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"O Sentimento Dum Ocidental"_Trabalho de Grupo

29645 Maria Pilar Bugio Afoito

Created on October 11, 2024

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Transcript

II - A NOITE FECHADA

O SENTIMENTO DUM OCIDENTAL

de Cesário Verde

Alunos: Margarida Mineiro (Nº 31777), Margarida Lopes (Nº 17415), Maria Frederica Afoito (Nº 29644) e Maria Pilar Afoito (Nº 29645).

Professora: Maria José Garcia.

Disciplina: Português.

Ano letivo: 2024/2025.

II - Noite fechada

Duas igrejas, num saudoso largo, Lançam a nódoa negra e fúnebre do clero, Nelas esfumo um ermo inquisidor severo, Assim que pela História eu me aventuro e alargo.

E eu sonho o Cólera, imagino a Febre,Nesta acumulação de corpos enfezados; Sombrios e espectrais recolhem os soldados; Inflama-se um palácio em face de um casebre.

Partem patrulhas de cavalariaDos arcos dos quartéis que foram já conventos: Idade Média! A pé, outras, a passos lentos, Derramam-se por toda a capital, que esfria.

Na parte que abateu no terremoto,Muram-me as construções retas, iguais, crescidas, Afrontam-me, no resto, as íngremes subidas, E os sinos dum tanger monástico e devoto.

Mas, num recinto público e vulgar,Com bancos de namoro e exíguas pimenteiras, Brônzeo, monumental, de proporções guerreirs, Um épico doutrora ascende, num pilar!

Educação literária - Noite fechada

  1. Refira os efeitos que a visão das "Duas igrejas" (v. 1) desperta no sujeito poético.

2. Explicite o contraste que a conjunção "Mas" estabelece nos versos 5 a 12.

3. Identifique duas características do espaço citadino, tal como é apresentado na quarta estrofe.

4. Explique um dos efeitos do sentido produzidos pela metáfora "esfria" (v. 20), tendo em conta o conteúdo da última quadra.

Obrigada !

REALIZAÇÃO DO TRABALHO

Margarida Mineiro

Mª Frederica Afoito

Nº de processo: 31777

Nº de processo: 29644

31777@agilpaes.pt

29644@agilpaes.pt

Margarida Knoblich

Mª Pilar Afoito

Nº de processo: 17415

Nº de processo: 29645

17415@agilpaes.pt

29645@agilpaes.pt

Na quarta estrofe do excerto apresentado, o sujeito poético parece observar "patrulhas de cavalaria" a partir, desde os arcos dos quartéis, para a capital lisboeta, "derramando-se" por toda ela. Aliás, nesta última quadra está claramente patente o tom pessimista e de denúncia do "eu" lírico face a duas instituições da sociedade - os militares, no presente, e o Clero, no passado -, que assumem um papel opressivo e austero. Neste sentido, o sujeito poético recorre à metáfora "esfria" para , não só denunciar o poder que os militares exercem sobre a cidade, oprimindo-a, como também para reforçar a incapacidade da população em pôr fim à opressão de que é vítima.

De facto, no verso 5, enquanto deambula pelas cidades de Lisboa, o sujeito poético descreve de uma forma verdadeira e incrivelmente detalhada tudo aquilo que observa, fazendo alusão aos prédios altos e simétricos que foram construídos após o terramoto de 1755 e que, aliados ao tanger dos sinos, suscitam no "eu" um sentimento de clausura e de apridionamento ("Muram-me as construções retas, iguais e crescidas"; "Afrontam-me, no restos, as íngremes subidas"). Neste sentido, ao avistar, "num recinto público e vulgar", a estátua do poeta Camões, que surge por entre "bancos de namoro", o "eu" recorre à conjunção coordenativa "Mas" para estabelecer um contraste entre a realidade opressiva que é a cidade e o tempo de glória evocado pela estátua de "um épico doutrora ascende", na qual se cantava, em verso épico, os feitos imortais dos portugueses.

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Ora, o sujeito poético, no decorrer da sua deambulação pelas ruas da cidade de Lisboa, ao confrontar-se com "Duas igrejas", começa por revelar desprezo por esta classe social ("Lançam a nódoa negra e fúnebre do clero"), que, ao longo dos muitos anos, representou a corrupção e a adulteração da sociedade. Neste sentido, o "eu" lírico, ao relembrar-se do passado, exprime a sua frustação e angústia por todas as vítimas da Igreja Católica que, ao longo de toda a "História", foram cruelmente perseguidas e reprimidas ("Assim que pela História me aventuro e alargo"). Dito isto, o "eu" condena o facto deste tão obscuro passado da Igreja Católica ser, por muitas vezes, esquecido, ou até mesmo escondido, como é o caso particular da Inquisição ("Nelas esfumo um ermo inquisidor severo").

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De facto, na quarta estrofe do excerto de "noite Fechada" apresentado, da autoria de Cesário Verde, está claramente patente a caracterização do espaço citadino, segundo a perspetiva do sujeito poético, que é retratado como sendo um espaço melancólico e opressivo. Neste sentido, o "eu" lírico, como que para evidenciar o tom sombrio que invade a cidade, faz referência à "Cólera" e à "Febre", que surgem personificadas com os "conjuntos enfezados" que sofrem das referidas doenças, procurando destacar, assim, a miséria vivida por muitos. Ademais, na mesma estrofe, o sujeito poético, ao referir "um palácio em face de um casebre", faz igualmente destaque às desigualdades sociais que prevalecem na sociedade, na qual há uma crescente vulnerabilidade da classe operária face ao árduo e exaustivo trabalho que lhe é exigido.