"Sim, minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem das grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite."
Clarice Lispector
1920 - 1977
Biografia de clarice lispector
"Quem já não se perguntou: sou um monstro ou isto é ser uma pessoa?"
Em 1939, Clarice ingressou no curso de Direito da Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Clarice Lispector, nascida Chaya Pinkhasivna Lispector na Ucrânia em 10 de dezembro de 1920, tornou-se uma das escritoras brasileiras mais influentes do século XX.
As três irmãs: Elisa (ao centro), Tania (à esquerda), e Clarice, em Setembro de 1927
A família Lispector chegou ao Brasil em 1922, fugindo da perseguição aos judeus na Ucrânia. Inicialmente, estabeleceram-se em Maceió e depois mudaram-se para o Recife, onde Clarice cresceu. Ela chegou à cidade aos 5 anos de idade e lá permaneceu até os 15, período crucial para sua formação literária. Foi em Recife que Clarice ensaiou seus primeiros escritos, chegando a enviar textos para o suplemento infantil do Diario de Pernambuco, embora nunca tenham sido publicados.
Em 1940, aos dezanove anos, seu interesse por Direito havia diminuído ao passo que aumentara sua atenção à Literatura, de modo que ela publicou, em 25 de maio, seu primeiro conto conhecido, Triunfo, na revista Pan, no qual descreve os pensamentos de uma mulher abandonada por seu companheiro.
A edição de número 227, de 25 de maio de 1940, traz em três páginas o conto “Triunfo” – a primeira colaboração de Clarice Lispector na imprensa de que se tem registro
Ao longo de sua carreira, Lispector se dedicou à tradução de autores consagrados como Júlio Verne, Agatha Christie e Edgar Allan Poe.
“Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome”. (livro "Perto do Coração Selvagem")
A obra de Clarice Lispector tem sido amplamente traduzida para diversos idiomas, alcançando um reconhecimento internacional notável. Atualmente, a sua produção literária conta com mais de 180 traduções integrais em mais de 32 idiomas, sendo publicada em 40 países. Entre os idiomas para os quais as suas obras foram vertidas encontram-se o mandarim, croata, norueguês, russo, turco e hebraico. Curiosamente, Clarice Lispector manifestava uma certa apreensão relativamente às traduções dos seus próprios livros, como evidenciado pela sua declaração: "Traduzo, sim, mas fico cheia de medo de ler traduções que fazem de livros meus".
Estátua da escritora Clarice Lispector no Rio de Janeiro, com a praia de Copacabana ao fundo
De facto, Clarice Lispector ficou profundamente insatisfeita com a primeira tradução francesa de "Perto do Coração Selvagem", intitulada "Près du Coeur Sauvage", realizada por Denise-Teresa Moutonnier em 1954. A autora considerou a tradução "escandalosamente má" e, num primeiro momento, enviou queixas sobre os erros ao editor Pierre de Lescure. Clarice ficou particularmente desapontada com vários aspetos da tradução. Numa carta às suas irmãs, datada de 10 de maio, ela detalhou alguns dos motivos do seu descontentamento. Por exemplo, a tradutora substituiu "porcaria" por "excremento" e "olheiras negras" por "óculos escuros". Além disso, confundiu o substantivo "chamas" (no sentido de labaredas) com o verbo "chamar". No total, Clarice identificou cerca de 30 erros.
Companheiro de Clarice, era o cão Ulisses. Uma vez mordeu-lhe o rosto. Diz a lenda que ele fumava com ela, era famoso no Rio da época que chegou a aparecer no Pasquim. Ulisses era uma homenagem ao misterioso analista que ela teve nos anos 40, quando vivia na Suíça. Clarice gostava de passear pelo Leme com o cão até as luzes começarem a acender nos postes… daí voltava para casa. Ulisses é o narrador de sua própria história no livro infantil “Quase de verdade”
"É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer, porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo."
A escritora com os filhos Pedro e Paulo (1954)
O primeiro romance de Clarice Lispector - "Perto do Coração Selvagem" - foi publicado em 1944. No ano seguinte, a escritora foi galardoada com o Prémio Graça Aranha, da Academia Brasileira de Letras (ABL).
Em 1960, publicou o seu primeiro livro de contos, "Laços de Família", seguido de "A Legião Estrangeira" e de "A Paixão Segundo G. H.", considerado um marco na literatura brasileira. Reconhecida pelo público e pela crítica, em 1976, recebeu o prémio da Fundação Cultural do Distrito Federal, pelo conjunto da sua obra. No ano seguinte, publicou "A Hora da Estrela", o seu último romance, que foi adaptado para o cinema em 1985. Clarice Lispector faleceu de cancro na véspera do seu 57º aniversário.
Como despedida do público e da vida, a escritora publicou seu último romance, A Hora da Estrela, dois meses antes de morte. Clarice não chegou a ver que este se tornou o mais conhecido de seus romances. "A Hora da Estrela" narra a trágica história de Macabéa, uma alagoana ingénua que migra para o Rio de Janeiro em busca de uma vida melhor. "A Hora da Estrela" de Clarice Lispector foi adaptado para o cinema.
“Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro.”
//Clarice Lispector
Clarice Lispector e as artes plásticas
Clarice Lispector dedicou-se à pintura por um breve período, entre 1975 e 1977, produzindo um total de 22 quadros. Suas pinturas são caracterizadas por uma estética única e experimental. A própria Clarice questionava: "Quem sabe escrevo por não saber pintar?"
Clarice Lispector sentia a pintura como uma forma de libertação e autoexpressão, afirmando que "liberta mais do que escrever", e via o processo criativo da pintura e da escrita como provenientes de uma mesma fonte, onde as imagens e as palavras se entrelaçam para capturar a essência das sensações e experiências humanas
"A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar duram uma eternidade. A vida não é de se brincar porque um belo dia se morre." de Clarice Lispector
Obras de Clarice Lispector
Primeiro livro da escritora lançado
Seu primeiro conto
Um marco na literatura
Biografia de Clarice Lispector
Helena Borralho
Created on December 8, 2024
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"Sim, minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem das grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite."
Clarice Lispector
1920 - 1977
Biografia de clarice lispector
"Quem já não se perguntou: sou um monstro ou isto é ser uma pessoa?"
Em 1939, Clarice ingressou no curso de Direito da Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Clarice Lispector, nascida Chaya Pinkhasivna Lispector na Ucrânia em 10 de dezembro de 1920, tornou-se uma das escritoras brasileiras mais influentes do século XX.
As três irmãs: Elisa (ao centro), Tania (à esquerda), e Clarice, em Setembro de 1927
A família Lispector chegou ao Brasil em 1922, fugindo da perseguição aos judeus na Ucrânia. Inicialmente, estabeleceram-se em Maceió e depois mudaram-se para o Recife, onde Clarice cresceu. Ela chegou à cidade aos 5 anos de idade e lá permaneceu até os 15, período crucial para sua formação literária. Foi em Recife que Clarice ensaiou seus primeiros escritos, chegando a enviar textos para o suplemento infantil do Diario de Pernambuco, embora nunca tenham sido publicados.
Em 1940, aos dezanove anos, seu interesse por Direito havia diminuído ao passo que aumentara sua atenção à Literatura, de modo que ela publicou, em 25 de maio, seu primeiro conto conhecido, Triunfo, na revista Pan, no qual descreve os pensamentos de uma mulher abandonada por seu companheiro.
A edição de número 227, de 25 de maio de 1940, traz em três páginas o conto “Triunfo” – a primeira colaboração de Clarice Lispector na imprensa de que se tem registro
Ao longo de sua carreira, Lispector se dedicou à tradução de autores consagrados como Júlio Verne, Agatha Christie e Edgar Allan Poe.
“Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome”. (livro "Perto do Coração Selvagem")
A obra de Clarice Lispector tem sido amplamente traduzida para diversos idiomas, alcançando um reconhecimento internacional notável. Atualmente, a sua produção literária conta com mais de 180 traduções integrais em mais de 32 idiomas, sendo publicada em 40 países. Entre os idiomas para os quais as suas obras foram vertidas encontram-se o mandarim, croata, norueguês, russo, turco e hebraico. Curiosamente, Clarice Lispector manifestava uma certa apreensão relativamente às traduções dos seus próprios livros, como evidenciado pela sua declaração: "Traduzo, sim, mas fico cheia de medo de ler traduções que fazem de livros meus".
Estátua da escritora Clarice Lispector no Rio de Janeiro, com a praia de Copacabana ao fundo
De facto, Clarice Lispector ficou profundamente insatisfeita com a primeira tradução francesa de "Perto do Coração Selvagem", intitulada "Près du Coeur Sauvage", realizada por Denise-Teresa Moutonnier em 1954. A autora considerou a tradução "escandalosamente má" e, num primeiro momento, enviou queixas sobre os erros ao editor Pierre de Lescure. Clarice ficou particularmente desapontada com vários aspetos da tradução. Numa carta às suas irmãs, datada de 10 de maio, ela detalhou alguns dos motivos do seu descontentamento. Por exemplo, a tradutora substituiu "porcaria" por "excremento" e "olheiras negras" por "óculos escuros". Além disso, confundiu o substantivo "chamas" (no sentido de labaredas) com o verbo "chamar". No total, Clarice identificou cerca de 30 erros.
Companheiro de Clarice, era o cão Ulisses. Uma vez mordeu-lhe o rosto. Diz a lenda que ele fumava com ela, era famoso no Rio da época que chegou a aparecer no Pasquim. Ulisses era uma homenagem ao misterioso analista que ela teve nos anos 40, quando vivia na Suíça. Clarice gostava de passear pelo Leme com o cão até as luzes começarem a acender nos postes… daí voltava para casa. Ulisses é o narrador de sua própria história no livro infantil “Quase de verdade”
"É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer, porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo."
A escritora com os filhos Pedro e Paulo (1954)
O primeiro romance de Clarice Lispector - "Perto do Coração Selvagem" - foi publicado em 1944. No ano seguinte, a escritora foi galardoada com o Prémio Graça Aranha, da Academia Brasileira de Letras (ABL). Em 1960, publicou o seu primeiro livro de contos, "Laços de Família", seguido de "A Legião Estrangeira" e de "A Paixão Segundo G. H.", considerado um marco na literatura brasileira. Reconhecida pelo público e pela crítica, em 1976, recebeu o prémio da Fundação Cultural do Distrito Federal, pelo conjunto da sua obra. No ano seguinte, publicou "A Hora da Estrela", o seu último romance, que foi adaptado para o cinema em 1985. Clarice Lispector faleceu de cancro na véspera do seu 57º aniversário.
Como despedida do público e da vida, a escritora publicou seu último romance, A Hora da Estrela, dois meses antes de morte. Clarice não chegou a ver que este se tornou o mais conhecido de seus romances. "A Hora da Estrela" narra a trágica história de Macabéa, uma alagoana ingénua que migra para o Rio de Janeiro em busca de uma vida melhor. "A Hora da Estrela" de Clarice Lispector foi adaptado para o cinema.
“Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro.” //Clarice Lispector
Clarice Lispector e as artes plásticas
Clarice Lispector dedicou-se à pintura por um breve período, entre 1975 e 1977, produzindo um total de 22 quadros. Suas pinturas são caracterizadas por uma estética única e experimental. A própria Clarice questionava: "Quem sabe escrevo por não saber pintar?"
Clarice Lispector sentia a pintura como uma forma de libertação e autoexpressão, afirmando que "liberta mais do que escrever", e via o processo criativo da pintura e da escrita como provenientes de uma mesma fonte, onde as imagens e as palavras se entrelaçam para capturar a essência das sensações e experiências humanas
"A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar duram uma eternidade. A vida não é de se brincar porque um belo dia se morre." de Clarice Lispector
Obras de Clarice Lispector
Primeiro livro da escritora lançado
Seu primeiro conto
Um marco na literatura