Sermão de santo António aos peixes
Padre António Vieira
Parte B, Exame Nacional de 2017/ 2.ª fase
Pergunta
Justifique a evocação da lenda de Santo António, no contexto em que ocorre (linhas 13 a 15).
Já que assim o experimentais com tanto dano vosso, importa que daqui por diante sejais
mais Repúblicos e zelosos do bem comum, e que este prevaleça contra o apetite particular de
cada um, para que não suceda que, assim como hoje vemos a muitos de vós tão diminuídos,
vos venhais a consumir de todo. Não vos bastam tantos inimigos de fora e tantos perseguidores
tão astutos e pertinazes, quantos são os pescadores, que nem de dia nem de noite deixam de
vos pôr em cerco e fazer guerra por tantos modos? Não vedes que contra vós se emalham e
entralham as redes; contra vós se tecem as nassas, contra vós se torcem as linhas, contra vós
se dobram e farpam os anzóis, contra vós as fisgas e os arpões? Não vedes que contra vós até
as canas são lanças e as cortiças armas ofensivas? Não vos basta, pois, que tenhais tantos
e tão armados inimigos de fora, senão que também vós de vossas portas adentro o haveis
de ser mais cruéis, perseguindo-vos com uma guerra mais que civil e comendo-vos uns aos
outros? Cesse, cesse já, irmãos peixes, e tenha fim algum dia esta tão perniciosa discórdia;
e pois vos chamei e sois irmãos, lembrai-vos das obrigações deste nome. Não estáveis vós
muito quietos, muito pacíficos e muito amigos todos, grandes e pequenos, quando vos pregava
S. António? Pois continuai assim, e sereis felizes.
10
15
Padre António Vieira, Sermão de Santo António (aos peixes) e Sermão da Sexagésima, edição de Margarida Vieira Mendes,
Lisboa, Seara Nova, 1978, pp. 91-92
Passos:
- Conclusão: fecho do texto.
Revisão das regras gramaticais, coesão, coerência e conectores.
- Recordar estrutura do texto expositivo: introdução, desenvolvimento e conclusão.
- Introdução: anunciar o tema a tratar.
- Desenvolvimento: justificação da evocação da lenda de Santo António.
Hipóteses de justificação:
- demonstração/exemplificação da ideia do orador segundo a qual os peixes são capazes de viver em união, em amizade e em paz;
- os peixes poderão novamente encontrar a felicidade, se seguirem os conselhos do orador.
Escrita
Neste excerto, Padre António Vieira evoca a lenda de Santo António quando este pregou aos peixes.Esta evocação comprova a ideia, defendida pelo orador, de que está convencido de
que os peixes podem, se quiserem, viver em união, em amizade e em paz. Na verdade, de acordo com
a lenda, os peixes ouviram Santo António com devoção, «muito quietos, muito pacíficos e muito amigos
todos» (linha 14). Os peixes tinham já demonstrado ser capazes de adotar um comportamento pacífico e fraterno.
Comprova-se, assim, que «grandes e pequenos» (linha 14) poderão novamente encontrar a felicidade
(«Pois continuai assim, e sereis felizes.» – linha 15), se seguirem os conselhos do orador. Concluíndo, podemos afirmar que a evocação da lenda de Santo António, um Doutor da Igreja, justifica as ideias defendidas pelo orador, dando-lhe um argumento de validação.
Nota – Não é obrigatória a apresentação de citações, no entanto podem surgir na resposta a título ilustrativo.
Passos finais:
- Verifica a sintaxe, a ortografia,
a pontuação...
(um texto ilegível é um texto anulado, pontuado com 0).
- Verifica se estruturaste o texto expositivo, apresentando uma introdução, um desenvolvimento e uma conclusão.
- Verifica se justificaste a evocação à lenda de Santo António.
Parte 2 Padre António Vieira
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Transcript
Sermão de santo António aos peixes
Padre António Vieira
Parte B, Exame Nacional de 2017/ 2.ª fase
Pergunta
Justifique a evocação da lenda de Santo António, no contexto em que ocorre (linhas 13 a 15).
Já que assim o experimentais com tanto dano vosso, importa que daqui por diante sejais mais Repúblicos e zelosos do bem comum, e que este prevaleça contra o apetite particular de cada um, para que não suceda que, assim como hoje vemos a muitos de vós tão diminuídos, vos venhais a consumir de todo. Não vos bastam tantos inimigos de fora e tantos perseguidores tão astutos e pertinazes, quantos são os pescadores, que nem de dia nem de noite deixam de vos pôr em cerco e fazer guerra por tantos modos? Não vedes que contra vós se emalham e entralham as redes; contra vós se tecem as nassas, contra vós se torcem as linhas, contra vós se dobram e farpam os anzóis, contra vós as fisgas e os arpões? Não vedes que contra vós até as canas são lanças e as cortiças armas ofensivas? Não vos basta, pois, que tenhais tantos e tão armados inimigos de fora, senão que também vós de vossas portas adentro o haveis de ser mais cruéis, perseguindo-vos com uma guerra mais que civil e comendo-vos uns aos outros? Cesse, cesse já, irmãos peixes, e tenha fim algum dia esta tão perniciosa discórdia; e pois vos chamei e sois irmãos, lembrai-vos das obrigações deste nome. Não estáveis vós muito quietos, muito pacíficos e muito amigos todos, grandes e pequenos, quando vos pregava S. António? Pois continuai assim, e sereis felizes.
10
15
Padre António Vieira, Sermão de Santo António (aos peixes) e Sermão da Sexagésima, edição de Margarida Vieira Mendes, Lisboa, Seara Nova, 1978, pp. 91-92
Passos:
- Conclusão: fecho do texto.
Revisão das regras gramaticais, coesão, coerência e conectores.- Desenvolvimento: justificação da evocação da lenda de Santo António.
Hipóteses de justificação:Escrita
Neste excerto, Padre António Vieira evoca a lenda de Santo António quando este pregou aos peixes.Esta evocação comprova a ideia, defendida pelo orador, de que está convencido de que os peixes podem, se quiserem, viver em união, em amizade e em paz. Na verdade, de acordo com a lenda, os peixes ouviram Santo António com devoção, «muito quietos, muito pacíficos e muito amigos todos» (linha 14). Os peixes tinham já demonstrado ser capazes de adotar um comportamento pacífico e fraterno. Comprova-se, assim, que «grandes e pequenos» (linha 14) poderão novamente encontrar a felicidade («Pois continuai assim, e sereis felizes.» – linha 15), se seguirem os conselhos do orador. Concluíndo, podemos afirmar que a evocação da lenda de Santo António, um Doutor da Igreja, justifica as ideias defendidas pelo orador, dando-lhe um argumento de validação.
Nota – Não é obrigatória a apresentação de citações, no entanto podem surgir na resposta a título ilustrativo.
Passos finais:
- Verifica a sintaxe, a ortografia,
a pontuação...- Cuidado com a tua grafia
(um texto ilegível é um texto anulado, pontuado com 0).