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Bocage - Autorretrato

Biblioteca Essps

Created on June 5, 2024

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Transcript

Bocage

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Biografia

Manuel Maria de Barbosa l'Hedois du Bocage nasceu em Setúbal a 15 de Setembro de 1765 e morreu em Lisboa a 21 de Dezembro de 1805, foi um poeta português e, possivelmente, o maior representante do arcadismo lusitano. Embora ícone deste movimento literário, é uma figura inserida num período de transição do estilo clássico para o estilo romântico que terá forte presença na literatura portuguesa do século XIX.

Magro, de olhos azuis, carão moreno, Bem servido de pés, meão na altura, Triste de facha, o mesmo de figura, Nariz alto no meio, não pequeno; Incapaz de assistir num só terreno, Mais propenso ao furor do que à ternura; Bebendo em níveas mãos, por taça escura, De zelos Infernais letal veneno; Devoto incensador de mil deidades (Digo, de moças mil) num só momento, E somente no altar amado os frades, Eis Bocage em quem luz algum talento; Saíram dele mesmo estas verdades, Num dia em que se achou mais pachorrento.

O poema "Magro, de olhos azuis, carão moreno" é um autorretrato. Na primeira parte do poema, constituído pelas primeiras três estrofes, o sujeito poético faz a sua caracterização física e psicológica. A descrição física é feita na primeira quadra - cara magra, olhos azuis, pele morena, estatura média e nariz grande; a descrição psicológica é feita na última quadra e no primeiro terceto - inconstante, facilmente irritável e bastante "mulherengo". No último terceto, Bocage revela a sua identidade e mostra ao leitor em que circunstâncias escreveu ele o poema.

Análise fORMAL

O poema "Magro, de olhos azuis, carão moreno" de Bocage é constituído por quatro estrofes, neste caso, por duas quadras e dois tercetos, sendo por isso um soneto. Quanto às rimas, nas duas primeiras estrofes, a rima é interpolada com o esquema rimático ABBA. Nas duas últimas estrofes, a rima é cruzada de esquema rimático CDC. Quanto às sílabas métricas, os versos são todos decassilábicos.

Análise Estilística

O SUJEITO POÉTICO UTILIZA VÁRIOS RECURSOS EXPRESSIVOS COMO:

- IRONIA

- HIPÉRBOLE

- ANTÍTESE

"Devoto incensador de mil deidades" "Incapaz de assistir num só terreno"

Mais propenso ao furor do que à ternura Bebendo em níveas mãos, por taça escura,

"Eis Bocage em quem luz algum talento"