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Vasco Graça Moura

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Created on April 15, 2024

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Transcript

Vasco

Graça

Moura

Biografia:

Nascimento:

Foz do Douro (Porto), 3 de janeiro de 1942.

Falecimento:

Lisboa, 27 de abril 2014.

Formação:

Faculdade de direito, 1966.

Carreira:

Escritor, tradutor e político.

Casamento e filhos:

4 filhos, frutos de 3 casamentos.

Obras importantes:

Quatro Últimas Canções (1987)

366 Poemas que Falam de Amor (2004)

Testamento de VGM (2001)

Naufrágio de Sepúlveda (1988)

Os Lusíadas para gente nova (2012)

Prémios:

Prémio Pessoa (1995)

Prémio de Poesia do PEN Clube (1997)

Prémio de Poesia da APE (1997)

Prémio internacional «La cultura del mar» (2002)

Características:

Representações do contemporâneo

Tradição literária

Poesia Humanista, melancólica e satírica. Dimensão autobiográfica.

Diálogo intertextual com poetas nacionais (Camões, Pessoa). Também tem como inspiração Dante, Petrarca e Shakespeare.

Figurações

Arte poética

Perseção subjetiva da realidade.Desprezo pelo sentimentalismo barroco.

Uso de metáforas e jogos de palavras desafiantes.Modela a palavra, a rima e a métrica.

Poemas:

As meninas

Vita Brevis

Crónica Feminina

Nova Meditação Sobre a Palavra

Borges e as Rosas

Crónica Feminina

Tema

Estava nua, só um colar lhe dava horizontes de incêndio sobre o peito, a transmutar, num halo insatisfeito, a rosa de rubis em quente lava. Estava nua e branca num estreito lençol que o fim do sono desdobrava e a noite era mais livre e a lua escrava e o mais breve pretérito imperfeito Só o tempo verbal lhe fugiria, no alongar dos gestos e requebros, junto do espelho quando as aves vão. Toda a nudez, toda a melancolia a dor no mundo, a deslembrança, a febre, os olhos rasos de água e solidão.

+ O amor sensual. + Uma manifestação direta de um impulso erótico, que se exprime na afirmação do desejo explicito do corpo.

Simbolos

+ O retrato feminino, configura a serenidade. + O colar sobre a nudez, revela um deliberado deleito do "eu" liríco.

Recursos expressivos

+ Assíndeto/polissíndeto

+ Anáfora

+ Personificação

+ Adjetivação

+ Paralelismo

Crónica Feminina

Rima

Estava nua, só um colar lhe dava horizontes de incêndio sobre o peito, a transmutar, num halo insatisfeito, a rosa de rubis em quente lava. Estava nua e branca num estreito lençol que o fim do sono desdobrava e a noite era mais livre e a lua escrava e o mais breve pretérito imperfeito Só o tempo verbal lhe fugiria, no alongar dos gestos e requebros, junto do espelho quando as aves vão. Toda a nudez, toda a nudez, toda a melancolia a dor no mundo, a deslembrança, a febre, os olhos rasos de água e solidão

+ Interpolada.

Métrica

+ Irregular.

Composição

+ Duas quadras e dois tercetos.

Curiosidades:

Vida política

Divina comédia

Recebeu o Prémio Pessoa em 1995 e a medalha de ouro da Comuna de Florença em 1998, ambos atribuídos à sua tradução da Divina Comédia de Dante.

Após o 25 de Abril de 1974, aderiu ao PSD. Entre 1975 e 1976, foi deputado à Assembleia Constituinte, eleito pelo PPD.

Prémio em seu nome

Após a sua morte, foi criado o Prémio Imprensa Nacional/Vasco Graça Moura, que pretende distinguir anualmente uma obra e, eventualmente, atribuir uma ou mais menções honrosas.

As minhas filhas nadam. a mais nova leva nos braços bóias pequeninas, a outra dá um salto e põe à prova o corpo esguio, as longas pernas finas: Entre risadas como serpentinas, vai como a formosinha numa trova, salta a pés juntos, dedos nas narinas, e emerge ao sol que o seu cabelo escova. A água tem a pele azul-turquesa e brilhos e salpicos, e mergulham feitas pura alegria incandescente. E ficam, de ternura e de surpresa, nas toalhas de cor em que se embrulham, ninfinhas sobre a relva, de repente.

"As meninas"

Exercícios:

1. Explica a temática do poema.

2. Faz a análise formal do poema.

3. Identifica o papel que (o)s recurs(o)s expressiv(o)s têm na atmosera do poema.

Soluções:

1. Explica a temática do poema.

O poema "As Minhas Filhas Nadam" de Vasco Graça Moura narra a história de duas filhas do poeta a nadar, em que uma delas usa boias pequeninas e a outra salta para testar suas habilidades.

2. Faz a análise formal do poema.

A métrica do poema é constituída por versos decassílabos, que seguem um padrão rítmico regular. O ritmo do poema é acentuado pelo uso de rimas consonantes, que criam um efeito sonoro agradável ao ouvido. Por exemplo, as rimas "finas" e "narinas", ou "mergulham" e "incandescente". A rima é alternada em parte do poema e em outra interpolada. Quanto à sua composição, estão presentes duas quadras e dois tercetos.

3. Identifica o papel que (o)s recurs(o)s expressiv(o)s têm na atmosera do poema.

O poema apresenta uma linguagem figurada, em que as meninas são comparadas a serpentinas, a água é personificada com "pele azul-turquesa" e a alegria das meninas é descrita como "incandescente". Esses recursos expressivos ajudam a criar uma atmosfera de felicidade e de harmonia entre a natureza e as pessoas.

Webgrafia

Wikipedia

Quetzal editores

Portal da Literatura

https://www.portaldaliteratura.com/autores.php?autor=85

https://pt.wikipedia.org/wiki/Vasco_Gra%C3%A7a_Moura

https://www.quetzaleditores.pt/autor/vasco-graca-moura/17524

Escritas.org

Imprensa Nacional

Comunidade de C.A.

https://www.escritas.org/pt/vasco-graca-moura

https://imprensanacional.pt/premio-in-vgm-calendario-faq/

https://comunidadeculturaearte.com/vasco-graca-moura-o-poeta-do-presente/

Obrigada!

Catarina Rosa Nº7 Joana Gomes Nº13

Vita Brevis

A vida breve, revele-a a pulsação que lateja no efémero da camélia, ou no lustro da cereja, É a do coração que dita a dor que lhe sobejou a tentar deixá-la escrita mas não conta o que escapou Pelo espelho, quando a máscara vai perdendo o frenesim, e agora tanto lhe faz: para o caso é mesmo assim, Nem há lixa ou aguarrás que apague as marcas que traz.

Anáfora

Estava nua, só um colar lhe dava horizontes de incêndio sobre o peito, a transmutar, num halo insatisfeito, a rosa de rubis em quente lava. Estava nua e branca num estreito lençol que o fim do sono desdobrava e a noite era mais livre e a lua escrava e o mais breve pretérito imperfeito

Assíndeto e polissíndeto

Estava nua, só um colar lhe dava horizontes de incêndio sobre o peito, a transmutar, num halo insatisfeito, a rosa de rubis em quente lava. Estava nua e branca num estreito lençol que o fim do sono desdobrava e a noite era mais livre e a lua escrava e o mais breve pretérito imperfeito

Crónica Feminina

Estava nua, só um colar lhe dava horizontes de incêndio sobre o peito, a transmutar, num halo insatisfeito, a rosa de rubis em quente lava. Estava nua e branca num estreito lençol que o fim do sono desdobrava e a noite era mais livre e a lua escrava e o mais breve pretérito imperfeito Só o tempo verbal lhe fugiria, no alongar dos gestos e requebros, junto do espelho quando as aves vão. Toda a nudez, toda a nudez, toda a melancolia a dor no mundo, a deslembrança, a febre, os olhos rasos de água e solidão

Quatro Últimas Canções

Em Quatro Últimas Canções há histórias de amor e de música que se entrelaçam e desenvolvem em contraponto. Nesse contraponto, o jogo de espelhos entre um espaço real e um espaço virtual, as casas de Mateus e de Constantim, respectivamente, abre um quadro cénico que torna possível reenvios, perspectiva e efeitos romanescos de vária ordem. Neste seu romance, cuja primeira edição é de 1987, Vasco Graça Moura mostra a importância da lição dos nossos grandes romancistas do século xix para a ficção de finais do século xx.

"Histórias de amor e de música que se entrelaçam e desenvolvem em contraponto"

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As meninas

As minhas filhas nadam. A mais nova leva nos braços bóias pequeninas, a outra dá um salto e põe à prova o corpo esguio, as longas pernas finas: entre risadas como serpentinas, vai como a formosinha numa trova, salta a pés juntos, dedos nas narinas, e emerge ao sol que o seu cabelo escova. A água tem a pele azul-turquesa e brilhos e salpicos, e mergulham feitas pura alegria incandescente. E ficam, de ternura e de surpresa, nas toalhas de cor em que se embrulham, ninfinhas sobre a relva, de repente.

Naufrágio de sepúlveda

Vasco Graça Moura conta-nos o naufrágio financeiro de um empresário, nas vésperas da Revolução do 25 de Abril (naufrágio de/um Portugal). Os nomes das personagens da família do protagonista, Manuel de Sousa Sepúlveda, coincidem com os nomes da família do infeliz navegador do século XVI, narrado na História Trágico-Marítima. Neste romance, onde se conta a história de um homem que tenta "salvar o barco" da sua empresa, no contexto da "batalha naval nas águas da banca portuguesa" (num momento crucial da história nacional, o fim do fascismo e o período mais turbulento da Revolução de Abril), há sempre elementos simbólicos do próprio naufrágio nacional. Um livro polémico na altura em que foi publicado pela primeira vez, Naufrágio de Sepúlveda é uma obra fundamental e inesquecível.

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Os Lusíadas para gente nova

Um livro admirável em que Vasco Graça Moura, um dos mais destacados poetas portugueses, dialoga, em verso, com o texto camoniano, iluminando, esclarecendo e exaltando o canto originário. Através de um perfeito equilíbrio entre a reescrita modernizadora e a fidelidade à estrutura e aos significados da epopeia de Camões, Vasco Graça Moura assina uma obra indispensável a professores, educadores e jovens, para a compreensão fluída, correcta e abrangente de Os Lusíadas pelas novas gerações.

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Borges e as rosas

Sonhou as rosas, rosas de ninguém de substâncias de sombras evanescentes, e na roda das pétalas ausentes ficou o olhar perdido, no vaivém Das brisas no jardim do esquecimento. tinham carne de noite e de perfume e tacteou-as devagar, o gume afiou-se num macio desalento De lhes ter dado o nome: rosas, rosas factícias alastrando o seu vermelho de golfadas de sangue ao vão do espelho das águas e das luas ardilosas. E soube que o real era essa imagem devolvida no espelho, de passagem.

Adjetivação e dupla adjetivação

Estava nua, só um colar lhe dava horizontes de incêndio sobre o peito, a transmutar, num halo insatisfeito, a rosa de rubis em quente lava. Estava nua e branca num estreito lençol que o fim do sono desdobrava e a noite era mais livre e a lua escrava e o mais breve pretérito imperfeito.

Testamento de VGM

Neste poema autobiográfico (e de balanço de vida) escrito por altura do seu sexagésimo aniversário à maneira de um testamento, Vasco Graça Moura vai buscar inspiração à matriz de François Villon, poeta maldito da Idade Média francesa, mais concretamente ao seu poema «Le testament». Inicia-se este (de 1461) com a referência de Villon ao seu trigésimo aniversário («en l’an de mon trentième âge»). Graça Moura replica-o (dobrando o número de anos) no primeiro verso deste livro, em que se lê «no ano em que sou duplo trintão».

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Personificação

Estava nua, só um colar lhe dava horizontes de incêndio sobre o peito, a transmutar, num halo insatisfeito, a rosa de rubis em quente lava. Estava nua e branca num estreito lençol que o fim do sono desdobrava e a noite era mais livre e a lua escrava e o mais breve pretérito imperfeito Só o tempo verbal lhe fugiria, no alongar dos gestos e requebros, junto do espelho quando as aves vão. Toda a nudez, toda a melancolia a dor no mundo, a deslembrança, a febre, os olhos rasos de água e solidão.

Paralelismo

Toda a nudez, toda a melancolia a dor no mundo, a deslembrança, a febre, os olhos rasos de água e solidão.

366 Poemas que Falam de Amor

Nada há de tão natural no mundo da poesia como o tema do amor. Vasco Graça Moura reúne neste livro 366 poemas que falam de amor - que sofrem e exultam, desencorajam e comovem, entristecem e rejubilam, que falam da alegria e da surpresa do amor. E também da sua melancolia, dos seus nomes raros, da evidência, da sua inevitabilidade. Com esta escolha percorre-se também uma vasta tradição da poesia de todos os tempos, uma arte que nunca poderemos esquecer - e o deslumbramento diante do amor, justamente.

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Nova meditação sobre a palavra

Assim a palavra se prestasse ao jade ao jogo ao jugo de uma toda arte poética e nunca ripostasse em golpes repentinos de judoka Assim nunca o poema se traísse na trama aleatória de uma aposta perdida no seu hábil mecanismo traria o juro ao artesão que o monta