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The influence of paternal co-participation on girls’ participation in
Madalena Pais
Created on November 5, 2024
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Transcript
Sociologia do lazer, corpo e desporto
"The influence of paternal co-participation on girls’ participation in surfing, mountain biking, and skateboarding in regional Australia"
de Meredith Nash & Robyn Moore
Madalena Pais - 22203211Mafalda Cruz - 22207813 Mariana Bruno - 22209667
Introdução
- Este estudo aborda, segundo uma perspetiva sociológica, a influência dos pais, especialmente do pai, na participação das raparigas nos desportos radicais como o surf, o mountain biking e o skateboarding em áreas da Austrália;
- Os desportos radicais, também conhecidos como desportos de ação, são historicamente dominados por homens, sendo que estes possuem uma cultura e estética que enfatizam o risco, a coragem e uma capacidade física desenvolta;
- A perceção tradicional sobre estes desportos é muitas vezes moldada em torno de ideais de masculinidade, e as mulheres que entram nestes ambientes costumam enfrentar tanto barreiras explícitas, como a falta de infraestrutura voltada para elas, quanto barreiras implícitas, como a cultura competitiva e exclusiva de determinados grupos masculinos;
- No entanto houve nos últimos anos, um aumento da visibilidade e da participação feminina nos desportos de ação, parcialmente impulsionado pela inclusão de desportos como skateboarding e surf nos Jogos Olímpicos. Esta entrada nos palcos olímpicos traz consigo um destaque renovado nas questões de equidade de género e no acesso igualitário a estes tipos de desportos.
- Este artigo está dividido em 5 pontos importantes – Action sports and gender, Parental co-participation and sport, the influence of fathers on girls’ action sport participation, Fathers as role models, e, the role of fathers/men in helping girls to navigate male-dominated space.
Enquadramento teórico
Definição e Popularidade dos Desportos de Ação e Género
Os desportos de ação são definidos como atividades alternativas aos desportos tradicionais, focados na expressão pessoal e no prazer, tornaram-se cada vez mais populares e procuraram adaptar-se de acordo com as mudanças nas percepções sociais sobre a participação feminina nos desportos (Thorpe & Olive, 2016; ONU, 2007). No entanto, apesar haver cada vez mais oportunidades para mulheres e meninas, estes desportos continuam a refletir desigualdades de género. A maioria dos praticantes é composta por homens brancos de classe média, enquanto as mulheres e outros grupos sociais não dominantes permanecem sub-representados (Thorpe & Ahmad, 2015).
Desigualdades de Género e a Masculinidade
As noções tradicionais de masculinidade, em particular o conceito de masculinidade hegemónica, perpetuam as barreiras das desigualdades de género nestes desportos. Isto reforça a dominação dos homens e influência a dinâmica de participação nos desportos de ação, onde o risco físico e o domínio sobre o corpo são vistos como elementos essenciais e masculinos. Tais características acabam por marginalizar a participação feminina, criando um ambiente de desafio e exclusão para mulheres (Connell, 1995; Laurendeau, 2008). Mesmo quando mulheres alcançam um alto nível desportivo, são muitas vezes retratadas como iniciantes no desporto (Olive et al., 2015). Este cenário impulsionou o desenvolvimento de espaços exclusivos para mulheres, nos quais elas podem praticar desportos de ação de forma colaborativa e menos competitiva, desafiando as normas de género que estruturam estas atividades (Bäckström, 2013).
Participação da Figura Paternal
A participação dos pais, especialmente do pai, é fundamental para apoiar as filhas nestes desportos. A literatura mostra que os pais que se envolvem ativamente na prática desportiva, incentivam o desenvolvimento das filhas ao nivel das suas capacidades físicas e promovem a sua autonomia (Morgan et al., 2018). No entanto, enquanto o papel do pai, no incentivo ao desporto das filhas é amplamente aceite, as mães enfrentam uma pressão cultural maior que tende a limitar a sua própria participação nestes desportos e sobrecarregá-las com tarefas de suporte, como transporte, o nivel financeiro e organização (Thompson, 1999).
Metodologia
- A metodologia qualitativa, foram realizadas entrevistas com 27 participantes, abrangendo os diferentes desportos de ação. As entrevistada tinham idades compreendidas entre 8 e 17 anos. Das quais, 12 eram surfistas, 13 praticavam mountain biking e 10 eram skaters;
- Procurou-se compreender as perceções pessoais das raparigas sobre as suas experiências e vivências nos desportos, as motivações , quais as barreiras que enfrentam e também o papel dos pais nas suas trajetórias desportivas;
- A pesquisa adotou uma abordagem ecológica, analisando fatores que influenciam a participação nos desportos em três níveis: Intrapessoais (elementos internos como confiança e motivação), Interpessoais (influência dos pais, amigos e colegas), Ambientais (aspetos externos como acesso a locais de prática e apoio comunitário).
- A seleção das participantes foi realizada principalmente pelas redes sociais, com muitos pais respondendo o nome das filhas, indicando o envolvimento familiar.
- A análise dos dados foi feita com base numa leitura temática das entrevistas, resultando em três temas principais: Influência dos pais na decisão de iniciar e continuar no desporto; Os pais como modelos de comportamento para as filhas; O apoio dos pais na navegação nos espaços desportivos dominados por homens.
- O estudo concentrou-se em meninas de famílias brancas e heteronormativas, refletindo algumas limitações culturais e socioeconómicas.
- O estudo reconhece que, devido a estas limitações, as experiências de mulheres de outras origens não foram completamente abordadas, mas o trabalho oferece uma visão inicial das complexidades do papel paterno nos desportos radicais.
Excertos de entrevistas
Because when I first learnt how to ride he [step-dad] kept on just saying ‘you can do it’, and I ended up - he just kept on saying ‘you can do it’ and he just kept on being nice [laughs]. I don’t know how to explain it, except he was just cheering me on, and eventually I did it and I said ‘this is all your fault’ [laughs]. (Hannah, age 9, MTB)
[Male coach] inspires me because they just keep pushing you through tricks even though, if I know I think I can’t land them and then they just push me through it and I do end up landing it. (Billie, age 13, skateboarding)
And the guys get pretty aggressive out in the water and so it’s just going to that super competitive more than – I feel pretty judged being a girl, like go away, you don’t know what you’re doing. But I don’t know if they are thinking that. That’s just how I feel. I definitely noticed that girls have a different surfing style than boys. I don’t know how to describe it really. Boys go harder. (Sienna, 16, surfing)
Resultados
- A co-participação paterna é um elemento fundamental na inclusão das filhas nos desportos de ação.
- Muitos pais atuam como facilitadores iniciais, fornecendo o equipamento, transporte e apoio, necessários para que as filhas pratiquem o desporto que escolheram.
- Ao participar junto com as filhas, os pais criam uma atmosfera de suporte que as ajuda a superar receios iniciais e a adquirir mais confiança. Em desportos como o mountain biking e o surf, que muitas vezes envolvem ambientes desafiadores, o acompanhamento paterno permite que as meninas enfrentem estes espaços com maior segurança.
- Além de ensinar competências técnicas, os pais passam, direta ou indiretamente, uma mensagem importante ao participarem em desportos tradicionalmente vistos como masculinos, reforçando assim o vínculo familiar e criação de novas experiências em conjunto.
- Estes momentos proporcionam apoio emocional, essencial para que as meninas mantenham sua participação nos desportos mesmo perante dificuldades. Contudo, a co-participação nos desporto de ação tende a ser uma experiência predominantemente masculina, com as mães, em geral, ocupando papéis de apoio prático, como organização logística e transporte, e menos como participantes ativas ao lado das filhas.
- A presença dos pais facilita a integração das filhas em ambientes dominados por homens, como praias e pistas de skate, onde elas podem sentir-se intimidadas sem a presença do pai.
- Muitos pais oferecem uma “zona de segurança” onde as filhas se sentem mais confortáveis para praticar sem receios. No entanto, o estudo mostra que, quando praticam sozinhas, as meninas enfrentam olhares críticos e, muitas vezes, um desconforto devido à postura dos homens presentes.
- Esta dependência de uma presença protetora masculina para usufruir dos espaços desportivos públicos sugere que a verdadeira inclusão está ainda muito distante, com barreiras culturais e comportamentais que precisam ser desafiadas para que as raparigas e mulheres possam praticar desporto com autonomia e segurança.
Conclusão
- O estudo destaca uma contradição significativa: enquanto os pais facilitam a entrada e permanência das meninas nos desportos radicais, esta figura paternal masculina também pode reforçar a estrutura tradicional que beneficia a presença e o conhecimento masculino nestes desportos;
- Os autores concluem que é necessário promover uma mudança cultural mais ampla, onde meninas e mulheres possam aceder a estes desportos sem precisarem de um intermediário masculino.
- O estudo sugere a criação de políticas públicas e programas desportivos que enfatizem a independência e o protagonismo feminino, eliminando a necessidade de uma figura masculina para garantir a inclusão;
- Assim sendo, o estudo contribui para o entendimento de que, embora o apoio dos pais seja essencial, é fundamental desafiar as barreiras culturais que continuam a restringir a participação autónoma das mulheres nos desportos radicais.
Crítica
- Ao analisar as dinâmicas de co-participação entre pais e filhas nos desportos de ação, o estudo amplia o entendimento da sociologia do desporto, do corpo e do lazer ao revelar como o lazer em práticas de alto risco pode, simultaneamente, fortalecer laços familiares e reforçar desigualdades de género;
- A análise do surf e de outros desportos de ação como práticas de lazer transformadoras revela um espaço onde o lazer feminino é moldado pela aprovação masculina, expondo a necessidade de questionar estruturas que limitam o acesso igualitário;
- Este estudo sublinha a complexidade do apoio parental, destacando como, apesar das boas intenções, a presença masculina ainda é um fator necessário para as raparigas se afirmarem em ambientes de ação;
- Existe assim a necessidade de promover um acesso equitativo e que os pais não só apoiem as suas filhas, mas também se tornem aliados na luta contra a marginalização das mulheres nos desportos de ação;
- Isto pode incluir a promoção de eventos desportivos femininos, a criação de grupos de apoio e a defesa de políticas que incentivem a participação feminina.