Camões épico
Os Lusíadas
Parte B, Exame Nacional de 2022/ 1.ª fase
Leia o texto seguinte, constituído pelas estâncias 15 a 18 do Canto I de Os Lusíadas, e as notas (próximo slide).
Est. 15
Est. 17
Em vós se vêm, da Olímpica morada, Dos dous avós as almas cá famosas; Ũa, na paz angélica dourada, Outra, pelas batalhas sanguinosas. Em vós esperam ver-se renovada Sua memória e obras valerosas; E lá vos têm lugar, no fim da idade, No templo da suprema Eternidade.
E, enquanto eu estes canto – e a vós não posso, Sublime Rei, que não me atrevo a tanto –, Tomai as rédeas vós do Reino vosso: Dareis matéria a nunca ouvido canto. Comecem a sentir o peso grosso (Que polo mundo todo faça espanto) De exércitos e feitos singulares, De África as terras e do Oriente os mares.
Em vós os olhos tem o Mouro frio, Em quem vê seu exício afigurado; Só com vos ver, o bárbaro Gentio Mostra o pescoço ao jugo já inclinado; Tétis todo o cerúleo senhorio Tem pera vós por dote aparelhado, Que, afeiçoada ao gesto belo e tenro, Deseja de comprar-vos pera genro.
Est. 16
Mas, enquanto este tempo passa lento De regerdes os povos, que o desejam, Dai vós favor ao novo atrevimento, Pera que estes meus versos vossos sejam, E vereis ir cortando o salso argento Os vossos Argonautas, por que vejam Que são vistos de vós no mar irado, E costumai-vos já a ser invocado.
Est. 18
Luís de Camões, Os Lusíadas, edição de A. J. da Costa Pimpão,
5.ª ed., Lisboa, MNE/IC, 2003, pp. 4-5.
NOTAS:
1 exício – destruição; ruína; mortandade.
2 jugo – peça de madeira que une os bois de uma junta; domínio; força repressiva; sujeição.
3 cerúleo senhorio – domínio do mar de cor azul-celeste.
4 aparelhado – preparado.
5 gesto – aspeto; aparência; rosto.
6 vêm – veem.
7 dous avós – D. João III, pai do príncipe D. João, e Carlos V, pai da princesa D. Joana.
8 salso argento – mar da cor da prata.
9 Os vossos Argonautas – referência aos navegadores portugueses.
+ info
QUESTÃO
Nas estâncias 16 e 17, o poeta confere ao rei D. Sebastião uma dimensão excecional.
Comprove esta afirmação, recorrendo a dois exemplos pertinentes mencionados nessas estâncias.
PASSOS
- Leitura atenta das oitavas,
- Devem ser abordados dois tópicos, tais como:
- D. Sebastião assusta de tal modo os Mouros e os Gentios que os primeiros o veem como a causa da sua ruína futura e os segundos se mostram já predispostos a submeter-se-lhe;- a própria Tétis deseja oferecer a filha em casamento a D. Sebastião e, como dote, o controlo dos mares;- os feitos de D. Sebastião serão motivo de orgulho para os seus antepassados, que esperam dele a realização de feitos tão grandiosos como os do passado/de feitos que mereçam ser para sempre recordados.
Nas duas oitavas referidas, o poeta confere a D. Sebastião uma dimensão excecional. Em primeiro lugar, D. Sebastião assusta os Mouros e os Gentios de uma forma extrema, pois os primeiros veem-no como a causa da sua ruína futura e os segundos mostram-se já predispostos a submeter-se-lhe. Esta excecionalidade é demonstrada também através da vontade de Tétis de oferecer a sua filha em casamento ao rei português dando-lhe, como dote, o controlo dos mares. Concluindo, podemos dizer que a figura de D. Sebastião é apresentada nestas estrofes como um ser superior e de excelência.
Camões épico- segunda parte
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Created on July 17, 2024
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Camões épico
Os Lusíadas
Parte B, Exame Nacional de 2022/ 1.ª fase
Leia o texto seguinte, constituído pelas estâncias 15 a 18 do Canto I de Os Lusíadas, e as notas (próximo slide).
Est. 15
Est. 17
Em vós se vêm, da Olímpica morada, Dos dous avós as almas cá famosas; Ũa, na paz angélica dourada, Outra, pelas batalhas sanguinosas. Em vós esperam ver-se renovada Sua memória e obras valerosas; E lá vos têm lugar, no fim da idade, No templo da suprema Eternidade.
E, enquanto eu estes canto – e a vós não posso, Sublime Rei, que não me atrevo a tanto –, Tomai as rédeas vós do Reino vosso: Dareis matéria a nunca ouvido canto. Comecem a sentir o peso grosso (Que polo mundo todo faça espanto) De exércitos e feitos singulares, De África as terras e do Oriente os mares.
Em vós os olhos tem o Mouro frio, Em quem vê seu exício afigurado; Só com vos ver, o bárbaro Gentio Mostra o pescoço ao jugo já inclinado; Tétis todo o cerúleo senhorio Tem pera vós por dote aparelhado, Que, afeiçoada ao gesto belo e tenro, Deseja de comprar-vos pera genro.
Est. 16
Mas, enquanto este tempo passa lento De regerdes os povos, que o desejam, Dai vós favor ao novo atrevimento, Pera que estes meus versos vossos sejam, E vereis ir cortando o salso argento Os vossos Argonautas, por que vejam Que são vistos de vós no mar irado, E costumai-vos já a ser invocado.
Est. 18
Luís de Camões, Os Lusíadas, edição de A. J. da Costa Pimpão, 5.ª ed., Lisboa, MNE/IC, 2003, pp. 4-5.
NOTAS:
1 exício – destruição; ruína; mortandade. 2 jugo – peça de madeira que une os bois de uma junta; domínio; força repressiva; sujeição. 3 cerúleo senhorio – domínio do mar de cor azul-celeste. 4 aparelhado – preparado. 5 gesto – aspeto; aparência; rosto. 6 vêm – veem. 7 dous avós – D. João III, pai do príncipe D. João, e Carlos V, pai da princesa D. Joana. 8 salso argento – mar da cor da prata. 9 Os vossos Argonautas – referência aos navegadores portugueses.
+ info
QUESTÃO
Nas estâncias 16 e 17, o poeta confere ao rei D. Sebastião uma dimensão excecional. Comprove esta afirmação, recorrendo a dois exemplos pertinentes mencionados nessas estâncias.
PASSOS
- Devem ser abordados dois tópicos, tais como:
- D. Sebastião assusta de tal modo os Mouros e os Gentios que os primeiros o veem como a causa da sua ruína futura e os segundos se mostram já predispostos a submeter-se-lhe;- a própria Tétis deseja oferecer a filha em casamento a D. Sebastião e, como dote, o controlo dos mares;- os feitos de D. Sebastião serão motivo de orgulho para os seus antepassados, que esperam dele a realização de feitos tão grandiosos como os do passado/de feitos que mereçam ser para sempre recordados.Nas duas oitavas referidas, o poeta confere a D. Sebastião uma dimensão excecional. Em primeiro lugar, D. Sebastião assusta os Mouros e os Gentios de uma forma extrema, pois os primeiros veem-no como a causa da sua ruína futura e os segundos mostram-se já predispostos a submeter-se-lhe. Esta excecionalidade é demonstrada também através da vontade de Tétis de oferecer a sua filha em casamento ao rei português dando-lhe, como dote, o controlo dos mares. Concluindo, podemos dizer que a figura de D. Sebastião é apresentada nestas estrofes como um ser superior e de excelência.