Os Maias
Episódios da vida romântica
Eça de Queiroz
Tânia Soares 11ºB Prof.:Maria João
Carlos e maria eduarda
- Portugal, séc. XIX. Afonso da Maia casa com Maria Eduarda Runa e deste casamento nasce Pedro, um rapaz nervoso e instável, superprotegido pela mãe.
- Pedro é um rapaz inseguro e frágil, o oposto do seu pai, que sempre foi contra à educação cristã que sua mulher dava ao filho. Desde a morte da mãe, Pedro vivia enclausurado pela melancolia, mas a sua vida transforma-se inteiramente quando conhece Maria Monforte.
- Apaixonado, Pedro corta relações com o pai e casa-se com Maria, com quem tem dois filhos: Maria Eduarda e Carlos Eduardo.
- O casal vive em harmonia até o dia em que um acidente transforma a felicidade familiar. Durante uma caçada, Pedro fere o príncipe italiano Tancredo e, para se desculpar, leva-o para se recuperar em sua casa.
- Tancredo e Maria Monforte apaixonam-se.
- Ela resolve fugir com o príncipe,leva consigo a pequena Maria Eduarda e deixa Carlos para ser criado pelo pai.
- Com o desgosto, Pedro suicida-se.
- Após o suicídio do pai, Pedro, Carlos vai viver com o avô Afonso.
- Carlos forma-se em Medicina na Universidade de Coimbra e vai viver com o avô para Lisboa, na velha mansão dos Maia. Até que conhece Maria Eduarda, uma mulher bela e cheia de mistérios que acabou de chegar à capital.
- Carlos acaba por conseguir uma aproximação quando é chamado por ela, para visitar, como médico, a sua governanta que adoecera.
- Começam então os encontros de Carlos e Maria Eduarda.
- Carlos descobre que Maria Eduarda é sua irmã através da herança deixada por Maria Monforte.
- Carlos não aceita este facto e mantém abertamente, a relação – incestuosa – com a irmã, sem que esta saiba que são irmãos.
- Afonso da Maia ao descobrir que Carlos, mesmo sabendo que Maria Eduarda é sua irmã, continua com a relação, morre de desgosto.
- Ao descobrir tudo, Maria Eduarda, agora rica, parte para o estrangeiro e Carlos, para se distrair, vai correr o mundo.
Em consequência direta do método educativo recebido, as duas crianças apresentam características antagónicas.
Carlos revela-se uma criança autoconfiante (visível na forma altiva como responde a Vilaça), cheia de vitalidade e que domina perfeitamente o inglês. Pelo contrário, Eusebiozinho é uma personagem marcada pela falta de energia, pela debilidade física e pelo gosto por um saber teórico e obsoleto.
A vitalidade de Carlos decorre de uma educação que promove o exercício físico, contrastando com a fragilidade de Eusebiozinho, que é uma consequência de a educação portuguesa apenas valorizar o conhecimento teórico e de ser marcada pela superproteção. Além disso, a autoconfiança de Carlos e o facto de falar inglês decorrem de uma método educativo que promove o desenvolvimento da sua curiosidade natural e a aprendizagem de línguas vivas. Em contrapartida, Eusebiozinho assume um papel passivo no seu processo educativo, limitando-se a memorizar informações já ultrapassadas.
A educação nos maias
O contraste entre a educação à inglesa de Carlos e a educação tradicional de Eusebiozinho.
Afonso da Maia considerava que a educação de uma criança não se deveria iniciar com o estudo do latim, na medida em que, na sua opinião, não fazia sentido ensinar a uma criança acontecimentos do passado numa língua morta sem a fazer compreender primeiro a realidade que a rodeia. Além disso, também acreditava que a preparação inicial de uma criança devia visar que esta se desenvolvesse de forma saudável a nível físico.
Confronto entre a educação
Eusebiozinho-tradicional
Carlos da Maia-à inglesa
Pedagogo Inglês – Brown Contacto com a Natureza Aprendizagem de línguas vivas: Inglês Brincadeiras e divertimento Rigor, método e ordem Valorização da criatividade e juízo crítico Submissão da vontade ao dever Desprezo da Cartilha e do conhecimento teórico Exercício físico: ginástica ao ar livre
Pedagogo Português – Abade Custódio Permanecia em casa Aprendizagem de línguas mortas: Latim Contacto com velhos livros Super proteção Valorização da memorização Suborno da vontade pela chantagem afetiva Estudo da Cartilha Débil na sua saúde e não tinha atividade física
João da Ega: amigo de longa data de Carlos da Maia , organiza o jantar como a intenção de homenagear Jacob Cohen , o marido de Raquel Cohen , a amante de Ega. Tomás de Alencar:
É um poeta ultrarromântico, de um idealismo extremo , amigo de juventude de Pedro da Maia.
Jacob Cohen:
É o homenageado do jantar, diretor do Banco Nacional. É um financeiro sem escrúpulos representante da alta finança do país.
Craft:
É inglês e assume-se como o símbolo do caráter e do bom gosto britânicos. É com este que Carlos se mais identifica devido à sua educação, criando desde cedo uma amizade espontânea.
Dâmaso Salcede:
Português vulgar de um estatuto social privilegiado, caracterizado pela sua cobardia e egoismo.
Carlos da Maia:
Apresenta-se pela primeira vez à sociedade, no entanto, distancia-se da conversa, apenas comentando alguns aspetos.
Carlos e Craft encontram-se no peristilo do Hotel Central, antes do jantar, quando vêem Maria Eduarda, este é a primeira vez que Carlos e Maria Eduarda se encontram
O jantar no hotel Central
Intervenientes
Do ponto de vista de Carlos desta forma o país, caminhava “alegremente” para a bancarrota e, no seu cinismo, Cohen concordava com ele despreocupadamente. Por oposição, Ega defende que o que convinha a Portugal era uma revolução que iria permitir ao país um novo começo, longe da incompetência da gente que o governa.
Mas vendo os seus conhecidos a serem insultados de tal forma Cohen, acalma os ânimos e revela que o que Portugal precisa é de reformas.
Ao jantar discutem-se vários aspetos da sociedade portuguesa como literatura, finanças e história política.
Entre os temas discutidos o que ganha mais relevo é, sem dúvida, o da literatura. O crime da Mouraria introduz a discussão literária após a observação de Carlos, que via este episódio como uma boa oportunidade para um romance. Assim se começa a discutir o Realismo.
Alencar, poeta ultrarromântico, contesta e pede que “não se fale do excremento à hora asseada do jantar”, rejeitando as análises anteriormente feitas que tanto pareciam agradar ao público.
Quando Craft e Carlos apontam também várias falhas do Realismo e do Naturalismo, Ega defende-o pelo exagero e a Ciência, não a distinguindo de Literatura. Mas ao ver o tédio do seu homenageado em relação ao assunto discutido, Ega muda de assunto e decide falar sobre as finanças do país, fazendo referência à grande inovação, os empréstimos. O banqueiro afirma que estes constituíam “uma fonte de receita tão indispensável como o imposto”, e que a única ocupação dos ministérios era “cobrar o imposto” e “fazer o empréstimo”.
Espaços simbólicos e emotivos n'Os Maias
- O Ramalhete
- A Toca (casa de Maria Eduarda nos Olivais)
- Santa Olávia (o Solar da família Maia, em Resende)
- Sintra
- Lisboa
- Coimbra
- Espaços estrangeiros
O Ramalhte
Na opinião de Vilaça, as paredes do Ramalhete sempre foram fatais aos Maias. Está ligado à decadência nacional. Aliás, o ramo de girassóis aponta para uma atitude contemplativa de submissão, associada à incapacidade de ultrapassar esse estado rebaixado. Isto reflete não só a presença avassaladora da paixão na família Maia, mas também o estado do próprio país. O jardim do Ramalhete também é rico em simbolismo. Sobressaem três símbolos: o cipreste, o cedro e a Vénus Citereia. O cipreste e o cedro, unidos de forma incorruptível pelas suas raízes que a tudo resistem, simbolizam o Amor Absoluto. A estátua da Vénus Citereia liga-se à sedução e à volúpia da deusa do amor. Passa por três fases: na altura da morte de Pedro, enegrecia a um canto; após a remodelação do Ramalhete, reapareceu em todo o seu esplendor, como símbolo de vida feliz, não deixando, no entanto, de estar ligada à desgraça futura, enquanto símbolo feminino desestabilizador; na terceira e última fase, aparece coberta de ferrugem verde e humidade, assumindo uma simbologia negativa de destruição. Importa referir também a cascata: a água é símbolo de regeneração e purificação, e o seu fluir representa a passagem inexorável do tempo, associada à ideia de Destino.
O Ramalhete (10 anos depois)
Passados dez anos, a casa é um espaço frio, decadente, “amortalhado” sob lençóis, uma vez que Carlos levou para Paris parte do recheio do Ramalhete. No jardim, a Vénus enferrujada e a cascata sem água sublinham a decadência. O Ramalhete acompanha e simboliza a glória e a decadência dos Maias.
A Toca (casa de Maria Eduarda nos Olivais)
Uma toca é um covil de um animal, é onde este se esconde das ameaças exteriores. Assim, o nome da casa aponta para uma amor marginal, que se torna animalesco por ser incestuoso, desafiando as leis humanas, primeiro de forma inconsciente, depois bestialmente consumado. Na Toca multiplicam-se os elementos trágicos, sobretudo no quarto de Maria Eduarda: a tapeçaria com os amores de Vénus e Marte; a pintura da cabeça degolada; a coruja empalhada.
Santa Olávia (Solar da família Maia, em Resende)
Simboliza a vida e a regeneração dos dois varões da família. É um espaço natural, conotado positivamente.
¨ Opõe-se ao espaço citadino degradado – Lisboa – local da degeneração da família.
Sintra
É um local idílico e representa a beleza paradisíaca. O seu aspeto edénico, será, no entanto, corrompido pela intrusão dos vícios decadentes, representados pelas figuras de Eusebiozinho e Palma Cavalão, acompanhados de prostitutas espanholas. Também Dâmaso Salcede transporta o seu “chique a valer” para Sintra, tornando este Éden natural uma continuação do espaço lisboeta.
Lisboa
Representa Portugal inteiro: “O país está todo entre a Arcada e S. Bento!” (cap. VI). Símbolo da decadência nacional, Lisboa é caracterizada pela degradação moral e pela ociosidade crónica. No último capítulo da obra, destaca-se a estátua de Camões, que assiste impotente à decadência do país. O país, estagnado e politicamente amorfo, é incapaz de se regenerar, rendendo-se à mediocridade intelectual e à adoção de modas estrangeiras, renunciando a qualquer sentido de identidade própria.
Coimbra
Espaço da formação académica de Carlos, Coimbra é símbolo da boémia estudantil, artística e literária. Eça terá escolhido Coimbra pelo facto de esta cidade ter sido o palco da Questão Coimbrã. Além disso, foi onde o próprio Eça estudou.
Espaços estrangeiros
Em Londres exilou-se Afonso, e em Paris exilar-se-á Carlos depois da morte do avô. Em ambas as cidades viveu Maria Eduarda e daí trouxe o requinte que a distingue das demais. Para Dâmaso, é chique ir a Paris. Paris e Londres são, no imaginário português, a Europa civilizada. Os portugueses imitam as modas estrangeiras, como é visível, por exemplo, no episódio das Corridas no Hipódromo de Belém. No entanto, nas palavras de Ega, esta importação de modas estrangeiras não resulta, pois a civilização em segunda mão fica-nos “curta nas mangas”. No fim do romance, Carlos diz que Portugal “é horrível quando se vem de fora”.
Título e subtítulo
Os Maias - episódios da vida romântica
Os Maias é uma das obras mais conhecidas do escritor português Eça de Queiroz. O livro foi publicado no Porto em 1888.
A obra ocupa-se da história de uma família (Maia) ao longo de três gerações, centrando-se depois na última com a história de amor incestuoso entre Carlos da Maia e Maria Eduarda.
Ou seja o titulo faz referência ao nome da família, "Maia", e o subtítulo fala mais concretamente na vida de Carlos Eduardo da Maia e da relação amorosa que tinha com sua irmã desconhecida Maria Eduarda.
webgrafia
https://mariablimunda.blogs.sapo.pt/o-tema-da-educacao-nos-maias-15871 https://barbaracpereira.blogspot.com/2016/03/o-jantar-no-hotel-central-os-maias.html
https://purl.pt/93/1/iconografia/os_maias/aml_arq_fot_a242_fic.html
https://www.goconqr.com/flashcard/16676054/os-maias
https://www.jornaldaslajes.com.br/integra/eca-de-queiros-na-familia-resende-e-resende-na-obra-de-eca/1459/
https://joiapires26.blogspot.com/2014/03/os-maias-titulo-e-subtitulo.html
https://auladaproflis.blogspot.com/2012/04/o-espaco-fisico-e-os-elementos.html
https://ciberjornal.blog/wp-content/uploads/2015/05/resumo-de-os-maias.pdf
Os Maias-episódios da vida romântica
Tânia
Created on May 10, 2024
Os Maias
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Os Maias
Episódios da vida romântica
Eça de Queiroz
Tânia Soares 11ºB Prof.:Maria João
Carlos e maria eduarda
Em consequência direta do método educativo recebido, as duas crianças apresentam características antagónicas. Carlos revela-se uma criança autoconfiante (visível na forma altiva como responde a Vilaça), cheia de vitalidade e que domina perfeitamente o inglês. Pelo contrário, Eusebiozinho é uma personagem marcada pela falta de energia, pela debilidade física e pelo gosto por um saber teórico e obsoleto. A vitalidade de Carlos decorre de uma educação que promove o exercício físico, contrastando com a fragilidade de Eusebiozinho, que é uma consequência de a educação portuguesa apenas valorizar o conhecimento teórico e de ser marcada pela superproteção. Além disso, a autoconfiança de Carlos e o facto de falar inglês decorrem de uma método educativo que promove o desenvolvimento da sua curiosidade natural e a aprendizagem de línguas vivas. Em contrapartida, Eusebiozinho assume um papel passivo no seu processo educativo, limitando-se a memorizar informações já ultrapassadas.
A educação nos maias
O contraste entre a educação à inglesa de Carlos e a educação tradicional de Eusebiozinho. Afonso da Maia considerava que a educação de uma criança não se deveria iniciar com o estudo do latim, na medida em que, na sua opinião, não fazia sentido ensinar a uma criança acontecimentos do passado numa língua morta sem a fazer compreender primeiro a realidade que a rodeia. Além disso, também acreditava que a preparação inicial de uma criança devia visar que esta se desenvolvesse de forma saudável a nível físico.
Confronto entre a educação
Eusebiozinho-tradicional
Carlos da Maia-à inglesa
Pedagogo Inglês – Brown Contacto com a Natureza Aprendizagem de línguas vivas: Inglês Brincadeiras e divertimento Rigor, método e ordem Valorização da criatividade e juízo crítico Submissão da vontade ao dever Desprezo da Cartilha e do conhecimento teórico Exercício físico: ginástica ao ar livre
Pedagogo Português – Abade Custódio Permanecia em casa Aprendizagem de línguas mortas: Latim Contacto com velhos livros Super proteção Valorização da memorização Suborno da vontade pela chantagem afetiva Estudo da Cartilha Débil na sua saúde e não tinha atividade física
João da Ega: amigo de longa data de Carlos da Maia , organiza o jantar como a intenção de homenagear Jacob Cohen , o marido de Raquel Cohen , a amante de Ega. Tomás de Alencar: É um poeta ultrarromântico, de um idealismo extremo , amigo de juventude de Pedro da Maia. Jacob Cohen: É o homenageado do jantar, diretor do Banco Nacional. É um financeiro sem escrúpulos representante da alta finança do país. Craft: É inglês e assume-se como o símbolo do caráter e do bom gosto britânicos. É com este que Carlos se mais identifica devido à sua educação, criando desde cedo uma amizade espontânea. Dâmaso Salcede: Português vulgar de um estatuto social privilegiado, caracterizado pela sua cobardia e egoismo. Carlos da Maia: Apresenta-se pela primeira vez à sociedade, no entanto, distancia-se da conversa, apenas comentando alguns aspetos. Carlos e Craft encontram-se no peristilo do Hotel Central, antes do jantar, quando vêem Maria Eduarda, este é a primeira vez que Carlos e Maria Eduarda se encontram
O jantar no hotel Central
Intervenientes
Do ponto de vista de Carlos desta forma o país, caminhava “alegremente” para a bancarrota e, no seu cinismo, Cohen concordava com ele despreocupadamente. Por oposição, Ega defende que o que convinha a Portugal era uma revolução que iria permitir ao país um novo começo, longe da incompetência da gente que o governa. Mas vendo os seus conhecidos a serem insultados de tal forma Cohen, acalma os ânimos e revela que o que Portugal precisa é de reformas.
Ao jantar discutem-se vários aspetos da sociedade portuguesa como literatura, finanças e história política. Entre os temas discutidos o que ganha mais relevo é, sem dúvida, o da literatura. O crime da Mouraria introduz a discussão literária após a observação de Carlos, que via este episódio como uma boa oportunidade para um romance. Assim se começa a discutir o Realismo. Alencar, poeta ultrarromântico, contesta e pede que “não se fale do excremento à hora asseada do jantar”, rejeitando as análises anteriormente feitas que tanto pareciam agradar ao público. Quando Craft e Carlos apontam também várias falhas do Realismo e do Naturalismo, Ega defende-o pelo exagero e a Ciência, não a distinguindo de Literatura. Mas ao ver o tédio do seu homenageado em relação ao assunto discutido, Ega muda de assunto e decide falar sobre as finanças do país, fazendo referência à grande inovação, os empréstimos. O banqueiro afirma que estes constituíam “uma fonte de receita tão indispensável como o imposto”, e que a única ocupação dos ministérios era “cobrar o imposto” e “fazer o empréstimo”.
Espaços simbólicos e emotivos n'Os Maias
O Ramalhte
Na opinião de Vilaça, as paredes do Ramalhete sempre foram fatais aos Maias. Está ligado à decadência nacional. Aliás, o ramo de girassóis aponta para uma atitude contemplativa de submissão, associada à incapacidade de ultrapassar esse estado rebaixado. Isto reflete não só a presença avassaladora da paixão na família Maia, mas também o estado do próprio país. O jardim do Ramalhete também é rico em simbolismo. Sobressaem três símbolos: o cipreste, o cedro e a Vénus Citereia. O cipreste e o cedro, unidos de forma incorruptível pelas suas raízes que a tudo resistem, simbolizam o Amor Absoluto. A estátua da Vénus Citereia liga-se à sedução e à volúpia da deusa do amor. Passa por três fases: na altura da morte de Pedro, enegrecia a um canto; após a remodelação do Ramalhete, reapareceu em todo o seu esplendor, como símbolo de vida feliz, não deixando, no entanto, de estar ligada à desgraça futura, enquanto símbolo feminino desestabilizador; na terceira e última fase, aparece coberta de ferrugem verde e humidade, assumindo uma simbologia negativa de destruição. Importa referir também a cascata: a água é símbolo de regeneração e purificação, e o seu fluir representa a passagem inexorável do tempo, associada à ideia de Destino.
O Ramalhete (10 anos depois)
Passados dez anos, a casa é um espaço frio, decadente, “amortalhado” sob lençóis, uma vez que Carlos levou para Paris parte do recheio do Ramalhete. No jardim, a Vénus enferrujada e a cascata sem água sublinham a decadência. O Ramalhete acompanha e simboliza a glória e a decadência dos Maias.
A Toca (casa de Maria Eduarda nos Olivais)
Uma toca é um covil de um animal, é onde este se esconde das ameaças exteriores. Assim, o nome da casa aponta para uma amor marginal, que se torna animalesco por ser incestuoso, desafiando as leis humanas, primeiro de forma inconsciente, depois bestialmente consumado. Na Toca multiplicam-se os elementos trágicos, sobretudo no quarto de Maria Eduarda: a tapeçaria com os amores de Vénus e Marte; a pintura da cabeça degolada; a coruja empalhada.
Santa Olávia (Solar da família Maia, em Resende)
Simboliza a vida e a regeneração dos dois varões da família. É um espaço natural, conotado positivamente. ¨ Opõe-se ao espaço citadino degradado – Lisboa – local da degeneração da família.
Sintra
É um local idílico e representa a beleza paradisíaca. O seu aspeto edénico, será, no entanto, corrompido pela intrusão dos vícios decadentes, representados pelas figuras de Eusebiozinho e Palma Cavalão, acompanhados de prostitutas espanholas. Também Dâmaso Salcede transporta o seu “chique a valer” para Sintra, tornando este Éden natural uma continuação do espaço lisboeta.
Lisboa
Representa Portugal inteiro: “O país está todo entre a Arcada e S. Bento!” (cap. VI). Símbolo da decadência nacional, Lisboa é caracterizada pela degradação moral e pela ociosidade crónica. No último capítulo da obra, destaca-se a estátua de Camões, que assiste impotente à decadência do país. O país, estagnado e politicamente amorfo, é incapaz de se regenerar, rendendo-se à mediocridade intelectual e à adoção de modas estrangeiras, renunciando a qualquer sentido de identidade própria.
Coimbra
Espaço da formação académica de Carlos, Coimbra é símbolo da boémia estudantil, artística e literária. Eça terá escolhido Coimbra pelo facto de esta cidade ter sido o palco da Questão Coimbrã. Além disso, foi onde o próprio Eça estudou.
Espaços estrangeiros
Em Londres exilou-se Afonso, e em Paris exilar-se-á Carlos depois da morte do avô. Em ambas as cidades viveu Maria Eduarda e daí trouxe o requinte que a distingue das demais. Para Dâmaso, é chique ir a Paris. Paris e Londres são, no imaginário português, a Europa civilizada. Os portugueses imitam as modas estrangeiras, como é visível, por exemplo, no episódio das Corridas no Hipódromo de Belém. No entanto, nas palavras de Ega, esta importação de modas estrangeiras não resulta, pois a civilização em segunda mão fica-nos “curta nas mangas”. No fim do romance, Carlos diz que Portugal “é horrível quando se vem de fora”.
Título e subtítulo
Os Maias - episódios da vida romântica Os Maias é uma das obras mais conhecidas do escritor português Eça de Queiroz. O livro foi publicado no Porto em 1888. A obra ocupa-se da história de uma família (Maia) ao longo de três gerações, centrando-se depois na última com a história de amor incestuoso entre Carlos da Maia e Maria Eduarda. Ou seja o titulo faz referência ao nome da família, "Maia", e o subtítulo fala mais concretamente na vida de Carlos Eduardo da Maia e da relação amorosa que tinha com sua irmã desconhecida Maria Eduarda.
webgrafia
https://mariablimunda.blogs.sapo.pt/o-tema-da-educacao-nos-maias-15871 https://barbaracpereira.blogspot.com/2016/03/o-jantar-no-hotel-central-os-maias.html
https://purl.pt/93/1/iconografia/os_maias/aml_arq_fot_a242_fic.html
https://www.goconqr.com/flashcard/16676054/os-maias
https://www.jornaldaslajes.com.br/integra/eca-de-queiros-na-familia-resende-e-resende-na-obra-de-eca/1459/
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https://auladaproflis.blogspot.com/2012/04/o-espaco-fisico-e-os-elementos.html
https://ciberjornal.blog/wp-content/uploads/2015/05/resumo-de-os-maias.pdf