiva sobre sua vida, embora não tenha sido concluída antes de sua morte. Além dessas obras, em 1994 foi publicada “Obra Poética”, uma coletânea que compila seus poemas ao longo de sua carreira, destacando sua contribuição à literatura e à poesia portuguesa.
"Meu Amor, Meu Amor" recebeu reconhecimento significativo, incluindo o Grande Prêmio da Canção Discográfica, destacando a importância da obra na música portuguesa e na carreira de Ary dos Santos como letrista. A canção "Meu Amor, Meu Amor" foi interpretada por Amália Rodrigues.
A sua voz vibrante fá-lo declamador em várias edições discográficas. O seu primeiro disco, "Ary por si próprio", sai em 1970. No ano seguinte participa no LP "Cantigas de amigos", juntamente com Natália Correia e Amália Rodrigues.
"De tudo o que Abril abriu/ ainda pouco se disse/e só nos faltava agora/ que este Abril não se cumprisse."
Ary dos Santos foi, de facto, um "dinamizador da matéria poética" que conseguiu incorporar a história de Portugal no seu discurso poético, tanto antes como depois da Revolução de Abril de 1974, pela qual lutou ativamente. A poesia de Ary dos Santos tornou-se uma "arma" poderosa na luta contra a ditadura e na construção da Revolução de Abril1. Ele conseguiu transpor para as suas palavras a consciência do momento histórico, o movimento das massas em luta e os momentos cruciais da Revolução. Os temas que Ary abordou na sua poesia refletiam as realidades sociais e políticas de Portugal: a guerra colonial, a falta de pão e liberdade, a Reforma Agrária, as nacionalizações e as lutas dos trabalhadores. Viveu praticamente toda a sua vida no nº23 da Rua da Saudade, onde existe uma lápide evocativa do poeta. Ary dos Santos morre jovem, em 18 de Janeiro de 1984, com 47 anos, na vertigem de uma vida vivida com a mesma intensidade que iluminava a sua poesia. O seu nome foi dado a um largo do Bairro de Alfama. A 4 de Outubro de 2004 foi feito Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique a título póstumo.
“Quando eu morrer – afirmou um dia – vai ser em glória. Vai a classe operária toda ao meu funeral, e eu sentado no muro do cemitério, a vê-los passar!”
"Herói é quem num muro branco inscreve / O fogo da palavra que o liberta". Esta frase, extraída do poema "Retrato do Herói",
Outras obras de Ary dos Santos
Destacar três poemas notáveis:
1969
1977
1970
1979
"As Portas que Abril Abriu" Um poema histórico que retrata a transformação de Portugal antes e depois da Revolução de 25 de Abril, com versos poderosos sobre liberdade e esperança.
"Da Condição Humana" Um poema filosófico que reflete sobre o sofrimento universal:
""Serei Tudo o que Disserem" Um poema de autorreflexão e desafio, onde Ary dos Santos se define como um poeta irreverente e livre. Os versos revelam sua personalidade única:
1983
1978
Natália Correia, Amália Rodrigues e Ary dos Santos colaboraram num projeto musical notável chamado "Cantigas d'Amigos", lançado em 1971. Este álbum representa uma fascinante exploração da poesia medieval portuguesa, trazendo à vida textos líricos galego-portugueses dos trovadores medievais